10 anos antes...
ISABELLA
Respiro profundamente, assim que entro pelas portas da sala de aula. Meu coração parece querer sair pela boca. Todas as vezes, em que entro por essa porta, metade da garota que sou, morre.
Isso é complicado quando você é a única menina gorda e bochechuda, no meio das barbies. Desde que comecei a estudar, lá no jardim de infância, sou chamada por nomes horrorosos por conta do meu peso. Lembro-me da primeira vez que fui forçada a ir à escola pela minha mãe, enquanto repetia que não era uma boa ideia, voltei chorando desesperadamente. Meus colegas de sala ficaram o tempo todo soltando piadas e zombando do meu corpo.
Bolota, bolofofo, baleia, era como me chamavam. Obviamente, nunca pelo meu nome, porque a cada segundo eu tinha um apelido diferente.
Sento-me em minha cadeira e observo cabisbaixa a turma chegando e sentando em seus lugares. Liz vem minha direção, saltitante como sempre, esbanjando um sorriso de escárnio quando chega perto o suficiente. Pouso meus cotovelos na mesa à minha frente, olhando-a de soslaio, esperando até que ela resolva começar com as suas gracinhas de sempre. Espero sempre pelo pior, porque se tratando de Liz, a única coisa que sei, é que ela nunca pega leve ao soltar piadas e jogar na roda dos amigos para me esculachar. Isso é o que passo todos os dias, esperando ansiosamente o ano letivo acabar.
Prometi para mim mesma, que não daria bola para todo seu papinho em me desmerecer diante da classe, mas meu coração idiota sente o impacto de suas palavras a cada vez que ela diz o meu nome. É, eu sei o que vocês devem estar pensando, que poderia apenas pegar a cadela e arrastar sua cara pelos asfaltos da cidade, mas não tenho coragem. Além de ser gorda, sou também medrosa.
- Bella, Bella... - Liz puxa uma cadeira e se senta à minha frente.
Meu coração erra uma batida, esperando pela próxima ofensa.
- Liz, por favor, não quero conversa. Estou doente e quero ficar quieta no meu canto. - Jogo a mentira, esperando que ela vá ter um pouco de compaixão, mas tudo que ela faz é rir.
- Oh, que pena. - Ela se levanta e sobe na cadeira, gritando e rindo como a psicopata que sei que ela é. - Vocês ouviram isso, pessoal, nada de mexer com a bolota hoje, ela está doente e não quer se aborrecer. - Gargalha histericamente, todos na sala a acompanham em um coro de gargalhadas. Encolho-me, de cabeça baixa, lágrimas começam a escapar quando tudo que ouço, são os xingamentos. Os mesmos de sempre, dizendo-me que não sou uma garota que deve fazer parte da sociedade e do padrão ridículo que ela impõe, por ter o corpo que tenho, nunca na minha vida irei conseguir alguém que olhe para mim com admiração, porque não tenho nada de interessante a ser mostrado.
- Para com isso, Liz, não quero ter que ir à direção avisar sobre o que está fazendo. - Ela nem se abala, sabe muito bem que seu pai além de ser dono do colégio é também o diretor, o que torna minha vida um inferno total.
- Talvez eu possa dar uma chance a você, Bella - Matheus fala, rindo e vindo até onde estou. Suas mãos alisam meus cabelos loiro-escuros e descendo até o meu pescoço. Bato em suas mãos, interrompendo de imediato seu toque asqueroso e nojento. - Você tem dezesseis anos, mas parece que é mais velha do que minha avó, nem que me pagassem não seria capaz de ficar com você. - Ele gargalha, jogando suas palavras aos quatro ventos, destruindo-me como se tivesse levado um soco em meu estômago.
Lágrimas tomam meus olhos, embaçando-os e os deixando turvos. Minha cabeça baixa é sinônimo da vergonha que sinto por tudo que estão falando de mim, como se fosse algum monstro. Pelo canto dos olhos, vejo Maggie se levantar e soltar um grito. Chamando Liz para briga. De todas essas meninas que estão aqui, a Maggie sempre foi boa comigo.
- Eu acho que você é surda, garota? Não a ouviu dizer que está doente. Deixe a Bella em paz, vai cuidar da sua vida. - Maggie a pega pelo uniforme, apertando-a até que seus olhos azuis enormes se arregalam. Liz pede que a coloque no chão, quando Maggie a joga de qualquer jeito, fazendo-a cair. Sem perceber, sorrio um pouco, achando bem feito tudo que a mimada está passando. Todos na sala riem e Liz esbraveja, dizendo que irá até à direção contar para seu pai.
