17 anos – Fernanda Morelli
Hoje estou radiante porque estou completando meus 17 anos e meu papa resolveu fazer uma festa e tanto para comemorar.
Uma festa que sempre envolvia negócios e a máfia acima de tudo e eu? Não sou muito fã de festas por conta disso, mas já que ele queria muito comemorar que mal tinha nisso afinal? Meu irmão Ferdinando está ao meu lado descendo as escadas da nossa casa, nossa enorme mansão. Meu irmão é mais velho que eu, com seus 24 anos tem seu porte físico bom, alto, moreno, acho que deve medir 1.93 de altura, seus olhos são iguais ao meus carinhos. Papa já está treinando ele desde dos seus 13 anos para ocupar seu lugar na máfia da Itália, nessa casa meu irmão tinha uma ala só para ele e imagine só que grande merda devia acontecer por lá já que Ferd não deixava ninguém entrar lá sem sua autorização. Reviro os olhos só de imaginar. Outra coisa que eu odiava muito, essa merda toda onde vivemos, não sei porque tive que nascer em uma família assim. Não posso reclamar dos cuidados e carinhos que sempre tive, mas nesse mundo onde vivo nós mulheres somos como moeda de troca ou aliança de família e eu sei que em uma hora ou outra chegaria minha vez, porém papa já me prometeu que será depois que me formar em moda como eu sempre pedi, mas as vezes sinto que ele está prestes a quebrar essa promessa.
Ferdinando terá que se casar antes de mim se quiser se sentar na cadeira de papai, mas do jeito que as coisas anda não estou confiante nisso não. Por causa dessa promessa que papai me fez sinto que posso respirar aliviada por alguns anos ainda ou não, já que acordei com uma sensação ruim.
Após descer as escadas com meu irmão avisto ao lado de papai uns homens que nunca vi na vida, provavelmente mais um de seus novos aliados acredito, um deles parece novo igual Ferd. Reparo que ele está com a cara fechada e não se dirige os olhos a mim como se não tivesse permissão para isso, mas não me importo, afinal não queria que ele me olhasse mesmo. Mais ele é um rapaz muito bonito, mesmo com toda essa caranga que está em seu rosto. Não deve está em um dia bom, penso.
- Como estais bela mia figlia – meu pai diz ao me aproximar dele. Ele está com um sorriso radiante no rosto até parece que ganhou na loteria.
- Grazie papa – sorrio para ele enquanto me abraça.
- Querida esse é Eugênio Howard e ao lado dele seu figlio Dante Howard – eu já tinha ouvido falar deles e se estão aqui provavelmente é como imaginei mais um novo aliado de papa e lhe convidou para a festa para selarem o acordo.. Sorrio para eles.
- É muito bella ragazza – o senhor que deve está na casa dos seus cinquenta anos fala ao beijar o dorso da minha mão – seu pai não exagerou quando nos falou de você – sorrio e sinto Ferd pousar a mão em minha costas – Dante fale com a ragazza – o rapaz que deve ter seus vinte e três anos e muito bonito me erguer o olhar pela primeira vez.
Seu olhar é de raiva, porém de admiração também, consigo enxergar ódio nele ao mesmo tempo encantamento. Ele usa uma calça sarja preta e uma camisa social no mesmo tom, seus cabelos são baixos tipo militar, seus olhos são verdes lindo, ele aparenta ser bem mais alto do que eu, não tenho certeza pois não me aproximei o bastante e eu estava de salto. É pouco mais posso ver uma tatuagem em seu pescoço ao lado esquerdo, não sei se havia mais pois era a única coisa que podia ver. Ele me encara com a cara fechada mais me cumprimenta conforme seu pai lhe mandou.
- Buon compleanno Senhorita Morelli – sua voz é grossa e um pouco rouca, seus lábios são carnudo.
- Grazie – digo sorrindo e escuto mamma se aproximar.
- Querida.. – vejo ela encara meu papa – Sério Júlio que você precisava disso agora? – minha mamma fala com meu papa e não entendo nada. Percebo que está nervosa mas como sempre não interfiro nas questões dela com papa.
- Madre – Ferd começar a falar – Não faça cena.
- Venha querida suas primas já chegaram – e minha mãe me arrasta de perto de todos aqueles homens e meus olhos ainda se encontra com o de Dante.
