tamborilava o tampo de vidro da mesa do escritório com uma caneta de cem dólares sem importar-me em danif ci á-la. Aquele caso estava me tirando do sério. O cliente insistia em uma ação que não tinha mérito e que não nos levaria a lugar algum - apenas a f alência do escritório. Não estava nada interessada em perder o único emprego decente que tinha conseguido desde o f im do tratamento. Já tinha pesquisado todos os precedentes possí veis e ainda não tinha encontrado uma brecha que pudesse signif icar sucesso na demanda.
Meus olhos estavam cansados de tanto olhar para a tela do computador, mesmo estando de óculos o dia inteiro. Respirando f undo, levantei-me e caminhei até a cozinha. Precisava de um caf é bem forte e provavelmente os pensamentos iriam clarear. Enquanto esperava a ruidosa caf eteira preparar-me um expresso, lembrei-me da primeira vez em que pisei no Metcalf e & Matthews Advogados Associados. Tinha acabado de sair de uma clí nica de reabilitação. Nunca tinha usado drogas nem nunca tinha bebido além do admissí velem sociedade. Eu tinha dois problemas que me levaram a f icar internada para tratamento por um ano - era maní aco-depressiva e tinha tentado o suicí dioduas vezes. Na segunda vez a f amí liaachou que deveria importar-se comigo e conseguiu uma ordem judicial para me trancar em uma clí nicae f orçaruma medicação que eu não desejava. Foi um ano excelente. No iní cio, detestei o lugar e as pessoas com quem tinha que conviver. As regras eram insuportáveis. Com o passar do tempo, a compreensão do problema e o vislumbre de que sairia curada f ez com que aceitasse o tratamento. Meus antecedentes, no entanto, não auxiliaram na busca por trabalho. A f amí lianão iria me sustentar; eu já tinha vinte e nove anos, então. O namorado não iria mais me aturar depois de ter tido que lidar com meu comportamento por quase três anos. Meu único bem, um apartamento, f oi vendido para pagar o tratamento. Eu precisava de um emprego que me garantisse uma renda razoável para alugar um novo apartamento e sobreviver. - Terra chamando Layla. - A voz de Melanie me tirou do transe de vários minutos. O caf éjá estava pronto há bastante tempo, mas eu continuava divagando sobre o passado recente. - Está tudo bem com você? Melanie era a melhor amiga desde minha contratação pelo Metcalf e& Matthews. A vida tinha mudado completamente - eu era mais f eliz e tinha relacionamentos mais saudáveis. Melanie era parte f undamental naquele processo. - Sim, é o caso Gandini que está me tirando do sério. Não sei por que aceitaram esse cliente nem por que me passaram esse pepino. - Jura que não sabe? - Melanie baixou o tom de voz e também serviu-se de um caf é. - Olson não gosta de você. Ele vai f azer de tudo para te sacanear e mostrar que você não é capaz de dar conta do cargo que assumiu. - Ele tinha pretensões para a minha vaga, não é? - Recordei- me que Jeremy Olson, um advogado que estava há mais tempo no escritório, ansiava pela vaga de advogado júnior que eu consegui apenas alguns meses depois de contratada. - Tinha e ainda tem. Ele quer mostrar para o Matthews que escolher você f oi um erro. Cuidado com onde pisa Olson já derrubou outros menos avisados por aqui. Retornei para a mesa ainda mais aborrecida do que antes. Se podia ter dúvidas que aquele caso era um f iasco que poderia me trazer problemas, minhas certezas se conf irmaram totalmente depois da conversa f ranca com a amiga. Eu precisava de uma bebida, com urgência. Tinha que retomar minha vida pessoal ou f icaria louca. - Ei você. - Melanie Jones bateu à minha porta no f