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Julian, Sempre fui sua.

Julian, Sempre fui sua.

Autor:: I'm Emili
Gênero: Romance
"Você é minha. Cada parte de você é minha. O seu corpo, seu sorriso, os seus beijos, seu amor e sua alma. Eu sou o seu dono, mesmo não estando presente agora, você será minha para sempre. Eu irei te buscar minha mocinha, suplico que espere por mim." -Com todo o meu amor, Julian. "Mesmo sem estar ao meu lado, você ocupa meus pensamentos, meus dias, minhas semanas, minha vida. É como se cada 'Eu Te Amo' fosse pouco perto do que eu sentia. Desde o dia em que eu te conheci, os dias cinzas e chuvosos passaram a ser os meu preferidos. Sempre fui sua..." -Sua, Eloíse.

Capítulo 1 1

Aquele era um dos meus dias prediletos, considerando a chuva forte e o frio, sempre foi o meu clima favorito. Eu amava sentir o vento soprar forte contra o meu rosto levando meus cabelos a balançarem. Eu gostava da idéia de estremecer de frio. Desde que eu completei meus quinze anos, eu notei em mim mesma o desejo e interesse por coisas que muitos julgavam ruins. Como dias chuvosos e frios, filmes de terror e desenhar paisagens destruídas ao invés de coisas belas.

Mas quando a minha vida mudou completamente, eu estava com dezoito anos. Morava com a minha avó desde sempre, nunca me senti rejeitada ou inferior a ninguém. Algumas pessoas até me julgavam antisocial, por ter apenas dois amigos, Olívia e João. Mas eu não me importava, aqueles dois valiam mais do que toda a escola e vizinhança.

Naquele dia eu acordei com dor de cabeça por ter tido um sonho estranho; minha mãe e meu pai vinham até mim e depositavam dois beijos na minha testa e desapareciam. O que eu mais havia achado estranho, era que eu consegui ver seus rostos, eles eram tão lindos e pareciam felizes. Eu queria muito saber sobre eles e o que havia acontecido, mas a minha avó Florence nunca quis me falar nada. Apenas concordei e não falei mais sobre, o amor dela me preenchia e nunca me fez falta uma mãe e um pai.

Durante toda a tarde do dia anterior, e já de manhã, a única coisa que passava na TV, era sobre um maníaco que fugiu do manicômio. Diziam que ele era um perigo a sociedade e que havia matado sua esposa e seus dois filhos bebês, logo depois assassinou toda a família, mãe, pai e três irmãos, demorou algum tempo para ser pego e quando foi, descobriram que ele já havia estuprado e matado doze meninas entre dezessete e dezoito anos.

A única coisa que não divulgaram foi o nome e nem sua foto. Eles estavam convictos de que antes de fugir, o homem havia destruído tudo sobre ele, fotos e documentos. Eles estavam esperando os médicos que o atendiam para fazer um retrato falado e começarem a espalhar pela cidade. Com certeza ele havia conseguido ajuda, não era possível uma pessoa declarada como doente mental, planejar tudo isso sozinho.

"Bom dia, filha." A minha avó me recebeu sorrindo na cozinha. Ela estava bebendo café e me ofereceu uma xícara cheia em seguida. Sem café eu simplesmente não existia.

"Bom dia vovó." Eu nunca deixei de chama-la de vovó, ela me mimava tanto que as vezes -na maioria- eu me sentia como uma menininha ainda. "Obrigada pelo café." Falei dando um gole. Estava bem docinho, do jeito que eu amava.

"Não esqueça de levar dinheiro para colocar crédito no seu celular." Ela disse enquanto mordia um pedaço de pão.

"Eu já disse vó, não tenho ninguém para ligar. Quando eu preciso eu ligo a cobrar para Liv ou para o João." Resmunguei bebendo mais um gole de café.

"E eu? Sou ninguém então." Eu sorri com o drama dela. A minha avó não era uma velha, ela era uma coroa bem bonitona, com seus cinquenta e cinco anos.

