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Madrid

Madrid

Autor:: Anne Garcezz
Gênero: Romance
Raúl é jogador de futebol do maior clube da Espanha, o Real Desportivo de Madrid e sonha em disputar uma Copa do Mundo pela seleção espanhola. Tatuado, sedutor, verdadeiro com seus sentimentos e perdidamente apaixonado por Alana, que o enxerga apenas como um amigo, ele quer conquistá-la e sabe que precisa desestruturar a sólida defesa que ela criou, e está disposto a usar um esquema muito poderoso no jogo do amor, a sedução. Alana é estudante de jornalismo, e está de volta a Madrid depois de morar um tempo com seu pai no Brasil. Em seu retorno à capital espanhola, ela busca concluir seu curso e conquistar Dani, o filho de seu padrasto, que a enxerga apenas como sua irmã mais nova. A garota está disposta a conquistar o rapaz, mas seus planos são atrapalhados por Raúl, amigo de Dani, que se mostra bastante sedutor, diferente do modo que a tratava antes. Alana não se sente indiferente às investidas de Raúl, e isso a deixa bem confusa, já que sempre acreditou gostar do filho de seu padrasto, mas agora se vê envolvida no jogo de sedução do rapaz e percebe que suas emoções e seu corpo vibram a cada toque, ou palavra dita, principalmente quando a chama de "Mi Cariño". Um amor tão caliente quanto as noites de Madrid, e envolvente como um bom esquema tático de uma partida de futebol, resta saber como termina esse jogo do amor?

Capítulo 1 ESTOY DE VUELTA, MADRID.

Alana

MADRID. Capital da Espanha. Onde cresci e vivi. Voltar, desembarcar no aeroporto de Barajas ao som de Mardy Bum, dos Monkeys em meu player, me traz uma sensação de saudade, lembro-me dos bons momentos que vivi nesta cidade tão linda, cheia de cores e sabores. Olho ao meu redor, e observo as pessoas, algumas comemorando a chegada, outras se despedindo, e isso me lembra do dia que parti, e fui morar no Brasil. Naquele momento, eu realmente pensava que ir embora fosse a solução, mas não foi.

Continuo sentindo a mesma coisa, vivi em São Paulo por dois anos, mas não consegui esquecer, talvez a distância tenha intensificado o que eu já sentia por ele. Vocês estão se perguntando, de quem estou falando? Ele é o filho do meu padrasto, seu nome é Daniel, mas todos o chamam de Dani. Nossos pais se casaram quando eu tinha 7 anos, e ele 11, embora eu nunca tenha o olhado como um irmão, Dani sempre me tratava como sua irmã, nunca me viu com outros olhos, ao contrário de mim. Não sei ao certo quando isso começou, sei que senti sempre algo diferente por ele, sempre o achei lindo, inteligente, e o pior que eu nunca consegui gostar de ninguém, ou estar em um relacionamento. Meu amigo Eduardo, diz que fiquei obsessiva com esta história, algo que não concordo, se não consigo me relacionar com outros caras é porque meu coração está ligado ao Dani, e depois de todo esse tempo longe estou disposta a mudar essa situação, pois, minha temporada no Brasil me ajudou a decidir.

Vocês devem estar pensando que fui embora por causa dele, em parte sim, mas também tive vontade de conhecer melhor o meu pai, pois, nunca tive uma relação tão próxima com ele, e naquele momento ele estava doente e precisando de minha ajuda, aquela era a oportunidade ideal para me aproximar dele, e ficar longe do Dani. Contudo, pensei que enquanto conhecia um pouco mais o meu pai, esqueceria o amor que sinto, conheceria outra pessoa, mas isso não aconteceu. Entretanto, conheci meu pai, e descobri uma pessoa maravilhosa, infelizmente ele não era assim na época que minha mãe foi embora do Brasil, e veio estudar em Madrid, mas não ficarei aqui remoendo o passado, e muito menos, o passado dos meus pais. Por isso, decidi, não posso ficar amarrada ao passado, esperando que algo aconteça sem que ao menos tente agir, então, tenho que fazer algo, viver o presente pensando no futuro.

Para isso, eu preciso tentar, tenho que me declarar para ele, conquistar seu amor, se eu não tentar, sinto que estarei presa a essa história de todo modo, pois, mesmo que eu não consiga nada, preciso dar um ponto final e seguir meu caminho. Divagar sobre meus sentimentos me deixa tão distraída, que não percebo minha mãe se aproximar de mim, no saguão do aeroporto. Nosso encontro não poderia ser mais caloroso, eu senti sua falta, e abraçá-la, sentir seu perfume inconfundível de jasmim, me deixa tão feliz.

