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Justiça Por Minha Avó

Justiça Por Minha Avó

Autor:: Da Cao Mei
Gênero: Romance
Minha vida, que antes era uma tela em branco pronta para ser pintada com os pincéis da sétima arte, virou um pesadelo em rede nacional. No auge do Festival de Cinema do Rio, meu roteiro, "Sombras do Passado", a culminação de anos de sacrifício, seria finalmente reconhecido. Mas o lendário diretor Bruno, em vez de anunciar o vencedor, subiu ao palco e, diante de todos, me acusou de plágio, rasgando meu trabalho em pedaços. Os flashes explodiram, me cegando, enquanto meu nome e reputação eram destruídos em segundos. Fui publicamente humilhada, virando a "ladra" e "vigarista" na boca de todos, perdendo não só o prêmio, mas minha carreira antes mesmo de começar. Por que ele faria isso com tanto prazer, com um ódio tão pessoal, se eu nunca o havia conhecido? Eu não entendia a razão de tanta crueldade, mas a raiva fria que nasceu da humilhação me deu uma nova direção. No fundo do baú da minha avó falecida, encontrei a resposta: um diário e roteiros que provavam que Bruno não me plagiou, mas sim roubou o trabalho dela décadas atrás, e me destruiu para manter seu segredo enterrado. Agora, com essas provas e a ajuda de um hacker, eu renasceria das minhas próprias cinzas para arrombar as portas do sistema que me fechou.

Introdução

Minha vida, que antes era uma tela em branco pronta para ser pintada com os pincéis da sétima arte, virou um pesadelo em rede nacional.

No auge do Festival de Cinema do Rio, meu roteiro, "Sombras do Passado", a culminação de anos de sacrifício, seria finalmente reconhecido.

Mas o lendário diretor Bruno, em vez de anunciar o vencedor, subiu ao palco e, diante de todos, me acusou de plágio, rasgando meu trabalho em pedaços.

Os flashes explodiram, me cegando, enquanto meu nome e reputação eram destruídos em segundos.

Fui publicamente humilhada, virando a "ladra" e "vigarista" na boca de todos, perdendo não só o prêmio, mas minha carreira antes mesmo de começar.

Por que ele faria isso com tanto prazer, com um ódio tão pessoal, se eu nunca o havia conhecido?

Eu não entendia a razão de tanta crueldade, mas a raiva fria que nasceu da humilhação me deu uma nova direção.

No fundo do baú da minha avó falecida, encontrei a resposta: um diário e roteiros que provavam que Bruno não me plagiou, mas sim roubou o trabalho dela décadas atrás, e me destruiu para manter seu segredo enterrado.

Agora, com essas provas e a ajuda de um hacker, eu renasceria das minhas próprias cinzas para arrombar as portas do sistema que me fechou.

Capítulo 1

"O acordo é simples, Sofia" , disse Isabela, com um sorriso de desprezo nos lábios pintados de vermelho.

Ela empurrou um contrato pela mesa de mármore polido do café.

"Cem mil reais por mês, durante três meses. Você se torna a nova companhia do meu irmão, Lucas. Fica disponível para ele, age como a garota interesseira que você obviamente é, e no final, sai com trezentos mil no bolso."

Eu olhei para o contrato, depois para o rosto arrogante de Isabela.

Ela era a herdeira de um império, irmã de Lucas, o principal investidor dos estúdios de Bruno. O mesmo Bruno que destruiu minha vida.

A proposta dela era humilhante, um jogo cruel para ela e seu círculo de amigos ricos se divertirem às minhas custas.

Eles queriam uma prova viva de que pessoas como eu, sem berço de ouro, fariam qualquer coisa por dinheiro.

Peguei a caneta Montblanc que ela ofereceu.

"Onde eu assino?" , perguntei, com a voz firme, sem um pingo de hesitação.

O sorriso de Isabela se alargou.

Ela achava que estava me comprando, me quebrando.

Mal sabia ela que eu já estava quebrada.

E mal sabia ela que, para mim, aquele contrato não era o fim da minha dignidade.

Era o começo da minha vingança.

Isabela acreditava que estava no controle total, que eu era apenas uma peça no seu tabuleiro sádico.

