× Liz
Minha vida tomou um rumo totalmente diferente quando Kubrick tomou a direção da minha vida, como um filme de Kubrick: violento e explícito.. deixe-me te introduzir nessa bagunça.
Eu me chamo Elizabeth, sou baixinha e por sempre sentar na frente, usar óculos e ser um pouco nerd algumas pessoas da minha sala me apelidaram de Velma.
Eu não tenho amigos na escola só fora e apenas uma, ela se chama Cris; loira, altura mediana e corpão, diferente de mim, chama atenção por onde passa. Ela, infelizmente, estuda num colégio público e eu num de freiras. Sim, freiras! Rígido, frio e cheio de irmãs passando medindo as saias das alunas. "Meu corpo, minha culpa".
Cris estava parada na minha frente devorando a pizza de ontem a noite, ela tinha dormido na minha casa; seus pais tinham pedido que ela ficasse lá enquanto eles viajavam. Os pais de Cris são liberais, se tivesse que definir eles seria como uma folha solta que se deixa levar pelo vento; já os meus são rígidos e definir eles seria como um jarro de vidro delicados e frios, sou filha de psicólogos e sempre estou sendo avaliada durante as nossas conversas, mesmo num simples "bom dia", o que me fez ser uma ótima mentirosa mesmo que eu não goste.
Cris, com a boca cheia: estou morrendo de fome ainda, vamos no shopping comer algo e andar sem rumo?
Liz: eu não sei.. amanhã começa a escola de novo e..
Cris: Liz, para! Amanhã começa o novo semestre e você só tirou notas boas no semestre passado, seus pais não podem reclamar dessa vez. vamos?
Meia hora depois estávamos no shopping, após lançarmos no burguer Cris me fez ficar andando a toa até que as coisas começaram a ficar desconfortáveis, não por causa de Cris, mas porque tinha um grupinho do meu colégio lá. Assim que me viram ele sorriram e começaram a gritar "velma", e todos começaram a me olhar, eu odeio esse apelido e ser o centro das atenções, não sei como reagir. Mas Cris sabe e sabe que não eram apelidos carinhosos, ela se aproximou do grupinho; e com a mão na cintura começou a falar.
Cris: a área das crianças fica pra lá, no segundo andar. Mas caso vocês estejam procurando o zoológico ou veterinário, este fica a duas quadras daqui, talvez lá eles encontrem uma solução pra ignorância e infantilidade de vocês mas se não der certo, já que parece ser difícil, se matem.
Júlia se levantou, a boneca Barbie humana da escola e olhou toda enjoada pro nosso lado. O grupinho se baseava em Júlia, Gustave (seu namorado machista e louco por músculos), Vinícius e Ben; seus dois amigos. se juntasse Gustave, Vinícius e Ben não daria nem uma pessoa.
Vinícius e Ben se afastaram um pouco e Júlia saiu rebolando, Gustave foi o único que ficou só para tentar se intimidador com Cris e comigo.
Gustave, enquanto da um esbarrão na gente se retirando do shopping: dois v, velma e virgem!
Quando ele já estava a cinco passos da gente Cris gritou: o que cara!? Você já deu seu cool?!
Gustave parou e estava pronto pra voltar quando Júlia irritada deu um grito, chamando-o e eles foram embora.
Na manhã seguinte, o circo estava armado. Seria um inferno disfarçado de paraíso.
No dia seguinte eu cheguei meia hora antes dos portões do colégio abrirem e fiquei na rua ainda deserta esperando. Sempre gosto de chegar adiantada para pegar um bom lugar e também para evitar ficar lá trás junto com o grupinho da Gustave.
Eu estava lendo um livro de romance quando escutei alguém bocejar bem atrás de mim, eu dei um pulo e segurei firme minhas coisas; era um cara de terno e ele estava fumando, sua pele era clara , cabelo castanho claro encaracolado ele me olhava atentamente.
xx: esse livro é entediante.
Liz: que?
xx: eu disse que esse livro é entediante.
Eu permaneci segurando minhas coisas firmes e calculando para onde correria..
Assim que ele percebeu que eu estava nervosa riu.
xx: sou o novo professor. Acho que cheguei cedo demais..
Liz, se recompondo e voltando a respirar normalmente: ah sim, você pode entrar já.
xx: e você vai ficar aqui sozinha? Venha comigo, eu te coloco lá dentro.
Eu olhei a minha volta e não havia ninguém, caminhei atrás dele e não trocamos nenhuma palavra. Entramos pela secretária e ele deu uma piscadela pro monitor que já abria a boca para reclamar que estudantes não poderiam entrar aquele horário.
Eu agradeci um pouco envergonhada e sem encará-lo e corri para a porta da minha sala mas ainda estava fechada, então fiquei sentada no chão esperando as horas passarem. Quase quinze minutos depois o mesmo cara apareceu e sorriu ao me ver.
xx: Parece que você vai ser a minha aluna.
Eu sorri envergonhada enquanto ele abria a porta e eu pegava as coisas no chão. Já tinha escutado rumores de que um novo professor de física entraria na escola mas não imaginava que fosse tão jovem e simpático, o último era velho e ranzinza. E não era nem um pouco bonito.
