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Melodia Quebrada, Coração Ferido

Melodia Quebrada, Coração Ferido

Autor:: Roana Javier
Gênero: Moderno
A música parou, mas os aplausos para Pedro Costa, "Compositor do Ano", ressoavam no auditório, irônicos. O troféu deveria ser meu, e "Ecos da Meia-Noite", a canção vencedora, era minha. Cada nota nasceu em madrugadas insones no meu estúdio, mas Pedro a lançou um dia antes, como sempre. Por três anos, fui a sombra anônima de Pedro. Ele roubava minhas músicas, lançando-as 24 horas antes do meu agendado, e a indústria me destruiu. A internet me chamava de "ladrão" e "sem talento", e fãs de Pedro me xingavam na rua. Meu gerente, Léo, tentou me defender, mas não havia provas, minhas composições simplesmente surgiam no portfólio dele. A pressão se tornou insuportável. A gravadora me deu um ultimato, e minha família começou a sentir o peso. Meu pai, um empresário rígido, gastou uma fortuna para limpar meu nome. Ele moveu processos caros que só atraíram mais atenção da mídia, que então publicou histórias falsas sobre seus negócios. A investigação resultante paralisou suas empresas, e o estresse o consumiu. Uma noite, recebi a ligação do hospital: meu pai sofrera um infarto fulminante e não resistiu. O mundo desabou sobre mim. A culpa me esmagou; minha música, minha carreira, meu fracasso haviam matado meu pai. Minha mãe, antes vibrante, definhou em tristeza. Eu estava no fundo do poço, a música morta em mim. Numa noite chuvosa, olhei para os comprimidos. A dor era demais: o rosto desapontado do meu pai, a tristeza da minha mãe, a traição de Juliana, minha ex-namorada que me abandonou para se aliar a Pedro. Eu só queria que parasse. Engoli os comprimidos, buscando um alívio amargo. A escuridão me recebeu. Mas então, uma luz, uma sacudida violenta. Acordei ofegante na minha cama, no meu apartamento antigo. O sol da manhã entrava pela janela, e meu celular vibrava. Era Léo. "Ricardo! Acorda, cara! Você não vai acreditar no que o desgraçado do Pedro Costa fez de novo!" Meu sangue gelou. A data no celular: era o dia do lançamento de "Ecos da Meia-Noite", o dia do prêmio. Eu tinha voltado. Eu tinha recebido uma segunda chance.

Introdução

A música parou, mas os aplausos para Pedro Costa, "Compositor do Ano", ressoavam no auditório, irônicos. O troféu deveria ser meu, e "Ecos da Meia-Noite", a canção vencedora, era minha. Cada nota nasceu em madrugadas insones no meu estúdio, mas Pedro a lançou um dia antes, como sempre.

Por três anos, fui a sombra anônima de Pedro. Ele roubava minhas músicas, lançando-as 24 horas antes do meu agendado, e a indústria me destruiu. A internet me chamava de "ladrão" e "sem talento", e fãs de Pedro me xingavam na rua. Meu gerente, Léo, tentou me defender, mas não havia provas, minhas composições simplesmente surgiam no portfólio dele.

A pressão se tornou insuportável. A gravadora me deu um ultimato, e minha família começou a sentir o peso. Meu pai, um empresário rígido, gastou uma fortuna para limpar meu nome. Ele moveu processos caros que só atraíram mais atenção da mídia, que então publicou histórias falsas sobre seus negócios. A investigação resultante paralisou suas empresas, e o estresse o consumiu.

Uma noite, recebi a ligação do hospital: meu pai sofrera um infarto fulminante e não resistiu. O mundo desabou sobre mim. A culpa me esmagou; minha música, minha carreira, meu fracasso haviam matado meu pai. Minha mãe, antes vibrante, definhou em tristeza. Eu estava no fundo do poço, a música morta em mim.

Numa noite chuvosa, olhei para os comprimidos. A dor era demais: o rosto desapontado do meu pai, a tristeza da minha mãe, a traição de Juliana, minha ex-namorada que me abandonou para se aliar a Pedro. Eu só queria que parasse. Engoli os comprimidos, buscando um alívio amargo. A escuridão me recebeu.

Mas então, uma luz, uma sacudida violenta. Acordei ofegante na minha cama, no meu apartamento antigo. O sol da manhã entrava pela janela, e meu celular vibrava. Era Léo.