"Claro que não. A senhora é tudo pra mim. Mas a senhora sempre me liga, então não precisa. É sério." Expliquei e ela deu de ombros.

"Você quem sabe Eloíse." Respondeu séria e abriu um jornal que estava encima da cadeira ao lado.

A verdade era que eu gostava que me ligassem. Eu não queria que tivessem um motivo para eu ter que ligar, eu tinha muito medo de incomodar as pessoas. Mesmo meus melhores amigos e minha avó.

"Alguma novidade, sobre o maníaco?" Perguntei curiosa. A cidade para qual ele havia fugido era ao lado da nossa, eu estava com um pouco de medo.

"Ainda as mesmas coisas. Dizem que ele fugiu com as roupas brancas de lá e está todo maltrapilho. Filha, cuidado quando estiver voltando da escola, pega o ônibus rápido e vem pra casa assim que terminar a aula, tá bem?" Disse minha avó com olhar preocupado.

"Tudo bem vovó. Espero que o Lucas conserte logo a minha bicicleta, não aguento mais andar de ônibus." Exclamei. Lucas era um mecânico aqui da vizinhança, minha bicicleta estava com ele a dois dias. Havia furado o pneu e amassado a câmara de ar. "Já deu minha hora. Vou indo."

"Vai com Deus e cuidado!" Dei um beijo nela e me despedi.

Com minha mochila nas costas e roupa de colégio, segui para o ponto de ônibus próximo a minha casa. A chuva havia se acalmando um pouco, mas ainda estava muito frio, por sorte daquela vez eu não esqueci o casaco. Olhei para o meu celular e estava sem sinal. Ótimo. Também olhei a hora e já fazia dez minutos que eu estava no ponto e o ônibus que eu sempre pegava estava atrasado.

"Droga, eu não posso me atrasar. Tenho prova na primeira aula!" Exclamei baixinho irritada.

Com tanta demora eu decidi ir andando, a escola ficava há vinte minutos de casa e se eu tivesse ido andando desde o início, eu já estaria quase chegando.

A passos largos e com medo da rua que estava bem deserta, consegui chegar cinco minutos atrasada. Pedi licença e professor me deixou entrar, com cara feia mas ele não era um professor carrasco, e sabia da importância daquela prova para mim. Olhei em volta e não vi Olívia nem João. Não acreditava que eles tinham faltado e não me avisado.

Fiz minha prova com tranquilidade, eu achava que tinha ido bem. As aulas passaram como lesmas. De dentro da escola podíamos ouvir a chuva forte que caía lá fora. Quando enfim bateu o sinal para irmos embora.

Abri meu pequeno guarda-chuva, abracei minha mochila com um braço para não molhar, pois a chuva estava muito forte. E corri para o ponto de ônibus. Eu só esperava que desta vez não demorasse, eu não via a hora de chegar em casa e me enfiar debaixo das cobertas. O vento estava quase me levando junto com meu guarda-chuva, eu batia o queixo sem parar e meus lábios estavam congelados com o frio que fazia.

Olhei ao redor e todos os alunos já haviam ido para suas casas, só restou eu ali naquele ponto de ônibus sozinha, por mais uma vez, esperando a merda do ônibus. A chuva forte fazia muitas poças de água e lama no chão.

Distraída com meus pensamentos, já deveria estar fazendo mais de dez minutos que eu estava ali, congelando e lutando contra o vento que queria me carregar para longe. Um carro em alta velocidade passou na minha frente e esvaziou uma grande poça de água suja em mim.

Eu fiquei tão furiosa no momento. Juntando com o susto que eu tomei e o frio que eu estava sentindo, tendo que lutar para o vento não quebrar meu guarda-chuva, eu dei um grito de raiva. Sem pensar, fiz uma coisa que minha avó sempre me disse que era errado e que eu nunca deveria fazer.