Maggie vem até mim, com um sorriso gigante. Abraçando-a, deixo que as lágrimas escorram pelas minhas bochechas. Meu corpo tremula com os soluços que me escapam.
- Não aguento mais isso, Maggie- digo com a voz angustiada. O cansaço de ser sempre ofendida por todos, me tomando. Não suporto mais isso. - É inadmissível ter que provar para todos que sou boa, e que posso sim encontrar alguém que queira verdadeiramente estar ao meu lado sem me julgar, ou julgar o manequim que visto.
Soluço alto. Maggie me ampara, dando-me conforto. A sala está em silêncio, os burburinhos cessaram.
- Você não tem que provar qualquer coisa a ninguém, Bella. Essa é você, e quem gostar, terá que gostar de você do jeitinho que é. Mande esse bando de idiotas, para puta que pariu. - Ainda que eu esteja triste, Maggie é a única a arrancar uma risada de mim. - Vamos lá, Isabella, você pode mandar toda essa gente ir à merda uma vez na vida. - Sorrio alto, toda angústia que está em meu peito começa a se dissipar.
- Eu posso? - Arqueio uma sobrancelha.
Maggie balança a cabeça, concordando. É o que faço, vou em direção ao Matheus, o mando ir se foder, e afirmo que quem não quer nada com ele, sou eu. Digo umas verdades na sua cara que o deixa de queixo caído. Um a um, digo o que penso, tirando um peso das minhas costas.
Por mais que eu tenha despejado minha ira sobre todos, já tenho a minha opinião e decisão formada, há quase três semanas. Esse será meu último dia nessa sala de aula, não os verei tão cedo.
Irei embora dessa cidade, e por mais que mamãe esteja triste por isso. Por perder sua garotinha, não suporto mais viver o pesadelo de não ser aceita. Irei para os Estados Unidos, tentar uma nova vida.
Uma nova Isabella está prestes a nascer.
Dias atuais...
Santa Helena, SP
ISABELLA
Quando o avião taxia na pista, iniciando o pouso sinto um frio se alojar em meu âmago. Santa Helena, estou de volta! Um sorriso enfeita meus lábios, meu coração parece querer explodir de alegria. Depois de quase dez anos, rodando o mundo, conquistando pessoas e levando o que aprendi a fazer de melhor para elas, estou de volta à minha cidade natal, onde tudo no passado me fazia acreditar que eu era uma mulher fraca. Sinto saudades de casa, dos meus pais, e do meu irmão rabugento, o Tomás. Dez anos se passaram e ele nunca parou de me ligar para saber como sua irmãzinha mais nova estava se saindo nos países por onde passei.
Assim que deixo o avião, desço as escadas, sinto a rajada de vento que bate contra o meu rosto e suspiro. Novos ares, novos trabalhos e novos sonhos me esperam aqui. Meu celular vibra em minha bolsa, rapidamente o alcanço. É uma ligação do papai. Meu velho, preocupado comigo, não me deixou em paz desde que falei que estava voltando. Eles sentem saudades. Eu também!
O atendo prontamente, ouvindo sua risada rouca soar através da linha telefônica e um grito que, suponho ser da mamãe.
- Bella, filha, como foi a viagem? - Sorrio largo, ouvindo sua voz alegre soar cheia de preocupação.
- Foi incrível, pai. Estou morrendo de saudades de você e da mamãe e não vejo a hora de chegar à nossa casa para abraçá-los - digo, minha voz se tornando, por um segundo, emotiva. Estou prestes a chorar, mas respiro fundo, pois não posso de jeito nenhum borrar a maquiagem impecável que foi feita pelo, Lorran, meu amigo e maquiador de sucesso que esteve comigo durante esse tempo todo.
- É bom tê-la de volta, filha. Sua mãe está eufórica e louca para vê-la - papai comenta, me fazendo uma mulher rendida a suas palavras.
Recordo-me como foi difícil para eles, quando falei que iria viajar por um tempo. Precisava tirar a ideia daquela Isabella gorda, maltrapilho, que colocaram na minha cabeça quando estudava. Fui para Nova Iorque, levando apenas uma mala e com medo do que o destino reservaria para mim. Por sorte, deu tudo certo. Cursei a faculdade de moda, depois de lutar arduamente para ser modelo Plus Size. Consegui claro, afinal, determinação é tudo e era também algo que não sabia que possuía.
