"Feliz aniversário, Sheila! Hora de sair da cama!", meu irmão Cauã exclamou gritando no meu ouvido, reclamei e cobri a cabeça com o travesseiro, tentando evitá-lo.
"Fora daqui! Estou tentando dormir!" Gritei usando o travesseiro como escudo, embora tinha certeza de que não dava para escutar muito bem.
"Bem, se você não sair da cama agora por sua conta, vamos obrigá-la a fazê-lo, tem certeza de que prefere isso?", o mais velho dos trigêmeos, Guilherme, perguntou em um tom de voz brincalhão. Ao invés de responder, virei a cabeça para o outro lado.
"Bem, Sheila, você não nos deixou outra opção", disse Wagner, o mais novo; antes que o silêncio tomasse conta do ambiente, o que me fez desconfiar de suas intenções. Quando estava prestes a verificar o que eles estavam tramando, já estava no chão com três imbecis enormes sobre mim. Me sentindo esmagada, reclamei.
"Por que vocês são tão idiotas?", eu gritei e eles finalmente se afastaram de mim. Na verdade, não era bem o que eu queria dizer, nunca poderia, mesmo sendo muito tolos, eles são os melhores irmãos que alguém poderia pedir.
"É porque amamos você!" Guilherme cantou bem alto, apoiado nos cotovelos, olhando para mim com um sorriso brincalhão. E sim, ele deveria ser o mais maduro. Pois bem, não parecia.
"Levante-se agora, teremos aula daqui a pouco, e mamãe preparou um café da manhã surpresa para você, para celebrar seu aniversário", disse ele. Olhei para eles como se fossem bobos (embora realmente eram), pois acreditavam que com aquela 'notícia' iriam me convencer a levantar.
"Não posso ficar em casa? É o meu último dia de qualquer maneira, então qual é o problema?" Perguntei mordendo o lábio, tentando não rir, os três usavam chapéus coloridos de festa.
Passado um tempo, eles conseguiram me convencer, na verdade demorou muito, e incluiu um suborno envolvendo biscoitos oreo, levantei-me devagar antes de ir ao banheiro e tomar um banho rápido, assim que terminei, saí e me vesti. Fui ao espelho para ver como estava minha roupa, sempre usava roupas simples. Coloquei uma camisa preta, um jeans e tênis azul escuro. Eu não perdia tempo de me vestir bem para ir à escola, por que faria isso, com qual objetivo?
Fiz um rabo de cavalo alto, não perdi tempo com maquiagem, não uso nada disso, certas meninas gostam de usar, mas eu não sou uma delas, não me agrada, não gosto da 'sensação' desses produtos no meu rosto. Uma vez que estava satisfeita com a minha aparência, desci as escadas, porém, naquele momento, senti alguém me segurar e me apertar contra o peito, olhei para cima e vi que era Guilherme, logo foi a vez de Cauã e, finalmente, a vez de Wagner, quando me libertaram, eu estava ofegante precisando de ar.
Achei que eles estavam tentando acabar com minha vida.
Eu realmente os amo com todo meu coração e alma, e tenho certeza que eles também me amam, mas algumas vezes eles esquecem que são mais fortes do que eu. Meu café da manhã surpresa foi panquecas de chocolate, que gostoso. Wagner tentou roubar algo do meu prato, o que quase me fez esfaquear sua mão por duas vezes.
Ninguém mais tocou na minha comida.
Depois de terminar meu delicioso café da manhã, subi para pegar minha mochila e o caderno com o dever de casa, que tinha esquecido de guardar. Uma vez que controlei e vi que não faltava mais nada, desci de novo, me despedi dos meus pais antes de entrar no carro com os meus irmãos. A viagem foi silenciosa, enquanto eu lia um dos meus livros preferidos, Wagner e Cauã faziam algo nos seus celulares e Guilherme dirigia.
Sinceramente, estava muito feliz de afastar-me durante um ano dali, por algum motivo, no meu colégio eles estavam muito atrasados, gostavam de incomodar os 'nerds', ou seja, as pessoas com as melhores notas, que era praticamente só eu. Também tinham os 'geeks', aqueles que se vestem com roupas de super-heróis, a maioria usa óculos e amam tudo que tem a ver com tecnologia e videogames, eles também costumam tirar boas notas. No entanto, todos eles me rotularam como 'nerd', estúpidos rótulos. Eles me incomodavam muito, porém, o que poderia fazer contra isso? Talvez eu deveria me defender? Sim, mas há um problema nisso.
