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MEU BOMBEIRO MAFIOSO E BILIONÁRIO

MEU BOMBEIRO MAFIOSO E BILIONÁRIO

Autor:: Sabrina Martinho A.
Gênero: Bilionários
Laura saiu da Bahia com o seu filho pequeno, Joca, para fugir do seu marido, um assassino que trabalha para o traficante mais poderoso do estado. Hoje mora nos Estados Unidos com o seu filho que já tem sete anos. Tornou-se uma bombeira e tem uma nova vida. Dom, o capitão do corpo de bombeiros, é considerado um homem perfeito e talvez Laura não discorde disso, mas será que ele realmente é perfeito? Dominique é o herdeiro de uma grande fortuna, e também de uma grande organização mafiosa. Laura fugiu de um bandido, será que aceitará outro em sua vida? Tudo se torna um caos para ela quando seu marido descobre onde ela está e quer sua mulher e o seu filho de volta. Dessa vez, Laura não irá fugir dele. "Mato ou morro. Não tem terceira opção", pensou. Mata ou morre, mas o que mudará na sua vida se viver? Laura não sabe o quanto está correndo perigo e só uma pessoa pode protegê-la, Dom.

Capítulo 1 Mato ou morro

O melhor presente que Rubens já me deu foi o meu João Carlos, a razão da minha existência. Sempre digo que cada parte do meu coração é dele. Eu o amo de uma forma inigualável e quero que ele saiba disso todos os dias de sua vida.

- Que saudade! - Pego Joca no colo ao entrar no apartamento e sinto um enorme alívio no peito. - Ah, como eu senti sua falta! Parece que fiquei anos longe de você.

Deito-o no sofá e ele sorri mostrando aquelas covinhas lindas. Acaricio o seu cabelo cacheado.

Rachel, a babá do Joca, sai do quarto dele e vem até à sala. É uma adolescente de 16 anos, mora em um apartamento do prédio ao lado, mas prefere passar a maior parte do tempo fora de casa. A culpa disso são dos seus pais, são pessoas horríveis.

Joca me contou como foi o seu dia e contei a ele sobre o meu.

- Eu vou me inspirar na senhora para ter os meus sonhos realizados - Rachel diz se sentando ao nosso lado no sofá. - E você quer ser o que quando crescer, Joca?

Joca olha para mim e depois para ela.

- A Rachel te fez uma pergunta. Você entendeu?

Ele ainda não fala muito bem inglês, mas está estudando muito para quando começar a ir para a escola.

- Sim. Mais ou menos. Eu acho que quero construir casa igual o pai.

- Igual seu pai? Então será um pedreiro. Você vai fazer casas muito bonitas, eu tenho certeza. - Sorrio.

Rubens era pedreiro de dia e de noite um... Ele era um homem sem coração, sem medo da morte, sem medo do que podia perder, um assassino frio. Mas, na linda cabecinha do meu filho, Rubens sempre será um pedreiro dedicado e um pai de família também dedicado.

Sempre pergunta quando vai poder voltar a ver o pai. Nunca dei justificativa sobre o porquê saímos da Bahia, pois não consigo pensar em uma boa. Sobre poder ver o pai: digo que estamos muito longe da Bahia e que o pai está muito ocupado trabalhando. Ele não acredita, mas não me contesta, só fica chateado.

Sinto até que eu sou uma péssima mãe por o ter tirado dos braços do pai, mas como eu poderia continuar com um homem que não me valorizou? Quando eu descobri que ele era um assassino me bateu porque pedi que ele parasse de matar. Fui embora mesmo e, para cobrir a ausência do pai, eu dou o melhor de mim...

Depois de conversarmos, Joca sentiu sono. Ele mamou e depois o coloquei para dormir. O meu filho tem 7 anos e ainda mama. Ele também come comidas sólidas, então nenhum pediatra vê problema nisso.