Eu entrei na sala e escolhi a segunda cadeira, ele se sentou na mesa e começou a mexer nos papéis que carregava, eu continuei a ler o meu livro mas vezes ou outra notava ele me observando curioso; confesso me deu arrepios ficar ali sozinha com ele.
Eu estava cochilando quando o sinal tocou, os portões tinham sido abertos e já dava pra escutar as pessoas papeando do lado de fora da sala.
xx, disse com um sorriso: espero que você aprecie a minha aula do mesmo jeito que dorme tão sonhadora.
As últimas pessoas a entrarem na sala foi o grupinho de Gustave e Barbie, assim que eles passaram por mim Gustave me chamou de virgem, alto o suficiente para o resto da turma ouvir e rir junto. O professor novo ouviu.
xx: Pode sair.
Gustave parou e se virou em direção ao professor, estava de pé ainda e cruzou os braços.
Gustave: o que você disse?
xx: a porta está aberta, pode sair.
Gustave, disse e se sentou na cadeira logo atrás de mim: meu pai que paga o seu salário, fique quieto que é melhor.
xx: E? Pode sair. Não vou tolerar essas coisas na minha sala.
Gustave permaneceu sentado e riu.
xx: então fique, mas já começa me devendo 10 pontos. Tenho certeza que seu pai não paga suas notas.
Gustave bufou e saiu da sala reclamando, o novo professor se virou pro resto da turma e sorriu, algumas meninas estavam cochichando sobre a beleza dele, já dava pra escutá-las chamando-o de Apolo.
xx: me desculpem por isso mas não vou tolerar qualquer desrespeito na minha aula, não chamarei a atenção de vocês só pedirei que se retirem.. Me chamo Luan Rafael e sou o novo professor de vocês de física, sou tranquilo. A única coisa que peço durante as minhas aulas é que quando eu estiver explicando é que vocês se calem.
Barbie estava sentada ao meu lado e levantou a mão, toda sorridente.
Luan: sim?
Barbie: você é casado?
Luan olhou pra mim rapidamente e logo se voltou pra Barbie com um sorriso: não.
A aula de Luan passou voando, mal vi os dois tempos passando. Quando o sinal tocou eu me levantei mas as pessoas saíram correndo pra aproveitar alguns minutos antes da próxima aula começar, quando eu tentei sair Barbie me empurrou de volta pra cadeira mas eu tropecei e cai, ela passou na minha frente rebolando e fingindo que nada tinha acontecido.
Luan ainda estava na sala, estava guardando algumas coisas na pasta, quando me viu sentada no chão ficou paralisado me analisando. Eu estudo num colégio de freiras e somos obrigadas a usar saia e conforme eu cai, eu fiquei toda exposta. Eu vi que seu olhar durou tempo demais em mim e me levantei rapidamente.
Luan: você esta bem ?
Liz: s-sim..
Luan: bem o suficiente para me mostrar onde é a sala 4?
Eu sorri e concordei com a cabeça, andei na sua frente e sentia os olhares das pessoas a nossa volta o analisando. Luan é extremamente bonito e chamativo, ele tem um sorriso diabólico e um olhar que faz as garotas ficarem hipnotizadas. Ainda bem não sou uma delas ou pelo menos acho.
Paramos em frente a sala 4 e ele me agradeceu, quando eu já estava me afastando ele perguntou o meu nome e eu respondi.
Luan: você é linda, Elizabeth. Não deixe esses garotos tirarem sarro disso.
Eu voltei pra minha sala vermelha e um pouco atrasada, por sorte era a professora de biologia, Cassandra. Um ser tão bom e simpática.
Claro que a minha sala a odeia, ela não da mole pra ninguém mas é ótima amiga ou quase amiga. Ela sorriu ao me ver parada na porta e fez sinal para que eu entrasse; eu entrei e não me surpreendi ao ver Gustave sentado na minha cadeira ao lado de Barbie. Minhas coisas tinham ido parar na última cadeira, quando passei por Gustave ele só deu uma piscadela.
Eu adoro a aula da Cassandra mas o meu dia estava sendo péssimo e confuso, fiquei no mundo da lua lembrando daqueles olhos e da boca carnuda de Luan.
A última aula era de educação física. Eu odeio educação física; não por ter que fazer exercícios mas sempre por ser a última ou o alvo do queimado. Eu sempre voltava pra casa roxa. Infelizmente ou felizmente minha mãe conseguiu um trabalho pra mim numa livraria à 30 minutos do meu colégio, logo eu tinha que almoçar no colégio; eu não tinha amigos e as mesas todas eram dos grupinhos então pegava a comida e comia sentada na escada do pátio; mas como hoje eu suaria por causa da educação física e por ser o meu primeiro dia de trabalho não queria chegar suja e fedendo, pedi para tomar um banho no vestuário feminino a diretora e ela permitiu; já não havia mais nenhum aluno no colégio, só eu. Eu fui pro vestuário feminino com a minha mochila e tranquei a porta do meu box. Comecei a tirar o uniforme da escola e l e percebi que não tinha como deixar minha mochila junto a mim senão molharia, me enrolei na toalha e a deixei em cima de um banquinho, voltei pro box e tranquei. Abri a torneira e me meti embaixo da água gelada, tomei um banho demorado pra dar uma relaxada, fechei a torneira e me enrolei na toalha pra me enxugar. Abri o box e fui até onde minha bolsa estava, não tinha alunos essa hora então não me preocupei, deixei a toalha em cima do banco e comecei a passar meu creme nas pernas, foi quando eu ouvi alguns passos dentro do vestuário, eu MD enrolei na toalha e peguei as minhas coisas e corri pra dentro do box, troquei de roupa lá mesmo com receio de alguém ver o meu corpo.