Kim Oliveira.
Ele é o idiota comum, o bonito jogador de futebol, e era o grande motivo pelo qual a minha vida na escola era um inferno. Obviamente, em alguns momentos, eu gostaria de poder tirar aquele sorriso presunçoso do rosto dele, mas então me lembro que ele é o futuro Alfa, não posso enfrentá-lo; aparentemente as pessoas gostam de me chamar de 'Sheila, a Nerd'.
Isso nem sequer rima!
Mesmo assim, fiquei repetindo para mim mesma que aquele seria meu último dia naquele lugar, por um longo período, enfim, me livraria deles.
Do lado de fora da escola, olhei em volta e percebi que todos estavam andando e conversando com seus amigos, pelo menos eu sabia que tinha algumas pessoas esperando por mim lá, elas tornavam o estar naquele lugar horrível menos doloroso para mim. Eu e meu irmão saímos do carro.
"O que estão fazendo?" Perguntei quando eles pararam na minha frente, cruzando os braços sobre o peito, tentando me intimidar. Antes de prestar atenção neles, revirei os olhos.
"Como você fez dezesseis anos e já pode conseguir o seu parceiro, queremos conversar sobre certas coisas com você. Em primeiro lugar, quando o encontrar, não permitirá que ele deixe marcas em você. Em segundo lugar, se você sentir dor, ligue para nós imediatamente. Não finja ser forte, basta nos ligar e chegaremos o mais rápido possível, enfim, tiraremos você daqui e pegaremos a estrada logo em seguida, entendeu?"
"Sim, papais. Adeus!" Gritei de volta para eles como resposta; caminhando em direção à entrada da escola, os vi indo embora e naquele momento, me senti um pouco nervosa, engoli em seco ao sentir os olhares que as pessoas me dirigiam. Eu não conseguia me concentrar nesses olhares, pois apenas um pensamento continuava passando pela minha cabeça.
'Espero não encontrar com meu parceiro hoje.'
Assim que cheguei ao jardim, abaixei a cabeça e comecei a caminhar em direção à frente da escola, minha família não sabia o que acontecia quando me deixavam neste lugar, não poderia contar para eles, nunca, precisava lidar com isso sozinha. Embora, não estivesse completamente sozinha aqui.
Quando estava prestes a subir a escada da entrada, escutei alguém me chamar pelo nome, imediatamente olhei a minha volta, procurando a pessoa que estava me chamando; eu sabia quem era, na verdade, apenas duas pessoas nesta escola me chamavam pelo meu nome verdadeiro.
Era o Lucas.
Ficamos amigos desde que começamos o ensino médio, ainda me lembro de quando nos conhecemos, eu estava almoçando, e como ele é uma 'criatura estranha', tentou roubar meu almoço. Creio que dei um tapa na cara dele, o que fez com que ele me derrubasse, e dessa forma, nós dois acabamos na sala da direção. Passar o tempo com Lucas era interessante, nunca imaginei que alguém pudesse jogar uma bola de papel usando um canudo daquele jeito, ele era muito bom nisso. Ele conseguiu acertar o interior do nariz de um professor adormecido; não consigo imaginar o que poderia acontecer se ele deixasse de ser o meu melhor amigo.
"Feliz aniversário, Sheila!", ele gritou enquanto me pegava para me abraçar com força, então sorri e passei meus braços em volta do pescoço dele. Ele deu um passo para trás antes de inclinar-se dramaticamente, nesse momento, estava segurando um cupcake 'veludo vermelho', coberto com creme de oreo, uma delícia.
"Obrigada, Lucas", disse enquanto o abraçava novamente, antes de dar uma pequena mordida no delicioso cupcake.
"E aqui eu tenho o seu presente", ele disse.
"Ei, eu disse que não queria nenhum presente", respondi. Eu protestei fazendo beicinho e cruzei os braços sobre o peito, ainda segurando o cupcake.
"Sim, você me disse, mas desde quando escuto você?", ele respondeu, e esse era um bom argumento. Por mais que eu falasse para ele que não queria presentes, ele os comprava da mesma forma; levantei minhas mãos em sinal de rendição, com um olhar astuto. Meu amigo sorria, antes de pegar na sua mochila, uma pequena caixa preta, ele a abriu e eu não pude evitar um grito discreto. Dentro, havia uma pequena pulseira com metade de um coração, que dizia: "Melhores..."
