Mônaco, Le Masque.
09/Junho/2023, 23h40.
O som que reverbera pelas paredes de veludo é um dark progressivo denso, com batidas que não se ouve, se sente no plexo solar. Mas o que faz meu sangue latejar não é a música. É a antecipação.
Desço a escada em caracol sentindo o cheiro de luxo, suor e segredos que só um lugar como o Le Masque consegue esconder. Ajusto a minha máscara de cetim preto. Ela me dá o anonimato que eu preciso para ser o canalha que o mundo dos negócios não me permite ser abertamente.
O salão se abre diante de mim, um mar de corpos mascarados e luxúria contida. Mas meus olhos, treinados para detectar o que é valioso, ignoram o mármore e o cristal. Eles travam nela.
Lá está ela. Possuindo aquela pista. Sozinha.
O suor faz o cabelo escuro grudar na nuca de um jeito que me dá vontade de passar os dedos ali e puxar, só para ver se ela me enfrentaria com a mesma audácia com que encara o vazio.
O vestido de lantejoulas prateadas parece metal líquido que abraça suas curvas e o decote em V é um convite perigoso, mas são as costas nuas, descendo até aquela cintura insultuosamente estreita, que me fazem travar o maxilar.
Himmel, Arsch!... aquela bunda. Arredondada, firme, um monumento à tentação que se move com uma cadência que me faz esquecer como se respira. É uma silhueta escultural, poderosa, que grita que ela é dona de si mesma.
Observo de longe, encostado a uma coluna, com os braços cruzados e um sorriso cínico que a máscara esconde. Vejo um idiota tentar a sorte. Ela o descarta com um gesto seco, sem nem perder o ritmo.
Atrevida. Gosto disso.
Adoro mulheres que sabem dizer "não", porque torna o "sim" muito mais saboroso.
Ela dança para si mesma, sem pedir permissão, sem buscar olhares. E é exatamente essa independência que me irrita e me atrai como um imã. Sinto o calor subir pelo meu pescoço.
Quero ver o que acontece com essa pose de intocável quando eu decidir que o tempo dela de dançar sozinha acabou. Afasto a máscara apenas para ajustar o foco, sem desviar os olhos do corpo por um segundo sequer. Não avanço.
Ainda não.
Sou um estrategista, e estou saboreando o momento antes do ataque.
Permaneço ali, no limite entre a sombra e a luz da pista, sentindo o desejo estalar como eletricidade. Ela ainda não me viu, mas eu já decidi: hoje à noite, ela vai descobrir que encontrou alguém tão implacável quanto.
Mantenho meu copo de whisky em uma mão, sentindo o frio do cristal contra a palma, enquanto a outra repousa no bolso da calça do meu terno sob medida. A máscara de cetim aperta levemente as têmporas, mas o leve desconforto me mantém focado. Meus olhos não saem dela.
O modo como os quadris se movem, uma fluidez que não parece vir de esforço, mas de instinto, desequilibra a ordem desse salão. As lantejoulas desenham a curva da sua bunda a cada passo lateral, e eu me pego apertando o copo com mais força do que o necessário.
Um homem de máscara dourada tenta se aproximar, tocando seu braço. Vejo a rapidez do seu reflexo. Ela não recua como uma vítima; ela se esquiva como uma predadora que não quer ser incomodada. O modo como mal olha para ele, mantendo o queixo erguido e os olhos perdidos na própria dança, faz meu maxilar travar.
Atrevida.
Ela termina um movimento, girando o corpo, e por um milésimo de segundo, o olhar varre a penumbra onde eu estou. Eu não me movo. Não recuo para as sombras. Deixo que ela sinta o peso do meu escrutínio. Quero que ela saiba que está sendo caçada, não por um amador, mas por alguém que entende exatamente o que essa sua autoconfiança esconde.
