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Luna usurpada e os trigemeos do alfa.

Luna usurpada e os trigemeos do alfa.

Autor:: C.cristey
Gênero: Lobisomem
No dia do seu casamento, ela acabou nas mãos de um homem ela não tinha ideia de quem poderia ser. Invés de ser acolhida, foi desprezada pelos pais e substituída pela sua irmã gêmea para tomar seu lugar. Derrotada e grávida de um homem que não lembrava e que queria apenas odiar e esquecer mesmo sem saber quem é, tudo o que lhe restava era a promessa silenciosa de proteger os filhos que carregava e fugir para viver. Mas o destino que ela tentava fugir jamais deixara de observá-la. Porque dentro dela cresciam três vidas marcadas pela lua e pelo sangue filhos do Alfa Supremo, o mais temido e poderoso entre todos os lobos e o mesmo que deveria a ter tomado como companheira. Entre reinos ocultos, pactos quebrados e memórias enterradas pelo tempo, ela descobrirá que o amor que a destruiu também pode ser o que a renascerá.

Capítulo 1 1 A menina da adaga no coração.

Cap1:

Por Maya Volpyn

- Eu não esperava que ela me empurrasse.

Lana me levou até o mirante como costumava fazer nos dias bons. Ela me ajudou a andar, pacientemente, enquanto eu reaprendia tudo do zero desde que saí do coma.

Quando o sol começou a aquecer os jardins da mansão, ela riu alto, como se o mundo tivesse sido feito só para ela. Caminhamos em silêncio até a beira do lago. Ela parou, encarando a água com um brilho estranho nos olhos.

- Você sabe quem está vindo à mansão hoje? - ela perguntou, e eu a encarei confusa.

- Não sei bem, parece que nossos pais vão receber um alpha?

- Não é qualquer alpha... e meus pais ouviram algo dos anciões, que o alpha, após pisar na cidade, encontraria sua Luna, e ele de repente está vindo para nossa casa. Não é incrível? - ela perguntou empolgada, mas eu baixei os olhos com desânimo. Com certeza ela poderia estar ao lado do alpha. Era bonita, inteligente e forte. Ela era realmente talentosa.

- Eu não sei muito sobre isso... mas se pode controlar quem o destino escolhe? - perguntei pensativa.

- Pois é, não se pode. Mas pode ser uma chance. Pode ser que ele seja meu companheiro. Estou torcendo para isso... além disso... - ela abaixou o olhar, quase hesitando. - As revelações poderiam dizer com fé que a companheira dele está nessa casa. E pode ser eu.

- Não se preocupe, irmã. Você será a pessoa que vai ser companheira do alpha com certeza. Porque é uma loba notável. Eu, como uma ômega fraca, nem teria o direito de olhá-lo nos olhos. No mínimo, ainda tenho que conseguir andar com minhas próprias pernas sem sentir dor. - comentei, e ela sorriu de orelha a orelha.

- Verdade, não é? Não que eu esteja feliz por isso, mas é o sonho de qualquer loba da alcateia querer se tornar a Luna. Ainda mais do alpha que se tornou superior na região. Por ser de uma descendência rara de deuses, aposto que ele possa ser tão lindo quanto dizem.

- E implacável também - pensei - o pouco que ouvi desse alfa, as histórias são como histórias de terror. Um lobo que já é feroz e forte não deveria ter o poder dos raios. É assustador saber que ele usa seus poderes para oprimir seus serviçais e todo o povo.

- Maya, você está bem? - ela perguntou, me despertando dos meus devaneios.

- Estou sim. Apenas admirando esse lugar. É lindo... Todas essas plantas, essas flores... tudo parece tão mágico, não é? - perguntei, tentando esconder a dor nas pernas, apoiando-me na grade da ponte para acompanhar minha irmã gêmea. - É por isso que você me traz aqui todo dia?

- Na verdade... - ela suspirou, ainda com os olhos fixos no lago. - Eu venho aqui com você pensando em uma coisa. Passei dias criando coragem... fingindo que só quero passar um tempo com minha irmãzinha fofa, mas a verdade é um pouco mais crua, Maya.

- O que você quer dizer com isso?

