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Lady Red - Assassina da Máfia

Lady Red - Assassina da Máfia

Autor:: Sol Bellini
Gênero: Romance
Clara Tommaso, conhecida como Lady Red, tornou-se líder da Máfia com a morte de seu pai, foi treinada a vida inteira para assumir o posto de rainha, só não contava com uma herança chamada: Marco Cesare, seu inimigo, o mafioso mais implacável de toda a Sicília, conhecido como Escorpião. Em prol da paz, o pai de Clara assinou um tratado onde a mesma deveria se casar com o Don da Itália, gerando uma aliança poderosa. Nenhum dos dois poderia prever uma atração tão intensa, a luta pelo controle se tornou a porta de ebulição para eles, provando ser uma dupla implacável quando trabalham juntos. Ela não acredita no amor. Ele se apaixonou à primeira vista. Ambos nasceram para governar, portanto, nenhum irá abaixar a cabeça, e nesse conflito de perigo e desejo, descobriram o amor avassalador. O regente dessa relação é o fogo, o que poderia dar errado quando a chama é alimentada?

Capítulo 1 Prólogo

CLARA TOMMASO

Agora sei o que significa o ditado "lobo em pele de cordeiro". Para ser honesta, descobri da pior forma possível. O amor da minha vida, um crápula nojento, por ganância matou o próprio filho no meu ventre. Sou princesa em uma máfia italiana, e minha primeira missão é matar um agente da MI6, conhecido como Jack Brow, mas como qualquer jovem imatura, apaixonei-me e entreguei-me inteiramente para o maldito policial. Temos regras claras de não ter envolvimento emocional com nenhum verme fardado.

Presa e entregue a escuridão em uma cela nos esgotos de Londres é a minha condição atual, embora, com essa lição, eu tenha aprendido a nunca confiar em alguém. E se eu sair daqui viva, pode ter certeza que serei o pesadelo de quem cruzar o meu caminho. Solitária, desnutrida e sem esperança, seria uma forma até tranquila de me descrever, entretanto, estou aqui há três meses, com comida regrada: um pão seco e, algumas vezes, arroz puro. Por semana, recebo duas garrafas de água com um litro em cada.

Ouço vozes no corredor, e como fazem dias que busco soluções para fugir, coloco meu plano em prática. Deito na cama feita de concreto coberta com apenas uma espuma fina que fede a merda, e finjo morte, até que um dos soldados se pronuncia na minha grade com ignorância:

- Levanta, imunda! Hora de comer.

Pela primeira vez, eles estão me dando comida depois de alguns dias. Durante esse tempo regrei minhas últimas refeições e até experimentei comer baratas por questões de sobrevivência. Estou tentada por um prato de refeição, todavia é um sacrifício que pode me tirar daqui. Resisto, paralisada, e torcendo para que ele entre para conferir se estou viva.

- Não está ouvindo? Mandei se levantar para pegar a porra da sua marmita.

Mantenho minha postura. Nos últimos dias, um deles deixou um grampo de cabelo cair bem próximo a minha cela, o qual peguei e guardei para a ocasião certa. Não sei se deixou cair propositalmente, caso meu pai o tivesse enviado ou não, porém, não perdi a chance de aproveitar a oportunidade de cair fora desse lugar. Em silêncio fiquei, nenhum dos meus músculos mexeram.

- Que merda! - Ele liga o rádio e fala: - A vagabunda italiana morreu, vou verificar.

" - Porra, quando os superiores souberem, fodeu! Ela era importante.".

Ouço a porta de aço ser aberta, preparo-me psicologicamente para agir rapidamente, escuto os passos do homem vindo até mim. Meu coração acelerado mostra minha adrenalina preparada para agir e utilizar a chance de cair fora desse inferno, mas, antes de fugir, vou me certificar de matar Jack. O guarda se aproxima e me vira para verificar o meu pescoço, abri os olhos e enfiei o grampo no olho dele, depois golpeei sua mandíbula com o dorso da minha mão direita, tirando dele qualquer defesa. Aproveito a oportunidade para pegar as chaves e a arma na cintura do oficial. Levantei correndo e saí trancando-o na minha ex-cela.

