⚠ Atenção ⚠
Possíveis erros gramaticais. Ainda não fiz uma revisão aprofundada.
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2009
Olhei pela quinta vez seguida para Brandon, mas ele não esboçou nenhuma expressão. Eu realmente não sei o que vim fazer neste lugar. Brandon me prometeu diversão, porém não cheguei a acreditar, em nenhum momento, que ele queria me levar numa boate. E ainda na boate que ela vem com as amigas. Eu realmente não deveria me preocupar com isso, mas não consigo entender qual o problema. Quer dizer, eu sou... ou eu acho.
- Brandon - finalmente disse -, eu vou embora. Minha cabeça está doendo. - Minha cabeça realmente está doendo, mas graças ao barulho. Hoje não é o dia ideal para sair. E ainda mais quando as consequências podem ser muitas.
Brandon olhou para mim com um semblante tristonho. Prometi a ele, desde a semana passada, que viria na festa de sua irmã, Tiffany.
- Pensei que você quisesse, olha, se não quer ficar, pode ir. Já falei para Tiffany que seria uma má ideia. - Eu o olhei atônito. Somos melhores amigos desde a infância, mas isso não é o problema. O meu problema se chama Margot Clarke, e em segundo lugar, Tiffany Kim - além disso, você precisa saber que ela gosta de você. - Ele disse. Tiffany nunca esteve na minha mira. Apesar de sempre estarmos juntos, desde o primeiro ano do ensino médio. Namoramos por dois anos, mas nunca me senti realmente em uma relação. Ela é linda, sexy, mas depois que acabamos o ensino médio, terminamos tudo e, até mesmo nossa amizade. Já por outro lado, Margot conseguiu infernizar a minha vida desde o momento em que coloquei os olhos nela. Nascemos no mesmo hospital, no mesmo dia, com duas mães que eram como irmãs e crescemos juntos. Eu sempre soube, e acho que não é o álcool quem fala, que fui apaixonado por ela. - Ela só vai pirar. Um pouco... talvez te estrangular.
Sorri de canto e passei o braço ao redor do pescoço dele. Andamos, eu cambaleando sobre meus pés, até a pista de dança, e vi ela, Margot, dançando livremente. Os cabelos ondulados castanhos desenhavam o rosto perfeito, os olhos azuis brilhantes ardiam como brilho do sol. Eu sempre disse que seus olhos eram lindos, mas como uma amiga ela nunca levava muito a sério.
- Ei... Brandon... o que você acha? Ela serve? - Eu disse, virando o rosto na direção dele - a Margot...
- Não. Ela é sua amiga. Amigas não valem para a aposta. O Javier deixou isso claro. - Franzi o cenho e me lancei em alguém. Meu corpo desequilibrou, quando percebi, simplesmente notei mãos me impulsionando. Brandon me pegou pelo colarinho e puxou. Me equilibrei com dificuldade e soltei um rugido. Agarrei o ombro dele com força e deitei a testa no peito de Brandon. - Você está mal. Precisa ir para casa mesmo. Isso não vai ajudar você em nada. Vai complicar tudo ainda mais. - Cerrei a mandíbula e levantei os olhos. Droga! Ele está certo. Ela nunca iria querer alguém igual a mim. Todos os dias Margot recebe inúmeras cantadas baratas. Talvez se derrete com algumas, talvez se irrita com outras. E qual das opções me encaixo?
Nenhuma.
Por vinte anos eu acreditei que nós seríamos perfeitos um para o outro, mas agora não passa de uma paixonite. Talvez por eu sentir algo por ela eu nunca vá conseguir realmente dizer que realmente gosto... meus pensamentos pesam em minha mente. Bebo mais um gole de cerveja e percebo minha visão turva.
- Olha, acho mesmo que o melhor que você pode fazer é ir embora. Eu pego um táxi para você.
