Madelaine
Sabe quando temos a sensação de que estamos vivendo um pesadelo? Pois eu tenho me sentido assim todos os dias.
Desde o momento em que descobri que o filho da puta do meu ex-noivo tinha vendido o meu apartamento, meu carro e ido embora para os Alemanha.
E agora postava fotos românticas com a minha antiga vizinha Camille. Ele me fez de idiota de todas as formas que se pode imaginar.
Como eu pude ser tão idiota e não perceber nada?
Todas aquelas conversas entre os dois no corredor, e ele sempre falando que estava dando dicas de investimento para ela. Ele estava era investindo aquele pau mediano na minha vizinha.
Por que aquele filho da puta me deu aquele anel? Anel que eu joguei pela janela do uber, duvido muito que aquilo tinha algum valor. E se tinha espero que quem encontrar tenha muito mais sorte do que eu.
Roubada e traída, uma combinação e tanto.
O filho da puta me deixou literalmente na merda.
E como ele conseguiu fazer isso? O desgraçado me fez assinar a droga de uns papéis que passava o meu apartamento para ele.
Ele aproveitou o momento em que eu estava atolada de trabalho, o que fez com que eu confiasse nele a ponto de assinar os documentos sem ler.
Toda vez que me lembro disso eu quero socar a minha cara.
Eu não pude reaver nada que foi vendido. Nem meu carro, nem meus móveis, nada.
Só havia me restado as coisas que eu levei para a viagem.
E sabe o que é pior nisso tudo? Quando tentei encontrá-lo indo procurar seus pais, descobri que ele tentou fazer a mesma coisa com eles. Mas a irmã que ele dizia ser uma megera conseguiu impedir.
E era por isso que ele dizia que a família o odiava, que ninguém acreditava nele e que todos o excluíram.
E eu sentia pena do fingido toda vez que ele dizia isso.
Que ódio.
E errado desejar a morte de alguém? Porque eu tenho desejado todo dia que aquele crápula morra.
Tomara que ele morra sufocado por aqueles peitos com litros de silicone que Camille tem orgulho de ostentar.
Tudo o que um dia senti por Alvim, qualquer resquício de amor, se transformou em ódio. E talvez nem amor existisse, era tão cômodo, ele me iludiu me oferendo algo que por um momento eu quis e eu caí que nem um patinho.
Será que aquele filho da puta vinha planejando isso em todos esses anos?
Mordo o travesseiro abafando o grito.
Eu colei chiclete na cruz?
E para completar a minha tragédia grega, depois de saber que eu tinha sido praticamente roubada, descubro que promoção que era para ser minha foi dada para Alisson uma novata com quem Teddy estava transando.
Fiz tantos questionamentos. Um mês na Europa para nada, apenas para dar a chance para aquele patife me roubar e fugir para outro país com outra.
Então eu surtei, surtei quando vi que todo meu esforço, que trabalhar que nem uma condenada não tinha servido de nada.
Quebrei toda a minha sala e falei tudo que estava entalado, inclusive o fato de Teddy estar transando com Alisson mesmo estando casado a anos, tudo isso com toda gestão na Towerbank reunida e olhando atentamente para mim. E para finalizar com chave de ouro joguei café quente em Teddy.
E claro que isso resultou na minha demissão, e Teddy fez questão de dizer que se depender dele eu não consigo emprego em lugar algum.
Minha vida foi virada de cabeça para baixo.
Estou morando de favor no apartamento de Dailah. O que recebi pela minha rescisão não é muito, mas daria para eu alugar um apartamento e ir me virando. Mas eu não tenho vontade de levantar da cama.
Acho que não tenho mais lágrimas para chorar.
Viro de barriga para cima encarando o teto, para não ver o caos que está o quarto, embalagens de chocolate, salgadinho e biscoito, afinal são as únicas coisas que sinto vontade de comer.
Sinto um vazio. Meu coração pesa, como se carregasse um mundo de fracassos. Minha vida estava perfeitamente estruturada, cada detalhe meticulosamente planejado.
