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Me Ensina o Prazer

Me Ensina o Prazer

Autor:: Ronald_P
Gênero: Romance
Dois mundos completamente diferentes vão colidir, gerando uma explosão de sentimentos. Luca é um jovem CEO que aos 25 anos fundou a própria empresa de criação de jogos, após ganhar fama e dinheiro como gamer na adolescência. Racional, rabugento e emocionalmente quebrado. Micaela é pura energia. Alegre, altruísta e mística, em uma noite, mergulhada no tédio, resolve ativar o aplicativo de relacionamentos e se depara com Luca, ou melhor, alguém usando as fotos dele. O que ela jamais imaginava, é que o verdadeiro Luca estaria à bordo do mesmo Cruzeiro luxuoso que ela. Micaela acredita que ele é o cara legal com quem vem conversando. Luca não faz a mínima ideia de quem ela seja. Será que Micaela e o verdadeiro Luca, conseguirão superar as diferenças?

Capítulo 1 Capitulo 1

TERÇA-FEIRA, 18 DE AGOSTO DE 2013

"PARA COM ISSO ANNA."

"Parar com o quê?", diz minha amiga.

Viro-me para ela com o rosto torcido de raiva. "De ficar olhando para o garoto."

Ela revira os olhos e continua fitando o menino.

Anna está cismada com um garoto que eu nunca havia visto nessa aula de Biologia. Deve ser um aluno novo, ou que tenha trocado de turno. É meu quarto bimestre, ou seja, segundo ano de Biotecnologia.

Depois que fiz várias provas e passei em algumas universidades, acabei optando pela Boston. Mesmo com as opções de ir para a famosa e incrível Harvard, não fui por motivos emocionais, tais como o fato de que mamãe e papai estudaram lá.

Meus padrinhos - Monica e Richard - me deixaram aqui em agosto do ano passado, no caso há um ano, e com o coração sangrando. Eles me ajudaram a tirar tudo do carro e a levar minhas coisas para meu dormitório. Minha madrinha fez um drama no dia e repetiu a dose há dois dias para o segundo ano de faculdade. Após quarenta dias com eles, curtindo as férias de verão, deixei Elmira, leste de Nova York, de novo. Rio ao me lembrar dela no dia:

"Ligue sempre que sentir saudades", disse Monica.

"Tudo bem, tia", respondi sorrindo. "Vou fazer como fiz no outro ano. Não se preocupe."

"Ah, meu amor, vou sentir muitas saudades de você." Ela falou isso quase chorando.

"Deixa disso, mulher", Richard disse. "Vamos logo e deixe Cecillia em paz.

Ela apenas está voltando aos seus estudos e indo conquistar o mundo." Meu padrinho piscou o olho para mim e puxou minha madrinha.

Ela me deu um beijinho e meu padrinho me abraçou, despedindo-se.

"Se cuide e não se esqueça de ligar todos os dias. Vou ficar esperando ou vou ligar." Minha madrinha disse, já dentro do carro.

"Com certeza, amo vocês."

"Nós também te amamos", ela disse, e meu padrinho deu a partida e eles se foram.

Eles são meus tutores, protetores, pais substitutos e mesmo que meus pais nunca, nunca mesmo sejam substituíveis, eu sei que eles tentam, com o amor deles, e eu também tento, tapar o buraco no meu coração aberto há oito anos.

Assim que eles me deixaram aqui, eu senti um grande vazio e uma solidão maior do que a normal, mas o silêncio da minha tristeza foi preenchido por palavras, gritos e as ideias loucas de Annabelle. Minha colega de quarto.

Anna é dois anos mais velha que eu. Seus cabelos de um castanho-claro e seus olhos cor de mel a caracterizam com uma beleza sutil e doce, mas se engana quem pensa que sua aparência a faz ser o que parece. Annabelle é terrível, boca- rota e muito barulhenta. Porém, é uma das únicas amizades que fiz - até agora. E ela está me fazendo passar vexame agorinha mesmo - mais uma vez - com sua falta de filtro e não apenas em palavras. Ela não tem filtro para nada, na verdade. É só abrir a boca, e aí ferrou. Ser discreta não é seu feitio.

