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Me Queimo por você

Me Queimo por você

Autor:: sofabarrios17
Gênero: Romance
O que você faria se tudo o que acreditava saber sobre o amor, a traição e o destino fosse colocado em dúvida em um único instante? Ana se encontra gravemente ferida após um acidente, mencionando os nomes de seu marido Sebastián e Gabriel, um enigmático homem de seu passado. À medida que a história salta entre o passado, o presente e o futuro, segredos ocultos, traições e um devastador triângulo amoroso são revelados. Ana descobre que seu casamento com Sebastián esconde mais mentiras do que ela imaginava, enquanto uma conexão perigosa com Gabriel começa a ressurgir. Preso entre o amor, a vingança e segredos familiares, Ana precisará tomar decisões que testarão seu coração e seu futuro. Será que ela conseguirá se curar e encontrar a paz, ou se queimará por eles? Uma história de paixão, traição e redenção que vai te manter preso até o final.

Capítulo 1 O Acidente

A noite envolvia a estrada solitária como um manto escuro e implacável. A chuva caía sem cessar, batendo forte no asfalto, criando poças que refletiam as luzes dos faróis distantes, como espelhos quebrados. O silêncio foi rasgado pelo rugido de um motor, o desespero do freio de uma freada e, depois... o estrondo terrível do metal contra o metal. O mundo se partiu em um segundo.

O carro ficou virado ao lado da estrada, o para-brisa estilhaçado, o motor soltando fumaça, e o silêncio voltou a se impor, só interrompido pelo barulho constante da chuva. E no meio de tudo isso, uma figura se arrastava fraca. Ana. Seu corpo estava quebrado, ferido, mas sua alma parecia ainda lutar para se agarrar à vida.

Cada respiração era um esforço titânico. Cada batimento de seu coração doía. A dor a queimava, mas o que mais doía era a confusão. Como cheguei até aqui? Por que tudo parecia tão... distante? Seus olhos, turvos e cheios de lágrimas, se fixaram no teto do carro virado. De sua boca saiu um sussurro, fraco, quase inaudível, enquanto tentava lembrar algo - algo importante:

- Sebastião... Gabriel...

Por que esses nomes? Sua mente gritava, mas o corpo não respondia. O que significavam? As palavras escorriam de seus lábios como se estivessem se desfazendo antes de serem completamente pronunciadas. Ela não entendia, mas seu coração reconhecia, como se estivessem marcados em sua pele, em sua alma.

- Por que não...? - Seus pensamentos se entrelaçavam como fios quebrados. Seu peito se apertava com o peso do medo. O que aconteceu aqui?

O trovão ressoou à distância, retumbando em seu interior, como se o próprio céu estivesse chorando por ela. Sua cabeça girava, e o mundo parecia se perder em um mar de sombras. A chuva batia cada vez mais forte, como se a terra tentasse enterrá-la.

- Eu não posso morrer aqui... não agora... não sem... o que aconteceu com eles? - ela se perguntava, com uma desesperança que a envolvia. Sebastião... Gabriel... Os nomes se repetiam em sua mente como um mantra, mas a cada vez se desvaneciam mais.

De repente, um brilho suave chamou sua atenção. Em sua mão, trêmula, algo metálico refletia as poucas luzes que ainda conseguiam se filtrar pela tempestade. Um pingente. As iniciais "G.S." gravadas nele. Algo dentro dela se quebrou. Esse pingente. Por que ele estava em suas mãos?

As sirenes começaram a soar à distância, mas para Ana, tudo parecia um eco distante, como se as vozes do mundo chegassem até ela de um sonho distante. Seu corpo já não respondia. A dor a arrastava para a inconsciência, mas algo, uma centelha de lucidez, a mantinha à tona. Não poderia desistir.

Ao longe, as luzes vermelhas e azuis das ambulâncias iluminaram a tempestade, mas Ana já não podia se mover. Sua mente, que antes lutava para entender o que aconteceu, agora só queria se agarrar a um único pensamento, uma única certeza: que alguém estivesse por perto. Alguém que pudesse salvá-la. Mas quem?

Quando os paramédicos chegaram, a pegaram com suavidade, quase com reverência, como se ela fosse frágil e preciosa, um cristal prestes a se quebrar. A voz de um deles a atravessou, mas ela não conseguiu entender o que ele dizia.

- "Ana, respire fundo. Calma. Vai ficar tudo bem. Estamos aqui."

Mas como ela poderia acreditar nele? A dor se cravava em cada centímetro de seu corpo. Sua respiração estava errática, e ela sentia como se seu peito fosse explodir. Tudo parecia um pesadelo, mas o pingente ainda estava em sua mão, apertado com força. Por que não conseguia se lembrar?

