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Libertação Pelo Adeus

Libertação Pelo Adeus

Autor:: Germaine Blagg
Gênero: Moderno
Para salvar Isabella, vendi tudo que tínhamos. Passei meses trabalhando dia e noite, mal dormindo, para juntar o dinheiro da fiança dela. Era meu dever, como marido, tirar minha esposa da prisão, mesmo que isso custasse o pouco que nos restava. Mas a vida se tornou um inferno quando Pedro, meu filho de sete anos e prodígio da capoeira, se ofereceu para lutar em uma competição clandestina, desesperado para ajudar a mãe. "Pai, eu posso ajudar", disse ele, com uma determinação que me assustou. Ele garantiu o prêmio, um diamante valioso, mas o custo foi terrível: ele perdeu a visão para sempre. Meu universo caiu. Com a joia manchada pelo sacrifício de Pedro em minhas mãos, corri para a delegacia, pronto para libertar Isabella e contar a ela o que nosso filho havia feito. Mas a porta entreaberta do chefe de polícia revelou a verdadeira face do horror: a voz dela, misturada à de Ricardo, um empresário rico. "Foi mais fácil do que eu pensava. Aquele idiota do Miguel deve ter se matado para conseguir o dinheiro da fiança", Isabella riu. Eles tramavam não apenas se livrar de mim, mas também do meu filho. "Miguel é um empecilho. E Pedro... bem, ele nunca foi realmente parte do plano." O amor se transformou em ódio puro e cortante. Eu não seria o idiota leal que eles esperavam. Com o "Olho de Tigre" em minhas mãos, agora não mais o preço da liberdade, mas da minha vingança, eu sabia que a história deles estava apenas começando.

Introdução

Para salvar Isabella, vendi tudo que tínhamos.

Passei meses trabalhando dia e noite, mal dormindo, para juntar o dinheiro da fiança dela.

Era meu dever, como marido, tirar minha esposa da prisão, mesmo que isso custasse o pouco que nos restava.

Mas a vida se tornou um inferno quando Pedro, meu filho de sete anos e prodígio da capoeira, se ofereceu para lutar em uma competição clandestina, desesperado para ajudar a mãe.

"Pai, eu posso ajudar", disse ele, com uma determinação que me assustou.

Ele garantiu o prêmio, um diamante valioso, mas o custo foi terrível: ele perdeu a visão para sempre.

Meu universo caiu.

Com a joia manchada pelo sacrifício de Pedro em minhas mãos, corri para a delegacia, pronto para libertar Isabella e contar a ela o que nosso filho havia feito.

Mas a porta entreaberta do chefe de polícia revelou a verdadeira face do horror: a voz dela, misturada à de Ricardo, um empresário rico.

"Foi mais fácil do que eu pensava. Aquele idiota do Miguel deve ter se matado para conseguir o dinheiro da fiança", Isabella riu.

Eles tramavam não apenas se livrar de mim, mas também do meu filho.

"Miguel é um empecilho. E Pedro... bem, ele nunca foi realmente parte do plano."

O amor se transformou em ódio puro e cortante.

Eu não seria o idiota leal que eles esperavam.

Com o "Olho de Tigre" em minhas mãos, agora não mais o preço da liberdade, mas da minha vingança, eu sabia que a história deles estava apenas começando.

Capítulo 1

Para salvar minha esposa, Isabella, eu vendi tudo.

A casa em que moramos por dez anos, o carro que eu usava para levar nosso filho, Pedro, para a escola, e até as joias que ela deixou para trás.

Eu trabalhava em três empregos, dia e noite, mal dormindo, apenas para juntar o dinheiro da fiança dela.

Isabella, uma artista plástica famosa, foi presa sob uma falsa acusação de plágio.

Eu acreditava na inocência dela.

Eu acreditava que era meu dever, como marido, fazer tudo para tirá-la de lá.

Meu filho, Pedro, também sofria comigo.

Ele era um garoto de sete anos, um prodígio da capoeira, mas agora não tinha mais tempo para treinar.

Ele me via chegar em casa exausto, contava as moedas que eu conseguia juntar, e seus olhos, antes cheios de brilho, agora estavam cheios de preocupação.

Nossa vida virou um inferno, mas eu repetia para mim mesmo que tudo valeria a pena quando Isabella estivesse livre.

O chefe de polícia corrupto, um homem gordo com um sorriso ganancioso, veio à minha casa pela nonagésima nona vez.

Ele se sentou no meu sofá velho e gasto, o único móvel que restou, e me olhou com desprezo.

"Miguel, o tempo está se esgotando."

Sua voz era oleosa, nojenta.

"Eu já te dei muito tempo. A fiança é alta."

Eu juntei as mãos, implorando.

"Eu estou quase lá. Só preciso de mais um pouco de tempo."

Ele riu, um som que me revirou o estômago.

"Tempo não paga minhas contas, Miguel. Preciso de dinheiro. Uma quantia exorbitante."

