Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > Mais do Que Uma Criada: A Vingança de Lia
Mais do Que Uma Criada: A Vingança de Lia

Mais do Que Uma Criada: A Vingança de Lia

Autor:: Xiao Wang Qin Qin
Gênero: Moderno
Naquela tarde em Lisboa, o sol forte não aquecia o frio que me vinha de dentro. O meu telemóvel vibrou com uma mensagem do meu marido, Pedro: "Lia, a avó caiu. Está no hospital. Preciso de ti aqui." A "avó", a mãe da minha sogra, era a matriarca da família Almeida, uma mulher que me desprezava abertamente desde o meu casamento. Cheguei ao hospital para ser imediatamente confrontada por olhares frios e acusações de atraso, apesar de Pedro não ter sequer me dito onde estavam. A cirurgia da Dona Amélia foi um sucesso, mas a recuperação, dolorosa e longa, exigiria cuidados constantes. Foi então que a bomba rebentou. "Tu não trabalhas. É teu dever," declarou a minha sogra, Helena, virando-se para mim com um olhar calculista. A ordem era clara: eu, a única com "tempo", deveria ser a cuidadora a tempo inteiro. Pedro, em vez de me defender, cortou-me a palavra com desdém, chamando os meus projetos de escrita de "hobbies" e insistindo que eu era a única opção. Senti-me apanhada numa teia de imposições e desprezo, onde a minha vida e dignidade eram completamente secundárias ao "dever familiar". Mudei-me para a casa da minha sogra, sendo tratada como uma empregada, criticada a cada passo, com Pedro a ignorar o meu sofrimento. Será que eu era apenas uma "criada", como Pedro me chamava quando a minha frustração transbordou? Depois de dois meses de inferno pessoal, e daquele insulto final, uma decisão amadureceu na escuridão da noite: chega. Peguei na minha mala e saí no meio da noite, ligando para a única pessoa que se atreveu a mostrar-me alguma empatia. Este foi o ponto de viragem. Agora, a guerra pelo divórcio começaria, e eu estava pronta para lutar pela minha liberdade.

Introdução

Naquela tarde em Lisboa, o sol forte não aquecia o frio que me vinha de dentro.

O meu telemóvel vibrou com uma mensagem do meu marido, Pedro: "Lia, a avó caiu. Está no hospital. Preciso de ti aqui."

A "avó", a mãe da minha sogra, era a matriarca da família Almeida, uma mulher que me desprezava abertamente desde o meu casamento.

Cheguei ao hospital para ser imediatamente confrontada por olhares frios e acusações de atraso, apesar de Pedro não ter sequer me dito onde estavam.

A cirurgia da Dona Amélia foi um sucesso, mas a recuperação, dolorosa e longa, exigiria cuidados constantes. Foi então que a bomba rebentou.

"Tu não trabalhas. É teu dever," declarou a minha sogra, Helena, virando-se para mim com um olhar calculista. A ordem era clara: eu, a única com "tempo", deveria ser a cuidadora a tempo inteiro.

Pedro, em vez de me defender, cortou-me a palavra com desdém, chamando os meus projetos de escrita de "hobbies" e insistindo que eu era a única opção.

Senti-me apanhada numa teia de imposições e desprezo, onde a minha vida e dignidade eram completamente secundárias ao "dever familiar". Mudei-me para a casa da minha sogra, sendo tratada como uma empregada, criticada a cada passo, com Pedro a ignorar o meu sofrimento.

Será que eu era apenas uma "criada", como Pedro me chamava quando a minha frustração transbordou?

Depois de dois meses de inferno pessoal, e daquele insulto final, uma decisão amadureceu na escuridão da noite: chega. Peguei na minha mala e saí no meio da noite, ligando para a única pessoa que se atreveu a mostrar-me alguma empatia.

Este foi o ponto de viragem. Agora, a guerra pelo divórcio começaria, e eu estava pronta para lutar pela minha liberdade.

Capítulo 1

Naquela tarde, o sol de Lisboa estava forte, mas eu sentia um frio que vinha de dentro dos ossos.

O meu telemóvel vibrou com uma mensagem do meu marido, Pedro.

"Lia, a avó caiu. Está no hospital. Preciso de ti aqui."

A minha sogra, a quem ele chamava de avó por hábito de infância, era a matriarca da família Almeida.

Uma mulher que me desprezava abertamente desde o dia em que me casei com o seu neto favorito.

Respondi imediatamente, a minha mão a tremer um pouco.

"Estou a ir para aí. Em que hospital estão?"

Silêncio. Nenhuma resposta.

Liguei-lhe. A chamada foi para o correio de voz. Liguei outra vez. E outra. Nada.

O meu coração começou a bater mais depressa. Agarrei na minha mala, as chaves do carro já na mão, e corri para a porta.

Eu sabia o que isto significava. Era mais um dos seus testes cruéis, uma forma de me humilhar.

Eles estavam no Hospital da Luz, o hospital privado que a família sempre usou.

Era óbvio.

Mas o silêncio de Pedro era uma arma. Ele queria que eu entrasse em pânico, que me sentisse excluída, que chegasse lá a parecer uma tola desesperada.

Não lhe ia dar esse prazer.

Respirei fundo, forcei-me a acalmar e saí de casa.

Capítulo 2

Quando cheguei ao hospital, o ar estava pesado com o cheiro a antisséptico e a ansiedade silenciosa.

Encontrei-os no corredor do terceiro andar.

A minha sogra, Helena, estava sentada num banco, com o rosto contorcido de preocupação. O meu cunhado, Tiago, estava ao seu lado, a dar-lhe palmadinhas no ombro.

Pedro estava de pé, de costas para mim, a falar ao telemóvel em voz baixa.

A avó, a Dona Amélia, estava a ser levada para um quarto numa maca, com um médico ao seu lado. Ela parecia pálida, mas consciente.

Aproximei-me devagar.

"Pedro? O que aconteceu? Ela está bem?"

Ele terminou a chamada e virou-se para mim. O seu olhar era frio, desaprovador.

"Onde é que estiveste? Demoraste uma eternidade."

Antes que eu pudesse responder, a minha sogra levantou-se.

"Uma eternidade? Ela nem sequer se importou em vir! Tivemos de ser nós a tratar de tudo. Que tipo de nora és tu?"

A voz dela era alta, atraindo os olhares de outras pessoas no corredor. Senti o meu rosto a aquecer.

"Eu vim assim que soube. O Pedro não me disse em que hospital estavam. Eu tive de adivinhar."

Pedro franziu a testa.

"Não sejas ridícula, Lia. Qual outro hospital poderia ser? Devias saber estas coisas. A família vem sempre aqui."

Tiago, sempre o pacificador, interveio.

"Mãe, Pedro, acalmem-se. A Lia está aqui agora. É o que importa."

Helena bufou, virando-me as costas.

"Importa? Ela chega atrasada e ainda arranja desculpas. Inútil."

A palavra atingiu-me com força. Eu era a esposa de Pedro, a nora dela, mas para eles, eu era sempre uma estranha, uma intrusa.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022