Os paramédicos, com mãos firmes e eficientes, começaram a atendê-la. Um deles colocou uma máscara de oxigênio em seu rosto, e um estremecimento percorreu seu corpo. A umidade da chuva a encharcava, mas o frio que ela sentia vinha de dentro.

- "Ana, aguente... você não vai ficar sozinha." - disse a voz de um homem. Ela quis dizer algo, mas as palavras não saíam. As lágrimas caíam por seu rosto, misturadas com a chuva, confundindo sua dor com a tempestade que nunca cessava.

Como ela chegou a esse ponto? O mundo começava a desaparecer diante de seus olhos, mas em sua mente, uma imagem persistia, como uma sombra que não a deixava ir: o rosto de Sebastião na penumbra, e os olhos de Gabriel, carregados de algo que ela não entendia. Por que estavam eles em suas memórias? Que papel eles desempenhavam em tudo isso?

A dor a afundou na inconsciência. A escuridão a abraçou como um manto pesado. A última imagem foi o pingente brilhando em sua mão, como uma promessa quebrada, como uma chave que nunca poderia ser aberta.

E no silêncio, o mistério se plantava.

Capítulo 2 Seis Meses Antes

A luz suave da tarde se filtrava pelas janelas do apartamento, banhando a sala com uma calma quase irreal. Ana e Sebastián estavam sentados frente a frente à mesa de jantar, um de frente para o outro como se fossem duas peças perfeitamente alinhadas de um quebra-cabeça. A conversa era fluida, mas vazia, como se ambos tivessem aprendido a navegar nessas águas sem nunca realmente se tocarem.

- Como foi seu dia? - perguntou Sebastián, levantando os olhos do celular por um momento, só para depois voltar a se concentrar na tela.

Ana sorriu de forma fraca, olhando para o prato de macarrão diante de si, que estava intocado. Ela não estava com fome, mas não sabia como expressar o que realmente sentia. Algo em seu peito a apertava cada vez que a conversa tomava esse tom monótono, como se os dois vivessem em mundos paralelos que raramente se cruzavam.

- Bem. Um dia normal. - respondeu, tentando encontrar algo para dizer, mas sentindo que suas palavras eram ecos vazios.

O apartamento era lindo, sem dúvida: móveis modernos, cores neutras e um estilo minimalista que refletia a perfeição, mas essa perfeição não conseguia esconder o que estava por trás. Ana sentia como a rotina dos dias a envolvia, apertando cada vez mais as paredes de sua vida.

De vez em quando, seu olhar encontrava o de Sebastián, e nesses breves momentos, sentia como se ele estivesse ali, mas ao mesmo tempo tão distante. Seu rosto, bonito, mas impassível, sempre tão tranquilo, tão calculista. O que tinha acontecido com o homem que antes a olhava com paixão? Ana não conseguia se lembrar. Ou, melhor dizendo, não queria se lembrar.

A incomodidade se tornava mais palpável conforme o tempo passava. Eles não sabiam como preencher os silêncios. As risadas haviam desaparecido, e os "eu te amo" já não soavam genuínos, mas quase como uma rotina que deviam seguir.

- Sabe, estive pensando nas férias. - Sebastián mudou de assunto, mas Ana percebeu o tom distante em sua voz. Como se estivesse falando de algo que não importava tanto quanto deveria.

- Férias? - Ana levantou os olhos, surpresa pela aparição repentina do tema. Férias? Será?

- Sim. Um destino tranquilo. Talvez uma ilha ou algo do tipo. Quero dizer, temos trabalhado bastante. - Sebastián não levantou os olhos do celular, como se a proposta fosse mais uma obrigação do que uma ideia genuína.

Ana pensou por um momento, depois assentiu com a cabeça sem dizer nada. "Férias." Tudo parecia tão distante, tão alheio. No início, ela pensou que poderia ser uma oportunidade para resgatar o que havia se perdido, para se aproximarem, mas uma parte dela sabia que qualquer tentativa era em vão. Algo mais profundo, algo irreparável, havia começado a rachar o relacionamento deles.

- Ana, você está ouvindo? - Sebastián levantou os olhos, finalmente preocupado.

- Sim, claro. - Ana olhou-o fixamente, sentindo uma pontada de frustração. Por que ele não via o que ela via? Por que ele não notava as rachaduras, os suspiros que se infiltravam entre eles?

- Parece que você não está tão empolgada com a ideia... - Sebastián observou com atenção.

Ana hesitou, e depois soltou uma pequena risada sem alegria. "Nem sei se conseguiríamos compartilhar um lugar como esse. Neste momento, estaríamos tão longe um do outro quanto estamos agora."

