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Luz do Meu Destino (CASADA POR CONTRATO COM O VIÚVO)

Luz do Meu Destino (CASADA POR CONTRATO COM O VIÚVO)

Autor:: Diene Médicci
Gênero: Romance
Kamile tinha uma vida tranquila, planos para o futuro e um noivo em quem confiava cegamente. Mas tudo desmorona quando seus pais morrem em um trágico acidente. Vulnerável e perdida pelo luto, ela vê o homem que prometeu amá-la roubar não apenas sua herança, mas também sua dignidade. Sem dinheiro, sem amigos e sem ter para onde ir, Kamile se torna praticamente uma empregada dentro da casa do próprio ex-noivo, obrigada a suportar humilhações diárias para não acabar na rua. Quando acredita que sua vida chegou ao fundo do poço, o destino coloca Layla em seu caminho. Gentil, generosa e dona de um coração imenso, Layla estende a mão para Kamile e a acolhe em sua família. Pela primeira vez em muito tempo, Kamile encontra carinho, amizade e uma razão para recomeçar. O que ela não imagina é que Layla guarda um segredo devastador: um câncer agressivo que pode lhe tirar a vida a qualquer momento. Determinada a garantir o futuro da pequena Amara, sua filha, Layla começa a fazer planos para depois de sua partida. Porém, existe um obstáculo perigoso em seu caminho: Jinn, seu marido. Frio, calculista, temperamental e acostumado a controlar tudo ao seu redor, Jinn não gosta da presença de Kamile desde o primeiro instante. Entre provocações, discussões e uma convivência forçada, ele se torna um dos maiores desafios da vida dela. Enquanto tenta reconstruir sua própria história, voltar a estudar e conquistar independência, Kamile acaba se envolvendo em situações inesperadas, novos relacionamentos e escolhas que mudarão seu destino para sempre. Mas quando uma gravidez inesperada surge em meio ao caos, segredos são revelados, laços são colocados à prova e sentimentos proibidos começam a nascer. Entre perdas, recomeços, amor, amizade, dor e sacrifício, Kamile descobrirá que algumas pessoas entram em nossas vidas por acaso... e outras porque já estavam escritas em nosso destino. Porque certas histórias não são coincidência. São Maktub.

Capítulo 1

Kamile é uma jovem mimada que cresceu vivendo debaixo das asas de seus pais. Sempre teve tudo do bom e do melhor, nunca se esforçou por nada disso, se acostumou a pensar que era merecedora de tudo. Após a perda repentina deles, em um assalto seguido de homicídio, faltando poucos meses para seu grande e tão sonhado casamento com Caio, seu amado, ela vê tudo mudar, precisa amadurecer à força e descobre estar dormindo com o inimigo. Seu noivo, que sempre pareceu ser alguém que nunca a deixaria, que sempre a mimou e demonstrou ser um homem perdidamente apaixonado.

Caio se tornou outra pessoa, terminou tudo e a fez até de empregada, alegando que ela não o amava, usando de justificativa que ela quis desmarcar a festa.

No pior momento de sua vida, Kamile encontra uma luz, alguém especial que a salva de tudo e muda o seu destino para sempre. Layla é uma mulher espontânea, animada, de classe média alta, casada com um advogado de gênio difícil, que carrega o apelido de Jinn, "não como a bebida, mas sim como o demônio".

Esse homem se põe contra a amizade das duas logo de começo. Ele é sócio do Caio e não quer a Kamile por perto, mas ela cativa a amizade sincera de Layla, vai morar com eles, virando a babá, e é envolvida em uma sequência de acontecimentos fortes, que deveriam dizer respeito só à família.

Layla está doente e quer garantir o futuro de sua pequena filha Amara, uma menina mimada que não aceita ninguém novo em sua vida e atormenta as babás incansavelmente, e, ainda assim, cativa o amor de Kamile, eleita pela pequena "a melhor babá de todas".

Em busca da luz...

Eu nunca estive sozinha, estamos todos interligados por uma linha invisível do amor divino, juntos somos muito mais fortes.

Minha vida sempre teve um propósito!

Maktub é uma das mais belas palavras da língua árabe, significa (estava escrito / tinha que acontecer).

Não existe palavra melhor para definir essa história.

Como eu poderia evitar amar você, se nossos corações estavam destinados a se encontrarem e dividirem tudo de mais belo que tínhamos?

Capítulo 1

Seria difícil começar sem falar o quanto eu sempre fui feliz. Não existiam dias cinzas ou perturbações em minha pacata vida, o máximo que acontecia era alguma irritação minha por algo que me negavam, mas eu logo conseguia sem muito esforço. Meus pais sempre me amaram muito e acredito que, por isso, não sabiam impor limites. Festas exageradas desde criança, muitos presentes fora de época, coisas de marca, as melhores escolas e passeios, tudo regado a muito carinho e proteção. Sempre confiei completamente neles e amava imensamente minha família.