"Ela é linda, Lucas. Obrigada!", disse a colocando no meu pulso antes de abraçá-lo com força, novamente. Me afastei dele e perguntei sobre a outra metade, ele piscou, antes de tirar as chaves do carro do bolso e mostrá-las para mim; sorri quando vi a outra metade do coração feita de chaveiro, onde se podia ler: "Amigos".
Unimos as duas partes e era possível ler: "Melhores amigos".
"Eu amo isso, muito obrigada, Lucas."
Realmente foi um dos melhores presentes que tinha recebido, ele e eu sempre tivemos aquela coisa de quem dava o melhor presente, e agora, ele estava liderando a 'competição'. Eu precisava melhorar o nível dos meus presentes.
"Se a qualquer momento você precisar de mim, pode olhar para a pulseira e lembrar que estarei aqui, esperando por você quando você voltar", disse ele sinceramente enquanto guardava as chaves.
"Eu nunca poderia esquecer você, Lucas, infelizmente, você me fará nunca esquecer de você", eu disse em tom de brincadeira, foi quando escutamos o sinal tocar. Antes de subirmos nos olhamos e nos preparamos para entrar, fomos até nossos armários, pegamos nossos livros e seguimos cada um para sua sala. Andar desacompanhada era um pouco complicado, não que eu seja uma "fracote", mas preferia não brigar contra ninguém, mesmo assim, pode-se dizer que as pessoas me empurravam o tempo todo, só quando o Lucas não estava por perto.
Por fim, cheguei à sala de aula e vi que tinha sido a primeira a chegar, revirei os olhos, sabendo que era de se esperar. Me sentei na primeira fileira e esperei o sinal tocar novamente, virei a cabeça para a esquerda e olhei pela janela, naquele momento vi um carro elegante parando, um menino saiu dele e imediatamente o reconheci. O Alfa Kim Oliveira, ou melhor, será em breve. Nem mesmo eu, posso negar que ele é um menino atraente, mas infelizmente, ele também sabe disso, dormiria com qualquer coisa que ande e tenha seios, e isso é realidade, não minha opinião. Afastei-me da janela quando escutei o sinal tocar novamente.
Os alunos começaram a entrar na sala de aula, seguidos pelo professor; cocei a nuca quando senti que minha loba começava a pular de emoção, sei que é estranho, posso senti-la dentro de mim, embora ela não tenha dito uma palavra até o momento, nem sequer sei seu nome. Eu apenas dei de ombros, não queria lidar com essa situação agora. O professor convocou uma reunião antes do sinal do primeiro período tocar, peguei minhas coisas antes de sair da sala para dirigir-me a minha primeira aula. Já tinha passado um tempo desde que um grupo de atletas me fez tropeçar duas vezes, assim que, simplesmente ignorei todos esses idiotas e depois, entrei na minha primeira aula.
Me sentei e surpreendentemente meu lugar estava no fundo da sala, então, esperei o professor começar a aula. Enquanto todos entravam na sala, dei de ombros ao escutar os comentários grosseiros que eles me diziam, eu já estava acostumada a isso.
Quando essas pessoas vão amadurecer? É pedir muito?
Por fim, o professor entrou na sala e começou a aula, discutindo algo que a gente já tinha visto, ainda não consigo entender, você sempre avança para uma nova série, mas basicamente eles ensinam as mesmas coisas uma e outra vez. Claro, isso não acontece com todas as disciplinas, porém acontece com a grande maioria. Para mim isso parece muito chato, eles não podem nos ensinar algo diferente em algum momento?
Imediatamente, parei de reclamar dentro da minha cabeça quando senti a fragrância mais deliciosa de todas, era uma combinação de menta e chocolate. Os dois cheiros que eu mais gosto misturados. Então, minha loba disse a única palavra que eu temia desde que acordei esta manhã:
'Parceiro'.
Não! Não! Não! E mil vezes não!
Não acredito que isso está acontecendo, não é hora de encontrar meu futuro parceiro, hoje é o dia de me despedir daqui, isso significa que não vou vê-lo por mais de um ano. De qualquer forma, e se ele me rejeitar? Não posso ficar neste lugar só por isso, simplesmente não posso.