"Ricardo! Acorda, cara! Você não vai acreditar no que o desgraçado do Pedro Costa fez de novo!"

Meu sangue gelou. A data no celular: era o dia do lançamento de "Ecos da Meia-Noite", o dia do prêmio. Eu tinha voltado. Eu tinha recebido uma segunda chance.

Capítulo 1

A música parou, mas os aplausos continuaram ecoando no auditório, uma onda de som que me atingia em cheio, mas não me aquecia. No palco, sob as luzes ofuscantes, Pedro Costa sorria, segurando o troféu de "Compositor do Ano". Aquele troféu deveria ser meu. A música que acabara de ganhar, "Ecos da Meia-Noite", era minha. Cada nota, cada palavra, cada suspiro da melodia nasceu no meu estúdio, nas madrugadas insones. Mas, como sempre, Pedro a lançou um dia antes.

Meu nome é Ricardo Alves, e por três anos, fui a sombra anônima por trás do sucesso de Pedro Costa. Ninguém acreditava em mim. Para o mundo, eu era o invejoso, o plagiador desesperado que tentava pegar carona na genialidade de outro. A internet me destruiu. "Ladrão", "sem talento", "aproveitador". As palavras piscavam na tela do meu celular, dia e noite, uma torrente de ódio que transbordava para o mundo real. Fãs de Pedro me confrontavam na rua, me xingavam em restaurantes. Perdi contratos, amigos e a confiança da indústria.

Meu gerente, Léo, um amigo leal, tentou de tudo. Contratou peritos digitais, advogados, mas não havia provas. Nenhum vazamento, nenhum hacker. Minhas composições simplesmente apareciam, polidas e prontas, no portfólio de Pedro, sempre vinte e quatro horas antes do meu lançamento agendado. Era como se ele vivesse no futuro, ou dentro da minha cabeça.

A pressão se tornou insuportável. A gravadora me deu um ultimato. Minha família, que sempre me apoiou, começou a sentir o peso. Meu pai, um empresário rígido do ramo da construção, nunca entendeu completamente minha paixão pela música, mas via o sofrimento nos olhos da minha mãe. Dona Clara, minha mãe, era meu porto seguro. Ela acreditava em mim incondicionalmente.

Para limpar meu nome, meu pai usou seus recursos. Gastou uma fortuna em uma campanha de relações públicas, tentando reverter a maré de negatividade. Ele moveu processos caros contra os maiores portais de fofoca. Foi um erro. A mídia, sentindo o cheiro de sangue, dobrou a aposta. Publicaram histórias falsas sobre os negócios do meu pai, acusando-o de fraude. A investigação que se seguiu paralisou suas empresas. O estresse o consumiu.

Uma noite, recebi uma ligação do hospital. Meu pai sofrera um infarto fulminante no escritório. Ele não resistiu. O mundo desabou sobre mim. A culpa me esmagou como uma tonelada de concreto. Minha música, minha carreira, meu fracasso haviam matado meu pai. Minha mãe, antes uma mulher vibrante, definhou. O brilho em seus olhos se apagou, substituído por uma tristeza profunda e silenciosa.

Eu estava no fundo do poço. A música morreu dentro de mim. O estúdio ficou em silêncio, coberto de poeira. A depressão me envolveu em seu abraço frio. Pedro Costa, enquanto isso, estava no auge, sua foto em todas as capas de revista, sua música em todas as rádios. Minha música.

Numa noite chuvosa, olhei para o frasco de comprimidos na minha mão. A dor era demais. O rosto decepcionado do meu pai, a tristeza da minha mãe, a traição da minha ex-namorada, Juliana, que me abandonou no pior momento para se aliar a Pedro... tudo girava em minha mente. Eu só queria que parasse. Engoli os comprimidos, um por um, sentindo um alívio amargo. A escuridão me recebeu.

Mas então, uma luz. Uma sacudida violenta. Abri os olhos, ofegante, o coração batendo descontrolado. Eu não estava em um hospital, nem no limbo. Estava na minha cama, no meu antigo apartamento. O sol da manhã entrava pela janela, forte e claro. Meu celular vibrava na mesa de cabeceira. Era Léo.

"Ricardo! Acorda, cara! Você não vai acreditar no que o desgraçado do Pedro Costa fez de novo!"

