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Justiça Para Meus Pais

Justiça Para Meus Pais

Autor:: Hazel
Gênero: Moderno
Era o dia do lançamento de "Mundo Semente", o projeto da minha vida, um jogo educativo gratuito. Mas, de repente, meu mundo desabou: fui acusada de plágio, e a pivô era Bruna, minha própria irmã mais nova, a quem eu ensinei a programar. Do dia para a noite, meu nome virou lama online: "impostora", "ladra de ideias", "fraude". Ninguém ouviu minhas provas, preferiam a narrativa da irmã mais nova carismática oprimida. Eu me tornei uma pária, me escondi do mundo. Mas o pior ainda estava por vir. A tempestade de ódio virtual se tornou real. Fãs de Bruna, com rostos cobertos, foram até o prédio dos meus pais. Eu estava no telefone com minha mãe quando ouvi os gritos e o barulho de vidro quebrando. Corri, mas cheguei tarde demais. Meus pais, pessoas simples e boas, foram empurrados da varanda do décimo segundo andar, assassinados por fãs extremistas. Minha alma morreu naquele dia. Como Bruna, minha própria irmã, podia ser tão cruel, roubando não só minhas ideias, mas também o futuro da minha família? A dor e a injustiça eram insuportáveis, uma ferida aberta na minha alma. Então, a escuridão. E de repente, abri os olhos. O cheiro de café, o sol na janela. Era 23 de outubro de 2023, o dia do lançamento de "Mundo Semente", o início do meu pesadelo. Eu não estava morta. Eu tinha voltado ao começo, com a memória do futuro. Uma segunda chance, não para perdoar, mas para fazer justiça.

Introdução

Era o dia do lançamento de "Mundo Semente", o projeto da minha vida, um jogo educativo gratuito.

Mas, de repente, meu mundo desabou: fui acusada de plágio, e a pivô era Bruna, minha própria irmã mais nova, a quem eu ensinei a programar.

Do dia para a noite, meu nome virou lama online: "impostora", "ladra de ideias", "fraude". Ninguém ouviu minhas provas, preferiam a narrativa da irmã mais nova carismática oprimida. Eu me tornei uma pária, me escondi do mundo. Mas o pior ainda estava por vir.

A tempestade de ódio virtual se tornou real. Fãs de Bruna, com rostos cobertos, foram até o prédio dos meus pais. Eu estava no telefone com minha mãe quando ouvi os gritos e o barulho de vidro quebrando. Corri, mas cheguei tarde demais. Meus pais, pessoas simples e boas, foram empurrados da varanda do décimo segundo andar, assassinados por fãs extremistas. Minha alma morreu naquele dia.

Como Bruna, minha própria irmã, podia ser tão cruel, roubando não só minhas ideias, mas também o futuro da minha família? A dor e a injustiça eram insuportáveis, uma ferida aberta na minha alma.

Então, a escuridão. E de repente, abri os olhos. O cheiro de café, o sol na janela. Era 23 de outubro de 2023, o dia do lançamento de "Mundo Semente", o início do meu pesadelo. Eu não estava morta. Eu tinha voltado ao começo, com a memória do futuro. Uma segunda chance, não para perdoar, mas para fazer justiça.

Capítulo 1

Joana fechou os olhos, o cheiro de ozônio e terra molhada enchendo suas narinas. O mundo inteiro era um caos de vento e chuva, um barulho ensurdecedor que parecia querer rasgar o céu. Ela estava de pé, no meio de um campo aberto, com os braços abertos, como se quisesse abraçar a tempestade. Não era um ato de desafio, era um ato de rendição.

Ela não tinha mais nada.

Seu último jogo, o projeto de sua vida, tinha sido cancelado. A acusação era de plágio. Uma piada cruel, já que a plagiadora era sua própria irmã mais nova, Bruna.

Um raio cortou o céu, iluminando a paisagem por uma fração de segundo. Nesse breve clarão, Joana viu o rosto sorridente de Bruna em sua mente, recebendo prêmios, sendo aclamada como um gênio prodígio da programação. Tudo construído sobre as ideias, o suor e o talento de Joana.

A tempestade dentro dela era muito pior que a de fora.

Seu nome, antes sinônimo de inovação em jogos educativos e gratuitos, agora era lama. "Impostora", "ladra de ideias", "fraude". Os comentários online eram um veneno que se espalhou rápido demais. Ela tentou se defender, mostrar as provas, os rascunhos, os códigos com datas anteriores. Ninguém quis ouvir. A narrativa de Bruna, a irmã mais nova e carismática sendo oprimida pela irmã mais velha e invejosa, era muito mais interessante.

