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Laura: Renascida da Dor

Laura: Renascida da Dor

Autor:: Callista
Gênero: Romance
Eu ia casar-me. A minha família, à beira da falência, forçava-me a desposar um herdeiro em coma. Meu único consolo? O meu guarda-costas, Thiago, o homem que eu secretamente amava. Um dia, ouvi-o ao telefone. Não estava a falar de mim. "Sofia é um anjo," ele confessou. "A Laura? Uma pirralha mimada e cruel!" A paixão que eu cultivara por anos desmoronou-se. Ele amava a minha meia-irmã manipuladora. Humilhações públicas seguiram-se. Ele comprou uma boutique inteira para Sofia diante dos meus olhos. Protegeu-a de um jaguar, virando-me as costas. Depois, mandou-me torturar, uma lição brutal. Marcara o nome dela na sua pele, símbolo da devoção cega. A dor e a raiva corroíam-me. Sofia, sempre a roubar-me tudo, até o único homem que eu desejava. E a sua risada cruel ao mencionar a morte da minha mãe: "Será que... será que ela gritou?" Naquele momento, algo dentro de mim morreu. E um novo capítulo nasceu: o da minha vingança. Eu partiria, mas não antes que ele e o seu anjo caíssem. De repente, o meu noivo milagrosamente acordou e Thiago, consumido pelo arrependimento, veio atrás de mim. Será tarde demais?

Introdução

Eu ia casar-me. A minha família, à beira da falência, forçava-me a desposar um herdeiro em coma. Meu único consolo? O meu guarda-costas, Thiago, o homem que eu secretamente amava.

Um dia, ouvi-o ao telefone. Não estava a falar de mim. "Sofia é um anjo," ele confessou. "A Laura? Uma pirralha mimada e cruel!" A paixão que eu cultivara por anos desmoronou-se. Ele amava a minha meia-irmã manipuladora.

Humilhações públicas seguiram-se. Ele comprou uma boutique inteira para Sofia diante dos meus olhos. Protegeu-a de um jaguar, virando-me as costas. Depois, mandou-me torturar, uma lição brutal. Marcara o nome dela na sua pele, símbolo da devoção cega.

A dor e a raiva corroíam-me. Sofia, sempre a roubar-me tudo, até o único homem que eu desejava. E a sua risada cruel ao mencionar a morte da minha mãe: "Será que... será que ela gritou?"

Naquele momento, algo dentro de mim morreu. E um novo capítulo nasceu: o da minha vingança. Eu partiria, mas não antes que ele e o seu anjo caíssem. De repente, o meu noivo milagrosamente acordou e Thiago, consumido pelo arrependimento, veio atrás de mim. Será tarde demais?

Capítulo 1

"Eu aceito."

A minha voz soou fria e clara no escritório abafado do meu pai. O cheiro de charo cubano e desespero pairava no ar.

Vicente Alencar, o outrora poderoso barão do café, olhou para mim com um alívio que não se deu ao trabalho de esconder. Seus ombros, tensos há semanas, relaxaram.

"Laura, minha filha, você tomou a decisão certa. A família Corrêa vai salvar-nos a todos."

"Não me chame de sua filha," cortei, a minha voz como gelo. "Isto é um negócio. E eu tenho as minhas condições."

Sofia, a minha doce e frágil meia-irmã, que estava sentada ao lado do meu pai, ofegou. "Laura, como pode falar assim com o papai? Ele só quer o nosso bem."

Ignorei-a. Os meus olhos estavam fixos em Vicente.

"Primeiro, quero cem milhões de reais na minha conta pessoal. Não na conta da família. Na minha."

Ele engoliu em seco, o alívio a desaparecer do seu rosto. "Cem milhões? Laura, isso é..."

"É o meu preço para me casar com um homem em coma," disse eu, sem rodeios. "Um homem que todos dizem ser um caso perdido. Um homem que deveria ser o noivo da Sofia, a sua filha favorita."

A menção disto fê-lo estremecer. Ele sempre quisera o melhor para a Sofia, a prova viva da sua traição. O herdeiro dos Corrêa era o melhor, mas a frágil Sofia não podia ser "desperdiçada" com um homem moribundo. Eu, a filha legítima, era a peça de sacrifício perfeita.