Me sinto impotente, a vida que eu conhecia desapareceu. Estou perdida. Não consigo ter forças para me reerguer, não consigo pensar em uma saída.
Eu queria o colo da minha mãe e um abraço apertado do meu pai, mas se quer tenho coragem de ligar para eles.
Como vou dizer que sua única filha perdeu tudo, que foi feita de idiota pelo namorado. Que perdi meu emprego e agora moro de favor.
Eles se orgulham de mim. Como eles se sentiriam sabendo que eu fracassei?
Meus pais vivem no interior de Texas, tem uma fazenda e trabalham com resfriamento de leite.
Eu nasci em New York, meus pais viveram aqui por vinte e um anos, mas os dois nasceram no interior de Texas. Eles vieram para New York tentar a vida depois do meu avô praticamente expulsar os dois da fazenda. Pela história que meus pais contam, meus avós não aceitavam o relacionamento do meu pai com minha mãe por ela não ser rica, ela era filha de um casal de empregados da fazenda, que infelizmente morreram em um acidente de ônibus, minha mãe tinha quatorze anos na época e como não tinha mais ninguém, continuou na fazenda, trabalhando nos afazeres domésticos e foi assim que ela e meu pai se aproximaram.
E bonita a história de como descobriram que estavam apaixonados um pelo outro. E mais linda ainda é o fato de meu pai ter lutado por minha mãe, tendo a escolhido quando ele era tudo o que ela tinha.
Eles são completamente apaixonados um pelo outro, algo raro, acho que são a exceção.
Meu pai estudou, se formou e passou em concurso do estado. Ele amava a vida aqui, mas sentia falta do interior, da vida no campo, dizia que seu sonho era ter um pequeno sítio. Eles nunca foram visitar os meus avós, e toda tentativa de contato era recusada. Eu nunca os conheci.
E sabendo de tudo que fizeram, eu nunca senti vontade.
Quando eu estava no colegial soubemos do falecimento da minha avó meses após o ocorrido meu pai ficou arrasado por não poder se despedir. E depois quando eu terminei a faculdade meu avô faleceu e meu pai sendo filho único era o único herdeiro da fazenda onde ele e minha mãe viveram toda sua infância e adolescência.
Não foi uma decisão fácil para meu pai, mas com o apoio da minha mãe, ele escolheu deixar tudo em New York e se mudarem para o interior de Texas. Eu não podia me opor a ideia, pois sabia que esse era o maior desejo do meu pai.
Eu escolhi ficar, estava começando a minha vida aqui, e jamais conseguiria viver em uma fazenda no interior, meus pais me deram total apoio
Como a nossa casa era grande demais só para mim, encorajei meus pais a vendê-la. E passei a dividir o apartamento com Candice até me mudar para o meu.
Nunca fui visitá-los na fazenda, não tinha tempo por causa das pós-graduações e o trabalho, eram eles que sempre vinham me ver. Mas já faziam quase dois anos que eles não vinham, eu não tinha tempo para dar atenção a eles e acabava sempre ficando de avisar o melhor momento deles virem.
Eu mal falava com eles no telefone, pedi para minha mãe não me ligar se não fosse emergência pois estava ocupada demais no trabalho para falar com ela ou meu pai.
Uma filha horrível. Tudo isso para perder minha promoção e ser escorraçado do banco como se eu tivesse uma doença contagiosa.
Respiro fundo contendo o nó que se forma em minha garganta.
Madelaine
A batida forte na porta faz eu me sentar na cama.
- Abre a porta Maddy! - Dailah grita do outro lado.
Faço uma careta.
- Não estou me sentindo bem - digo.
E não é exatamente uma mentira.
- Você está assim a dias. Já chega, abre a porta! Não me faça pegar a cópia da chave - diz firmemente.
Não posso esquecer que estou na casa dela de favor, ela tem todo direito de fazer isso.