Eu cheguei dez minutos atrasada no trabalho, Coralina estava impaciente já quando eu entrei na livraria.
Coraline andando de um lado para o outro: era pra você está aqui 13h, já são quase 14h! Eu tenho coisas pra resolver, se você não puder ficar nesse horário é melhor desistir.
Coralina pegou um avental preto com a logo da livraria e jogou em mim, ela pegou a sua bolsa embaixo do balcão e saiu bufando.
Eu fiquei com cara de lua sem saber o que fazer, coloquei o avental por cima das roupas e fiquei olhando pros lados na esperança de que Coralina aparecesse sorrindo dizendo que era brincadeira mas isso não aconteceu. Um rapaz com o mesmo avental que eu se aproximou sorrindo timidamente.
xx: ela é sempre assim, desculpa. Me chamo Rodrigo.
Eu o cumprimentei e me apresentei, dei um sorriso envergonhado e olhei a minha volta.
Rodrigo: Alguém já falou pra você qual é o seu serviço aqui?
Eu neguei com a cabeça e mordi os labios, mania que tenho quando estou nervosa.
Rodrigo: acho que você ficaria no caixa mas hoje é um dia corrido e não tenho como te ensinar direito.. Tem um carrinho lá trás, no armazém, separado pelas sessões de cada livro você pode arrumando-os nas estantes, pode ser?
Eu concordei e ele me guiou até o armazém, a loja era de dois andares e parecia a biblioteca da Bela e a fera, tinha como alguém se perder ali. Era um labirinto de estantes e mais estantes. já o armazém não era tão glamouroso como lá fora, era menos iluminado e chique, era o espaço dos funcionários, tinha um sofá grande e uma TV pequena e um refeitório e dois banheiros, os livros estavam perto do sofá. Rodrigo sorriu e me deixou a sós, mãos a obra Liz.Os dias passaram voando, o trabalho ficou mais fácil e a escola mais difícil. Trabalhos da escola, provas e tempo para estudar estavam se tornando um tormento.
Todos os sábados eu costumava a passar na casa da Cris mas agora que eu trabalho isso foi anulado. Eu estava ajeitando alguns livros na prateleira quando alguém colocou a mão no meu ombro, eu levei um susto e quase deixei cair todos os livros; era Luan. Ele não estava de terno como de costume. estava com uma blusa pólo azul bebê e bermuda branca, a pólo era folgada mas marcava os seus músculos.
Liz: Professor..
Ele sorriu, percebi que ele estava com três livros na mão e fiquei vermelha quando notei o conteúdo. Livros eróticos, bastante. Ele percebeu e deu de ombros.
Luan: você curte romances e eu curto erotismo. Por acaso você me indicaria algum livro desse estilo, Liz?
Eu nunca li livros desse estilo e se entrasse em casa com eles, meus país me matariam mas por algum motivo eu menti.
Concordei com a cabeça e fiz sinal para que ele me seguisse até a sessão de erotismo, apontei alguns títulos e falei como uma profissional os comentários que eu já ouvi na rede sobre. Luan me observava sério, ele parecia nem notar nos livros ou no que eu falava. Por um momento eu me odiei por não me arrumar tanto; eu estava com os meus jeans surrados e minha blusa pólo amassada e all stars azuis. Assim que terminei de falar ele continuou a me olhar um pouco mas até que se virou para a estante e em dois segundos pegou um. Eu fiquei ainda mais vermelha. O livro era sobre caso aluna e professor.
Luan, com um sorriso sugestivo: este parece ser interessante.
Eu abaixei a cabeça e encarei os meus pés, Liz: bastante.
Ele agradeceu e saiu em direção ao caixa mas antes voltou, ainda estava sorrindo.
Luan: te vejo segunda?
Eu concordei com a cabeça e dei um sorriso envergonhado.
Quando ele já estava no caixa Coralina se aproximou, ao que parece ela ouviu tudo.
Coralina: Ele parece ser bem interessante. Quem é?
Liz: Meu professor.
Coralina: se ele fosse o meu professor eu não precisaria fazer provas..
Liz: que?
Coralina me olhou aborrecida e saiu reclamando: garota, você é virgem mesmo..
Na hora que estávamos fechando a loja começou a trovoar.
Ruan: Vem chuva por aí..
Terminamos de ajeitar tudo correndo e saímos, meu ponto de ônibus ficava a dois quarteirões da livraria e totalmente no sentido ao contrário do de Coralina e Ruan, nos despedimos e caminhei com um passo apressado até o ponto de ônibus. Era 20:30 e estava ameaçando chover e as pessoas aqui onde eu moro tem medo de chuva, elas simplesmente se escondiam dentro de casa; a rua estava deserta. Meu ônibus nada de chegar, já era 21 horas quando um homem parou no ponto de ônibus junto comigo, ele estava com uma latinha de cerveja na mão e a outra estava no bolso, ele olhava de um lado para o outro e eu comecei a me desesperar. Dei alguns passos para mais longe e já estava pronta pra correr quando um carro preto apareceu na esquina, o cara se aproximou um pouco mais e eu corri para o meio da rua, gritando pedindo ajuda, foi no exato momento que a chuva começou a cair. O carro parou com tudo e o cara que estava atrás de mim correu para longe; eu não vi mais nada só me sentei no chão e soube chorar. O dono do carro saiu e me ajudou a levantar, ele perguntava se eu estava bem e eu não conseguia responder; até que ele me deu um tapa forte na cara e teve minha total atenção. Era Luan, ele estava totalmente molhado e preocupado.
