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Meu Amor Bandido

Meu Amor Bandido

Autor:: Ieda Lemos
Gênero: Romance
"Vadia, vocês mulheres são como cadelas no cio! Vem! Vou te foder do jeito que você gosta!"- Octávio falava olhando a garota de programa gemer na sua frente, diante dos olhos curiosos dos seus seguranças " Um jogo de interesses financeiros, sexo, sedução e um grande amor, em meio a tudo isso, lutando para sobreviver. Nina usa a máscara de moça doce e indefesa, mas não passa de uma mulher fria e sanguinária. E no meio desse terrível mundo da Máfia, ela se apaixona pelo homem errado!" Proibida de amar o inimigo do seu pai, Nina cai nas mãos de um terrível e irresistível homem sedutor e inescrupuloso! O que seria pior, a vingança dos Sorrentinos, representada por Valentim ou se tornar escrava sexual de Octavio?

Capítulo 1 O Inicio de tudo

" Vadia, vocês mulheres são como cadelas no cio! Vem! Vou te foder do jeito que você gosta!"- Octávio falava olhando a garota de programa gemer na sua frente, diante dos olhos curiosos dos seus seguranças "

Um jogo de interesses financeiros, sexo, sedução e um grande amor, em meio a tudo isso, lutando para sobreviver.

Nina usa a máscara de moça doce e indefesa, mas não passa de uma mulher fria e sanguinária. E no meio desse terrível mundo da Máfia, ela se apaixona pelo homem errado!"

***

Não é só a história de um apresentador jornalista investigativo que instiga a polícia e autoridades a tomar providências contra a máfia no Brasil, tinha um interesse pessoal e Don Salvatore percebia isso, o que ele não conseguia ver, era que a única filha delirava, há anos pelo seu maior inimigo diante da tela da tv.

Mas que segredo existia entre esses dois homens? O que os leva a criar uma rivalidade tão grande?

Vamos então descobrir se o amor determinado de Nina pode curar essas feridas e se esse segredo é capaz de ser perdoado e principalmente, se essa doce bambina conseguirá esconder de Valentim e Salvatore o seu segredo obscuro que corre despercebido pelas cúpulas mafiosas que existem em volta do seu amado pai, e o homem de confiança a quem ela tem como aliado, também tem os seus segredos que o trouxeram da Itália para se infiltrar na casa de Salvatore.

***

Salvatore analisava a sua situação, enquanto assistia ao jornalismo na TV.

- Esse Valentim é o meu pior pesadelo! Se tem um inimigo perigoso para os meus negócios, ele se chama Valentim Dourado.

Gioconda concordava com a cabeça, enquanto observava a filha concentrada no notebook.

- Nina, não está na hora de ir para a faculdade?– a voz de Gioconda deixava transparecer preocupação e impaciência.

- Não estou afim - a moça respondeu naturalmente, sentada ao sofá, sem tirar os olhos do aparelho no colo.

- Como assim Nina, não vai hoje? Tem que frequentar a faculdade!- Gioconda insistiu com voz alterada.

Nina respondeu prontamente:

- Isso mesmo, mamma! Frequentar não precisa ser todos os dias!

Gioconda pôs as mãos na cintura e começou a falar nervosa:

- Eu não estou acreditando numa coisa dessa!

Nina fechou o notebook e disse:

- Mamma, você falou para frequentar a faculdade, para levar uma vida normal e não parecer suspeito. Então, faço tudo que os outros fazem!

- E o que pretende no futuro, hein Nina? - Gioconda quis saber.

- O mesmo que vocês!- Nina deu de ombros e respondeu subitamente:

- E o que nós fazemos?- Gioconda indagou curiosa.

A moça pronunciou sem que o som saísse dos seus lábios:

- Máfia!

Gioconda ficou boquiaberta e virou-se para o marido que estava distraído olhando para a TV.

Nina já tinha 22 anos e desde pequena já tinha noção do trabalho do pai. Sempre acompanhou todo o movimento ali, o entra e sai de pessoas no escritório do mesmo.

No começo, ela achava aquelas figuras muito estranhas, alguns cabeludos, outros muito tatuados, depois ela foi acostumando com os rostos e os recebe hoje com naturalidade.

Nina chegou ao Brasil com dois anos de idade, há 20 anos. O seu seu pai veio morar no Rio de Janeiro, escolheu morar na cidade maravilhosa, pois o mundo inteiro conhece o lado belo desta cidade, mas Salvatore não escolheu essa cidade à toa, ele foi orientado pela organização a que pertencia na Itália. chegando aqui, montou seu próprio exército. Hoje ele é Don Salvatore.