"Filho da puta! Você é cego?" Eu estava com tanta raiva. Agora eu estava toda suja e toda molhada. Furiosa joguei fora de uma vez o guarda-chuva e comecei a andar em direção a minha casa.

E o idiota nem havia parado, pelo menos para se desculpar e dizer que foi sem querer. Mas não tinha como, porque não foi, a rua era bem grande para aquela pessoa passar justamente por cima da poça em minha frente.

"Espero que o seu carro dê problema!" Esbravejei.

Meu rosto estava pegando fogo de raiva. Se antes eu estava com frio e meus lábios congelando, agora eles estavam queimando. Eu sempre fui uma pessoa sensível que chorava atoa, e naquele momento eu comecei a chorar de raiva. Pisando duro e a passos largos comecei a ir pra casa a pé.

Caminhando sem parar, ao longe avistei o mesmo carro que me sujou, parado no acostamento. Era a hora, eu ia até lá e iria tirar satisfações com aquele ou aquela mal educada e insensível. Fui andando em direção ao carro. Quando cheguei perto eu bati com força no vidro grosso e completamente escuro, chegou a doer meu pulso.

Quando o vidro foi se abaixando aos poucos, toda a minha marra e vontade de xingar e brigar, caiu por terra. Havia um homem lá dentro, olhos azuis perfeitos, cabelos pretos como a escuridão da noite e barba por fazer. Ele parecia ter o dobro da minha idade e tinha uma cicatriz perto da sombrancelha. Imediatamente quando eu coloquei meus olhos sobre ele, eu senti uma coisa inexplicável, eu não sabia dizer com palavras, eu nunca havia sentido antes.

Meu rosto ficou mais quente do que já estava, meu coração acelerou, meu corpo se arrepiou e eu me senti tonta. Foi como se uma onda de calor e um choque estranho, percorresse toda a minha corrente sanguínea. O homem era lindo demais, eu não consegui dizer uma só palavra. Minha boca abriu várias vezes e nada saiu. Vários pensamentos estranhos começaram automaticamente a passar pela minha cabeça. Aquele homem tocando e beijando o meu corpo.

Mas que merda estava acontecendo comigo? Eu nunca havia visto aquele homem na minha vida.

Capítulo 2 2

Fascinada com aquele homem, não percebi que eu devia ter ficado olhando para ele mais do que deveria, minhas bochechas pareciam o inferno de tão quente. Só consegui voltar da minha viagem de pensamentos impuros que me deixaram muito envergonhada, quando o homem estalou os dedos na minha frente.

"Algum problema?" Perguntou ele suprimindo um sorriso descaradamente. Fiquei brava.

"Sim. Olha o que você fez comigo!" Respondi apontando para o meu corpo todo sujo e molhado. Ele me estudou de cima a baixo por um segundo. Por um breve momento pensei ter visto um olhar malicioso em seu rosto. Mas ignorei, certamente era coisa da minha cabeça.

"Ah, então era você a mocinha boca suja?" Perguntou ele com olhar divertido.

"Eu não quis ter xingado." Disse me sentindo mal de verdade por ter xingado a mãe dele. "Mas fiquei muito brava, olha o que você fez. Tinha uma rua enorme para você passar com o seu carro, mas você preferiu passar por cima de uma poça de lama na minha frente, difícil entender que tenha sido sem querer." Falei sem respirar, tão rápido que até eu mesma me surpreendi quando parei e tive que respirar para ganhar fôlego.

"E o que você pretende, mocinha?" Perguntou-me me encarando.

"Eu queria que você ao menos parasse e se desculpasse, por que é isso que pessoas educadas fazem!" Falei em meio tom.

"Eu não sou uma pessoa educada, querida." Disse ele e eu estupidamente estremeci de leve ao ouvi-lo me chamar de querida.

"Argh!" Rangi os dentes furiosa e virei as costas continuando meu caminho pra casa. Seria inútil conversar com uma pessoa que pelo que eu pude notar, era um idiota.

"Para onde está indo?" Ele me perguntou seguindo-me com o carro em baixa velocidade.