inaldo dia. - Vamos sair para beber alguma coisa? - Hm, você é vidente? - Dei uma risada. - Eu aceitaria um drinque, mas preciso terminar essa pesquisa. - Não precisa. - A jovem advogada, de cabelos loiros e olhos cor-de-mel, sentou-se à beira da mesa de vidro. Melanie estava sempre elegantemente vestida em terninhos de grif es f amosas; ela acreditava que gastar dinheiro com vestuário era, naquela prof issão, um investimento. - Vamos, Layla, você sabe que tudo isso é perda de tempo. Amanhã você f az um relatório e explica para Matthews que o caso é inviável. Se eles insistirem assim mesmo, a culpa não é mais sua. Já passam das sete horas; você preci sabeber! Era verdade e eu não podia negar. Salvei a pesquisa, desliguei o computador e saí com a amiga para uma noite de mulheres. O bar escolhido f oi o Laff ayettes, na mesma quadra do escritório, um reduto de advogados, empresários e corretores da bolsa de valores. Apenas pessoas bem sucedidas ou que perseguiam o sucesso f requentavamo lugar. A escolha de Melanie se pautava na ideia de que eu precisava de um relacionamento. E ela não estava errada, mas com alguém do Laff ayettes? Não parecia desejável. Sentamo-nos em uma pequena mesa alta e pedimos dois Cosmopolitan. Sim, eu gostava do drinque de Carrie Bradshaw e não aceitava ser julgada por aquilo. A bebida nem era gostosa, mas já tinha me acostumado com o sabor. - Você me trouxe aqui na intenção de me embebedar ou de me arrumar um marido? - Impliquei, depois de alguns momentos de silêncio, enquanto observávamos o movimento do bar.
Na verdade, eu queria te contar algo e te convidar para participar comigo. - Tornou-se membro de um clube de campo e agora precisa de um parceiro de Lacrosse? - Não seja boba, Layla. - Melanie f ez uma careta. - Estou f alando sério. Mas é um clube sim, um clube f echado e muito exclusivo. Conheci-o há alguns meses; f ui apresentada pelo Johnny. - O Johnny, aquele magricela que cuida dos suprimentos? - Espantei-me porque minha amiga era sempre muito seletiva com os homens que admirava. Johnny não parecia, def initivamente, com o tipo pelo qual ela se interessaria. - Sim, mas isso não é importante. - Melanie retomou sua explanação. - Eu f ui lá com ele umas vezes, mas não como um casal, se me entende. E gostei muito, Layla! Não é nada tradicional, talvez você f ique um pouco chocada quando eu explicar do que se trata, mas precisa despir-se de seus preconceitos. - Eu não tenho preconceitos. - Menti parcialmente. Gostaria de não ter, mas era tentada a pré-julgamentos. - O que esse clube f az de tão esquisito assim? Eles se alimentam de f ilhotinhos? - Não! - Melanie riu. - Olha, vou explicar. Está preparada? É um clube de sexo. Cuspi parte do drinque que tinha acabado de levar à boca por sobre a mesa e engasguei com o restante. Não que a palavra sexo me deixasse constrangida, porque nada me chocava, exatamente. A bizarrice estava na ideia de um clube de sexo. Clubes, para mim, eram espaços para associados compartilharem alguma coisa. O que se podia compartilhar em um grupo de sexo além daquilo que, para mim, não deveria ser compartilhado? - Você não está f alando sério, está? - Claro que estou. Como eu disse, não é algo tradicional. Mas o clube é f antástico! Não aceitam qualquer um; novos membros devem ser introduzidos por membros já admitidos. Todos precisam levar um atestado de saúde, demonstrando que são aptos a realizar sexo sem proteção, caso desejem. E você pode se relacionar com quem quiser, quantas vezes quiser, sem nenhuma restrição, sem traumas ou tabus. É tão libertador, Layla!
