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MENSAGEM PRA VOCÊ

MENSAGEM PRA VOCÊ

Autor:: RENATA PANTOZO
Gênero: Romance
Diana é uma sonhadora escritora que possui sua própria livraria. Apaixonada por livros e romances que a fazem sonhar com uma linda história de amor. Joaquim é um viúvo que se desdobra na vida para cuidar de sua pequena Dulce. Escreve para uma coluna de um jornal sobre o amor e suas consequências. Uma mensagem de crítica ao colunista faz a mágica do amor acontecer.

Capítulo 1 -1

NARRAÇÃO DIANA

Observo as pessoas passando pela janela em sua correria cotidiana. Rodo a colher em minha xícara de café e suspiro.

- Você precisa sair desse mundinho de rata de biblioteca.

Olho para Milene que sorri segurando uma caixa com os novos livros do setor infantil.

- Gosto de ser uma rata de biblioteca. Não sei porque tenho que sair desse mundo.

Digo sorrindo voltando a olhar a janela.

- Você não tem vida social, Diana. Você não sai e não se diverte desde....

Ela para suspirando.

- Desde que Marcelo te abandonou.

Levo a xícara à boca e tomo um gole longo do café. Não quero falar sobre ele.

- Já faz um ano e você ainda está assim. Você se trancou nesse seu mundo e não sai mais dele. Precisa conversar e falar sobre isso. Você nunca fala o que sente.

Senta a minha frente e pega a minha mão.

- Fala comigo. Por favor!

Pede e fecho meus olhos.

- Quer que eu diga o que? Que me dói o fato de ter amado um homem de merda como Marcelo.

Que dói saber que durante dois anos que estivemos juntos ele esteve com a Lorena e comigo e eu nunca soube. Que ele optou em ficar com ela quando ambas descobrimos. E que ele casa daqui três meses com ela. Não quero pensar nisso Milene. Me nego a sofrer por ele. Prefiro me enfiar nos livros. Prefiro me dedicar a minha livraria, que é o que realmente me faz feliz.

Abro meus olhos, a vejo abrir um enorme sorriso e se levanta.

- Pelo menos já sei o que pensa. Pela primeira vez falou o que está sentindo e isso já me faz feliz. Tente pelo menos viver em um mundo fora daqui. Você merece.

- Vou comprar um café e um jornal.

Digo me levantando da mesa.

- Você ainda nem tomou o seu.

Diz apontando para a minha xícara.

- Graças a você esse café está amargo. Obrigado por estragar um café maravilhoso e um momento de paz observando a janela.

Digo abrindo a porta e seguindo para a rua. Sei que é imaturo da minha parte me fechar e sei que tenho que superar, mas não dá. Eu amo Marcelo, ou amava, já não sei mais. O fato é que dói saber que não fui eu a escolhida. Que não serei eu vestida de noiva feliz daqui três meses. Entro na cafeteria e paro na fila. Assim que chego no balcão, João sorri de forma calorosa. É sempre assim quando venho aqui.

- Oi Diana!

- Oi João!

- O de sempre?

- Sim. Um café e um bolo de chocolate com cobertura extra.

Ele sorri e segue para a máquina de café.

- Nunca vai aceitar o meu convite para jantar?

Pergunta sorrindo. Ele é lindo, o homem perfeito para se admirar. Alto, cabelos claros, olhos verdes e um sorriso safado. Mas infelizmente não sinto ligação alguma.

- Um dia quem sabe.

Digo sorrindo pegando o café e o bolinho.

- Sexta estou de folga.

Me encara com seus sorriso de molhar a calcinha.

- Vamos ver.