"Garoto?" Anna vira o rosto para mim, parando de babar o garoto. "Ele está mais para cara gostosão do que garoto."

"Você me entendeu." Desdenho, bufando para ela. "Sabe o que me intriga?"

"Realmente não tenho a mínima ideia", respondo sarcasticamente. "É você não saber quem é ele."

"Por que eu deveria?", questiono-a, e viro o rosto para ver o garoto mais uma vez. "Ele não se parece com ninguém que eu já tenha visto na TV nem mesmo na Internet. Eu tenho quase noventa e nove por cento de certeza de que ele não é ator, cantor ou algo do tipo."

Anna revira os olhos e balança a cabeça, fazendo um gesto com a mão de que não está nem aí para mim.

Annabelle é minha colega de quarto e, por consequência, ou talvez convivência, minha amiga mais próxima atualmente. Na verdade, ela é minha

melhor amiga, na real. Eu nunca tive uma amizade como eu tenho com ela. Mesmo com nossas diferenças, somos amigas... ou tentamos ser.

As poucas amizades que eu tinha de infância foram removidas da minha vida assim que eu perdi meus pais. Parecia que ninguém queria ficar perto da menina órfã e triste, que chorava o tempo todo. Eu também tive que mudar de bairro quando meus padrinhos pegaram de vez minha guarda tutelar e me tiraram do orfanato, onde passei uma semana. A experiência nem foi tão ruim, mas eu definitivamente não gostei. Então, graças a Deus que meus pais deixaram minha guarda para Richard e Monica, porque senão...

Infelizmente, meus pais não tiveram outro filho, apenas euzinha. Infelizmente também, meus avós - tanto os paternos quanto os maternos - não tiveram outros filhos. Então, sem tios e primos. Infelizmente de novo, eles - meus avós

- já tinham partido havia algum tempo. Meus avós paternos morreram dois anos depois que meus pais se casaram, nem me conheceram. Os pais da minha mãe, eu conheci, porém nem me lembro deles. Quando morreram, eu tinha cinco anos.

Mas enfim, o que é importante mesmo é que eu sou sozinha no mundo. Sou a última da linhagem dos Romanoff Luthier, e se não fossem os meus padrinhos, estaria em um orfanato e me sentindo triplamente só.

E sobre amizade. Bem, eu aprendi - da pior maneira - que chamar alguém de amigo é difícil. Precisa passar por momentos alegres e tristes para saber o quão seu amigo aquela pessoa é.

Quando eu cheguei aqui e fui para os meus aposentos, conheci Annabelle - ou Anna, pois ela não gosta muito do nome dela -, e fui recebida por ela de braços abertos em seu quarto - já que ela o ocupava havia dois anos - e no seu grupo de amigos.

Seu namorado, Brad, é um verdadeiro babaca e, como faz parte do time de futebol americano da faculdade, acaba que é também um tanto metido e cretino.

Ele é o primeiro quarterback. Forte, cabelo castanho escuro, olhos azuis e se não tivesse apenas 1,76m - sei disso porque sou obrigada a ficar ouvindo Anna catalogar o namorado sonhadoramente no quarto em voz alta -, ele poderia ser modelo de passarela. Mas graças a Deus não é. Imagina só o quão nojento ele seria.

Porém, apesar de Anna e eu sermos amigas, não temos muitas coisas em comum. Temos muitos pensamentos, gostos e atitudes diferentes na maior parte do tempo. E se isso é bom para algumas amizades, para a nossa só causa afastamento, por isso vivo sozinha. Não gosto dos lugares que ela frequenta e,

principalmente, não gosto do Brad, que sempre está junto dela. Eu acho que ele não vai com a minha cara também.

Quando ela começa a assediar uma pessoa com os olhos - ou até com a boca mesmo, falando e sempre deixando a pessoa confusa, como está fazendo agora com esse cara -, sempre morro de vergonha e não gosto de suas atitudes.

Não acho a mínima graça fazer isso. Ela tem namorado e está fazendo esse joguinho, e se ela me perguntou se eu o conheço, deve ser porque ela sabe quem ele é. Então, por que está paquerando o cara?