Assinto com a cabeça e olho para o outro lado, querendo fugir da visão de Margot. A música estrondosa estoura ao meu redor num ritmo frenético. De repente percebo que alguém me pegou pelo braço e me puxou em sua direção. Eu viro e me deparo com Margot, o sorriso iluminando todo o rosto.
- Ethan... - Brandon diz atrás de mim. Eu prometi a mim mesmo que iria tentar me afastar dela, e prometi a ele que iria tentar fazer isso. É impossível. Eu a adoro, mas meu coração não consegue ouvir mais um " Você é o melhor amigo do mundo" eu não quero apenas abraçá-la e sentir o calor de seu corpo. Quero ela para mim, por inteiro. É pedir demais? Todos os apaixonados sofrem? - É melhor irmos logo.
- Aonde você vai? A Tiffany vai ficar uma fera! - Ela disse, passando uma mecha de cabelo curto atrás da orelha. Eu sorri e empurrei Brandon. Percebi que ele me olhou feio, ergueu os braços e balançou a cabeça.
- Faça o que achar melhor, então! - ele apontou o dedo e depois se afastou, mesclando-se à multidão. Brandon é meu melhor amigo, mas ele nunca sabe quando deve ou não parar de me proteger.
- Do que estavam falando? Por que ele saiu tão bravo? - Ela perguntou, as sobrancelhas se contraindo. Me angulo um pouco para baixo, minha coluna se esticando até meu rosto quase tocar o de Margot.
- Brandon é temperamental. - Disse. Ela sorriu e continuou com a mão sobre o meu pulso. Meu coração disparou, e eu estou pronto para beijá-la. Eu quero fazer isso, mas não consigo. - Margot... eu... - eu comecei a dizer, mas de repente ela me puxou e nos esgueiramos por entre as pessoas. Sou espremido no mar e condensado. Por fim, quando consegui sair ileso, ela me puxou, colando meu corpo no seu. Respirei profundamente e pigarreei.
- Aqui é mais espaçoso... - Ela disse. Sorrio, e então, Margot coloca os braços ao redor do meu pescoço. Olho ao redor e comparado a alguns minutos atrás, quando estava sendo esmagado, percebo que é realmente mais espaçoso. Estamos no canto da boate. As luzes coloridas iluminando os olhos ardentes de Margot. Menti ao dizer que ela é apenas linda. Ela é perfeita. Margot aproxima-se de mim e descansa o rosto no meu peito. Eu não sou inseguro, mas não me reconheço quando estou perto dela.
- Margot... - eu digo, ela apenas faz um som com a boca - qual seria a sua reação se eu dissesse que vou sair do país? Digo... sair de perto de você... - tomei coragem. Eu nunca achei que iria ter coragem de perguntar isso. Eu jurei que sempre estaríamos juntos, e agora digo que vou sair do país. Iríamos fazer a Hudson juntos, como o planejado, mas quanto mais longe, melhor vou me sentir.
Ela me olhou com algo que nunca vi antes. Tristeza. Vi tristeza por trás de seus olhos.
- Por que faria isso? - Ela perguntou. Franzi o cenho e notei que ela tirou as mãos do meu pescoço. - Pensei que ia fazer a Hudson comigo. - O que dizer para alguém que você ama que não suporta mais estar ao seu lado? Eu não queria desistir de nós dois, mas depois da aposta que fiz com Brandon e os outros, o que ela iria pensar de mim? E pior: qual seria a relação dela quando descobrisse que fui eu quem mandei uma carta, me declarando? - Nós planejamos tudo...
Nossa vida inteira sempre estivemos a ponto disso. Por mais que brigássemos, por mais que uníssemos, por mais que nos adorássemos. Eu sempre seria só Ethan Fitz. E eu estou cansado de ser apenas isso.
Tirei as mãos da cintura de Margot e dei um passo para trás.