Franzi a testa ainda incrédula. Quem era aquela mulher que estava na minha f rente e o que ela tinha f eito com minha amiga? Custava-me crer que Melanie era uma pervertida sexual ou que aceitaria f azer sexo com várias pessoas, sem um relacionamento estável, sem romance. - Mas Melanie... isso é puro sexo, somente. Qual é a graça nisso; aliás isso não é ilegal? - Claro que não é ilegal. - Ela torceu os lábios e pediu mais drinques. - Todos os membros são adultos; sexo consentido é sempre lí cito. E você não está enxergando a pintura toda, Layla.
Nósmulherespassamosséculosoprimidasepresasa relacionamentos que nunca nos levaram a lugar nenhum; f omos submetidas à vontade do homem e da sociedade por tanto tempo! Ser senhora da própria sexualidade é espetacular, f azer a mesma coisa que os homens f azeme f antasiaro mesmo que eles f antasiam é muito bom. Além de nos deixar satisf eitas e relaxadas e menos ansiosas para, quem sabe, conseguir realmente um romance que valha à pena. Aquilo tudo poderia f azer sentido, mas minha cabeça estava cheia de imagens de pessoas nuas se tocando e se beijando, como uma verdadeira orgia Romana. A ideia de sexo livre de preconceitos era interessante do jeito que era - uma ideia. Imaginar-me f azendo aquilo com vários homens dif erentese talvez ao mesmo tempo não parecia nada atraente. - Não sei se vejo da mesma f orma que você. - Admiti. - Tenho uma visão mais mul herzi nhade um relacionamento sexual, então, acho que não vou ter interesse na sua of erta de conhecer esse clube. - E eu vou insistir, porque você vai comigo nem que seja uma noite. Não precisa f azernada, só conhecer o lugar e ver se alguém te interessa, se alguém te atrai. Existem homens lindos, quase divinos, que f requentam o clube. E alguns deles são capazes de te levar à loucura em minutos! - Com quantos deles você já... - Nem terminei a f rase.Minha expressão era de desgosto. - Seis, no total, e recomendo quatro deles com certeza. Ataquei o drinque assim que ele chegou. Precisava de muito álcool para engolir aquela conversa, que a cada palavra me chocava ainda mais. Esperava outra coisa de Melanie; conhecí amo-nos há um ano e nunca tinha imaginado aquela f acetada minha amiga. Na clí nica de reabilitação havia alguns viciados em sexo e sempre imaginei que aqueles f ossemos únicos capazes de se relacionarem daquela f ormalibertina. Porque era um ví ci ,oum tipo de doença que precisava ser tratada. Porque nossa sociedade sempre prezou pela monogamia e pela valorização da f amí lia, coisas do tipo. E eu estava f alando um monte de baboseiras. Minha f amí liaera o exemplo oposto daquilo que não valia à pena ser valorizado. Minha doença tinha razão de ser, considerando tudo que vivi em minha inf ância. Talvez, e apenas cogitava aquilo porque estava bebendo de estômago vazio, Melanie tivesse razão e aquele comportamento f osse libertador. - Vou considerar f azer uma visita. - Aceitei. - Mas só isso, uma visita. Não pretendo sair de lá com três caras a tiracolo, sim? - Perf eito! Vamos marcar um dia desses! - Melanie bateu palmas de alegria com minha concordância, com muito mais expectativas sobre aquela visita ao clube de sexo do que eu mesma. Não daria mais para tirar aquelas imagens pervertidas da cabeça, então a melhor coisa a se f azer era beber bastante para acordar de ressaca no dia seguinte. Olhei-me no espelho várias vezes, querendo conf irmar se eu estava suf icientemente atraente. Como toda mulher, antes de sair, eu gostava de garantir que me destacaria das demais com quem encontrasse. Meu cabelo curto estava penteado delicadamente para detrás das orelhas, dando aquele ar f ormal e vi ntageà moldura de meu rosto. Talvez eu devesse mudar de cor e me