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Mais que Desejo

Mais que Desejo

Autor:: JP HOOKE
Gênero: Romance
Chase Ward a acreditava em apenas duas coisas: poder e desejo. Quando conheceu A Dama de Vermelho por meio de um chat anônimo, tornou-se quase obcecado pela influência causada sobre si. Então, fez somente uma proposta: 3 semanas para tê-la. Mal sabia ele que a pessoa pela qual sentia essa irresistível atração sempre estava a um passo de distância. Annelise Hamilton era a nova secretária do cara mais arrogante que já viu, mas também deliciosamente cretino. Quando descobriu que era Chase com quem conversava, quis fugir, mas sua fuga tornou-se impossível por uma razão: uma proposta irresistível. Será que o amor supera desejo? Ou o desejo é dominado pelo poder?

Capítulo 1 Annelise

Levantei a sombrinha e a segurei firme, tão firme que notei que os nós dos meus dedos ficaram brancos. Eu esperei o carro passar, e a maldita sombrinha ameaçou voar. Justamente nesse momento, quando tive a oportunidade de avançar, o carro cantou pneu e explodiu uma poça d'água. Eu me joguei para trás, murmurando palavrões que nem sabia que conhecia. O babaca ainda teve a audácia de colocar o braço para fora da janela e me mostrar o dedo do meio!

A raiva me atingiu naquele instante.

Estreitei os cantos dos olhos e me preparei para correr, eu poderia facilmente alcançá-lo e jogar a sombrinha no seu precioso BMW preto. Eu ficaria realmente super feliz.

Baixei os olhos e notei meu vestido ensopado. A chuva começara a me encharcar desde que saí de casa. Eu esperava não pegar carona com Brad hoje, meu vizinho. Ele teve uma queda por mim desde que mudei do apartamento em que estava para esse - o apartamento era menor e custava muito mais. Minha vida se reajustou desde que perdi meu emprego, e tive que avaliar tudo desde então. Eu sei que usar um cara que tem uma queda por você é ruim, mas falando sério, ele gosta de fazer isso. Ninguém foi preso por iludir um cara.

Olhei para os dois lados e constatei que não viria nenhum carro. Corri, atravessando a rua, até chegar do outro lado.

Encarei a fachada do Pet's Cute Shop e sorri. Era exatamente aqui. Olhei no papel amassado que segurava e entrei, verificando o lugar. Vi Abby afagando um cachorrinho. Ela vestia uma blusa rosa, laço da mesma cor e saia jeans. Quando me viu, sorriu. Fechei a sombrinha e a coloquei no meu pulso. Sem querer, esbarrei numa pilha de ração para gato "Hunger Cat" que estava na prateleira. Os sacos despencaram no chão, como dominó. Abby estreitou os olhos e levantou uma sobrancelha. Ela levantou e o cachorro choramingou, pedindo mais carinho. Ele se ergueu sobre as patas traseiras e apoiou as patas dianteiras no cercado amarelo. Um filhotinho fofíssimo! Abby enfiou as mãos nos bolsos e o sorriso sapeca apareceu. Notei só então que a sombrinha estava pingando.

Ai, Deus... você é terrível, Annelise!

- Oi - ela disse. Eu corri para mais perto e pulei, agarrando-a num abraço apertado. - Alguém morreu? - brincou.

Geralmente, eu quase nunca a visitava. No mês passado, lembro de tê-la visto por somente um dia na semana. A mudança me esgotou e passava o resto do dia procurando emprego. Era um inferno.

Eu a soltei.

- Tive tempo hoje - informei, passando o braço pelo seu e a puxando, guiando-a para dentro de sua própria loja, como se já soubesse o que cada cantinho daquele lugar guardava. - Então resolvi visitar a minha irmã favorita.

- Eu meio que fiquei com medo agora. - Inclinou a cabeça. - O que aconteceu?

Desde que eu fui demitida do meu antigo emprego, evitei falar com Abby. Ela era tipo a realização de um sonho só que não imaginado por ninguém, sabe? Aos vinte e seis anos, estava casada com um cara lindo, Mike Montgomery, enfermeiro, tinha duas filhas lindas - duas pestinhas chamadas Hannah e Maryah - e conseguiu abrir o pet shop que sonhava desde que era pequena. E eu, aos vinte e cinco, não conseguia nem manter um emprego bobo de secretária! Nós éramos competitivas e isso seria declarar que eu tinha perdido a rodada.