Tomo um gole do whisky, o líquido queimando a garganta e alimentando o fogo que começou a arder no meu baixo ventre desde que a vi. Sua respiração parece mais pesada agora, o peito subindo e descendo sob o decote profundo, e eu me pego acendendo por dentro se é pelo cansaço da dança ou se ela finalmente percebeu que a temperatura ao seu redor subiu alguns graus por minha causa.
Largo o copo em uma mesa lateral, sem desviar os olhos da sua nuca. Dou o primeiro passo para fora da proteção da coluna. O som do meu sapato de couro no chão de mármore é engolido pela batida, mas eu sei que ela vai sentir minha aproximação. A distância entre nós encurta.
Cinco metros.
Três.
Paro exatamente atrás dela, perto o suficiente para que o calor do meu corpo invada o seu espaço pessoal, mas sem tocar. O cheiro da sua pele, algo doce misturado ao sal do suor, me atinge como um soco.
"É um desperdício de talento dançar sozinha em um lugar onde todos matariam por um segundo da sua atenção", digo, minha voz saindo baixa, um barítono que vibra rente ao seu ouvido, cortando o som do clube. "Ou talvez você só não tenha encontrado alguém à altura do seu ritmo."
Inclino levemente a cabeça, observando de perto como a luz do clube atinge a linha da sua mandíbula. Estou esperando. Quero ver se ela vai fugir, se vai se curvar ou se vai ter a petulância de me enfrentar como eu espero que faça.
"Bonita a frase. Estava ensaiando na frente do espelho ou saiu natural?", ela diz e simplesmente sai dançando sem nem se preocupar se eu ouvi.
Um sorriso lento e perigoso surge nos meus lábios, e mesmo oculto pela máscara, meus olhos não escondem o brilho de puro deleite diante desse coice.
Ela é insolente. Eu deveria estar irritado por ser ignorado enquanto ela continua a se mover, mas a indiferença é o combustível mais potente que ela poderia ter jogado no meu fogo.
Dou mais um passo, reduzindo a distância a quase nada. Sinto o calor que emana da sua pele, o rastro de suor que brilha suavemente nas suas costas nuas, e o desejo de passar a língua por aquela curva pecaminosa me atinge como um soco no estômago. Mantenho as mãos nos bolsos, mas meus dedos se fecham em punhos, lutando contra o impulso de segurar sua cintura e interromper esse movimento que ela usa para me desdenhar.
"Saiu tão natural quanto a sua necessidade de fingir que a minha presença não te afeta", respondo, minha voz agora um sussurro rouco, quase fundindo-se à batida grave da música. "O espelho é para os narcisistas. Eu prefiro observar o real. E o que eu vejo aqui é uma mulher que usa o sarcasmo como escudo porque sabe que, se parar de dançar, não vai conseguir desviar o olhar do meu por mais de dois segundos."
Eu não recuo. Pelo contrário, inclino-me um pouco mais, deixando que minha respiração atinja a pele sensível logo abaixo da sua orelha, onde o cabelo está preso. Consigo ver os pequenos pelos do seu braço se arrepiando.
"Continue dançando", provoco, o tom carregado de uma autoridade sombria. "Adoro ver como você tenta manter o controle enquanto eu invado o seu espaço. Mas cuidado... no meu mundo, quem desafia o predador acaba aprendendo a gostar da caça."
Mantenho meu olhar fixo no perfil do seu rosto, esperando a próxima faísca. Ela não é como as mulheres da Renânia que baixam os olhos diante do meu sobrenome. Ela é o caos em lantejoulas prateadas, e eu estou começando a achar que domá-la vai ser o ponto alto da minha estadia em Mônaco.
"Pode ficar com a pista pra você."
Observo o movimento fluido e decidido com que ela se afasta, deixando-me para trás com uma frase curta que carrega mais desdém do que qualquer insulto direto. O modo como seus quadris balançam sob o brilho prateado do vestido enquanto ela caminha em direção ao bar é uma afronta que faz meu sangue circular mais rápido.
