Essas reuniões da empresa me deixam de cabelo em pé.
A única coisa que ouço são reclamações e queixas; esses velhos esquecem com quem estão lidando. Costumo sentar na cabeceira da mesa; à minha direita fica Romina, minha secretária, e à esquerda, Felipe, esse inútil que tenho a ousadia de chamar de amigo. Passo três horas tentando blindar meu cargo. Meus dias estão escritos numa agenda, programados. Começam com a escolha de um terno e terminam quando eu o tiro.
Chegar ao apartamento à noite e ouvir apenas o murmúrio do motor da geladeira e os miados de Cristóbal marca o fim do meu dia.
Lá eu respiro um pouco: coloco música, encho o prato de Cristóbal enquanto ele corre de um lado para o outro, sobe e desce dos móveis, e abro uma garrafa de vinho antes do jantar.
Deve ser algo já incorporado no meu jeito de ser. Viver de forma rígida. Mas é a vida que escolhi: assumir a rede de hotéis da família. No canto da sala, ao lado da poltrona, está a prova dos meus anos de trabalho. Gosto de me aproximar e olhar para ela de cima: o Monteiro Riviera, a maquete do edifício.
Ninguém acreditava no projeto. Levei dois anos para tirá-lo do papel: conseguir o imóvel, reformá-lo, decorá-lo. Quando finalmente ficou pronto, virou o hotel-marca. Tenho orgulho; ele foi reconhecido no World Travel Awards como o hotel mais luxuoso do mundo.
Minha outra conquista - a maior de todas - é, sem dúvida, Caetano, meu filho. Mas ele mora com a mãe; decidimos que era o melhor quando conversamos sobre o divórcio com Letícia. Foram dez anos de casamento, dez anos de nada. Por isso, assinar os papéis não foi muito difícil para nenhum dos dois.
Na verdade, foi Letícia quem levantou a ideia do divórcio.
Naquela tarde, ela me pediu para ir ao restaurante onde costumávamos almoçar. Cheguei atrasado; sempre havia algo que me retinha. Ela nem se abalou - já estava acostumada. Pedimos café e ela cruzou as pernas antes de falar:
- Quero que a gente se divorcie - pelo menos esperou o garçom se afastar alguns passos -. Faz um tempo que conheci um homem; ele é advogado e trabalha numa empresa de investimentos. A gente tem se visto.
Imaginei que qualquer outro marido no meu lugar, qualquer outro homem, teria se sentido humilhado ou traído. Tomei um gole de café. Embora sentisse uma pontada de inveja, ela havia encontrado alguém que a fazia sentir de verdade. Pensei que, lá no fundo, eu estivesse esperando que isso acontecesse.
- Como você quer fazer isso?
- Isso não te incomoda? Bom, na verdade, nem espero que te incomode - disse ela.
- Não, não me incomoda. Confesso que sinto uma pontada de inveja, mas você merece ser feliz como qualquer pessoa.
O processo foi simples: ela pediu o que lhe cabia - e um pouco mais, também. Eu ia negar isso a ela? Ela é a mãe do meu filho. Combinamos os dias que Caetano passaria comigo, embora fosse morar com ela.
Voltar à vida de solteiro me jogou de volta naquele processo inteiro de conhecer alguém. Aos quarenta e dois anos, isso é tedioso. Você já sabe o que procura, como prefere e o que não aceita. Quero companhia e sexo, sem melodramas e fora do meu apartamento.
Encontrar alguém com a mesma perspectiva é muito difícil. Não me considero um mulherengo nem um machista. Sei que existem mulheres que pensam igual a mim - sobretudo aquelas que estão fartas de mentiras e de relacionamentos que não levam a lugar nenhum. Não sou o tipo de homem que enche a orelha de elogios para conseguir uma transa.
Felipe acha que estou ficando velho e que perdi o tesão. Eu acho que ele é um idiota. Ele é casado, tem duas filhas e uma amante. Acredita nessa história de que homem só é homem de acordo com quantas "descargas" consegue numa semana. A esposa sabe, as filhas sabem, e quem leva a pior é sempre a outra.