- Nada - garanti. Ela parou, franziu a testa e eu completei: - tá... eu meio que encontrei um emprego. O salário é bom, o emprego é bom...

- Mas?

- Mas o chefe é péssimo. - Disse com veemência. - Ele me ignora, é abusado e um babaca. - Ela assentiu. - E eu não sei se... - as palavras morreram na minha boca. Ela pegou a minha mão e seu toque quente aqueceu meu peito.

A Shaffer & Sheppard era o sonho de qualquer um. O emprego era perfeito e legal. Há uma semana, quando me candidatei à vaga de secretária de um tal de Chase Ward, não fazia ideia de que o cara era praticamente o pupilo do diabo. O desgraçado me mantinha até tarde todos os dias, mal aparecia no escritório e me obrigava a fazer suas exigências idiotas. Durante a entrevista, ele ficou me encarando como se eu não passasse de uma coitada pedindo esmolas. Mas se tem uma coisa que devo admitir, é que o cretino é terrivelmente sexy. A cara perfeita - que eu supostamente desejei lamber - era composta por olhos azuis vibrantes, um sorriso cheio de dentes dolorosamente atrevido e uma covinha que era puramente tentadora. Eu talvez possa ter imaginado como o corpo musculoso é por trás do terno feito sob medida. Mas nada disso apaga o fato de ele ser um babaca metido. Eu cogitei sair do emprego, mesmo fazendo apenas duas semanas e meia que estou nele. Eu precisava da opinião de Abby, porque ela era muito mais sensata do que eu jamais fui.

- Você está pensando em sair do emprego? - ela leu minha mente, mas sua voz pareceu estranhamente surpresa, como se eu tivesse acabado de dizer que sequestrei um elefante. - Não.

- Não? - ela fez que não com a cabeça.

Eu segurei a bolsa debaixo do braço.

O que eu queria? Afinal, ela era a sensata.

- Você não pode desistir de um emprego por causa do seu chefe, Anne - ela disse, passando por mim e se abaixando. Pegou um dos sacos de ração e a colocou de volta na prateleira vermelha. Ela encaixou outra embalagem no gancho sobre a outra. Tamborilei os pés no piso de lajotas salpicado por patas e apoiei as mãos nos quadris, esperando o resto da resposta. - E, além do mais, você precisa do emprego. - Ela me olhou por cima do ombro.

Estava certa.

Abby levantou e atravessou a loja. Eu a segui. Ela se colocou na frente de um cercado cheio de gatinhos. Pegou cada um, deu um beijinho e desejou boa-noite.

Meus ombros baixaram, mais leves.

O dia foi longo hoje, mas meu chefe me libertou mais cedo, porque tinha uma festa chique e fútil para ir com o Sr. Sheppard, o irmão do Sr. Shaffer, que fundou a empresa. Eu mal podia esperar para chegar em casa e tirar meus sapatos de salto, que apertavam tanto o meus pés, que pensei que iriam explodir a qualquer momento.

Abby beijou o décimo gatinho e olhou para mim.

- O que ainda está fazendo aqui? - perguntou.

Esse era outro ponto interessante da nossa relação: eu meio que só a visitava quando precisava de algo - que realmente nem precisava. Ela era a minha irmã mais velha, então era natural que qualquer dúvida maior que eu pudesse responder fosse tratada pelo filtro divino dos irmãos mais velhos.

Me fingi de boba.

- Quer que eu vá embora?

- Não, mas geralmente você só me usa e joga fora. - Um sorriso passou por meus lábios. - Quer jantar? O Mike fez macarrão com queijo.

Eu avaliei a ideia.

Sim! Meu estômago gritou.

Não. Minha mente decretou.

- Não posso. Tenho que responder alguns e-mails, verificar as tarefas que meu chefe pediu que fizesse e organizar a agenda pela terceira vez num único dia - ela fez uma careta.

- Que chato.

- Pois é.