Luan: vou te levar pra casa, vem.
Ele me colocou dentro do carro e saimos do centro da cidade, eu não me preocupei em ficar sozinha com ele, eu só conseguia pensar na sorte que tive dele parar o carro. Ele parou o carro em frente a minha casa e perguntou mais uma vez se eu estava bem, eu agradeci ainda atordoada e desci do carro, entrei dentro de casa correndo e fui direto tirar essa roupa molhada e tomar um banho quente. Precisava me estabelecer, só quando estava voltando a razão que eu percebi que em nenhum momento falei onde eu morava pra ele, ele simplesmente veio até minha casa sem nenhuma dificuldade.
No domingo quando meus país foram pra igreja Cris apareceu na minha casa, eu contei tudo a ela e no final ela só parou de comer doritos para perguntar se o meu professor era gostoso.
Liz: você não vai perguntar se eu estou bem?!
Cris: eu estou vendo que você está bem. graças a deus não aconteceu nada com você. Seu professor, ele é gostoso?
Liz: como você só pode pensar nisso, Cris?
Eu levantei do sofá aborrecida e fui até a cozinha, estava na hora do meu remédio de alergia; Cris veio atrás de mim sem soltar o doritos.
Cris: quando você tiver sua primeira vez vai entender porque eu só penso nisso. Então ele é gostoso?
Liz: não!
Eu menti mas Cris é a única pessoa que sabe quando eu falo a verdade, ela sorri e só assim solta o doritos.
Cris: pra você mentir significa que ele é super gostoso. Aproveita, mas não se apegue.
Liz: eu não vou ter um caso com meu professor, pelo amor de deus.
Cris apenas olhou pra mim de rabo de olho e voltou pra sala.
Amanhã eu tinha muito o que perguntar e agradecer ao meu professor.
× Luan
Na manhã de segunda feira eu me atrasei pro trabalho e cheguei só duas horas depois; não cheguei a tempo de dar aula para a turma da Elizabeth mas na hora do intervalo ela bateu na sala dos professores.
Eu quase ri quando vi o que ela segurava. Uma maçã!
Eu me concentrei para não rir e a apenas olhei sério; ela estava toda vermelha e suada, seu cordão estava grudado no peito em um ângulo esquisito. Que peito..
Liz: eu, hum, eu queria agradecer por você ter me ajudado naquele dia. E-eu não sei o que aconteceria se você não parasse o carro..
Luan: Eu te atropelaria.
Ela ficou ainda mais vermelha e eu dei um sorrisinho, ela pareceu relaxar um pouco e me entregou a maçã, eu peguei e decidi que era melhor deixá-la um pouco mais envergonhada.
Liz: eu não sabia o que trazer e sou fã de clichês, trouxe isso.
Luan: A fruta proibida? -, eu dei um sorriso e continuei: - você trouxe tentação, Liz? Se importaria se eu provasse?
Eu me aproximei um pouco e ela permaneceu parada, me olhava assustada mas não se mexeu. Levei a maçã até a boça e comi um pedaço sem tirar os olhos de Elizabeth. Entreguei a maçã pra ela e falei por último
Luan: não gosto de maçã, mas gosto de você ter a trago. Me visite mais vezes.
Eu a deixei parada na porta dos Professores com a maçã na mão e voltei ao meu dever.
× Liz
Todos já estavam indo embora quando o professor de educação física apitou chamando a atenção de todos; Luan estava ao seu lado em pé e com algumas folhas. Nos aproximamos e Miguel começou a falar calmamente: hoje infelizmente não tive como dar aula pra vocês mas preparei um trabalho para vocês não ficarem sem nota. Eu separei vocês em duplas e coloquei o tema logo ao lado. Não, eu não vou trocar as duplas e não vou aceitar apresentação individual.
Luan sorriu e colocou a folha em cima da arquibancada e antes de se afastar só falou: não tentem me enganar, já escrevi no diário sobre as duplas e acho bom vocês não deixarem o parceiro fazer tudo, apesar de ser um trabalho em dupla a nota vai ser individual.
Assim que ele se afastou as pessoas correram nas folhas, eu fiquei parada no meio da quadra; eu não sou frágil mas minha turma é agressiva demais principalmente quando quer ir embora. Quando alguns já estavam se afastando reclamando com quem tinha ficado em só escutei um grito "Nem pensar!".
Barbie se aproximou com tudo, a todo vapor exclamando que não ficaria com a virgem.
Barbie: Eu não vou ficar com você!
Liz: Nem eu com você!
Barbie: faça ele trocar!
Gustave e o resto da turma estavam reclamando também.
Liz: você ouviu o que ele falou, faça você.