Pago e sigo para a rua. Paro na banca e observo as revistas e jornais. Pego o Jornal de São Paulo e abro na pagina da coluna do JD. Ele é um idiota machista que não acredita no amor. Não sei porque ainda teimo em ler a coluna dele. Talvez seja para ofendê-lo mentalmente. Isso me deixa mais feliz. Começo ler a matéria andando até a livraria. Bato em algo duro e me assusto. Não lembro de ter um poste aqui. Mãos fortes envolvem meus braços e ergo meus olhos. Por um momento fico sem ar e sinto meu corpo arrepiar.

- Me desculpe!

Digo sentindo meu rosto corar. Merda! Odeio quando fico assim. Ele sorri e aperta ainda mais meus braços. O homem é bem alto e aparentemente magro.

- Tudo bem! Apenas evite ler enquanto anda pelas ruas. Pode ser atropelada.

Não consigo dizer nada, simplesmente pelo fato de encarar lábios sedutores e maravilhosos para beijar.

- Preciso ir!

Diz soltando meus braços e sinto uma necessidade enorme de dizer a ele para nunca parar de me tocar. Olha para o jornal e depois encara meus olhos. O tom de seus olhos é diferente. Não são azuis, mas também não são castanhos. Eles mudam de cor escurecendo e acho isso incrível.

- Fã do JD?

Pergunta sorrindo e sua boca é tão carnuda e perfeita.

- Não. Detesto ele.

Digo sorrindo sem graça e ele gargalha.

- Muitas mulheres o odeiam. Preciso ir mesmo! Foi um prazer esbarrar em você.

Pisca para mim e me derreto toda com a voz rouca e sedutora dele falando a palavra prazer.

- Até!

Digo o vendo sair sorrindo.

*************

Abro a porta da livraria ainda sentindo meu corpo queimar e meu coração saltar do peito.

- Diana, está tudo bem? Esta vermelha e ofegante.

- Está tudo bem! Apenas esbarrei em uma pessoa e me assustei.

Digo sem dar detalhes a Milene, lembrando daquele homem maravilhoso.

- Você está sorrindo.

Ela diz me encarando.

- Foi engraçado, só isso.

- Certo! Quer olhar as encomendas e ver se está tudo certo?

- Pode ser. Vou para o estoque, qualquer coisa me grita.

Confirma com a cabeça que entendeu.

- Comprei seu bolinho.

Digo entregando a ela que sorri e bate as mãos.

- Chocolate com cobertura extra?

- Sim...

Viro-me rindo sentido ao estoque.

Tento manter a atenção nas encomendas, mas me perco em lindos olhos de cor inconstante e uma boca deliciosa. Aquele cabelo escuro perfeitamente penteado, que meus dedos querem despentear. A voz rouca dele ainda ecoa em minha cabeça. Esse homem está dominando a minha mente e nem sei o seu nome e nem como encontra-lo novamente. Suspiro e tento manter o foco.

******************

A noite cai e estamos fechando a livraria.

- Até amanhã Diana!

- Até amanhã Milene. Tente chegar no horário.

Ela sorri e aproxima-se de mim.

- Dependerá do meu encontro com Leonardo hoje.

Ela sorri ainda mais e vira-se dançando como uma louca. Leonardo é o namorado dela e esses dois estão terrivelmente apaixonados e não controlam essa paixão. Sigo andando para o meu apartamento.

***********

Após tomar um banho e jantar, me sento no sofá e chamo o Zeca, meu cachorro. Ele pula no meu colo e se aconchega nas minhas pernas. Puxo o jornal e abro na coluna do JD. A cada parágrafo que leio a raiva me domina. Esse homem não acredita no amor e acha realmente que a mulher deve ser tratada como objeto pelo homem. Ele vive em que década? Ainda pensa como um Neandertal. Deve ser daqueles homens casados com uma mulher submissa que serve como troféu para expor a sociedade. Alguém tem que confrontar esse pensamento dele. Pego meu computador e o posiciono de lado sem atrapalhar o Zeca em meu colo. Abro minha caixa de mensagens e digito o email dele que estava no fim da matéria. Vou mostrar a ele como é um idiota.