Dou um beijo em sua testa e encaro por alguns segundos o seu rosto angelical. Vou até a porta e a abro.

- Mãe!

- O que foi? - Olho para trás e sorrio. - Achei que estivesse dormindo. - Coloco as mãos na cintura.

- Você acredita em Deus? - Ele se senta na cama.

- Não. Por quê? - Estreito os olhos. Aproximo-me e sento na beirada da cama. Onde ele descobriu sobre um deus?

- A Rachel disse que nesse final de semana foi... mergulhada na água e agora é uma mulher de Deus. O que isso significa?

- Meu filho, a Rachel agora tem uma religião. Sua avó me obrigava a ser cristã, mas depois que eu cresci deixei essa religião, porque eu nunca quis estar nela e não acredito no deus deles. Apesar disso, eu aprendi várias coisas boas lendo a Bíblia.

- Você tem outra religião agora?

- Não, mas eu creio em algo. A minha tia sempre me dizia que eu nunca deveria abaixar a cabeça e desistir de lutar pela minha felicidade, do contrário a energia negativa faria minha vida ser pior do que já... - Tusso. - A energia negativa faria minha vida ser ruim. Entendeu?

- Não sei. - Ele engatinha até mim e deita a cabeça no meu colo. - Tia... Avó... E o meu pai?

- Seu pai acredita que exista um deus, mas ele não sabe quem esse deus é e não tem certeza da sua existência. Minha tia...

- Tia pra cá... Tia pra lá... - Ele faz um bico. - Quem é ela?

- Fátima, irmã da sua avó. Você não se lembra dela? Ela estava sempre conosco quando morávamos na Bahia. Tratava você como filho.

- Quando a gente vai voltar pra Bahia?

- Bom...

Eu não tenho o que dizer para ele. Não vamos voltar. Nunca. Mas não posso dizer isso. Joca morreria de tristeza.

- Um dia nós conversaremos sobre isso. Agora, eu só peço paciência e que saiba que nada do que eu faço é para o seu mal, apenas para o seu bem. - Acaricio a sua cabeça e vejo tristeza nos seus olhos. Meu coração se aperta.

- Tá bom. - Ele respira fundo e se levanta saindo do quarto. - Vou ao banheiro.

Suspiro. Está cada vez mais difícil. Uma hora ou outra Joca vai exigir explicações.

Saio do quarto dele.

- Joca, eu vou ao terraço. Já volto! - Abro a porta do apartamento e saio de casa.

Subo para o terraço e pego o celular no bolso da minha calça.

Eu ainda lembro o número da minha confidente. A minha tia, Fátima. Só ela me entende. Só ela me apoia e me protege. Ela e o meu filho.

O céu está cheio de nuvens e a cidade é completamente diferente daquela pequena cidade do interior da Bahia, Taperuçu. A tia gostaria de conhecer Souls.

Ligo para ela. Enquanto espero ela atender o meu coração bate forte e as minhas tremem.

- Alô, quem é?

- É a Laura. - Prendo a minha respiração como se isso fosse ajudar a conter os meus sentimentos.

- Ai, meu Deus! Minha filha, onde você tá? E meu Joca?

- Estamos bem. - Aperto os olhos tentando não chorar e sorrio. - Eu tenho um emprego, moro num apartamento e trabalho como bombeira. Agora eu moro nos Estados Unidos, em Souls. Aqui é lindo, tia. Você iria adorar conhecer. - Enxugo uma lágrima e respiro fundo. - Senti tanto a sua falta, minha tia.

- Meu amor, volta pra...

- Laura?! - ouço a voz do Rubens no celular. Meu coração dá uma pontada e sinto um embrulho no estômago. A voz desse homem me causa arrepios e me lembra dos piores momentos da minha vida.

Minha tia desliga a chamada. Ligo novamente para ela e começo a me desesperar quando ela não atende.

Não, não, não. Isso não pode estar acontecendo. Não!