- Obrigada, babaca! - Fui até as celas vizinhas, abri algumas e depois entreguei a chave para que as outras abrissem e libertassem todos, era uma prisão unissex. Não tínhamos liberdade de sair para um banho de sol, só ficávamos nas celas ou éramos levados para ser torturados. Se eu causasse um tumulto, os guardas despreparados não conseguiriam conter nossa rebelião.

Como previsto, meus planos dão certo, vencemos os oficiais no subsolo. Chegamos no topo onde havia aviões, essa era nossa chance de escapar, mas... no meio dos fugitivos há um piloto de avião? De uma coisa é certa, eu saio daqui nem que seja a pé. Observo todos ao meu redor, buscando alguém que tenha experiência com aeronaves.

- Itália, eu sei pilotar - diz uma mulher negra.

O nome "Itália" foi dado pelos guardas, eles sempre nos chamavam pelo nome de nosso país de origem, e essa que fala comigo é a minha vizinha de cela.

- México, leve todas daqui, irei entregar para um oficial um presente de despedidas.

- Vai perder sua chance de sair daqui.

- Cuido da minha vida! Sigam para a pista de decolagem e me esperem por três minutos. Se eu não chegar, sigam sem mim.

Ela balança a cabeça em negação, mas estou decidida, Jack me pagará por matar meu filho. Corro sem saber exatamente para onde estou indo, só quero chegar até ele. Entro em um corredor e me deparo com um guarda, atiro certeiro em seu tornozelo e ele cai no chão, aproveitando a oportunidade para pegar a pistola dele, que ao conferir, só tem três balas.

- Onde está a porra do seu superior? Jack Brow...

- No fim do corredor, na piscina. Por favor, não me mate! - implora ajoelhado, juntando as mãos como se me fizesse uma prece. Dei uma coronhada no idiota e segui pelo fim do corredor.

Corro até essa piscina e o observo conversando com uma mulher, ambos estavam rindo. Ele passa as mãos carinhosamente na barriga dela. Caramba, isso é um chute em meu abdômen. Eu ainda tenho sentimentos pelo Jack, entretanto, agora eles estão sendo substituídos por ódio. Observo em volta e não tem mais ninguém, quando nossa rebelião começou no subsolo, muitos guardas foram enviados para lá, e pelo visto o imbecil não desceu, achando que tudo estava contido. Aproximo-me dos dois, atirando primeiro nele, na perna. Pretendo fazer Jack sofrer. Ele se vira em minha direção e a mulher ao seu lado, com medo, grita.

- Cala a porra da boca! - vocifero.

- Clara! - espantado, Jack me chama.

- Oi, Jack, não estou com tempo para dialogar, minha carona está saindo em minutos, então vamos ao nosso acerto de contas.

- Não, Clara, podemos conversar. - Ele se levanta e eu atiro novamente na outra perna, fazendo-o cair mais uma vez. - Porra!

- É melhor ficar quieto - zombo.

- Querida, corra - o babaca pede para a mulher ao lado dele.

- Se correr, eu atiro! - alerto, mirando agora a pistola na direção dela.

- Você não teria coragem, ela está grávida.

- Tenho uma coragem filha da puta. Se ela correr, morre.

- Sei que não fará isso, por passar o mesmo, perdeu seu filho. - Jack faz questão de me lembrar da pior dor que sofri.

- Por isso mesmo que tenho coragem de sobra. Além disso, eu nunca entrego meus movimentos, eu digo xeque-mate. - Sorri amargamente, aproximo-me de ambos, parando apenas poucos metros de distância.

- Não fode, Clara! - Jack esbraveja.

- Não fode? Me tirou tudo quando me fez abortar meu filho na base da violência, eu sangrei por dias, tive dores que você não faz ideia! - brado, revoltada.

- Esse filho que tanto fala, morreria assim que nascesse. - Meus olhos se enchem de lágrimas diante das palavras desse monstro. - Você sabe que não vai longe, que vai voltar para o esgoto onde é o seu lugar.

- Uma vida pela outra, Jack. - Sem pensar duas vezes, atiro na mulher ao lado dele.

- Não! - grito enquanto a pegava nos braços conforme caía, meu tiro foi certeiro, na testa. Atirei para matar. - Não! Meu Deus, eu vou matar você, Clara!

- Não sofra, vai se encontrar com ela em breve... - Aponto a pistola para ele e aperto o gatilho, mas o tiro falha, estou sem munição no pior momento. Ele levanta com dificuldade, então essa é minha deixa, corro o máximo que posso.