Maldita petulância.
Eu deveria simplesmente deixá-la ir e buscar alguém que saiba apreciar a hierarquia natural deste lugar. Mas o controle, para mim, é um vício, e ela acabou de chutar a porta da minha zona de conforto. Sigo seus passos, mantendo uma distância que me permite apreciar a linha impecável das suas costas, até que ela se encosta no balcão e faz o seu pedido.
Paro ao seu lado, invadindo seu espaço pessoal com uma proximidade que a maioria das pessoas consideraria intimidante. Não me sento. Fico de pé, a mão esquerda no bolso da calça, observando o barman preparar a bebida.
"Um Mojito?", minha voz sai baixa, carregada de um sarcasmo cortante. "Esperava que alguém com essa postura de quem é dona do mundo escolhesse algo com mais personalidade. Ou talvez o açúcar seja apenas um contraste necessário para esse seu temperamento... ácido."
Faço um sinal quase imperceptível para o barman, indicando que a conta é minha, sem desviar os olhos dela por um segundo sequer. Analiso a forma como segura o copo, a força nos seus dedos, a sua respiração que, apesar da pose, parece um pouco mais acelerada agora.
"Fugir da pista não vai fazer eu me interessar menos pelo que você está tentando esconder atrás desse seu ar de superioridade", continuo, inclinando-me levemente em sua direção.
O cheiro da sua pele agora é mais nítido, misturado à hortelã da bebida, e isso me irrita profundamente porque eu quero mais do que apenas o cheiro.
"Diga-me... você costuma dar as costas para tudo o que te desafia ou eu sou o primeiro homem aqui que conseguiu te deixar sem palavras?", observo o modo ela pega o copo de drink e como seus lábios envolvem o canudo, a sucção leve, o movimento da garganta enquanto engole... cada detalhe é uma provocação visual que ela finge não estar fazendo.
Ela inclina a cabeça, apenas o suficiente para me enquadrar na sua visão, o descaso na sua voz é quase palpável.
"Aquilo era um desafio? Desculpe, eu não percebi."
A audácia dessa mulher é um insulto delicioso. "Eu não percebi."
Solto uma risada curta, sem nenhum humor, apenas a constatação de que encontrei exatamente o que não sabia que estava procurando: um problema à minha altura.
Reduzo o espaço entre nós até que o meu terno toque levemente a lateral do seu braço. Sinto o calor que emana dela, um contraste violento com a frieza do mármore do bar.
"Não precisa mentir para mim. Seus olhos dizem o contrário enquanto você mede a distância exata para me manter por perto", respondo, minha voz descendo um tom, tornando-se uma vibração grave que sei que ela sente na pele. "E sim, foi um desafio. Mas se você não percebeu, é sinal de que preciso ser menos sutil. Eu não gosto de desperdiçar tempo com sutilezas quando o que eu quero está bem na minha frente."
Levo minha mão ao balcão, perto do seu copo, mas sem tocá-la. Meus olhos fixam-se nos dela através das
máscaras, uma conexão que parece queimar o oxigênio entre nós.
"Você tem essa pose de quem não se impressiona com nada, mas sua pulsação aqui..." estendo o indicador e, com uma audácia calculada, toco a base do seu pescoço por apenas um segundo, sentindo a batida acelerada do seu sangue contra a ponta do meu dedo antes de afastar a mão "...diz que você está bem ciente de cada centímetro que eu avanço."
Aperto o maxilar, lutando contra o impulso de segurar seu queixo e forçá-la a encarar a intensidade do que estou sentindo.
"Me diz uma coisa: você costuma ser tão teimosa ou só está tentando ver até onde vai a minha paciência? Porque eu garanto... eu tenho toda a noite, e paciência é uma virtude que eu só exerço quando o prêmio vale o esforço."
"E eu sou um prêmio que vale o esforço?" O movimento que ela faz, virando-se de frente para mim pela primeira vez, é a confirmação de que o jogo finalmente começou.