- Desculpa - disse. - É complicado. Eu não consigo dizer isso... - Está entalado em minha garganta durante anos. Sempre estive a um passo de dizer que era apaixonado por ela, que sempre fui suscetível aos seus charmes e encanto, que sempre quis ser dela. - Eu não consigo dizer que...
De repente sinto um impulso, alguém se chocou contra mim e a única coisa que consigo ver são os olhos cristalinos de Margot.
Eu decidi alguns dias atrás que não deixaria me comover por tudo o que aconteceu nas últimas semanas. Na verdade, eu quis esquecer o babaca do meu ex-namorado por ter me traído. Me arrependi de ter começado qualquer coisa com aquele babaca miserável. Me arrependi de ter mudado do meu antigo apartamento por causa dele, e principalmente de ter acreditado que tínhamos alguma coisa de especial.
Bufei.
- Você não pode se culpar por isso. Margot, você é a pessoa mais sensacional que alguém pode conhecer, e se alguém tiver culpa, é ele. - Olhei para Charlotte e deixei bem claro com a minha cara inchada de tanto chorar que não queria estar na situação em que me encontrava. Eu quem deveria estar consolando ela, não o contrário! Ela tinha acabado de terminar um noivado e eu quem estava lá, chorando em seu colo. Minha mente tinha parado de funcionar há muito tempo, e aquele bar era ideal para alguém como eu: uma condenada a ser esquecida. - E, além do mais, o Josh não era uma boa pessoa.
Afundei a cabeça em meus braços apoiados no balcão do bar e funguei o nariz. Charlotte, minha irmãzinha, afagou meus cabelos enquanto continuava ridiculamente triste.
- Eu não sei o que fiz de errado! Ele simplesmente me deixou de lado e foi... foi dormir com aquela vadia! - Levantei a cabeça e voltei os olhos na direção dela. - Ele... eu... eu odeio ele! - Minha voz era uma mistura de estridente e arranhada. Estava muito fora de mim para perceber que todos olhavam de relance, e na verdade, não ligava. Queria que todos vissem - e não me pergunte o porquê -, que estava triste. Muito triste!
Namorei um ano inteirinho com o maldito. Ele me fez acreditar que eu era a pessoa mais especial do mundo, que somente eu importava e que nada mais tinha valor. Somente eu. E uma semana atrás, quando voltei do trabalho, percebi que a porta da frente - a qual nós escolhemos há um mês - estava aberta. Enlouqueci achando que alguém tinha invadido, e então entrei, peguei o taco de beisebol e nas pontas dos pés, andei até o quarto, tentando não fazer barulho. Com o taco de beisebol empunhado, me aproximei, havia barulho, um barulho alto. Abri a porta do quarto e, para minha surpresa, dei de cara com Josh e uma vagabunda qualquer! Deus sabe o quanto quis correr atrás da vadia com o taco de beisebol. Mas minha reação foi a mais natural possível:
Eu cruzei os braços e fiquei vendo, até que ele pulou de cima dela e disse que eu estava enganada, como se tudo aquilo não passasse de uma miragem. No mesmo dia ele foi embora.
- Você deveria rever os caras com que sai. - Charlotte disse. Eu contraí os lábios e uma onda avassaladora de tristeza me afundou. Senti meu estômago revirar mil vezes, e eu queria, naquele instante, me esfregar no primeiro cara que me desse na telha! - Não... não... - ela disse, Charlotte passou os braços em volta do meu corpo e encostei a cabeça no peito dela. - Não queria que se sentisse mal de novo... - minha mãe estava certa. De suas quatro filhas, eu sou a pior. Fui eu quem jurou perseguir o certeiro quando ele acidentalmente atropelou Pulo, meu coelhinho. Uma semana depois montei um plano para infernizar a vida dele, e minha mãe, na Páscoa, seis dias depois da morte de Pulo, o "ressuscitou". Ela comprou outro coelho idêntico ao meu Pulo, e disse que o carteiro não teve culpa. Ela disse que ele havia dormido por um tempo e acabado de acordar, e como as borboletas, transformou-se em algo muito mais belo. - A mamãe sempre dizia que a melhor coisa para curar um coração partido é um abraço. - O abraço apertado de Charlotte era confortável, mas lembrar que tudo o que eu sentia naquele instante não iria passar após aquele abraço fazia tudo piorar.