Não a entendo. Nunca entendo Anna.

Tentando não chamar a atenção dele - porque noto que ele levantou o rosto e está olhando para cá - abaixo a cabeça e foco em meu fichário. Começo a fingir que estou escrevendo algo, ou lendo - na verdade estou desenhando uma estrela do mar.

"Posso sentar aqui?", ouço uma voz masculina, aveludada e rouca próxima a mim. E sem dúvida não é nem um pouquinho sexy, para não dizer o contrário.

Ergo a cabeça e vejo o cara - sobre quem Anna e eu estávamos "discutindo"

- pairando em pé na minha frente. "Como?" Minha voz sai baixa e atônica.

"Eu posso sentar nesta cadeira?", ele diz apontando para a cadeira ao meu

lado, e sorri.

Nossa! Que sorriso! Grande, branco e lindo.

Ele era lindo de longe - sem sombra de dúvida. Alto, branco, cabelos castanho-aloirados, levemente cacheados ou com ondas, tornando-os rebeldes. Uma boca grande. Nossa, que lábios!

Deve ser o terror beijar essa boca, penso, enquanto o analiso. DEVE SER MESMO, meu diabinho, fala nos meus pensamentos.

CALADO E ME DEIXA TERMINAR DE OLHAR PARA ELE - discuto com ele. Frody revira os olhos e vira as costas para mim.

Eu tenho a mente muito cheia e isso quer dizer que às vezes falo sozinha, mas em pensamento.

Há alguns anos adquiri duas consciências falantes e por mais louco e engraçado que isso seja - se eu contasse para alguém -, elas são as correias que movem minhas decisões.

Ora nós concordamos, ora, não. Costumo pensar que tenho o meu lado bom

- Frydda, meu anjo - e meu lado mal - Frody, meu diabinho -, e que eles têm a aparência do gato da Alice do País da Maravilhas e ficam repousando nos meus ombros, ou às vezes, quando os dois estão de acordo, em um lado só.

Capítulo 2 Capitulo 2

E, continuando minha admiração... De perto o cara é de tirar o fôlego. Ele é bem alto, os cabelos perfeitos que combinam com os olhos... e bem, os olhos dele são de um azul-celeste bem claro, e têm uns raios escuros acinzentados, que dá para ver perfeitamente porque suas íris são cristalinas e sob as luzes da sala de aula - fluorescentes - dá para ver isso nitidamente.

Puta merda!

Esse garoto, cara, homem... desconhecido, ele é lindo de morrer. "Claro. Por que não?", digo, sem mostrar nenhum interesse.

Quando olho para a tal cadeira, ao meu lado, fico instantaneamente vermelha, de vergonha, parecendo um tomate. Sinto o sangue chegar às minhas bochechas e orelhas. Minha mochila está no assento da carteira e minha pasta, na bandeja, virada no braço da cadeira, impedindo alguém de se sentar. Confesso que era um plano perfeito para ninguém sentar ao meu lado, contudo, decido deixá-lo

sentar-se na carteira.

Com um rápido movimento, pego minha mochila e a pasta.

"Desculpe", falo de cabeça baixa, ajeitando minha mochila no colo e colocando a pasta embaixo do meu fichário.

Ele senta calmamente na cadeira e coloca a mochila no chão, perto dos seus pés.

"Não precisa se desculpar, eu que peço desculpa por roubar o lugar da sua mochila", fala em um murmuro, como estivesse contando um segredo, mas achando graça. "Às vezes também faço isso."

"Faz o quê?" Levanto o rosto e o olho fazendo uma cara de que não compreendi o que ele disse.

"Coloco a mochila para", ele faz aspas no ar, "sentar. Assim impede que alguém sente ao meu lado." Ele pisca. "Sabe, para ter sossego."

Olho para ele erguendo as sobrancelhas, cética. "Mochilas não sentam e eu não tive essa intenção."

"Se não foi, eu peço desculpas", murmura com um sorrisinho, querendo dizer que sabe que eu menti. "Mas agora eu te contei meu segredo e você pode usá-lo futuramente também. De nada." Ele pisca e seus lábios se curvam mais ainda.