Seguimos para casa, e esta já não era mais aquela no primeiro andar de um pequeno prédio, numa área simples de Madrid, há alguns anos nos mudamos para um condomínio fechado. Quando fui morar no Brasil, tudo ainda estava em reforma, mas agora parece bem diferente. Passamos pela guarita depois de uma breve identificação, e continuamos a seguir pela rua principal, cada lado possui casarões com um extenso gramado, e quando o carro de minha mãe para em frente à nossa casa, fico impressionada. Sua fachada na cor creme com algumas partes envidraçadas, um design magnífico, lembra um pequeno prédio, e tudo isso foi possível depois que Dani se profissionalizou, e virou uma estrela do futebol.

Quando entro na nova casa fico mais impressionada com o que vejo, é tudo tão clean, a sala e os móveis da mesma cor, branco. Estou maravilhada e sou tirada do transe em que me encontro quando escuto gritos de boas-vindas que vem de uma porta envidraçada.

- SEJA BEM VINDA, ALANA!

Eu não esperava por uma recepção assim. Há pessoas conhecidas, e outras que eu nunca vi, e o primeiro que vem me abraçar é meu padrasto. Ele continua com seu porte elegante, atlético, e foi uma das coisas que atraiu a minha mãe, além dos belos olhos castanhos que possui.

- Quanta falta você fez aqui em casa, até daquela música barulhenta que você escutava eu senti falta, Lana!

- Que bom que sentiu minha falta, também senti o mesmo.

- E de mim você sentiu falta? - Ouvir aquela voz grave falando bem atrás de mim, me deixa arrepiada.

- Impossível, esquecer você! - Respondo e viro-me, abro um grande sorriso para Dani, que me abraça com muita força. Sentir seu cheiro maravilhoso, aquele perfume cítrico que ele sempre usou, isso me deixa em pleno delírio.

Senti muita falta desse cheiro, do abraço... De tudo isso. Ele parece mais lindo do que nas imagens do buscador da Internet, e aparentemente mais forte, seu cabelo num corte espetado, seu sorriso largo, seus belos olhos castanhos de um tom escuro, a barba por fazer roçando a pele do meu rosto, seus braços me envolvem, e eu não quero que este momento acabe. Poderíamos passar a noite toda assim, mas infelizmente ele me solta, e fala algo.

- Quero te apresentar uma pessoa muito especial pra mim... - ele vira-se e segura a mão de uma garota loira, olhos azuis, com um sorriso vibrante, lábios muito avermelhados devido ao batom.

- Essa é a Isabella, eu a conheci na última viagem que fiz a Milão, com o time. Estamos namorando.

O quê? Como assim, namorando?

Por Deus, ele falou isso mesmo?

Não é possível!

Eu não acredito, eu me recuso a acreditar. Não lembro dessa informação, ninguém me contou, não vi na Internet, nos sites de fofocas.

Isso só pode ser uma pegadinha!

É nesse momento, que eu me lembro do que o Alex diz em minha música preferida dos Monkeys, Mardy Bum...

Capítulo 2 SALIR DE AQUÍ

Alana

Por Dios, como isso aconteceu? Quando ele me apresentou aquela garota, meu mundo desabou. Não pode ser! Dani nunca trouxe namorada para apresentar a família, acho até que ele nunca teve uma namorada, ou algo sério com alguém, então isso significa que ele tem algum sentimento por ela, e não é apenas sexo. Isso me preocupa.

Ela aperta minha mão e em seguida me abraça, sorrio e não esboço mais nenhuma reação, apenas fico controlando minhas emoções para não entrar em surto. Eles falam e me fazem perguntas, e eu apenas balanço a cabeça, e continuo sorrindo, o sorriso mais sem graça possível, e sem expressão. Sinto-me arrasada, preciso correr, fugir desse lugar. Distancio-me do casal, ainda não consigo acreditar em tudo que ouvi, não pode ser possível, ele não pode estar apaixonado, como isso aconteceu? A minha verdadeira vontade é gritar, chorar, e fazer um verdadeiro show de horrores diante de todos, mas sei que estaria errada agindo assim, então, o melhor a fazer é tirar o meu time de campo. Ando de costas, me sinto tão mal, tão perplexa que nem percebo que esbarro em alguém, e escuto apenas uma voz rouca atrás de mim, que me tira do transe maldito em que me encontro.

