Mael Laurent era um executivo grosso e impiedoso, pelo menos era o que a maioria via nele, a sua vida foi em torno de muito dinheiro, bebidas, negócios bem sucedidos e muitas, muitas mulheres, ele nunca imaginou que se apaixonaria por alguém, até conhecer Lucy Bernard, uma bela jovem, mas com um caráter um tanto quanto duvidoso, que nunca se importou com nada, viveu intensamente como ela queria, sem se preocupar com julgamentos de ninguém, Lucy era como se fosse duas pessoas, sua personalidade era de uma garota tímida, simples, carinhosa e apaixonante, mas tinha dias que era devassa, soberba,
havia algo no seu olhar que ninguém sabia explicar, essa versão amava o luxo, dinheiro e poder, porém, ao atravessar no caminho de Mael, a vida do belo bilionário mudou totalmente.
Lucy foi a única mulher que ele não teve jogada aos seus pés, e isso o intrigou por completo, sua missão era conquistar ela a todo custo, até que em uma noite, a magia da sedução aconteceu, os dois passaram noites e noites juntos, mas Lucy não o amava, o que ela gostava era da atenção, dos olhares de admiração das outras mulheres sobre ela, e o dinheiro que ele transferia para sua conta sem ela pedir. Mael queria casar, construir uma família, e pela primeira vez, no alge dos seus 40 anos, ele se viu apaixonado, qualquer mulher queria ter só uma oportunidade de conquistar o gélido coração do temido senhor Laurent.
No dia que ele a pediu em casamento, o pedido foi em grande estilo, muito luxo e com um anel que de longe se via os pequenos diamantes rosa, mas ela não queria ficar com ele, saiu o deixando no meio da multidão, sozinho, fazendo com que Mael se tornasse tudo aquilo que ele havia esquecido ser por causa dela, ele sempre se perguntou do por que tal mudança, Lucy tinha dias que falava com tamanha alegria de um possível casamento, e no dia que isso aconteceu, simplesmente disse não. Para Mael foi algo difícil de esquecer. Mêses passou, e ele foi aumentando mais e mais sua fortuna, mas a versão da doce Lucy, ficou na sua cabeça.
Até que um belo dia, já era tarde da madrugada, ele estava a trabalhar no escritório da sua mansão, como de costume bebendo o seu whisky, imerso entre as inúmeras folhas espalhadas sobre a mesa, ele ouviu um choro estridente, apesar das grandes portas serem de madeira maciça, ele ouviu com perfeição, seguindo o barulho que estava o irritando, encontrou na porta da sua casa, uma pequena cesta, com uma menina chorosa, os seus lábios já roxos pelo frio, sua pequena mão tremia sem parar.
Mael amedrontado pelo que estava na sua frente, pegou a pequena criança e aqueceu com o calor do seu peito, quando já calma, e aquecida, ele ve um papel dobrado entre as cobertas da menina, mas no momento de nervosismo ele não deu devida atenção, imaginando ser uma desculpa esfarrapada de uma mãe desnaturada, ele pensou inúmeras coisas naquele momento, mas entre tantos absurdo que passou na sua cabeça, ele tomou a única e ideial decisão, os seus seguranças vieram o ajudar a fazer ronda pela mansão, pois Mael já viu de tudo na vida, e não se surpreenderia se a pequena bebê de olhos tão azuis como o céu, fosse uma isca dos seus inimigos, com todo o quarteirão vigiado ele adiciona a polícia, pois era uma vida que havia sido abandonada ali na sua porta.
Uma investigação se abriu, mas tudo que conseguiram nas câmeras de segurança da mansão, era uma mulher estatura mediada, de blusa preta e capuz na cabeça, ignorando os pontos visíveis das câmeras, como se soubesse os lugares exatos que poderia levantar a cabeça...
Como Mael era um homem conhecido, os policiais atenderam ao seu pedido de deixar a menina com ele, até que se resolva o problema, de encontrar os pais da pequena criança. Ele não entendia essa vontade de proteger aquele bebê, Mael estava disposto a ajudar, dando emprego e moradia a mãe da criança, mesmo que a sua razão abominasse aquela atitude, mas queria ver a menina crescer.