Ele está tentando me matar? Ele tem o tipo de sorriso de modelo de comercial

de pasta de dente. Perfeito! Estou fascinada por seu sorriso.

"Oi." Anna mete a mão na minha frente, estendendo-a para o cara do sorriso solto. "Prazer. Sou Anna e essa é Ceci, por sinal. Nós já nos vimos por aí, não é?", ela fala, e sinto sua frase sair quase como uma cantada.

O cara aceita a mão dela, mas noto que meio que por educação. "Henry", diz e solta a mão dela rapidamente. Então se vira para mim com um olhar interrogativo. "Ceci?"

"Cecillia." Corrijo com a voz baixa.

"Ah! Sim", ele assente, anotando meu nome em algum lugar da sua memória. "Bonito nome, e eu prefiro assim, Cecillia."

Prefere assim? Não entendi! E o que foi ouvir meu nome na voz dele? Meu coração está pulando dentro do meu peito loucamente.

SE CONTROLE, CECI - Frody.

Solto a respiração calmamente e olho para algum ponto na sala de aula. "E o seu?", ele questiona Anna. "É Anastasia ou algo assim?"

Anna ri e faz um movimento com a mão de "deixa para lá", ignorando-o, e

responde:

"Não, mas você não precisa saber."

Eu sorrio e murmuro: "É Annabelle, mas ela odeia o nome dela."

Para falar baixo, ele chega mais perto de mim. Na verdade, bem perto da minha boca, porque ele não virou o rosto, apenas se inclinou mais para mim. Sinto seu perfume. Caramba, ele é cheiroso também.

Ai, Deus!

Enfim, ele se afasta, franzindo a testa e inclinando o corpo para a frente, para olhar melhor para Anna, e fala:

"Você tem o nome da boneca daquele filme de terror?"

Relutante, viro o rosto para ela e a vejo sorrindo sem graça, logo antes de dar um soco no meu braço.

"Ai! Porra", resmungo. "Culpe seus pais, não a mim." Esfrego o local onde ela me atingiu e faço cara feia.

"Sim, mas foi você que falou meu nome para ele, sua idiota."

Solto uma risada, por causa do exagero dela e escuto Henry rir também do meu lado.

"Parem, porra, senão eu vou dar um soco em você de novo", ela diz para mim,

"e em você também."

Henry e eu nos entreolhamos e sinto uma faísca, antes que eu me vire para a frente, fugindo dos seus lindos olhos azuis acinzentados e focando em Anna.

"Você pode tentar, mas antes nós precisamos treinar o seu jab", diz Henry. "O meu o quê?", Anna pergunta, exasperada.

"Eu sou professor de artes marciais: MMA, Muay Thai, Boxe, Caratê, Jiu- Jítsu.

E também sou instrutor de Krav Maga. Defesa pessoal israelense." "Nossa!", eu falo, no mesmo momento em que Anna fala: "Então é por isso que você é todo fortão e gostoso assim?"

Porra, Anna! Olho para ela de boca aberta, e tento me esconder do vexame, encolhendo os ombros.

"Que foi?", ela diz olhando para mim. "Até você reparou nisso, não negue." Por Deus, eu vou matar essa garota.

Ergo-me na carteira e viro meu corpo todo para ela, sem me importar de ter acabado de dar as costas a alguém, no caso, a Henry.

"Quem vai aprender alguma dessas aulas doidas aí sou eu, apenas para quebrar a sua cara. Cala a merda da sua boca, Annabelle", digo, muito irritada.

Henry ri atrás de mim, na verdade, ele gargalha, e sua gargalhada contagiante faz com que todos da sala olhem para nós.

"Deve ser isso e também porque eu sou do time de futebol americano da faculdade." A voz dele atravessa por trás de mim. "Não é, Annabelle?", ele indaga com sarcasmo, e sinto que estou perdendo alguma coisa.

"Ah..." Anna balbucia um som dengoso. "Você joga no time. Meu namorado, Brad, também joga."