- Vejo que viver esse tempo no Brasil te fez muito bem! Você está mais bonita, cariño! - Eu não olho para trás, mas pela voz rouca, palavras envolventes, e pelo modo como me chamou, "cariño". Só há uma pessoa que me chama assim, Raúl.

- Se você diz! - Respondo um pouco chateada, viro-me e o encaro.

Durante esses dois anos, vi imagens dele e alguns jogos na tv, mas revê-lo pessoalmente me encanta um pouco. Ele sempre foi bonito, mas parece diferente. Não sei se são as tatuagens espalhadas pelo seu braço, seu cabelo castanho caindo perto dos olhos ou seu sorriso vibrante, que Edu e Babi costumavam chamar de "molha calcinha", e eu particularmente acho isso ridículo, mas tenho que confessar que sempre gostei de vê-lo sorrindo.

- Você parece chateada, o que houve? Não gostou do que eu disse? - Ele me pergunta e leva sua mão até o meu rosto, e o acaricia.

- Não, imagina! Eu adoro quando você me elogia e me chama de cariño. Eu só não gostei da presença de algumas pessoas que eu nem conheço, e que estão nesta festa!

- Você está falando da Isabella? Será que esse ciúme exagerado com seu irmão não acaba nunca? - ele me pergunta num tom de brincadeira, me abraça bem forte, e em seguida, fala bem próximo a minha orelha. - Senti tanto a sua falta, cariño!

Seu abraço me acalma. Ele sempre foi tão carinhoso comigo. Meus amigos, Babi e Edu, adoravam criar histórias sem sentido, e achavam que o Raúl era apaixonado por mim, e que nós combinamos. Eu não conseguia, e ainda não consigo acreditar nisso, ele sempre saiu com garotas que pareciam super modelos, então, por que se interessaria por mim? Além disso, o amo como amigo, um amigo irmão, era algo que deveria sentir por Dani, mas não aconteceu. Talvez minha vida fosse mais fácil se eu me apaixonasse pelo Raúl.

- Não é ciúmes! Eu apenas não gosto de chegar em casa e encontrar pessoas que não conheço, e ela parece bem chatinha! - Respondo, e faço uma careta, ele sorri e me responde.

- Mas você nem a conhece, e acho melhor você se acostumar, pois ele parece apaixonado por ela!

- Faz quanto tempo que eles estão juntos? Quando foi que tudo isso aconteceu? Por que eu só descobri, agora? - Bombardeio Raúl com perguntas.

- Faz mais de um ano que eles se conheceram e parece que foi amor à primeira vista, e você não pode reclamar que não sabia, pois mal falava comigo, ou com o Dani, parece que queria se isolar de tudo, e todos! - Ele parece chateado ao me responder.

- Não é bem assim, eu só estava muito ocupada ajudando meu pai, estudando e à noite eu ficava muito cansada, sem paciência para fazer qualquer coisa.

Minto descaradamente, porque sei que Raúl está certo, em parte, eu queria me isolar e me afastar para esquecer o Dani, mas não adiantou muita coisa, eu continuo gostando dele, mas, o que faço agora? Ele está apaixonado por aquela garota, e parece que eu sempre serei a irmã.

- Eu também senti sua falta Raúl! Desculpe-me, se não dei muita atenção a você enquanto estive no Brasil, mas prometo que vou recompensá-lo!

- Humm... Que tipo de recompensa, cariño? Isso muito me interessa! - Ele responde e me olha de um jeito meio sedutor, ou sou eu que estou imaginando coisas?

- Ah, você está muito curioso! - Respondo um pouco sem graça, por conta de seu olhar, pois, não me lembro de tê-lo visto me olhando assim antes, o que está acontecendo com ele?

- Por que está me olhando desse jeito?

- De que jeito?

- De uma forma estranha, se eu não te conhecesse diria que você está flertando comigo... - Sinto desconforto nele, que me olha um pouco sem graça, e em seguida responde quase gaguejando.

- Eu...Eu...Não...Não...Estou flertando contigo, eu só estava brincando! Desculpa se você entendeu errado, não era isso que eu queria passar, não que seja impossível alguém sentir alguma coisa por você, Alana.

Eu sinto sinceridade no que diz, mas há algo estranho, será que estou enxergando demais? Sei que está diferente, não apenas na aparência, e por falar nisso, está mais forte, seus olhos verdes parecem mais escuros ao me responder, e quando sorri duas covinhas se formam em suas bochechas, algo que sempre achei tão fofo!

