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Jamais Perdoar: A Traição Dele, A Justiça Dela

Jamais Perdoar: A Traição Dele, A Justiça Dela

Autor:: Critter
Gênero: Moderno
Meu pai morreu porque uma socialite bêbada, Kenia Cline, bloqueou a ambulância que o levava para o hospital. Ela riu enquanto filmava o caos para seus seguidores. Quando tentei levá-la à justiça, meu marido, Cássio, me dopou e apagou o vídeo do meu celular. Tudo porque Kenia Cline é filha do seu principal investidor. Ele a deixou se mudar para nossa casa, onde ela zombou da morte do meu pai. Ele me segurou enquanto ela derramava café fervendo no meu pescoço. "Olho por olho", ele disse calmamente. Na festa de aniversário de Kenia, eles me incriminaram pelo roubo de um colar e me forçaram a andar sobre brasas para provar minha inocência. A gota d'água foi quando Cássio mandou jogar o corpo do meu pai no oceano, apenas para proteger a assassina, Kenia Cline. Ele achou que tinha me quebrado. Mas meu pai, um advogado cauteloso, me deixou dois presentes: um acordo pós-nupcial blindado que me dava direito à metade do império bilionário de Cássio, e uma cópia secreta e criptografada do vídeo que ele pensou ter apagado. Ele não fazia ideia de que não tinha apenas destruído sua esposa; ele havia criado sua carrasca.

Capítulo 1

Meu pai morreu porque uma socialite bêbada, Kenia Cline, bloqueou a ambulância que o levava para o hospital. Ela riu enquanto filmava o caos para seus seguidores.

Quando tentei levá-la à justiça, meu marido, Cássio, me dopou e apagou o vídeo do meu celular. Tudo porque Kenia Cline é filha do seu principal investidor.

Ele a deixou se mudar para nossa casa, onde ela zombou da morte do meu pai. Ele me segurou enquanto ela derramava café fervendo no meu pescoço.

"Olho por olho", ele disse calmamente.

Na festa de aniversário de Kenia, eles me incriminaram pelo roubo de um colar e me forçaram a andar sobre brasas para provar minha inocência.

A gota d'água foi quando Cássio mandou jogar o corpo do meu pai no oceano, apenas para proteger a assassina, Kenia Cline.

Ele achou que tinha me quebrado. Mas meu pai, um advogado cauteloso, me deixou dois presentes: um acordo pós-nupcial blindado que me dava direito à metade do império bilionário de Cássio, e uma cópia secreta e criptografada do vídeo que ele pensou ter apagado. Ele não fazia ideia de que não tinha apenas destruído sua esposa; ele havia criado sua carrasca.

Capítulo 1

O telefone tocou, um som estridente e feio que cortou o silêncio do apartamento. Clara Viana ergueu os olhos da tela, uma mancha de azul-celeste na bochecha. Era do hospital.

"É a Clara Viana?", perguntou uma voz apressada.

"Sim", disse Clara, seu coração começando a disparar.

"Seu pai, Arthur Campos, sofreu um acidente. Ele está no Hospital Sírio-Libanês. Você precisa vir imediatamente."

O mundo girou. Clara largou o telefone e correu para pegar as chaves, sua mente um muro em branco de pânico. Ela ligou para o marido, Cássio Viana, mas a voz dele era um barítono tão frio e indiferente do outro lado da linha.

"Cássio, é o papai. Houve um acidente. Estou a caminho do hospital."

"Te encontro lá", ele disse instantaneamente. "Estou saindo do escritório agora. Não se preocupe, Clara. Vai ficar tudo bem."

Suas palavras me tranquilizaram, mas dirigir pelo trânsito de São Paulo era um inferno particular. Cada semáforo fechado, cada buzina de táxi parecia um golpe pesado. Ela finalmente conseguiu entrar em um trecho mais livre da Marginal Pinheiros, apenas para ver luzes piscando à frente. Uma Ferrari vermelha estava parada de lado, bloqueando completamente as duas pistas da rua.

Uma ambulância estava presa atrás dela, sua sirene soando impotente.

Clara buzinou com força. Uma jovem de cabelo platinado e vestido brilhante se inclinou para fora da janela do carro esportivo. Ela riu, erguendo o celular para filmar o caos.

"Olha pra eles", ela riu para alguém no carro com ela. "Tão desesperados."