Meu sangue gelou. A voz de Léo, a luz do sol, o layout do quarto... tudo era familiar. Eu olhei para a data no celular. Era o dia do lançamento de "Ecos da Meia-Noite". O dia do prêmio. O dia que marcou o início do fim. De alguma forma, inexplicavelmente, eu tinha voltado. Eu tinha recebido uma segunda chance.

Capítulo 2

O suor frio escorria pela minha testa. Minhas mãos tremiam enquanto eu segurava o celular. A voz de Léo do outro lado da linha era uma mistura de raiva e incredulidade, exatamente como eu me lembrava.

"Ricardo? Você tá aí? O cara lançou uma música chamada 'Sussurros da Madrugada'. É a sua música, cara! A melodia, a letra... ele só mudou o título! Como isso é possível?"

Eu desliguei sem responder. Minha respiração estava curta, presa na garganta. Levantei-me da cama, as pernas bambas. Fui até o espelho do banheiro. O rosto que me encarava era o meu, mas mais jovem, sem as linhas de exaustão e desespero que a tragédia havia gravado nele. Toquei meu próprio reflexo, sentindo a pele, o calor. Era real. Eu estava vivo. Eu tinha voltado.

A sensação de pânico daquele pesadelo que foi minha vida passada voltou com força total. As manchetes, os comentários de ódio, o rosto sem vida do meu pai no caixão, o olhar vazio da minha mãe. Não. Eu não podia deixar aquilo acontecer de novo. Desta vez, seria diferente.

Peguei o celular e liguei para Léo.

"Léo, cancela o lançamento."

"O quê? Ricardo, você ficou louco? A gente precisa lançar! Temos que mostrar que a música é sua, que ele roubou!"

"Não, Léo. Não vai adiantar. Só vai piorar as coisas. Eles vão me acusar de plágio de novo. Vão me destruir. Cancela tudo. Agora."

Houve um silêncio do outro lado. Léo estava chocado. Ele não entendia. Como poderia?

"Ricardo, o que tá acontecendo com você? A gente investiu tudo nisso. A gravadora vai nos matar!"

"Eu não me importo com a gravadora. Confia em mim, Léo. É a única maneira."

Minha voz estava firme, carregada com o peso de uma vida que só eu tinha vivido. Léo, apesar de sua confusão, sentiu minha determinação.

"Ok, Ricardo. Ok. Vou ligar para a gravadora. Mas você vai me dever uma grande explicação."

Desliguei e respirei fundo. O primeiro passo estava dado. Eu havia mudado o roteiro. Mas a imagem de Pedro Costa sorrindo com meu troféu não saía da minha cabeça. Como ele fazia aquilo? Não era um vazamento normal. Era algo mais, algo que desafiava a lógica.

Liguei a TV. Lá estava ele, em um programa matinal, falando sobre sua "nova e inspiradora" composição. Ele falava com uma confiança irritante, descrevendo o processo criativo com detalhes que eram meus, que pertenciam às minhas noites solitárias no estúdio. Ele roubava não só minha música, mas minha alma.

Lembrei-me da primeira vez. Uma canção simples, "Caminhos de Areia". Eu a mostrei apenas para uma pessoa antes de planejar o lançamento: Juliana Mendes, minha namorada na época. Uma semana depois, Pedro Costa lançou uma música idêntica. Na época, achei que fosse uma coincidência bizarra. Depois, aconteceu de novo. E de novo. Cada vez que eu estava prestes a lançar algo grande, ele aparecia na minha frente.

Na minha vida passada, a campanha de difamação não me atingiu apenas profissionalmente. Léo, por me defender com unhas e dentes, também foi manchado. Sua reputação como gerente foi arranhada, e outros artistas começaram a se afastar dele. A gravadora me processou por quebra de contrato e danos à imagem da empresa. Meus pais, ao tentarem me defender, tornaram-se alvos. O império que meu pai construiu com tanto esforço ruiu por minha causa.

Não desta vez. Desta vez, eu não seria a vítima. Eu tinha a vantagem do conhecimento. Eu sabia o que ia acontecer. E eu ia usar isso para proteger a mim e àqueles que eu amava. O jogo havia mudado. Eu não ia mais jogar para ganhar. Eu ia jogar para não perder. E para descobrir a verdade, não importava o quão sombria e inacreditável ela fosse.

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