"Para minha casa!" Respondi automaticamente. "E também, não é da sua conta." Eu estava verdadeiramente irritada com o pouco caso que ele me tratara a pouco.

"Deixe-me redimir com você. Eu te levo para sua casa." Disse ele.

"Claro que não. Muito obrigada. Além do mais, não quero sujar seu belo carro." Dei de ombros e respondi sem parar de andar.

"Vamos, moça. Entre nesse carro, não sou do tipo paciente." Continuou insistindo.

"Talvez, você não tenha ouvido direito. Eu vou andando!" Apressei os meus passos tentando fugir dele. Certamente em vão, pois ele estava com o seu carro e poderia me alcançar com facilidade.

"Porque?" Perguntou-me calmamente.

"Por que, a minha avó me ensinou a nunca aceitar carona de estranhos. Aliás, a nunca nem falar com estranhos." Falei lembrando-me dos ensinamentos de minha avó para a minha própria segurança. Mas havia algo naquele homem que me chamava, eu estranhamente estava gostando dele estar me seguindo e insistindo para me dar carona.

"Tenho certeza que sua avó iria preferir que alguém te levasse para casa em segurança, do que um maníaco a solta pegar sua linda netinha e fazê-la dela uma próxima vítima." Naquele mesmo momento eu congelei. Era verdade, o maníaco a solta que estava passando nos jornais. Engoli em seco com um medo incomum começando me percorrer. Olhei para ele e ele estava me encarando com o carro já parado.

"É verdade..." Sussurrei baixinho para que ele não me ouvisse.

"Então, vamos?" Ele saiu do carro e estendeu sua mão para mim.

O olhando de perto, e de pé, notei que ele era bem alto comparado a mim, minha cabeça bateria em seu peito. Ele estava vestindo roupas elegantes, um terno cinza com um colete branco de giz. Ele parado com uma das mãos no bolso da calça e a outra estendida para mim, era a visão mais bela que eu vira em tempos. Cabelos muito escuro e olhos azuis como o céu. Ele poderia muito bem ser um modelo masculino, sua beleza era fora do normal para mim. Eu não entendia o porque me sentia tão atraída por aquele homem estranho que me sujara toda de lama. Mas eu me senti, eu queria estar perto dele, eu sabia que mal o conhecia, mas era um território totalmente novo para mim, eu nunca havia sentido nada igual.

"Tudo bem. Mas somente por que eu prefiro ser levada por um estranho que me sujou do que ser atacada por um maníaco, não quer dizer que você seja uma pessoa legal." Dei de ombros e fui em direção a porta do carro ignorando sua mão entendia. Tinha certeza de que se eu segurasse aquela mão, eu não iria querer solta-la.

"E eu não sou mesmo." Disse ele com um sorriso de lado e olhar divertido. Como ele era bonito. Céus!

"Não é educado. Não é legal. Você é um monstro!" Brinquei tentando parecer séria, mas não resisti e soltei um sorriso. Ao olhar para seu rosto ele parecia iluminado olhando para mim, eu estava iludida por pensar aquilo, eu sabia. Mas eu não podia deixar de notar aquilo.

"Sim. Isso eu sou mesmo." Respondeu ele tentando manter um tom de brincadeira com um sorriso no rosto, mas no fundo eu senti um leve tom de verdade em suas palavras. Mas não importava, eu estava encantada demais para ficar pensando coisas.

"Espera, seu carro vai ficar todo sujo." Olhei para o meu corpo completamente sujo. Mesmo ele sendo o culpado, eu não queria sujar o carro dele.

Eu sempre fui assim, mesmo quando me faziam o mau, eu não conseguia pagar com a mesma moeda. Consciência limpa para mim sempre foi o mais importante.

"Surpreende-me que você não queira sujar o meu carro, mesmo após eu ter sujado você." Ele deu uma pausa me estudando de cima a baixo e continuou: "De propósito."