A vida toda eu tive muitos amigos, sempre como eu, de classe média alta, sem muitas responsabilidades. Quando crianças fazíamos festas e, ao crescermos, começamos com as viagens. A primeira foi aos quinze anos, para uma praia maravilhosa com a escola. Quase perdi minha virgindade lá, mas não rolou. Eu já namorava com um amigo de infância e foi tudo traumático, nós não tínhamos malícia para aquilo. Logo o namoro se acabou e continuamos amigos.

Sempre fui tranquila, não era de sair aprontar, respeitava muito meus pais. Eu tinha o que muitas pessoas queriam ter e me acostumei a achar que eu era digna e merecedora de absolutamente tudo. Meu pai, diretor de uma multinacional, sempre compensou a ausência dele em casa com bens materiais, eu adorava isso. Minha mãe negou a paixão dela por moda, costura e trabalho para se dedicar a ser mãe e dona de casa, sempre escondida à sombra de meu pai. Eles eram daqueles casais que davam até orgulho de se ver, super companheiros, dedicados ao casamento, muito apaixonados um pelo outro desde a adolescência. Tinham mais de trinta anos de casados e nunca brigavam por nada.

Eu nunca gostei muito de estudar, também nunca precisei trabalhar, então a minha vida era diversão garantida. Depois de terminar o colegial, comecei alguns cursos e abandonei a maioria. No meu dia a dia eu ia nadar, tomar sol quase sempre, ficava assistindo TV, dormia tarde e acordava tarde, ia à academia e ficar com as minhas amigas à toa, e à noite sempre ia namorar, todos os dias.

Eu estava noiva do Caio, que era advogado, um fofo que só conseguia mostrar para mim esse lado dele. Nos conhecemos em uma festa da empresa. Ele não tirou os olhos de mim a noite toda e me adicionou nas redes sociais. Por semanas só ficou curtindo minhas fotos e, quando eu curti uma dele, no dia seguinte recebi uma rosa vermelha na porta de casa, com um convite para jantar, escrito à mão.

Ele falou que gostou de mim e que queria me conhecer melhor. Quem entregou foi o motoboy da empresa. Eu fiquei surpresa, o Caio não me passou o telefone e nem falou comigo para saber se eu iria. A data e o horário eram para o dia seguinte.

Conversei com a minha mãe e fui. Ela mesma me levou, ficou animada, achou engraçado. Fui com um vestido vermelho colado ao corpo, cabelo solto com cachos, salto alto preto elegante de bico fino, super maquiada. Fiquei intrigada, curiosa.

Quando entrei, logo o vi se levantando com cara de bobo. Envergonhada, fui até ele. Nos cumprimentamos com beijo no rosto, ele se apresentou, puxou a cadeira para mim, perguntou se eu estava com fome, foi tomando iniciativa, pedindo o cardápio. Quis saber quais eram as minhas preferências de comida e se eu bebia.

Fiquei encantada com a segurança dele. Eu não tinha costume de me envolver com homens já feitos, eu só ficava mais com jovens da minha idade.

Conversamos por horas, rimos bastante. Na hora de pedir a sobremesa, ele gentilmente me serviu a dele na boca. Era um camafeu com ganache. Ele derrubou em mim, sujou meu vestido. Eu tive uma crise de risos e o deixei super constrangido quando falei que o vestido era novo, comprado especialmente para sair com ele.

Ao sair do restaurante, falei que ia chamar minha mãe para me buscar. Ele disse que poderia me levar. Preguei uma peça nele, falando que eu queria dirigir seu carro. Todo sem jeito e sem gostar, ele falou que tudo bem, me deu as chaves. Fomos indo para o carro, comecei a rir e falei que não sabia dirigir coisa nenhuma. Ele ficou aliviado, mas disse que poderia me ensinar um dia, talvez em um próximo encontro.

Capítulo 2

Falei que talvez podia acontecer, encostei no carro e ele não tomava uma atitude. Pedi para ele me levar em casa. Quando chegamos não teve beijo, nos despedimos com um abraço.

Conversamos muito na madrugada. No dia seguinte recebi um e-mail. Ele fez um convite digital para me levar ao cinema, sugeriu que eu levasse um babador. Achei aquilo fofo e aceitei.

Ele passou para me buscar em casa e entrou, falou com meus pais. Depois ele escolheu o filme e, quando falei já no começo que não estava gostando, ele disse que era essa a intenção. Me pediu um único beijo e não nos largamos mais.