Dias se passaram e nada dos pais serem encontrados, o deixando frustrado, nenhuma pista sequer, como se estivessem sido engolidos pela terra, por outro lado, ele se sentia aliviado por saber que poderá ficar mais tempo com ela, e com os passar dos dias, passou a criar afeto por ela.
Passando 15 dias que Mael estava cuidando da menina, Dirah, a governanta da mansão, que o ajudava cuidar da pequena nos momentos de reunião, entra no escritório com um papel em mãos, ele vê o nervosismo dela e para o que estava fazendo, apesar de um homem bruto e sem piedade ele parou tudo que estava fazendo e levantou para ver o que estava acontecendo.
Dirah quando começou a trabalhar para Salomão Laurent, pai de Mael, era apenas uma menina de 15 anos, ela o viu nascer, crescer, e se tornar o homem que seu pai queria, nos 41 anos que Dirah trabalha com a família Laurent, ela conhecia o seu melhor lado, e era esse que ele mostrava a ela e ao seu filho Matheo, que ele ajudou a criar. A governanta lhe entregou o papel e ele leu atentamente, em poucas linhas toda a admiração e amor que um dia sentiu por Lucy, morreu naquele instante, em letras pequenas, um papel comum, o que estava escrito jamais seria esquecido.
"Mael.
Espero que você já tenha encontrado a paz e tenha me perdoado pelo que aconteceu entre nós no passado. Sinto muito pela dor que causei a você, mas há algo que preciso confessar. Desde a gravidez, lutei incessantemente para tentar abortar, mas falhei em todas as minhas tentativas com medicamentos que tomei. Me casei assim que dei à luz, a condição que meu noivo impôs para me assumir na alta sociedade era de me livrar da criança. Sei que você jamais irá me perdoar por isso, mas quero que saiba que ela é sua filha. Hoje ela completou 15 dias, mas não dei a ela um nome, pois realmente não tenho interesse por essa criança. Se você também não conseguir sentir afeto por ela, faça o que achar melhor. Jogue-a fora, dê-a para qualquer pessoa, pois, sinceramente, não me importo com o que acontecerá com essa criança. Sei que tudo isso soa cruel e sem piedade, mas essa é a dura realidade da situação.
Adeus."
Assim que ele lê o pequeno papel, se enche de raiva e rancor, mas, ao mesmo tempo, ele fica feliz por saber que a menina que ele aprendeu a amar, é na verdade, sua filha, naquele mesmo dia ele fez o teste que comprovava sua paternidade, registrando a menina com o nome da sua avó materna, a única que teve alguma demonstração de sentimento por ele.
Os anos passaram e Alexia era a sua vida, viveu somente por ela, apesar de não ser um homem carinhoso e bem rígido na criação da filha, ele a amava mais que a si mesmo, mesmo que nunca tenha dito ou demonstrado tal sentimento, ele foi criado assim, e por esse motivo não sabia como demonstrar afeto, a educando para ser forte e decidida, determinada e fria, pois ele sabia que um dia os seus inimigos iriam conseguir acabar com ele, o seu tempo era curto, onde em poucos anos a ensinou nunca abaixar a cabeça perto de ninguém, Mael não suportaria a dor de ver a sua filha sofrer.
A pequena menina foi crescendo sem afeto do pai, o último abraço que ela recebeu foi com 5 anos de idade, daí em diante, Mael se dedicou a por ela nos melhores colégios, e um deles foi um religioso, que cada erro, tinha uma punição, até quando ela não errava era punida, ele ao descobrir que ousaram machucar sua menina, fez com que o colégio fosse fechado, e a responsável pela agressão parar atrás das grades, ele queria sua filha forte, mas nunca imaginou que por anos ela sofreu humilhações e era praticamente espancada, aguentou tudo calada, achando que era seu pai que havia mandado, e até hoje ela não sabe que ele não tinha nada haver com tudo que ela sofreu.
Alexia Laurent, se tornou uma deslumbrante francesa, mora da cidade de Paris na região Île-de-France. Ela uma jovem de sucesso incontestável. Embora possa parecer uma doce e frágil mulher à primeira vista, a realidade é bem diferente. A vida e a educação rigorosa de seu pai moldaram-na em uma jovem amarga, privada do calor do afeto. Em muitas ocasiões, quando a vontade de desabar era quase insuportável, ela se via forçada a manter uma fachada de frieza. Sua personalidade forte e determinada lhe rendeu o apelido de "senhora arrogante".