tornar loira novamente, mas aquele tom castanho avermelhado tinha mais a ver com meu ego advogada. O batom vermelho ainda me conf undiaum pouco; não sabia se combinava com vermelho na boca. Mas era tão sensual e f azia com que a brancura de minha pele se acentuasse. Eu parecia gostar bastante de vermelho; não sabia exatamente por que rejeitava aquela ideia. Combinei de encontrar-me com Melanie no caf éem f rente ao tal clube. Ela me deu o endereço, eu já sabia onde era. Jamais imaginaria que aquele lugar f osse um bar onde as pessoas se encontravam para f azer sexo sem compromisso, sexo promí scuo. Aquela ideia eu também rejeitava. Depois que minha amiga chegou, agradeci secretamente por ser vaidosa. Melanie estava linda em um vestido azul marinho bastante sensual, com decotes que exibiam parcialmente seus seios volumosos, saltos e o cabelo longo preso em um coque elegante. Parecia pronta para ir a uma grande f esta. Fazí amosumabonitaduplademulheresjovens,não comprometidas e prontas para uma noite de caçada. Entrar no clube seria impossí vel para mim. Havia uma mulher loira, de aproximadamente quarenta anos, vestindo terninho, que carregava uma prancheta cheia de nomes. Apenas quem estava na lista tinha acesso à casa. Exclusivo, lembro-me de Melanie dizer. Ela, no entanto, teve acesso garantido imediatamente. A mulher lhe sorriu e me encarou por breves segundos, enquanto nos permitia entrar.
- É regra do clube trazer uma companhia, seja masculina ou f eminina. Servimos ou somos servidas, se me entende. - Melanie explicou em meus ouvidos. A risada dela me constrangeu. Toda aquela ideia já estava me causando náuseas, mas eu sabia que estava sendo tola. Af inal,qual era o problema em sexo casual? Mesmo que todos os meus relacionamentos f ossem casuais? Sentamos no bar daquela vez e pedimos tequila. Eu precisava de um combustí velmais pesado para começar a noite porque duvidava que conseguisse me misturar em meio àquelas pessoas sem álcool no organismo. Logo o ambiente começou a tornar-se mais agradável, à medida em que me f amiliarizeicom os espaços. Era apenas uma casa noturna comum; se eu mantivesse aquele pensamento seria mais f ácil. - Não olhe agora, mas você tem admiradores. - Minha amiga disparou assim que sentou novamente ao meu lado. Ela tinha ido ao banheiro retocar o batom e estranhamente optei por f icar ali. - Como? - Na mesa à sua esquerda, sentado sozinho e com um copo de whisky. Andrew Thorne, você está bem, menina. Virei-me discretamente para olhar, por cima do ombro, na direção indicada por Melanie. Havia um homem, que usava camisa social sem gravata e jeans escuros, bebericando alguma coisa marrom. Ele era bonito, talvez não o tipo que me chamasse atenção imediata. Eu não era a maior admiradora dos homens loiros, apesar daquele ter um charme dif erente. - O que te f azpensar que ele está me admirando? - Era uma pergunta válida, já que não vi nenhum indicador de que ele prestava atenção em mim. - Ele f icoute secando quando me af astei.Talvez ele pense que somos um casal, por isso está na dúvida se deve se aproximar. - Não somos um casal! - Repudiei a ideia. - Por que ele pensaria isso?
Porque chegamos juntas. Veja, se não quer nada com ninguém, talvez seja bom que pensem que você gosta de mulheres, e que está comigo. Porque quem vem aqui vem para f azer sexo. Engoli a bebida que ainda restava em minha boca de uma só vez. O gosto da tequila estava amargo, então pedi mais uma. Não queria sexo, mas também não queria ser vista de f ormadif erentedo que eu era. - Vou f azer o seguinte: vou procurar alguém para me entreter. - Melanie levantou-se novamente, com o copinho de tequila na mão. - Dançar, beijar na boca, dar uns amassos por aí .