Era Kenia Cline. Uma influenciadora, uma socialite e a filha do principal investidor de Cássio. Clara a conhecia. Ela era uma presença constante em suas vidas, uma garota mimada que nunca enfrentou uma única consequência.

"Tira o carro daí!", Clara gritou, inclinando-se para fora da própria janela. "Você está bloqueando uma ambulância!"

Kenia olhou, seus olhos, turvos de álcool, mostrando um lampejo de reconhecimento. Um sorriso malicioso brincou em seus lábios. "Me obrigue", ela articulou com a boca, depois voltou para o celular.

Furiosa, Clara deitou a mão na buzina, soltando um som contínuo e interminável. Outros motoristas se juntaram, um coro de raiva contra a garota arrogante no carro vermelho. Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, um carro da polícia chegou. O policial forçou uma Kenia risonha e cambaleante a mover seu veículo.

A ambulância passou voando. Clara a seguiu, suas mãos tremendo tanto que mal conseguia segurar o volante.

Ela encontrou Cássio na sala de espera da emergência, seu rosto bonito marcado pela preocupação. Ele a envolveu em seus braços.

"Alguma notícia?", ele perguntou.

"Não", ela sussurrou, enterrando o rosto em seu peito. Por um momento, ela se sentiu segura. Cássio era um bilionário da tecnologia, um homem que movia montanhas. Ele podia consertar isso. Ele podia consertar qualquer coisa.

Um médico finalmente saiu, seu rosto sério. "Senhorita Campos?"

O sangue de Clara gelou.

"Fizemos tudo o que podíamos", disse o médico, sua voz gentil. "Seu pai sofreu um evento cardíaco grave. O atraso na chegada dele... foi crítico. Sinto muito. Nós o perdemos."

As palavras não faziam sentido. Nós o perdemos. Uma frase simples que estilhaçou seu mundo inteiro. Seus joelhos cederam, e Cássio a segurou, amparando-a enquanto uma onda de escuridão ameaçava engoli-la. Seu pai, seu único parente, o advogado quieto e firme que a criou sozinho, se foi.

E não foi apenas um acidente. Ele poderia ter sido salvo.

A dor rapidamente se transformou em um nó frio e duro de raiva em seu peito. Ela tinha visto a responsável. Ela tinha visto Kenia Cline, bêbada e rindo, enquanto segurava a vida de seu pai em suas mãos e a jogava fora como lixo.

No dia seguinte, Clara foi à polícia. Ela deu um depoimento, sua voz trêmula, mas clara. Descreveu o carro de Kenia, seu estado de embriaguez, a forma como ela bloqueou deliberadamente a ambulância. Ela tinha o número da placa memorizado.

"Vamos investigar, senhora", disse o delegado.

Clara esperou. Um dia se passou. Depois dois. Ela ligou para a delegacia. O delegado foi evasivo.

Finalmente, uma semana após a morte de seu pai, houve um avanço no caso. Uma prisão foi feita. Mas não era Kenia Cline. Era seu motorista particular, um homem de cinquenta e poucos anos com um rosto cansado e derrotado, que confessou tudo. Ele alegou que tinha pego o carro sem permissão para um passeio.

Era uma mentira. Uma mentira descarada e insultuosa. Clara tinha visto Kenia com seus próprios olhos.

Ela tinha sido meticulosa. Presa no trânsito atrás da ambulância, ela havia gravado um vídeo em seu celular. Estava tremido, filmado através do para-brisa, mas era claro o suficiente. Mostrava o rosto de Kenia, rindo no banco do motorista. Mostrava a hora. Era uma prova irrefutável.

Ela preparou uma pasta para o promotor, imprimindo fotos do vídeo, escrevendo uma linha do tempo detalhada. Era o que seu pai, um advogado, teria feito. Seja metódica. Esteja preparada.

Naquela noite, ela confrontou Cássio em seu escritório em casa, o espaço elegante e minimalista com vista para o Parque Ibirapuera. A pasta de provas estava em sua mão.

"Eles prenderam um bode expiatório", disse Clara, sua voz sem emoção.

Cássio ergueu os olhos do laptop, sua expressão indecifrável. "Eu soube. É uma situação complicada, Clara."

"Não é complicado", ela retrucou. "Kenia Cline matou meu pai, e a família dela está pagando alguém para assumir a culpa. Temos que mostrar meu vídeo ao promotor."