Muitas vezes, ela se questionou se merecia ser tratada com tamanha severidade, chegando a acreditar que a rejeição do pai estava relacionada à ausência de sua mãe. No entanto, ao refletir sobre sua trajetória até o presente momento, ela reconhece e agradece seu pai por ter lhe ensinado a ser uma mulher destemida, capaz de enfrentar qualquer desafio que surgir em seu caminho.
Apesar dos rumores e fofocas que circulam a seu respeito, Alexia é a inveja de muitas jovens de sua idade. No entanto, a inveja não é alimentada por seu sucesso profissional ou pelo fato de ser a mulher mais rica do país. O que realmente desperta o ciúme é o fato de Alexia ser a noiva do ex-solteirão mais cobiçado da cidade.
O relacionamento de Alexia com Lucas não passa de um noivado de conveniência, pelo menos para ele. Embora Alexia não seja uma mulher que expressa facilmente seus sentimentos, ela nutre um amor genuíno por Lucas. Infelizmente, para ele, ela é tão insignificante quanto o chão que pisa.
Os esforços de Alexia para se tornar mais atraente e apaixonante parecem inúteis aos olhos de Lucas. Tudo o que ele realmente deseja é o dinheiro, a fama e o luxo que ela pode proporcionar. Sem Alexia, a vida de ostentação e privilégios que ele tanto almeja seria impossível. A família dele está à beira da falência e, portanto, nada poderia ser mais conveniente do que se casar com a única herdeira da rica família Laurent. Não é mesmo?
Alexia, é uma jovem empreendedora de apenas 23 anos, é uma figura notável no cenário empresarial nacional e internacional. Além de administrar com maestria a maior metalúrgica do país, ela também investiu consideravelmente em diversos países, estabelecendo outras empresas voltadas para o desenvolvimento de jogos e aplicativos de sucesso na área da tecnologia. Sua habilidade e destreza nesse ramo têm sido fundamentais para garantir seu sucesso empresarial.
Já havia amanhecido na grande cidade de Paris, o vento soprava lá fora, mostrando o quanto essa manhã seria fria. Alexia toma um demorado banho quente, ao terminar, veste-se e coloca um sobretudo branco por cima do vestido azul que molda perfeitamente sua barriga. Penteia seus longos e escuros cabelos, olha no espelho e sorri discretamente ao ver Lucas sentado na cama, ainda sonolento.
- Bom dia, amor! Nossa, acho que vou me atrasar para a reunião. - Ela fala ao olhar no relógio. Meu Deus, esqueci de avisar a Lia. Você pode passar no meu escritório e falar com ela? Minha consulta é agora de manhã. - Ela fala admirando-o pelo espelho.
- Bom dia, meu amor. - ele levanta, coloca a camisa e checa as mensagens do celular encostando na parede em frente da janela.- Pode deixar que aviso, esse horário ela não está no escritório, mas ligo da empresa!
- Obrigada por isso.
- Querida, Como dormiu essa noite? Parecia estar assustada essa madrugada. - Ela o olha um pouco desanimada, pois teve novamente os mesmos pesadelos de sempre.- Foi pela chuva?
- Não me lembro. Deve ter sido o mesmo de sempre. - Alexia abaixa o olhar, triste por ter passado tantos anos e ainda ter os mesmos sonhos, o mesmo pânico de dias chuvosos de quando era pequena. Ele levanta e dá um beijo em sua testa. - Lucas, você vai comigo na Laila ver nosso filho? - Ela pergunta com o olhar distante, mesmo sabendo a resposta.
- Hum, creio que não, meu amor. Wendy mandou uma mensagem agora pouco, disse que tenho uma importante reunião e não poderei desmarcar. - Ele mente. Sem nenhuma surpresa, ela levanta e sai sem olhar para trás. Ele fica com raiva por ela fazer isso. Lucas precisava de dinheiro, então essa noite ele a tratou com carinho. Ao chamá-la de amor, ela já sabia que ele ia pedir. Por isso, antes de sair, ela deixa um cheque assinado por ela para ele colocar o valor que precisa. Vendo-o ali em cima da penteadeira, Lucas sorri. - Muito bem, senhora arrogante. Pelo menos é inteligente. Eu mereço muitos zeros nesse cheque para te suportar.