- Tomás está louco para ver como você está depois de tanto tempo longe. Ele ficou me atormentando desde que foi embora, me pedindo que eu a buscasse e trouxesse de volta para casa. - Meu pai sorri levemente, o ar despreocupado pairando na sua voz.
- Sim! Ele também ficou no meu pé, me pedindo para voltar. - Dou uma risada alegre, lembrando-me todas as vezes em que Tomás ligava por videochamada, pedindo que voltasse logo. - Ele é um homem que se faz de durão, mas chora por sua irmãzinha querida- provoco o meu irmão. Meu pai gargalha depois solta um suspiro - Quem estará esperando por mim? - pergunto imaginando que ele pediu para alguém me buscar.
- Ryan e Renzo, meus seguranças, que agora serão seus também. Eles são meu braço direito, os tenho como se fossem meus filhos - diz com orgulho na voz. - Sinto muito, meu bem, mas seu irmão não pôde ir até você agora. Ele está em uma reunião importante com os investidores- papai explica, se desculpando.
Dou de ombros, mas sinto meu coração acelerar com a menção dos irmãos Reed. Já os vi em fotos ao lado de papai, esbanjando sorrisos charmosos. São quentes como o inferno, e não sei se estou pronta para tê-los em meu encalço, seguindo-me para onde quer que eu vá. Lembro-me deles, quando ainda estudava no colégio Santa Mônica e da paixonite idiota que eu tinha pelos os dois. Cercados de garotas, eles faziam sucesso, foram os únicos que nunca direcionaram uma palavra de ofensa a mim, diferente de todos os outros meninos naquela época.
Donos de uma cabeleira loira e lindos olhos azuis. Ryan era o que me chamava mais atenção, apesar de ser idêntico ao seu irmão. Não sei, algo nele gritava simplicidade. Seu sorriso encantador e que causava grande impacto nas calcinhas alheias, era o que mais gostava nele. A beleza surreal, o charme, os sorrisos tortos e quentes, me deixava hipnotizada já naquela época. Obviamente, sempre passei despercebida pelos dois garotos mais bonitos do colégio.
- Pai, porque você não vem me buscar no aeroporto? É assim que diz estar com saudades de mim? - questiono, mandando as imagens dos gêmeos para longe. Balançando a cabeça, deixo que os pensamentos sobre eles evaporem por alguns minutos. Estou nervosa, trêmula, porque saber que vou estar cercada por homens quentes, me faz lembrar sobre a minha adolescência, e isso quase me faz entrar em pânico.
Nenhum deles olharia para mim, sem sombra de dúvidas. Mas, também não vou ficar triste por isso.
Depois de Axel, jurei nunca mais me envolver com homem nenhum. O amei com todo o meu coração, entreguei tudo de mim em um relacionamento onde era eu quem não valia nada aos olhos dele. Axel é bonito, lindos olhos verdes, cabelos negros que caem em sua testa, braços firmes e fortes que me mantiveram segura por mais de um ano. Era o que eu pensava. Seu caráter era algo indiscutível não só para mim, mas para todos que estavam ao seu redor. Acreditei piamente, em sua postura de homem exemplar, fiel e apaixonado para depois quebrar a minha cara e ter o meu coração destroçado de maneira tão suja pelo cretino, filho da puta.
É um mau-caráter de marca maior, me traiu com a minha amiga, a qual eu dividia o apartamento. Encontrei os dois trepando como se o mundo estivesse prestes a acabar. Nus diante dos meus olhos, e ainda por cima na mesma cama em que me fez acreditar que seria sua para sempre. Onde fizemos amor, enquanto o tinha me levando ao sétimo céu. Quando descobri sobre sua traição, o expulsei da minha vida, claro. Mas, ainda assim, tive que ouvir seus xingamentos e ódio direcionados a mim, dizendo-me que não era mulher o suficiente para ele, que eu era gorda demais, feia demais, que eu nunca iria encontrar alguém que me suportasse, ou que, de fato, queira estar comigo do jeito que sou.