Claro que ela ia falar do Brad e sinto que ignora totalmente a pergunta capciosa de Henry. Viro-me para ele e o vejo assentindo, com um olhar estranho para cima de Anna.

"Sim, eu sei. Brad, o primeiro quarterback." "U-hum", Anna confirma, orgulhosa.

Não sei de quê!

"Hmm..." Henry faz um resmungo, um som de desdém, e fico mais curiosa, olhando para ele. Ele ainda está com uma cara de quem comeu e não gostou. Pelo visto, ele não gosta muito do Brad assim como eu, ou é impressão minha.

Vinte minutos depois, o professor chega na sala e todos - inclusive nós três, mesmo que Henry estivesse muito interessado na conversa de um dos caras do time - param de conversar e começam a prestar atenção na aula.

Durante a aula eu fico inquieta, não consigo me focar nem entender nada. E eu adoro a aula de Zoologia 1, mas hoje parece que eu nem consigo me concentrar direito em escrever meu nome na chamada. A inquietação está dominando todo o meu ser.

Largo a caneta em cima das folhas e desisto de tentar entender alguma coisa do que Caleb está explicando. Minha cabeça está muito cheia e fitando um ponto qualquer, perto do quadro em que o professor escreve. Fico vagando em pensamentos.

Passo cinco minutos sem piscar e meus olhos pedem lubrificação, então pisco e passo os olhos pela sala de aula, pelos alunos mais falantes - para onde Anna às vezes foge -, pelos alunos nerds - sentados na frente -, pelas patricinhas de Beverly Hills e, virando o rosto na direção onde ficam os jogadores, líderes de torcida e bandinhas, que por acaso é o lado onde Henry está.

Fico paralisada. Petrificada.

Congelada...

Tudo isso e mais um pouco. Uma estátua viva.

Ele está olhando para mim com uma expressão curiosa e um tanto penetrante.

Eu tento desviar, mas, por força maior, não consigo tirar os olhos dele, e para não ficar um clima estranho, curvo meus lábios em um sorriso amarelo para ele, que pisca para mim.

Abro a boca como se fosse falar algo, mas nada sai. Apenas uns sons de gagueira. Não entendo meu estado idiota no momento, até parece que nunca vi olhos azuis como os dele e um sorriso assim.

Bem, eu já tinha visto homens bonitos de perto, porque parece que todos os filhinhos de mamãe fazem faculdade e eles são lindos. E Massachusetts está lotada desses tipos de cara: lindos, ricos, mimados e galãs de filme de universidade.

Não são todos que estudam na Boston University, mas os pubs de Boston recebem caras de todas as universidades, inclusive os nossos vizinhos bonitões da aclamada Cambridge. Harvard é o centro dos homens bonitos, chega a ser

pecaminoso de tanto homem atraente andando pelo campus. Inclusive os professores. As mulheres também não deixam a desejar.

Então eu já estou acostumada a ver caras bonitos que nem o Henry quando entro em um pub - raras vezes, porque eu não gosto desse tipo de lugar - e quando caminho pelos corredores da faculdade.

Capítulo 3 Capitulo 3

No entanto, o problema é que Henry é avassalador e está me deixando quente. Não entendo mesmo o porquê disso. Não sou esse tipo de menina que fica com fogo por causa de um cara, tipo a Annabelle.

Balançando a cabeça para limpar minha mente dos pensamentos, viro-me para a frente e começo a escrever algumas palavras que o professor está falando, tentando de novo prestar atenção na aula.

A aula termina - mesmo que para mim nem tenha existido - e arrumo rapidamente minhas coisas. Passo a alça da mochila em um dos braços e me levanto...No mesmo instante em que Henry e esbarro nele.

"Ops. Desculpe", falo envergonhada. "A culpa foi minha", diz ele, sorrindo. "Sem problemas."

"Foi um prazer te conhecer, Cecillia."

Ele estende a mão e eu a aperto, sorrindo sem graça. "Tchau, e a gente se vê por aí."

Ele se vira e, com passos largos, caminha para fora da sala e eu fico olhando

para ele até ele sumir pela porta.