Caiu na caixa postal. Ligo novamente, ela não atende... Ligo de novo e ela finalmente me atende.

- Tia?!

- Cadê você? - Rubens pergunta gritando. - Porra, fala onde você tá!

Sinto a raiva me possuir e aperto com certa força o celular. Se ele tiver feito algo com ela...

- Minha tia... - Contenho-me para não começar a gritar com esse desgraçado.

- Quem vai falar com você é eu. Sai de fininho e leva o meu filho embora. Parabéns pelas suas atitudes, Laura! Faz anos que eu não vejo meu filho. Quando foi que eu fui um mau pai? Quando foi que eu deixei de cumprir minhas obrigações como marido? Agora você vai se ver comigo. - Ele desliga.

Seguro-me para não chorar. Ligo para a minha mãe. Ela precisa ir atrás da tia.

A ligação cai na caixa postal várias vezes, mas persisto e ela atende.

- Mãe, sou eu. Por favor, me escuta. O Rubens...

- Laura?! - fala o meu nome com surpresa e incredulidade. - Seu demônio! Sua desgraçada! Como liga assim, de repente?

- Por favor, mãe. Não é hora pra isso. Guarda os xingamentos e me escuta! - Respiro fundo. - O Rubens ouviu a tia falando comigo e tomou o celular dela. Eu não faço ideia de como ela tá, você precisa procurar por ela. Você e o pai. Vê se ela tá em casa, por favor.

- Eu vou, mas depois você vai me ouvir. Vai ouvir e muito! - Ela desliga.

Sento no chão e passo a mão pelo meu rosto. Se ele tiver feito algo com a minha tia, eu nunca vou o perdoar. Esse desgraçado morre.

O meu celular toca e atendo rápido ao ver ser tia Fátima.

- Alô?!

- Me perdoa, Laura. - Ouço tia Fátima chorar. - Ele me ameaçou, eu tive que contar o que eu sabia.

- Ele te bateu?

- Bateu não. Eu tive medo dele bater e acabei contando antes que ele tocasse em mim.

- Você fez bem. - Respiro sentindo um alívio fluir do meu peito.

- Ai, meu amor... Ele tá louco! Tá dizendo que vai te trazer nem que seja arrastada pelos cabelos.

- Se ele quer o filho dele vai ter que me matar.

- Não só o filho. Quer você também. Laura, eu acho que se você não voltar ele te mata mesmo. Ele não sabe seu endereço, não sabe onde é sua casa, mas tá dizendo que vai te procurar. Faz o que ele pedir, vai ser melhor. Volta pra cá e deixa eu cuidar de você como eu sempre fiz, pelo amor de Deus - ela implora e o meu coração dói ao ouvir o seu choro.

- Não, tia. Eu não quero voltar. Hoje eu sou uma nova pessoa. Seus conselhos me deixaram mais esperta, mas o tempo se passou e eu aprendi algumas coisas sozinha. Eu estou construindo uma vida. Agora, aqui é minha terra. E se ele vir... Se ele me achar, ou eu morro, ou ele morre. Eu vou lutar com os meus próprios punhos e vamos ver quem vai viver.

Mato ou morro, não tem terceira opção.

Capítulo 2 Primeiro dia

Horas antes:

Diziam-me que a vida é dura e que eu iria me arrepender de ter engravidado. Isso só vai acontecer quando a galinha nascer dente, porque eu faria tudo de novo. A emoção de segurá-lo em meus braços pela primeira vez foi um dos melhores momentos da minha vida. Tê-lo foi difícil, eu chorava enquanto me levavam para o hospital. Gostaria de ter feito o parto normal, mas Joca ainda estava sentado com 36 semanas de gestação. Sem o meu filho do meu lado, eu nunca conseguiria passar por todos os obstáculos que vieram pela frente.

Ele já está com 7 anos. É um menino inteligente, amoroso e compreensivo.