╰┈➤ Glossário:
Himmel, Arsch! - Puta Que o Pariu!
Ela não vacila. Gosto disso. A maioria das pessoas desvia o olhar quando eu decido focar toda a minha atenção nelas, mas ela sustenta o escrutínio como se estivesse acostumada a lidar com feras muito piores do que eu.
Meus olhos percorrem seu rosto, descendo pela linha da mandíbula até travarem nos seus. A luz do bar reflete nas lantejoulas do vestido, jogando faíscas prateadas contra a minha pele, mas é o brilho de desafio nas suas pupilas que realmente me prende.
"Essa é uma pergunta perigosa para se fazer a um homem como eu" respondo, minha voz baixando para um tom perigosamente suave, enquanto reduzo os últimos centímetros que nos separam. "Porque se eu responder que sim, você não terá mais para onde fugir. E eu não sou o tipo de homem que coleciona troféus de participação."
Levo minha mão livre ao balcão, cercando e prendendo-a entre o mármore e o meu corpo, sem chegar a tocar sua pele, mas deixando que ela sinta o calor emanando do meu peito. Sinto o cheiro do seu hálito com toque de hortelã e a fragrância floral que sobe do seu pescoço.
"Você tem essa pose de quem é inalcançável, mas aqui, sob essas luzes..." Analiso cada microexpressão, procurando a menor rachadura na sua armadura de autoconfiança. "Vejo que você é feita de carne, osso e uma audácia que me dá vontade de descobrir exatamente o que acontece quando alguém finalmente te faz perder o fôlego."
Aperto o maxilar, a possessividade rugindo dentro de mim. Maldita mulher. Ela me olha como se eu fosse apenas mais um, e isso me deixa possesso e fascinado ao mesmo tempo.
"Quer saber se vale o esforço?" Inclino o rosto, meus lábios a milímetros dos seus, sentindo a sua respiração se chocar contra a minha.
"Eu ainda não decidi se você é um prêmio... ou uma punição que eu estou disposto a aceitar. Mas uma coisa eu garanto: eu nunca começo um jogo que não pretendo vencer. E agora que você se virou de frente, o tabuleiro é meu."
Minha mão sobe, meus dedos roçando de leve, quase como um acidente, na mecha de cabelo que cai perto do rosto, apenas para sentir a textura da sua pele.
"O que você vai fazer agora, Liebling? Beber seu drink e fugir de novo, ou vai me mostrar se esse seu olhar de fogo sustenta o incêndio que você acabou de começar?"
O modo como ela me encara, sem vacilar, enquanto desliza o canudo entre os lábios e bebe o drink com uma lentidão calculada, é uma declaração de guerra. Ela sabe exatamente o que está fazendo. Cada centímetro da sua postura grita que ela não tem medo do fogo, e eu estou começando a queimar. Sinto o meu pulso latejar sob o punho da camisa branca. O contraste entre a insolência dela e a elegância desse lugar me deixa possesso. Eu deveria me afastar, mas o cheiro da pele dela e esse olhar que me mede de cima a baixo me prendem aqui mais do que qualquer contrato de bilhões de euros.
"Você gosta de brincar com o perigo, não gosta?" Minha voz é um rosnado baixo, quase abafado pela música que pulsa ao redor.
Reduzo a distância até que meu peito quase roce no dela. Minha mão sobe, lenta, e eu envolvo o seu pescoço com os dedos, sem apertar, apenas deixando que ela sinta o calor da minha palma contra a sua pele. Meu polegar repousa exatamente sobre a sua carótida, sentindo o ritmo do seu coração.
"Um prêmio?" Repito a sua pergunta, inclinando o rosto até que minha boca fique a milímetros da sua orelha, onde o calor é mais intenso. "Prêmios são expostos em prateleiras, meine Liebe. Eu prefiro o que é selvagem, o que não se deixa capturar facilmente. Mas não se engane... eu não tenho o hábito de perder o que decido que é meu."
