Ponto de vista de Victoria
- Mais forte, Ethan! Meu Deus! Ah...
- Me fode mais forte! Me destrói!
- Estou quase gozando!
Parei do lado de fora da porta de Ethan, com a mão suspensa no ar. De repente, o lindo cartão de aniversário guardado no meu bolso pareceu pesar como chumbo contra o peito.
Não. Aquilo não podia estar acontecendo.
Mas eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
Scarlett.
Minha melhor amiga de três anos. A mesma que, poucas horas antes, tinha me desejado boa sorte no meu "grande dia".
Minha loba, Nora, se agitou, e um rosnado baixo nasceu no meu peito. A pulseira de prata no meu pulso esquentou, como se estivesse sendo levada ao limite para manter minha verdadeira natureza sob controle.
Respira, Victoria. Só respira.
As batidas ritmadas contra a parede continuaram. Cada impacto parecia um martelo golpeando minhas costelas.
Depois do que pareceu uma eternidade, a voz ofegante de Scarlett cortou meu choque como uma lâmina.
- Ethan, você também é tão selvagem quando transa com aquela Ômega patética?
Meu coração parou.
- Você acha mesmo que eu perderia meu tempo com ela? - Ethan soltou uma risada fria e cruel. - Ela acredita de verdade que estou esperando até o casamento. Aquela Ômega sem noção se acha especial.
- Meu Deus, você é muito melhor do que esse papel de namorado que faz para ela - murmurou Scarlett, a voz carregada de prazer. - Só com você eu realmente me sinto viva.
A risada cruel dos dois despedaçou algo dentro de mim.
A lata de biscoitos de chocolate que eu tinha preparado para comemorar nosso aniversário escapou das minhas mãos trêmulas. Bateu no chão, espalhando pedaços pelo corredor. O cheiro intenso e enjoativo de cacau tomou conta do ar, como se zombasse da doçura que deveria celebrar nosso amor.
Nora rosnou furiosa dentro de mim e se lançou contra as marras mágicas da pulseira de prata em meu pulso. A fúria dela corria pelas minhas veias como fogo líquido, exigindo liberdade.
Exigindo sangue.
Mas a pulseira não cedeu. As runas emitiram um brilho fraco, reprimindo tudo o que revelava quem eu realmente era.
Eu não era Ômega.
Nunca tinha sido.
Aquele sempre fora meu maior segredo.
- Quando você finalmente vai contar a ela sobre nós? - perguntou Scarlett, a satisfação transbordando de sua voz. - Ela ainda não sabe que o namorado perfeitinho dela fode a melhor amiga há anos.
Cada palavra rasgava o que ainda restava do meu coração, mais dolorosa do que garras cravadas na carne.
- Em breve - prometeu Ethan entre gemidos. - Só preciso garantir minha posição na Alcateia Riacho do Norte primeiro. Assim que eu for oficialmente reconhecido como filho de Lawrence, vou ter status suficiente para largar aquela Ômega imprestável.
Cinco anos de amor e devoção ruíram em um instante.
Cerrei os punhos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. A vontade de invadir o quarto e destroçar os dois ardia nas minhas veias como um incêndio fora de controle.
A dor fechou minha garganta, quase me sufocando. Todos os meus instintos exigiam destruição. Um ato impensado.
Mas eu não podia.
A fúria de Nora cresceu e se misturou à minha. Minha loba branca lutava ferozmente contra as amarras mágicas que a aprisionavam. Tremendo, toquei a pulseira no pulso - justamente o objeto que escondia minha verdadeira identidade.
Eu achei que tinha encontrado alguém capaz de me amar por mim mesma. Não por eu ser a Herdeira Lancaster. Nem pela minha rara linhagem de loba branca.
Mas estava errada.
Terrivelmente errada.
Inspirei fundo e obriguei as mãos a relaxar. Como futura Alfa da Alcateia Aurora Crescente e sucessora do império da família, eu sabia o que precisava vir em primeiro lugar.
Havia coisas muito maiores em jogo.
Meu olhar ficou duro como aço. Peguei o celular e disquei um número que sabia de cor.