Ainda não estou sabendo lidar com o que deu em mim hoje. Estou sendo ridícula. Normalmente não sou de babar por homens e nem de ficar muda. Sou espontânea e sempre curiosa, mas Henry me deixou sem fala, de verdade.

Virando-me para Anna - que está tagarelando com outro aluno -, eu cutuco de leve seu ombro com o indicador, chamando sua atenção para mim.

"Vamos?"

"Ah! Claro", Anna fala, despede-se do menino com quem estava conversando, pega a bolsa dela e me puxa pela mão porta afora.

"Para que tanta pressa?"

"Eu preciso fazer uma coisa importante, e agora." Começo a rir dela com esse ataque desesperado.

"Para de me puxar assim, Anna, vai deslocar meu braço, sua louca." "Miga, sua loca, fica tranquila", Anna cantarola, rindo.

"Tudo bem", digo, no mesmo tom cantado que ela.

Nós andamos - ou quase corremos - como se o corredor por qual passamos estivesse pegando fogo ou algo parecido. E quando dou por mim, estou no campo de futebol da faculdade, arrastada por Annabelle.

"Você precisa falar com Brad. É isso?"

Ela vira o rosto para mim, brevemente, com as feições sapecas. "O que foi essa cara?", questiono.

Ela continua me puxando até nos duas estarmos sentadas nas arquibancadas, na quarta fileira de baixo para cima. Ela passa os olhos pelo campo, procurando alguma coisa.

"Você não vai mesmo me falar o que é de tão importante que você veio fazer aqui?", falo, e ela olha para mim, mas fica calada. "Porra, Annabelle!", exclamo, e espero que não tenha sido tão alto quanto pareceu. Só ela consegue me fazer ser tão deselegante e desbocada.

"Vai se foder com esse Annabelle."

Ergo uma sobrancelha, questionando-a silenciosamente. "Calma, amiga. Você vai ver", diz ela, sorrindo.

Assinto e bato o pé, esperando não sei pelo quê.

Já se passaram alguns minutos e nada ainda. Estou ficando puta da vida por estar perdendo meu tempo aqui vendo esses garotos treinando. Odeio futebol americano. Esses homens se digladiando, suando, correndo, gritando que nem uns doidos. Eu nunca vim nesse tempo em que estou aqui a nenhum dos jogos, e isso pode ser considerado antipatriota.

Idiotice.

Anna já me pediu algumas vezes para acompanhá-la - porque ela vem ver o Brad - e torcer pelo time da faculdade, que se chama Lions G., mas nunca vim. Sempre digo que NÃO! Deus que me livre.

De repente, uma mão encosta no meu ombro e eu levo um susto. "Ai!" "Parece que eu vou ter que te pedir desculpas de novo", Henry fala, com seu

sorriso matador.

E

meu bom

Deus... Ele está sem camisa. Por que ele está sem camisa porra?! DEIXA ELE SEM CAMISA - Frydda.

ISSO É DEMAIS, Eu.

CONCORDO - Frody, maliciosamente. Sacudo a cabeça e me foco em Henry.

Ele é todo malhado, mas não monstruoso e ridículo como alguns caras que eu já vi passando pelos corredores do dormitório com a camisa do time jogada no ombro em vez de estar perfeitamente vestida no corpo.

Henry está com a calça do time, meias, chuteiras... e está lindo. Os cabelos estão bagunçados e levemente molhados de suor. Se ele ficar muito assim por aqui, eu posso rever meus conceitos sobre assistir ao jogo, e vir uma vez ou outra para o jogo, treino e até torcer para o Lions G.

"Que nada, você me pegou de surpresa", digo acanhada.

Por que ele me deixa tão boba?

Ele assente, concordando.

"O papo está bom, mas vou indo." Anna se levanta, desce a arquibancada e se vira para nós dois quando chega lá embaixo. "Tenho trabalho de sociologia para fazer."

"Ei!", chamo-a. "Espere aí." Levanto-me para ir com ela.

"Você já vai? Por que não fica e me vê treinando mais um pouco?" Henry fala, segurando meu braço pelo pulso.