Ele se joga na cama contente por poder manipular Alexia por míseras carícias. Já no estacionamento, Alexia encontra Matheo, amigo e segurança.
- Bom dia, Matheo. Vamos!
- Vai sozinha novamente? Aquele ser que você chama de namorado não vai se dar nem o trabalho de ir com você? - Matheo pergunta, sem esconder seu ódio por Lucas.
- Como vê, ele não está aqui! Vamos logo, não tenho tempo a perder, com conversa fiada. - Alexia percebe que acabou sendo grossa com alguém que não tem nada a ver com o assunto. - Matheo... me desculpa? Não quis ser grossa, é que às vezes eu coloco expectativas no que já sei que nunca irá acontecer.
- Não tem problema, já estou acostumado com seu jeito carinhoso de dizer que gosta da minha companhia. - Ele ri.- Trabalho há anos para senhora arrogante, esqueceu?- Matheo encontra os olhos dela e sorri, sem muito esforço acaba arrancando um discreto sorriso dela. - Quer que eu entre com você? - Alexia olha para ele agradecida.
- Obrigada, Matheo, mas não precisa. Quando descobri a gravidez, já imaginei passar por isso sozinha. - Eles vão conversando até chegar no consultório. - Pode ir, tire o seu dia de folga. Você está há semanas adiando.
- Vou ficar aqui. Não tenho nada de importante para fazer. - Ele fala desafiando ela. Os dois, apesar da diferença de idade, são muito amigos. Ele sempre ajudou a mãe a cuidar dela quando era bebê. Matheo meio que se sente responsável por Alexia, pois foi o que a mãe dele o fez jurar, que cuidaria dela como um irmão mais velho.
- Nada de importante?- Ela serra olhos o encarando em julgamento.- Tem certeza? Quando eu voltar, não quero te ver aqui. E trate de se lembrar que dia é hoje! - Ela fala séria, mas sem ser grossa. Ele a olha e coça a cabeça, tentando entender do que ela está falando.
Alexia chega ao consultório de sua amiga em minutos. Elas se cumprimentam com um beijo no rosto e um abraço rápido.
- Bom dia, Alexia. Como está? E esse bebê?- Laila fala animada por ve-la.- Olha, sua barriga cresceu um pouco mais. - a médica ajuda-a deitar na cama e, em seguida, levanta sua blusa. Alexia resmunga quando sente o gel gelado em sua barriga.
- Cresceu um pouquinho. Nossa, parece que esse bebezinho vai sair andando já. Como ele pula aqui dentro. - Alexia fala sorrindo. Laila observa e sorri também, feliz por vê-la bem e admirada com o tamanho do amor e alegria que essa gravidez trouxe a Alexia, nas poucas vezes que a vê assim.
Laila e ela se conheceram no colégio quando Alexia tinha 10 anos e Laila 14. Com o passar dos anos, ela foi o único apoio que Laila tinha. Seus pais eram muito bons com ela, mas por um acidente, ela perdeu os dois no mesmo dia. Apesar de ter uma conta bancária recheada, Laila optou por terminar os estudos e abrir uma clínica. Alexia foi como uma âncora nesses momentos tão tristes e elas se tornaram inseparáveis.
Laila é o oposto de Alexia, uma mulher doce, carinhosa e muito sensível. Ela se emociona por coisas tão pequenas, mas que para ela têm tanto significado. Mesmo sabendo o quão durona sua amiga se mostra, ela sabe que tudo que Alexia quer é ser ouvida, compreendida e amada.
- Amiga, está sozinha novamente? - ela pergunta, percebendo que Lucas não compareceu em mais uma consulta.
- Pois é, sabe como Lucas é. Ele está atolado de trabalho e disse que não conseguiu desmarcar a reunião por ser muito importante. Já estou acostumada, amiga. Não se preocupe. - Alexia fala sem esboçar reação, tentando se convencer mais uma vez de que é por isso que ele não veio.