Não sei porque mas meus olhos se atraíram por aqueles olhos que antes não fazia questão. O resto da noite ocorreu bem e não vi mas aqueles homens com meu pai e não entendi porque mamãe se alterou com a presença deles e eu também não fiz perguntas. Uma coisa eu aprendi com meu pai, nunca fazer perguntas se você não quer realmente saber as respostas. No dia seguinte quando passei pelo escritório de papai escutei ele falando com Ferdinando.
- O senhor terá que contá-la, até quando pretende fica escondendo isso dela? Papa ela merece a verdade se você não contar eu conto – parece um tom ameaçador, mas Ferd nunca faria isso com nosso papa.
Aquilo ficou batucando minha cabeça pelas próximas semanas e não queria acreditar que meu pai estava envolvido com amante, mas me mantive quieta. Após alguns meses do meu aniversário de 17 anos os homens daquele dia esteve presente só que dessa vez não tinha muito segurança os acompanhando.
- Papa mandou me chamar? – digo adentrando seu escritório e congelo o sorriso quando vejo aquele olhos de novo. Aqueles olhos que tanto me atormentou durante algumas noites. Não sei o que podia ser mais algo me dizia que aqueles olhos me machucaria muito.
- Fernanda minha figlia, venha até aqui – meu pai me chamar para próximo dele – você deve se lembrar de Eugênio e seu filho? – Claro que me lembraria.
- Claro – respondo.
- Querida.. – vejo meu pai entristecer – o Eugênio e Dom da Sicília como já sabe..
- Vai direto ao ponto papa – digo de uma vez.
- Fizemos um acordo para selarmos uma aliança.. – e eu já imaginava o que viria a seguir e não acreditava que aquilo estava acontecendo.
- Você me prometeu papa – digo já com lágrimas correndo pelos olhos.
- Figlia... - ele tenta me tocar.
- Você não é homem de palavra – solto e sinto um esbofeteada na cara e levanto a mão ao rosto e olho para meu irmão no canto da sala – Você também sabia? – pergunto e vejo ele desviar a vista. Todo mundo sabia? Até mia mamma? Foi por isso que ela ficou daquele jeito na festa? Como puderam fazer isso.
- Fernanda.. – O senhor se levanta e vem até a mim – querida meu figlio não lhe fará mal algum – eu sentia que aquilo era mentira pois ao olhar para ele eu enxergava raiva e ódio. Eu também o odiava. Odiava com toda minha alma.
- Quando? – pergunto deixando-os sem palavras – Me digam quando será a minha prisão? – digo referindo ao casamento.
- Assim que você fizer 18 anos – dessa vez é o rapaz dos olhos frios que diz – Posso conversar com ela a sós? – ele pedi e vejo meu pai assenti e todos sairem da sala. Ele aguarda um momento – Eu também não queria isso se quer saber, mas eu preciso me casar para está diante da posição que vou tomar daqui alguns anos – daqui uns anos? É porque tanta pressa dessa merda? – olha Fernanda eu vou enrolar meu pai o máximo que eu puder desse casamento, então se sinta livre porque não pretendo me casar tão cedo – eu também não e olha onde estou agora? Penso. Ele foi sincero eu vi na palavras dele mas até quando ele conseguiria enrolar seu pai?
Dias atuais..
Acordei com uma ressaca das bravas mas estava pouco me importando, ontem foi o aniversário de Ferdinando e ele resolveu comemorar em uma das nossas boates e não sei como cheguei em casa na situação onde me encontrava, aposto que um dos seguranças me trouxe como sempre. Depois que perdi minha mãe para um tiroteiro que teve na festa de aniversário de casamento deles eu afoguei minha mágoas no álcool, não que eu tenha virado alcoólatra mas sempre que podia eu bebia, bebia porque era a única maneira de aliviar a dor que eu sentia no peito. A perda da minha mãe me deixou frágil e tudo nessa casa me lembrava ela, seus cuidados, seus carinhos, até a merda da decoração. Uma noite eu destruir metade da sala em uma crise que tive só me lembrar dela cuidando de mim, meu pai quase surtou.
Hoje estou com meus dezenove anos e logo completarei meus vinte e Dante como prometido se manteve distante de mim e conseguindo enrolar seu pai como havia dito, não sei mais até quando, pois já ouvir papa falar que era pra ter sido no mesmo ano que mia mamma morreu. Não sei como tudo seria sem ela aqui para me ajudar e aconselhar, ela não ficou feliz que fui entregue as Howard como forma de aliança mas pelo menos não foi com os Mancini, os boatos sobre eles eram horrível e certeza que eu sofreria, assim disse minha mãe.