- Vovô - falei com uma firmeza que surpreendeu até a mim mesma. - Cancele o casamento. Não há motivo para continuar com os preparativos.
Eu tinha planejado revelar tudo a Ethan naquele dia. Minha verdadeira identidade, o pedido... tudo.
Justamente no nosso quinto aniversário.
Agora, nada daquilo importava.
- Victoria? - A preocupação deixou a voz do meu avô mais aguda. - O que aconteceu?
- Eu explico depois.
Desliguei antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.
No mesmo instante, uma combinação intensa de cedro defumado e rosas noturnas invadiu meus sentidos, sobrepondo-se a todos os outros cheiros ao redor. Havia naquele aroma um poder impossível de descrever. Meu sangue correu mais rápido, como se algo tivesse tocado o ponto mais profundo da minha alma.
O que estava acontecendo?
Um impulso irresistível e instintivo tomou conta de mim. Quase sem perceber, comecei a seguir o rastro daquele cheiro. Era como se um fio invisível me puxasse pelas ruas, até eu parar diante de um clube luxuoso: o infame *Uivo da Meia-Noite*, propriedade da notória família Sterling.
Entrei sem hesitar.
A música ensurdecedora e o salão lotado perderam a importância. Todos os meus sentidos estavam concentrados naquele aroma inconfundível de cedro e rosa.
Meus olhos percorreram o jogo de luzes e sombras até encontrarem o camarote mais reservado do clube.
Um homem estava sentado ali.
Mesmo naquela posição, ele dominava o ambiente como se fosse o centro de tudo. Alto e imponente, vestia um terno preto impecável, feito sob medida, que destacava os ombros largos e a cintura estreita. O torso desenhava um V perfeito.
Os cabelos grossos e castanho-escuros tinham sido arrumados com um desleixo proposital. Seus traços marcantes tinham uma beleza quase agressiva. Tinha o nariz reto, lábios sensuais e uma mandíbula forte, bem definida.
Sob a luz fraca, os olhos cinza-azulados já estavam fixos em mim.
Eu o reconheci.
Damian Sterling, meio-irmão de Ethan.
Quando se levantou e começou a caminhar na minha direção, Nora - aquela presença que eu reprimia havia tanto tempo - entrou em frenesi dentro da minha mente.
*"Companheiro!"*
Sua voz já não era uma agitação abafada nem um mero sussurro. Era uma declaração nítida, carregada de êxtase e certeza, que explodiu no fundo da minha alma.
*"Companheiro predestinado!"*
Eu mal tinha cruzado com Damian ao longo da vida. Nosso último encontro tinha acontecido antes de eu completar dezoito anos.
Depois disso, tudo o que eu sabia sobre ele vinha das redes sociais e dos escândalos absurdos em que vivia se metendo.
Droga.
Aquilo era um absurdo.
De todas as pessoas, por que justo ele tinha que ser meu companheiro predestinado?
- Ora, ora... se não é a pequena Ômega do meu irmão - disse ele lentamente, fazendo o líquido âmbar girar dentro do copo. - Numa noite tão agradável, o que traz você até aqui, em vez de estar com ele?
- Seu irmão - respondi, mantendo a voz firme apesar do nó na garganta - está, neste exato momento, fodendo minha melhor amiga de todas as formas possíveis.
A surpresa atravessou o rosto dele por um instante. Logo depois, sua expressão se tornou indecifrável.
- E você está aqui porque...?
Me inclinei, deixando que o cheiro dele me envolvesse por completo. Cedro defumado e rosas noturnas. O aroma nos deixou inquietas, tanto Nora quanto eu.
Eu tinha absoluta certeza de que o queria.
- Uma noite - sussurrei, perto o bastante para que meus lábios quase roçassem a orelha dele. - Sem compromisso. Sem expectativas.
Quando me afastei, Damian agarrou meu pulso. O polegar dele deslizou sobre a pulseira de prata.
Então sorriu.
Um sorriso predatório que fez meu coração saltar no peito.
- Uma noite - concordou, a diversão brilhando nos olhos. - Para te ajudar a esquecer aquele inútil do meu irmão.
Ele me conduziu até o elevador privativo de sua cobertura de luxo, colando os lábios nos meus em um beijo dominante e quente como fogo...