Beijo sua foto que coloquei no armário do vestiário.

- Daqui a pouco estou voltando para casa - sussurro.

- Disse alguma coisa?

Fecho a porta do meu armário e avisto o capitão Dominique Wilson apenas com uma toalha enrolada na sua cintura. Se tem visão melhor do paraíso, eu desconheço.

- Eu estava falando sozinha, senhor.

- Entendi. - Ele sorri de lado e passa por mim, indo para o banheiro.

Se ele não fosse o meu superior, eu me envolveria, mas ele é e vou me manter na linha. Já tive experiências ruins com homens de cargos superiores e não quero estragar minha vida. Ela está melhorando a cada passo que dou. Saí da Bahia quando Joca tinha apenas 4 anos. Eu não poderia continuar com o Rubens, pois ele me mostrou um lado que eu desconhecia completamente. Fez eu perceber que o homem que eu tanto amei era uma farsa. O verdadeiro Rubens é um assassino, um agressor e um traidor. Nesse momento, deve estar cuidando do seu filho com a outra. Só sinto muito por essa criança ter logo ele como pai.

Não sinto dor pelo que passou. O passado já se foi. Agora, Joca e eu temos uma vida boa em Souls, nos Estados Unidos. Moramos num apartamento simples, mas bem bonito e arrumado. Eu fiz um curso para me tornar bombeira e hoje é meu primeiro dia no trabalho.

O chefe do quartel me apresentou a todos e de primeira arrumei um "amigo". Pelo menos ele disse que agora somos amigos. O seu nome é James, mas ele gosta que eu o chame por Jin. É um tagarela que gosta muito da cultura latina, principalmente a do Brasil, mas não acreditei quando ele disse:

- Ah! Morava no nordeste? Lá tem esgoto? Água encanada? Tem internet? E olhando assim para você, acho que não parece brasileira, brasileira não é branca.

Expliquei para ele sobre miscigenação e que em todo lugar do Brasil há lugares pobres e ricos. Felizmente, apesar de Taperuçu ser uma cidade pequena, há saneamento básico, água encanada e internet. Não que a prefeitura se esforçasse para dar o melhor para os moradores, é o dono da cidade quem fez tudo isso acontecer, Geraldo Luís, tio do meu marido e o traficante mais poderoso da Bahia. Eu não vou me estender falando sobre ele, pois não quero chamar coisa ruim para o meu lado.

Por primeira impressão, eu não gostei do Jin. Ele se parece com meu marido (a propósito, o chamo de marido porque ainda sou casada no papel). Eles possuem o mesmo bigode fino, mesmo porte físico, cabelo cacheado cortado bem curto. A diferença mais evidente é na cor, o meu marido é preto em um tom avermelhado e Jin é branco.

Os meus veteranos estão me tratando bem, mas como sou a novata preciso fazer tudo que pedem. Inclusive limpar, enrolar e guardar as mangueiras gigantes.

Estou a enrolar uma no chão.

- Trabalhando duro?

Olho para cima, é o capitão. Ele é um colírio para os meus olhos, um homem jovem para o seu posto e muito bonito. Os seus cabelos loiros estão sujos de farinha.

- Sim. - Levanto-me e tento não olhar para o cabelo dele, mas é uma coisa que eu tenho com sujeira que me incomoda muito. - Capitão, o senhor tem farinha no cabelo.

- Não te faz rir? - Ele balança a cabeça e a farinha se espalha e cai em mim. Passo a mão na minha blusa. - Foi mal. - Ele dá um risinho. - Faz horas que está aqui e não riu nem um pouco. Nem sorriu direito. Eu quero que se sinta à vontade conosco, Dias. - Ele coloca as mãos nos bolsos das calças.

- Eu me sinto à vontade. Obrigada por se preocupar. - Penso em sorrir, mas não quero.