Capítulo 2 -2

NARRAÇÃO JOAQUIM

Passo a mão pelo meu rosto pela milésima vez. Detesto escrever essa coluna. Começou como uma brincadeira com Júlio e virou isso que está na minha frente. Uma coluna machista e sem qualquer verdade minha. Disse que eu não teria coragem de escrever algo machista no jornal e eu como adoro um desafio, propus ao meu chefe uma coluna que cutucasse as mulheres. Ele amou a ideia. Disse que conquistaria tantas leitoras com ódio que poderia dar certo. Elas iriam acompanhar a coluna por raiva. Só que eu odeio escrever isso. Discordo da forma como JD descreve o amor e a relação entre o homem e mulher. Só que a coisa bombou. O jornal recebe cartas diárias de mulheres que me odeiam e homens que me amam. Estou tentando fazer meu chefe excluir a coluna, mas ele alega que é a mais lida no momento e não pode se desfazer dela. Meu telefone toca e vejo no visor o nome do meu chefe.

- Fala James!

- Que voz é essa? Nem parece o colunista mais comentado da atualidade.

- Comentado não, você quis dizer odiado.

Ele começa a rir.

- Chegaram mais cartas. Quer pegar?

- Você sabe que me nego a ler essas cartas de mulheres irritadas me ofendendo.

- O dono do jornal está adorando esse sucesso todo. O mundo quer saber quem é JD.

- Não quero que o mundo saiba que sou eu. Alias, não quero mais escrever essa coluna.

- Joaquim você não pode parar agora. O dono pedirá a sua cabeça se abandonar a coluna.

- Passe para outro jornalista. Tenho certeza que alguém adoraria me substituir.

- Sabe que você é o cara e deve permanecer assim.

Paro na fila do café e um par de olhos azuis me chamam a atenção.

- Está ai ainda?

James pergunta no telefone.

- Sim, mas preciso desligar. Tchau!

Desligo o celular e o coloco no bolso. Permaneço com meus olhos na mulher encantadora a minha frente. Ela sorri para o João no balcão que sorri para ela de um jeito sexy. Ele está a caça.... Quero observar isso. Quero ver se ela se renderá a ele. Tenta chama-la para sair, mas ela foge. Fica vermelha com a insistência dele e isso é encantador. O tom vermelho dela é lindo quando fica com vergonha.

- Outro dia talvez.

Ela diz sorrindo e observo seus lábios sedutores. Sai da cafeteria e faço meu pedido para João.

- Não teve muita sorte.

Comento rindo de João.

- Essa mulher nunca me deu bola. Ela é durona e linda.

Ele sorri e me passa o pedido.

- Qual o nome dela?

- Diana.

Lindo nome para uma linda mulher. Saio da cafeteria e a vejo olhando as revistas e jornais. Bebo meu café admirando seu corpo. Ela é magra, mas tem curvas. Cabelos cor chocolate não muito cumpridos. Jogo fora meu copo vazio e paro na calçada ainda olhando ela comprar um jornal. Começa a abrir o Jornal de São Paulo em busca de algo. Anda sem prestar atenção e me movo para ficar a sua frente. O corpo dela bate no meu, mas demora a me olhar. Minhas mãos envolvem seus braços e ela ergue seus lindos olhos me encarando. Abre a boca em busca de ar e observo os detalhes de sua boca.

- Me desculpe!

Diz corando e isso de fato é muito encantador nela. Dou um sorriso e aperto ainda mais seus braços. Gostaria de envolvê-la em meus braços.

- Tudo bem! Apenas evite ler enquanto anda pelas ruas. Pode ser atropelada.

Encara minha boca e morde os lábios. Sinto uma parte minha pulsar e isso é sinal de ir embora.

- Preciso ir!

Digo soltando os braços dela e volto meus olhos para o jornal em suas mãos. Está na pagina da minha coluna. Deve ser uma das mulheres que me odeiam. O pensamento me desagrada.