- Bom, saiba que sempre estarei segurando sua mão para o que precisar. - Laila desvia o olhar e resolve mudar de assunto e continuar com a ultra, pois sabe o quanto Alexia não gosta de conversas sentimentais. - Mas esse bebezinho só pode estar de brincadeira. - ela fala frustrada analisando mais de uma vez o monitor de ultrassonografia..
- O que é dessa vez? Menina ou menino? - Alexia sorri, se divertindo com a situação.
- Não consigo entender, já fizemos vários exames. No de sangue saiu menino, aqui menina, depois menino. Já estou achando que são dois, daí eles se revezam para sacanear a tia aqui. - ela ri.- Já estou quase aposentando esse monitor, e olha que ele é novo.
- Parece que meu filho já tem para quem puxar, é misterioso igual ao vovô. - Sentando na cama, ela fica pensando no seu pai. Apesar de tudo, Mael era o único em quem ela podia confiar de verdade.
- Amiga, ele está bem, crescendo bastante, e já está me deixando com uns fios de cabelo brancos antes de nascer.
- O que importa é que o Isaac ou a Hannah está bem. Por enquanto, é só o meu amado bebê. Apesar de que eu sinto que aqui dentro está meu pequeno Isaac.
- Sim, muito amado! Dia das garotas amanhã? Acho que estou precisando... - Laila abaixa a cabeça para não mostrar sua tristeza, mas não passa despercebido por Alexia. Só de olhar para sua amiga, entende que ela precisa conversar, precisa ouvir seus conselhos. Por mais duros que sejam, são os mais verdadeiros.
Laila saiu de um relacionamento abusivo graças a Alexia. Apesar de saber o quanto Yure era ruim, Laila o amava, e a separação está sendo difícil. Ela só está conseguindo ficar longe porque Alexia sempre está na casa dela, apoiando e fazendo as sessões das garotas que virou quase uma regra para elas, filmes, pipoca e muita música...
- Claro! Laila, estarei sempre aqui te apoiando em tudo, você sabe disso. Sei que não sou a melhor pessoa, muito menos a mais carinhosa, mas saiba que estarei de braços abertos sempre que precisar. - Laila abraça Alexia, mesmo sem gostar dessa melosidade, como ela mesma fala, retribui o abraço e se despede da amiga.
- Amiga, antes de ir, quero te entregar um presente... eu quem o fiz... espero que goste, pois fiz de todo o coração. - Alexia pega a pequena caixinha de madeira com detalhes em meia pérolas. Seus olhos brilham ao ver nele um delicado chaveiro, gravado com seu nome e as iniciais dos nomes que seriam do seu filho. Olhando para sua amiga com os olhos cheios de lágrimas, lágrimas que, como sempre, não deixará cair na frente de Laila.
- É simplesmente o presente mais lindo que já ganhei. - Ela puxa Laila para um abraço caloroso, diferente de todos que ela já deu. - Muito obrigada, Laila. Você realmente não tem ideia do quanto eu amei.
- Como fico feliz, Alexia. Saiba que te amo. Nunca saia da minha vida, por favor... - Laila fala baixinho, quase num sussurro.
- Também te amo, e olha que amo poucas pessoas.- Ela da um leve sorriso.
- Sempre me senti privilegiada por isso. Te ligo mais tarde. - E assim as duas se olham sorrindo. Alexia sai da sala e entra no elevador, enquanto Laila não vê sua amiga desaparecer atrás das grandes portas de metal. Ela não saiu do lugar.
Alexia aperta o pequeno chaveiro na mão e o leva em contato com seu peito. Ali, sozinha, encostada no espelho do elevador, ela deixa a emoção tomar conta. Seus olhos ardiam pelas lágrimas que caíam uma atrás da outra. Por alguns segundos, ela os mantém fechados. Sua memória a transporta para anos atrás. Aquele chaveiro, para ela, é muito mais do que isso...
Quando pequena, Alexia gostava de brincar sempre no quarto do pai, Mael. Entre tantas jóias e relógios valiosos, ele tinha um chaveiro com as iniciais M e A. Ele o carregava por todo lugar, nunca o deixava para trás. Mael sempre deixava claro que o valor das coisas não está em quanto custa, e sim no sentimento que está por trás delas. Ela nunca entendeu o que tinha de tão importante nele, só anos depois da sua morte, ela descobriu que eram as iniciais do seu nome com o dele. Mael mandou fazer assim que a paternidade foi confirmada. Ao ver o chaveiro que sua amiga fez com tanto carinho e tanta delicadeza nos detalhes, ela sente uma saudade imensa do seu amado pai.