O silêncio invadiu a sala, e ambos ficaram presos em uma bolha que se tornava cada vez mais opressiva.

Naquela mesma noite, Ana e Sebastián foram convidados para um jantar em família. A casa dos pais de Sebastián estava cheia de gente, risos e conversas, mas Ana se sentia como um espectro, deslocada naquele ambiente barulhento. As conversas giravam em torno de temas triviais, enquanto Ana se mantinha em silêncio, observando de um canto.

Em algum momento, a tia de Sebastián, uma mulher robusta e de risada contagiante, começou a falar sobre o passado.

- Vocês sabiam que Sebastián e Gabriel eram inseparáveis quando eram mais jovens? - disse a tia, enquanto servia vinho tinto nas taças, sem perceber a reação imediata no rosto de Sebastián.

Ana percebeu de imediato. Sebastián ficou imóvel por um segundo, e seus olhos, que antes brilhavam com indiferença, escureceram ligeiramente. A menção do nome de Gabriel causou uma reação sutil, quase imperceptível, nele. Como se uma sombra tivesse cruzado seu rosto, e com um gesto involuntário, seus lábios se apertaram.

Gabriel? O nome pairou no ar como um eco. Ana o repetia em sua cabeça, mas não conseguia compreender totalmente a reação de Sebastián. Quem era Gabriel para ele?

- Sim, Gabriel. Sempre juntos... Como dois irmãos. Passavam o tempo todo na minha casa, lembra, Sebastián? - insistiu a tia, enquanto todos na mesa sorriam.

Ana observou Sebastián. Algo em sua postura mudou. Ele se endireitou um pouco, mas seu olhar não encontrou o de Ana. Era só sua imaginação ou Sebastián parecia incomodado? Como se quisesse se desvincular daquela parte de seu passado.

- Sim, claro. - Sebastián murmurou, tomando um gole de seu vinho e olhando para outro lado, como se evitasse aprofundar o tema.

Ana sentiu uma pontada no peito. Gabriel. Esse nome continuava a ressoar em sua mente, e por um momento, ela não pôde evitar se perguntar se havia algo mais entre Sebastián e esse tal Gabriel. Algo que não lhe haviam contado.

A conversa seguiu seu curso, mas para Ana, o ambiente se tornou denso. Ela sentia que algo importante estava escapando dela, algo que ela não conseguia compreender totalmente. Por que Gabriel causava tanto desconforto em Sebastián? O nome continuava a se repetir em sua mente, e a cada repetição, a sensação de inquietação aumentava. Algo estava escondido, algo que nem ela nem Sebastián queriam desenterrar.

A noite terminou sem mais incidentes, mas Ana não conseguiu parar de pensar naquele momento, naquela sombra que havia cruzado o rosto de Sebastián. Algo estava errado, e ela sabia disso. Mas o quê?

Capítulo 3 A Visita Inesperada

A casa dos pais de Sebastián, que antes fora um lugar de risos e alegria, agora estava cheia de conversas triviais, risos forçados e olhares furtivos. A festa, que no início prometia ser uma oportunidade para relaxar, se transformou em uma série de interações desconfortáveis. As luzes suaves da sala de estar iluminavam os rostos dos convidados, mas a atmosfera estava densa, como se algo importante estivesse prestes a ser revelado.

Ana estava no fundo da sala, observando o cenário. Sua taça de vinho estava pela metade, seus dedos nervosos a giravam nas mãos. Sebastián havia passado grande parte da noite conversando com seu irmão, Tomás, e algumas das pessoas ao redor da mesa de buffet. No entanto, Ana não conseguia evitar se sentir desconectada de tudo ao seu redor. Algo nela havia mudado nas últimas semanas. A menção de Gabriel, o distanciamento de Sebastián, a rotina fria de seu casamento... Tudo a havia levado a uma reflexão profunda.

De repente, a porta principal se abriu com um som que cortou a música ambiente, e nesse instante, Ana sentiu um pequeno arrepio percorrer sua espinha. Foi uma presença sutil, mas penetrante. Sebastián levantou rapidamente a cabeça, seu rosto ficou momentaneamente vermelho, mas sua expressão permaneceu séria e controlada. Ana observou, fascinada e desconcertada.

Uma figura alta, com cabelo escuro e um pouco bagunçado, entrou na sala. Sua presença era imponente, quase como se o ar ao redor o reconhecesse. Gabriel. Não era um desconhecido para Ana, nem de longe. A última vez que o havia visto, o tempo parecia ter parado entre eles. Embora não trocassem palavras, algo nos seus olhares dizia mais do que qualquer conversa poderia dizer.