Joana se tornou uma pária. Desligou o computador, cancelou suas contas, e se escondeu do mundo. Ela pensou que o pior já tinha passado. Estava enganada.

A ausência de Joana do cenário de desenvolvimento de jogos causou uma estranha reação. Bruna, que deveria estar no auge, começou a tropeçar. Seus novos lançamentos eram medíocres, sem a centelha de criatividade que marcava os "seus" trabalhos anteriores. Os fãs começaram a notar. A ausência de Joana parecia ter secado a fonte de Bruna. Era uma anomalia que ninguém conseguia explicar, mas que plantou uma semente de dúvida na mente de alguns.

Para Joana, essa observação distante não trazia consolo, apenas mais dor. Ela se lembrava de cada momento da sua vida anterior, uma sucessão de traições. Desde a infância, Bruna sempre pegava seus desenhos, suas histórias, e mostrava para os pais como se fossem dela. Eram coisas pequenas, que os pais relevavam como "coisa de criança". Mas o padrão se estabeleceu. Na adolescência, Bruna copiava seus trabalhos escolares. Na vida adulta, roubou sua carreira.

A cada acusação de plágio que Bruna lançava contra ela, uma parte de Joana morria. A família, manipulada pela atuação impecável de Bruna, pedia para Joana "ser a irmã mais velha" e "deixar pra lá". Pedro, seu colega de faculdade e amigo, que antes a admirava, foi um dos primeiros a se voltar contra ela, convencido pelas mentiras de Bruna. Ele se tornou o maior defensor de Bruna, liderando ataques contra Joana em fóruns de desenvolvimento.

A campanha de difamação não parou em Joana. O ódio online é uma besta faminta, e logo se voltou para a única coisa que Joana ainda tinha: seus pais. Fotos deles foram espalhadas online. O endereço deles foi vazado. Foram acusados de criar uma "filha monstruosa", de serem cúmplices de sua "fraude". A multidão virtual se tornou real. Um grupo de "fãs" de Bruna, com os rostos cobertos por máscaras, foi até o prédio onde seus pais moravam.

Joana estava no telefone com sua mãe quando ouviu os gritos. O barulho de vidro quebrando. A voz de seu pai, antes calma, agora cheia de pânico. A ligação caiu. Ela correu, mas chegou tarde demais. A polícia estava lá. A ambulância. Uma pequena multidão olhava para cima. Seu pai e sua mãe, pessoas simples e boas que nunca fizeram mal a ninguém, foram empurrados da varanda do apartamento no décimo segundo andar. A notícia descreveu como um ato de "fãs extremistas". Para Joana, foi o assassinato de sua alma.

Sem família, sem carreira, sem reputação. E sem a proteção espiritual que o karma positivo de seus jogos gratuitos deveria lhe dar, pois todo o crédito foi roubado por Bruna. Joana estava espiritualmente nua, um alvo fácil para qualquer desgraça cósmica.

E ela veio.

A tempestade atingiu seu clímax. O ar vibrou. Um clarão branco e ofuscante engoliu tudo. Uma dor aguda, inimaginável, atravessou seu corpo do topo da cabeça até a ponta dos pés. E então, nada. Escuridão. Silêncio.

Joana abriu os olhos.

A luz do sol entrava pela janela do seu quarto, o mesmo quarto de onde ela havia fugido semanas antes. O cheiro não era de ozônio, mas de café fresco vindo da cozinha. Ela olhou para as próprias mãos. Sem cicatrizes, sem a sujeira da lama do campo.

Ela pegou o celular ao lado da cama. A tela se acendeu. A data era 23 de outubro de 2023. O primeiro dia do lançamento de "Mundo Semente", seu jogo educativo mais ambicioso. O jogo que iniciou sua queda.

Ela não estava morta.

Ela tinha voltado. Tinha voltado ao início do pesadelo. Uma segunda chance. Mas não para perdoar. Para fazer justiça.

Capítulo 2

A sensação de irrealidade era tão forte que Joana teve que se sentar na cama, respirando fundo para não vomitar. Ela tocou o próprio rosto, o pescoço, sentindo o pulso forte e constante. Estava viva. O cheiro de café não era uma alucinação.

"Joana, o café tá na mesa! Você vai se atrasar pro lançamento!"

A voz de sua mãe.

Joana sentiu as lágrimas brotarem instantaneamente. Um soluço escapou de sua garganta, um som gutural, cheio de uma dor que não pertencia àquele momento, àquela manhã ensolarada.