- Só para eu saber e não estar te irritando... Você é do tipo mais reservada e que não gosta de piadas ou você só precisa de tempo para se acostumar?

- Sou reservada, mas tenho senso de humor e também preciso de um tempo para me acostumar ao ambiente e às pessoas.

- Certo. - Ele dá dois tapinhas no meu ombro. - E eu estava fazendo bolo e o Jin jogou farinha em mim. Só para justificar a farinha e você não pensar que eu sou um retardado que joga farinha na própria cabeça. - Ele fica me encarando com um sorriso.

Espero para ver se ele diz algo, mas não diz. Isso é constrangedor.

- O senhor quer algo?

- É... - Ele coça a nuca. - Só quero avisar que você agora faz parte da família. Sabe que aqui todo mundo gosta de todo mundo, não é? Com você não vai ser diferente, mas como é novata podem te fazer sofrer um pouquinho. Qualquer dúvida fala comigo ou o Jin, os novatos não têm obrigação de saber fazer tudo. Entendeu?

- Entendi. - Dou um leve sorriso.

Além do Jin, o capitão é muito simpático e acolhedor. É um homem jovem, penso que deve ter uns 30 anos, e já conseguiu o cargo de capitão. Posso não o conhecer direito, mas sinto ser uma pessoa boa e, como é capitão, sei que é um ótimo bombeiro...

Faltam 40 minutos para o final do turno, estou sentada no sofá comendo uma maçã enquanto assisto ao jogo de basquete com o tenente Simon Abraham. Ele é um homem negro, usa tranças curtas no cabelo. Parece um modelo. Sinto que estou no programa da Eliana.

Uma moça com cabelo cacheado de cor vermelha anda até nós e para na frente da televisão.

- Treinamento, gatinhas. Bora pra garagem!...

Fomos uns cinco bombeiros para a garagem e o capitão veio até nós carregando uma bolsa pesada no ombro. Continua sorridente, parece que nunca deixa de estampar esse sorriso.

- Imaginei que seria bom um treinamento já que faz algumas horas que estamos parados aqui. Vai ser bem rápido já que temos pouco tempo. - Ele joga a bolsa no chão. - Vamos fazer um treinamento "básico" com limite de tempo. O vencedor ganha... - Ele para de falar quando o seu celular toca e o pega no bolso das suas calças. O sorriso se desfaz ao olhar para a tela do celular. - Só um minuto, pessoal. - Ele se afasta um pouco de nós.

Parece meio tenso e preocupado.

- Nem disfarça que tá secando o capitão Wilson. - sussurra no meu ouvido a moça do cabelo vermelho. Qual é mesmo o seu nome? Acho que é Vanessa Dubois.

- Eu não estou. - Franzo as sobrancelhas e a olho de lado. Seria um desrespeito fazer isso, principalmente com ele tão preocupado.

- Está, mas tudo bem. Ele é mesmo atraente. Por dentro e por fora. É um homem perfeito.

- É? - pergunto arqueando uma sobrancelha. Essa história de homem perfeito não rola comigo.

- É, o único problema é que não tem xota. - Ela faz uma careta.

- Ah!... - Volto a olhar para o capitão. O alarme para um chamado toca e ele guarda o celular...

Ouvimos um chamado para um desmoronamento de prédio. Corri para vestir o uniforme de proteção e, ao passar perto dele para entrar na cabine do caminhão, ouço ele murmurar de cabeça baixa:

- Eu nunca vou matar um homem, muito menos aquele.

Olho para ele de dentro da cabine. Ele percebe que estou o olhando, me encara e sorri como se não tivesse dito nada demais.

- Matar? - Arqueio as sobrancelhas. Eu deveria ter ficado quieta e fingir não ter ouvido, mas a palavra saiu da minha boca automaticamente. Laura, sua burra...

Capítulo 3 Explicação

O capitão me ignorou e fomos para o local da chamada. Após três horas lá, voltamos para o quartel para trocar de turno. Tirei o uniforme, tomei banho e coloquei uma roupa normal.