Que droga, eu devia matá-lo! Preciso sair daqui antes que mais guardas se reúnam. Dessa vez, se Jack me pegar, ele irá me matar.

Corro desesperadamente, por sorte não tem nenhum soldado por onde passo, devem estar concentrados no avião que os outros presos pegaram. Embora eu esteja imensamente feliz por fugir desse lugar, ainda sinto remorso por não matá-lo. Corro como se fosse a única coisa que sei fazer, e quando chego na pista, o avião já está pronto para decolagem. Agora ou nunca. Os guardas começam a me seguir enquanto vou de encontro à minha liberdade.

- Corre, Itália! - grita outras presas no avião.

Tento, mas sinto um tiro em minha barriga. A sensação queima. Perco as forças e caio no chão. Enquanto estava caída, ouvia os gritos das presas e o som dos soldados se aproximando, levanto e aperto meu ferimento o mais forte possível, correndo fracamente pela pista de voo. É a minha chance. Síria sai do avião, correndo, e se aproxima, leva meu braço ao ombro dela e assim corremos juntas.

- Eu só vou atrasá-la...

- Você salvou todas nós, estou retribuindo o favor, agora cala a boca e corre.

Sorri fracamente. O clima em Londres está congelante, me causa arrepios, meus dentes batem. Esse é o mês mais frio nesse país. Os guardas não param de atirar, mas, mesmo assim, estamos conseguindo fugir. De repente, um tiro acerta Síria na perna e ela grita; falta pouco, é a nossa liberdade. Feridas e fodidas psicologicamente, conseguimos entrar no avião. Os outros presos ajudaram nós duas, depois as portas se fecham, então bato a cabeça no chão assim que o avião-cargueiro vira, um sinal de que acabou de decolar.

Pela primeira vez, respiro fundo, ainda estou com dor no abdômen. Um homem de cabelo negro, másculo e jovem se aproxima de mim. Sento e o afasto, interrogando:

- O que pensa que está fazendo? - Ele levanta as mãos para o alto em sinal de rendição.

- Sou Rocco, também italiano, e quero ajudá-la com o seu ferimento.

- Rocco, qual é o seu pecado? Não te conheço...

- Sou um ex-policial. Me envolvi com a Máfia Tommaso na Itália dias atrás por te entregar um grampo.

- Meu pai te enviou?

- Sim, mas fui descoberto no mesmo dia, tentei passar uma arma na sua comida, e esse crime me custou a liberdade. Foi o motivo de você ter ficado sem comer por alguns dias.

- Eu comi, eles não me deram nada por três dias, mas encontrei minha própria comida. Você era corrupto? Como conheceu meu pai?

- Quantas perguntas! Posso responder enquanto verifico o seu ferimento?

- Se meu pai te enviou, então confio em você. Obrigada pelo grampo, foi útil.

- Disponha... mas, pensei que usaria no mesmo dia...

- Devagar, devagar, se vai longe. Só faço as coisas com maestria, meu caro. - Sorrio convencidamente.

- Você é uma mulher intrigante, Clara. - O canto da sua boca se curva em um sorriso um tanto atraente.

- E você, pelo visto, está acostumado com mulheres fáceis. Eu mesma cuido do meu ferimento, Rocco! - Pronuncio o nome dele lentamente, tirando suas mãos da minha cintura.

Levanto com dificuldade, pego das mãos de Rocco um kit de primeiros socorros e sigo procurando por um banheiro.

- Clara - viro para Rocco, que ri e continua: -, quem teima com um teimoso, perde tempo e juízo.

- Que bom que sabe. - Dou uma leve piscadela para ele.

Entro no banheiro, olho para o espelho e posso comprovar o quanto eu estou destruída. Levanto a camisa laranja do presídio e verifico que o tiro foi de raspão. Solto a respiração que estou segurando sem perceber. Juro para mim mesma que mataria Jack Brow. Hoje não deu, mas isso não significa que em breve não cumprirei minha promessa. Volto a observar meu reflexo no espelho e juro mais uma vez mentalmente:

"Você vai matar esse filho da puta em breve, não se preocupe, o que espera por Jack é muito pior do que ele te causou. De hoje em diante, você é Lady Red, a assassina implacável da máfia, será temida por toda a Itália, e nenhum homem irá dominar seu coração. O Red significa vermelho, uma referência ao sangue de todos que você irá derramar. Clara Tommaso morreu, agora és Lady Red, o diabo de saia, o pesadelo de todos!".