Ponto de vista de Damian
Eu sentia o leve tremor do corpo dela sob o meu toque.
Sabia muito bem que não estava se entregando a mim por afeto. Aquilo era vingança, uma forma de extravasar tudo o que sentia. Não me importava. Eu a desejava desde a primeira vez que a vi, durante uma reunião de família três anos antes, quando Ethan a exibia como um troféu.
Mesmo naquela época, quando ela mal tinha dito uma palavra, eu já começava a me apaixonar. Mas Victoria não olhou para mim. Por isso, nunca tentei nada. Apenas a observava de longe, em segredo.
Jamais imaginei que um dia ela viria até mim por vontade própria.
Assim que as portas do elevador se fecharam, ela colou o corpo no meu e me beijou com uma fome desesperada. O sabor doce do licor ainda permanecia na língua dela. Segurei-a pela cintura e a puxei para mais perto.
Interrompi o beijo.
- Você tem certeza?
Eu precisava ouvir a resposta.
Mas ela não disse nada. Apenas me calou com outro beijo. A inexperiência dela já estava me deixando louco.
O elevador emitiu um sinal antes de se abrir para a minha cobertura. Eu a ergui, e Victoria envolveu minha cintura com as pernas enquanto eu a carregava para dentro. Os lábios dela não se afastaram dos meus nem por um instante, famintos e exigentes.
Encostei-a contra a parede e pressionei minha ereção contra seu corpo, deixando claro o quanto a desejava.
- Quarto - sussurrou contra a minha boca, enquanto os dedos já abriam os botões da minha camisa.
Levei-a até lá e a deitei sobre os lençóis de seda preta. Então me afastei para tirar a camisa.
O olhar dela ficou mais intenso enquanto descia pelo meu peito, meu abdômen e a linha de pelos que desaparecia sob a calça.
- Você é perfeito - murmurou.
Victoria se sentou e tirou a blusa pela cabeça. O sutiã de renda mal continha os seios fartos, e minha boca se encheu d'água diante daquela visão.
Um rosnado escapou da minha garganta. Avancei sobre ela e tomei sua boca mais uma vez. Minhas mãos envolveram os seios dela, apertando-os e provocando os mamilos por cima do tecido delicado. Victoria arqueou o corpo contra o meu, gemendo.
Abri o sutiã e revelei os seios redondos, perfeitos, com mamilos rosados que imploravam pela minha atenção.
Abocanhei um deles e suguei com força, enquanto meus dedos abriam o botão da calça jeans. Ela arfou e se agarrou ao meu cabelo, mantendo minha boca contra seu peito.
- Por favor - implorou, ajudando-me a empurrar a calça e a calcinha para baixo. - Eu preciso sentir você.
Tirei depressa o resto das minhas roupas. Quando Victoria viu o quanto eu a desejava, arregalou os olhos.
- Caramba, você é grande - sussurrou, estendendo a mão.
Segurei os dedos dela e os levei aos lábios. Depois me acomodei entre suas pernas, distribuindo beijos pelo corpo até alcançar sua intimidade.
Ela já estava molhada para mim. Seu cheiro doce me enlouquecia.
Passei a língua por suas dobras até encontrar o clitóris e comecei a contorná-lo devagar.
- Oh, Deus... - gemeu, erguendo o quadril contra a minha boca.
Deslizei um dedo dentro dela. Depois outro.
Era muito apertada. Apertada demais.
Ergui os olhos e finalmente percebi.
- Victoria... - Minha voz saiu rouca. - Você é virgem?
Ela ficou surpresa, e um rubor tomou conta de suas bochechas.
- Isso importa?
Arthur uivou dentro de mim, tomado por uma satisfação primitiva. Meu irmão, aquele tolo, nunca a tinha reivindicado por completo.
Ela seria minha.
Só minha.
- Importa.
Subi pelo corpo dela e voltei a beijá-la, dessa vez com mais delicadeza.
- Prometo que vou fazer você sentir prazer.
Peguei o preservativo na mesa de cabeceira e o coloquei. Em seguida, me posicionei entre as coxas dela e pressionei a ponta do membro contra sua entrada.