- Não precisa, já vou abrir! - grito jogando o cobertor no chão.
Vou até a porta me esquivando da bagunça.
- O que foi? - pergunto, abrindo a porta vendo Dailah me olhando com os braços cruzados e com uma expressão nada amistosa.
Coço os olhos, vendo Candice surgir atrás de Dailah me olhando com uma expressão incrédula.
- Meu Deus! - Ela fala cobrindo a boca com as mãos.
- Eu te disse - Dailah fala olhando para ela.
- Eu não acredito que você está nesse estado Maddy - Candice fala colocando as mãos na cabeça.
Olho para meu pijama manchado e levando o braço aproximando o meu rosto da axila sentindo um odor horrível, faço uma careta.
Candice faz uma cara de nojo.
- Você está um lixo! E eu já estou cansada de te ver assim. Cadê aquela mulher foda que metia medo na gente? - Dailah fala esbarrando em mim e entrando no quarto - meu Deus isso aqui tá um lixo.
- Me desculpe - digo abaixando a cabeça, me sentindo envergonhada.
- Não peça desculpas Madelaine, você não é assim. Olhe só para você. Já chega - Candice fala me entregando uma sacola entrando no quarto em seguida.
A sigo, vendo ela e Dailah se entreolharem.
- Você não vai se autodestruir por causa de gente escrota. Não vai mesmo - Dailah afirma cruzando os braços.
Jogo a sacola na cama e me jogo em seguida.
- Você se livrou de um embuste, saiu de um emprego que estava sugando sua alma, isso não o fim do mundo - Dailah fala juntando as embalagens do chão.
- Embuste que roubou o meu apartamento, meu carro e a minha dignidade - falo rápido.
- Olha amiga, o que aquele merda fez é horrível, mas tenha certeza de que em algum momento ele vai pagar por isso, o carma é real e ele adora ferrar com gente que nem ele, pode demorar, mas pode ter certeza que vai rolar - Candice dá uma piscadela e um sorriso maléfico.
Eu realmente espero que ela esteja certa.
- Espero no mínimo que a siliconada meta um chifre nele o deixe sem nenhum centavo - completa esfregando as mãos.
Dou uma risada fundo e ela me acompanha.
- E aquele seu emprego era uma merda. Você não tinha vida, você respirava por aquele banco e olha o que aconteceu - Dailah completa.
- Não precisa jogar na minha cara - respiro fundo.
- Não estou jogando nada na sua cara, estou aqui fazendo você enxergar o lado bom no meio de tudo isso. A sua vida não acabou Madelaine - diz num tom repreensivo.
Traída, roubada e desempregada, acho que não tem lado bom nisso.
- Você precisa reagir, encontrar um emprego, conhecer um cara gostoso e pauzudo que te faça ver estrelas - Candice fala me fazendo dar uma risada.
- Sabemos que você não sabe o que é um orgasmo há anos
- E ainda aceitou casar-se com aquele ovo mole - Candice finge um vômito.
- Quando foi que minha vida sexual virou pauta? - pergunta, tentando ficar séria.
- Estamos mentindo?
O pior é que elas tinham razão, o sexo com Alvim estava sendo horrível, na verdade nunca foi dos melhores, no final eu nem sentia mais vontade de transar.
Meu Deus! Como eu ia me casar com alguém que nem me fazia gozar?
- Qual é Maddy você nem amava ele, seus olhos nem brilhavam quando falava dele, ele era insuportável - Dailah revira os olhos.
No final elas estavam certas sobre aquele energúmeno.
- Mandei currículos seus para todos os lugares possíveis - Andresa fala.
Arregalo os olhos espantada.
- Marquei terapia online para você, te mandei o link no WhatsApp - Dailah completa.
- Vocês o que?
- O que ouviu - respondem em uníssono.
Por que elas estavam fazendo isso?
- Eu não preciso de terapia - afirmo me levantando e pegando meu celular na cômoda.