Ele me disse o valor, e o ar sumiu dos meus pulmões.

Era impossível.

Eu nunca conseguiria juntar tanto dinheiro.

Eu estava no meu limite, a um passo do desespero total.

Naquela noite, Pedro me ouviu chorando na cozinha.

Ele entrou silenciosamente e me abraçou por trás.

"Pai, eu posso ajudar."

Eu sequei minhas lágrimas e me virei para ele, forçando um sorriso.

"Não se preocupe, filho. O papai vai dar um jeito."

Mas ele balançou a cabeça, seus olhos pequenos brilhando com uma determinação que me assustou.

"Eu ouvi uns caras falando de uma competição de rua. Uma luta. O prêmio é grande, pai. Um diamante."

Meu coração gelou.

"Não, Pedro. De jeito nenhum. Você é só uma criança."

"Eu sou bom na capoeira, pai. Você sabe que sou. Eu posso ganhar."

Eu o proibi. Gritei com ele. Disse que nunca o perdoaria se ele fizesse uma loucura daquelas.

Mas o desespero de um filho para salvar sua família é uma força poderosa.

Dois dias depois, recebi uma ligação.

Era de um hospital.

Pedro estava lá.

Corri como um louco, meu coração batendo na garganta.

Ele estava em uma cama, coberto de bandagens.

Ele havia participado da competição clandestina, uma luta brutal contra homens adultos.

De alguma forma, com sua agilidade e coragem, ele venceu.

Ele conseguiu o diamante, "O Olho de Tigre".

Mas o preço foi terrível.

Os médicos me disseram que os ferimentos na cabeça eram graves.

Ele perdeu a visão.

Meu filho, meu pequeno Pedro, ficou cego para sempre.

Eu segurei sua mão pequena, meu corpo tremendo de dor e culpa.

Ele me entregou a pequena caixa com o diamante, seu rosto pálido e machucado.

"Pai... agora você pode tirar a mamãe da cadeia."

Eu chorei. Chorei como nunca havia chorado na vida.

Era como se todo o sangue do meu corpo tivesse sido drenado, deixando apenas um vazio imenso e doloroso.

Eu peguei o diamante, o peso daquele sacrifício queimando na minha mão, e fui até a delegacia.

Eu ia entregar a joia ao chefe de polícia. Eu ia finalmente libertar Isabella.

Eu ia dizer a ela o que nosso filho fez por ela.

Quando cheguei, a porta da sala do chefe de polícia estava entreaberta.

Eu ouvi vozes lá dentro.

Uma delas era a de Isabella.

Meu coração acelerou. Ela já estava solta?

Mas a outra voz... era de um homem. Ricardo, um empresário rico e influente que eu conhecia dos jornais.

Eu parei, escondido no corredor, e escutei.

"Querida, finalmente livre", disse Ricardo, sua voz cheia de satisfação.

"Sim", respondeu Isabella, e o som da sua voz, tão familiar, agora parecia estranho, frio. "Foi mais fácil do que eu pensava. Aquele idiota do Miguel deve ter se matado para conseguir o dinheiro da fiança."

Ricardo riu.

"Ele é um tolo leal. Agora, só precisamos nos livrar dele e do garoto. Com eles fora do caminho, a fortuna da sua família será toda nossa."

O mundo parou.

O ar congelou nos meus pulmões.

As palavras deles ecoavam na minha cabeça, cada sílaba uma facada.

"Sim", Isabella concordou, sem um pingo de hesitação. "Miguel é um empecilho. E Pedro... bem, ele nunca foi realmente parte do plano. Quando podemos fazer isso?"

"Logo. Muito logo. Primeiro, vamos comemorar."

Eu ouvi o som de um beijo.

Um beijo longo e apaixonado.

Eu fiquei ali, paralisado, o diamante na minha mão parecendo um pedaço de gelo.

A acusação de plágio... a prisão... meu sacrifício... a cegueira do meu filho...

Tudo era uma farsa.

Uma mentira cruel e elaborada para que ela pudesse se livrar de mim e ficar com outro homem.

Eles planejavam se livrar de mim e do meu filho.

Meu filho, que sacrificou sua visão por ela.

Naquele momento, algo dentro de mim se quebrou.

O amor, a lealdade, a esperança... tudo se transformou em pó.

Em seu lugar, um ódio frio e cortante começou a crescer.

Eu olhei para o diamante na minha mão. O "Olho de Tigre".

Não. Eu não ia entregar isso a eles.

Isso não era mais o preço da liberdade dela.

Era o preço da minha vingança.

Do lado de fora, no céu noturno, uma queima de fogos começou. Alguém rico estava comemorando alguma coisa. Drones formavam palavras no céu.

Provavelmente era Ricardo, comemorando a liberdade de Isabella e o sucesso de seu plano.

Eles estavam celebrando sua nova vida.

E eu? Eu estava ali, no corredor escuro de uma delegacia corrupta, segurando o que restou da visão do meu filho.