Não vejo a hora de chegar em casa para ver o meu filho e lidar com meus seios doloridos. Tenho certeza que o leite ficou empedrado, mas eu já sabia que isso ia acontecer. Não tirei leite hoje e ultimamente não venho doando para o hospital.

Beijo a foto do meu filho pendurada na porta do meu armário e o fecho.

- Você foi bem. - O bombeiro que parece o Eminem entra no vestiário sem eu perceber e abre o seu armário.

Olhando agora para ele, percebo uma cicatriz de queimadura no seu pescoço. Ele é tão alto e branco que eu diria ser um jogador de basquete alemão e o cabelo está descolorido num tom de loiro que claramente não é natural.

Ele me elogiou, não é?

- Obrigada, pretendo melhorar mais.

- Não se cobre muito. Vá com calma. - Ele estende a mão e eu a aperto. - Meu nome é David.

- É um prazer conhecê-lo.

- Digo o mesmo. - Ele olha por um segundo para os meus seios e volta a olhar para os meus olhos.

Sinceramente, eu nem ligo mais quando fazem isso. Acostumei. Quem não olha para seios fartos? Eu admiro os meus e até os das outras mulheres.

- Não quero te constranger, mas tá vazando leite.

- O quê? - Olho para minha blusa. Os dois seios estão vazando. Ainda bem que eu trouxe outra blusa.

- Você tem filhos?

- Tenho um filho. - Suspiro ao lembrar que não trouxe outro sutiã.

- Legal. Eu vou ter um filho em breve. O nome dele vai ser Brian. A minha esposa está tão nervosa, será o nosso primeiro filho. Eu não sei cuidar de crianças, nem ela. Ela também não tem ninguém para auxiliar, dar dicas... Está completamente perdida.

- Eu... - Não sei o que dizer, pois não prestei muita atenção no que ele disse. - Preciso cuidar do meu acidente.

- Ah! Desculpa. - Ele fecha o seu armário e sai daqui...

Após retirar um pouco do leite e trocar de blusa, saí do quartel.

Mal vejo a hora encher meu filho de beijos e descansar. Meus músculos estão doloridos.

- Ei! - O capitão corre e começa a caminhar ao meu lado. - Sobre hoje, acho que eu te devo satisfações.

- Bom... - Paro de andar e cruzo os braços. - Eu não ia pedir. Com certeza o senhor não é um criminoso, não é? - Penso em dar um riso para minha fala parecer mais verdadeira, mas lembro que não sou uma boa atriz e deixo para lá.

- Pois é. - Ele me mostra um jogo de RPG. - Quando falo: matar, é com relação ao jogo. Meu amigo quer que eu "mate" um cara. Na verdade, ele quer juntar forças comigo para banir esse cara completamente do jogo e, eu jogo isso há anos, esse cara também. Se o jogo for tão importante para ele quanto para mim, eu não vejo possibilidade alguma em fazer essa atrocidade.

Pior que eu acredito. Já conheci homens de 40 anos, com filhos, que ficam presos nesses jogos de RPG como se fossem adolescentes sem vida social.

- Já estou no nível 143.

- Legal... Vou para casa agora. Boa sorte com seu jogo.

É feio eu ter preconceito com homens na casa dos trinta que jogam? Porque neste momento eu fiquei completamente desencantada com essa descoberta. Acho que isso infantiliza os homens. Não os fazem parecer maduros.

- Não quer sair e beber com a galera? Vamos num bar aqui perto, Liliam Bar. É ao lado de uma funerária.

- Eu não bebo.

- Mas gosta de amendoim? No bar tem amendoim e refrigerante.

- Gosto dos dois, mas hoje tenho que voltar para casa cedo. Talvez outro dia. - Dou um sorriso singelo.