- Todo mundo precisa de terapia Madelaine.
Respiro fundo sentindo um engasgo.
- Por que vocês estão fazendo isso? - tento não embargar a voz.
- Porque te amamos, e queremos ver você bem. Você é uma mulher foda Madelaine, inteligente, linda, intimidante, temos orgulho de você.
Elas estão dispostas a me fazer chorar.
Dailah e Candice são minhas melhores amigas a anos, nos conhecemos no ensino médio e nunca mais nos afastamos. Nós três somos completos diferentes, Dailah é uma ruiva linda e sarada, formada em educação física, é apaixonada por esportes, já participou de vários campeonatos esportivos, não é chegada a relacionamentos, sempre optou por algo mais casual. Candice é uma negra linda, cabelos longos e cacheados, alta e magra, sempre chamou a atenção por onde passa, sempre falei que ela deveria ter seguido a carreira de modelo, é formada em fisioterapia, sempre foi a mais romântica de nós três, se casou a dois anos com um cardiologista que conheceu no hospital que trabalha. Eu sou a mais baixinha de nós três, por isso abuso do salto alto, não tenho nada muito atrativo, ou uma beleza fora do normal, só mais uma loira pálida e comum, que precisa de muita maquiagem para se sentir bonita.
Nossas personalidades são completamente diferentes, e acredito que são essas diferenças que nos completam. Elas são a família que eu escolhi, e posso dizer com convicção que escolhi certo.
- Na sacola tem roupa de treino e um tênis, tome um banho, vista e vamos correr no parque e depois tomar um café superfaturado - Dailah diz indo até a cama e tirando as coisas dentro da sacola.
- Queremos a nossa amiga de volta - Candice vem até mim e me puxa para um abraço.
Logo Dailah se junta a nós em um abraço triplo. Então eu desabo, deixo as lágrimas descerem, enquanto sou amparada por elas.
Era a primeira vez que chorava na frente delas dessa forma. Elas sempre me viram como uma mulher forte, e agora eu sinto que parecia outra pessoa.
- Estamos aqui por você - Dailah afaga os meus cabelos.
- Obrigada - digo em meio aos soluços - Eu amo vocês.
- Vou te soltar porque seu desodorante venceu - Candice fala e eu fecho a cara.
- Idiota! - faço uma careta.
- Já ligou para seus pais? - Dailah pergunta.
Nego com a cabeça.
- Você precisa falar com eles - Candice cruza os braços.
- Eu vou ligar, só não é o momento - digo dando de ombros - Acho melhor eu tomar banho, e me arrumar - digo para desconversar.
Não quero falar sobre como me sinto em relação a contar o que aconteceu comigo para os meus pais agora.
Se eu me negar a sair, tenho certeza que elas me arrastam para fora. Elas estão empenhadas. E não posso negar que eu precisava dessa sacudida.
***
Termino de secar o cabelo e tento prender ele em um pequeno rabo de cavalo, pela primeira vez desde que cortei sinto saudade dos fios longos, escolhi cortar porque me pouparia mais tempo em me arrumar e também pensei que poderia me fazer parecer mais séria.
Aumento o buraco na camada de ozônio exagerando no desodorante, trauma. Borrifo perfume, passo protetor solar e um gloss.
O sacode das minhas amigas me fizeram bem. Eu estava precisando ouvir tudo que elas disseram, no fundo eu sabia de tudo aquilo, mas não queria aceitar. E como se dormir, chorar e comer porcaria fosse mais fácil. Mas estava me arrastando para o fundo do poço.
Talvez amanhã eu acorde deprimida, e tudo bem, mas eu estou disposta a mãe esforçar e não deixar que toda essa merda seja eminente.
O barulho do meu celular vibrando chama minha atenção. Olho ao redor procurando pelo aparelho no meio da bagunça. Assim que o encontro vejo que se trata de uma ligação da minha mãe.
Sinto um frio na espinha.