Os Bergamaschi eram perseguidos pelas autoridades italianas, depois de entrar em atrito com outra organização, onde uma família foi totalmente dissipada. Os Sorrentinos estavam a se vingar de todos que participaram de alguma forma daquela chacina e a família de Salvatore Bergamaschi se viu no meio do fogo cruzado. Já havia perdido parte da sua família por conta daquela briga entre as máfias inimigas e pediu ajuda para sair do país com o que sobrou do que podia chamar de sua linhagem. Partiu para o Brasil com a esposa, a filha de apenas dois anos e a sogra viuva.

Salvatore chegou de navio e já era esperado por alguns homens que mantinham contato com a máfia italiana a que fazia parte e foi morar num sítio, mas astuto como ele só, deu cabo dos homens que lhe acolheu e se apossou das terras. Logo conquistou a confiança de alguns homens que, por acreditar que ele era importante na Itália, se uniram a ele, fazendo-o crescer nos negócios escusos, onde tinha longa experiência. Na verdade, na Itália, Salvatore era apenas um dos capachos do poderoso Don Paolo Vincenzo, atuava mais como motorista, o que não deixava transparecer aqui no Brasil. Ele fingia estar em contato com a alta cúpula da máfia italiana e assim foi passando o tempo, até que se tornou poderoso e respeitado.

Entrava e saia de lugares luxuosos como se fosse uma figura política, importante, influente, mas era o seu alto padrão de vida que lhe proporcionava muita bajulação. Pagava sempre com dinheiro vivo e causava admiração a todos.

Viajava sempre na primeira classe, mas não passava nem perto do seu país de origem.

Nina parecia uma boneca de luxo. Tinha tudo o que desejava. As amigas da faculdade queriam andar no seu carro possante. Ela tinha pouca paciência com bajulações e não conseguia se interessar por nenhum garoto da sua idade.

Salvatore gostava do jeito da filha, não precisava se preocupar com quem ela estava se envolvendo e pensava que quando tivesse tempo, iria apresentá-la a alguém de confiança que naturalmente estivesse envolvido nos mesmo negócios que ele.

- Nina, ouça a tua madre e vá para a faculdade, como faz todas as moças da tua idade, ham? Dio mio!- Era nonna Giulia Ruggiero. Italiana de pulso firme, a quem Nina tinha muito respeito.

- Nonna, me deixe ficar em casa!- Nina implorava a avó.

- Giannina!- Nonna Giulia falava apontando para a escada já alterando a voz e não conseguia mais falar uma só palavra em português.

Nina subiu as escadas levando o notebook debaixo do braço, pisando firme sem olhar para trás.

Nonna Giulia respirou fundo antes de se retirar para a cozinha, onde chegou dispersando as criadas.

- Vai, andare! Si occupa de outras coisas que io vai cuidar dessa massa!- Giulia falava gesticulando muito e se esforçava para falar a língua da terra que pisava.

As duas criadas saíram resmungando e Giulia ouviu elas comentarem que Nina devia ter deixado a avó nervosa.

Nonna Giulia tinha os olhos muito vivos castanhos claros que brilhavam de nervoso naquele momento. Era uma mulher de quase setenta anos e muito bonita ainda. A neta se parecia muito com ela. Nina desde pequena era muito ligada à avó.

As duas eram elegantes, tinham cabelos castanhos claros e longos. Nina um pouco mais, pois usava tonalizantes e podia-se dizer que era quase loira.

Nonna Giulia usava os cabelos presos numa presilha de pedras que custavam uma fortuna, mas era só isso que lhe deixava elegante. Usava vestidos finos o dia inteiro e estavam sempre sujos de farinha, porque sempre estava a mexer na cozinha.

Como boa italiana, gostava de preparar massas e molhos. Servia o almoço e só depois se sentava à mesa e queria saber se a comida estava boa e ai de quem falasse que não.

Giulia estava preocupada com a neta, pois estava se tornando rebelde. Passou pela adolescência sem lhe dar qualquer trabalho, mas agora, ainda que tardia, estava a lhe deixar fora de si.

Gioconda percebeu que a mãe estava agitada na cozinha e foi acalmá-la.

Depois de dar uma volta ao redor da mesa, começou a interrogar Giulia:

- O que houve mamma? Por que expulsou as criadas da cozinha? Elas não lhe servem mais?

Nonna Giulia virou-se nervosa, deixando a massa descansar na mesa e começou a falar sem parar:

- Não percebe, filha mia? Nina não está bem! Precisa fazer algo filha!

Gioconda franziu a testa e cruzou os braços curiosa dizendo:

- Mamma, o que está querendo dizer?

Giulia olhou fixamente nos olhos da filha e respondeu:

- Nina precisa casar! Fala com tuo marido para arranjare um casamento urgente para ela, han?

Capítulo 2 Nina se recusa a casar

Gioconda cobriu a boca com uma das mãos porque a outra estava segurando o peito.