- O que é isso, Alexia? Se recomponha. - Chamando sua própria atenção, ela se olha no espelho. - Nossa, filho, você está me deixando uma manteiga derretida.
Indo em direção do mesmo prédio, está Benício, um homem incrívelmente lindo e um tanto sedutor, acompanhados de 1,88m de altura, pele clara, cabelo bem cortado e um perfume que não será esquecido tão facilmente. Ele está falando no telefone com Vanusa, sua mãe e na outra mão segura um copo de café.
- Mãe, amanhã de manhã chego na cidade, vou estar levando minha noiva, então prepare o quarto por favor.
- Noiva?- Ela fala surpresa.- Desde quando você tem uma noiva, Benício?
- Mãe, não começa, estou levando ela para conhecer, não estou?
- Nossa filho, esperava mais de você.- Vanusa fala um pouco triste.
Benício foi embora estudar em Barcelona quando tinha 19 anos, hoje com 27 voltará pela primeira vez na terra natal.
- Desculpa mãe, eu sei que errei em não voltar, eu estava tentando mudar nossa vida, agora depois de tantos anos, parece que vai dar certo...
Alexia sai do consultório já calma, como se nada tivesse acontecido, e desce os inúmeros degraus, caminhando lentamente, pois seus enormes saltos estavam machucando os seus pés. Ela vai em direção ao seu carro, mas ao olhar para o chão, acaba esbarrando em alguém.
- Caramba! É cego que não olha por onde anda! - Ela fala irritada, vendo que o café do belo rapaz foi parar todo no seu sobretudo branco.
- Desculpa, mas você também não estava prestando muita atenção, nem percebeu que foi você que esbarrou em mim. - Ele fala pegando o celular que havia caido no chão. Ela para de tentar limpar a mancha quando seu olhar se encontra com o desconhecido que estragou seu humor, mas não consegue deixar de reparar que são os olhos azuis mais penetrantes que ela já viu, ele faz o mesmo como se tivesse hipnotizado, não consegue parar de admira-lo. Alexia ignora os olhares que ele lançou sobre ela, fechando a cara, fazendo ele rir. - Nossa, que brava. Chegou a me dar medo.
- Nossa o que? Não importa. - Mal prestando atenção no que ele falou, Alexia volta a si, sai sem se desculpar ou esperar pelo pedido de desculpa, apressando seus passos quando avista seu amigo ameaçando ir ao encontro deles, rindo da situação, pois ele sabe o quanto a irrita as coisas saírem fora do seu controle. Ela se aproxima dele e seu sorriso se alarga. Alexia revira os olhos, irritada por ele estar se divertindo à sua custa.
- Matheo? Ainda aqui? Já disse que pode ir descansar. - Ela fala encarando ele encostado no seu carro.
- Você sabe que eu gosto de cuidar de você. Parece que terá que trocar de roupa, o bonitão lá fez um estrago.
- Sim! E para de rir, vou no apartamento do Lucas, é aqui perto mesmo. Tenho algumas roupas lá! E não preciso que cuidem de mim, se não percebeu, já não sou mais uma criança, mas agradeço sua preocupação. Vai para casa, a Ana também precisa do namorado dela do lado. - Ela joga a chave do outro carro e ele pega. - Aproveita para comprar um buquê de flores para ela, tenho certeza de que ainda não lembrou que hoje é seu aniversário de namoro, que pra mim já é quase um casamento.
- Minha nossa, como pude esquecer?- Ele leva a mão na cabeça e coloca os dedos entre os longos fios de cabelo.- Se ela descobrir que eu esqueci, sou um homem morto.
- E com razão, acho bom comprar chocolates também, e espero de coração que não fique só nisso.- Alexia fala séria, mas com um leve sorriso nos lábios, balançando a cabeça em negação, pois todo ano ele esquece.
- Tem certeza de que não vai precisar dos meus serviços? Posso inventar uma desculpa.