***

Fui direto para casa depois de visitar minha irmã. Ela passou quase meia hora falando sobre Hannah e Maryah. Depois, corri para o metrô e cheguei em casa. Tomei um banho rápido, vesti um roupão e caí na cama, cercada de papéis, notebook e almofadas coloridas - o meu maior segredo desde o colegial. Respondi alguns e-mails, bebi uma caneca de café que preparei assim que cheguei e me aconcheguei debaixo do cobertor. Entrei no site de chat anônimo que descobri há um mês e falei com um estranho por quase uma hora. O Secret People Chat era quase um vício. Meu pai dizia que era errado conversar com estranhos, mas eu não o escutei, porque desde os quinze anos amo bater papo com pessoas desconhecidas. Antigamente, eu costumava mandar bilhetes para colegas de escola e sempre conversávamos por aqueles bilhetes. Isso evoluiu com o passar do tempo, e encontrei chats anônimos na internet. Mas então, no mês passado, quando me peguei no pior momento da minha vida, descobri o Secret People Chat. Era incomum. Único. Eu fui confortada por pessoas que nem conhecia, mas que pareciam estar do meu lado, me apoiando, desde que nasci. Era surreal.

Abri o notebook e procurei por alguém. Vi uma bolinha no canto superior. Sr. Bolas Azuis.

Sorri, achando engraçado.

Eu abri o chat e digitei:

Quanto tempo? - A.

Perguntei, me referindo à última vez que gozou.

As bolinhas começaram a subir e descer.

A empolgação característica envolveu meu estômago.

Sr. Bolas Azuis disse:

Depende. - Sr. Bolas Azuis.

Capítulo 2 Chase

Duas horas antes

Fiquei olhando a porra de um lustre por quase meia hora. Ele pendia do teto lindamente, indicando que as pessoas que pisavam no chão daquele salão eram incrivelmente ricas. Cheguei uma hora adiantado, como sempre, e prestei atenção a cada detalhe do salão luxuoso em que estava. As paredes eram pintadas de branco e em intervalos, paredes de vidro e madeira subiam do chão de mármore, se encontrando no teto alto.

Estava esperando o sr. Sheppard, meu chefe. Hoje é definitivamente o dia mais feliz de toda a minha vida. Ele finalmente vai reconhecer que eu sou digno de uma promoção. Em toda a história da Shaffer & Sheppard eu fui o cara que mais levou clientes para a empresa. O sr. Sheppard me garantiu que se eu fisgasse mais um cliente hoje, poderia espalhar para o mundo que seria o novo diretor de marketing. Isso com certeza me deixaria em um patamar mais alto que Alan Patrick, o cara que está concorrendo comigo.

Ajeitei-me na cadeira e vi Alan do outro lado do salão. Ele lançou um sorriso malicioso quando me viu e eu respondi com uma piscada. Alinhei o terno.

- Chase, querido! - Sheila, a esposa do sr. Sheppard, me cumprimentou de longe. Ela arrastou o pobre homem, agarrado ao seu braço, até mim. Eu levantei e mostrei meu melhor sorriso.

- Sra. Sheppard - estendi a mão. Ela me puxou para um abraço. Eu fiz uma careta quando quase encarei seus peitos enormes que pulavam para fora do vestido longo e exagerado. - Sr. Sheppard. - murmurei, ainda sufocado pelo abraço de urso. Estendi a mão.

Ele apertou minha mão, cutucou Sheila com o cotovelo e ela me largou, enfim. Do canto do olho vi Brandon, o filho deles. Ele rapidamente pegou uma das taças de champanhe dispostas numa bandeja que o garçom carregava e, num piscar de olhos, estava plantado na minha frente, me puxando para outro abraço.

Jesus!

- Big Dick! - esfregou o topo da minha cabeça. Desvencilhei-me dele e ajeitei o cabelo. - A mamãe disse que seria uma boa ideia vir. E pelo jeito... - ele olhou em volta do salão. Eu sabia exatamente o que ele via. Mulheres elegantes desfilavam por todo o salão, espalhando charme e encanto. Mas Brandon via apenas bocetas com pernas. Ele piscou para mim.

- Bom, tenha uma ótima noite, Chase. - Disse o Sr. Sheppard.

Eu assenti, acenando com a cabeça.