Victoria assentiu e me puxou para mais perto.
- Por favor, Damian. Me dá!
Avancei devagar, sentindo o corpo dela se abrir ao meu redor. Victoria fez uma careta, cravando as unhas nas minhas costas.
Parei para que ela pudesse se acostumar comigo.
- Respira, linda - murmurei, beijando seu pescoço, seu maxilar e seus lábios. - Só respira.
Quando senti o corpo dela relaxar, empurrei mais fundo. Um único movimento suave rompeu sua barreira.
Victoria gritou.
Abafei o som com a boca e a beijei profundamente, permanecendo imóvel dentro dela.
- Incrível - grunhi, lutando contra cada instinto que me ordenava a me mover. - Tão apertada. Tão perfeita.
Depois de alguns instantes, ela começou a se mexer sob mim. O quadril se ergueu ao encontro do meu.
Entendi o que queria.
Comecei com movimentos lentos e superficiais. Aos poucos, fui mais fundo, à medida que o desconforto dela dava lugar ao prazer.
- Mais - pediu sem fôlego, envolvendo minha cintura com as pernas. - Mais forte.
Eu obedeci.
Penetrei-a com força crescente, observando o prazer transformar suas feições. A cabeça jogada para trás. Os lábios entreabertos. Os olhos semicerrados.
Ela era a coisa mais linda que eu já tinha visto.
- Isso mesmo - incentivei, enquanto Victoria começava a acompanhar meus movimentos.
- Ah! Me fode com mais força!
As palavras dela despertaram algo ainda mais selvagem em mim.
Mudei nossa posição e a puxei para cima sem sair de dentro dela. Victoria arfou com o novo ângulo. Apoiou as mãos no meu peito e começou a cavalgar.
- Ah, caralho... - gemeu.
Ela encontrou um ritmo que nos deixou sem fôlego.
- Damian, eu... eu estou quase lá.
Levei a mão até o espaço entre nossos corpos. Meu polegar encontrou o clitóris dela e começou a acariciá-lo em círculos enquanto ela continuava se movendo.
- Goza para mim, Victoria - ordenei, sentindo meu próprio prazer se acumular. - Deixa eu sentir você.
Seu corpo se contraiu ao redor do meu membro enquanto gritava meu nome. Vê-la perder o controle me levou além do limite. Impulsionei o quadril com força e rosnei ao me esvaziar no preservativo.
Victoria desabou sobre o meu peito.
Nós dois respirávamos com dificuldade.
Ponto de vista de Victoria
Quando acordei, meu corpo doía em lugares que eu nem sabia que podiam doer. As lembranças da noite anterior voltaram de uma só vez: o descontrole, o prazer tão intenso que chegava a beirar a dor, a forma como Damian tinha me possuído e dominado por completo.
Tentei me mexer devagar e percebi que ainda estava aninhada nos seus braços, sentindo seu calor contra mim. Ergui os olhos. Relaxado no sono, Damian parecia ainda mais bonito, com o maxilar bem marcado e os cílios longos.
Havia certa semelhança com Ethan, mas era quase insignificante. Damian parecia uma versão muito superior do homem que eu acreditava amar. Ethan era bonito. Damian era devastador. Ethan era encantador. Damian era magnético.
Eu tinha dedicado cinco anos da minha juventude a Ethan. Fui fiel, leal. Tudo para descobrir que nosso relacionamento não passava de uma mentira elaborada.
E agora, depois de uma única noite de imprudência, eu tinha acabado na cama do meio-irmão dele.
Não me arrependia.
Nem um pouco.
Meu corpo tinha experimentado um prazer físico intenso.
Ainda assim, eu não tinha a menor intenção de tirar a pulseira e revelar minha verdadeira natureza. Se fizesse isso, Damian também me sentiria. E eu não queria nada com ele, muito menos com a família Sterling inteira.
Tentei escapar discretamente do abraço, mas, antes que conseguisse, Damian apertou os braços ao meu redor e me puxou de volta contra o peito.
- Já vai embora tão cedo? - A voz baixa, ainda rouca de sono, provocou um arrepio na minha espinha.