"E a minha segunda condição," continuei, saboreando a sua crescente angústia. "Thiago. Ele não virá comigo para o Pantanal. Quero que ele seja transferido para a equipa de segurança pessoal da Sofia. A tempo inteiro."

Agora, foi a vez de Sofia parecer chocada. Até o meu pai franziu a testa, confuso.

"Thiago? O seu guarda-costas? Mas você... você sempre o quis por perto."

"As coisas mudam," disse eu, com um encolher de ombros indiferente. "A Sofia é tão frágil. Ela precisa do melhor protetor, não é verdade?"

A minha voz estava carregada de um sarcasmo que só eu entendia.

Vicente olhou do meu rosto impassível para a sua preciosa Sofia, que parecia genuinamente confusa. A urgência da nossa ruína financeira venceu.

"Está bem. Feito. Cem milhões e o guarda-costas para a Sofia. O contrato com os Corrêa será assinado amanhã."

"Ótimo."

Levantei-me, alisando a minha saia. A minha postura era de orgulho e vitória, mas por dentro, eu estava a desmoronar.

Quando me virei para sair, a voz do meu pai soou, com uma ponta de malícia.

"Porque é que está a fazer isto, Laura? Porque desistir do homem que você persegue há anos?"

Parei com a mão na maçaneta.

Não respondi. Abri a porta e saí.

E lá estava ele. Thiago.

Do lado de fora, no corredor, ele estava perto de Sofia, que já se tinha levantado para me seguir. Ele não olhava para mim. Seus olhos estavam em Sofia, e com uma ternura que me partiu o coração, ele estendeu a mão e ajeitou uma mecha de cabelo que caíra sobre o rosto dela.

"Cuidado para não tropeçar, senhorita Sofia," ele disse, a sua voz baixa e rouca, a mesma voz que eu sonhava que me dissesse palavras de amor.

Sofia corou, parecendo a imagem da inocência.

A cena confirmou tudo. Solidificou a minha decisão.

No silêncio do meu coração, respondi à pergunta do meu pai.

Porque é que estou a desistir dele? Porque ele nunca foi meu para eu poder desistir.

Conheci Thiago Monteiro há três anos. Ele foi contratado como meu motorista e guarda-costas. Alto, estoico, com um rosto que parecia esculpido por um deus grego e olhos que não revelavam nada.

Desde o primeiro dia, eu o quis.

Tentei de tudo. Usei os vestidos mais curtos, as palavras mais provocantes, "acidentalmente" caí nos seus braços. Ele permanecia imune, sempre profissional, sempre distante. A sua indiferença era uma parede de aço contra a qual eu me atirava repetidamente.

Eu era a filha do barão do café, bonita, desejada por muitos. Mas o único homem que eu queria tratava-me como se eu fosse ar.

A minha vida tinha sido uma sucessão de abandonos. Primeiro, o meu pai, que traiu a minha mãe com a mãe de Sofia. Depois, a minha mãe, que morreu num "acidente" de carro suspeito quando eu tinha dez anos. Pouco depois, Sofia e a sua mãe entraram na nossa casa, e eu tornei-me a estranha, a filha irritada e rebelde que ninguém queria.

O meu pai derramava todo o seu afeto em Sofia. Eu fiquei com as sobras.

Na minha solidão, a presença silenciosa e constante de Thiago tornou-se a minha única âncora. A sua calma era um bálsamo para a minha alma ferida. A minha paixão por ele cresceu em silêncio, uma flor desesperada a brotar no deserto da minha vida.

Até que, há duas semanas, o meu mundo ruiu.

Eu estava num evento de caridade, escondida numa varanda para escapar da hipocrisia lá dentro. E ouvi-o. Ele estava ao telefone com um amigo, a sua voz desprovida da habitual frieza.

"Sim, eu sei que é uma loucura," dizia Thiago. "O herdeiro do império Monteiro a trabalhar como guarda-costas. Mas eu tinha de o fazer. Tinha de me aproximar dela."