Olho para sua mão no meu braço e depois para seu rosto e dou de ombros. "Tem algum trabalho ou algo importante para fazer agora?" Ele insiste. "Tem não, ela está livre." Anna grita.

Olho para ela, fuzilando-a com os olhos. Quero matá-la hoje. "Fica, amiga."

Aperto os olhos, mas ela me ignora totalmente e some pelos portões, voltando para dentro do nosso prédio, na universidade.

"Fica." Henry pede de mansinho. "Depois nós podemos fazer alguma coisa." Sinto meus olhos se arregalarem e fito-o, confusa.

"Como?" Juro que não quis soar tão desconfiada.

Ele pisca, desce as quatro etapas da arquibancada, olhando para mim e com um sorriso simpático no rosto. "Você vai ver", ele fala alto, e pisca, virando-se para correr mais rápido pelo campo e encontrar os outros jogadores.

Oh, glória. Ajuda aqui Jesuzinho.

Eu sinceramente nunca achei que ficaria uma hora e meia assistindo a homens duelando e gritando no gramado da faculdade. Na verdade, em lugar nenhum.

No exato minuto em que ele pediu para eu ficar, eu pensei: Para quê? E ainda estou me perguntando: Por quê?

Porém, por que não ficar e riscar mais uma curiosidade da minha lista, que é entender o futebol americano? Sem contar que ver Henry treinando não foi sacrifício algum. Não vou negar que adorei ficar aqui vendo-o suar e correr. Foi muito proveitoso.

Confesso que ele me desperta algumas coisas diferentes, mesmo eu que nunca tenha tido qualquer experiência com sexo. Juro que sinto algo no meio das minhas pernas quando ele pisca para mim e volta em passos lentos para o treino, todas as vezes em que passa perto das grades que separa o gramado da pista de corrida.

Minha nossa, ele é tão bonito. Deve ter uns 25 ou 27, vou apostar nos 27 anos. Estou aficionada por seus cabelos enroladinhos como de uma figura de anjo em quadros antigos. E o que mais me chamou a atenção nele foi o sorriso. É sincero. Duvido muito que alguma vez ele tenha sorrido "amarelo", para alguém.

O treino acaba e dou graças a Deus. Amém!

Vejo-o entrar no vestiário e, dez minutos depois, ele está saindo de lá com a calça jeans e a camiseta azul escura que estava na aula, e a mochila em um dos ombros. Levanto, pegando minhas coisas, desço e ando para onde está Henry, parado nas grades curtas, olhando para mim.

Quero muito matar minha curiosidade de saber para onde ele está pensando em me levar, ou o que vamos fazer após o jogo. Espero não quebrar a cara.

"E aí? Vamos?", ele diz quando o alcanço. "Ok", falo, dando de ombros.

Nós seguimos rumo ao corredor da faculdade e, quando saímos desse

corredor, ele me direciona para o estacionamento. Olho assustada para o lugar, insegura.

Certo, eu não acho legal ir entrando no carro de um garoto que eu acabei de conhecer. Paro meus passos um pouco antes de começar a passar pelos carros,

organizados em filas de grupos de doze em doze na grande extensão do estacionamento dos alunos e professores.

Henry sente que não estou mais o acompanhando e se vira para mim, com o cenho franzido. "Qual é o problema?"

"Eu não te conheço", murmuro, balançando a cabeça. "O quê?"

"Não vou entrar no carro de alguém que eu não conheço direito." Ele sorri de lado e diz, com um ar bem convencido:

"Conhece sim. Sou o Henry, professor de lutas, aluno da sua faculdade e que

está fazendo aula de Zoologia na mesma turma que você, de manhã. Porque estou atarefado e como é meu último ano, não posso mais me dar o luxo de me ferrar em matéria nenhuma."

"Só sei isso." Dou de ombros. "Não sei mais nada e, para ser mais específica, nem sei mesmo qual faculdade está cursando."

"Curso Biologia e você?"

"Faço Biotecnologia", respondo baixo.

"Então você vai ser mais inteligente do que eu", ele completa, e passa os olhos pensativos por mim, e então finaliza: "Na verdade, eu acho que você já é mais inteligente do que eu."

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