Aperto levemente os dedos, sentindo a textura macia da sua pele contra a minha mão, e volto a olhar diretamente nos seus olhos, a uma distância perigosa.
"Você está me dando o seu melhor olhar de 'não me importo', mas o seu corpo está me dizendo algo completamente diferente." Meus olhos descem para a sua boca, umedecida pelo mojito, e o meu autocontrole range como metal retorcido.
"Me diz... o que acontece se eu decidir que a brincadeira acabou e que eu quero saber o gosto dessa sua boca atrevida agora mesmo? Você continuaria bebendo esse drink com tanta calma ou admitiria que finalmente encontrou alguém que pode te tirar do sério?"
Ela desvia o olhar para a minha boca e depois para meus olhos, com uma lentidão torturante.
"Por que você não tenta e descobre?"
Sinto meu sangue entrar em ebulição. Ela não está apenas jogando; ela está derramando gasolina no incêndio e me entregando o fósforo com um sorriso no rosto.
Verfluchte!
Eu solto um riso baixo, quase um rosnado, que reverbera contra a pele dela. Meus dedos, que já cercavam o seu pescoço, deslizam para cima, emoldurando o seu rosto com uma firmeza que não admite fuga. Meu polegar pressiona levemente o seu lábio inferior, sentindo a umidade do drink que ela acabou de tomar e a maciez insultuosa da sua boca.
"Você não faz ideia do erro que acabou de cometer ao me dar essa permissão" sussurro, minha voz agora uma ameaça sombria e carregada de desejo. "Eu não sou um homem de 'tentar', querida. Eu sou um homem de resultados. E quando eu decido descobrir algo, eu vou até o fim, até que não sobre um único segredo guardado sob essa sua pose de mulher inabalável."
Reduzo a distância final. O calor entre nossos corpos é sufocante, uma barreira de eletricidade que reverbera a cada respiração compartilhada. Meus olhos descem para a sua boca novamente como alguém que está prestes a tomar o que lhe foi oferecido.
"Se eu começar, não vou parar até que você esqueça o próprio nome e implore para que eu não te solte nunca mais" digo, sentindo o perfume do seu hálito de hortelã misturado à luxúria que emana dela. "Ainda quer que eu tente, ou sua coragem acaba onde o meu domínio começa?"
Não espero por uma resposta verbal. Inclino a cabeça, meus lábios roçando os dela em um contato milimétrico, apenas uma promessa do que está por vir, sentindo a sua respiração travar contra a minha. Quero sentir a sua rendição, quero sentir o momento exato em que esse seu olhar de fogo se transforma em pura necessidade.
Ela me encara, imóvel, como se estivesse me desafiando a dar o passo final para o abismo.
Roço meus lábios nos dela com a leveza de uma pluma, mas a intenção por trás do gesto é pesada como chumbo. Sinto a textura macia da sua boca, o calor úmido que escapa entre seus dentes e o leve tremor da sua respiração que agora se funde à minha. Meu polegar, ainda pressionando seu lábio inferior, desliza para dentro da sua boca apenas o suficiente para sentir a ponta da sua língua.
"Você é muito boa nisso..." sussurro, minha voz saindo tão grave que sinto meu próprio peito vibrar contra o dela. "Mas eu não aceito empates, e essa sua imobilidade está prestes a desmoronar."
Não aguento mais essa distância insultuosa. Minha mão, que emoldurava seu rosto, desliza para a sua nuca, os dedos se enroscando no seu cabelo com uma força possessiva. Eu puxo sua cabeça levemente para trás, forçando-a a expor a curva do pescoço enquanto mantenho nossos olhos travados.
"Eu disse que não sou um homem de tentar" digo, as palavras roçando a sua boca antes de eu finalmente acabar com o espaço entre nós.
Então eu a beijo.