Levantei o rosto e encontrei os olhos escuros fixos em mim. Havia algo naquele olhar intenso, algo muito mais complexo do que o simples interesse da manhã seguinte.
- Achei que fosse assim que um lance de uma noite funcionasse - respondi.
O calor tomou conta das minhas bochechas quando me lembrei de como ele tinha me reivindicado.
Um sorriso preguiçoso surgiu nos lábios dele.
- Eu esperava que você quisesse repetir.
A mão de Damian traçava círculos nas minhas costas nuas, tornando quase impossível pensar com clareza.
- Além disso, você passou cinco anos com meu irmão e ainda era virgem. Fiquei curioso: ele era mesmo tão incompetente ou você estava se guardando para alguém melhor?
Meu rosto esquentou ainda mais ao recordar a surpresa dele quando descobriu que eu nunca tinha sido tocada.
- Ethan e eu... nunca fomos até o fim. Eu queria esperar até oficializarmos nosso vínculo.
- Azar o dele - murmurou Damian, deslizando os dedos pela curva do meu quadril. - Sorte a minha.
Fiz o possível para manter a compostura.
- Foi só uma noite, lembra? Eu precisava esquecer, e você me ajudou. Estamos quites.
- Estamos?
A voz dele ficou tão grave que parecia tentação pura. Os olhos escureceram ainda mais, e aquele olhar perigoso fez Nora rosnar, inquieta, dentro de mim.
Damian deslizou a mão lentamente para a parte interna da minha coxa, com a graça calculada de um predador. Cada centímetro de contato incendiava minha pele. Soltei um suspiro, e meu corpo se retesou sem que eu pudesse evitar.
- Porque eu acho... - sussurrou contra meu ouvido, roçando os dentes no meu lóbulo - que estamos apenas começando.
Antes que eu conseguisse formular qualquer protesto - não que realmente quisesse recusar -, ele tomou meus lábios em um beijo dominador, carregado de uma posse primitiva.
Por meio do contato entre nossas peles, o lobo dele enviava chamados silenciosos a Nora. A sensação era tão intensa que me deixou à beira de perder o controle.
Com um único movimento fluido, ele me virou e me pressionou contra a parede. Prendeu minhas mãos acima da cabeça usando apenas uma das dele. A outra envolveu minha cintura e me puxou com firmeza contra seu corpo.
Eu sentia cada músculo dele, tenso e pronto.
- Você gosta quando eu te tomo assim? - rosnou entre um beijo e outro, com uma voz tão rouca que mal parecia a dele.
Abri a boca, mas nenhuma recusa saiu. Em vez disso, estremeci sob o toque dele, desejando mais.
Eu não disse não. Pelo contrário, meu corpo se inclinou para ele, e Damian entendeu exatamente o que eu queria. Seus movimentos ficaram mais selvagens. Os dedos pareciam carregados de fogo e deixavam rastros de calor por onde passavam.
Quando ele começou a explorar as partes mais sensíveis do meu corpo, todos os meus protestos se transformaram em gemidos incontroláveis.
Cada movimento era preciso e poderoso. Damian conhecia meu corpo como se explorasse um território que já fosse familiar para ele. Minhas pernas perderam as forças. Se os braços dele não estivessem me sustentando, eu teria desabado.
O tempo pareceu parar naquele espaço apertado. Perdi a noção de quanto aquilo durou. Só sabia que as sensações provocadas por Damian varriam meu corpo como uma tempestade.
Uma vez. Duas. Depois uma terceira...
Minha consciência começou a ficar turva. Meu corpo já não me pertencia.
- Você aguenta mais - disse ele ao meu ouvido, com uma confiança quase cruel. - Goze para mim outra vez.
Quis negar com a cabeça. Dizer que já tinha chegado ao limite.
Mas meu corpo traiu qualquer pensamento racional e, sob o controle dele, avançou em direção a mais um ápice.
Quando a última onda de prazer passou, quase perdi a consciência. Minha visão escureceu nas bordas, e meus membros ficaram sem forças. Só consegui me apoiar debilmente contra o peito de Damian.
O coração dele batia forte e constante, enquanto o meu pulso ainda disparava.
- Parece que minha lobinha precisa descansar um pouco.