O meu coração parou. Ele estava a falar de mim?

"Desde que a vi naquele outro evento de caridade, a ajudar um gatinho de rua debaixo da chuva... soube que tinha de a ter. Sofia é um anjo. Tão pura, tão gentil."

Sofia.

A palavra atingiu-me como um soco no estômago.

"E a outra?" perguntou o amigo. "A meia-irmã, Laura?"

Ouvi Thiago bufar.

"Aquela? Uma pirralha mimada e cruel. Não sei como um anjo como a Sofia pode ter uma irmã como ela. Honestamente, mal posso esperar pelo dia em que não terei mais de olhar para a cara dela."

A crueldade casual nas suas palavras destruiu-me. O amor que eu alimentara durante três anos era baseado numa mentira. Ele não estava a ser profissional; ele simplesmente me desprezava. Ele estava a usar-me para chegar à minha irmã.

Naquele momento, algo dentro de mim morreu. O amor, a esperança, tudo se transformou em cinzas.

Agora, de volta ao presente, olhei para Thiago, que ainda estava focado em Sofia. O meu rosto, antes cheio de anseio por ele, tornou-se uma máscara de frieza.

Ele finalmente se virou e os seus olhos encontraram os meus. Pela primeira vez, ele pareceu notar uma mudança. Um brilho de surpresa passou pelo seu rosto.

Eu dei-lhe um sorriso lento e gelado.

Um novo capítulo estava prestes a começar. E neste, eu seria a autora da sua dor.

Capítulo 2

A expressão de Thiago era indecifrável, mas a sua postura endureceu ligeiramente quando o encarei com o meu novo sorriso gelado. Ele parecia um predador a avaliar uma presa que subitamente tinha mostrado os dentes.

"Senhorita Laura," ele disse, a sua voz a habitual monotonia profissional.

"Thiago," respondi, a minha voz a pingar uma doçura falsa. "A Sofia estava a dizer-me o quão segura se sente consigo por perto. Deve ser reconfortante ter um cão de guarda tão leal, não é, irmãzinha?"

Sofia corou, gaguejando. "Laura, não diga isso..."

Thiago não reagiu à minha provocação, o que me irritou ainda mais. A sua calma era a sua maior arma contra mim.

"Eu preciso de sair," anunciei, mudando de tática. "Vamos às compras. Preciso de um enxoval."

"Estou de folga hoje, senhorita," ele respondeu calmamente. "O outro motorista está à sua espera."

"Eu sei," disse eu, com um sorriso. "Mas eu quero que você me leve. A menos que," acrescentei, olhando para Sofia, "você prefira ficar aqui a proteger a senhorita Sofia de... bem, de nada em particular. Ela está perfeitamente segura dentro de casa."

O nome dela foi o gatilho. Vi uma hesitação nos seus olhos. Ele queria ficar.

"O papai pediu para a Sofia me ajudar a escolher algumas coisas," menti descaradamente. "Ela vem connosco."

Isso selou o acordo. Ele assentiu rigidamente. "Estarei à espera no carro em cinco minutos."

Ele virou-se e afastou-se, a sua presença imponente a encher o corredor.

Observei-o ir, sentindo a habitual pontada de dor no meu peito. Mas desta vez, era diferente. Estava misturada com uma resolução fria. Eu ia arrancá-lo do meu coração, mesmo que isso significasse rasgar-me em pedaços no processo.

No dia seguinte, comecei a minha nova estratégia. Ignorei-o.

Quando desci para o pequeno-almoço, ele estava de pé junto à porta, como sempre. Normalmente, eu dar-lhe-ia um sorriso ou faria um comentário provocador. Desta vez, passei por ele como se ele fosse um móvel. Pelo canto do olho, vi a sua cabeça virar-se ligeiramente, uma centelha de surpresa nos seus olhos estoicos.

No carro, a caminho dos Jardins, o silêncio era denso. Sofia, sentada entre nós, tentava preenchê-lo com uma conversa fiada e nervosa. Eu respondia com monossílabos, os meus olhos fixos na janela. Senti o olhar de Thiago sobre mim no espelho retrovisor, mas não o reconheci.