- Sabe... normalmente nos tempos antigos os lobos mais fracos eram sacrificados. Afinal... viver nesse mundo seria um sofrimento terrível para eles. Mas... você... eles tiveram nós duas ao mesmo tempo. Será que eles não perceberam que foi o destino os abençoando com a chance de saber que poderia perder uma, mas que ainda tinham outra? Mas, em vez de se livrarem de você, eles apenas deixaram você sobreviver. Até que estivesse acordada e pudesse se tornar uma pedra em meu sapato.

Eu não tive palavras para responder nada. Como ela mudou da água para o vinho tão de repente?

- Você tem recebido atenção demais, não tem? Desde que acordou, é como se eu tivesse desaparecido. Nós somos gêmeas, Maya, idênticas... Mas me tratam como uma sombra - disse ela, sem sequer olhar para mim. Seus olhos estavam fixos no reflexo do lago.

- Lana... não é assim...

Tentei responder, mas minha voz falhou. Falar ainda era difícil. Tudo estava voltando devagar: força, coordenação... palavras. E, diante do que ela acabara de dizer, eu nem sabia como reagir.

Mas Lana percebeu. E sorriu. Um sorriso cheio de desprezo.

- Sempre foi assim. A mamãe dormia no seu quarto, chorando por você todas as noites. E agora, mesmo acordada, você ainda é o centro de tudo. Até os professores são mais gentis com você. - Ela finalmente se virou para mim. - Por que você simplesmente não morreu, Maya?

O mundo congelou. Eu a encarei, atônita. Ela parecia tão amargurada. Desejei correr.

Mas minhas pernas estavam exaustas da caminhada. E talvez fosse exatamente isso que ela queria.

Ela me via como uma ameaça? Como?

Alguém que mal consegue se manter de pé, que tem que viver em segredo. Lana é a única que existe para a alcateia. Ninguém sabe que meus pais tiveram gêmeas. Por causa da minha condição, fui mantida em segredo. A família Volpyn não queria ser vista como fraca por ter tido uma filha como eu, que aparentemente não tem um lobo, qualquer habilidade. Mas Lana... ela me via como uma ameaça.

Eu tinha apenas doze anos quando abri os olhos pela primeira vez.

Desde o nascimento, essa era minha condição. Mas não era um coma comum. Eu nasci com uma adaga mágica cravada no peito - uma lâmina amaldiçoada atravessando meu coração, protegida apenas pela caixa torácica. Ninguém jamais conseguiu explicar como ela foi parar ali... ou como removê-la sem me matar.

Pensei que as pessoas que estavam ao meu redor me vendo abrir os olhos eram as mesmas pessoas em quem eu podia confiar, mas parece que estou equivocada.

- Como alguém sem nenhum poder, que nunca vai se transformar, recebe tanta atenção? - ela cuspiu, cheia de ódio. - Você nem tem um lobo, Maya. É como uma humana patética. Sua existência não faz sentido. Por que você acordou? Só pra arruinar a minha vida?

- Lana... isso não é verdade...

- Você nem pode ser tocada! Deus, Maya! Você não vê o quanto de dor causou aos nossos pais? Não vê o fardo que é pra essa família? Apenas... morra logo!

Apoiei-me na ponte, cabeça baixa, olhos fechados, como se as facadas fossem aquelas palavras.

Ela estava certa que eu era fraca, e que me comparavam a um humano em um mundo onde eu não pertencia. Mas eu sei que um humano não suportaria o que eu aguento.

Já faz quatro anos desde que acordei. Agora, aos dezesseis, ainda luto para fazer qualquer coisa. Meus pais dizem que preciso construir resistência. Que um dia conseguirei ficar de pé sem que a adaga drene toda minha energia. Eu sempre lutei por isso.

- Mas... eu tenho me esforçado tanto... aprendendo rápido...

- Não importa, sua inútil Volpyn. Você nem merece esse sobrenome.

- Lana... eu não aguento mais... Se você quiser me odiar, me odeie. Mas não há motivo. Eu nem sei quanto tempo me resta. Pode parar? - choraminguei, sentindo minhas pernas chegando ao limite.

- Hoje nossos pais vão receber convidados importantes. E, sinceramente? Eu queria que você nem aparecesse. Já basta ser uma vergonha ambulante. Uma garotinha lenta que mal consegue comer sozinha... Você não percebe o quão patética é?

- E-eu posso... posso ficar no quarto - murmurei, a voz fraca, mal saindo dos lábios. Nunca imaginei que Lana se voltaria contra mim. - Você não precisa fazer nada... nem ter medo de mim.