Acho que as covinhas são a única coisa que remete ao passado, pois, ele não é mais aquele garoto que conheci, e que costumava ir às peneiras dos times de Madrid com Dani. Sou tirada de meus pensamentos, e Raúl é salvo de seu desconforto, quando meu padrasto se aproxima para falar conosco.

- Esse zagueiro abusado já está te perturbando, princesa?

- Ele nunca perturba! - Ele me abraça mais uma vez, e sorri para Raúl, que sorri de volta.

[...]

Uma hora se passou, e a minha comemoração de boas-vindas parece não ter fim, estou cansada de falar com as pessoas, falei com muitos conhecidos, amigos da minha mãe, alguns parentes de meu padrasto, mas estava sentindo falta dos meus amigos que não deram as caras aqui por causa da Babi, que arrastou o Edu para uma sessão de fotos. Enquanto eu circulava e falava com as pessoas, sentia o olhar de Raúl sob mim, ele disfarçou, mas percebi que me olhava demais. O que está acontecendo com ele?

Enquanto subo as escadas penso nos olhares de Raúl sob mim, e ao chegar a seu topo, dou de cara com um corredor imenso, paro e lembro, qual era o meu quarto? Será que abro todas as portas, ou volto para a sala e pergunto?

Definitivamente, não!

Para não ter que voltar, o melhor a fazer é ficar com a primeira opção, e antes que eu siga, sinto uma mão tocar meu ombro, quando me viro para olhar, encontro mais uma vez aqueles olhos verdes. Seu olhar parece um pouco desconcertado, eu o observo, ele não fala nada, e resolvo quebrar esse silêncio que parece durar uma eternidade.

- O que foi? Está tudo bem?

- Está tudo bem! E você estava parada aí...

- Eu cheguei aqui e me dei conta de que não sei qual é o meu quarto!

- Esse é o problema? Eu sei qual é o seu quarto, vem!

Ele estende a mão, observo, e em seguida me deixo conduzir. Caminhamos pelo longo corredor branco com algumas fotos da minha família espalhada pelas paredes, até chegarmos ao final dele, e diante de uma porta do lado direito, Raúl abre e faz sinal para que eu entre, e assim que o faço me deparo com o meu novo quarto, todo branco. Eu não andei por toda a casa, mas acho que tudo aqui é branco.

Há uma mesinha com o computador ao lado da porta, olho para o lado direito e avisto duas portas, e à minha frente está uma imensa cama bem aconchegante. Ando pelo quarto, olho para Raúl, que sorri, retribuo seu sorriso e ele pergunta.

- É bem diferente do seu antigo quarto, não é?

- Não tem comparação!

- Agradeça ao futebol!

- Não só ao futebol, mas a Deus e ao talento do Dani, afinal, ele batalhou muito pra chegar até aqui, assim como você! Eu vi as fotos que saíram da sua casa naquela matéria!

- Gostou?

- Adorei! Quem te ajudou a decorar?

- Dona Mari contratou alguém para ajudá-la na decoração!

- Ah, que saudade da sua mãe! Também sinto falta daqueles docinhos maravilhosos que ela fazia. Ela está morando com você?

- Ela e meus irmãos, e você está convidada para visitar minha casa e comer os famosos docinhos de Dona Mari! - Ele diz isso, em seguida fecha a porta e se aproxima de mim com aquele olhar que me perseguiu durante toda a festa.

- Lana, eu preciso muito falar com você!

- Fala...

- É realmente importante, o que eu tenho pra te falar... - Ele fala e percebo que seu olhar intercala entre minha boca e meus olhos.

Essa situação me deixa desconfortável, e instantaneamente lembro o que meus amigos falavam, e me sinto nervosa, mas resolvo pressionar para que fale de uma vez.

- Então, fala logo!

Capítulo 3 ¡QUIERO VIVIR ESTE AMOR!

Alana

Ele nem consegue falar, somos interrompidos por risadas e gritos que vem do corredor, e reconheço muito bem, são meus amigos, eles entram no quarto e nos olham de um jeito bem acusador. Edu, como sempre, de uma forma nada discreta e sem nenhuma cautela com as palavras.

- O que vocês estão fazendo aqui sozinhos? Já está querendo inaugurar o quarto, e com o Raúl?

Edu e Babi expressam um sorrisinho cínico em suas faces, eu particularmente tenho vontade de matá-los. Enquanto isso, eu e Raúl ficamos extremamente sem graça com o que meu amigo falou, olho indignada e saio em nossa defesa.