Eu disse para ligar somente em caso de emergência, o que faz com que eu a atenda rapidamente.
- Mãe?
Ouço sua respiração irregular do outro lado da linha.
- Fi...filha - ela está chorando.
Sinto minhas pernas amolecerem.
- Mãe está tudo bem? - minha voz soa trêmula.
- O seu pai, filha...- soluça.
- O que...que houve com o papai? - sinto um calafrio ainda maior.
- Ele teve um princípio de infarto...
Daniel
Minha mãe diz que estou virando bicho do mato e acho que ela tem razão.
Chego no hotel, exausto e agoniado. Passei o dia inteiro em Austin, e isso já foi suficiente para mim. O barulho constante dos carros, as sirenes, e a pressa das pessoas me deixaram tonto. O cheiro de fumaça e a luz artificial me sufocam. Parece que tem uma eternidade desde que morei aqui.
Só consigo pensar na tranquilidade da fazenda e como eu queria estar lá agora.
Não consigo me imaginar vivendo aqui novamente. A cidade grande não é para mim.
É engraçado me lembrar do quanto eu desejava morar na cidade grande quando ainda era garoto e vivia na fazenda.
Só Erin para me fazer passar um dia todo aqui. Minha irmã sabe muito bem como ser convincente.
E também seria egoísta da minha parte não participar dos eventos de sua formatura. Meus pais também fariam picadinho de mim se eu não viesse.
Estou orgulhoso dela, minha irmã caçula já é uma mulher formada em odontologia, parece que foi ontem que ela era aquela garotinha banguela me seguindo para todos os lugares. E em alguns meses estará casada.
Deveria estar agora enchendo a cara no baile de formatura de Erin . Mas é impossível ficar no mesmo ambiente em que Edward e Lindsay estão, já que ela não perde a oportunidade de se jogar para cima de mim, me deixando extremamente desconfortável. Será que ela pensa que eu sou igual meu irmão? Não entendo e nem faço questão de entender esses joguinhos de Lindsay. As vezes chego a me perguntar se ela é maluca, e como não enxerguei isso quando estávamos juntos.
Ela conseguiu me enganar muito bem nos nossos dois anos juntos, ou eu me permiti ser enganado, já que estava cego de amores pela maldita.
Não sinto mais nada por ela, nem ao menos mágoa. Por mais que tenha sido dilacerante descobrir no dia em que pediria Lindsay em casamento que ela estava tendo um caso com meu irmão mais velho, irmão esse que era casado na época, com uma mulher incrível e dois filhos.
Foi de lascar.
Era o meu irmão, quem eu sempre admirei. O choque foi tão grande que não consegui reagir, fiquei simples parado olhando para os dois e tentando raciocinar toda a merda que eu presenciei, Lindsay e Edward se agarrando no sofá da sala dela.
Logo eu, que achava que isso nunca aconteceria comigo. Hoje tenho a impressão de que aquilo que dizem sobre todo mundo um dia ser corno é a mais pura verdade, todo mundo já foi ou ainda vai ser.
A única reação foi mandar os dois traidores para o inferno e fugir, ir para onde eu não pudesse ouvir meus pensamentos e não deixar minha raiva me sufocar. Vendi meu apartamento, minha clínica e o haras, e comprei uma fazenda o mais longe possível daqui.
Meus pais não entenderam a minha atitude, e eu escolhi poupá-los da canalhice do meu irmão, já que a saúde do meu pai estava debilitada por causa de uma cirurgia que ele havia feito para retirada de um tumor. Mas o contrário de mim Edward não parecia muito preocupado com o bem-estar dos nossos pais, já que dois meses depois do fatídico dia ele anunciou o seu divórcio com Cristina, assumindo seu relacionamento com Lindsay em seguida.
Meus pais ficaram em choque, então ligaram os pontos e entenderam o porque de eu ter ido para o interior com tanta pressa. Eu não acompanhei o caos de perto, tudo que sei foi contado por Erin , mas parece que meu pai quase deserdou meu irmão.
