São 15:00 horas e Giovanna chega pontualmente ao Itália Café para seu primeiro dia de trabalho, conseguir esse emprego não foi fácil e era a oportunidade que ela precisava.
Ao chegar ela é recebida por Anna a gerente e sócia do café.
Bem vinda Giovanna – cumprimenta Anna – Irei te passar todas as informações sobre o seu trabalho.
Olá, obrigada, estou aqui para aprender – responde a garota.
Giovanna tem 19 anos, cabelos castanhos escuros, olhos azuis, 1,70mt de altura e um corpo escultural o que a torna impossível de não ser notada por onde passa.
Olhando para Giovanna Anna diz - Menina você é muito linda, deveria ir desfilar em uma passarela e não entre as mesas servindo café.
Arregalando os enormes olhos azuis Giovanna responde – Por favor Dona Anna, eu preciso desse emprego, vou ser o mais discreta possível.
Rindo alto, Anna responde – com esse rosto perfeito o único problema que você irá causar é encher esse Café de novos clientes.
Giovanna ficou corada e suas bochechas pareciam duas maçãs com covinhas quando ela se esforçou para sorrir.
O trabalho fluiu normalmente durante todo o expediente, Marcos, o chefe dos garçons, foi designado para treinar Giovanna, o que ele fez com muito entusiasmo, tornando tudo mais fácil para a garota em seu primeiro dia de trabalho.
Já eram 23hs quando Giovanna chegou no pequeno apartamento alugado, a mobília era pouca, próximo a porta ficava uma mesa de madeira antiga e muito bem acabada com um pequeno vaso de flores, acompanhada de duas cadeiras acolchoadas com tecido floral que dava um ar muito romântico, logo em seguida havia um sofá com meia dúzia de almofadas e uma mesa em estilo renascentista que ocupava o restante da pequena sala. Uma luminária com luz âmbar e alguns outros objetos completavam o ambiente, tornando-o aconchegante.
A cozinha tinha o básico, fogão, geladeira, micro-ondas, alguns eletro portáteis e demais utensílios.
No pequeno quarto havia uma cama de casal que parecia ter saído de um livro de contos de fadas, era de madeira maciça, pintada a mão com alguns detalhes dourados e os lençóis estavam delicadamente arrumados, ainda havia uma cômoda e um espelho no mesmo estilo da cama. Na única janela do quarto tinham cortinas brancas com pequenas flores bordadas a mão.
Giovanna olhou ao seu redor e não acreditava que pela primeira vez na sua vida iria dormir fora de casa, um misto de euforia e tristeza a invadiu quando esses pensamentos passaram por sua cabeça.
Desarrumando as malas ela encontrou seus itens de higiene e uma toalha e foi tomar banho para dormir.
Ao terminar o banho, Giovanna checa seu celular e vai para a cama, ao deitar-se o cansaço tomou conta da garota que rapidamente dormiu envolvida nos macios lençóis.
O celular toca sem parar, atordoada Giovanna procura o pequeno aparelho entre os lençóis e assim que atende ouve a voz de sua mãe lhe dando bom dia. A ligação demora quase uma hora, até que todas as novidades foram repassadas para a família.
Já são quase 11hs e não tem nada para comer no apartamento e Giovanna decide se trocar e ir almoçar em alguma cantina próxima.
Ela escolhe um lindo vestido azul de alça, que combinava perfeitamente com sua pele branca e seus olhos azuis, calçou uma sandália rasteira, pegou sua bolsa, saiu, trancou a porta e desceu as escadas até a rua.
Após andar por alguns minutos ela chegou em uma cantina simples, onde algumas pessoas pareciam estar festejando alguma coisa e todos os olhares masculinos foram em sua direção, um pouco tímida ela entrou, sentou-se e pediu o prato do dia que custava bem mais barato e ela tinha que economizar até receber seu primeiro pagamento.
O prato do dia era uma lasanha à bolonhesa que a menina adorava e ela comeu tudo rapidinho enquanto ouvia os homens ao fundo da cantina conversando e cantarolando algumas músicas e observava as pessoas que passavam na rua pela janela da cantina.
Ao terminar sua refeição Giovanna pagou, agradeceu e iniciou o caminho de volta ao apartamento.
Ao chegar no apartamento ela dedicou-se ao estudo das normas de trabalho do Café e do cardápio, já que hoje ela iria começar a atender alguns clientes.
Dez minutos antes das 15h Giovanna chega ao Itália Café e começa a se preparar para o seu segundo dia de trabalho. Aos poucos foi fazendo amizade com outros colegas de trabalho além de Marcos, conhecendo Maria uma jovem meiga e prestativa e Rosa que era bem metida e invejosa.
Embora o dia tenha sido ensolarado, ao final da tarde nuvens carregadas tomaram todo o céu de Roma e não demorou muito para que as primeiras gotas de chuva começassem a cair.
Com a chuva forte várias pessoas lotaram o café, demandando toda a atenção dos colaboradores, que corriam para atender os clientes. Assim, Anna designou Giovanna para recepcionar os clientes e acomodá-los nas mesas ainda disponíveis.
Por volta das 20hs a chuva ainda caia lá fora e Giovanna estava próximo a porta de vidro da entrada do Café quando um carro Maseratti preto com vidros escuros parou e dois homens desceram com guarda-chuvas e abriram a porta do carro e dele desceu um homem alto, elegantemente vestido com um terno preto de alfaiataria e um casaco finamente costurado, o que deixava o homem muito elegante.
Ao abrir a porta Giovanna esperou que o homem entrasse, no entanto, ele parou por alguns segundos e fitou a garota nos olhos mergulhando naquele mar azul brilhante, que nada combinava com aquela noite chuvosa, enquanto a jovem, sem reação, olhou em seus olhos negros e a única coisa que percebeu foi tristeza e vazio.