Conheço a Renata. Ela trabalha na empresa, no departamento de contabilidade. É jovem e bonita, mas, pelo que parece, não muito esperta. Não é a primeira conquista do Felipe no escritório, mas essa já dura um bom tempo.
A gente se conheceu na faculdade e sempre foi assim com ele. Tem uma necessidade constante de estar cercado de mulheres ou de dormir com elas. Como ele faz isso, presume que todo homem deve fazer o mesmo. E por isso não se cansa de insistir para que eu me apresente a alguém.
Caí duas vezes nas armações dele. Me arrependi nas duas.
A primeira foi uma amiga da esposa. Jantamos num daqueles restaurantes onde até a água custa uma fortuna. Ela chegou produzida como se fosse desfilar no tapete vermelho do Oscar: impecável, altiva e muito bonita. Mas quando abriu a boca, me deixou sem chão.
- Desculpa pelo atraso, mas o trânsito a essa hora é uma merda. O que a gente pede?
Todo o charme daquela aparência não tinha nada a ver com a linguagem ou os modos dela. Ela abriu o cardápio como se fosse um pacote de salgadinho. Não me incomodam palavrões nem gestos bruscos, mas aquele contraste tão marcado realmente me tirou do sério.
Na cama é diferente. Gosto de mandar e ser obedecido; gosto de ouvir gemidos misturados com palavrões. Isso me excita, me deixa fora de mim. Vê-las tentando respirar enquanto me afundo completamente nelas, fazer com que me olhem nos olhos enquanto me chupam.
Quando a levei para o hotel, achei que ela fosse ser tão grosseira na cama quanto na conversa. Mas ela acabou sendo um peixe morto jogado na cama, que só abriu as pernas para mim. Sem emoção, sem excitação. Só sexo porque era o próximo passo. Decepcionante.
De qualquer forma, fiquei duro quando a vi nua. Ela tinha seios grandes, coxas grandes também e uma bunda deliciosa. Quis enfiar um dedo nela enquanto ela ficava de quatro, mas ela se assustou tanto que me apertou com força - e eu gostei. Então continuei tentando, só para que ela continuasse reagindo do mesmo jeito.
Ela me fez gozar assim, sem nem perceber. Pintei as costas dela todinha de branco. Foi aí que soube que não iríamos muito além, porque ela desabou sobre os lençóis, ofegante.
Sou um cavalheiro: não saí correndo depois de transar com ela. Passamos a noite no hotel. Ela, dormindo; eu, me batendo no banheiro para dar vazão ao tesão que ainda me restava.
Na manhã seguinte, a levei para casa e não a vi mais.
Abro a Essenza como sempre, pontualmente às nove. Gosto do ritual de acordar cedo, tomar banho, preparar um café e aproveitar meu tempo antes de sair. Nunca entendi as pessoas que acordam quinze minutos antes de encarar o dia. Eu não consigo; tenho a sensação de estar desperdiçando algo.
Cinco quarteirões separam meu apartamento da loja. Percorro-os toda manhã sem pressa, sem correria, cumprimentando os vizinhos. Quatro em cada cinco dias piso em cocô de cachorro - nunca falha. Por isso, quando termino de levantar a persiana metálica, tiro os sapatos antes de entrar. Já me acostumei a ter sempre um par - às vezes dois - guardado no estúdio.
Tenho uma perfumaria. Uma perfumaria artesanal, e é uma coisa linda. Não porque eu diga, mas porque meus clientes a descrevem assim. Coloquei minha alma em cada detalhe: do beiral pendem frascos de formas e tamanhos diferentes. Adoro como a luz do sol se quebra neles, como se fossem lanternas acesas. Uma passiflora que plantei abrindo o chão da calçada trepa pela vitrine e se enrosca nas vigas do beiral. Ela dá uma flor rara, mas linda - branca e roxa; parece um disco voador ou um mandala vivo.
A Renata me deu a placa dourada que fica pendurada na entrada como boas-vindas: "O lugar onde as lembranças se transformam em aromas".