Me esforcei para ficar em pé. Minhas pernas tremiam. E o medo que eu estava da minha própria irmã... esse era o que estava me consumindo. Lana estava como se quisesse fazer algo terrível. Meus instintos diziam.

Ela se aproximou, o olhar cheio de ódio contido. Parecia se deleitar com o efeito de cada palavra cruel que dizia.

- Não, Maya. Eu não tenho medo de você. Mas percebi que nossos pais querem te dar algo que eu quero. Algo que deveria ser meu. - Ela sorriu, fria e debochada. - Então... por que você não transforma o lago na sua cova? Ninguém vai tomar o que deveria ser meu!

A mão dela atingiu meu peito com força.

Não consegui me segurar em nada.

A gravidade fez o resto. Minhas costas bateram com força na água enquanto eu encarava Lana apreciando a cena.

Capítulo 2 Cap. 2 Lançada para a morte;

Tudo aconteceu rápido demais.

O impacto foi brutal. O frio cortou minha pele como lâminas invisíveis e meus pulmões arderam, implorando por ar, mas eu Afundava cada vez mais, como se o lago quisesse me engolir inteira.

Lá em cima, entre as ondas, vi o rosto dela sereno, cruel. Eu a implorei com o olhar, mas Lana apenas virou as costas, desaparecendo como se fugisse de algo... ou de alguém quando olhou assustada a direção contraria, mas seja quem for, não conseguiria me ver na profundidade que eu já estava.

Nunca aprendi a nadar. Meu corpo lutava por instinto, mas era inútil, meu corpo afundava quanto mais eu me debatia.

De repente, não estava mais no lago, tudo ao meu redor se transformou

Estava em um campo de batalha, era como se tivesse sido teletransportada para outra época

Espadas colidiam com estrondo, a guerra explodia ao meu redor. Lobos enormes corriam em disparada, seus uivos se misturando aos gritos de feiticeiros e magos.

Em minhas mãos, uma espada brilhava com um poder estranho. Eu lutava. E, ao meu lado, um homem, tudo isso se formando e se desenhando nas agua ao meu redor.

Ele era alto, imponente. Seus olhos dourados queimavam com força selvagem... e devoção.

- Fuja! Eu não vou deixar que morra nessa guerra! - ele gritou, antes de se lançar na minha frente e assumir sua forma de lobo. Um lobo gigantesco, majestoso, o maior que eu já vi.

Com fúria, ele enfrentou três feiticeiros sozinho. E venceu.

- Ele é o líder! - alguém gritou, e, num piscar de olhos, ele estava cercado. Dez... vinte... uma multidão prestes a atacá-lo.

Um grito explodiu da minha garganta enquanto eu corria para ele. Minha espada atingia cada um deles de forma tão precisa... que poder..., meu coração queimava de desespero. Eu precisava salvá-lo. Não podia perdê-lo, naquele momento parecia que era o fim, com dois tantos homens o imobilizando, aquele lobo parecia imortal, mas uma mulher... uma feiticeira que segurava uma faca que reluzia uma luz verde... ela estava prestes a lançar contra ele e mata-lo.

Mas então, acordei, não sei o que aconteceu eu ainda estava naquele lago afundando...

O som da água se quebrando me arrancou do delírio, era como se alguém tivesse pulado, então vi um homem nadava na minha direção. Meu coração disparou. Balancei a cabeça, tentando impedi-lo.

"Não! Não me toque!"

O medo me paralisava. E se ele me tocasse e eu voltasse para aquele coma? E se ficasse presa para sempre naquele pesadelo? Eu preferia morrer ali mesmo.

Mas algo inesperado aconteceu.

Quando ele se aproximou, uma onda de calor surgiu no meu peito. Uma luz azul intensa explodiu de dentro de mim. Fiquei sem ar. Onde estava a dor que eu esperava? Onde estava o colapso?

O homem parou, assustado com a luminosidade. Seus olhos se arregalaram, fixos em mim. Ele não parecia com medo... parecia encantado. Observava como se tivesse feito uma descoberta rara, mas eu não sabia reconhecer o que ele estava tentando demonstrar.

Uma de suas mãos apertava a orelha de onde brotava o mesmo brilho sutil que emanava de mim.

Então, ele me segurou com firmeza e me levou até a superfície.

Assim que emergimos, ouvi um grito.

- Senhor! Por favor! Não a reanime! Isso pode matá-la!