Chegámos a uma boutique de luxo exclusiva. Mal tínhamos entrado quando Sofia, com a sua impecável atuação de inocência, veio até mim.

"Laura, este vestido não é lindo? Ficaria perfeito em si."

"Não preciso da sua opinião," respondi, afastando-a.

Sofia recuou, os seus olhos a encherem-se de lágrimas. Ela virou-se para Thiago, que tinha entrado atrás de nós, com um ar de vítima.

"Eu só estava a tentar ajudar," ela sussurrou.

Vi o olhar de Thiago endurecer na minha direção. A sua desaprovação era palpável. Ele deu um passo em direção a Sofia, um gesto de conforto.

"Não se preocupe, senhorita Sofia. A senhorita Laura está apenas... stressada com o casamento."

"Stressada?" Sofia fungou. "O Thiago é tão bom para ela. Ontem à noite, ele até foi buscar aquele remédio raro para a minha enxaqueca no meio da noite. Ele cuida tão bem de nós."

Ela disse "nós", mas o seu olhar estava em mim, um desafio subtil.

Thiago minimizou o gesto. "Era meu dever."

Eu ri por dentro, um som amargo. Dever? Eu sabia a verdade. Tinha-o ouvido ao telefone a gabar-se ao seu amigo sobre como tinha movido mundos para encontrar aquele remédio para o seu "anjo". Não tinha nada a ver com dever.

Sofia, agora animada, virou-se para ele. "Thiago, vamos almoçar depois disto? Conheço um lugar novo e encantador."

"Claro, senhorita Sofia."

Depois, ela virou-se para mim, com uma doçura venenosa. "Você quer vir connosco, Laura? Embora, talvez seja melhor não. O lugar é bastante exclusivo, não para noivas desesperadas que se vendem para salvar a família."

O insulto pairou no ar, chocante na sua crueldade direta.

Sofia pareceu imediatamente horrorizada com as suas próprias palavras, cobrindo a boca com a mão. "Oh, meu Deus, Laura, desculpe! Eu não queria dizer isso!"

Thiago olhou para mim, a sua expressão uma mistura de desaprovação e pena... pena por Sofia, que tinha de lidar com uma irmã tão "terrível" como eu.

Ignorei-os. O meu foco era outro. Eu tinha cem milhões de reais a chegar. Era hora de começar a gastá-los.

Caminhei até uma vitrine que exibia um conjunto de joias de diamantes e safiras. Era a peça central da nova coleção da boutique.

"Gostaria de ver este conjunto, por favor," disse eu à vendedora.

Sofia aproximou-se, os seus olhos a brilhar de cobiça. "É lindo, não é? O papai disse que talvez me desse de presente de aniversário."

"Que pena," disse eu, com um sorriso. "Porque eu vou comprá-lo."

A vendedora olhou entre nós, desconfortável. "Senhorita Alencar, este conjunto é extremamente caro..."

"Eu sei o preço," disse eu, pegando no meu telemóvel. "Vou fazer a transferência agora."

Sofia empalideceu. "Laura, você não pode! O papai nunca lhe daria tanto dinheiro!"

"O papai não me deu," disse eu, deliciando-me com o seu choque. "Eu ganhei-o. O preço da noiva, sabe?"

Digitei o valor e mostrei a confirmação da transferência à vendedora. Sofia olhou para o ecrã, incrédula. Ela tentou ligar ao nosso pai, provavelmente para pedir que ele me parasse, mas eu sabia que Vicente não se atreveria. O acordo com os Corrêa era demasiado importante.

Quando a vendedora estava a embalar as minhas joias, a gerente da loja apareceu de repente, com o rosto afogueado de excitação.

"Senhoras, peço desculpa pela interrupção," ela anunciou à sala cheia. "Temos um anúncio. Um cliente muito generoso, o Sr. Monteiro, acabou de comprar toda a coleção de alta-costura e joalharia da loja."

Um murmúrio percorreu a boutique.

A gerente continuou, com a voz a tremer. "Todos os itens foram reservados... como um presente para a senhorita Sofia Alencar."

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