Em uma semana estávamos namorando. Só fomos para a cama quase dois meses depois, em uma viagem, a nossa primeira sozinhos. Ele decorou o quarto e foi tudo incrível.

Antes de noivar, namoramos dois anos. Eu era completamente apaixonada por ele, sempre postava nossas fotos com declarações, nem tinha olhos para mais ninguém. Eu sonhava com o nosso casamento antes mesmo de noivarmos, eu via um futuro ao lado dele. Eu tinha tudo que precisava, as pessoas invejavam nosso relacionamento.

Fomos a uma viagem em família no fim do ano, com nossos pais e, como presente de casamento, ganhamos um apartamento. Meus pais deram um valor alto, cerca de cinquenta mil, para a entrada e os pais dele o restante. Nos entregaram as chaves em uma caixinha de presente, com uma foto do apartamento. Ficamos muito felizes, foi completamente inesperado. Tudo estava indo mais do que bem.

Íamos nos casar em maio, o mês das noivas. Voltamos de viagem no começo do ano, dia 02/01, com muitos planos. Eu estava ficando l.o.u.c.a com os preparativos.

Fizemos uma viagem curta após uma semana que tínhamos voltado para casa depois do réveillon. Fomos eu e o Caio apenas. Ele foi a trabalho e eu fui para acompanhar. Ficamos em um hotel incrível com vista para o mar.

No dia que voltamos de viagem, estávamos chegando na minha casa quando passaram três viaturas por nós, correndo a todo vapor. Já me senti m.a.u ao vê-las. Conforme fomos andando, vi que estavam na minha casa. Tinha muita gente em volta.

Desci correndo, atordoada, e soube que meus pais foram mortos em uma tentativa de assalto. Os bandidos tinham batido o nosso carro e estavam presos nas ferragens ali perto.

Foi o pior dia da minha vida.

Desmaiei assim que soube. Fiquei muito m.a.u, querendo morrer junto. O Caio cuidou de mim, me amparou com todo amor do mundo. Ele quem cuidou de tudo do velório. Eu só sabia chorar todos os dias.

Minha família era pequena. Foi uma tristeza e revolta muito grande com a perda dos meus pais. Fiquei dias sem comer, sem conversar, m.a.l tomava banho. Fiquei todos os dias do luto, a pior parte, na casa do Caio.

Eu não sabia o que pensar, como iria ser a minha vida sem meu alicerce, minha família. E o Caio foi me amparando, me dando papéis para assinar, para ele tomar conta de tudo. Ele até explicava, mas eu não entendia nada.

Ele ficou de cuidar das dívidas da casa. Meu erro foi esse, me deixar levar, cega de confiança por um grande amor.

Cerca de um mês depois eu decidi voltar para casa e o Caio me convenceu a nos mudarmos para nosso apartamento. Minha casa era alugada mesmo e eu não poderia gastar com aluguel, sendo que tinha uma própria.

Nos mudamos em semanas. Levei todos os meus móveis e falei logo sobre adiar o casamento, porque eu não estava pronta, não estava no clima para mais nada daquilo.

Ele reagiu muito m.a.l, brigou comigo, disse que se eu fosse desmarcar, ele não casava mais. Eu nem fiquei debatendo, só falei várias vezes que eu tinha perdido tudo e que nada mais fazia sentido, não como antes.

Conversei com meus sogros, eles me ajudaram falando com ele e acabamos desmarcando o casamento. Todo mundo entendeu muito bem, menos o Caio. Ele ficou dias me tratando mal, me ignorando, e eu sempre querendo fazer as pazes, fazendo tudo pelo nosso melhor.

Semanas depois, era uma sexta-feira. Eu estava em casa esperando o Caio para jantar. Ele saiu com amigos depois do trabalho e nem me avisou. Chegou muito tarde, era mais de meia-noite, estava fedendo a bebida. Passou por mim na sala como se eu fosse um móvel apenas.

Deixei quieto porque não ia adiantar tentar conversar.

Cedo, no outro dia, quando ele levantou, falei:

- Bom dia, como você tá? Bebeu muito ontem?

Capítulo 3

Ele pediu água e um remédio para dor de cabeça. Peguei, o servi e falei:

- A gente não pode ficar assim, você vem me tratando de qualquer jeito faz tempo. Eu tô sofrendo muito pela perda dos meus pais e você só está piorando tudo.

Ele sentou na cama e respondeu cabisbaixo:

- Se não está bom para você, pega suas malas e some.

Comecei a chorar e respondi indignada:

- Por que você tá fazendo isso, Caio? Se é tão importante para você casar, então vamos marcar logo, uma cerimônia só para os íntimos. Você sabe que eu te amo e sonho com o nosso casamento há muito tempo.