A voz era de um mago da nossa casa. E, com um gesto, ele drenou a água dos meus pulmões usando magia.

A escuridão me engoliu antes que eu pudesse ver o rosto daquele homem de novo, queria lembrar quem ele era, isso parecia ser importante.

Mas eu nunca esqueceria o toque dele. Quente, poderoso. Como se sua presença tivesse se marcado em mim para sempre.

Dois dias se passaram até que eu finalmente despertasse.

Descobri que meu sono não havia sido causado pelo toque misterioso, mas sim por um procedimento mágico para estabilizar meu corpo. Tentei entender o que havia acontecido, mas ninguém me dava respostas.

Lana havia sido descoberta. Todos sabiam que ela me empurrou.

Nosso relacionamento, que já era frágil, desmoronou de vez. Passamos a viver como estranhas sob o mesmo teto. E, mesmo que todos me defendessem, eu me sentia culpada. Porque eu entendia o que havia dentro dela.

Ninguém comentava sobre o que tinha acontecido, sobre a visita daquele dia, não sei se eles receberam o grande alfa, mas isso não me importava, eu só queria saber...

Quem era o homem que me salvou?

Minha mãe se recusava a me contar. Dizia que eu era só uma menina, e que aquilo não era assunto para alguém da minha idade. Mas algo dentro de mim dizia que ele era importante.

O tempo passou, eu já me movia sozinha, com força e firmeza. Minha recuperação havia sido um milagre ou uma consequência do que aconteceu no lago. Ainda assim, meus pais mantinham minha existência em segredo.

Desde que nasci, o mundo nunca soube da minha presença. E agora, mesmo recuperada, o mistério continuava.

Mas naquela manhã, o dia tinha começado estranho.

Fui chamada à sala particular da mansão. Meus pais queriam me contar algo.

E, pelo tom em suas vozes... era algo grande, encontrei Lana no corredor, ela não parecia muito feliz enquanto me encarava com desgosto.

- Esta feliz, por conseguir o que me pertencia? - ela perguntou em seguida me dando as costas.

Capítulo 3 Cap. 3: Rumores de armação.

- como assim... vocês querem que eu me case com o alfa. - perguntei sentindo minhas pernas tremerem.

Disseram que eu tinha um parceiro, mas não revelavam muitos detalhes. Imaginei que se tratava de algo complexo, que eu precisaria reconhecer meu parceiro e ele a mim. Como podiam escolher algo assim para mim? Eu nem mesmo conheço ele, eu nunca julguei Lana por ter macula por esse alfa, mas... o que eu tenho a ver com isso dizem que ele tem centenas de anos...?

- Não se preocupe, Samuel Kan é um homem inteligente e bonito - disse minha mãe, demonstrando insegurança e desviando o olhar. Isso me deixou ainda mais intrigada, com certeza ele não é isso.

- Mamãe... vocês me ofereceram a ele?

- Nunca faríamos isso! - protestou ela.

- Mas... de repente Samuel Kan se interessou por uma de vocês.

- Tem certeza que não foi por minha irmã Lana? - perguntei esperançosa.

- Não é sua irmã, ele foi bem claro. Além disso, foi naquele... - meu pai ia dizer algo, mas minha mãe o interrompeu.

Que segredos eles estavam escondendo agora? Quem era Samuel Kan? Se ele era um lobo centenario, como os rumores diziam, com certeza era um ancião!

- Apenas pense que você está ajudando a acabar com um conflito que já dura mais de cem anos desde que chegamos nesse reino. - disse minha mãe, com a voz carregada de mágoa. - A família Kan vai finalmente poder compreender porque acolhemos magos e feiticeiros. Eles não poderiam estar nos acusando, já que ele abriga várias das deusas do destino. Essas mulheres não trazem nada além de caos.

- mas o que eu tenho a ver, apenas ofereçam isso a Lana, ela quer se casar, ela sempre gostou do alpha... - choraminguei em pânico, eu não podia ficar com o alpha, não tinha possibilidade.

É cansativo mesmo com dezesseis anos eu já tinha que carregar isso nas minhas costas, ao menos ele pediu para que eu fosse entregue daqui a dois anos, eu tinha bastante tempo para me preparar, me preparar para morrer porque com certeza era isso que aconteceria.