Depois de um tempo tudo foi se normalizando e eu passei a conviver com meu irmão agora casado com a minha ex, por insistência dos meus pais. As primeiras vezes que estive no mesmo ambiente que eles foi um verdadeiro inferno, mas com o tempo todo o sentimento ruim foi se dissipando, essa era a minha família e talvez Edward tenha me feito um enorme favor, já que Lindsay passou a se mostrar uma pessoa insuportável. Edward nunca conseguiu me encarar de verdade, talvez por vergonha ou receio de que eu venha falar sobre o quanto ele foi traíra.
Mas eu jamais faria tal coisa.
Indiferença, foi tudo que passei a sentir por Edward e Lindsay, e parece que isso feriu o ego dela, e então ela passou a tentar me seduzir. Será que ela pensa que sou o mesmo idiota de seis anos atrás?
Oh mulherzinha lazarenta.
Se quer vejo beleza nela. Acho que o que ela tem por dentro ficou refletido do lado de fora depois de tanta cirurgia plástica. E olha que até onde eu sei esses negócios servem para deixar o povo mais bonito, não parecendo boneco de cera.
Se ela continuar fazendo esses trem na cara logo ela ficará igual aquela Anabelle dos filmes de terror.
E aparentemente meu irmão conseguiu ser ainda mais cego do que eu ignorando completamente as atitudes absurdas da mulher. Já que se oferecer para mim é o de menos, até porque Erin já me contou sobre o caso dela com o personal. Poderíamos até avisá-lo, mas duvido muito que ele acreditaria e levaria numa boa. Se bem que na minha vez ninguém me avisou.
Nunca vou entender, na verdade nem quero, como um homem que sempre admirei por sua inteligência, sucesso e por ter uma família linda se prestar a isso. Mas ao menos ele parece feliz.
Pode até parecer que eu sou trouxa, mas eu jamais vou desejar mal algum para o meu irmão, eu realmente quero que ela seja feliz. E sinceramente queria que isso acontecesse com ele bem longe de Lindsay.
Depois do chifre eu não tive outro relacionamento, o máximo algumas transas esporádicas. Não que eu tenha ficado traumatizado, na verdade fiquei um pouco, mas nenhuma mulher que conheci foi capaz de aquecer meu coração e me fazer querer algo mais que uma noite.
E agora estou tentando não ter nenhum envolvimento, porque descobri a uns meses que minhas aventuras não estavam sendo vista com bons olhos na cidade. Uns adjetivos um tanto peculiares se referindo a mim, como galinha, desavergonhado, devasso e por aí vai. Está aí o lado ruim de morar em cidade pequena, todo mundo sabe da minha vida, e se bobear sabem até mais coisas do que eu.
Marquei presença na formatura de Erin , e agora eu só quero cair na cama, descansar e pegar meu rumo antes mesmo do sol nascer.
Olho para o relógio em meu pulso percebendo que ainda é pouco mais de meia noite. Talvez uma ou duas cervejas antes de ir dormir me fizesse bem.
Passo pelo hall do hotel que escolhi aleatoriamente por um app, o lugar é de alto padrão, é o que eu mereço depois de um dia todo aqui nessa cidade.
Eu poderia ficar na casa dos meus pais, mas como eles estavam hospedando meus tios com toda certeza a casa estaria um verdadeiro caos.
Olha em direção ao bar e percebo o mesmo quase vazio.
Olho mais uma vez para o relógio, tirando o celular do bolso.
Vejo uma notificação de mensagem de Torence no WhatsApp, onde ele diz que Ruby e o potrinho estão bem e que Walter está fora de perigo e já recebeu alta.
Respiro aliviado. Eu precisava das terras do homem para aumentar a formação de pasto, mas não queria que ele morresse. Ainda mais logo depois de eu ter feito uma oferta três vezes maior do que sua fazenda vale. Ao invés do homem aceitar, quitar suas dúvidas com o banco e ficar tranquilo ele fez foi me desgraçar, faltou me xingar de santo, porque de resto.