Ele riu irônico e respondeu que não se casaria nunca mais comigo, que a culpa era minha. Começou a me humilhar com palavras, me chamando de mimada, chata, arrogante e prepotente.

Saí do quarto chorando, nervosa. Ele foi atrás e continuou falando várias coisas. Disse que eu devia me m.a.t.a.r logo porque parecia uma múmia pela casa.

Me calei e engoli o choro. Fui ficar na sala quieta.

Depois, à tarde, eu estava na sala assistindo TV, extremamente triste. O Caio saiu do quarto, sentou no sofá, pediu desculpas e começou a me beijar e me acariciar. Não estávamos dormindo juntos há semanas, eu não conseguia ter relação. Acabamos ficando juntos, mas, quando acabou, ele ainda continuou um pouco frio. Foi tomar banho e deitou sozinho.

Perguntei onde ele foi e com quem, na noite anterior. Era mais ou menos 17h20. Novamente brigamos e ele disse:

- Por que você quer mandar em mim? Vou sair hoje de novo!

Falei que não era certo tudo o que ele estava me fazendo. Ele respondeu que não estava se importando com o que eu achava. Ficou trocando áudios animados com os amigos, falando de sair para beber.

À noite ele tomou banho, se arrumou e saiu. Não falou onde ia. Fiquei péssima, mas até comecei a gostar de ficar sozinha, porque quando ele estava em casa só me tratava m.a.l, com indiferença mesmo. Se me via chorar, me mandava engolir o choro e ir para longe dele.

Não o vi chegar, pois fui dormir antes.

No domingo fomos almoçar com os pais dele e ele voltou a me tratar mais normalmente. Não falei nada para ninguém, com vergonha. Guardei tudo para mim, afinal era só uma má fase e eu estava na pior.

As coisas entre nós voltaram um pouco ao normal. Quando ele me procurava, ficava mais tranquilo, mas eu falava que não queria. Ele ficava emburrado, então passei a fazer só para agradar.

No Carnaval fui viajar para a casa de familiares, ficar dois dias fora. Eu tinha que levar uns objetos de família para eles. O Caio estava trabalhando direto e não pôde ir comigo.

Fiquei um dia e resolvi voltar de surpresa, porque o Caio disse que estava gripado e eu não quis deixá-lo sozinho doente.

Voltei no sábado à noite. Cheguei de madrugada, eram mais de 4h00...

Fui entrando sorrateiramente para não acordar o Caio. Abri a porta da sala e vi um par de tênis de mulher que não era meu. Fui andando sem acreditar. Vi o outro par de sapatos dele e roupas jogadas no chão, todas emboladas, vestido de mulher e roupas dele.

Continuei entrando. Chegando no corredor, comecei a ouvir barulhos vindos do quarto. Eram g.e.m.i.d.o.s explícitos.

A porta do quarto estava entreaberta.

Eu não podia acreditar no que estava vendo.

Tinha uma mulher ruiva n.u.a cavalgando lá em cima do Caio. Eles pareciam estar muito à vontade na minha cama, até trocando beijos e carinhos. Ouvi perfeitamente ele elogiando ela.

Comecei a chorar. Fui para a sala, sentei e a ficha não estava caindo. Aquilo era demais para mim. Eu não conseguia reagir e nem voltar lá para brigar. Sempre fui l.o.u.c.a pelo Caio e confiava demais nele.

Fiquei um tempo lá aos prantos. Criei coragem e voltei ao quarto.

Haviam mudado de posição. Ela estava de quatro e meu noivo se divertindo muito.

Eu voltei para brigar, tomar uma atitude. Quando apareci na porta, ele me viu, se assustou, parou na hora, foi se cobrindo e disse alterado:

- O que você está fazendo aqui?

Falei entrando no quarto:

- Quem é essa v.a.g.a.b.u.n.d.a, Caio? Como você pode trazer outra mulher aqui, na nossa casa, nossa cama? Como você pode fazer isso comigo?

Ele foi até mim às pressas, enrolado no lençol. Estava bêbado. Me empurrou.

Fui para a sala, quebrei dois porta-retratos nossos. Ele começou a pedir perdão, falando que não era nada. Disse que foi apenas um m.a.l-entendido.

A menina ficou no quarto.

Falei para ele, o empurrando para longe de mim:

- Vou sair e, quando voltar, não quero você aqui. Quero que você vá embora! Acabou tudo, Caio.

Peguei a bolsa e saí transtornada. Não tinha para onde ir. Fiquei nas escadas do prédio chorando por horas e horas.

Quando foi 6h40 da manhã, subi. Abri a porta. O Caio estava sentado na sala com cara de choro.

Fui entrando. Ele se levantou, foi até mim e falou:

- Vamos conversar. Me perdoe, amo você. Deixa eu me explicar!

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