Brandon e eu passeamos pelo salão, apreciando a vista - que, no mínimo, era espetacular - e eu vi Alan conversando com o cliente. Ele parecia deslocado e coçava o saco. Eu me aproximei e Brandon me seguiu, imitando-me depois que pedi para se comportar corretamente. O sr. Simon, CEO de uma das maiores marcas de cosméticos, abriu um sorriso educado quando me viu, ao contrário do Sr. Atrapalhado. Eu retribuí o gesto educado, e passei um braço por suas costas. Alan me fuzilou com o olhar, decretando que iria me matar. Eu sorri por cima do ombro e mandei um muxoxo. Brandon nos acompanhou até um garçom. Peguei uma taça de champanhe e ofereci ao sr. Simon, que conversava comigo sobre como precisava de uma inovação em sua empresa. Eu discuti com ele os motivos de que escolher a Shaffer & Sheppard era a melhor opção.

- Sabe de uma coisa? - Disse ele, olhando para mim. - Você foi o único que me ofereceu uma proposta decente. - Eu sorri.

Conversei sobre amenidades. Essa era uma tática muito importante. Se quer conquistar alguém, faça-a parecer Deus para você. Há uma semana eu venho me preparando para essa ocasião e todas as cartas da manga estavam acabando, então, parti para a minha ideia e arranquei um sim dele, que pareceu super empolgado e disse que iria falar com o sr. Sheppard mais tarde.

Mais uma vitória.

Dei um soquinho no ar quando tive certeza de que ele estava longe o suficiente e percebi que Brandon ainda estava do meu lado.

- Parabéns! - comemorou ele. - Você conseguiu, cara! Isso é tipo fazer um gol só de primeira.

Brandon, o filho do Sr. e a Sra. Sheppard, era um cara peculiar. Ele era uma mistura confusa de playboy e homem de negócios. O resto dos setenta por cento do tempo que estava caçando diversão era composto por trabalho duro e muitas horas de academia.

Nos sentamos à mesa e ele tirou o celular do bolso do paletó.

O garçom trouxe nossos pedidos, que chegaram somente depois de quase meia hora de espera.

- O que está fazendo? - perguntei, curioso. Ele deu de ombros.

A verdade é que nos aproximamos nos últimos tempos. A mãe dele me adora, seu pai me adora e ele me adora. Eu sou tipo o primo que de vez em quando aparece para uma visita surpresa.

- Sabe, é deselegante usar celular à mesa. - Bebi um gole do champanhe.

- Deve ser por isso. - Ele disse, chamando minha atenção.

- Quê?

- Deve ser por isso que você não tem namorada, Big Dick. - Disse ele. - Você não deveria se afundar tanto no trabalho, principalmente porque o resto das coisas são tão melhores. - Franzi a testa. - Você sabe... conversar, encontros, festas... essas coisas que todos solteiros deveriam fazer.

- E?

- E você faz justamente o contrário. Eu nunca vi você com uma mulher que não seja uma cliente ou a mamãe. Você precisa transar, Big Dick. - Comentou ele. Inclinei para frente e ergui uma sobrancelha.

- Eu transo. Transo muito.

- Muito? - ele não acreditou, porque sua expressão de descrença espalhou-se por todo o rosto.

- Não tanto quanto gostaria, mas isso não importa. Eu não tenho tempo para relacionamentos que não sejam profissionais - admiti. Ele praticamente gargalhou.

- Vou passar a te chamar de Bolas Azuis.

Eu bufei e ele riu.

- Pode me chamar de herói - ele me deu o telefone. - Se chama Secret People Chat.

- E o que tem de especial? - perguntei. - Parece só mais um site de encontros. - Dei de ombros e bebi mais um gole do champanhe.

- Talvez, mas neste, você pode manter sua privacidade enquanto conversa com quem quiser. Se o relacionamento ao decorrer da conversa parecer bom, você pode ganhar pistas de quem a pessoa é. Esse é o diferencial. O suspense, a empolgação...

- Hum. - Assenti, fingindo interesse. Eu o entreguei o celular. - Parece ótimo.

***

O evento estava só pela metade quando um dos garçons derrubou uma taça de vinho no meu terno novo. Eu fiquei puto, mas só sorri e fui ao banheiro. Ótimo! Quando voltei, eu percebi que Alan estava sentado com o Sr. Sheppard e sua esposa. Aproximei-me e descobri que Alan havia mentido para ele, dizendo que havia conquistado a conta da Liferty. Eu quis acertar um soco no meio do focinho dele quando lançou aquele olhar de " chupa essa manga ". Tive que usar todo o meu controle para não pular em cima dele.