Sai do escritório desolada, passei os dias pensando no homem do lago... para ser sincera... talvez seja um único homem que eu consiga encostar na minha vida, mas é um homem misterioso que ninguém consegue saber quem é, mas eu sei que alguém mais o viu, mas as lembranças sobre ele é como uma pintura embaçada debaixo da agua.

O dia fatídico finalmente chegou. Eu seria "reclamada" por Samuel Kan, mas não conseguia entender quando e como ele me conheceu, pensei que os alfas deveriam ficar com suas companheiras destinadas, porque ele estava tão interessado em mim?

Nunca tive a oportunidade de saí da mansão, sempre limitada aos jardins e jamais ultrapassando seus muros altos.

Ainda assim, esses dois anos, meu quarto se enchia de caixas de presentes que chegavam a todo momento, Samuel Kan os mandava para mim, como um alfa atencioso com sua futura esposa.

Eu nunca as abria, recusando-me a receber presentes de um desconhecido, apenas os empilhava como se fossem caixas vazias.

Os presentes já tomavam toda a parede do meu quarto, para mim aquele homem tinha essa aparência, de várias caixas empilhadas, já que eu nunca o vi.

- Maya, se vista, vamos seguir para a mansão Kan, seu casamento será incrível. - minha mãe disse animada.

Eu olhei ao redor procurando Lana, pensei que talvez... só talvez poderíamos trocar de lugar, mas ela mal dirigia a palavra a mim.

Me arrumei com um vestido longo e simples e sapatilha e segui para o andar de baixo, esses dois anos eu não mudei muito, magra, pele apática, fraca, cabelos compridos, coloquei um prendedor de flor dourada na lateral para parecer mais agradável.

O vestido que eu usaria, me disseram, foi feito por um homem importante. Mas como ele saberia minha medida? Obvio, meus pais.

Não importa o quão luxuoso seria, o medo me consumia, principalmente por sabe que é um idoso.

Toda a família seguiu para a imponente mansão onde ele vivia. Uma comitiva de líderes os aguardava, ansiosos pelo enlace.

Ao chegarem, a grandiosidade da propriedade se revelava em um silêncio quase sepulcral. Apenas empregados e seguranças movimentavam-se pelo local, contrastando com a vastidão vazia da mansão, fiquei feliz que não precisaria ficar presa no quarto, aquele lugar era bem maior que a mansão de meu pai, o que pensei que não poderia ser possível, mas não conheço nada do mundo mesmo, comecei a caminhar pelo local para passar o tempo enquanto os maquiadores não chegavam.

A grandiosa mansão, um verdadeiro labirinto de opulência, me acolheu em seus corredores adornados com tapeçarias milenares e esculturas que pareciam sussurrar histórias de um passado glorioso. Meus passos ecoavam no mármore polido, enquanto a luz dourada do sol poente se infiltrava pelas janelas de cristal, criando um espetáculo de cores que dançava nas paredes.

De repente, meus olhos se depararam com uma porta monumental, talhada em madeira maciça e adornada com intrincados relevos em espiral.

A curiosidade me impulsionou a avançar, e, ao me aproximar, notei que a porta estava entreaberta. Através da fenda, pude vislumbrar um ambiente que me deixou sem fôlego.

No interior de um luxuoso escritório, três homens conversavam em animadas gargalhadas. Eram trigêmeos, idênticos como gotas de água, cada um com uma beleza estonteante que me arrebatou.

O mais próximo da porta, de cabelos negros como a noite e olhos castanhos, segurava uma taça de vinho tinto com ar despreocupado.

Ao seu lado, o segundo irmão e o terceiro irmãos, todos iguais, seriam três vezes pecados monumentais.

Seus corpos musculosos eles usavam ternos impecáveis, realçando sua aura de poder e sofisticação. A mobília do escritório era estilo época vitoriana, feita com madeiras nobres e estofados em veludo carmesim. Tapetes persas cobriam o chão, e livros antigos se amontoavam em estantes.

As risadas dos trigêmeos ecoavam pelo ambiente, enquanto suas palavras, carregadas de segredos, despertavam em mim uma curiosidade insaciável.

- Tudo certo - disse um dos trigêmeos, com um sorriso levemente irônico. - Quando ele vier para cá nos encontrar, daremos isso a ele e assim poderemos manchar sua imagem. Ele tem mantido uma postura incorruptível desde sempre, mas não vai conseguir manter isso por muito tempo tomar apenas uma gota disso.