"Ah então foi de propósito mesmo! Eu sabia! Porque? O que você ganhou com isso?" Perguntei chateada e furiosa.

"O prazer de você vir até mim tirar satisfações. E eu ter o prazer novamente de levá-la em casa." Respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo sujar as pessoas só para levá-las em casa após isso.

"Seu!" Gritei buscando a palavra certa. Eu não tinha o costume de xingar, então para mim era difícil. "Seu... Seu idiota!" Quando olhei ele estava parado bem a minha frente, muito próximo a mim.

"Não me importo de ser xingado, querida." Disse ele em tom suave. "Tome." Falou a parte de cima do seu terno e colocando sobre meus ombros. Naquele momento eu inalei o seu cheiro peculiar, mas muito, muito agradável. Sem perceber eu tinha fechado os meus olhos e imediatamente senti minhas bochechas queimarem. Eu odiava o fato de estar corando tão facilmente na frente dele. "Assim não precisará se preocupar em sujar o meu carro."

"Obrigada." Respondi morrendo meu lábio inferior, eu tinha a mania de fazer isso quando estava nervosa.

"Agora, vamos." Ordenou. Abriu a porta do carro pra mim e eu entrei. Ele deu a volta e entrou também se sentando e dando partida.

Dentro do carro, ficamos em silêncio durante alguns minutos. Eu não ousava se quer me virar para olha-lo, eu estava como uma estátua sem me mexer, o frio que eu sentia antes, havia passado com o abraço de seu terno cheiroso e quente sobre o meu corpo.

"Tudo bem para mim se você respirar, ou se quiser piscar os olhos, não sei, talvez relaxar aí nesse banco." Queimei de vergonha ao saber que ele percebeu o meu nervosismo ao estar dentro daquele carro com ele. Instantâneamente relaxei um pouco, encostando minha cabeça no banco. "Qual seu endereço?"

"Dallas. Rua Outlander N° 12." Respondi.

"Bem perto daqui." Disse ele sem tirar os olhos da estrada. Em seguida ele me entregou um lenço, imaginei que era para eu secar o rosto. Peguei da mão dele e sequei meu rosto.

"Você é daqui?" Perguntei curiosa por ele saber que meu endereço era perto.

"Sou sim. Estive um tempo fora, mas cresci aqui, na cidade ao lado." Explicou-me.

"Legal." Falei apenas.

"Como você se chama, moça?" Perguntou baixinho.

"Eloíse Espinoza. E você?" Ele pareceu um pouco surpreso ao ouvir meu nome, ou o meu sobrenome. Tive essa leve impressão no momento.

"Eloíse..." Sussurrou como se estivesse analisando e admirando o meu nome. "Julian. Me chame de Julian." Em seguida respondeu ele em meio tom enquanto trocava a marcha do carro e virava numa esquina.

Eu não parava de morder minha bochecha por dentro da boca, eu tinha aquele mal costume quando eu me sentia nervosa. E que merda, por que aquele homem infernal de bonito tinha que me deixara tão. Tão... Sem palavras.

Capítulo 3 3

Totalmente concentrada no caminho que o carro fazia na estrada, eu estava. Eu não consegui me atrever a dizer uma palavra se quer. O medo de dizer algo embaraçoso ou idiota, que era algo muito típico de mim, era maior do que minha vontade de fazer perguntas. A mistura de ansiedade e um medo estranho por estar dentro daquele carro, me incomodava e eu me mexia constantemente. Até que de tanto morder meu lábio inferior sangrou.

"Aí! Droga." Exclamei baixinho colocando um dedo na ferida e olhando o rastro pequeno de sangue.

"O que foi?" Ele perguntou-me me olhando rapidamente e voltando o olhar para a estrada. Ele só poderia ter ouvidos de um vampiro para ouvir sussurros.

"Nada. Só eu mordendo a minha boca até sangrar." Respondi como se não fosse nada e dei de ombros.

"Por que você faz isso? Gosta de machucar a si própria?" Com sua voz grave e sedosa ele me perguntou virando numa rua.