Não é um beijo cortês de Mônaco. É um beijo de Düsseldorf, frio na estratégia, mas incandescente na execução. Minha língua invade a sua boca com uma autoridade que não pede licença, reivindicando o território como se eu tivesse sido dono dele a vida inteira. Quero sentir o gosto do mojito, da hortelã e da resistência dela se transformando em rendição.
Eu esperava resistência, talvez um jogo de gato e rato mais longo, mas o modo como ela me devolve o beijo, com uma fome que rivaliza com a minha, é como um curto-circuito no meu sistema de controle.
Minha mente explode quando sinto a sua resposta.
Minha outra mão desce do balcão e aperta sua cintura, puxando ela contra o meu terno, querendo que ela sinta cada músculo tenso do meu corpo, querendo que ela saiba que, a partir deste momento, as regras do jogo mudaram. E eu sou quem dá as cartas.
Nossas línguas se encontram em uma batalha de domínio onde nenhum de nós parece disposto a ceder um centímetro. O gosto do mojito e da hortelã agora é apenas um detalhe sob o calor avassalador da sua boca.
Sinto o meu autocontrole se estilhaçar como cristal sob pressão. Eu a aperto contra o balcão, minhas mãos agindo por puro instinto possessivo; uma delas se enterra no seu cabelo, puxando levemente para manter o ângulo do beijo, enquanto a outra desce pela curva das suas costas, sentindo o relevo das lantejoulas até parar na base da sua coluna, prensando corpo dela contra o meu de forma que ela sinta cada centímetro da minha urgência.
O som ao redor desaparece. Não há mais música, não há mais multidão. Existe apenas a pressão dos nossos lábios e a audácia dessa entrega que me deixa possesso. Ela não beija como quem quer ser conquistada; ela beija como quem está tomando o que quer.
Gott im Himmel... essa mulher é um perigo público.
Eu me afasto apenas um centímetro, o suficiente para recuperar o oxigênio, mas sem soltar o seu rosto. Minha respiração está pesada, errática, e meus olhos fixaram nos dela, escuros de puro desejo. O batom está borrado, e o brilho de desafio no olhar dela agora está misturado com uma luxúria que eu pretendo explorar até o fim.
"Você não faz ideia do que acabou de despertar" sussurro contra os seus lábios, minha voz saindo como um rosnado baixo e rouco. "Hoje vim aqui apenas para observar, mas agora eu só consigo pensar em como essa pista de dança se tornou pequena demais para o que eu quero fazer com você."
Minha mão se fecha na nuca dela com uma firmeza soberana, uma reivindicação silenciosa que não aceita objeções. Lanço um olhar rápido para o corredor lateral, onde as cortinas de veludo negro escondem os camarotes privados do Le Masque.
"Não vamos resolver isso aqui no balcão, à vista de todos" digo, deslizando minha mão do cabelo para segurar seu pulso, puxando-a levemente para mim. "Existe uma área reservada no andar superior. Veludo, sombras e a discrição que essa sua boca atrevida exige para ser devidamente silenciada."
Meus olhos descem para o decote e voltam para os olhos dela, carregados de uma promessa sombria.
"Venha comigo. Agora. Quero ver se você continua sendo tão corajosa quando não houver nenhuma platéia."
╰┈➤ Glossário:
Liebling - Querida
Meine Liebe - Meu Amor
Verfluchte - Filha da Puta
Gott im Himmel - Deus do Céu
Esse sorriso que ela deu... essa curva cínica e carregada de promessas nos lábios dela é a resposta mais perigosa que ela poderia me dar. É um xeque-mate silencioso, e eu sinto uma descarga de adrenalina percorrer minha espinha como se eu estivesse fechando o maior contrato da minha vida sob risco total.
Não espero por uma confirmação verbal. Eu não preciso dela. O modo como ela me olha, com esse brilho debochado e quente por trás da máscara, é a única autorização que eu pretendo levar em conta.