Chorei feito uma idiota. E quem não iria? Ver o homem que amava acabar comigo de forma tão baixa, quando eu o tinha como um príncipe encantado. Doeu como uma faca maldita em meu coração. Porém, depois de muito pensar, percebi que ele estava certo o tempo todo em falar que não era mulher para ele. Realmente não sou. Sou linda demais, gostosa e uma mulher incrível.
Eu me amo. Eu me basto! Eu me aceito do jeito que sou!
E quando você se aceita, você se liberta. Porque não precisa que ninguém aceite você. Se aceitar é amar a si mesma com suas qualidades e defeitos; é não precisar que alguém diga o quão incrível, bela, você é. Porque lá no fundo, você sabe. Hoje eu sei!
Fui trouxa em não enxergar o crápula que ele era. Doei-me demais em um relacionamento, do qual quem saiu terrivelmente machucada fui eu. No entanto, superei. Hoje estou bem melhor do que quando vivia com o cretino em meu pé. O deixei com a Faby, a amiga da onça. Dois traíras, que se merecem.
- Não posso, meu bem! Tenho trabalhos a fazer e suponho, que quando chegar aqui vou estar com a cara enterrada nas planilhas e contratos que precisam ser assinados ainda hoje - papai explica se desculpando mais uma vez.
Entendo seu lado, mas o que me deixa triste é saber que ele ainda é o mesmo. Durante toda minha infância e adolescência, o vi comandar empresas, viver em função de seus trabalhos, e quase nunca ter tempo para mim e para o meu irmão. O Sr. Otávio, prefeito de Santa Helena, uma pequena cidade no interior de São Paulo, é também CEO das maiores empresas no ramo da floricultura. Conhecido e respeitado por todos, não há uma pessoa sequer que o contrarie.
Solto um suspiro nada contente, meneio com a cabeça em positivo como se ele estivesse me vendo e falo:
- Está tudo bem, papai. Fale com a mamãe que quero para o jantar estrogonofe de carne. Minha comida favorita.
- Ela está preparando tudo. Não parou quieta desde que soube que estava vindo, querida. - Sorrio largo. Ah, dona Polyana, sabe como me ter em suas mãos e fazer meu coração ficar quentinho.
Depois de alguns minutos, finalizo a ligação. Meu coração bate freneticamente. Respiro fundo, tentando em vão me acalmar, mas sem sucesso. Ergo a cabeça, mantenho-me em uma posição ereta. Rebolando os quadris com tamanha confiança, enquanto caminho em direção à saída do aeroporto. Algo dentro de mim grita, dizendo-me que a partir de hoje, uma nova Isabella está prestes a surgir.
E, Deus, como eu estava certa!
ISABELLA
Eu os avisto de longe. Posturas rígidas, mãos para frente, em uma posição formal, os irmãos Reed estão sérios, mandíbulas cerradas e olhos fixos em mim, enquanto sigo em direção a eles. Ao mesmo tempo, que os analiso, percebo os olhos dos dois sobre mim, meu coração erra uma batida que me faz perder o fôlego. É nítido perceber o quão nervosa estou diante deles. Ajeito minha bolsa de mão, encerro a distância entre nós e esboço aos dois um sorriso caloroso e genuíno.
- Olá, Srta. Rivera! Seja muito bem-vinda de volta. - Cumprimento um deles, acho que é o Renzo. Vejo um sorrisinho de canto de boca e um aceno de cabeça profissional. Ao lado de sua boca, uma manchinha se faz presente, o que é bom, porque assim poderei diferenciá-lo de seu irmão gêmeo.
- Humm... Oi! - Estou confusa o olhando tão de perto. São lindos, ouso dizer, que os homens mais lindos que já vi em toda minha vida. Cabelos loiros desgrenhados, o terno que cobre a pele de ambos, deixam pouco para imaginação. Os olhos azuis e selvagens de Ryan, caem sobre mim outra vez, varrendo meu corpo dos pés à cabeça, fico trêmula com sua inspeção descarada e nada educada. Um sorriso cresce em sua boca carnuda e bem desenhada, ele passa a língua pelos seus lábios grossos, minha mente inútil e um tanto quanto bagunçada se perde em pensamentos. Todos eles envolvendo os irmãos Reed e suas bocas, provando cada parte do meu corpo.
Isabella, controle-se! - Minha mente lasciva me alerta, lembrando-me da promessa idiota que fiz, aquela que diz que não posso me envolver com homem nenhum, enquanto a outra parte de mim, a irracional se rebela.