- Lembra quando o papai se entalou na lareira? - Ela assentiu. - Ele disse que era o papai noel e eu te prometi que iria deixá-lo em casa só para nós. - Ela sorriu.
- Lembro que você conseguiu. Você ficou a noite toda acordada, e quando o papai deixou os presentes debaixo da árvore, correu na direção dele e desesperado, ele se enfiou debaixo da lareira. Ainda bem que estava apagada, porque além de sequestrar o papai noel, você iria cometer papaicídio. - Eu ri, percebi que os olhos de Charlotte brilhavam. Ela parecia bem mais feliz do que nos últimos meses. Daniel, o irmão de um amigo, foi internado às pressas por causa de um ataque cardíaco. Como alguém com 23 anos tem um ataque cardíaco?
- É...
Voltei os olhos na direção da minha bebida. A música suave que tocava ao fundo ressoava como um sussurro ao amanhecer. O cheiro de bebida e perfume enchiam meus pulmões. Bebi o resto do meu Dry Martini e quase caí da banqueta. Charlotte apoiou as mãos nas minhas costas, e gargalhando, me agarrei à mesa. O barman arregalou os olhos. Minha irmã pegou meu braço com força e eu assisti quando ela levantou e me puxou para fazer o mesmo.
- Margot... acho que isso é um sinal. - Ela disse. Eu revirei os olhos.
- Essa foi a coisa mais divertida que me aconteceu nos últimos cinco meses! - Respondi. Eu sempre vivi as mesmas coisas durante a semana. Sempre saía com minhas amigas, voltava para casa, tomava um bom banho e lia alguma coisa e enfim ia dormir. Minha vida se resumia a isso: trabalho, sair com as amigas num programinha chato e dormir! Eu estava cansada daquilo! - Não seja chata!
O barman me olhou com seus olhos castanhos. Ele sorriu e eu gritei:
- Viu? Ele tá me paquerando! Eu nunca sou paquerada! - Charlotte cobriu a cara com uma mão e eu sorri. O barman levantou as duas sobrancelhas e enrugou a testa.
- Você é sempre tão direta? - Ele perguntou. Me atirei sobre o balcão novamente e apoiei os braços. - Jesus! - Ele disse. Aproximei meu rosto do dele e Charlotte me puxou pela blusa.
- Que diabos, Margot!
- Eu posso ser o que você quiser, anjinho! - Disse, crendo que estava fazendo minha melhor cara de safada prontinha para transar no meio do bar. - Só falta saber o que quer que eu seja.
- Eita... tá... ok... - ele disse, olhando nas duas direções. Eu peguei seu colarinho e o puxei para perto de mim.
- Você sabia? Eu fui traída! O canalha era um desgraçado! - Ele assentiu.
- Ai, que vergonha... - Charlotte disse.
- Moça... pode parar de fazer isso...? - Ele praticamente me implorou. Encostei meu rosto no dele e em seguida parei de agarrar seu colarinho. Passei os braços ao redor de seu pescoço e o abracei com força. - Eu não sou pago pra isso... - ele disse baixinho.
- Margot! Sai daí! - Charlotte voltou a puxar minha blusa. Uma blusa de alcinha, a minha preferida. Eu costumava usá-la como um talismã. Todas as vezes que me sentia mal, a vestia e deitava em posição fetal.
- Me abraça, por favor! - Eu gritei. Ele simplesmente bateu três vezes nas minhas costas com delicadeza. - Jura? - Apertei meu abraço. - Ele arfou enquanto o alertava como um bichinho de pelúcia.