O sujeito é osso duro de roer, eu poderia esperar e comprar a fazenda quando o banco leiloasse, porque acho muito difícil ele conseguir pagar o que ele deve, já que a fazenda do homem está indo de mal à pior. Mas eu não quero ser injusto, e preciso aumentar os pastos para ficar tranquilo no próximo ano, sem precisar recorrer a silagem, por isso tenho tanta pressa.
O celular começa a vibrar e com a palavra mãe na tela, com certeza está ligando para me dar um sermão, ativo o não perturbe e coloco o celular no bolso do paletó, me sentando em um dos bancos altos de frente ao balcão do bar enquanto tiro a gravata colocando-a no bolso em seguida.
Peço uma cerveja, e o barman se apressa em trazê-la. Viro a longneck que está bem gelada, do jeito que eu gosto.
Observo o lugar enquanto bebo, lugar bastante atrativo e silencioso, o que me agrada ainda mais.
O som das festas do interior parece tão mais agradáveis do qualquer outro som aqui. Logo teríamos baile da colheita de Sweetwater , com cavalgadas, exposição de gado, rodeio e vários shows de artistas famosos. E esse eu estaria participando de toda organização por insistência de John o prefeito de Sweetwater . E por incrível que pareça eu estava animado com isso, mesmo sabendo o tanto de dor de cabeça que eu iria ter.
Termino a cerveja notando uma movimentação no lugar, dois casais que são visivelmente hóspedes se sentam em uma mesa afastada do balcão. E fico agradecido por isso, já que eles estão visivelmente bêbados.
Peço outra cerveja e antes do barman me entregar noto-o paralisar e olhar para entrada do lugar como se estivesse hipnotizado.
Pego a cerveja de sua mão dando uma risadinha, me virando para entrada em busca de saber o que havia chamado tanto a atenção do rapaz.
Então entendo tal reação. Uma mulher, parada na entrada do bar.
Meu coração dispara e minha boca seca instantaneamente. Não consigo desviar o olhar, sou capturado pela presença dela, como se fosse a única pessoa no lugar.
Ela é loira, seus cabelos brilhando sob a luz suave do bar. O corte médio realça suas feições delicadas e ao mesmo tempo, traz um ar de mistério. Seus olhos azuis brilhantes e atentos, varrem o ambiente enquanto ela caminha com confiança.
Seus ombros são finos e elegantes, descendo para uma cintura que parece desenhada por um artista. O vestido preto que ela usa é discreto, mas absurdamente sexy, contornando suas curvas com uma perfeição hipnotizante. A cada passo, vejo suas pernas longas e torneadas ganharem vida, seus movimentos são quase uma dança silenciosa.
Apesar de ser baixa, os saltos que ela calça lhe conferem alguns centímetros a mais, ressaltando ainda mais sua sensualidade natural. Ela é um espetáculo, gostosa em todo o sentido da palavra.
Estou de pau duro só de olhar para ela.
Puta que pariu, que mulher gostosa.
Há muito tempo uma mulher não chamava minha atenção dessa maneira com apenas um olhar. Estou hipnotizado. Ela caminha com elegância e se senta em uma mesa a alguns metros do balcão onde estou. É nesse momento que nossos olhares se cruzam.
Sinto um frio na espinha, como se o tempo tivesse parado. Um sorriso discreto surge nos lábios dela, e eu mal consigo respirar.
Levo a garrafa de cerveja aos lábios sorvendo um gole generoso, me virando para a frente lentamente, disposto a não deixar escancarado o meu desespero para finalizar a noite com ela em minha cama.
Será que eu estou ficando maluco ou algo do tipo?
Eu nem sei se a mulher está acompanhada. Tomara que não esteja.
Não costumo hesitar quando o assunto é flerte, sou bom demais nisso.
Então por que raios eu estou sentindo as minhas pernas tremerem?