Ao escutar minha loba pronunciar aquela palavra com todas as suas letras, comecei a entrar em pânico, minha mente criou milhares de cenários diferentes, porém, em nenhum deles terminava bem. As minhas mãos estavam completamente suadas, poderia dizer que tinha um quadro de hiperventilação.
Por outro lado, minha loba uivava como louca de alegria, enquanto chamava seu parceiro uma e outra vez. Ela queria que eu seguisse aquele cheiro, eu a conhecia muito bem. E do jeito que estava ficando cada vez mais forte, a qualquer momento ele chegaria até nós. Porém, não fiquei parada esperando para descobrir com quem eu estava destinada a ficar, imediatamente empurrei minha cadeira para trás e corri o mais rápido que pude para fora da sala de aula, através da porta dos fundos.
Definitivamente, não estava pronta para isso, não queria um parceiro.
Enquanto isso, minha loba não parava de uivar e rosnar para mim por ter me afastado, mas eu não me importo, era algo que eu não queria encarar, e não faria. A única coisa que eu pensava era que ele se sentiria decepcionado ao descobrir que eu era a pessoa que estava destinada para ele; sim, tudo bem, pode ser que eu tenha exagerado, porém não pude evitar, é que estou acostumada a ser uma decepção para as pessoas.
Corri para o meu refúgio, com todos aqueles pensamentos na minha cabeça; esse era o único lugar onde eu poderia sentar e pensar tranquilamente, e acalmar meu coração e minha mente.
Esse lugar era a biblioteca.
Na verdade, o principal motivo que tive para ir lá, era pela segunda pessoa que me traz alegria nesta escola: Cristiana. Ela foi a única outra pessoa que tinha me tratado como um ser humano de verdade, se é que alguém podia notar, éramos quase a mesma pessoa, embora ela fosse muito mais bonita. Eu sabia que a encontraria lá porque ela não tinha aula naquele momento, ao contrário de mim, ela era muito tímida com as pessoas, exceto comigo e com Lucas.
Pude vê-la assim que entrei na biblioteca, ela estava sentada no chão no canto mais distante, lendo seu livro favorito: 'O Sol É para Todos', que eu ainda não tinha lido, mas ela me recomendou.
Cristiana é muito bonita, com seus longos cabelos loiros e seu corpo incrível; o que nos diferenciava muito. Ela ainda usava óculos, mas não precisaria mais deles ao cumprir dezesseis anos, o que faltava pouco. Pensar que não estaria presente no aniversário dos meus dois melhores amigos, me deixava muito triste.
Depois de me aproximar-se dela, também sentei no chão; ao me ver, ela fechou o livro e me lançou um olhar como se estivesse confusa.
"Aconteceu alguma coisa? Você nunca vem tão cedo", ela me disse séria, mas com um leve sorriso no rosto. Suspirei, enquanto apoiava minha cabeça na estante, fazendo com que seu sorriso desaparecesse e um olhar de preocupação tomasse conta do rosto dela.
"Encontrei o meu par ideal", sussurrei, enquanto brincava com os dedos, sabia o que Cristiana pensava dos casais. Ela sempre quis encontrar o dela, então eu tinha certeza que ela ficaria brava comigo por ser tão ridícula.
"Sheila, isso é incrível! Quem é ele?", ela gritou eufórica, mas teve que se controlar no momento em que a bibliotecária a mandou ficar em silêncio.
"Não sei, não fiquei para descobrir quem era", respondi nervosa, e meu corpo estremeceu quando percebi que seu sorriso tinha sumido. No entanto, ela me lançou um olhar simpático, em vez de franzir a testa, como pensei que faria.
"E por que você não gostaria de saber quem ele é? É porque você está de mudança?", ela perguntou, enquanto colocava a mão no meu ombro e apertava suavemente.
"Sim e não. Não, porque e se ele me rejeitar? Nenhum garoto que frequenta esta escola gostaria de ser meu namorado, porque você acha que com ele seria diferente?" Continuei viajando nos meus pensamentos, para depois gemer e colocar as mãos no rosto.
Naquele momento, escutei o som do meu celular, indicando que eu tinha uma nova mensagem, o peguei suspirando e abri a mensagem. Ao ler o nome, pude ver que era Cauã.
"Olá, Sheila! Mamãe e papai disseram que vamos sair mais cedo, então já estamos do lado de fora. Depressa, é hora de irmos."