Ela puxou minha blusa mais uma vez, mas dessa vez eu fui junto. Quando percebi, senti um arzinho frio passear pelos meus peitos. Todos estavam nos olhando e Charlotte estava debaixo de mim.
Eu pulei tão agilmente que caí de pé. Charlotte estava estatelada no chão como uma boneca inflável.
Cobri meus seios rapidamente e passei os olhos nos rostos que me olhavam.
- Que bagunça é essa? - Alguém disse. De repente, entre os gemidos dolorosos de Charlotte, que ainda se recuperava, um homem apareceu, saindo do meio da multidão que passou a me assistir. Eu estava tão envergonhada que encolhi um metro. Todos tomaram proporções imensas e eu fiquei do tamanho de uma formiga. - O que está havendo? - Um outro homem acompanhava o homem, e os dois estavam vestidos com uniformes de policiais. Um cara alto e com óculos escuros olhou para mim de relance. O outro ficou me observando com confusão. - Ouvimos barulho lá de fora. Está acontecendo alguma coisa?
Eu pigarreei.
Minha irmã levantou, enfim. Ela olhou para mim com o que poderia se ler em seu rosto: " só não te mato agora porque posso ser presa ", e estendeu a blusa. Eu peguei.
- A senhorita está bem? - Um dos policiais perguntou. - E por que você está pelada?
O outro policial, o de óculos, deu um passo à frente e mostrou o rosto. Ele parecia uma pessoa que conheci há algum tempo... mas não pude me convencer até colocar as mãos nos quadris e fazer pose de super herói. Arregalei os olhos, e aos gritos, apontei na direção dele.
- É ele! É ele! É ele! - Por alguns segundos esqueci que estava pelada, e deixei meus peitos à mostra.
- Senhorita... - o primeiro policial disse. Eu olhei para baixo e percebi que estava mostrando mais do que devia. - Eu lamento, mas vou ter que prendê-la por atentado ao pudor. - Ele rapidamente passou por mim, e eu, sem reação, gritei:
- O que pensa que está fazendo? - Eu o empurrei, e o outro homem virou o rosto. Ele tirou os óculos escuros e tive que me segurar para não voar em cima dele. Era Ethan Handler! Ethan! Empolgada, me aproximei dele nas pontas dos pés. - Ethan?! - Ele contraiu os lábios e olhou para o lado.
- Você está enganada. Não sou o Ethan. - Ele disse. De repente, o primeiro policial pegou meu braço e eu girei. Com a testa franzida, eu acertei um tapa na cara dele.
- Senhorita! - Ele gritou. Charlotte estava me observando, parada no mesmo lugar. - Agora vou ter que prendê-la por desacato à autoridade. Ethan, faça alguma coisa... - Estreitei os olhos.
- Eu disse que você era o Ethan! - Eu gritei.
- É claro... - ele disse. Ethan passou por mim enquanto o outro homem me observava como se eu fosse uma louca. - Desculpe, mas parece que não tem outro jeito. - Ele continuou.
- Você vai me prender? - Perguntei. - Por quê?
- Por desacato à autoridade e atentado ao pudor. - Ethan tirou as algemas e me pegou pelo braço. Eu girei e choquei minhas costas contra seu corpo quentinho.
Me arrepiei.
- Ui... eu aceito... contanto que você me leve para bem longe desse babaca. - Disse. Coloquei a língua para fora e fiz uma careta quando olhei para o outro cara. Ethan colocou uma argola da algema no meu pulso e eu cochichei: - Temos um probleminha...
- Qual? - Ele perguntou. Eu balancei meus peitos e ele deixou um som escapar de sua boca.
Repentinamente Ethan tirou alguns dos aparelhos que tinha sobre a camisa e colocou-a em mim.
- Problema resolvido. - Eu sorri.