Capítulo 2 01

Clara Tommaso

Itália, 20 de abril de 2023.

Dias atuais.

Com certeza você não me conhece, ou quem saiba já tenha ouvido o meu nome, embora nunca tenha se aprofundado realmente na minha história. Sinta-se honrado, pois irei te contar todos os detalhes, dos mais leves ao mais obscuro do motivo que me tornei Lady Red, a assassina mais implacável de toda a Itália. Antes de tudo, eu adoro vermelho, isso me lembra o sangue dos meus inimigos manchados em minhas roupas sempre que tomo a frente de um crime.

Ganhei um poder inigualável durante três anos, hoje posso dizer que esse poder duplicou, mas estou infeliz em frente ao túmulo da pessoa mais importante na minha vida, o meu pai. Dias de luto as pessoas costumam desejar paz ao familiar e usar preto pela dor, porém, comigo difere, estou de vermelho, essa cor me traz a lembrança de que em breve matarei quem o matou. Não sou vingadora, entretanto, quando se trata de quem amo, torno-me uma.

Com os olhos repletos de lágrimas eu os fecho para que nenhuma caia, estou cercada de homens e não posso demonstrar fraqueza. Infelizmente na máfia ser líder ou ter destaque feminino chega a ser uma afronta aos machos alfas, e no que lhe concerne tem um penetrando meus pensamentos, o homem que é meu próximo alvo: Marco Cesare.

Meu pai estava com câncer terminal e deveria ter morrido disso, mas os seus aparelhos respiratórios foram desligados por culpa de alguém. O engraçado dessa história foi o Marco Cesare viver em reuniões com meu pai em seu leito de morte, tornando-o assim o maior suspeito. Abro os olhos e observo os homens ao meu redor e mais uma mulher se destacando, Valentina, amante do meu pai. Tornou-se uma assassina poderosa, embora não chegue aos meus pés; Valentina luta muito melhor, porém sou mais estrategista e uso o poder da mente para sair de zonas proibidas. Ela é alta, parda e seu cabelo ondulado vive preso em um rabo de cavalo, uma mulher que exala beleza. Com o passar dos anos, virou a minha melhor amiga. Com ela posso contar e confiar toda a minha vida.

- Clara, precisamos ir - Rocco sussurra em meu ouvido e viro-me em sua direção com os olhos semicerrados por ele ter me chamado pelo nome.

- Eu te dei autorização para me chamar de Clara? - indago com a voz firme, não posso permitir que eles se aproveitem da situação para montar em cima da minha honra.

- Não, perdão - responde, cabisbaixo.

- Perdão? - Solto uma risada amarga. - Você me pede perdão? Levante a porra da cabeça e me encare! - Vocifero.

- Sim, senhora, eu estou lhe pedindo perdão - envergonhado, afirma.

- Não sussurre comigo, e nem sequer ouse me chamar de Clara, estamos entendidos?

- Sim, senhora.

- Senhora está no céu, me chame de Lady Red, e que isso sirva de exemplo para todos! - Aponto na direção dos outros homens. - Assumo a liderança dos Tommaso hoje e não aceito desrespeito. Sou a nova rainha de nosso território e Valentina será meu braço direito. Sendo assim, todos devem respeito a ela também.

- Obrigada, Lady Red, prometo fazer o meu melhor para chegar à sua altura. - Ela se aproxima e olha para Rocco.

- E se eu ouvir qualquer murmurinho, irei matá-los e dizimar todas as suas gerações futuras. - Examino a multidão ao meu lado em silêncio. - Meu pai foi um líder exemplar e eu prometo ser como ele, passei os últimos anos da minha vida lutando por essa conquista, fui treinada, ganhei respeito. Como vocês sabem, sou ótima no que faço.

- Sim, Lady Red é temida por todo o Continente Europeu - Valentina me interrompe para engrandecer o meu ego.

- Não queiram me enganar, sou muito gentil com os mentirosos, arranco suas línguas e dou para os cachorros saborearem. Meu corpinho perfeito é uma arma letal, não confunda minha aparência para criar um estereótipo de princesa loirinha, pois isso é algo que não sou e já provei para todos que se meteram em meu caminho.