Barbie pegou a folha e me puxou pelo braço, foi bufando até o caminho da sala dos professores mas nem precisamos ir tão longe. Luan estava logo do lado de fora da quadra tomando café na cantina. Ele me olhou e deu um sorriso simpático.
Luan, conforme nos aproximamos: não vou trocar.
Barbie: essa garota e eu não nos damos bem, você precisa trocar.
Luan: quando você trabalhar vai ter que lidar com pessoas que não goste, comece com Liz, ela é inofensiva comparada ao reais parceiros de trabalho.
Barbie abriu a boca mas Luan a interrompeu: Se você pedir mais uma vez eu adiciono mais um tema pra vocês.
Barbie saiu bufando e eu permaneci parada, Luan me olhou.
Luan: desculpe por isso mas eu prefiro que vocês trabalhem com pessoas que não tem nenhuma intimidade.
Liz: não tenho intimidade com ninguém.
Luan deu um sorriso malicioso, tenho certeza que foi e jogou o copo de café no lixo.
Luan: continue assim.
Disse antes de se afastar, eu fiquei parada mas logo corri para o vestuário feminino. Estava atrasada para o trabalho; sabe o que dizem: pressa é inimiga da perfeição. Quando já estava nua e embaixo do chuveiro, nenhuma singela gota d'agua caiu. O tempo estava chuvoso, desde sábado não parou de chover logo o transito estaria impossível graças ao horário que as pessoas estivessem saindo da escola. Coloquei o uniforme do colégio e sai correndo, nem me preocupei em pegar o guarda-chuva, apenas sai correndo ao ponto de ônibus mais próximo; já estava ensopada quando o carro parou ao meu lado. Luan abriu a porta do passageiro e fez sinal para que eu entrasse. Eu olhei ao redor e mordi a boca, não sei se seria uma boa idéia mas precisava chegar logo ao trabalho senão Coralina reclamaria ainda mais. Entrei no carro. Luan não disse nada durante um bom tempo, ele estava serio.
O jeito risonho tinha sumido, ele estava estressado. Sua mandíbula trincada e seu braço rígido.
Ficamos parado no engarrafamento e demorou 15 minutos para ele falar alguma coisa.
Luan: sua saia está levantada.
Eu gelei e abaixei o olhar bem devagar na esperança que fosse uma piadinha para amenizar o ar mas não era, era sério. Minha calcinha estava amostra, tirando o fato de eu estar toda molhada e a blusa branca do colégio está transparente, bom, ele já tinha visto como é minhas roupas íntimas, eu abaixei a saia e apoiei a mão na coxa. Ele me olhou ainda mais sério, eu simplesmente não conseguia encará-lo não o via mais como um professor, pelo menos não agora, ele me dava arrepios. com esse olhar.
Liz: desculpe.
Ele deu um sorriso sarcástico e voltou a olhar a estrada, ainda estávamos preso no trânsito e fora do carro o mundo se acabava em água; o temporal estava de dificultando ver algo lá fora e o vidro ficando abafado com nossa respiração. Luan colocou a mão sobre a minha coxa e eu fiquei parada, sem reação alguma. Ele aproximou seu rosto do meu e me fez o encarar.
Eu não sei dizer quem beijou quem, foi ao mesmo tempo e no mesmo ritmo lento ascendente; ele prolongou suas mãos no meu corpo e apesar do medo eu não tirei, ele me causava arrepios bons e ruins. Paramos porque os carros atrás da gente buzinaram, o trânsito tinha voltado ao normal e Luan ao mau humor.
Ele estacionou em frente ao meu trabalho e eu desci, não falamos nada mas ficou claro que aquilo tinha sido um erro. Eu entrei na livraria ainda extasiada com o quê tinha acabado de acontecer, Coralina riu e só falou comigo quando o carro se afastou: eu te perdôo porque eu entendo o que tava rolando -, ela saiu de trás do balcão e colocou a mão nos meus ombros me empurrando para a área dos funcionários: - vá se arrumar, só hoje eu finjo que sou sua irmã mais velha cool. Apenas por 15 minutos.
Conforme os dias passaram eu fiquei ainda mais confusa, eu pensei em contar a Cris mas sabia que se contasse ela me falaria pra ir fundo e fundo é que eu não queria ir. Ele é meu professor e mais velho, é errado e fim. Foi só aquela vez. Se não fosse o fato de eu ter que me encontrar com a Barbie algumas vezes, mesmo fazendo o trabalho sozinha enquanto ela cerrava as unhas ou mexia no celular, eu não parava de pensar no que aconteceria se não fosse a buzina.
Segunda-feira chegou e foi difícil ficar na frente da turma inteira: ainda mais com Barbie. Ela tinha a cintura fina e toda perfeita, os meninos babavam e ela sabia lidar com a atenção tão bem enquanto eu me tremia toda e gaguejava. Nosso tema era atração.
Liz: A Lei da Atração ensina que atraímos para nossas vidas o que nós focalizamos interiormente. Nossos pensamentos são a mola p-propulsora da realização. A Física Quântica ensina que nada é fixo, que não existem limitações, que tudo é energia vibrante.
Um consenso mais moderno entre os pensadores do Novo Pensamento é que a lei da atração diz que os pensamentos das pessoas (tanto conscientes quanto inconscientes) ditam a realidade de suas vidas, estejam elas sabendo disso ou não. Essencialmente, "se você realmente quer alguma coisa e realmente acredita que é possível, você vai consegui-la", mas colocar muita atenção e pensamento em algo que você não queira significa que você também vai receber esta coisa.