- Olha... - eu disse, observando o corpo malhado debaixo da regata apertada. - Você tá mais gostoso que a última vez que nos vimos...
- Margot... - ele sussurrou no meu ouvido.
- Handler - o homem disse - aonde pensa que vai? - Ethan e eu estávamos quase saindo do bar quando o chatonildo disse.
- Williams, me dê cobertura. - Ele disse. Eu não entendi exatamente o que Ethan quis dizer com aquilo, mas apontou para mim com o queixo e me empurrou para fora.
Nós caminhamos até o meio fio e ele chamou um táxi.
Chegamos à sua casa às dez horas e meia da noite. Eu, completamente bêbada, brincando com o distintivo dele. Ethan sumiu por 8 anos. Por 8 anos!
Eu não fazia ideia de que minha vida poderia ser tão interessante. Ele, anos atrás, depois de nos encontrarmos numa festa de sua ex-namorada, revelou o que sentia por mim. Quer dizer... depois de eu acordar e vê-lo do meu lado, me olhando dormir. Foi o meu primeiro dia com ele como uma amiga não tão amiga.
Chacoalhando no táxi e recostada no ombro dele, me senti como anos atrás. Ele me deixou para trás, traiu o que um dia eu acreditei que seria para sempre. Era como as histórias de contos de fadas que líamos quando crianças, mas ao invés de "felizes para sempre", tivemos um " deixa pra lá".
- Queria que estivesse aqui antes - sussurrei. Ele não me olhou. Apenas apertou minha mão e como se eu fosse uma estranha, chegou mais para o lado, afastando-se de mim.
Eu não sentia ódio, na verdade, eu sentia saudade. Eu queria que nós fôssemos novamente o que éramos anos atrás. E estava bêbada, então, a melhor explicação que posso dizer é: não estava pensando direito. Eu deveria esmurrá-lo por ter me deixado igual uma pata choca. Deveria me zangar por quebrar nosso trato, e ainda mais por eu ter me deixado levar por ele.
- Desculpa, Margot - ouvi a respiração pesada. Ele me aconchegou em seu peito novamente e eu o abracei. Vi um sorriso no lábios dele. - Eu não deveria ter feito aquilo, mas nós sabemos porque fiz o que fiz.
Sabíamos exatamente o que havia acontecido, e por isso mesmo acho que deveria estar uma fera! Ele era o meu melhor amigo, e como se eu não passasse de uma boa lembrança, ele pede desculpas?
- É... - minha voz saiu anasalada, como se afogasse no meu choro interno. Eu estava triste por fora e por dentro, mas não queria que Ethan visse isso.
Quando finalmente chegamos em sua casa, Ethan pagou o táxi e quando perguntei por que ele não me deixou ir para a minha, explicou que eu estava muito bêbada.
- É melhor assim. - Ele disse - Você está mesmo muito bêbada para ir para casa. Charlotte, pelo que vi, estava furiosa com você. - Ele estava certo. Quando olhei pela última vez para ela, percebi que Charlotte não estava muito feliz. Talvez eu tenha me descontrolado um pouco... só um pouquinho...
Eu apertei a camisa de Ethan no meu corpo, e senti uma onda de frio me congelar. Ele virou para mim e encostou a mão nas minhas costas. - Está com frio?
Eu assenti levemente com a cabeça.
- Devo achar que o que aconteceu no bar foi ideia sua? Margot... eu... parece que você continua igual! - Ele disse, olhei para seus olhos e notei o castanho brilhante atravessando minha alma. Não sabia exatamente o que aquilo significava, mas era como se eu estivesse entregue. Ethan me conduziu até a porta de sua casa e entramos.
- Não é tão ruim. - Eu disse. Ergui uma sobrancelha e Ethan sorriu, passando por mim. - Bom... é mais organizada que a minha. - Estava surpresa. Pelo que me lembrava, ele não era um exímio faxineiro.