Ela e seus amigos ricos criaram um grupo online fechado, um tipo de reality show particular, para acompanhar cada passo da minha "queda" .

O nome do grupo era "Domando a Selvagem" .

Eles apostariam em quanto tempo eu levaria para me apaixonar por Lucas, ou para fazer alguma cena humilhante por um presente caro.

Eu sabia de tudo isso.

Meu ex-colega de faculdade, Leo, agora um hacker que o sistema de segurança do governo temia, tinha me contado cada detalhe.

"Eles acham que é um jogo deles, Sofia. Mas será o nosso" , ele me disse por uma chamada segura, dias antes do meu encontro com Isabela.

"Eles vão te dar o palco, a plateia e os recursos. Você só precisa atuar."

Então, enquanto eu assinava aquele papel, eu não via as letras miúdas da minha humilhação.

Eu via a cara de Bruno.

Minha mente voltou para três meses atrás, a noite que mudou tudo.

O Festival de Cinema do Rio.

Eu estava no auditório, meu coração batia tão forte que eu mal conseguia respirar.

Meu roteiro, "Sombras do Passado" , era finalista na categoria de novos talentos.

Era a minha chance, o culminar de anos de trabalho duro, de noites sem dormir, de bicos como garçonete para pagar as contas enquanto escrevia.

Então, o mestre de cerimônias chamou ao palco o lendário diretor Bruno para anunciar o vencedor.

Ele subiu, imponente em seu terno caro, segurando o envelope.

Mas ele não o abriu.

Em vez disso, ele olhou para a plateia com uma expressão de nojo.

"Senhoras e senhores" , ele começou, sua voz ressoando pelo teatro. "Esta noite, antes de celebrar o talento, precisamos expor uma fraude."

Um murmúrio percorreu a multidão.

Meu estômago gelou.

"Temos uma ladra entre nós" , ele continuou, e seus olhos encontraram os meus. "Uma jovem roteirista chamada Sofia, que teve a audácia de roubar um trabalho que não é seu."

As câmeras se viraram para mim.

Os flashes explodiram no meu rosto, me cegando.

Ele ergueu uma cópia do meu roteiro.

"Isso aqui" , ele cuspiu as palavras. "É plágio. Uma cópia barata de um conceito que eu mesmo desenvolvi anos atrás."

A mentira era tão grande, tão absurda, que eu não consegui reagir.

Fiquei paralisada, sentindo o peso de centenas de olhares me julgando.

"Que isso sirva de lição" , Bruno disse, e com um gesto teatral, rasgou meu roteiro ao meio.

Os pedaços de papel caíram no palco como neve suja.

O som do papel rasgando foi o som do meu futuro se partindo.

Naquela noite, eu não perdi apenas um prêmio.

Eu perdi meu nome, minha reputação, minha carreira antes mesmo que ela começasse.

Nenhum estúdio atendia mais minhas ligações.

Meu agente me dispensou.

As notícias me pintaram como uma vigarista oportunista.

Eu estava acabada.

A humilhação foi total, pública e brutal.

Na primeira semana, eu mal saí da cama no meu minúsculo apartamento.

Eu só queria desaparecer.

Mas então, no fundo do poço, algo mudou.

A tristeza deu lugar a uma raiva fria e cortante.

Bruno não apenas me acusou falsamente.

Ele fez isso com prazer, com um poder sádico, para se reafirmar como o rei da indústria e destruir qualquer um que pudesse ameaçar seu trono de mentiras.

Eu não iria deixá-lo vencer.

Eu não iria simplesmente sumir.

Se o sistema era corrupto e me fechou todas as portas, eu não ia mais bater nelas.

Eu ia arrombá-las.

Foi quando eu estava arrumando as coisas velhas da minha avó, que faleceu alguns anos antes, que encontrei.

Minha avó, Helena, foi uma atriz nos anos 60.

Uma estrela em ascensão que, misteriosamente, abandonou a carreira no auge e nunca mais falou sobre o assunto.

Dentro de um baú antigo, embaixo de vestidos de seda e fotos em preto e branco, havia um diário.

E dentro do diário, escondidos, estavam roteiros.

Roteiros originais, brilhantes, escritos por ela.

E um deles... um deles era a base da história do filme mais famoso de Bruno.