Gabriel caminhou lentamente até o centro da sala, cumprimentando alguns familiares com um sorriso tímido, mas seu olhar permaneceu fixo em Sebastián por um momento antes de se desviar em direção a Ana. Os olhos de ambos se encontraram brevemente, e naquele instante, o mundo ao redor parecia desaparecer. Era como se as palavras fossem desnecessárias, como se tudo o que havia acontecido antes tivesse deixado uma marca indelével entre eles, algo que o tempo ou as circunstâncias não poderiam apagar.

- Gabriel? - A voz de Sebastián soou mais tensa do que Ana esperava. Era uma mistura de surpresa e algo mais profundo, algo escondido sob seu tom calmo. - Não sabia que você viria...

Gabriel sorriu de forma enigmática, um gesto que transmitia tanto mistério quanto familiaridade. Não era um sorriso de boas-vindas, mas sim um sorriso de entendimento compartilhado, como se ambos estivessem cientes de algo que os outros ignoravam.

- Tive uma mudança de planos. Achei que seria uma boa oportunidade para... colocarmos a conversa em dia. - disse Gabriel, enquanto sua mirada percorria os rostos dos presentes, mas sempre voltando para Sebastián e depois para Ana.

Os convidados, que na maioria estavam dispersos pela sala, começaram a perceber a estranha energia que surgira com a entrada de Gabriel. Havia uma tensão palpável, como se o ar estivesse mais pesado. Os murmúrios começaram a se espalhar e alguns sorrisos se tornaram forçados.

Ana, curiosa mas também desconfortável, tentou não mostrar a sua inquietação. Ela se manteve perto da mesa, fingindo interesse em uma conversa trivial sobre o clima que havia começado com uma das tias de Sebastián. No entanto, seus olhos não conseguiam evitar seguir os movimentos de Gabriel. Não era apenas a sua presença que a desconcertava; era o fato de que havia algo na sua postura, na maneira como ele olhava para Sebastián, que ela não conseguia deixar de interpretar. O que havia acontecido entre eles?

Pouco depois, Gabriel se aproximou de Ana, deixando os outros para trás. Seu olhar foi direto, quase desarmante. Seus olhos, tão intensos como Ana lembrava, a observavam com uma mistura de reconhecimento e algo mais profundo, algo que Ana não conseguia entender por completo.

- Faz tempo que não nos vemos, né? - disse Gabriel, sua voz grave, mas suave, como se estivesse esperando que Ana o lembrasse por completo.

Ana, sentindo um leve arrepio, assentiu lentamente.

- Sim... muito tempo. - murmurou ela, sem conseguir articular mais palavras. Sua mente estava cheia de perguntas sem respostas, e a proximidade de Gabriel apenas tornava tudo mais confuso.

Mas antes que ela pudesse processar seus pensamentos, um comentário inesperado da tia de Sebastián interrompeu o ar tenso. Ela se aproximou de Gabriel com um sorriso um tanto ousado, como se o conhecesse bem.

- Ai, Gabriel, você sempre foi como parte da família, né? Sebastián e você eram inseparáveis quando mais jovens. Não consigo acreditar quanto tempo passou desde aqueles dias em que vocês dois... bem, você sabia tudo sobre o Sebastián, não só como amigo... - a tia de Sebastián soltou a frase sem pensar muito, sem perceber a reação dos outros.

Houve um breve silêncio na sala. Todos os olhares se voltaram para Gabriel e Sebastián, que trocaram um olhar significativo. Sebastián, que até então mantinha sua compostura, apertou os lábios, e seu olhar se endureceu.

Gabriel sorriu com um certo cinismo, mas não disse nada sobre o assunto. Apenas levantou a taça de vinho que segurava e fez um brinde em direção a Sebastián.

- Aqueles eram outros tempos, - disse Gabriel, deixando claro que havia muito mais por trás daquela afirmação do que parecia.

Ana observou a interação, com a mente cheia de perguntas. O que significavam essas palavras? O que tipo de amizade, ou algo mais, Gabriel e Sebastián haviam compartilhado? E por que esse olhar carregado de significado entre eles?

A conversa entre os convidados continuou, mas a atmosfera havia mudado irremediavelmente. A tensão estava no ar, e Ana não conseguia evitar se sentir presa em uma rede de mistérios que ela nem sabia se queria desvendar.

No entanto, uma coisa estava clara: Gabriel não era apenas um amigo do passado. E Sebastián, apesar de seus esforços para manter uma fachada de normalidade, não conseguia esconder o que realmente sentia.

A noite continuou, mas para Ana, o peso do não dito, do oculto, do que ainda não havia sido revelado, a cercava como uma sombra da qual não conseguia se livrar.

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