Ferdinando meu irmão não se casou ainda mas já prometeram a herdeira de la costa para ele e assim como Dante ele também teria que se casar antes de ocupar a posição de papai, que pretende se aposentar logo. Papai conseguiu pegar os Espanhóis que nos atacaram há um ano atrás que levaram a morte de mamãe e se vingou de todos a sangue frio assim como eu escutei ele falar com Ferd. Não que eu seja bisbilhoteira mas sempre ficava pelo cantos para saber de algo já que ninguém me dizia nada nessa casa.
Não comecei minha faculdade porque meu pai estava preocupado com meu futuro casamento, onde Dante poderia voltar a me procurar a qualquer momento. Afinal eu sabia dos verdadeiros planos dele, enrolar esse casamento até onde puder. Ouvir alguns comentários sobre ele ter uma pessoa mas nunca vi em nenhum jornal, já que Dante Howard era o homem mais cobiçado da Sicília. Meu futuro noivo é bonito mas não posso falar muito sobre a índole dele pois ele nunca se importou se quer de me mandar presente no meus aniversários ou mandar alguma mensagem perguntando como eu estava e se ainda estava viva. Porém parece que os anjos disseram amém porque o dito cujo apareceu naquele mesmo dia.
- Fernanda? – Cecília me chama em meu quarto. Cecília é a mulher que sempre cuidou de mim depois de mamãe e graça a ela me mantive firme pois não saberia o que seria de mim sem ela. Entrei em um luto tão profundo e nem me suposto noivo se preocupou de vim me consolar, imagino como seria esse casamento. Provavelmente não seria igual a dos meus pais que sempre foi cheio de amor, carinhos e cumplicidade.
- Oi Sisa – era assim que eu chamava por ela. Bocejo abrindo meus olhos.
- Seu pai está lhe chamando pequena – estranhei ele me chamar tão cedo.
- Tão cedo Sisa? – pergunto curiosa e estranhando.
- Sim. Parece que seu pretendente está aí – meu coração congela com aquelas palavras, quantos tempo não via aqueles olhos.
- Não acredito – digo já deixando uma lágrima correr.
- Ah querida, você sabia que uma hora ou outra você teria que se casar – Sisa diz vindo se sentar ao meu lado.
- Ele disse que enrolaria seu pai o quanto pudesse, mas não se passaram nem dois anos – digo colocando minha cabeça em suas pernas.
- Vamos Nanda se vista, seu pai e seu futuro marido te espera – Sisa diz e se levanta me deixando só.
Talvez ele não conseguisse enrolar mais seu pai e eu de todo jeito teria que me casar com ele, mas não estou pronta e ainda sinto tanto falta da minha mãe. Visto um vestido solto bem básico, prendo meus cabelos bem alto e desço para enfrentar a realidade. Meu pai está sentado em sua cadeira e de costas avisto Dante que agora aparenta está mais musculoso e largo, muito mais bonito do que há dois anos. Seu cheiro alcança meu nariz e causa um arrepio nas costas. Porque ele me causava essa sensação?
- Boungiorno – digo me aproximando da mesa de café. Papai sorrir para mim porém ele nem ergue o olhar. Frio, Dante parecia frio como uma pedra de gelo, eu já havia percebido isso desde a primeira vez e não acredito que esse casamento iria dar certo.
- Sente-se querida – meu pai diz – o Sr. Howard veio nos informar a data do casamento.
- Mas a gente nem noivamos, como manda a tradição – disparo de uma vez sem nem olhar para Dante.
- Não dá para espera mais – ouço ele dizer ainda sem olhar para mim, com uma voz forte e no tom autoritário.
- Uma data? – pergunto, porque talvez se eu planejar bem consigo fugir.
- Daqui a cinco dias – ele diz.
- Que? Não tem como organizar uma festa de casamento em cinco dias – estou nervosa, não podia ser tão rápido assim, cazzo! Eu não poderia me casar em cincos dias.
- Já está tudo organizado você só tem que escolher o vestido - ele continua sem me olhar.
- Não acredito nisso – digo me levantando - não acredito que realmente vai levar isso a diante – falo olhando para meu pai que não diz nada e saio sem ao menos tomar o meu café deixando-os para trás.
Minha vida está prestes a virar um inferno e eu não acredito que isso está acontecendo. Cinco dias era muito pouco e eu precisava planejar a minha fuga, eu jamais me casaria com aquele bloco de gelo, até parecia a frozen dos desenhos animados da Disney. Sou tão nova e isso devia ser proibido por lei. Casamento sem amor devia ser proibido.