Só poderia ser a Renata a me dar uma coisa dessas. Afinal, ela sabe melhor do que ninguém como eu cheguei até aqui.
A conheço desde que me entendo por gente. Literalmente: desde o jardim de infância. Tenho mais lembranças na casa dela do que na minha. Márcio e Dalva, os pais dela, me adotaram como se eu fosse mais uma filha. Além de colegas de escola, éramos vizinhas. Eles moravam no segundo andar e eu, com minha mãe, no quinto.
Não quero nem imaginar como teria sido minha vida sem eles. Com certeza um desastre que daria anos de terapia. A Renata e eu nos apoiamos em tudo. Somos daquelas amigas que comemoram até a menor das conquistas, e daquelas que ficam com vontade de matar quando um homem magoa a outra.
É o que acontece comigo em relação àquele infeliz com quem ela está saindo agora: um cara casado. Não porque ele seja casado - não julgo nem dou lição de moral sobre a vida de ninguém -, mas porque o idiota se comporta como namoradinho, sabendo ele, a Renata e todo mundo que nunca vai se separar nem se divorciar. E ela vai lá e se apaixona. E quando ele a deixa na mão, ela fica se sentindo culpada e se questionando.
- Eu sei que tô errada em me envolver com um homem que tem família - ela dizia toda vez que se sentia culpada ou chorava porque ele tinha cancelado em cima da hora.
- Sim, sim, você é uma vagabunda. Já falamos sobre isso. O errado é ele, que não respeita o que tem em casa - costumo responder.
- A mulher me ligou de novo pra me xingar. Me chamou de puta.
Quando inaugurei a loja, ele apareceu com um vaso de planta, me parabenizou e ficou por ali entre as prateleiras, olhando tudo. O vaso eu dei de presente pra minha vizinha de cima. Eu o odeio, simples assim, e tudo que tem a ver com ele me dá repulsa. Talvez eu esteja exagerando, mas a Renata merece algo melhor. Merece ser amada só por alguém, merece ser o centro do universo de alguém. Não a segunda opção de um quarentão que ainda se comporta como se tivesse vinte anos. Mas dizem que o amor é cego - e eu acho que ele também é burro.
Minha mãe foi embora pelo mesmo motivo: amor. É curioso, penso agora, como os aromas que crio para os outros quase sempre têm a ver com o amor ou com a falta dele. Quando fiz dezoito anos, ela se sentou comigo à mesa da cozinha e me disse que havia algum tempo estava se encontrando com um homem que, segundo ela, era bom. Nunca o conheci. No dia seguinte, ela foi embora.
Então, aos dezoito anos, fiquei completamente sozinha. Não pude continuar estudando. A ideia de fazer faculdade foi embora na mala da minha mãe. Tive que trabalhar. E o primeiro emprego que consegui foi numa loja de cosméticos, recomendando perfumes.
Nunca faltei ao trabalho, nem quando estava doente. Fiquei lá por dois anos.
Um dia, Jerônimo, o gerente, veio até mim e disse:
- Lívia, quero te apresentar a alguém. Ele se chama Rogelio e é um maître parfumeur - um mestre perfumista.
Devo ter feito uma cara de quem não estava entendendo nada, porque Jerônimo deu uma risadinha.
- Acho que você tem capacidade pra aprender com ele, pra aprender a fazer perfumes. E aqui, nesse negócio de cosméticos, você tá desperdiçando seu talento.
- Você vai me demitir?
- Demitir você? Tá louca. Você é minha melhor funcionária. Quero que você estude com o Rogelio. Ele já topou. O que você acha?
Isso era muito estranho, porque ele e eu nos trancávamos nos fundos da loja quase todo dia. Tínhamos uma relação estranha, não sei bem como descrever. Ele era muito mais velho do que eu; poderia ser meu pai.
Jerônimo se sentava numa cadeira e eu, na mesa. Eu abria as pernas e me masturbava enquanto ele me observava. Ele nem sequer se tocava, mas o olhar fixo dele nos meus dedos enquanto eu brincava comigo mesma me excitava.