- Não é à toa que grandes mafiosos da Itália querem a Lady Red próxima ou morta. - Valentina exibe mais uma vez minha grandeza.

- Lady Red não significa rainha, mas de hoje em diante a dona dos Tommaso sou eu! E se vocês estão comigo, se preparem para uma guerra, pois vingaremos a perda do nosso líder.

" - Viva, Lady Red! Viva a rainha da Sicília! Viva!" - a multidão de homens grita ao meu redor com uma euforia digna de confiança.

Olho para Valentina e sorrio sem expressar alegria, e ela sorri de volta concordando com a cabeça. Olho mais uma vez para a lápide do meu pai e faço uma promessa mentalmente: Prometo que irei destruir Marco Cesare! Fecho o meu punho com tanta força, que chega a doer, e não sei como não quebro uma unha. Volto a minha atenção aos meus homens e firmo minhas palavras:

- A Sicília será nossa! Agora, vamos para casa.

" - Viva!" - gritam mais uma vez e finalmente voltamos para os carros.

Quando entramos nos veículos, sento perto da janela e observo o céu nublado, seguido do retrovisor, que reflete o meu rosto. Pela primeira vez noto o quanto estou destruída, cheia de maquiagem para esconder as lágrimas que mancharam a minha face. A vermelhidão da esclera se mistura com a minha íris azul, deixando o meu olhar frio e morto, com a pupila dilatada. Desço o olhar até meus lábios notando o batom vermelho que desperta confiança e poder, enviando uma mensagem mental de que posso tudo, inclusive ser a maior líder feminina na Itália.

Eu nem percebo o tempo passar na viagem até o meu território, só me dou conta quando abro a porta para que eu desça, nem imaginando o quanto será difícil entrar naquela casa e não recordar do meu pai. Respiro fundo e entro fingindo superioridade à dor. Luto é para os fracos e isso é algo que não sou.

- Valentina, venha comigo até o escritório do meu pai. E quanto aos demais, assumam suas posições e fiquem com os olhos bem abertos. - Subo as escadas, enquanto ela me segue em silêncio.

Capítulo 3 02

Clara Tommaso

Quando entramos no escritório do meu pai, a calmaria quase me deixa surda, soa tão barulhenta que me incomoda, porque dentro de mim os gritos que meu espírito dá ecoam por toda a sala. É como se eu estivesse o vendo sentado, trabalhando em planilhas dos negócios da nossa família. Eu vejo uma menininha loirinha correndo e pulando nele, que sorri ao ver sua filha. O homem de cabelos grisalhos beija a sua testa, as bochechas dela ruborizam quando ele faz isso. Essa lembrança foi suficiente para me fazer desabar, porém, mais uma vez engulo as lágrimas e a dor chega a me cortar por dentro.

- Você quer ficar sozinha? - Desperto do meu pesadelo interno no segundo que Valentina fala. Olho para ela e sorrio fraco, no entanto, eu sei que preciso esquecer essa perda no momento.

- Não, proponho falarmos de negócios. - Nego com a cabeça, afastando qualquer pensamento negativo. Caminho até a mesa e sento na cadeira de couro velha do meu pai e Valentina se encosta em uma estante de livros.

- Alfonso teria orgulho do seu pulso firme, posso afirmar que serás uma rainha à altura do grande Tommaso, talvez até melhor que ele - Valentina fala com um sorriso leve nos lábios.

- Obrigada, Valentina, eu não queria que fosse assim, mas infelizmente meu pai não poderá ver minha conquista como líder dos Tommaso.

- Não esqueça que do céu ele acompanhará seus passos, Alfonso matou muitas pessoas, mas ele ajudou milhares e acredito na redenção, Lady Red.

- Você é a única pessoa em quem confio de verdade, pode me chamar de Clara.

- Clara, já tem algum suspeito sobre o desligamento dos aparelhos respiratórios de Alfonso?

- Minha amiga, eu estou convicta que Marco Cesare tem algo a ver, ele teve várias reuniões com meu pai há cerca de meses e algo pode ter saído errado, você sabe que os Tommaso e os Cesare se odeiam desde a época do meu avô. Meu único suspeito é esse homem.

- Pensei o mesmo, descobriremos se Marco tem algo a ver com isso e abateremos ele.