Ele ergueu a mão, revelando um frasco com um líquido lilás que brilhava sob a luz fraca do escritório.

- Seria bom que ele morresse de uma vez! - exclamou outro dos trigêmeos com um tom brutal.

- Não esqueçamos que ele tem origem divina - ponderou o terceiro irmão com voz calma. - Lobos da linhagem dele não morrem fácil assim. As chances de ele sobreviver são grandes. Por isso, melhor apenas tramar e sujar sua imagem. Assim, poderemos liderar.

Eu me afastei silenciosamente da porta entreaberta, meu coração batendo forte no peito. Nada de diferente estava realmente acontecendo. Entre grandes famílias, conspirações e traições eram comuns. Se eu me envolvesse, acabaria me prejudicando.

Meu objetivo era seguir com o plano e cumprir com o casamento com esse desconhecido, Samuel Kan, filho mais velho de Gael Kan.

Ao voltar para o meu quarto, encontrei um batalhão de pessoas me esperando: maquiadoras, cabeleireiras e costureiras para ajustar o vestido que eu nem mesmo me dei ao trabalho de olhar.

Era uma peça fascinante, digna de um casamento deslumbrante e exageradamente luxuoso.

Após quase duas horas de preparação, eu estava pronta. Do lado de fora, agora, havia uma multidão que eu observava furtivamente pela janela.

Ouvi rumores de que Samuel Kan ainda não havia chegado. Já estava de noite e faltavam poucos minutos para o casamento, mas nem sinal dele.

A cada minuto que passava, minha ansiedade aumentava.

- Ele não cumpriu com o acordo! Eu quero ir embora! Não quero ser uma noiva abandonada no altar! - berrei quando meus pais entraram na sala, essa era a minha chance de dramatizar e fugir dessa loucura, eu sei que no momento que ele colocar as mãos em mim, eu vou acabar ficando em coma.

- Querida, tenha calma - disse minha mãe, tentando me acalmar. Mas ela e meu pai trocavam olhares desconfiados. Ele tinha desistido, eu podia sentir.

- Eu não quero mais me casar! - berrei com todas as minhas forças, mas minhas palavras pareciam ecoar no vazio. Meus pais não me ouviam, cegos por seus próprios objetivos.

Tentei escapar pela porta, mas meu pai me segurou com força bruta, me arrastando de volta para a cama. O volume do vestido me impedia de lutar, me deixando à mercê da sua fúria.

- Você não vai fugir! Nem que ele venha amanhã, você vai esperar! - ele gritou, sua voz carregada de autoridade.

- Não sou um brinquedo! Diga a ele que eu não vou me casar! - implorei, lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto. Mas pela primeira vez, senti o peso da mão de meu pai contra a minha face. Naquele momento, a realidade me atingiu como um raio. Eu era apenas um objeto, um meio para alcançar um acordo que não me beneficiava em nada. Me entregavam sem hesitar, mesmo sabendo dos riscos que isso representava para mim.

Fingi que estava convencida, assim que eles saíram, aproveitei minha única oportunidade.

Corri para a janela. Era a minha única chance de liberdade. Olhei para o grande jardim, deserto e silencioso. Era a noite perfeita para a minha fuga, parece que todos os convidados já entraram e estão aguardando o maldito Kan.

Mas como descer? A mansão era alta, e eu não tinha as habilidades necessárias para escalá-la. Subi no peitoril da janela, buscando uma solução. Um grande pinheiro se erguia majestosamente ao lado da minha janela, suas galhos frondosos oferecendo uma rota de escape.

Com cautela, pulei na esperança de consegui me segurar um dos galhos, era isso ou morrer, consegui! comecei a escalar a árvore.

Do alto do pinheiro, observei a mansão adormecida. Ninguém me veria escapar, protegida pela escuridão e pelas folhas exuberantes da árvore.

Com um último impulso, pulei do galho mais baixo, aterrissando com sucesso no solo macio do jardim.

Corri o mais rápido que pude, meus pés descalços pisando na grama úmida a fileira de pinheiros e moitas me esconderiam.

A mansão diminuía à minha vista, cada passo me afastando daquela prisão dourada, me aproximando de seus muros gradeados, mas algo me chamou atenção quando olhei para uma parte com muitas moitas e arvores, um homem estava jogado no chão, a penumbra da noite não permitia que eu visse seu rosto com clareza, mas ele estava com a respiração irregular mantendo a mão sobre o peito.

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