Às vezes eu pedia para ele me tocar, me lamber, qualquer coisa. Ele ficava parado, imóvel, sem dizer nada. Eu queria senti-lo dentro de mim; dava para ver o volume nas calças dele e, só com os dedos, não era suficiente. Eu queria algo duro, quente, úmido. Mas não importava o quanto eu implorasse: ele nunca me deu.
A única coisa que ele fazia, quando eu gozava, era beijar minhas pernas. Acho que era a maneira dele de me agradecer pelo espetáculo.
Eu perguntava por quê. Por que ele não me comia em cima da mesa. Ele sempre respondia a mesma coisa:
- Você é nova demais pra mim.
Naquela época isso me frustrava. Agora eu entendo.
Quando ficava com muita vontade, saía da loja e, em vez de ir para o meu apartamento, passava na casa do meu namorado. Ele certamente desconfiava de alguma coisa, mas também não dizia nada. Eu jantava com ele e com os pais dele e, quando saía para ir para casa, ele me acompanhava.
A gente nunca chegava lá. Sempre acabávamos num beco atrás de uma farmácia. Parada, com o rosto contra a parede, a calcinha nos joelhos e ele me penetrando por trás. Voltava com o rosto sujo de poeira de tijolo e o corpo todo molhado, com os fluidos dele e os meus escorrendo pelas minhas coxas.
A dona Velázquez era uma das minhas clientes habituais. Ela comprava perfumes para si, para a irmã, para dar de presente. Trazia as amigas - quase as arrastava -, mas elas também voltavam. Tinha uma fragrância favorita e, pelo jeito, tomava banho com ela, porque todo dia seis do mês entrava na loja e pedia mais.
- Aquela velha é doida, o que ela vai fazer com tantos perfumes?
- Ela me disse que é o aroma do marido falecido, Renata. Deve espalhar por tudo quanto é lugar.
Eu guardava minha própria lembrança engarrafada, por isso a entendia e me esforçava para torná-la perfeita. A minha era a do meu pai - uma lembrança distante, e eu não podia garantir que fosse exatamente aquele o aroma certo. Mas gostava de pensar que sim.
Não sabia bem como fazia, era algo natural, embora às vezes fosse mais difícil. Como na semana passada: entrou um homem meio estranho, que tinha vindo por indicação de outro cliente. Me disse que queria um perfume que trouxesse de volta a época em que havia vivido perto do mar e da floresta.
Era um trabalho solitário na maior parte do tempo, mas de vez em quando a Renata aparecia para romper aquela bolha de aromas e silêncios. Às vezes trazia café, outras vezes trazia problema - e naquela tarde veio com os dois.
Chegou como sempre fazia: entrou e foi direto para os fundos, sem cerimônia. Tinha aquele sorriso besta de quem acabou de ver o Felipe. Isso me irritava.
- Hoje vim te visitar, mas também pra te fazer uma proposta de trabalho - começou ela, enquanto colocava as xícaras de café na mesa.
- De trabalho?
- Sim, e é ótima. Você vai adorar.
- Vamos ver, do que se trata? - perguntei, curiosa.
Renata e meus perfumes não se encaixavam em nenhuma equação profissional.
- Você sabe que o Felipe trabalha na rede de hotéis Monteiro - ela disse o nome dele e eu travei; é um reflexo que não controlo e que ela percebe -. Antes de você falar alguma coisa, me escuta. Eles terminaram um hotel boutique no centro, vi as fotos e é lindo. A inauguração é na sexta-feira e o Felipe teve uma ideia fora do comum: em vez de uma festa de gala, uma experiência sensorial.
- Ah.
- Sim, já sei o que você tá pensando, mas dessa vez é uma boa ideia de verdade. Vão incluir texturas, comida exótica, efeitos visuais e, claro, aromas. E adivinha em quem ele pensou?
- Vou mandar um lote de aromatizadores de banheiro. Pode dispensar.
- Sabia que você ia dizer alguma coisa assim. Sei que você não gosta dele, mas não dá pra deixar passar só dessa vez? Ele tá animado e não vai te fazer mal ampliar sua clientela.