- Podia aumentar esse sorriso. Deixar de sorrir não vai fazer você virar casca-grossa e enfrentar com mais facilidade o trabalho.

- Com todo o respeito, eu não preciso fingir ser casca-grossa. Eu sou. - Sorrio. É meio brega, mas às vezes gosto de me gabar, mesmo que eu não seja isso que estou dizendo ser. Só espero que as pessoas não me achem arrogante.

- Agora eu gostei. - Ele sorri de lado. - Da próxima vez quero ver quando tiver uma ocorrência muito séria. Fez um bom trabalho hoje, mas não fiquei de olho em você. Da próxima eu ficarei e vamos ver se você só fala ou sabe agir.

- Vamos ver. - Espero ele ir embora para seguir o meu caminho, mas ele não vai. Continua a me olhar. - O senhor quer algo?

- Na verdade, eu... - Ele para de falar quando um homem mal-encarado toca no seu ombro. Não parece ser uma pessoa qualquer, usa terno e tem cara de segurança ou coisa do tipo. Também percebo que possui uma tatuagem de teia vermelha no dedo indicador.

O capitão fica sério.

- É... Até mais, Dias. - Ele me dá as costas e começa a andar em direção a um carro preto. Entretanto, se vira ao ver que o homem de terno ainda está parado aqui. - Vem agora!

O homem sorri de lado e se vira indo em direção ao carro com capitão. Eles entram e vão embora.

Vejo Jin sair do quartel e vir em minha direção.

- Era o capitão que saiu de carro? A gente ia sair para beber.

- Sim. Ele foi embora com um homem estranho.

- De terno? - Ele franze as sobrancelhas.

- De terno.

- Que ótimo... Inferno! - murmura.

- É preocupante? - Cruzo os braços. Agora estou achando bem estranho. Parece que o homem perfeito da Dubois tem sérios problemas.

- Não. - Olha para baixo colocando as mãos na cintura, mas logo volta a me encarar. - Mais ou menos. O capitão é um cara muito gente boa e é foda ver ele com problemas.

- Ele matou alguém?

- O quê? - Ele me olha com indignação. - Claro que não.

- Roubou? Estuprou? Assediou? Espancou?

- Não. Eu acabei de dizer que ele é gente boa.

- Então eu vou indo. - Dou de ombros. - Tchau!

Se o capitão não é uma pessoa ruim, eu não tenho com o que me preocupar. Não preciso ficar longe dele...

No trem, eu vejo pessoas entrando e saindo. Não tive vontade de ser a atenção e usar uma roupa sem nada por baixo. A minha blusa está um pouco molhada pelo sutiã que não troquei. Não é igual aos olhares de quando amamento em público, então não me importo.

Uma vez vi um homem excitado me vendo amamentar o meu filho. Não ligo se uma pessoa gosta de lactofilia, mas eu ligo que olhem com excitação para quando eu estou fazendo algo tão doce. Amamentar o meu filho é um momento tão emocional e lindo que eu não consegui continuar o alimentando após ver a marca nas calças daquele ser. Nunca impedi que ele mamasse o quanto quisesse. Ele até pediu para continuar mamando, mas tive que negar.

Sabe, às vezes eu penso que a vida é uma merda e isso nunca irá mudar. Tudo que quero é viver em paz, viver feliz ao lado do meu filho.

Olhando agora para o movimento no trem, para as pessoas entrando e saindo de estação em estação, sinto que sou pequena e insignificante.

Tantas pessoas estão sofrendo, tantas pessoas estão no fundo do poço e não conseguem sair de lá. Eu não estou lá, mas eu sinto que vou acabar voltando para o poço. Por que isso acontece? Será que vale a pena continuar a lutar? Talvez sim. Afinal, eu já batalhei tanto e conquistei tantas coisas, não é possível que tudo se complique de novo.

Suspiro e fecho os olhos. Estou cansada mental e fisicamente.

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