Cássio se levantou e contornou a mesa. Ele era um homem alto, carismático e poderoso, acostumado a comandar todos os ambientes em que entrava. Ele estendeu a mão para ela, mas ela se encolheu.

Seu rosto se contraiu quase imperceptivelmente. "Clara, temos que ser sensatos sobre isso."

"Sensatos? O que é mais sensato do que a verdade?"

Ele suspirou, como um marido paciente lidando com uma esposa emotiva. Era um olhar que ela estava começando a odiar. "O pai da Kenia, Douglas, é meu principal investidor. A família Cline e a família Viana têm um relacionamento de gerações. Nossa nova fusão... vale bilhões. Garante nosso futuro. O seu futuro."

Clara o encarou, uma suspeita horrível surgindo. "O que você quer dizer?"

"Quero dizer que", ele disse, sua voz baixando para um sussurro conspiratório, "Douglas está cuidando disso. Ele se sente péssimo com o que aconteceu. Ele garantiu que o motorista será compensado. A família do homem terá a vida resolvida."

O ar lhe faltou nos pulmões. "Compensado? Meu pai está morto, Cássio. Morto. E você está falando de dinheiro?"

"Foi um acidente trágico e lamentável", ele disse, suas palavras precisas e frias. "Kenia foi imprudente. Ela está sendo punida."

"Punida? Como? Ganhando um carro novo?"

"Isso não está ajudando, Clara. Você está sendo histérica."

A palavra a atingiu como um tapa. Histérica. A clássica forma de desqualificar. Ela sentiu um tremor de pura fúria. "Eu não estou sendo histérica. Estou de luto. E quero justiça para o meu pai."

"A justiça está sendo feita."

"Não! Uma mentira está sendo servida! E você... você está ajudando eles. Você está escolhendo seu negócio em vez da vida do meu pai."

"Isso é injusto", ele disse, seu tom endurecendo. "Estou protegendo nossa família. Nosso legado. O que está feito, está feito. Não podemos trazê-lo de volta, mas podemos garantir nossas vidas."

Clara sentiu uma decepção profunda, esmagadora. Este homem, que ela amara, por quem ela havia colocado sua própria carreira artística em espera, era um estranho. Ele via sua dor como um inconveniente, um problema a ser gerenciado.

"Eu tenho o vídeo, Cássio", ela disse, sua voz baixa e perigosa. "Vou levá-lo ao promotor eu mesma."

Seus olhos ficaram frios. Pela primeira vez, ela viu o narcisista por trás da máscara encantadora, o homem obcecado apenas pelo poder e sua imagem pública.

"Não seja tola, Clara."

"Me dê um motivo para não ser."

Ele não respondeu. Apenas caminhou até o bar e serviu dois copos de uísque. Entregou um a ela. "Beba isso. Vai te ajudar a se acalmar."

Sua mão tremia. Ela olhou para o líquido âmbar, depois de volta para o rosto dele. Não viu amor ali. Nenhuma dor compartilhada. Apenas cálculo.

"Vamos superar isso", ele disse suavemente, sua voz novamente no tom suave e reconfortante que ela conhecia tão bem. Era uma atuação. "Amanhã, falaremos sobre criar uma fundação de caridade em nome do Arthur. Uma grande. Será uma maneira maravilhosa de honrar sua memória."

Clara se sentiu enjoada. Honrar sua memória? Enterrando a verdade de sua morte sob uma pilha de dinheiro?

Ela sentiu uma onda súbita e avassaladora de tontura. O quarto girou. Ela apoiou a mão na mesa para se firmar. Mal havia tomado dois goles do uísque.

"Cássio...", ela arrastou as palavras, sua língua parecendo pesada. "O que tinha...?"

O rosto dele nadou diante dela. Ela o viu pegar o celular dela da mesa, seu polegar movendo-se habilmente pela tela.

"Apenas uma coisinha para te ajudar a dormir", ela o ouviu dizer, sua voz parecendo vir de uma grande distância. "Você tem estado sob muito estresse. Precisa descansar."

A última coisa que ela viu antes que a escuridão a consumisse foi seu celular, agora na mão dele, e a pasta de provas que ela havia preparado com tanto cuidado.

Quando acordou, uma dor de cabeça lancinante martelava atrás de seus olhos. A luz do sol entrava pelas janelas do chão ao teto. Ela estava na cama deles, ainda com as roupas do dia anterior.

