A tela do celular de Pedro acendeu no escuro, revelando uma mensagem de Clara, sua assistente.
"Pedro, você já chegou em casa? Estou com um pouco de medo de ficar sozinha."
Era duas da manhã. Essa mensagem, com seu tom e o horário inusitado, plantou uma semente de dúvida no meu coração.
Peguei o celular dele, sem senha, e lá estava: inocente na superfície, mas a pontada de desconforto era real.
Pedro acordou, me viu com o telefone na mão e, ao ler, dispensou a preocupação com um risinho, chamando-a de "grudenta".
Senti a decepção me invadir e, antes que ele protestasse, liguei para ela.
"Alô? Pedro?", a voz doce e feminina atendeu.
Meu estômago gelou. "Não é o Pedro. É a Ana, a namorada dele", respondi, a voz fria.
Houve um silêncio, seguido por um suspiro surpreso e a tentativa de Clara de se explicar.
Ela desligou rapidamente. Pedro me olhou com irritação, me acusando de fazer "uma tempestade em copo d'água".
Naquele momento, percebi a manipulação, a egoísmo.
A ficha caiu: as desculpas, a distância, ele grudado no celular. Tudo se encaixava em uma imagem horrível.
Não era mais estresse do trabalho.
Era a descoberta de que o homem que eu amava estava me traindo, e a dor e a raiva me varreram.
Eu não era mais a Ana que aceitaria mentiras.
Com o coração partido e a alma em chamas, jurei que ele pagaria por cada lágrima.
O jogo tinha começado, e eu faria as regras.
A tela do celular de Pedro acendeu no escuro, iluminando seu rosto adormecido.
Era uma mensagem.
De Clara.
"Pedro, você já chegou em casa? Estou com um pouco de medo de ficar sozinha."
Eu estava sonolenta, mas essa mensagem me despertou completamente. Meu coração começou a bater mais rápido.
Clara era a assistente de Pedro no restaurante, uma garota jovem que sempre o seguia por toda parte.
Olhei para o relógio, eram duas da manhã.
Respirei fundo e cutuquei Pedro, que dormia profundamente ao meu lado.
"Pedro, seu celular."
Ele resmungou algo, virou-se e continuou a dormir.
A tela do celular apagou, mas minha mente não. A dúvida já tinha sido plantada.
Peguei o celular dele. Não havia senha. Abri a conversa com Clara. Havia apenas aquela mensagem. Parecia inocente, mas a hora em que foi enviada e o tom me deixaram desconfortável.
Pedro se mexeu e abriu os olhos, me vendo com o celular na mão.
"O que foi, Ana?"
"Clara te mandou uma mensagem," eu disse, tentando manter a voz calma.
Ele pegou o celular, olhou a mensagem e deu de ombros.
"Ela é assim mesmo, um pouco grudenta. Não é nada," ele disse com um risinho, como se minha preocupação fosse boba.
Senti uma pontada de decepção. Ele não levou a sério.
"Vou ligar para ela," eu disse, pegando o celular de volta.
Antes que ele pudesse protestar, disquei o número.
O telefone tocou duas vezes antes de uma voz feminina e doce atender.
"Alô? Pedro?"
Meu estômago se revirou.
"Não é o Pedro. É a Ana, a namorada dele," eu disse, com a voz fria.
Houve um silêncio do outro lado da linha, seguido por um suspiro surpreso.
"Ah, Ana! Desculpe, eu não sabia... Pensei que algo tivesse acontecido com o Pedro, por isso mandei a mensagem."
Sua voz soava inocente, mas algo nela me irritava.
"Ele está bem. Está dormindo," eu respondi.
"Ah, que bom... Fico mais tranquila. Desculpe o incômodo. Boa noite."
Ela desligou rapidamente.
Olhei para Pedro. Ele estava sentado na cama, me observando com uma expressão de leve irritação.
"Você viu? Não era nada. Você está fazendo uma tempestade em copo d'água," ele disse.
Seu tom era condescendente. Ele não estava preocupado com meus sentimentos, mas sim com o fato de eu ter pego seu celular e ligado para Clara.
Senti um calafrio. Pedro sempre foi ambicioso e charmoso, um chef de cozinha em ascensão que valorizava sua imagem acima de tudo. Mas agora, eu via um lado dele que não conhecia: manipulador e egoísta.
De repente, lembrei-me das últimas semanas. Ele estava chegando mais tarde do trabalho, sempre com a desculpa de que o restaurante estava muito movimentado. Estava mais distante, mais grudado no celular.
Quando eu perguntava, ele sempre dizia que era estresse do trabalho.
Eu acreditei.
Agora, a peça que faltava no quebra-cabeça parecia ter se encaixado, e a imagem que se formava era horrível.
No dia seguinte, a tensão entre nós era palpável. Fui ao restaurante para almoçar com Pedro, uma tentativa de normalizar as coisas.
Clara estava lá, é claro.
Quando me viu, ela abriu um sorriso largo e veio em minha direção.
"Ana! Que bom te ver aqui."
Sua falsidade me enojava.
"Clara, podemos conversar um instante?" eu a chamei para um canto.
Ela me seguiu, com uma expressão confusa e inocente no rosto.
"O que você quer com o Pedro?" fui direto ao ponto.
O rosto dela ficou vermelho.
"Do que você está falando? Eu... eu só admiro o Chef Pedro. Ele é meu mentor."
"Mandar mensagem para o seu mentor às duas da manhã não me parece admiração profissional," retruquei.
Lágrimas começaram a se formar nos olhos dela. "Você entendeu tudo errado. Eu só estava preocupada..."
Naquele exato momento, Pedro saiu da cozinha.
"O que está acontecendo aqui?" ele perguntou, vendo o rosto choroso de Clara.
Clara correu para o lado dele, como um filhote assustado.
"Chef Pedro... A Ana... ela acha que eu estou tentando te seduzir," ela soluçou, escondendo o rosto em seu braço.
Pedro suspirou e olhou para mim com uma mistura de cansaço e carinho forçado.
"Ana, querida, já conversamos sobre isso. Clara é só uma garota. Não seja tão dura com ela."
Ele disse isso na frente de outros funcionários, que agora nos olhavam curiosamente. Senti meu rosto queimar de humilhação. Ele estava me tratando como uma namorada ciumenta e irracional.
"Eu só quero almoçar em paz," eu disse, a voz tensa.
"Ótimo. Clara, por que não almoça com a gente?" disse Pedro, sorrindo para ela.
A raiva subiu pela minha garganta. Era um teste? Uma provocação?
"Não, obrigada. Perdi a fome," eu disse, pegando minha bolsa.
A atmosfera ficou pesada. Pedro me olhava, esperando que eu cedesse. Clara continuava com sua atuação de vítima, olhando para mim com os olhos marejados.
Eu me senti uma idiota por ter vindo. Era óbvio que eu não era bem-vinda ali, não mais.
Saí do restaurante sem olhar para trás, sentindo os olhares de todos nas minhas costas.
A imagem de Pedro defendendo Clara, de sua mão pousada de forma protetora no ombro dela, ficou gravada na minha mente.