Seguro sua mão com uma firmeza possessiva, entrelaçando meus dedos nos dela e começo a guiá-la para longe do balcão. O barman mal termina de limpar o mármore quando eu a puxo em direção às sombras. Atravessamos a lateral da pista, meu corpo abrindo caminho entre os outros mascarados como se eu fosse o dono deste lugar, e, naquele momento, eu me sinto exatamente assim.
Subimos os degraus de mármore escuro que levam ao segundo nível, onde a luz neon é substituída por um âmbar difuso e pecaminoso. O som do clube chega aqui em cima como uma pulsação abafada, um batimento cardíaco constante que dita o ritmo da minha urgência.
Paro diante de uma pesada cortina de veludo negro. Antes de abrir, eu a prenso contra a parede de pedra fria do corredor, cercando seu corpo com o meu. Minha mão livre sobe para o seu rosto, o polegar pressionando sua bochecha com uma força contida.
"Você acha que isso é um jogo engraçado, não é?" sussurro, meu rosto a milímetros do dela, meu hálito quente contra a sua pele. "Pois saiba que eu não sou de brincar. Quando entrarmos por aquela cortina, o mundo lá fora deixa de existir. Só vai sobrar você, eu e o que eu pretendo fazer com esse seu sorriso."
Puxo a cortina, revelando o camarote privado: um refúgio de sofisticação sombria, com poltronas de couro capitonê, luzes baixas e uma garrafa de champagne Cristal intocada no balde de gelo. Entro com ela e fecho a cortina atrás de nós, mergulhando o ambiente em uma penumbra cúmplice.
Solto sua mão e caminho até o centro do pequeno espaço, tirando a minha máscara e jogando-a sobre a mesa, revelando meu rosto, meu maxilar travado e o olhar fixo nela, agora totalmente sem filtros.
"Tire a máscara" ordeno, minha voz rouca, carregada de uma autoridade que não admite réplicas. "Quero ver cada detalhe da sua expressão quando eu finalmente te colocar no lugar onde você pertence."
O silêncio no camarote se torna denso, quase sólido, enquanto observo o movimento dos seus dedos desatando o nó da máscara. É uma tortura lenta, uma execução calculada da minha paciência, e eu não desvio o olhar por um segundo sequer.
Quando a máscara finalmente cai e ela revela o rosto, sinto o ar faltar nos meus pulmões por um milésimo de segundo, uma falha no meu sistema nervoso que eu não permito que transpareça.
Verdammt!. Ela é um soco no estômago.
Os traços têm uma harmonia selvagem, uma beleza que não é estática como as estátuas que coleciono, mas vibrante, insolente. Seus olhos sustentam os meus com uma intensidade que beira a agressividade, e essa boca... agora que posso vê-la sem o filtro da máscara, ela parece ainda mais um convite ao desastre.
Ela é exatamente o tipo de problema que eu deveria evitar se quisesse manter a minha sanidade, mas a verdade é que nunca me senti tão vivo.
Dou um passo à frente, fechando a distância até que o calor do corpo dela comece a aquecer o tecido do meu colete. Minha mão sobe, lenta, e eu toco a sua mandíbula com as costas dos dedos, traçando o contorno do seu rosto com uma possessividade que não tento mais esconder.
"Você é um insulto à minha lógica" sussurro, minha voz saindo carregada de um desejo que beira a raiva. "Eu passei a noite tentando decifrar o que havia por trás daquela máscara, e agora que vejo... percebo que o perigo é muito maior do que eu projetei."
Aperto levemente o seu queixo, forçando-a a erguer um pouco mais o rosto. Meus olhos descem para a sua boca e voltam para os seus olhos, agora com uma fixação predatória.
"O que você faz comigo com apenas um olhar é algo que eu vou te fazer pagar caro, morena. Ninguém entra no meu radar e sai ilesa. Especialmente não com esse sorriso que diz que você sabe exatamente o poder que tem."