- Mamma, mas que ideia estapafúrdia é essa! Minha bambina ainda é muito criança mamma!- ela dizia assustada.

Giulia franziu a testa e espalhou as mãos na mesa, cheia de farinha e pôs-se a abrir a massa resmungando:

- Está louca Gioconda, louca, hein! Pois se a tua bambina já tem vinte e dois anos! E tu que questa idade já era madre há mui tempo, hein!

As duas começaram a falar e misturar os idiomas, nervosas até que a discussão trouxe Salvatore para a cozinha.

- Mas o que está acontecendo, hein! Loucas, estão loucas! Parem com isto, per favore!- ele falava alterado e gesticulando muito.

Gioconda abraçou o marido falando com voz chorosa:

- É Nina, amore! Mamma acha que Nina tem que casar! Absurdo isso!

Salvatore olhou sério para a sogra e afastou a esposa assustado.

- Sério isso mamma! A minha bambina está pronta para casar?- ele falava andando na direção da sogra que manuseava a massa descarregando nela a sua aflição e falando com voz alterada:

- Si Salvatore, si! A tua bambina tem que casar, pois a ragazza cresceu sem que ninguém percebesse, han?

Salvatore segurou o queixo pensativo e depois saiu em silêncio.

Gioconda acompanhou o marido com o olhar, depois virou-se para a mãe e põe-se à falar sem parar:

- Viu mamma, viu o que fez? Pois Salvatore vai casar a minha bambina com um desses homens perigosos, ô Dio mio!

Giulia começou a cortar a massa em várias partes, enquanto falava reprovando a filha:

- Homens como ele, filha! Como ele! Pois se tu não casaste sabendo quem ele era, han! Eu tentei abrir os teus olhos, adiantou?

Gioconda rebateu imediatamente chorando:

- Mai io tinha só dezoito anos, mamma! E eu me arrependo tanto mamma, tanto! E eu perdi o mio papá por causa dele! Por causa daquela chacina, mamma!

As duas se abraçaram e choraram com a mesma dor.

Nem mesmo depois de vinte anos elas deixaram de sentir a dor das perdas que foram obrigadas a guardar no peito. Mesmo quando Gioconda contou para Salvatore que estava grávida, ele ainda esperou a filha completar dois anos e só então decidiu sair da Itália antes que toda a sua família se dissipasse.

Salvatore voltava para a sala quando viu Nina descendo as escadas, pronta para ir à faculdade.

Ele olhou para a filha como se só agora tivesse percebido que ela cresceu.

- Filha mia!- ele exclamou indo encontrá-la ao pé da escada.

Nina sentiu o abraço caloroso do pai e ficou paralisada sem compreender o que acontecia.

- Papá, o que passa? Por que estás assim papá?- ela indagava sentindo-se comprimida nos braços fortes de Salvatore

- Ma io non tinha percebido que a mia bambina cresceu, han!

Nina sabia que quando Salvatore começava a misturar os idiomas é porque estava nervoso.

Ela se afastou e olhou nos olhos dele tentando compreender.

- Que passa papá?- ela insistiu.

Salvatore sacudiu a cabeça e se afastou sorrindo, ansioso, nervoso e feliz ao mesmo tempo.

Nina acompanhava o pai com o olhar, enquanto percebia que ele escolhia as palavras para falar, como se acabasse de chegar ao Brasil e não soubesse falar a língua mãe daquele lugar. Era sempre assim, quando os seus pais ou a sua avó ficavam muito nervosos, só conseguiam falar em italiano e isso sempre a deixava tensa.

- figlia mia, tuo padre ti sposerà con un brav'uomo!

Nina ficou boquiaberta por um instante depois gritou:

- Não!

Salvatore desmanchou o sorriso instantaneamente.

Nina começou a andar em círculo em volta do pai falando sem parar:

- Não vai me casar com quem quer que seja! Não quero papá, não quero! Eu fujo de casa, mas não caso, não caso!

Salvatore segurou a filha pelos braços sorrindo e falando nervoso:

- Figlia mia, si! Ti sposerò con un bell'uomo!

- Não papá!- Nina gritou livrando-se das mãos do pai. Depois virou-se e continuou a falar com voz cansada e chorosa:

- Não vou me casar com homem nenhum! Não pode me obrigar!

Salvatore franziu a testa sem entender. Sempre achou que quando chegasse aquele momento seria fácil.

- Não quero homem nenhum- Nina disse olhando para a televisão que ainda passava o noticiário e Valentim Dourado, repórter investigativo, aparecia dividindo a tela com outra imagem numa delegacia.

Seu coração suspirou e seus lábios quase lhe traíram num sorriso. Os seus olhos brilharam e ela elevou a mão ao peito.

Salvatore olhou para o aparelho e foi desligá-lo irritado.

- Esse infeliz não para de falar!- ele desabafou.