- Certeza absoluta! E isso não é um pedido, é uma ordem. Não quero ver reclamações da Ana mais um ano!
- Se seu pai estivesse aqui, ele cortaria minha cabeça por aceitar ir embora.- Alexia olha para ele com o olhar vazio. Matheo, ao perceber o que falou, fica nervoso, pois sabe que falar no Mael é um assunto delicado para ela.- Desculpa, eu...
- Tudo bem, Matheo! Vai aproveitar seu dia.- Ela entra no carro e deixa ele ali se xingando mentalmente. Logo vai em direção ao estacionamento que ela tem no prédio da frente e pega um dos carros.
Colocando uma música, Alexia dirige cantarolando. Ela passa a mão na barriga, confusa e ao mesmo tempo tão feliz. Feliz, pois está entrando no 8º mês de gravidez, e seu bebê está forte e saudável. Porém, confusa, pois toda ultrassonografia mostra um sexo diferente.
Ela está esperando seu primeiro filho. Apesar de ter sido uma surpresa engravidar mesmo tomando todos os cuidados, ela se encheu de esperança. Sabendo que não irá cometer os mesmos erros do seu pai, ela espera que seu filho ou filha nasça numa família unida e amorosa.
Bom, pelo menos é isso que ela esperava acontecer.
Alexia vai para o apartamento onde passa a maior parte do tempo com seu noivo. Ela nunca é anunciada, pois é a dona do prédio em si.
No elevador, ela se olha pelo reflexo do espelho. Mesmo estando com 8 meses de gravidez, sua barriga é pequena. Ela tem as curvas muito bem desenhadas. Olhando para suas costas, nunca diriam que ela está grávida, ainda mais faltando tão pouco para dar à luz.
Assim que entra no apartamento, ela tira seus cansativos saltos. Sua digital abre facilmente a porta. Ao adentrar o local, ela ouve uns ruídos abafados que, até então, não sabia diferenciar.
Ela estranha, já que Lucas deveria estar em uma importante reunião, tanto que não pôde acompanhá-la na consulta do filho.
Caminhando em passos lentos e silenciosos, ela chega até o quarto. O que não era reconhecido segundos atrás agora passou a ser claro, os gemidos incessantes do outro lado da porta. Isso a faz pensar em como seu pai agiria. Colocando uma das mãos na parede e com a cabeça baixa, ela tenta se controlar.
- Mas que palhaçada é essa... - ela sussurra quase inaudível, suspirando fundo e regularizando sua respiração, que está acelerada.
- Duvido a senhora arrogante fazer isso. - um gemido alto de Lucas faz com que Alexia se sinta enojada. - Não sei como consegue ficar com ela. Alexia não tem vida, não tem reação, parece um robô sem brilho. - A voz feminina, que até então era desconhecida, passa a ser clara. Tratava-se da única pessoa que conhecia os pontos fracos de Alexia. - Bem que você diz, ela só presta para pagar seus luxos, e os meus.- ela ri.- mas é uma otária mesmo.
- Cala a boca e rebola gostoso... não me faz bater nesse seu rosto lindo.
- Bate... você sabe que amo apanhar...
Pensando em acabar com o show, ela age friamente e decide recuar, caminhando silenciosamente até a grande poltrona. Ela senta e fica ali, olhando para a linda vista que aquele local tem. Ela fecha os olhos por uns segundos e imagina tudo que já viveu. Sem perceber seus pensamentos criam a imagem de um homem, ela vê com perfeição o lindo sorriso do desconhecido que esbarrou nela.
- Idiota! - ela o xinga baixinho e logo espanta a visão daquele sorriso.
Longos minutos depois, ela já estava a ponto de arrombar aquela porta e matar os dois. Porém, se controla. Lucas e Dominique saem sorridentes do quarto, ambos suados. Ela está somente vestida com uma camisa branca de botões, presente que Alexia deu para Lucas, e sua minúscula calcinha. Ele está apenas de cueca branca. Abraçados como um verdadeiro casal apaixonado, ao chegarem na entrada da sala, Alexia vira a poltrona com seu semblante distante e frio. Ela abre um sorriso sem mostrar os dentes, fazendo os dois tremerem ao vê-la ali.