"Quando estou nervosa eu tenho alguns maus costumes." Falei.

"Então quer dizer que você está nervosa agora." Afirmou ele fazendo com que meu rosto esquentasse. Engoli em seco sem saber o que dizer, era um dom natural entrar em saias justas e não saber como sair delas, até que eu não tinha outra alternativa senão a sinceridade.

"Ora mas é claro. Eu estou dentro do carro de um estranho que me sujou de propósito e eu não estou chateada. Claro que estou nervosa." Expliquei falando um pouco rápido demais. Não queria olhar para ele, eu tinha medo do que meu olhar traiçoeiro poderia revelar para ele. Mas ouvi ele dando uma leve risada.

"Para ser sincero, você é uma mocinha bem corajosa. Eu poderia muito bem ser um louco ou um sequestrador, te levando para algum lugar desconhecido e lá fazer o que quisesse com você." Disse ele e meu corpo todo estremeceu. Engoli em seco com meu sangue gelado dentro das veias. Ele tinha razão, ele poderia ser, mas eu sabia que não era. Ou era?

"Você não teria coragem... Teria?" Perguntei tentando fazer o meu melhor olhar de coitadinha.

"Relaxe, querida." Ele soltou uma risada forte. Fiquei zangada por ele estar zombando de mim.

"Olha. Acho melhor você parar o carro aqui, eu vou andando daqui mesmo sabe." Falei com um medo estranho percorrendo meu corpo.

"Fique tranquila. Eu não vou fazer nada de ruim para você, se quisesse fazer, já teria feito." Deu de ombros.

"O que quer dizer com isso?" Perguntei irritada. O que ele achava que eu era? Uma garotinha indefesa?

"Você parece uma menininha indefesa. Muito ingênua por sinal." Disse ele com ar debochado. Eu me senti realmente ofendida com aquilo, e ainda mais por ele ter razão.

"Eu não sou indefesa!" Gritei com ele. "E muito menos ingênua!" Continuei.

"Você é sim, querida." Falou ele tranquilamente. E era aquilo que me deixava com raiva, a tranquilidade dele de me repreender e estar sempre certo sobre tudo.

"Eu não sou!" Discuti.

Desde pequena a minha avó reclamava que eu era uma criança que chorava bastante, e até aquele dia eu ainda era assim, eu chorava por tudo e aquilo não era de propósito, eu era sensível demais e um tom mais alto ou algo que eu não concordava me deixava triste e eu chorava por aquilo. E me odiava várias vezes por ser assim.

"Você quer ver como você é uma garotinha indefesa e ingênua?" Perguntou ele com voz sussurrante e parou o carro bruscamente me assustando.

"Você tá maluco?" Perguntei com a mão no peito me recuperando do susto.

"Eu sou maluco." Disse ele e se inclinou sobre mim no banco do carona. O rosto dele ficou muito, muito próximo ao meu naquele momento.

Instintivamente eu fechei os meus olhos não conseguindo me conter em ficar olhando aqueles lindos olhos azuis que estavam me deixando sem fôlego e tonta. Suspirei o cheiro dele e em senti embriagada como se tivesse usado alguma droga, meu rosto e minha respiração queimava como o inferno, quando eu senti a respiração dele desviar do meu rosto e indo para o meu pescoço. Foi ali, naquele exato momento que eu perdi as estribeiras de quem eu era.

Eu não conseguia reagir, parecia petrificada aos encantos daquele deus da beleza e do charme. Uma nova sensação começou a percorrer o meu corpo, algo que eu nunca sentira antes. Minha intimidade esquentou e era como se ela tivesse ficado úmida por casa de seu toque. Esfreguei minhas coxas uma na outra tentando aliviar aquela pressão que se acumulava entre minhas pernas.