- Fã do JD?

Pergunto sorrindo, mas acho que sei a resposta.

- Não. Eu detesto ele!

Diz sorrindo fraco e eu começo gargalhar. Todas me odeiam. Isso é um fato mais que certo.

- Muitas mulheres o odeiam. Preciso ir. Foi um prazer esbarrar em você.

Pisco para ela e me viro para ir embora.

- Até!

Sussurra fraco e apenas sigo pronunciando o doce nome dela.

- Até Diana!

*****************

Sento-me em frente ao computador buscando inspiração para o próximo tema da coluna. É difícil ter inspiração quando o que escreve não é sua paixão.

- Papai, não quero mais pintar. Posso ver desenho?

Dulce diz pulando em meu colo. Aperto o corpo dela no meu e cheiro seu cabelo. Amo o cheiro dela.

- O que acha do papai ler um livro com você?

Digo passando a mão em seus cabelos dourados, ela começa a bater palmas e sorrir.

- Com chocolate quente?

Ela sorri ainda mais e eu não tenho como negar esse pedido.

- Com chocolate quente.

Pula do meu colo e corre para a cozinha, com seu pijama cheio de coelhinhos.

**************

Abro a geladeira e o armário em busca dos ingredientes.

- Papai, por que você não namora?

Paraliso diante da pergunta dela.

- Como assim?

- A tia Lívia é casada com o tio Jhon. A tia Jessica namora o tio Edu. Você não namora ninguém.

Me aproximo dela e fico de frente, nos olhando.

- Sou seu namorado.

Digo sorrindo e Dulce revira os olhos.

- Você é meu pai. Namorados beijam na boca e você precisa de alguém para beijar na boca.

Fala rindo, pulando em meu colo.

- Quem te disse isso?

- A tia Jessica.

Sabia que tinha dedo da minha irmã nisso.

- A tia Jessica é louca. Nem todo mundo precisa namorar.

- Mas ela disse que todo mundo merece amar e que você um dia vai encontrar alguém que o ame como eu amo.

Essa garota ainda me mata com essa fofura toda. Começo a morde-la toda e ela gargalha.

- Um dia quem sabe eu encontre alguém. Mas hoje eu sou feliz tendo só o seu amor.

Digo abraçando-a e nos levando para a sala com nossos chocolates. Senta ao meu lado bebendo o chocolate em sua caneca rosa e abro o livro para ler.

- Qual história hoje?

Ela mexe a boca de um lado para o outro.

- Preciso de novos livros. Cansei desses.

Seguro o riso.

- Amanhã vou com a tia Jessica comprar. Fazer coisas de meninas.

Não seguro mais e começo a rir, fazendo-a me olhar brava. Paro na hora.

- Leia essa.

Me entrega o livro da cinderela. Envolvo meu braço em seu corpo e começo a ler. Quinze minutos foi o suficiente de leitura para Dulce adormecer. Pego-a com calma e a levo para seu quarto. Beijo sua cabeça e a cubro. Sigo para o escritório tentar escrever algo. Sento à mesa e a tela pisca informando que recebi uma mensagem de um tal de DJ. Respiro fundo e clico em abrir.

De: DJ

Para: JD

Caro senhor colunista.

Creio que seja um homem, visto que escreve coisas machistas e irreais para os dias atuais. Quero deixar aqui minha singela opinião sobre sua coluna. É uma merda... Você trata a mulher como objeto e não acredita no amor. O que faz ainda no mundo? Deve ser uma pessoa infeliz e sem realizações na vida. Espero que um dia o amor bata a sua porta e te mostre que a mulher vai além de seios fartos e um corpo escultural para ser exibido. Boa noite e se torne algo melhor.

DJ

Capítulo 3 -3

NARRAÇÃO DIANA

Mando a mensagem e respiro fundo. Acho que ele vai ler amanhã cedo. Esfrego o pelo do Zeca e ele se abre todo para o carinho.