Estendo a mão em direção ao Renzo, o observo atentamente levar minha mão aos seus lábios, beijando a minha pele com delicadeza. Juro por Deus que meus pelos do corpo se arrepiaram em apenas um segundo com a provocação indecente do gêmeo safado. Ele me fita de uma maneira nada inocente, Renzo sorri largo, mas não um sorriso profissional como antes, esse contém promessas, desejos mal disfarçados, e mais um milhão de coisas que não sou capaz de decifrar. Trôpega, cambaleio sobre meus próprios pés, as pernas bambas, é o efeito que os dois homens à minha frente me causam.
Estou tão encrencada, que pude facilmente sentir isso no meu sangue.
- Cai fora, cara. Deixe-me cumprimentá-la também - Ryan rosna nada contente, empurrando seu irmão para o lado. Pegando minha mão, ele reproduz o gesto, dando-me um beijo suave e longo, os lábios macios molham a minha pele. - É um prazer imensurável tê-la de volta, Bella. - Assim que sua boca bonita pronuncia meu nome, a contração e a excitação que sinto em meu baixo-ventre, me pega de surpresa.
O que diabos é isso? Eu nem os conheço direito, mas tê-los tão perto, me encurralando e dizendo meu nome da maneira que estão fazendo, me faz lembrar quando era deslumbrada pelos garotos bonitos há mais de dez anos. Eles agora são homens feitos, donos de sorrisos arrebatadores, capazes de arrancar suspiros de muitas mulheres. E para piorar a situação, trabalham para o meu pai. Sim, por mais que eu queira chutar a ideia de não me envolver com homem nenhum, depois de tudo o que aconteceu no meu último relacionamento com Axel, a ideia de ter pelo menos uma noite, com um dos gêmeos, está fora dos limites. Eu não posso. Papai os têm como bons filhos, e os seguranças os quais ele confia sua vida, o que torna tudo ainda mais perigoso e proibido. Tanto para mim, quanto para eles.
- Espero que sua estadia aqui seja prazerosa, Bella. - Ryan me lança uma piscadela, os lábios grossos esboçam um sorriso predador. Senhor meu Deus, estou ficando louca, ou os irmãos Reed estão flertando comigo?
Que seja! Balanço minha cabeça, tentando espairecer, o vejo beijar o dorso da minha mão mais uma vez. Dessa vez um beijo mais molhado, intenso. Os lábios acomodam a minha pele entre eles, e como se não bastasse, ele roça sua barba cheia. O calor que sinto entre as pernas, é algo desconhecido. Nunca, nem mesmo com Axel, me senti afetada assim. Isso não tem explicação. Recuo um passo para trás, tento me recompor e finjo uma tosse.
- Muito obrigada! Tenho certeza que será. - Dou um suspiro lânguido, os olhos de ambos presos em mim. - Foram alguns anos longe, e voltar agora para cidade onde nasci, me deixa imensamente feliz - finalizo com sinceridade. Solto a minha mão, Ryan e Renzo meneiam a cabeça em positivo, os malditos sorrisos nos lábios. Ah, droga...
Tão lindos. Tão quentes!
- Vamos lá? - Renzo pergunta, dando-me um aceno de cabeça cordial. - Permita-nos levá-la para casa agora. Você precisa descansar um pouco - concordo, sorrindo abertamente em sua direção. - Suponho que a viagem tenha sido cansativa - ele diz, rindo de lado. Uma sobrancelha é erguida enquanto seus olhos percorrem meu corpo.
Novamente tenho que concordar, porque ele está mais que certo.
- Faz tempo que não viajava para tão longe. - Reprimo os lábios. Ajeitando a bolsa, Louis Vuitton, aperto a alça com uma força descontrolada. Estou nervosa diante deles. - Você está certo, estou um caco. Preciso dormir. - Faço um biquinho, desgostosa. Os dois riem de mim.
Estou mesmo muito cansada. Meus pés estão me matando. Os saltos altos de cor nude que combinam perfeitamente com o vestido vermelho que estou usando, tem suas tiras afundando em minha pele. O inchaço é perceptível.
- Vamos levá-la para casa e dar a você o conforto que precisa, Bella - Ryan acrescenta ao pegar as minhas malas, os observo caminhar lado a lado comigo. Entre esses dois homens, sinto-me pequena. Mas também, me sinto como a porra de uma mulher poderosa.