Você espera nesse bar até que Andrew venha até você, não custa nada conhecê-lo. Vai que se interessa? Antes que eu pudesse protestar ela já tinha se af astado. Senti- me imediatamente desnudada, como se Melanie f osse uma capa protetora que impedisse aquele universo desconhecido de me explorar. Virei meu drinque de uma só vez e pedi outro. Se eu f icasse bêbada naquele lugar corria o risco de ser estuprada. Se não f icasse, corria o risco de sair gritando pela porta. Minutos depois olhei novamente para a mesa de Andrew Thorne, meu suposto admirador, e ele estava olhando para mim. Meu coração disparou porque Melanie estava certa. Não era algo natural, com o que eu estivesse acostumada. Ele me encarava sem o menor constrangimento, como se não f osseproblema algum me arrancar a roupa com os olhos. Com um lindo sorriso que exibiu seus dentes perf eitos,Andrew f ezum movimento de cabeça me convidando para ir até a sua mesa. Levantei-me, ajeitei o vestido e caminhei em sua direção. Era tarde demais para ter dúvidas, eu nunca f ugi de uma paquera. Não podia pensar dif erente, aquilo era uma paquera. O que movia aquele homem eu não sabia, mas só saberia mais sobre ele se me aproximasse. Ele também não sabia nada de mim e estávamos em público. Como Melanie mesmo explicou exaustivamente, tudo naquele clube era consensual. Andrew levantou-se para receber-me em sua mesa. Exibi meu melhor sorriso constrangido e sentei-me, agarrando minha bolsa com f orça demais entre os dedos. Ele chamou o garçom e pediu drinques. - Um Cosmo, por f avor. - Respondi à pergunta mental que indagava o que eu iria querer beber. Algo mais leve do que tequila pura era a melhor pedida. Depois que o garçom se af astou, Andrew me olhou por alguns segundos antes de f alar alguma coisa. - Você é nova por aqui. - Havia ainda aquele sorriso irresistí vel em seus lábios, que o deixava com um charme inegável. - Sim, minha primeira vez. Layla Adams. - Estendi a mão para cumprimentá-lo. Andrew segurou-a entre a sua e beijou-a suavemente. Um cavalheiro, eu estava na minha noite de sorte. - Andrew Thorne, mas tenho a impressão que já sabia disso. - Minha amiga f ezquestão de me apresentar f ictamentea você. - Sorri. Seria aquele momento para meu humor escrachado? - Então, Layla, está gostando do ambiente? Já viu algo que te agrade? Ouch. Senti-me como uma consumidora, no supermercado, escolhendo verduras. Se eu não soubesse do que se tratava poderia ter interpretado as palavras dele de outra f orma, mas do jeito que as colocou não dava para ter outra compreensão. - Sim, estou gostando. Bastante agradável a música, o serviço, o público. Você vem sempre aqui? - Há mais de um ano. E sempre tem algo novo que me atrai, que me f az voltar eventualmente. Os olhos dele estavam em mim novamente. Daquela vez não me senti constrangida, mas conf usa. Ele f alava em códigos, mas a culpa era minha. Eu f alava em códigos e gostava daquele jogo. O problema era que não sabia se queria jogar com ele, não naquela noite. Queria passar a noite conversando, talvez dançar, talvez beijar, e marcar um novo encontro. Nunca tinha f eito sexo no primeiro encontro, principalmente quando não se tratava de um encontro. - Isso é bom. Talvez eu veja algo que me f aça volta,r também. - Você quer sair daqui? N ão. Olhei desamparada para o copo mal tocado de bebida à minha f rente e respirei f undo. Não sabia o que signif icava aquilo, mas não podia sair dali. Ele era lindo e aparentemente irresistí vel, mas eu não iria para a cama com ele naquela noite. - Eu vim só observar. - Conf essei. - Melanie insistiu que eu viesse, disse que eu gostaria e que isso mudaria meus conceitos. Eu gostei, mas ainda não mudei meus conceitos. - Entendo. - Andrew transf ormou o