Eu terminei e Luan ficou me olhando sério; era nosso primeiro encontro desde ao ocorrido. O beijo. E eu tinha que falar sobre lei da atração. Seria ironia se não fosse ele que tivesse passado esse tema.
Luan: Júlia, você tem algum comentário?
Barbie, levantando um pouco a blusa: Nenhum, professor.
Luan: zero pras duas.
Eu rapidamente perdi a vergonha e comecei a falar que nem uma maritaca: O quê? Zero? Eu fiz minha parte, ela que não fez, não tenho culpa.
Luan: tem. É um trabalho em dupla e vocês tem que trabalhar juntas, Elizabeth. Você a levou nas costas, fez parte dela. Zero.
Barbie: você não pode ta falando sério, não é? Eu fiz esse trabalho, claro que eu fiz. Lei da atração é..
Luan a interrompeu: eu perguntei se você tinha algum comentário, Júlia e você disse que não. Zero. Na hora do intervalo quero falar com vocês duas.
Eu e Barbie não fomos as únicas, Gustave e os amigos dele também tiveram que correr atrás do Luan na hora do intervalo; mas claro que eles fariam isso por último.
Assim que o sinal tocou eu me levantei primeiro que todo mundo e puxei Barbie comigo, ela reclamava sem parar mas veio junto, logo que chegamos Barbie tratou de se sentar no banquinho, eu fui sozinha até a sala dos professores de novo e bati na porta. Uma professora mais rígida e atendeu dessa vez, ela me olhou feio e se virou: Luan seus alunos.
Luan apareceu logo em seguida, eu evitei olhar pra ele durante a aula inteira mas foi impossível agora. Ele estava de terno (é obrigatório os professores usarem essas roupas na minha escola); mas o terno caia muito bem nele, não parecia um professor desarrumado e suado; ele parecia que tinha acabado de sair do banho, seu jeito durão dificultava tudo.
Luan: Só veio você?
Eu dei um passo pra trás e ele viu a Barbie sentada no banquinho, ela estava como se fosse a rainha e como se o professor que devesse algo a ela. Ela acenou e deu um sorriso.
Seria o sorriso típico de menina malvada.. Se eu não a conhecesse. Ela simplesmente não parava nem por um segundo de falar no Luan, dava pra escutar os sussurros dela com as outras meninas e esse sorriso malvado ela só da pra aqueles que esta afim. Eu voltei a olhar para o Luan e ele estava olhando curioso pra ela, sem pensar em entrei na frente do seu olhar e cruzei os braços.
Luan pareceu confuso mas logo começou a falar: eu esperava que o resto de vocês tivessem aparecido mas o caso é que eu vou fazer uma competição com os piores da turma, no caso vocês, eu não sabia mas vocês tem um teatro aqui e..
Barbie: ah não, tudo menos isso. Isso é coisa de velho, professor.
Luan olhou pra ela com desdém e voltou a falar: quase não tem peças aqui e como o trabalho de vocês era sobre atração.. Eu quero que vocês montem uma peça ligada a física. Eu conversei com a professora de teatro e ela adorou a ideia.
Liz: por mim, tudo bem.
Luan, com um sorriso: Você fará o papel principal.
Eu pirei. Eu odeio com todas as forças ser o centro das atenções; eu realmente odeio. Eu não posso ficar em frente ao colégio inteiro sem gaguejar ou surtar, eu vou surtar, tenho certeza.
Liz: Não, eu posso ajudar a escrever a peça.
Luan: mas vocês vão fazer isso juntos. A professora Gil já tem uma base da história mas quero que vocês façam algumas modificações e claro, isso toda terça e quinta após o horário escolar de vocês terminar aqui na escola. Não quero problemas com alguns de vocês indo a casa dos outros.
Barbie se levantou e falamos juntas: Não posso!
Eu olhei pra ela e ela pra mim, levantou a sobrancelha e começou a falar com aquela voz de garota sebosa: eu trabalho.
Liz: você trabalha!?
Ela olhou confusa como se não entendesse e respondeu: como modelo.
Pra não revirar os olhos eu voltei minha atenção para o Luan e falei: eu trabalho também.
Ele deu de ombros e como se fosse a coisa mais normal disse: vocês podem treinar sábado aqui na escola ou na minha casa, isso é, se houver mais um pode ser na minha casa.
Barbie: mais um?
Luan: não quero gerar problemas entre professor e alunas.o grupo ficou decidido: eu, Julia, Gustave e os amigos dele. Claro que todos reclamaram em perder o sábado de manhã; claro que eles inventaram também que faziam outras coisas durante a semana.
No final da aula de educação física eu corri pro banheiro, tomei um banho e quando estava me vestindo eu escutei alguém bater a portar com força; eu me enrolei na toalha rápido. E fui até a porta. Luan estava parado de braços cruzados, ele estava sério. Eu estremeci.
Luan: pode tomar um banho na minha casa, se quiser.
Eu dei um passo pra trás e ele pareceu surpreso.
Luan: eu não vou te obrigar.
Liz: o que você está fazendo aqui?
Luan se aproximou e me colocou na parede: eu quero terminar o que a gente começou no carro..