Inclino-me, deixando meu hálito quente roçar a pele dela antes de falar rente ao seu ouvido:
"Agora que não temos mais nada entre nós... o que te impede de admitir que você me quer tanto quanto eu quero destruir essa sua pose de mulher inabalável?"
"Nada me impede."
Sinto um tremor percorrer meus músculos, uma tensão que não é de hesitação, mas de pura prontidão. Esse 'nada me impede', sussurrado com essa proximidade insultuosa, é o xeque-mate que eu estava esperando.
A temperatura no camarote parece subir dez graus em um segundo. O calor da respiração dela contra a minha pele atua como um rastilho de pólvora, e eu sou o barril de explosivos pronto para detonar.
"Ótimo" respondo, minha voz agora nada mais do que um rosnado baixo e possessivo. "Adoro quando não há obstáculos entre o que eu quero e o que eu pego."
Minha mão, que antes apenas tocava seu rosto, agora se fecha com mais força na nuca, os dedos se enroscando no cabelo dela enquanto eu a puxo para mais perto, eliminando qualquer espaço que ainda pudesse existir entre nós. Sinto a pressão dos seios contra o meu peito, a batida acelerada do seu coração fundindo-se à minha.
Eu não espero mais. Não há mais necessidade de palavras ou jogos mentais.
Ataco sua boca com uma sede que me assusta. É um beijo faminto, urgente, onde minha língua não pede permissão, ela invade, domina e reivindica. Minha outra mão desce com força para a sua cintura, apertando a carne macia sob o tecido prateado, puxando quadril dela contra o meu com uma agressividade que deixa claro exatamente o quanto ela me deixou fora de controle.
Eu a guio em direção ao sofá de couro capitonê, sem interromper o beijo, sentindo o gosto metálico da luxúria e o doce do drink. Empurro levemente até que os joelhos dela toquem a borda do estofado e ela se sente, mas eu não me afasto. Fico entre suas pernas, minhas mãos agora subindo pelas suas coxas, sentindo a textura fria das lantejoulas e o calor absurdo da pele dela logo abaixo.
"Você queria descobrir se valia o esforço?" pergunto entre beijos vorazes no seu pescoço, minha boca descendo para a linha do decote enquanto minhas mãos começam a subir o vestido. "Agora você vai descobrir que eu sou o pior tipo de vício que você já experimentou, morena."
Mordo levemente a pele macia do seu ombro, deixando uma marca que será a minha assinatura nesta noite.
"Me diz..." sussurro, minha voz vibrando contra o seu colo. "O que essa sua boca atrevida vai pedir quando eu finalmente perder o resto da minha civilidade com você?"
"Vai pedir mais."
A música do clube lá fora parece apenas um eco distante, uma batida abafada que empalidece diante do som do sussurro 'Vai pedir mais' e sua respiração curta. Meus dedos sobem mais pela sua coxa, até que eu decido que já esperei demais.
"Peça" ordeno, minha voz carregada de uma autoridade sombria, enquanto mordo o lóbulo da sua orelha com uma força que beira o castigo. "Peça com todas as letras o que você quer que eu faça com essa sua boca atrevida antes de eu perder o juízo de vez."
Com um movimento decidido e brusco, puxo o tecido do vestido para cima, querendo sentir a barreira da lingerie dela antes de removê-la. Mas minha mão para no ar e meu coração dá um solavanco violento contra as costelas quando a seda sobe.
Meus olhos se fixam no que acabei de revelar.
Nada. Não há seda, não há renda, não há barreira alguma.
Ela está completamente nua sob o vestido. A visão da pele impecavelmente depilada, revelando apenas um traço estreito e provocante de pelos escuros na região pubiana, é o golpe final na minha sanidade.
O contraste daquela vulnerabilidade despudorada com a pose de mulher inabalável me deixa possesso. Ela veio para este clube pronta para o caos, e o caos sou eu.
╰┈➤ Glossário:
Verdammt - Merda