Ela se levantou, as pernas trêmulas, e caminhou como uma autômata para fora do quarto. Seus pais estavam na cozinha. Sua mãe, de avental, colocando pão de queijo numa cesta. Seu pai, lendo o jornal, com uma caneca de café na mão. Vivos. Inteiros. Sorrindo para ela.

"Nervosa pro grande dia, filhona?", perguntou o pai, baixando o jornal.

Joana não conseguiu responder. Ela apenas caminhou até eles e os abraçou, um abraço apertado, desesperado. Ela enterrou o rosto no ombro da mãe, inalando seu cheiro, sentindo o calor de seu corpo.

"Que foi isso, menina? Parece que viu um fantasma", disse a mãe, rindo, mas retribuindo o abraço.

"Só... só estou muito feliz", Joana conseguiu dizer, a voz embargada. "Muito feliz por vocês estarem aqui."

Eles não entenderam a profundidade daquelas palavras, mas aceitaram o carinho. Depois do café, Joana foi para o seu computador. O coração dela batia acelerado. Ali estava. A página de download de "Mundo Semente", pronta para ser liberada ao público em uma hora.

Ela abriu o fórum de desenvolvedores e as redes sociais. A expectativa era alta, mas já havia um tom de ceticismo.

"Mais um jogo educativo gratuito? Deve ser cheio de microtransação escondida."

"Joana? Nunca ouvi falar. Provavelmente é só mais uma que vai sumir em seis meses."

"Grátis? Ninguém faz nada de graça. Qual é a pegadinha?"

Esses comentários, que na vida anterior a haviam magoado, agora pareciam distantes, insignificantes. Ela sabia o que estava por vir. O verdadeiro inimigo não era o ceticismo do público.

Enquanto esperava a hora do lançamento, ela checou seus e-mails e mensagens diretas. Uma delas chamou sua atenção. Era de um garoto chamado Léo.

"Oi, Joana. Eu sei que você não me conhece. Eu vi sobre seu jogo 'Mundo Semente' num blog. Eu sei que é sobre ecologia e plantar coisas. Eu queria saber se você pode me ajudar. Meu pai era agricultor. Ele... ele se foi no ano passado. Ele deixou um diário com anotações sobre um tipo raro de semente que ele estava tentando cultivar. Mas eu não entendo nada disso. Olhando as imagens do seu jogo, parece que você entende. Você poderia me ajudar a decifrar as anotações dele? É a única coisa que me restou dele."

Joana sentiu um calafrio. Ela se lembrava de Léo. Na vida anterior, ela estava tão ocupada com o lançamento e as primeiras acusações de Bruna que viu a mensagem, mas a marcou para responder depois. Um "depois" que nunca chegou. Semanas mais tarde, ela viu a notícia. Um adolescente da área rural cometeu suicídio. Sua família disse que ele estava sofrendo de uma depressão profunda desde a morte do pai. O nome dele era Léo.

A culpa a atingiu como uma onda. Ela não tinha matado o garoto, mas a omissão dela, a sua distração, fazia parte daquela tragédia. Ela tinha falhado com ele. Desta vez, seria diferente.

Ela olhou o código do seu jogo. "Mundo Semente" não era apenas sobre plantar. Era um simulador complexo de botânica, com um banco de dados genético de milhares de plantas, incluindo espécies raras e extintas. As anotações do pai de Léo não eram apenas sobre agricultura, eram sobre a redescoberta de uma planta que se acreditava perdida, uma planta com propriedades medicinais incríveis. O pai de Léo não era apenas um agricultor, ele era um pesquisador autodidata brilhante. A tristeza do garoto não era apenas pelo luto, era pelo peso de um legado que ele não conseguia compreender.

Joana começou a digitar uma resposta para Léo, o coração cheio de uma nova determinação. Ela iria ajudá-lo. Iria honrar a memória de seu pai. Iria salvar aquele garoto. Isso era mais importante do que qualquer lançamento, qualquer download, qualquer crítica.

Foi então que uma notificação piscou no canto da tela. Um novo post no maior fórum de jogos do país.

O título do post era: "Minha Nova Ideia de Jogo: 'Paraíso Verde' - Uma Revolução na Simulação Ecológica".

O autor do post: "BrunaDev".

O coração de Joana gelou. Ela clicou. O post descrevia, com detalhes assustadores, um conceito de jogo idêntico a "Mundo Semente", mas com algumas melhorias cosméticas e um nome diferente. O post tinha sido feito há dois minutos.

Bruna já estava agindo. O pesadelo estava começando de novo, exatamente como antes. Mas desta vez, Joana estava pronta. Ela não era mais a vítima ingênua. Ela era uma sobrevivente com a memória do futuro. E ela não ia cair.

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