- Não gosto dele? Isso é pouco. E por que ele mesmo não veio, se é um projeto tão incrível? Não é profissional.
- Porque acha que você vai mandá-lo embora.
- E ele tem razão. Não tenho a menor vontade de facilitar as coisas pra ele, muito menos de ajudá-lo. Tem um monte de perfumistas que podem oferecer a mesma coisa, ou melhor.
A postura da Renata mudou. Ela ficou tensa, endireitou as costas. Durou dois segundos, mas eu vi. Sempre me pegava de surpresa essa coisa dela - como se aquele infeliz fosse a melhor coisa do mundo e ela o defendesse sem precisar abrir a boca. Até a voz estava diferente.
- Você não consegue fazer isso só como um favor pra mim? Você sabe que eu gosto dele, que ele é importante, que gosto de vê-lo feliz.
- Se fosse recíproco, eu não teria problema. Mas não é.
Depois de dizer isso, percebi que estava deixando vazar aquele meu lado mais difícil - e eu tinha jurado e prometido que ia guardar minhas opiniões sobre o Pablito pra mim, pra não magoá-la.
- Vou pensar - acabei cedendo. - Hoje é segunda. A inauguração é na sexta, né?
- Sim.
- Então que ele me traga a proposta como tem que ser. Não vou expulsá-lo à força.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Obrigada, amiga!
Me dava uma certa satisfação vê-lo murchar quando respondia aos meus comentários. E eu ia fazê-lo vir até a Essenza só pra que ele entrasse com aquela mesma postura de quem perdeu o argumento antes de abrir a boca. Porque na minha frente ele não se atrevia a bancar o engraçadinho.
Tenho pena desses meio-homens que só sabem se impor rebaixando os outros, as mulheres especialmente. Quando se deparam com alguém que os enfrenta no mesmo nível, que devolve o olhar esperando a resposta com a mesma frieza, eles murcham.
Na terça-feira, o coitado fez a campainha da porta tocar ao entrar. Eu estava atrás do balcão, terminando de arrumar umas caixas.
- Oi, Lívia.
- Oi, Felipe.
- Trouxe a proposta do hotel boutique - disse ele logo, me mostrando a pasta.
- Entre - apontei para a porta do escritório.
Ele se sentou e me passou os papéis. Li com calma; a Renata tinha razão, era uma boa ideia. Estava bem estruturada, bem detalhada. Eles sabiam exatamente o que queriam, e isso me poupava metade do trabalho. Além disso, não eram muitas fragrâncias: eu só precisava criar a base e o coração e, no mesmo processo, adicionar as notas de cabeça dos aromas.
- O que você achou? - perguntou com um tom formal.
- Tá bom, gostei.
- Que alívio! Esse tipo de hotel é o primeiro que vamos abrir. Queremos nos diferenciar desde o início e, quem sabe, estabelecer uma base para algo novo. Seu trabalho não existe em nenhum outro lugar, pelo menos não do jeito que você faz. Isso nos dá exclusividade.
- Tudo bem, pra mim serve.
- O Dário me deu carta branca pra conseguir o que for necessário. Você só precisa me dizer o que precisa.
- Quem é o Dário?
- Dário Monteiro, o presidente da rede. Ele se envolve em cada projeto, em cada hotel.
- Certo, vou fazer uma lista curta. Tenho a maioria dos ingredientes.
- Obrigado por topar.
- Faço isso pela Renata.
Ele entendeu e não disse mais nada. Saiu do mesmo jeito que entrou.
Pouco depois, minha amiga me ligou pra agradecer como se eu tivesse topado doar um rim pra ela. Suspirei depois de desligar; quando ela falava comigo daquele jeito tão feliz, a culpa me apertava. Não sabia por que me custava tanto fingir que não me importava, por que eu precisava sentir tanta rejeição.
Ela o amava. Ponto.
Reuni os ingredientes: ylang-ylang, lascas de cedro, lavanda, fava tonka.
Um favor para a Renata e o Felipe, mas também uma oportunidade para a Essenza e para mim.