Seu celular estava na mesa de cabeceira. Ela o pegou, o coração martelando contra as costelas. Foi para a galeria de fotos. O vídeo de Kenia Cline havia sumido. Verificou a pasta de itens apagados recentemente. Vazia. Verificou seu backup na nuvem. Nada.

Ele havia limpado tudo. Tudo.

Ela procurou freneticamente pela pasta de papel. Também havia sumido.

Ele a havia dopado. Ele havia dopado sua própria esposa para destruir as provas que levariam a assassina de seu pai à justiça. Tudo por um negócio.

O homem com quem ela se casou não apenas escolheu o lucro em detrimento de sua dor. Ele havia conspirado ativa, cruel e metodicamente contra ela. Ele havia participado do acobertamento. Ele era um cúmplice.

O amor que ela sentia por ele se transformou em algo frio e morto. Em seu lugar, algo novo e terrível começou a crescer. Era uma determinação silenciosa e metódica. Ele achava que a tinha quebrado. Ele não fazia ideia do que acabara de criar.

Seu pai, o advogado cauteloso, sempre desconfiou do imenso poder e riqueza de Cássio. Anos atrás, pouco depois do casamento deles, ele a sentou. "Clara, eu amo que você esteja feliz", ele disse, "mas homens como Cássio... eles veem o mundo de forma diferente. Quero que você esteja protegida."

Ele a fez assinar um acordo pós-nupcial. Era blindado, redigido por sua própria mão. Na época, Clara achou mórbido, desnecessário. Ela amava Cássio. Ele a amava.

Agora, era sua chave. Era sua fuga. E seria a semente de sua vingança.

Ela se deitou nos travesseiros, os lençóis de seda parecendo uma jaula. Fechou os olhos e deixou as lágrimas de dor e traição finalmente caírem. Mas não eram lágrimas de derrota. Eram uma promessa. Uma promessa ao seu pai.

Cássio Viana e Kenia Cline pagariam. Ela queimaria seus impérios até as cinzas. Ela os faria pagar pelo que fizeram, não com dinheiro, mas com sua liberdade, suas reputações, seu mundo inteiro. E ela faria tudo com um sorriso no rosto. A guerra tinha apenas começado.

Capítulo 2

O som de risadas vinha da sala de estar, um som leve e despreocupado que fez o estômago de Clara se contrair. Ela se levantou da cama, seu corpo doendo pela droga que Cássio lhe dera. A dor de cabeça era uma pulsação surda e persistente.

Ela caminhou instavelmente até o topo da grande escadaria e olhou para baixo.

Kenia Cline estava jogada no sofá de couro branco deles como se fosse a dona, bebendo uma mimosa. Cássio estava sentado no pufe em frente a ela, sorrindo.

"Preciso de um carro novo, Cassinho", Kenia choramingou, fazendo bico com seus lábios cirurgicamente aumentados. "Aquela Ferrari vermelha está... manchada agora. Todo aquele drama com a polícia. É ruim para a minha marca."

Cássio estendeu a mão e colocou uma mecha de cabelo platinado atrás da orelha dela. O gesto foi tão casual, tão íntimo, que foi como um soco no estômago de Clara. "O que você quiser, Ken", ele disse, sua voz suave. "Vamos às compras esta tarde."

"E aquele velho estúpido que era o motorista", Kenia continuou, acenando com a mão com desdém. "A cara dele era tão patética. Não podemos simplesmente mandá-lo para outro país ou algo assim? Não quero vê-lo nunca mais."

A respiração de Clara ficou presa no peito. Velho estúpido. Ela estava falando de seu pai. Um homem que construiu sua vida com integridade e bondade, reduzido a um inconveniente por essa garota vazia e cruel.

Kenia olhou para cima então e viu Clara parada na escada. Um sorriso malicioso se espalhou por seu rosto. "Olha só quem acordou. Bom dia, esposinha."

Algo dentro de Clara se partiu. A dor, a traição, a fúria - tudo explodiu em um único grito silencioso. Ela desceu as escadas voando, seu único pensamento era apagar aquele olhar presunçoso do rosto de Kenia.

Ela se lançou sobre a garota no sofá, suas mãos alcançando sua garganta.

"Clara!", Cássio gritou, pulando de pé.