- Eduardo! Que brincadeira mais sem graça, faz tempo que a gente não se vê, e é assim que você me recepciona?

- Ai, amiga... Eu só tava brincando, o Raúl sabe que é brincadeira, não é Raúl?

- Tudo bem! Alana, eu vou te deixar à vontade com seus amigos...

- Mas você tinha algo importante pra me dizer e...

- Amanhã.... É... eu te ligo!

Ele não fala mais nada, sorri, me abraça e sai. Fico sem entender, ele disse que tinha algo importante para me falar e vai embora desse jeito? Isso definitivamente me incomoda. Assim que ele sai, o Edu e a Babi me perguntam.

- Gente, mas o que ele queria te dizer? Será que ele queria se declarar? - insinua Edu.

- Com certeza ele queria se declarar pra você e ficou sem graça com o que o Edu falou! - Disse a Babi.

- Ai, gente! Sabe que por um momento eu também achei que o Raúl estava flertando comigo...

- Alana, ele não quer flertar, Raúl quer algo mais... Há muito tempo que eu digo isso, mesmo quando você estava no Brasil, o Raúl ligava pra mim ou pra Babi querendo saber de você, porque a senhorita não atendia telefone, não é? - ele diz, e eu apenas reviro os olhos por seu comentário.

- Deixa Lana em paz, ela e os motivos dela para ir embora! - Babi sai em minha defesa.

- Tudo bem, mas quando ele te chama de "MI CARIÑO", não sei você, mas se ele chegasse me chamando assim, eu teria um orgasmo fácil, fácil...

- Que horror, Edu!

Eu não consigo falar mais nada, caio na gargalhada, sou contagiada por Babi que estava completamente vermelha de tanto rir. Ele também cai na risada e vem em minha direção, me abraçou, retribui o abraço, e confesso que estava morrendo de saudades dele, ou melhor, dos dois. Babi se joga ao nosso redor e damos um grande abraço coletivo. Abraçamo-nos carinhosamente. Edu se solta do abraço, e fala uma de suas muitas piadinhas.

- Ah, já está bom! Vocês estão querendo me converter, sabem muito bem que não gosto de mulheres... - proferiu e soltou uma gargalhada.

[...]

Saio da banheira e envolve meu corpo em um roupão, paro em frente ao espelho, e observo a minha imagem refletida ali. Olho cada detalhe de meu rosto, meus olhos pretos, minha sobrancelha grossa demais, e meu nariz arrebitado que compõem meu rosto, aparentemente cansado. Levo minha mão até meus longos cabelos, que estão presos, e solto. Meus dedos passam livremente entre os fios, e minha mente me leva até Dani, sua namorada, e se há alguma possibilidade dele se interessar por mim, me enxergar, me achar atraente.

Respiro fundo. Sinto-me derrotada. O que eu faço daqui para frente? Meus pensamentos divagam, e sou tirada desses devaneios ao ouvir alguém bater na porta. Abro, e me deparo com o dono de meus pensamentos, ele abre um grande sorriso para mim e me pergunta:

- Posso entrar?

- Claro.

Ele entra no quarto, senta-se em minha cama, bate levemente em seu lado para que eu me sente. Faço o que pede, e em seguida me abraça de lado, beija minha cabeça.

- Senti tanto a sua falta!

- Eu também.

- Gostou do seu quarto? Foi decorado pensando em você...

- Só não entendi o porquê do branco... Referências ao Real Desportivo de Madrid?

- Sua engraçadinha, claro que não!

- Tá certo! Eu queria te perguntar uma coisa... Você não acha que o Raúl está estranho? - Pergunto para ele no intuito de me dizer algo que tire da minha cabeça, aquele pensamento estranho.

- Impressão sua, ele só está um pouco cansado, ele teve um dia de treinamento muito intenso, mas achei você estranha em relação à Isabella, parece que você não gostou muito dela!

É claro que eu não gostei dela, seu imbecil! Eu sou apaixonada por você, como posso estar feliz em te ver com outra garota que não seja eu? Essa seria a minha verdadeira resposta, mas como não tenho coragem para isso...

- Eu nem a conheço direito para saber se eu gostei, ou não dela. Eu só estou cansada por conta da viagem, não consegui dormir durante o voo, e quando cheguei em casa achando que iria descansar, vocês prepararam uma festa pra mim, e você ainda quer que eu esteja bem humorada? Por favor, tenha paciência, Dani!