O filme que o consagrou.

O diário também continha anotações, desabafos sobre um "diretor poderoso e manipulador" que a seduziu, roubou suas ideias e depois a ameaçou até que ela se retirasse da vida pública para proteger sua família.

O nome dele não estava escrito, mas eu sabia. Era o Bruno.

Ele não tinha me plagiado.

Ele tinha plagiado minha avó.

E ele me destruiu para garantir que seu segredo de décadas continuasse enterrado.

Aquele diário não era apenas a prova da inocência da minha avó e da minha.

Era um manual.

Um mapa para a vingança.

Foi aí que liguei para o Leo.

E foi assim que o plano nasceu.

A proposta de Isabela não foi um golpe do destino.

Foi uma armadilha que nós cuidadosamente preparamos para que ela caísse.

Leo usou suas habilidades para sutilmente colocar meu nome e minha foto no radar de Isabela, me pintando como o tipo exato de "garota desesperada" que ela adoraria usar em seus jogos.

Ela mordeu a isca.

E agora, eu estava dentro.

Dentro do mundo deles.

Perto de Lucas.

E, consequentemente, perto de Bruno.

Enquanto Isabela me olhava com superioridade, guardando sua cópia do contrato, eu já estava calculando meus próximos passos.

Ela achava que tinha comprado uma boneca.

Mas ela tinha acabado de convidar um cavalo de Troia para dentro da sua fortaleza.

Este jogo não era sobre dinheiro ou luxo.

Era sobre justiça.

Pela minha avó.

Por mim.

E eu não ia parar até que Bruno e todos que o protegiam pagassem pelo que fizeram.

Capítulo 2

"Bem-vinda à sua nova vida" , disse Isabela, abrindo a porta de um apartamento que parecia maior que o meu prédio inteiro.

A vista da cobertura tomava toda a Lagoa Rodrigo de Freitas.

O chão de mármore branco brilhava, e os móveis de design eram tão minimalistas que pareciam desconfortáveis.

"Lucas virá te encontrar mais tarde" , ela informou, com o tom de quem dá ordens a uma empregada. "Ele vai te levar para fazer umas compras. Você precisa parecer... adequada."

Ela me olhou de cima a baixo, torcendo o nariz para minhas calças jeans e camiseta simples.

"Aqui estão as regras" , ela continuou, me entregando um tablet. "Sua mesada, suas obrigações. Leia tudo. Não quero surpresas."

As "obrigações" eram claras: estar sempre bem vestida, nunca contradizer Lucas em público, acompanhá-lo a todos os eventos sociais e, o mais importante, ser "divertida e grata" .

Era um roteiro. E eu era uma ótima atriz.

"Entendido" , eu disse, com um sorriso que eu treinei para parecer dócil e um pouco deslumbrado.

Isabela pareceu satisfeita.

"Ótimo. Não me decepcione. Ou seja, não tente ser mais do que você é."

Ela se virou e saiu, me deixando sozinha no silêncio opressor daquele lugar luxuoso e sem alma.

Eu caminhei até a enorme janela de vidro.

Lá embaixo, o Rio de Janeiro parecia uma maquete.

Era o mundo deles. Um mundo que me esmagou.

Agora, eu estava no topo dele, pronta para fazê-lo desmoronar.

Mais tarde, Lucas chegou.

Ele era alto, com o cabelo castanho perfeitamente penteado e um ar de tédio permanente no rosto.

Ele não era feio, mas havia uma ausência de vida em seus olhos, como se nada pudesse realmente surpreendê-lo ou animá-lo.

Ele me analisou sem muito interesse.

"Isabela disse que você está pronta" , ele falou, a voz monótona. "Vamos."

O motorista nos levou a um shopping de luxo na Barra da Tijuca.

Lucas me guiou até uma butique caríssima, onde as vendedoras nos cercaram como abelhas em volta do mel.

"Escolha o que quiser" , ele disse, sentando-se em um sofá de veludo e pegando o celular, claramente desinteressado.

Era a minha primeira cena.

Eu precisava ser convincente.

Respirei fundo e liberei a "Sofia interesseira" .