- Mexer com Marco requer tempo e aproximação, ele é impenetrável. - Suspiro ao pegar o livro de contabilidade da máfia do meu pai.

- Desculpe a invasão, Lady Red, mas a senhora tem visitas. - Rocco abre brevemente a porta com o rosto pálido.

- Fala logo, Rocco, parece que viu um fantasma - agoniada, ordeno grosseiramente.

Imediatamente um homem termina de empurrar a porta e entra desviando de Rocco. Ele tem um sorriso presunçoso. Seus olhos verdes têm um brilho predatório, o cabelo castanho define bem seu rosto, é bem alinhado, um corte perfeito para destacar sua beleza, o rosto contornado por uma leve barba de três dias. Posso dizer que tem um metro e oitenta. A camisa social preta é fina e transparece seu peitoral definido. Além de toda a beleza, exala mistério. Os olhos com um brilho de indecência e os lábios em uma leve expressão de sorriso. Eu o reconheceria a quilômetros de distância.

- Marco Cesare - sussurro seu nome, e no mesmo momento, Valentina aponta sua arma em direção a ele -, está pisando em território inimigo, meu caro - debocho de sua audácia, e ele apenas sorri para mim.

Levanto-me da cadeira de meu pai e ando em sua direção para desafiá-lo. O homem me olha de cima a baixo.

- Cesare, meus olhos então aqui. - Chamo a sua atenção em tom de flerte.

- Estão mesmo, Clara. - Destaca meu nome lentamente.

- Ah, você fala, e ainda não tem medo da morte. - Mais uma vez o provoco.

- Por que ter medo da morte se sou o próprio fim? Pelo menos ninguém sobreviveu a um encontro comigo. - Ele dá mais um passo em minha direção, sinto sua respiração lamber meu rosto.

- Bem, pelo visto você só entrou aqui por um bom motivo, caso contrário, meus homens já o teriam matado. - Inclino minha cabeça para cima, tentando intimidá-lo, quando, na verdade, o motivo real é poder encarar Marco nos olhos.

- Com certeza, minhas condolências pela morte de seu pai. Agora, mande sua amiga abaixar a droga desse revólver e leia esse documento.

- Fale diretamente com ela - respondo sorrindo.

- Vejo que não me conhece, filho da puta, permita me apresentar! - Valentina grita do outro lado do escritório ainda com a arma em punho.

- Valentina, acalme os ânimos, vejamos o que o escrito tem - falo enquanto pego o papel das mãos de Marco, nossos dedos roçam e eu sinto um choque de excitação, mas rapidamente finjo controle.

- Ah, você é a Valentina, mulher de Tommaso, ouvi muito sobre você, agora abaixa a arma. - Ele olha diretamente para ela, que não cede.

Analiso o impresso em minhas mãos, reconhecendo de imediato que se trata de um papel timbrado de uso exclusivo dos Tommaso.

- Reconhece o papel, Clara? - Marco pergunta com a voz baixa.

O mesmo documento tem no final a assinatura de meu pai e o símbolo dos Tommaso, isso já desperta minha curiosidade acerca do conteúdo. Leio em voz alta e observo imediatamente Valentina ter um choque e abaixar a arma.

"Eu, Alfonso Tommaso, chefe supremo dos Tommaso, declaro, por meio deste tratado de paz com o Don da Itália uma união, um casamento entre Marco Cesare e Clara Tommaso, minha filha e herdeira de todo Meu trono."

Sinto meu coração bater em minha garganta, apoio-me da borda da grande mesa de madeira e olho para o documento em minhas mãos.

- É, Clara, vamos nos casar em algumas semanas. Leve isso na boa, como uma herança. - Marco sorri provocativamente enquanto fala.

- Só se for uma herança indesejada. Não conte com esse casamento - respondo com ignorância.

Meu corpo entra em choque, e meu único pensamento é em como meu pai pôde fazer isso comigo. Jogo o papel na direção de Marco, que, sorrindo prepotente, volta a ler o resto do tratado.

- Se minha filha Clara se negar ao casamento, os Tommaso pertencerão ao Marco e Clara será rebaixada a apenas soldado. - Ele me fita com vitória, e a minha cabeça trabalha nessa possibilidade surpreendentemente idiota.

Como meu pai foi capaz?

Por que ele fez isso?

Eu estava preparada para esse momento, mas não entendo o motivo disso.

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