Ele me olha, e se desculpa por não ter pensado que eu poderia estar cansada, em seguida sai do meu quarto. Assim que ele se vai, penso em tudo que está acontecendo, e como devo agir daqui para frente, pois, tenho a certeza de que não posso continuar assim, mas como posso me declarar para ele, se está namorando, e apaixonado por outra?

Raúl

- Eu não entendo porque você não disse nada, se estava tão decidido ontem à tarde, saiu daqui dizendo que falaria com ela e...

- Eu sei Tomás, mas na hora que tive coragem de falar com Alana, os amigos dela invadiram o quarto de vez, o que eu poderia fazer naquele momento? - corro na esteira enquanto converso com Tomás sobre a festa de boas vindas de Alana.

A fala de meu amigo é totalmente compreensiva, pois, decidi, dias antes dela voltar à Madrid, que eu falaria. Estava disposto a expor o que sinto, já faz um tempo que esse sentimento ronda à minha mente, e meu coração, mas nunca tive coragem de assumir que estou apaixonado pela irmã do meu amigo. Antes de ela embarcar para o Brasil, estava disposto a confessar, mas não tive coragem suficiente para isso, e passei esses dois anos me dedicando a carreira, conheci algumas garotas, mas nunca tive relacionamento sério com ninguém, mas agora estou decidido, vou confessar e investir nesse sentimento, mesmo que o Dani não concorde, estou disposto a qualquer coisa por Alana.

Estou tão distraído, pensando em tudo isso, que não presto muita atenção no que Tomás continua a falar, apenas me desligo de meus pensamentos quando ele se aproxima e estala os dedos diante de meus olhos.

- Cara, você ainda está aqui? Estou falando com você há alguns minutos, e você não me responde!

- Desculpa! Eu estava longe...

- Nossa, se você não falasse, eu nem teria percebido!

- Deixa de bobagem, Tomás!

- O auxiliar do treinador veio aqui pra dizer que o treino no campo, é só depois do almoço...

- Depois do almoço? - pergunto e desligo a esteira. - Ele não cansa, o treino ontem foi desgastante, ele disse que hoje seria na academia!

- Tá achando ruim, zagueiro?

Olho na direção da voz que tem um tom de perversão na pergunta, que não me agrada. Vem do meu lado esquerdo, observo aquele sorriso debochado, junto com seu olhar de análise para mim, é Pedro, um dos zagueiros que está na reserva. Antes de me contratarem, ele era titular, não vinha rendendo o que se esperava. Quando cheguei aqui trabalhei muito, e consegui ficar com sua vaga no time, ele passou a ser meu reserva. Isso o incomoda demais.

- Não, Pedro! Por que acharia? - Respondo e sigo na direção da porta, que fica junto aos demais equipamentos de treino.

- Você deve estar cansado, afinal de contas, a irmã do seu amiguinho atacante deve ter te dado uma canseira, não é mesmo?

- Do que é que você tá falando?

- Alana, é o nome dela, não é?

- Escuta uma coisa, eu não devo satisfação da minha vida pra você, acho melhor você parar de falar o que você não sabe... - Digo e me viro para seguir meu caminho junto com Tomás.

- Sabe Raúl, eu andei olhando algumas fotos, ela é muito gostosa, resta saber se depois de um dia treino, você consegue dar conta de uma...

Eu não o deixei concluir, parto em sua direção para socar a sua cara escrota, mas Tomás segura-me. O miserável passa por mim, me olhando com aquele sorriso cínico estampado no rosto, meu amigo continua me segurando.

- Raúl, se controla! Não vale a pena brigar com ele, está com raiva porque perdeu a titularidade para você...

Tomás tem razão. Não adianta brigar, ele só quer motivos para que eu volte à reserva, embora, Pedro não rendesse nada, mas para meu treinador, o time deveria estar em paz, e se eu começar a revidar suas provocações, estarei trazendo discórdia e problemas de relacionamento para o nosso cotidiano. Então, ficaria fora do time, e não poderei pensar nessa possibilidade, é ano de Mundial de Seleções, preciso mostrar meu futebol, ser convocado é o meu maior sonho. Entretanto, algo começa a tirar minha paz, não é o Pedro. Alana com seu sorriso meigo, seu olhar penetrante, suas belas curvas, e tudo isso tira minha concentração, não posso continuar assim, antes que eu enlouqueça, preciso me declarar, pois, se for possível, eu quero viver esse amor!

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