Ele a agarrou por trás, seus braços fortes envolvendo sua cintura, prendendo seus braços ao lado do corpo. Ele era como uma jaula de aço, imóvel.

"Me solta!", Clara gritou, lutando contra ele. "Ela é uma assassina! Ela matou meu pai!"

Kenia se arrastou para a outra ponta do sofá, seus olhos arregalados de falso medo. "Cássio, ela está louca! Eu não fiz nada!"

"Você estava bêbada! Você bloqueou a ambulância! Você estava rindo!", Clara gritou, sua voz rouca.

"Me solta, Cássio! Me solta!"

"Kenia, peça desculpas a ela", disse Cássio, sua voz tensa de aborrecimento, seu aperto em Clara implacável.

"O quê? Por quê?", Kenia choramingou.

"Apenas faça."

Kenia revirou os olhos. "Tá bom. Desculpa pelo seu pai ter morrido ou sei lá o quê."

As palavras foram tão insensíveis, tão completamente desprovidas de remorso, que Clara parou de lutar. Um silêncio frio e pesado caiu sobre ela.

"Viu? Ela pediu desculpas", disse Cássio, como se isso resolvesse tudo. "Agora vamos todos nos acalmar."

Ele estava tratando isso como uma briga de crianças, não uma confissão de homicídio culposo.

"Não foi o suficiente", ele suspirou, vendo o olhar morto nos olhos de Clara. Ele se virou para Kenia. "Ken, se você pedir desculpas de verdade, eu te compro aquela bolsa Birkin nova que você queria. A Himalayan."

Os olhos de Kenia se iluminaram. "Ok, ok! Me desculpe! Sinto muito, muito mesmo que minha noite divertida tenha sido tão inconveniente para sua família. Pronto. Feliz?" Ela olhou para Cássio, esperando seu prêmio.

Clara sentiu o último pingo de calor em seu coração se transformar em gelo. A vida de seu pai. Pesada contra uma bolsa de grife. E a bolsa venceu.

"Viu, Clara?", disse Cássio, sua voz um murmúrio suave em seu ouvido. "Acabou. Podemos seguir em frente."

Clara começou a rir. Era um som oco, quebrado. "Seguir em frente? Você quer que eu siga em frente disso?" Ela se virou em seu aperto para encará-lo, seus olhos em chamas. "Essa coisa", ela cuspiu, apontando um dedo trêmulo para Kenia, "matou meu pai. E você está subornando ela com uma bolsa."

"Não seja dramática", Cássio retrucou, sua paciência finalmente esgotada. "E não se atreva a falar da Kenia desse jeito."

Clara o encarou, o homem a quem ela havia prometido amar pelo resto da vida. "Ele era meu pai, Cássio. Meu pai. E você está protegendo a assassina dele."

A mandíbula de Cássio se contraiu. Ele se inclinou, sua voz uma ameaça baixa e sinistra. "Seu pai se foi, Clara. Nada o trará de volta. Se você continuar insistindo nisso, não estará apenas me desrespeitando. Estará desrespeitando a memória dele. Você realmente quer que o nome dele seja arrastado na lama em um espetáculo público bagunçado? Deixe-o descansar em paz."

A ameaça era inconfundível. Ele não estava falando apenas da opinião pública. Ele estava ameaçando profanar o legado de seu pai, a única coisa que ela tinha dele.

Um medo frio, mais agudo que qualquer dor, a atravessou. Ela olhou em seus olhos e viu que ele falava sério. Ele faria qualquer coisa para proteger seu negócio, para proteger Kenia.

Ela parou de lutar. Seu corpo amoleceu em seus braços.

"Ok", ela sussurrou, a palavra com gosto de cinzas. "Você está certo. Me desculpe."

A expressão de Cássio se suavizou instantaneamente. Ele achou que tinha vencido. Ele a soltou, dando um tapinha em seu ombro como se ela fosse um cachorro desobediente que finalmente aprendeu a lição. "Boa menina. Essa é a minha Clara."

Ele achou que a tinha quebrado. Ele não fazia ideia de que acabara de lhe entregar uma arma.

Clara se virou sem outra palavra e subiu as escadas. Entrou em seu quarto e trancou a porta, o clique do ferrolho soando como o engatilhar de uma arma.