Seus lábios quente e macios pressionaram meu pescoço de forma sensual, o que me deixou ainda mais fraca e ansiosa querendo que ele continuasse e não parasse, até a agonia que me incomodava entre as pernas parasse. A gota d'água foi quando ele apertou minha coxa esquerda com sua mão grande e áspera, foi como se minha alma saísse do corpo e voltasse de tão bom que foi a sensação. Sem conseguir me conter, meus lábios se abriram e um gemido teimoso escapou. Os lábios de Julian caminharam do meu pescoço até a minha bochecha parando no canto da minha boca, enquanto sua mão continuava a apertar e acariciar a minha coxa.

De repente ele parou, e eu me senti estranhamente abandonada e frustrada. Abri os meus olhos de vagar, e encontrei aquele azul estonteante, então me dei conta do que estava acontecendo. Ele havia acabado de me provar o quanto eu era vulnerável, o quanto eu era indefesa e ingênua. O pior era que eu queria me arrepender, eu queria me odiar por ter gostado daquele avanço de Julian.

Se ele quisesse ele poderia ter ido até o fim comigo, facilmente. Mas nunca havia acontecido, eu nunca havie sentindo daquela forma com o toque de alguém. Nem mesmo quando eu beijei um garoto pela primeira e única vez, apesar de ter sido apenas um selinho, eu nunca imaginei que poderia sentir aquilo com apenas um toque de um homem.

Naquele momento eu estava me sentindo vulnerável e culpada. Ele havia me provado que eu era fraca e nunca poderia me defender de um ataque de um homem mau. Eu queria chorar, e ir para o colo da minha avó para ela acariciar os meus cabelos e dizer que iria ficar tudo bem. Mas não ia.

"Por que você fez isso?" Minha voz estava magoada e eu queria muito chorar.

"Eu disse para você que você era ingênua e indefesa. Ainda bem que eu apareci, se não algo ruim poderia ter acontecido a você, por estar andando sozinha por aí a fora." Disse ele se ajeitando em seu banco. Fiquei tão triste, mas ele estava certo.

Abaixei o olhar, e segurei minhas lágrimas. Brincando com os dedos eu me sentia envergonhada. Ele devia estar pensando que eu era uma qualquer, dessas adolescentes que faziam de tudo com qualquer um. Mas eu não iria me dar ao trabalho de explicar que eu não era aquilo.

"Por favor, tem como você só dirigir mais rápido?" Perguntei ainda olhando pra baixo. E ouvi quando ele acelerou.

"Tudo bem." Falou ele.

O resto do caminho fomos em silêncio. Demorou apenas alguns minutos até chegarmos em frente a minha casa.

"Muito obrigada." Falei apressadamente e coloquei a mão para abrir a porta do carro, fui interrompida pela mão dele na altura do meu joelho.

"Só um minuto." Disse ele. "Tire a roupa."

"O que?!" Exclamei surpresa e assustada.

"Digo, meu terno." Corrigiu.

"Ah sim..." Dei um suspiro aliviada. Tirei com cuidado o terno dele e o entreguei. "Obrigada por ter me trazido, Julian. Tchau." Falei ainda envergonhada pelo acontecido anterior e sai do carro sem esperar que ele abrisse a porta para mim.

"Você é uma pessoa muito divertida de se provocar, Eloíse." Disse ele e deu uma risada. Percebi que ele não sorria muito, mas o pouco que sorria era perfeito. "Tchau, querida. E tenha cuidado com o maníaco. Fiquei sabendo que ele adora meninas bonitas e ruivinhas, assim como você." Sem esperar eu responder, ele arrancou com o carro e sumiu rua a fora.

Eu não o conhecia, e muito menos sabia algo sobre ele. A única coisa que eu sabia com certeza, era que ele não era normal, além de ser o homem mais bonito que eu já vi na vida, era sedutor e misterioso. Meu coração idiota já estava acelerado e sentindo uma estranha falta daquela presença. Eu nunca mais o veria mesmo, e se visse, que chance eu teria de um homem daqueles gostar de mim?

Suspirando de alívio, frustração, tristeza e curiosidade, entrei em casa.

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