Muito mais tarde, acordei outra vez e encontrei o lado dele da cama vazio.
Havia um bilhete sobre o travesseiro: "Tive que resolver uma coisa. Até a próxima.""
Embaixo do papel, encontrei um cartão de crédito.
Como se eu fosse uma garota de programa que ele pudesse simplesmente pagar e dispensar.
Quebrei o cartão ao meio e o joguei no lixo. A raiva substituiu de imediato a agradável sensação de satisfação.
Ao lado da cama, havia uma bolsa com roupas novas - inclusive peças íntimas exatamente do meu tamanho.
Como ele sabia?
Damian tinha examinado minhas roupas descartadas com tanta atenção assim?
Voltei a corar, mas, dessa vez, de indignação.
Vesti depressa as roupas que ele tinha deixado e peguei o celular.
A notícia me atingiu como um golpe.
As manchetes estavam por toda parte: "Aliança entre os Sterling e os Sutton" e "Combinação perfeita: Ethan Sterling e Scarlett Sutton anunciam casamento após romance de três anos".
Nas fotos, os dois apareciam radiantes em seus trajes de noivado. O artigo mencionava uma grande cerimônia marcada para dali a dois meses, uma celebração pelo "relacionamento de longa data" do casal.
Três anos.
Eles estavam juntos havia três anos.
Exatamente o mesmo período em que Scarlett tinha sido minha "amiga".
Enquanto eu esperava fielmente por Ethan, guardando-me para ele, Ethan construía uma vida ao lado de outra mulher.
Meu celular tocou.
Vovô.
- Victoria - chamou ele, com sua voz calorosa, embora carregada de cautela e preocupação. - Você vem jantar em casa hoje?
Ele também tinha visto a notícia.
Claro que tinha.
- Sim - respondi.
Naquele momento, eu precisava do conforto da minha família.
A mansão do meu avô ficava numa área afastada e luxuosa da cidade. Ele tinha comprado uma encosta inteira e a transformado em um conjunto de residências, com a casa dele bem no centro.
Assim que cheguei, ele me abraçou.
- Minha neta preciosa - disse, apertando-me com força. - Como senti sua falta.
Depois do jantar, fomos para o escritório dele. Foi lá que vovô finalmente tocou no assunto.
- Victoria, sobre Ethan Sterling...
- Acabou - interrompi.
Para minha surpresa, dizer aquilo já quase não doía. A traição ainda queimava dentro de mim, mas a mágoa parecia distante. Como se Damian realmente tivesse me ajudado a esquecer.
Os olhos de vovô brilharam com uma frieza intensa.
- Aquele garoto inútil ainda vai se arrepender disso. Como ele ousa machucar minha neta dessa maneira? Vou garantir que aprenda a lição da pior forma possível. Ninguém trata uma Lancaster assim.
A Alcateia Riacho do Norte tinha alguma influência, mas não chegava aos pés da Alcateia Aurora Crescente, comandada por vovô. Em todos os territórios do norte, apenas a misteriosa Alcateia Lua de Sangue era capaz de rivalizar de verdade com a nossa. Nenhuma das outras alcateias estava à nossa altura.
Como herdeira designada da Alcateia Aurora Crescente e futura Alfa, eu ocupava uma posição que exigia respeito em todos os territórios.
Balancei a cabeça com firmeza.
- Não precisa intervir, Vovô. Vou cuidar de Ethan sozinha. Não se preocupe. Quando tudo isso acabar, não serei eu quem ficará juntando os pedaços.
Ele me observou com terna preocupação.
- Se tivesse revelado desde o início que é minha herdeira, aquela garota Sutton nem sequer teria condições de competir com você.
Ele estava absolutamente certo.
- Pelo menos assim pude conhecer o verdadeiro caráter dele - respondi com um leve sorriso. - Melhor agora do que depois do acasalamento.
- Então talvez tenha chegado a hora de anunciar quem você realmente é - sugeriu vovô. - Venha comigo à gala da próxima semana. Vou apresentá-la como minha herdeira e fazer aquele rapaz da família Sterling se engasgar de arrependimento.
Pensei na proposta.
Talvez tivesse chegado a hora de parar de me esconder.