Ela ignorou a pulsação em sua cabeça e a dor em seu coração. Foi até seu closet, ao painel secreto atrás das sapateiras que seu pai insistira em instalar. Dentro havia um pequeno cofre.

Seus dedos, ainda tremendo levemente, digitaram a combinação. O cofre se abriu com um clique. Dentro havia um envelope pardo grosso. Ela o puxou.

Era o acordo pós-nupcial. Ela encarou a assinatura limpa e precisa de seu pai ao lado do rabisco extravagante de Cássio. Ela se lembrou de suas palavras, o sussurro de um fantasma no quarto silencioso.

"Apenas por precaução, querida. Um homem com tanto poder precisa de freios e contrapesos. Isso garante que você sempre terá seu próprio poder, sua própria liberdade."

Uma única lágrima escorreu por sua bochecha e caiu sobre o documento. Com a mão firme, ela pegou uma caneta de sua mesa e assinou seu nome na linha final, ativando a dissolução de seu casamento.

Tudo o que Cássio tinha foi construído durante o casamento deles. De acordo com este documento, ela tinha direito à metade de tudo. Não um acordo. Metade. Bilhões.

Ela abraçou o documento contra o peito. "Eu vou fazê-los pagar, pai", ela sussurrou para o quarto vazio. "Eu prometo."

Então ela voltou ao cofre e pegou um segundo item. Um celular descartável fino. Ela o ligou. A tela se acendeu, mostrando uma única pasta na tela inicial.

Ela a abriu.

Lá, segura e protegida em um servidor de nuvem criptografado que seu pai havia configurado para ela, estava uma cópia perfeita e em alta definição do vídeo que ela havia gravado na noite da morte de seu pai. Era o vídeo que Cássio pensava ter apagado para sempre.

Cássio a ensinara que a lei era para os pequenos. Que dinheiro e poder podiam comprar sua saída de qualquer coisa.

Tudo bem.

Ela usaria o dinheiro dele para comprar sua destruição. Ela usaria seu poder para garantir que Kenia Cline, Cássio Viana e qualquer outra pessoa que tivesse participado disso apodrecesse.

Eles queriam vê-la quebrada? Eles a veriam renascer. E eles se arrependeriam do dia em que decidiram cruzar o caminho de Clara Viana.

Capítulo 3

Na manhã seguinte, Clara desceu as escadas ao som do cheiro de café e da voz irritante de Kenia. Ela estava sentada à mesa do café da manhã, vestindo um dos roupões de seda de Clara, com os pés apoiados em uma cadeira. Eudora Viana, a mãe esnobe de Cássio, sentava-se em frente a ela, radiante.

"Você parece muito mais em casa aqui do que ela jamais pareceu", disse Eudora, sem nem se dar ao trabalho de baixar a voz quando Clara entrou na sala.

Clara as ignorou e foi para a cozinha pegar um copo d'água. Suas mãos estavam firmes agora. A tempestade de emoções havia passado, deixando para trás uma calma fria e clara. Ela tinha um plano.

Kenia a seguiu, encostando-se no batente da porta. "Sabe, aquele velho era muito chato", disse ela, como se estivesse conversando, lixando as unhas. "Ele simplesmente não morria. Os paramédicos estavam, tipo, implorando para eu sair da frente. Foi tão dramático."

O aperto de Clara em seu copo se intensificou.

"Eu contei tudo para os meus seguidores na minha live privada", continuou Kenia, com um sorriso malicioso no rosto. "Eles acharam hilário. Tive, tipo, um milhão de curtidas." Ela riu. "Ele provavelmente era um fracassado sem família, de qualquer maneira. Quem se importa?"

O copo na mão de Clara se estilhaçou.

Ela não sentiu os cacos cravando em sua palma. Ela só viu vermelho. Ela se lançou, agarrando Kenia pelos cabelos loiros descoloridos e batendo sua cabeça contra a parede.

"Meu pai não era um fracassado!", ela rugiu, sua voz um rosnado gutural que ela não reconheceu. "Ele valia mil de você!"

Kenia gritou, um som agudo e penetrante. "Tira ela de cima de mim! Cássio!"

Eudora entrou correndo, seu rosto uma máscara de horror e fúria. "Clara, sua animal! O que você está fazendo?"

Cássio apareceu momentos depois, avaliando a cena: Clara, com sangue escorrendo da mão, segurando uma Kenia aterrorizada contra a parede.