- O que acha de irmos para a cama Zeca? O dia hoje foi longo.

Assim que me viro para o computador para desligar, ele apita avisando que tem uma mensagem. Assim que olho de quem é, meu coração acelera. Oh merda!!!! É do JD. Respiro fundo e clico para ler.

De: JD

Para: DJ

Cara LEITORA (Sim.....LEITORA.) Porque da mesma forma que concluiu ser eu um homem, pude concluir pelo seu comentário preconceituoso sobre mulheres bonitas que é uma mulher. E uma mulher provavelmente feia e mal amada, que neste momento deve estar com um de seus doze gatos no colo sozinha, desejando ser uma peituda sexy ao meu lado. Isso que está sentindo chama-se inveja. Inveja por não ser uma delas e inveja por saber que nunca será. Sim o amor é para pessoas sem ambição na vida. E se acredita nisso deve ser uma desempregada ou dona de um negocio de família sem futuro. Acorde para a vida e pare de ver um mundo como um romance de literatura antiga. Uma boa noite com seus gatos.

JD

Estou bufando e irritada com a cara de pau desse idiota. Eu não sou feia, mas também não sou bonita. Não tenho inveja, apenas odeio homens que buscam um corpo e não o conteúdo. Ele é esse típico homem e isso me irrita. Penso em uma resposta, mas então me vejo sentada em meu sofá com meu cachorro. Sou essa pessoa infeliz sentada com seus doze gatos. Merda ! Me levanto sem responder e sigo para o quarto. Amanhã com calma respondo esse email ridículo. Deito na cama e Zeca deita em meus pés como faz toda noite. Tento dormir, mas minha mente toda está em torno desse infeliz. Fecho meus olhos e tento pensar em coisas boas. O homem dessa tarde me vem a mente. Começo a pensar em seus lábios e seus lindos olhos. O cheiro dele invade minha narina e meu corpo relaxa me levando a escuridão.

************

Abro a loja e vejo que Milene ainda não chegou. Hoje é o dia do Era Uma Vez. Uma vez por semana me visto de princesa e leio um conto de fadas para algumas crianças. Sempre no mesmo dia e horário. Fico feliz de já termos doze crianças que acompanham esse momento. Sigo para o espaço de leitura e arrumo as almofadas e as cadeiras dos pais que trazem as crianças. A porta da loja se abre e vejo uma Milene sorridente entrar.

- Bom dia, meu bem!

- Bom dia, Milene!

Ela sorri e segue para guardar a bolsa.

- Preparada para a tarde do Era Uma Vez?

- Sim... já deixei o vestido no quartinho.

- As crianças ficam encantadas quando você aparece. Já escolheu o livro?

- Ainda não. Estou buscando inspiração para escolher.

Segue para a porta, pra sair de novo.

- Vou buscar café. Quer o de sempre?

Confirmo com a cabeça e sigo para o computador. Preciso responder um certo email. Sento-me e respiro fundo. Abro a caixa de mensagens e clico no ultimo email do cretino do JD. Clico em responder e sigo digitando a mensagem. Leio o texto e aperto o botão enviar.

- Que cara é essa?

Milene está parada na minha frente com meu copo de café.

- Cara de quem acabou de ofender uma pessoa.

Ela sorri e balança a cabeça.

- Era o Marcelo?

- O Marcelo? Nem falo mais com ele. Por que pensou que era ele?

- Porque a única pessoa do mundo que te faria mandar um email assim seria ele.

Tomo um gole do café que me trouxe e suspiro

- Não o odeio Milene. Estou magoada e enojada pelo que ele fez, mas não o odeio.

Vira abrindo o saco com seu bolinho de chocolate.

- João mandou um oi. Ele disse que espera uma resposta sua para o pedido dele.

Um sorriso safado surge nos lábios dela.