O alívio tomou conta de mim quando li essa mensagem, eu não tinha mais que me preocupar em topar com meu futuro namorado hoje. Virei para minha amiga e expliquei o que dizia a mensagem, ela imediatamente me abraçou com força e me desejou boa sorte. Em seguida, saí da biblioteca em busca do Lucas.
Foi muito fácil encontrá-lo, ele estava na sala dele e quando me viu parada na porta, na mesma hora, pediu licença para sair. Contei para ele que era hora de ir e, em resposta, ele me abraçou. Abri um sorriso quando ele me abraçou com tanta força e disse o quanto sentiria minha falta. Me afastei para despedir dele, e logo, corri para o meu armário e tirei todas as coisas que eu precisava.
Foi quando eu senti o cheiro.
Seu cheiro inundou minhas narinas no momento em que eu ia fechar a porta do armário, tive vontade de correr, mas era tarde demais, quando alguém me segurou contra os armários.
O cheiro me fez assobiar, mas ignorei ao sentir as faíscas percorrerem todo o meu corpo, já conhecia a identidade do meu futuro namorado, por isso, não queria erguer a cabeça. Meu corpo me desafiou e fez contra minha vontade, quando olhei nos olhos dele, a única coisa que pude sentir foi o choque.
O futuro Alfa, Kim Oliveira.
"Você está me zoando? Você! Por que você tem que ser meu par ideal? Não! De todas as pessoas, é você!" Eu não podia negar que cada palavra que ele cuspia, me machucava. Eu estava ciente de como isso iria terminar, e era exatamente como eu pensava.
"Eu, Kim Oliveira, rejeito você, Sheila Gomes, como minha namorada", disse ele, rindo na minha cara. Então, meu celular começou a vibrar, eu sabia que eram meus irmãos, e isso me deixou nervosa. Ninguém deveria fazê-los esperar, eu sabia que se o fizesse, eles entrariam para me buscar, então tentei afastá-lo e disse a primeira coisa que me veio à cabeça.
"Não dou a menor importância! Agora me deixe ir!" Eu sabia que aquela explosão o pegara de surpresa e, por um segundo, pude ver uma onda de dor passar por seus olhos, mas imediatamente passou e, em vez disso, ele me empurrou de novo enquanto olhava para mim.
"O que você quer dizer com não dar importância? Ah! Eu acabei de dizer que te rejeito! Por que você não está chateada? Diga-me!", ele gritou, começando a esmagar meu ombro, devido à força que estava colocando sobre ele.
"Eu disse para você me deixar ir! Eu sabia que você provavelmente me rejeitaria! Deixe-me ir agora, vejo você daqui a um ano!", gritei, para logo empurrá-lo para longe de mim. Não posso explicar de onde saía toda essa confiança, acho que já tinha tido o suficiente dele, de todo o seu tormento, suas palavras, suas ações e agora isso. Eu só rompi.
Estava completamente chocada por ter afastado um Alfa de mim, embora, mais do que provavelmente, eu o tinha pego de surpresa. Comecei a me afastar dele, mas gritei quando ele agarrou meu pulso e me puxou, então pude ver a confusão no rosto dele.
"O que significa que você vai me ver daqui a um ano?", ele perguntou, com óbvia preocupação. Por que deveria estar preocupado? Ele se importava comigo?
"Pergunte ao seu pai, agora me deixe ir!", quando falei isso, ele foi soltando meu pulso pouco a pouco, era óbvio que estava distraído, e aproveitei, me afastei e o deixei lá. Abrindo as portas da frente, pude ver o carro dos meus irmãos.
Finalmente, estava livre. Enfim, eu poderia deixar aquele inferno, deixando para trás a pessoa que havia transformado minha vida nisso, mas eu não estava totalmente feliz.
Quando entrei no carro me perguntaram por que eu estava tão quieta, mas não respondi, só podia focar na dor que minha loba e eu estávamos sentindo por causa daquela rejeição. Sempre soube que iria acontecer, mas não pensei que doeria tanto, mesmo assim, não podia permitir que eles percebessem. Me recusava.
Tentei falar com minha loba, mas tudo o que ela fez foi gemer de dor, prometi a ela que nunca permitiria que alguém nos machucasse daquele jeito de novo. A viagem para casa foi rápida e, antes que eu percebesse, estávamos a caminho da nossa nova casa.