Eu me abaixei um pouco e sai de perto da parede e dele.
Liz: você precisa ir..
Ele mexeu a cabeça e saiu decepcionado; eu me arrumei correndo e fui direto pro trabalho, fui por um caminho diferente, andei mais pra pegar um ônibus diferente, não queria mais surpresas e nem caronas. Eu cheguei um pouco atrasada e Coralina ficou me olhando com aquela sugestiva.
Liz: não..
Eu fui direto pra sala dos funcionários deixar as minhas coisas e ela veio atrás, cumprimentei o Rodrigo no caminho e ele olhou pra Coralina confuso e veio atrás.
Rodrigo: professor?
Coralina: aconteceu alguma coisa, olha a cara dela.
Eu parei e olhei os dois, Rodrigo estava segurando um livro e Coralina estava com os braços abertos e um ponto de interrogação no rosto.
Coralina: não me diz que você deu um fora naquele professor. Você não ia precisar fazer provas! E de quebra ele é gostoso.
Rodrigo: É..
Liz: ele me deu zero! Ele vai fazer eu ir na casa dele sábado de manhã..
Coralina: isso é desculpa pra te ver no sábado.. pera aí
Liz: sim, eu ia te pedir pra segurar um pouco as coisas por aqui até eu chegar.. Ele não só me chamou, ele chamou as pessoas que odeio.
Rodrigo: mesmo assim, ele vai dar uma escapadinhas..
Rodrigo voltou pra loja e Coralina ficou pulando de um pé pra outro me fazendo perguntas e só parou porque o Rodrigo voltou a aparecer.
Rodrigo: seu prof..amigo está aqui, Liz.
Eu abri a boca mas ele já tinha voltado pra loja, coloquei minha bolsa dentro do armário e já estava saindo quando Coralina me puxou firme pelo braço e me analisou, ajeitou o meu cabelo um pouco e falou: ele ta muito afim de você.
Eu olhei pela brecha da porta e vi que ele estava parado bem no caixa, estava apoiado pelos cotovelos no balcão e olhava pra baixo; estava ainda de terno. Eu voltei pra sala e Coralina me empurrou sala a fora, Luan me olhou e eu fiz sinal para ele me seguir para o fundo da loja; não queria correr o risco de algum aluno ver a gente. CORRER O RISCO, meu deus o que ta acontecendo!?
Ele me seguiu sem falar nada, o barulho dos seus passos atrás de mim me fez pensar no quanto ele é pesado e forte e nos músculos contraídos embaixo daquele terno, eu tropecei e ele me segurou pela cintura. Ele apertou a minha cintura e aproximou sua boca do meu pescoço. Sua respiração fazia cócegas no meu pescoço e me arrepiava, eu esqueci como era sustentar o meu corpo mas isso não foi problema, ele me mantia de pé.
Eu escutei o barulho do sino, sempre que alguém entra na loja, me afastei um pouco dele e o encarei. Ele riu e colocou a mão na cabeça mas seu sorriso desapareceu quando ele reconheceu a voz. Barbie.
Luan: vá sábado, de uniforme.
Liz: o que? você veio aqui pra isso!? Pensei que se desculparia!
Luan: Me desculpar por?
Eu fiquei muda, a voz da Barbie ficava mais próxima e a do Rodrigo também.
Eu me aproximei um pouco mais do Luan e sussurrei: você me viu nua e tentou me beijar e veio no meu trabalho me provocar ainda mais, você é o meu professor aja como tal.
Luan me puxou pelo braço para ainda mais perto e me olhou nos olhos: eu não vou me desculpar por algo que sei que você está amando.
Eu abri a boca mas ele me calou com um beijo rápido e se afastou rindo, foi em direção ao corredor de filosofia. No mesmo segundo Barbie apareceu e sorriu. Ela sorriu e acenou pra mim alegremente e deu dois beijinhos no Rodrigo.
Barbie: acho que já consegui me achar, obrigada!
Rodrigo ficou olhando sem entender nada mas se afastou, Barbie veio correndo em minha direção e numa simpatia cheirando a falsidade perguntou sobre o professor e eu fiquei branca.
Liz: que!?
Barbie: eu vi ele entrar aqui, preciso falar com ele.
Liz: falar com ele?
Barbie: sim, vou fazer ele aumentar a minha nota.
Liz: como?
Barbie: não seja boba, velma. cadê ele?
Eu cruzei os braços e pela primeira vê, não me irritei por ela me chamar de velma e sim por estar de olho no Luan.
Liz: procura!
Sai de perto e ela riu.
Barbie: não, não acredito que você quer liberar sua grutinha pro professor gato. Liz, caras como ele não querem você. você não é o tipo deles.
Eu quase ri mas dei de ombros: então, você é?
Ela abriu os braços e deu uma voltinha e sorriu: claro.
Liz: boa sorte.
Barbie: eu não preciso de sorte, velma.
Ela sorriu e sumiu entre os corredores.
Eu fui pro caixa e fiquei apoiada no balcão, tentando achar a cabeça do Luan ou da Barbie. A Coralina apareceu rindo e me deu um tapinha no ombro.
Coralina: ninguém mandou ficar nessa de joguinho.
Liz: eu não tô de joguinho, cara.