O Sr. Sheppard foi embora trinta minutos depois, e eu voltei a olhar o lustre, quando finalmente tive a brilhante ideia de voltar para casa.

Saí do restaurante e reconheci facilmente meu Audi vermelho estacionado ao lado de outros dois carros. Frustrado, bati a porta com força e dirigi até minha casa. Meus ombros estavam rígidos e doloridos. O filho da puta do Alan conseguiu vencer a guerra, mas eu não iria deixar que ganhasse a batalha. Quando finalmente cheguei no meu prédio, o elevador pareceu durar uma eternidade até chegar no andar. Entrei em meu apartamento, derrotado e só de admitir isso podia ver o sorriso convencido no rosto do miserável.

Eu o odeio!

Odeio Alan Patrick.

Odeio o Sr. Sheppard.

Me odeio.

Caí no sofá e bufei, jogando o paletó para o outro lado da sala.

De repente, lembrei do que Brandon disse.

Como era mesmo o nome?

Secret People Chat.

Peguei meu celular no bolso e procurei na internet. Não demorou a aparecer. Fiz uma conta e comecei a divagar, rolando a tela, entediado. Então, uma notificação explodiu.

A.

Curioso, entrei no chat e li:

Quanto tempo? - A.

Eu ajeitei a postura, sentando-me.

Como é que é?

Mordi o lábio inferior.

Depende - Sr. Bolas Azuis - digitei.

Do quê? - A.

De quanto tempo vai me fazer esperar. - Sr. Bolas azuis.

HA HA - A.

Posso saber qual é o seu nome? - Sr. Bolas Azuis.

Depende - A.

Um sorriso de canto repuxou meus lábios.

De quê? - Sr. Bolas Azuis.

De quanto tempo você vai esperar. - A.

Brandon estava certo no final das contas. A minha conversa com a misteriosa A. durou quase uma hora. Conversamos mais do que provavelmente eu devo ter falado por um ano, e suas provocações fizeram com que meu coração acelerasse. Era um misto de suspense e empolgação, como Brandon disse, só que intensificado a mil.

Por algum milagre, A. conseguiu fazer minha noite melhorar.

Capítulo 3 Chase

Meus olhos abriram rapidamente.

Olhei em minha volta e vi a cama vazia. Um lapso de memória percorreu meu cérebro e lembrei da noite de ontem. Minha cabeça doía.

Aspirina.

Saí da cama e fui para o banheiro. Agachei, procurei o maldito pote de aspirina e tomei uma. Levantei. Olhei-me no espelho e ajeitei os cabelos castanhos médios, penteando-os com os dedos para trás. Pisquei para meu reflexo. Eu tinha olheiras enormes debaixo dos olhos.

Às oito da manhã, já estava no trabalho, e no trajeto, me preparei para o que iria acontecer assim que eu pusesse os pés no maldito escritório do Sr. Sheppard.

Eu respirei fundo, passei no escritório de Alan e bati à porta. Ele atendeu, mostrando o sorriso convencido. Ah... como eu queria quebrar seus dentes!

Minha cabeça voltou a doer.

- Parabéns - eu disse, colocando a cabeça para dentro. - Foi uma vitória injusta, mas não deixa de ser uma vitória.

Ele se sentou e ergueu uma sobrancelha.

Babaca!

- Eu aprendi com o melhor - ele disse. Eu sorri, entrei na sala e andei até sua mesa. O mogno dava um ar rústico ao ambiente. Apoiei meus braços sobre a mesa e inclinei-me na sua direção.

- Fico feliz que reconheça - disse, encarando-o. Meus olhos percorreram o terno preto com uma horrorosa gravata vermelha e pousaram na cara de bocó de Alan. - Aproveite. Vai ser por pouco tempo.

Virei, ajeitei o blazer e respirei, andando até a porta.

- Tchauzinho, filhote.

Fechei a porta com um baque forte.

Agora era hora de enfrentar a fera.

Me dirigi até o escritório do Sr. Sheppard e bati à porta. Ele mandou entrar e eu abri a porta lentamente, verificando se não havia ninguém por lá além dele. Então, entrei.