- Quando vai aceitar sair com ele? O coitado está de quatro por você.

- Não me sinto atraída por ele. Não faz meu tipo.

- Diana, aquele homem faz o tipo de qualquer mulher.

- Milene, não vejo o corpo. Vejo o que a pessoa tem por dentro. Ele é lindo e simpático, mas não me sinto atraída pelo jeito dele.

Sorri e morde o bolo gemendo. Ela é uma figura.

O dia na livraria passa voando. Olho mais uma vez para minha caixa de mensagem e nada ainda de uma resposta dele.

- Não vai se arrumar?

Milene me pergunta arrumando os livros.

- Vou sim.

Saio do balcão e sigo para o quartinho. Olho-me no espelho e ajeito a saia. Respiro fundo e abro a porta para sair. Assim que saio, vejo uma linda garotinha de cabelos dourados olhando os livros do setor infantil.

- Posso te ajudar?

Vira assim que pergunto e leva as mãos a boca.

- Oh meu Deus! Uma princesa.

Começa a sorrir e pular e tento conter a risada.

- Não exatamente.

Digo me ajoelhando a sua frente.

- Sou a dona dessa livraria.

- Você é a dona dessa livraria e princesa?

Pergunta com os olhos brilhando. Não gosto de mentir, mas ela está tão encantada que não tenho coragem de contar a verdade.

- Posso te contar um segredo?

Ela diz que sim com a cabeça levando as mãos ao peito.

- Sou a dona dessa livraria para esconder meu verdadeiro segredo. Na verdade sou uma princesa em busca de um príncipe. Escondo-me aqui da bruxa má.

Sorri e pula em meu pescoço.

- Eu sabia que princesas existiam.

Me pego sorrindo e abraçando essa linda garotinha.

- Qual o seu nome?

- Dulce. Tenho quatros anos!

Diz passando a mão em meu rosto.

- Dulce o que acha de me ajudar hoje na leitura para as crianças?

- Sim...

Grita e pula me puxando para o cantinho da leitura. Assim que chegamos uma mulher se aproxima. Acho que é a mãe dela.

- Dulce onde estava?

Pergunta se abaixando em frente a menina.

- Tia Jessica, achei essa princesa no corredor. Acha que ela aceitaria ser o amor da vida do papai?

Me assusto com as palavras dela e a tia sorri para mim.

- Acho que essa princesa já tem um príncipe.

- Não tem não tia. Ela disse que está procurando.

A mulher levanta sorrindo.

- Me desculpe pela Dulce. Ela quer encontrar um amor para o pai. Meu nome é Jessica.

Ela diz estendendo a mão.

- Diana, muito prazer. Os pais são separados?

Pergunto soltando minha mão da dela.

- Não. A mãe dela faleceu em um acidente de carro.

- Oh!

Digo me virando para olhar a pequena garotinha que sorri para mim.

- Vamos começar a leitura?

Pergunto e ela pula no meu colo sorrindo.

************

Faço uma grande roda com as crianças e Dulce senta em meu colo. Ela é linda e sinto uma vontade enorme de cuidar dela, depois do que soube sobre sua mãe. A história termina e as crianças correm para seus pais, enquanto Dulce continua em meu colo.

- Vamos meu anjo.

Jessica a chama e ela vira para mim.

- Você não quer conhecer meu papai? Ele é bonito, inteligente e faz um ótimo chocolate quente.

Dou um sorriso e aperto o nariz dela.

- Quem sabe um dia!? Vamos pensar nisso.

Ela pula feliz do meu colo e corre para o da tia dela.

- Mais uma vez me desculpe.

- Imagina Jessica. Sei como são as crianças. Volte sempre com a pequena, gostei muito dela.

- Pode deixar, que voltaremos sim.

Abre a porta e segue para fora. Dulce sorri para mim e me manda um beijo. Essa garotinha já conquistou meu coração.

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