Chefe, chefe... – a voz do guarda costa Matteo trouxe Lorenzo de volta a realidade – vamos entrar?
Claro, preciso de um bom café – respondeu Lorenzo.
Boa noite Senhores – cumprimentou a jovem – me acompanhem, irei acomodá-los em uma mesa.
O chefe gosta da mes ... – Lorenzo fez um sinal para que Mateo se calasse e ele assentiu com a cabeça.
Ao perceber que Lorenzo Matarazzo havia chegado ao café Anna rapidamente veio ao seu encontro com um largo sorriso no rosto e falou:
Boa noite Sr. Lorenzo, sua mesa está reservada como sempre, vai querer o seu expresso bem quente? Voltando-se para Giovanna disse-lhe – Volte para a porta minha querida, o que a jovem assentiu, olhou mais uma vez para Lorenzo que ainda a olhava o cumprimentou e saiu.
Um duplo por favor Anna, hoje à noite exige – sentando-se perguntou – Quem é a garota? É da família?
Anna surpresa com a pergunta sobre a garota, pois durante todos esses anos em que conhecia Lorenzo ele nunca havia ao menos notado a existência de qualquer funcionário, nem mesmo de Rosa que fazia de um tudo para impressioná-lo, respondeu:
A Giovanna é filha de uma prima de segundo grau que mora em Tivoli, terminou os estudos e precisa trabalhar pois o pai está muito doente e não pode trabalhar e ainda tem irmãos pequenos, então ela e a mãe estão se virando como podem para cobrir as despesas médicas, as despesas da casa e os estudos dos irmãos.
Nossa que difícil, tão jovem – comentou Lorenzo – mande Giovanna atender a minha mesa.
Senhor ela é novata, não tem experiência, o Senhor pode não ser atendido como merece.
Não importa, quero apenas um motivo para dar lhe uma boa gorjeta no final da noite e assim ajudar a pagar as contas.
Com um sorriso Anna saiu, chamou Giovanna e disse:
Menina eu não sei o que você fez, ou o que você tem, mas o Sr. Lorenzo pediu para ser atendido por você, então vá lá e não deixe faltar nada, saiba que ele é o melhor cliente dessa casa.
Com a bandeja na mão Giovanna chega até a mesa de Lorenzo e diz – Seu expresso duplo Senhor, aqui tem um croissant que Dona Anna mandou – colocando a xicara de café e o prato diante dele na mesa e servindo os guarda-costas em seguida.
Lorenzo que havia tido uma tarde estressante no escritório de Roma, tomou um gole de café e olhou para a bela jovem ao lado da mesa e só de vê-la já se sentia mais relaxado.
Então menina seu nome é Giovanna? Quantos anos você tem? Anna me falou que veio da cidade de Tivoli, é verdade?
Sim, sou a Giovanna, tenho 19 anos Senhor. Nasci e sempre morei em Tivoli, meus pais ainda estão lá junto com meus irmãos, eu tive que vim trabalhar aqui em Roma, fez uma pausa para não chorar ao lembra de casa, esboçou um sorriso e perguntou: O Senhor conhece Tivoli?
Sim, tenho negócios lá, é uma linda cidade, deve ser por isso então que você é tão linda.
Giovanna corou imediatamente e sorriu fazendo aparecer suas lindas covinhas, o que fez os olhos de Lorenzo se iluminarem.
A noite transcorria normalmente, o serviço das mesas aos poucos ia diminuindo, exceto na mesa de Lorenzo que já estava em sua segunda garrafa de vinho acompanhada de bons queijos e algumas frutas frescas que Giovanna havia servido há alguns minutos.
Por volta das 23:30hs apenas a mesa de Lorenzo restava no salão, Giovana mesmo cansada atendia tudo que ele pedia com cuidado e capricho, o que surpreendeu Anna a gerente do local, pois sabia que a garota não tinha nenhuma experiência.
Ao terminar a terceira garrafa de vinho Lorenzo solicitou a conta da mesa e pagou em dinheiro, acrescentando uma gorjeta de 50% do valor da conta para Giovanna, a jovem arregalou os grandes olhos azuis e disse que não poderia aceitar, pois aquele valor era maior que o salário de um mês de trabalho dela.
Lorenzo chamou Anna que estava atrás do balcão do Café arrumando algumas xícaras e taças e ela prontamente veio até a mesa.
Anna minha querida amiga, explique a jovem Giovanna que eu sou Lorenzo Matarazzo, que eu posso dar o valor que eu quiser de gorjeta aqui ou em qualquer outro estabelecimento de Roma – falou o homem já um pouco alterado devido ao álcool em seu sangue.
Anna sorrindo olhou para a garota e disse, aceite a gorjeta, se ele está te recompensando bem é porque gostou do seu atendimento, o Sr. Lorenzo é um homem justo, acho que você fez por merecer e se você pensar bem, você sabe que precisa do dinheiro.
Giovana encheu os olhos de lágrimas, sorriu e inesperadamente abraçou Lorenzo, um abraço apertado, de gratidão, enquanto as lágrimas escorriam sem cessar por suas bochechas, Lorenzo sentiu que o sentimento era genuíno e a abraçou de volta e permaneceram ali, abraçados, envoltos em seus pensamentos, como se um completasse o outro.
Depois que as lágrimas cessaram Giovanna envergonhada se afasta de Lorenzo e pede desculpas, ao notar que suas lagrimas molharam a camisa do homem, ele gentilmente retira um lenço do bolso do paletó que está em uma cadeira e oferece a jovem que aceita.