Rodrigo estava um pouco distante e riu. Eu abri a boca pra falar mas Luan apareceu, ele passou direto; me lançou um olhar sério e saiu. Alguns minutos depois Barbie apareceu, ela passava a mão na boca e sorriu quando viu que eu estava encarando ela.
Barbie: não tem como beijar sem borrar, né amiga.
Ela piscou e saiu rebolando com aquela bunda magrela porta a fora. Eu fiquei olhando e Rodrigo riu ainda mais.
Liz: que?
Rodrigo: nada.
Coralina deu mais um tapinha nas minhas costas e se afastou.
Coralina: vai ver ele sábado, não é.
Liz: sou obrigada.
× Liz
A semana passou voando ou quase isso; apenas quando Luan aparecia de relance pelo colégio o tempo parecia parar e as vezes eu era obrigada a escutar Barbie falando dele. Ela adorava me perturbar, desde a livraria passou a grudar em mim todo intervalo. Rumores começaram a rolar no colégio que um professor estava pegando uma aluna mas ninguém sabia quem; provavelmente Barbie criou a própria fama. Ela e Gustave tinham se separado de vez e as indiretas na hora da aula estavam ficando insuportáveis. Eu não via a hora de me livrar mas parece que ficar perto de Barbie era o mesmo que ter um imã de problemas pois Gustave passou a me chamar de Velma ainda mais e ainda mais me perseguir pelo colégio.
Sexta costumava ser um dia bom até Luan aparecer e me fazer ver mais Gustave e Barbie do que o necessário.
Desde o episódio do banheiro eu parei de tomar banho no colégio, achei melhor evitar e isso me fez poupar ainda mais tempo, eu chegava no trabalho ainda mais cedo e Coralina me adorava por isso. Quando eu estava saindo do trabalho e estava esperando o ônibus, após um dia frustante e calorento, eu me peguei pensando que eu iria conhecer o covil do Luan; talvez uma casa cheia de livros. Livros eróticos. Como ele esconderia isso da Barbie que é uma tremenda fofoqueira. Mas Luan parece ser extremamente organizado e cuidadoso... o ônibus apareceu na esquina me fazendo acordar e eu fiz sinal, ele parou e eu subi. A viagem foi tranquila, chegar em casa é aliviante mas acontece que eu não consegui pregar os olhos em nenhum momento e resolvi ligar para a Cris. Ela veio de moto, uma moto de segunda mão e barulhenta, chegou na minha casa de pijamas e subiu sem precisar chamar. Ela tem a chave. Se jogou na minha cama e colocou uma música no celular, bem baixinho para não acordar os meus pais. Eu a atualizei de tudo, quase tudo, que aconteceu. Apenas omiti a parte que ele foi atrás de mim no banheiro.
Cris: essa garota é mais piranha que eu...
Liz: Cris!!
Cris mordeu os labios e deu de ombros: ela ta te desafiando, se você quiser vai a luta mas se o Luan é um tanto faz como você faz parecer, deixe assim.
Liz: ela foi no meu trabalho beijar o Luan.
Cris: o Luan? Você não falava dele como professor Luan? -, Cris deu um sorrisinho e fechou os olhos apoiando a cabeça no mesmo travesseiro que eu: - Eu acho que você deveria arriscar. Ele parece gostoso. E você é bastante bonita, só não sabe administrar isso..
Eu já estava pronta pra reclamar quando notei que ela adormeceu, decidi que também era a minha hora e tentei dormir, mas o sono não apareceu. Eu no máximo dormi duas horas e mesmo assim tive um sonho bastante esquisito com Luan e Barbie, no sonho, eles casavam e eu era a madrinha.
Quando eu estava saindo do banheiro Cris acordou, ela riu ao me ver vestir o uniforme.
Cris: me diga que você só está provando, por favor..
Liz: eu vou assim.
Cris: a menos que você vá realizar um fetiche, você não vai assim.. Não é?
Eu parei no meio do quarto com as mãos na cintura e a toalha na cabeça. Cris se levantou e foi em direção ao meu guarda roupa: cadê aquele short que eu te dei?
Liz: aparece o meu bumbum.
Ela me olhou de cima a baixo e voltou a mexer no meu armário, pegou uma calça jeans que eu nunca usei por marcar demais o meu corpo e um cropped listrada preta e branca e jogou em mim.
Liz: não vou assim..
Meia hora depois eu estava com aquela roupa, a calça de cintura alta que me dava muita bunda e me deixava com curvas. O cropped listrado fazia parecer que meu peito era ainda maior. Cris ajeitou o meu cabelo e passou uma maquiagem suave.
Liz: você está exagerando.
Cris: claro que não, você vai pra guer
Cris: claro que não, você vai pra guerra... com Barbie.
Ela subiu na moto e me levou, ainda de pijamas, até o endereço que o Luan nos deu. Chegando lá dei de cara do o Gustave. Ele olhou feio pra Cris, relembrando daquele dia no shopping, e ela acenou pra ele gentilmente. Barbie estava com ele e riu: você precisa consertar essa moto, vai acordar a todos.
Eu desci da moto e dei um abraço em Cris e ela dei uma piscadinha pra mim.
Cris: com certeza esse barulho dela é melhor do que você gemendo.
Cris saiu com tudo me deixando na rabuda, com uma Barbie me olhando furiosa e o Gustave rindo.