Eu abri a caixa que Pedro me deu.

Dentro, junto com o diamante, havia um pequeno desenho.

Um desenho de mim, ele e Isabella, de mãos dadas, com um sol sorrindo acima de nós.

"Para a melhor família do mundo", ele havia escrito com sua letra de criança.

Eu desabei no chão, silenciosamente.

Comecei a rir.

Um riso baixo, quebrado, que logo se transformou em um choro silencioso e convulsivo.

Eu era um idiota.

O maior idiota do mundo.

E por minha estupidez, meu filho pagou o preço mais alto.

Capítulo 2

Eu continuei rindo e chorando no meio da rua.

As pessoas que passavam me olhavam com medo, se afastando como se eu fosse louco.

Talvez eu estivesse.

A dor era tão grande, tão avassaladora, que meu cérebro simplesmente não conseguia processar.

Meu corpo tremia incontrolavelmente.

Era o riso de um homem que perdeu tudo.

O choro de um pai que falhou em proteger seu filho.

De repente, meu celular tocou.

O nome na tela me fez parar de respirar.

Isabella.

Eu atendi, minha mão tremendo.

"Miguel? Querido, sou eu!"

A voz dela era alegre, vibrante, cheia de vida.

O som me causou uma náusea profunda.

"Onde você está? Eu estou livre! Finalmente livre! Não é maravilhoso?"

Eu não consegui responder.

Um nó se formou na minha garganta.

"Miguel? Você está aí? Por que não está dizendo nada? Não está feliz por mim?"

Feliz?

Eu queria gritar.

Queria esmagar o telefone.

Queria dizer a ela que nosso filho estava cego, que eu tinha ouvido tudo, que eu a odiava com cada fibra do meu ser.

Mas as palavras não saíam.

Apenas um silêncio pesado.

"Ah, não importa. Estou tão feliz que mal consigo pensar direito", ela continuou, alheia à minha angústia. "Estou no shopping com Ricardo. Ele é um amor, me comprou tantas coisas bonitas."

Ricardo.

Ela disse o nome dele com tanta naturalidade.

"Escuta, mal posso esperar para ver você e o Pedro. Vamos comemorar todos juntos! Estou pensando em comprar umas roupas novas para o Pedro. Ele já deve ter crescido tanto, não é?"

Minha mente se encheu de uma zombaria amarga.

Pedro.

Ela nem sabia.

Ela não fazia ideia do que tinha acontecido com ele.

"Vou comprar um conjunto para um menino de cinco anos. Acho que vai servir, né?"

Pedro tinha sete anos.

Sete.

Ela nem se lembrava da idade do próprio filho.

"Tudo bem, querido. Te vejo em casa. Mal posso esperar para te abraçar. Beijos!"

Ela desligou.

Eu fiquei parado, o telefone na mão, enquanto a realidade caía sobre mim como uma avalanche.

Eu me olhei no reflexo de uma vitrine.

Eu estava magro, com olheiras profundas, vestindo roupas velhas e sujas.

Meu cabelo estava desgrenhado, meu rosto marcado pelo cansaço e pela dor.

Lembrei-me de como eu era antes.

Um arquiteto de sucesso, sempre bem vestido, frequentando os melhores restaurantes, dirigindo um carro de luxo.

Eu tinha uma vida.

Uma vida que eu sacrifiquei por ela.

Por uma mentira.

Com uma determinação fria, comecei a andar em direção ao shopping.

Eu precisava vê-la.

Precisava ver a mulher que destruiu minha vida sorrindo e feliz, ignorante da tragédia que causou.

Entrei no shopping de luxo, um lugar que eu costumava frequentar.

Agora, os seguranças me olhavam com desconfiança, como se eu fosse um mendigo.

Eu a vi de longe.

Ela estava linda, radiante.

Usava um vestido caro, sapatos de grife, e seu cabelo estava perfeitamente arrumado.

Ela estava rindo, segurando as sacolas de compras, de braços dados com Ricardo.

Eles pareciam o casal perfeito.

Eu me aproximei.

Ela estava em uma loja infantil, olhando umas roupas.

"Acho que este aqui vai ficar ótimo no Pedro", disse ela, segurando um pequeno macacão azul.

Eu olhei a etiqueta.

Tamanho 4.

Para uma criança de quatro anos.

Meu filho tinha sete anos.

E estava cego.

A vendedora sorriu para ela.

"Seu filho vai adorar, senhora. É para qual idade?"

Isabella hesitou por um momento, a testa franzida.

"Ah... uns quatro, cinco anos. Eu não tenho certeza, faz um tempo que não o vejo."

Aquelas palavras.

A indiferença.

A negligência.

Foi a última gota.

A dor no meu peito se transformou em uma raiva gelada.

Eu sabia o que precisava fazer.

A vingança não seria rápida.

Seria lenta, dolorosa e calculada.

Eu a faria sentir um décimo da dor que eu e meu filho sentimos.

Eu a faria pagar.

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