Subo para meu quarto e me tranco lá pelo resto do dia, Sisa até tentou me fazer sair e comer algo porém me mantive lá chorando pois não era essa a realidade que eu tanto queria. Claro que eu queria me casar um dia, ter filhos, família, mas por amor e não por uma aliança dessa droga de vida de máfia. Passei o resto do dia pedindo força para minha mãe, pois somente ela saberia me confortar nesse momento. Pedi que iluminasse meus caminhos e que me desse uma solução e que não deixasse me casar com Dante, porque eu sentia que eu não seria feliz nesse casamento, que ela me protegesse lá do céu assim como fazia enquanto era viva. Chorei quase o dia todo desesperada com esse casamento e eu tinha que fazer alguma coisa.
Dois dias se passaram e estava tudo certo para minha fuga, tudo milimetricamente planejado e eu já tinha deixado as cartas de cada um no seu devido lugar. Ou eu fugia ou eu me matava mas não me casaria com um mafioso já bastava meu pai, minha vida desde que comecei a entender o sentido dela nunca mais foi a mesma e eu não queria isso. Não queria ver sangue nas mãos da minha famiglia, e me casando com Howard era assim que seria minha vida, sangue e mais sangue.
Ao anoitecer quando todos dormiram eu fui até onde os seguranças ficavam de vigia e batizei a água deles com um remédio de dormir que passei a usar depois que mamãe morreu. Esperei por pelo menos uns vinte minutos quando eu vi um deles encostado com os olhos fechado e sai silenciosamente, sim eu sabia das câmeras mas como todos estavam dopados eu aproveitei.
Tola.
Tive que correr até o portão principal onde provavelmente os segurança de lá não estivesse dormindo mas tentei sair por trás enquanto distraiam eles com pedras sentido ao outro lado.
Que ingênua.
Nunca pensei que fosse fácil mas conseguir, sai e corri até a beira da estrada onde peguei um táxi para o centro da cidade e de lá eu veria o que faria. Estava desesperada e não podia me casar com o Howard. Não podia casar sem ao menos tentar fazer algo, algo que me livrasse disso. Foi a fuga mais fácil que fiz e espero que pelo menos Sisa possa me perdoar por isso, pois aceitar esse casamento sem amor eu não aceitaria.
Podia até me casar mais nunca aceitaria. Nunca amaria Dante, ainda mais depois desse casamento forçado e às pressas. Não posso dizer que Dante era feio, porque não era. O filho da mãe era bonito de doer, e isso eu sabia desde a primeira vez que o vi na ponta da escada na minha festa, mas no mesmo tempo frio, arrogante, autoritário que chegava a me assustar. Não tanto que fosse capaz de me manter no lugar sem fazer nada. Eu fugiria outras mil vezes se for preciso mas com Howard eu não me caso.
Desde a primeira vez que coloquei meus olhos em Dante eu sabia que ele iria me fazer sofrer e eu uma Morelli não me casaria fácil, Dante iria sofrer até me encontrar. Só não imaginava que essa noite fosse durar tão pouco.
Assim que cheguei na cidade procurei por hotel mas barato, como não podia usar o cartão senão me encontraria fácil tive que pagar com as poucas notas que eu tinha por isso que tiver que ficar em um que me deu medo assim que encontrei. A cama era pequena, as paredes tinham mofo e começava a descascar a tinta, mas seria só por uma noite. Quando me deitei na cama ela fedia, fedia suor com mais alguma coisa que não identifiquei. Com certeza mamãe está revirando no túmulo só de me ver aqui nessa situação e nesse hotelzinho de quinta. Sempre tivemos luxo e minha mãe nunca deixou me faltar nada e era a sua bonequinha mas eu precisava fazer alguma coisa.
- Desculpa mãe, mas precisava fugir, você sempre soube que eu não queria me casar muito menos com ele, ele nem se dar o trabalho de me olhar, como vamos viver assim? – converso com ela enquanto esqueço a situação deplorável do quarto e deixo as lágrimas caírem – Eu te amo e sempre vou te amar, me perdoe por isso – continuo.
Não sei que momento eu adormeci mas logo apaguei, mas não durou muito pois sou acordada com batidas fortes na porta, não consigo falar e logo vejo a porta ser aberta e o vejo parado na minha frente.