sorriso em uma linha f ina em seus lábios e f inalizou seu whisky. Se ele estava desapontado, escondia aquilo muito bem. - Você não separa sexo de romance. O que signif ica que precisarei te enviar f lores se quiser levar você lá para cima? - O que tem lá em cima? - A curiosidade era sempre meu ponto f raco. - Quando você quiser ir, eu te mostro. Por enquanto, talvez deva respeitar suas escolhas. - Sinto muito. - Peguei a bolsa, intentando levantar-me e deixá-lo procurar outra parceira para satisf azer suas vontades. - Aonde vai? - Andrew segurou minha mão subitamente. - Voltar para o bar. Eu pensei que... - Por f avor, sente-se. - Ele sorriu novamente, soltando-me. - Não é porque demonstrou claramente que não está a f imessa noite que não podemos conversar e beber. Não sei por que aquilo surpreendeu-me. Talvez porque eu tinha outra ideia sobre o clube do sexo de Melanie, achando que todos estavam ali para se comerem como animais no cio. Deveriam estar, mas não éramos animais no cio. O ser humano tinha toda aquela ideia de sexo por prazer, sexo por amor, sexo como uma f orma de conexão entre duas pessoas. Não deveria parecer tão insensato que ele estivesse interessado em mim e desejasse me conhecer melhor. Mesmo em um lugar como aquele. A noite com Andrew f oi absolutamente perf eita. Fazia tempo que não me divertia tanto com um homem. Bem, meus amigos gays não deveriam contar muito, porque entre nós haveria apenas amizade. Com eles eu me divertia f alando de homens e bebendo margaritas, era dif erente. Naquela noite eu estava paquerando um lindo executivo de Wall Street de trinta e um anos, solteiro depois de um noivado de três anos, que dirigia uma Lamborghini exclusiva pelas ruas de Nova Iorque. E eu não tinha f eito sexo com ele. Aquela era a melhor parte, porque algo dentro de mim dizia que eu poderia até ter um relacionamento com Andrew Thorne. - Você está se enganando, mas quem sou eu para te recriminar? - Melanie disse, durante o caf é. Estávamos no Starbucks em f renteao escritório, em um intervalo que criamos para contar as novidades do dia anterior. Daquela vez eram muitas, porque nem mesmo vi como ela voltou para casa. Não a vi mais depois que nos af astamos.- Andrew é realmente um deleite, além de ser um perf eito cavalheiro. - Você já... - Não quis terminar a pergunta, mas sabia que ela compreenderia. Ele f requentava aquele lugar há um ano e parecia bastante pré-disposto a qualquer coisa que o interessasse. Melanie era uma mulher bonita e interessante, não parecia absurda a ideia. - Sim, mais de uma vez. - Ela sorriu e notei uma luz vitoriosa naqueles lábios. Parecia desejar mostrar-me que ela tinha conseguido o que eu rejeitei, e que eu era uma idiota por ter recusado. - Como eu disse, ele é f antástico. Existem melhores, dependendo do seu gosto, mas Andrew é do tipo que agrada a todas. Encerrei a conversa porque não f azia a menor questão de ter uma aula sobre as qualidades sexuais do homem mais divertido com quem tinha me relacionado em anos. Mesmo que não tivesse passado de um bate-papo em um bar. O que estava me incomodando, de verdade, era que eu desejava voltar àquele clube. Talvez por causa de Andrew, talvez porque queria ver o que mais de interessante havia por lá, talvez porque eu, no f undo,desejasse ser desejada, como na noite anterior. Não podia contar aquilo para Melanie de qualquer jeito, eu precisava deixar claro que minhas intenções não eram as mesmas das dela. Ao menos era o que eu queria acreditar. Passei o dia trabalhando no bendito caso Gandini, aborrecida por ter que dar notí cias desagradáveis ao Matthews. Levando em consideração os alertas de Melanie, evitei contato com Olson e preparei um relatório bem completo sobre as inviabilidades daquela