Ele arrancou Clara de Kenia, seu rosto escuro de raiva. "Que diabos há de errado com você?"

"Ela estava zombando da morte do meu pai!", Clara gritou, lutando contra seu aperto.

"Eu não estava!", Kenia soluçou, segurando a cabeça. "Eu só estava dizendo que sentia muito por ele não ter família para lamentá-lo! Eu não sabia que ele era o pai dela!"

Era uma mentira tão patética e transparente. Mas Cássio acreditou. Ou, mais precisamente, ele escolheu acreditar.

"Olha o que você fez", disse Cássio, apontando para uma pequena marca vermelha na testa de Kenia. "Você a machucou. Peça desculpas. Agora."

"Não", disse Clara, sua voz tremendo de raiva. "Eu nunca vou pedir desculpas a ela."

Os olhos de Cássio se estreitaram. Ele olhou para Clara, depois para a soluçante Kenia, e então para o bule de café prateado fumegante no balcão. Uma ideia cruel se formou em sua mente.

"Você está certa", ele disse suavemente, sua voz perigosamente calma. "Um pedido de desculpas não é suficiente."

Ele soltou Clara. Caminhou até o balcão, pegou o bule de café quente e o pressionou nas mãos de Kenia.

Kenia olhou para ele, confusa. "Cássio, o que...?"

"Ela te machucou", disse Cássio, seus olhos fixos em Clara. "É justo que você a machuque de volta. Olho por olho. É uma tradição de família."

A confusão de Kenia se transformou em um sorriso alegre e malicioso. Ela olhou para o bule de café em suas mãos, depois para Clara, que estava parada, congelada de choque.

"Cássio, não", Clara sussurrou, dando um passo para trás.

Mas ele apenas observava, sua expressão fria e inflexível.

Kenia caminhou em direção a Clara, o bule prateado erguido como uma arma. "Isso é por ser uma puritana chata e estúpida", ela rosnou, e jogou o café quente direto no rosto de Clara.

Clara virou a cabeça no último segundo, mas o líquido escaldante espirrou em seu pescoço e ombro. A dor foi lancinante, imediata. Ela gritou, tropeçando para trás.

Ela apertou sua pele queimando, a dor tão intensa que trouxe lágrimas aos seus olhos. Mas ela se recusou a deixá-las cair. Ela encarou Cássio, que não havia movido um músculo. Viu um lampejo de algo em seu olhar - pena? arrependimento? - mas desapareceu tão rápido quanto apareceu, substituído por aquela mesma determinação fria.

"Agora vocês estão quites", ele disse, como se tivesse acabado de mediar uma briga de parquinho. Ele colocou um braço reconfortante em volta de Kenia. "Pronto, pronto. Já passou."

Clara olhou para eles, o casal feliz, de pé sobre sua vítima. A dor em seu ombro não era nada comparada à agonia em seu coração.

"Sabe", disse Kenia animadamente, o incidente já esquecido, "meu aniversário é na semana que vem. Deveríamos dar uma festa enorme. Bem aqui. Para, sabe, lavar toda essa má sorte."

"Claro", disse Cássio imediatamente, acariciando o cabelo dela. "Qualquer coisa por você, Ken. Daremos a maior festa que São Paulo já viu."

"E a Clara tem que estar lá", acrescentou Kenia, lançando um olhar triunfante para Clara. "Não seria uma festa sem a convidada de honra."

"Eu não vou", disse Clara entre dentes.

O rosto de Cássio endureceu. "Sim, você vai", ele disse, sua voz não deixando espaço para discussão. "Você é minha esposa. Nós somos os Viana. Apresentamos uma frente unida. Você estará naquela festa, você vai sorrir, e vai agir como se nada estivesse errado. Você me entendeu?"

Ele estava falando de sua imagem. Sua reputação. Diante de sua dor, seu luto, sua humilhação, tudo o que ele se importava era com as aparências.

Clara pensou no acordo pós-nupcial em seu cofre. Pensou no vídeo no celular descartável. Pensou em seu pai.

"Sim", ela disse, sua voz um sussurro morto. "Eu entendo."

Ela iria à festa deles. Ela sorriria. E ela os deixaria pensar que haviam vencido. Deixaria que pensassem que a haviam quebrado em mil pedaços.

Eles não faziam ideia de que cada um desses pedaços estava sendo afiado em uma arma.

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