"Uau! Tudo isso? Para mim?" , eu disse, com a voz aguda e os olhos arregalados, fingindo um deslumbramento que eu não sentia.

Eu comecei a pegar vestidos de grife das araras, um após o outro, sem nem olhar o preço.

"Este! E este! Ah, meu Deus, olha esses sapatos! Eu posso levar dois pares?"

Eu me olhava no espelho, rodopiava com os vestidos, fazia poses exageradas.

Eu me comportava exatamente como eles esperavam: uma garota pobre que nunca tinha visto tanto luxo na vida e estava perdendo a cabeça.

Pelo canto do olho, eu vi Lucas me observar por cima do celular.

Um leve traço de diversão, ou talvez pena, cruzou seu rosto antes de ele voltar à sua máscara de indiferença.

As vendedoras me tratavam com uma simpatia forçada, provavelmente rindo de mim pelas costas.

Eu não me importava.

Deixei que rissem.

Cada peça de roupa, cada sapato, cada bolsa que eu escolhia não era um presente para mim.

Leo já tinha um plano para tudo aquilo.

Ele conhecia um contato que transformaria aqueles itens de luxo em dinheiro vivo, que seria secretamente depositado em uma conta que estávamos usando para financiar nossa operação.

Isabela e Lucas achavam que estavam me comprando com bugigangas.

Na verdade, eles estavam pagando pela própria ruína.

Depois de encher o porta-malas do carro com sacolas de grife, Lucas me levou para jantar em um restaurante exclusivo, onde os garçons nos chamavam pelo nome.

A comida era deliciosa, mas eu mal sentia o gosto.

Eu estava focada no meu papel.

Durante o jantar, ele mal falou comigo.

Ficou no celular a maior parte do tempo, respondendo a e-mails de trabalho.

Quando voltamos para o apartamento, um silêncio constrangedor se instalou entre nós.

Eu sabia o que o contrato insinuava sobre as minhas "obrigações" noturnas.

"Vou tomar um banho" , ele disse, finalmente, e foi para o quarto principal.

Quando ele saiu, vestindo apenas uma calça de moletom, ele parecia desconfortável.

Eu estava sentada no sofá, usando um dos vestidos de seda que ele tinha comprado.

Era parte do show.

Eu me levantei e caminhei até ele.

Coloquei minhas mãos em seu peito, sentindo os músculos tensos sob a pele.

Eu me inclinei para beijá-lo.

No momento em que nossos lábios se tocaram, eu senti.

Uma hesitação.

Uma rigidez.

Ele correspondeu ao beijo, mas foi mecânico, quase forçado.

Não havia desejo ali.

Havia algo mais.

Uma espécie de repulsa contida.

Ele se afastou sutilmente.

"Estou cansado" , ele disse, a voz um pouco rouca. "Você pode dormir no quarto de hóspedes."

Ele se virou e foi para o seu quarto, fechando a porta atrás de si.

Fiquei ali, parada na sala de estar suntuosa, processando o que tinha acabado de acontecer.

Ele não me queria.

Isso não fazia parte do roteiro que Isabela tinha montado.

O jogo deles era me transformar em um objeto de desejo e depois me descartar.

Mas o jogador principal parecia não querer jogar.

Naquele momento, eu ouvi um som.

A porta do apartamento se abriu e Isabela entrou.

Ela me viu ali, sozinha, com o vestido de seda e a maquiagem perfeita.

Seus olhos brilharam com uma malícia triunfante.

Ela olhou para a porta fechada do quarto de Lucas e depois para mim.

Um sorriso cruel se formou em seu rosto.

"Parece que nem todo o dinheiro do mundo pode comprar classe, não é mesmo?" , ela zombou. "Nem mesmo para o meu irmão."

A raiva dela não era por eu estar ali.

Era por eu ter tentado me aproximar de Lucas.

O desprezo dela era profundo, pessoal.

Ficou claro que a insatisfação dela com a minha presença ia além de um simples jogo.

Havia um ciúme possessivo em relação ao irmão, uma raiva por ele ter que sequer dividir o mesmo ar que eu.

Aquele olhar me disse tudo.

Isabela não seria apenas uma espectadora neste jogo.

Ela seria um obstáculo ativo, perigoso.

E isso tornava tudo ainda mais interessante.

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