- Olá, Chase - ele disse. - Você sabe o motivo de estar aqui, não é?

Eu fiz que sim.

É claro que eu sabia. Eu trabalhava todos os dias da minha vida para conseguir subir os degraus. Assim que me formei, quando nenhuma agência de publicidade queria contratar um cara inexperiente, eu encontrei apoio na Shaffer & Sheppard. Bom, na verdade, eu conheci o Sr. Shaffer, irmão do Sr. Sheppard. O Sr. Shaffer era um homem bondoso e gentil. Ele fundou a Shaffer e Sheppard do zero, ao contrário do irmão, que era um visionário. Eu trabalhei como garçom num evento e ofereci a última taça de bebida para ele, antes de dizer como a campanha em que estavam trabalhando era péssima. Eu saía com a secretária de um dos gerentes de conta e isso me permitiu uma vasta possibilidade de informações fresquinhas.

Ele apontou para uma das cadeiras acolchoadas de visitantes e eu sentei, cruzando as pernas.

- Sobre quem ganhou o cliente. - Disse. Ele fez que sim e eu respirei fundo, como se a simples menção significasse um peso maior do que eu poderia carregar.

Conrad Sheppard é um homem sem igual. Ele não se engana tão fácil, mas leva a sério o ditado " matar ou morrer" e acredita que não existem injustiças, apenas oportunidades - não importa de quem você vai ter que furar o olho para consegui-la. Eu o admiro, porque é inabalável. Quando o irmão morreu, todos ficaram inseguros sobre como ele iria lidar com o luto, afinal, os dois eram inseparáveis. Mas para a surpresa de todos, ele não se deixou abalar.

Minha motivação era acordar todos os dias e parecer um pouco com ele, mesmo que meu interior estivesse quebrado, tinha que parecer inabalável.

Ergui um pouco o queixo e o vi pegar os óculos de armação preta. Ele pegou alguns papéis e olhou por cima deles na minha direção.

- Você sabe que eu não sou a favor do favoritismo, não é? - Eu fiz que sim. - E que apesar dos esforços, sempre existem contratempos. Mas, eu percebi que você é excepcional. Você nunca se cansa e sua ganância é o poder que lhe precede. Eu gosto disso em você, Chase. Sem dúvidas seria o novo diretor de marketing, se esta vaga estivesse disponível. - Ele sorriu, se inclinando sobre a mesa. Pousou os papéis e entrelaçou os dedos.

Foi um teste.

Foi um teste!

Arregalei os olhos e segurei o queixo, talvez com receio de que desabasse na frente dele.

- A esta altura você já pode concluir qual a minha intenção.

- Avaliar qual é o melhor?

Ele assentiu.

- Pretendo demitir quem não estiver lá. E isso inclui você, se não se destacar. Ao final, quem ganhar a próxima etapa, vence a disputa.

Eu sorri, vitorioso.

Chupa essa manga, Alan Patrick.

Estendi a mão e ele apertou. Eu levantei e andei na direção da porta.

- E Chase? - Ele disse. Virei na sua direção. - Tente descansar um pouco. Quem sabe uma boa noite de sono o ajude com essas olheiras.

Assenti mais uma vez e me encaminhei para a minha sala. Encontrei a nova secretária apanhando alguma coisa no chão, desesperada.

Só me faltava essa...

Aproximei-me e notei a saia preta e justa abraçando a bunda. Nada mal. Passei por ela e pigarreei, chamando sua atenção.

- Sr. Ward - ela levantou a cabeça e pegou uma das pastas, colocando-a no topo da pilha que carregava. - Bom dia.

Os cabelos loiros emolduravam o rosto bonito. Ela era até que bonita. Vestindo um blazer vermelho e saia preta, com sapatos de salto, era sexy. As mechas do cabelo caíam do coque bagunçado.

Qual é o nome dela, mesmo?

- Bom dia, Adele.

- Annelise.

- Annelise - experimentei. - Há quanto tempo trabalha para mim, Adele? - perguntei, enfiando uma mão no bolso.

Ela levantou, me lançando um olhar crítico, como se estivesse me julgando.

- Há duas semanas e meia.

- Hum. Espero que se dedique - eu disse, virei e entrei no escritório, completando: - talvez bata o recorde.

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