Nina piscou quando a imagem do jovem elegante sumiu.

Salvatore voltou da pequena sala conjugada a sala se estar, ainda insistindo no assunto que deixou a filha transtornada:

- Se a tua nonna disse que tu precisa casar, Giannina, é per que tu precisa, capisce?

Nina virou-se para responder e deu de cara com duas italianas agitadas vindo da cozinha, então suspirou olhando para o teto e deu a volta novamente no corpo para se retirar às pressas dali.

- Giannina! Giannina!

Nina ignorou os gritos da sua avó e apressou o passo. Entrou no seu carro conversível vermelho e partiu. Abriu o vidro e deixou o vento soprar os seus cabelos longos e castanhos bem claros. Os olhos cheios de lágrimas e a revolta lhe impulsionaram a parar num posto de combustível e entrar numa loja de conveniência.

Ali também tinha uma televisão ligada no mesmo canal de notícias e ele estava lá.

Valentim Dourado, o homem por quem o seu coração batia mais forte. Não era de hoje que o admirava.

Valentim era alto moreno bronzeado, tipicamente italiano. Nina sorriu segurando o copo de refrigerante na mão e meneou a cabeça pensativa: " italiano, não pode ser!"

Ela olhou fixamente para rapaz falante e seu coração disparou com um pensamento: " papá nunca me deixaria casar com ele!"

Nina olhou para algumas pessoas que assistiam Valentim com admiração e sorriu.

- Ele é incrível!- disse sem querer.

Um rapaz olhou rapidamente para ela e respondeu:

- Ele é fantástico! Vai ajudar a polícia a desvendar essa máfia italiana nojenta que se infiltrou no nosso país!

Nina ficou boquiaberta, estática por um instante e começou a ouvir vários comentários de outras pessoas ali presentes, então se levantou e se dirigiu lentamente para o caixa, pagou a conta rapidamente e saiu ainda ouvindo os burburinhos.

Ela andava depressa, mas parecia não parar de ouvir aquelas pessoas atacando instintivamente o seu pai: o poderoso Don Salvatore.

Nina chegou à faculdade finalmente. Sentou-se no seu lugar de costume e assistiu às aulas, quieta e absorta em seus pensamentos.

Meneava a cabeça por vezes se lembrando do pai avisando que lhe arranjaria um bom casamento, como se ela não fosse capaz de escolher com quem gostaria de passar o resto da sua vida.

Suspirou triste ao ver os colegas saindo da sala para o intervalo, todos agitados e famintos, muitos deles voltavam de um dia cansativo de trabalho.

- Nina, vamos comer alguma coisa?- Era Cinthia sua única companheira.

Os olhos da amiga brilhavam e o sorriso fácil lhe contagiou e Nina saiu puxada pela mão.

Parecia ouvir a nonna falar: "cuidado com amigos, não pode deixá-los saber da nossa vida!"

Cinthia era alegre e bonita. Os cabelos negros e longos. Vestia-se muito bem e era muito educada. Nina sabia que se tratava de uma moça rica como ela e que não lhe deixava aborrecida querendo lhe bajular como as outras.

As duas sentaram-se numa cantina e Cinthia foi direta:

- Fala Nina! O que está te deixando assim, aflita!

Nina baixou a cabeça e ficou pensativa por alguns instantes, não sabia até que ponto podia confiar na amiga.

- Está apaixonada pelo cara errado?- Cinthia arriscou curiosa.

Nina suspirou e respondeu:

- Ele é o cara certo!

Cinthia ergueu as sobrancelhas deixando Nina sem graça.

- Qualquer mulher o amaria, é isso!- ela disse se ajeitando na cadeira.

Cinthia sorriu antes de falar:

- Falando assim até parece que ele é um desses galãs de televisão!

- E é...- Nina disse suspirando olhando para o nada.

Cinthia ficou preocupada e começou a falar:

- Nina! Ei, calma! Você está me assustando! Você não é assim! Esse cara te deixa frágil!

Nina voltou a realidade e esboçou um sorriso malicioso, então disse, apoiando as mãos na mesa:

- Ninguém me deixa frágil! Eu o faria render-se aos meus pés!

Cinthia ficou boquiaberta por um instante, depois quis saber:

- E porque não o deixa logo aos seus pés, garota, do jeito que estou vendo, ele vai te domar!

Nina fechou o semblante e disse num fio de voz:

- Ele não sabe que eu existo!

Cinthia piscou algumas vezes e sorriu.

- E o que está esperando para surpreendê-lo?- ela quis saber.

Nina passou a mão pelos cabelos confusa, sem saber explicar aquela sua insana paixão.

- Digamos que ele seja algo inatingível para mim, é isso!- ela disse, evitando o olhar da amiga.

- Inatingível para a poderosa Giannina? Duvido!- Cinthia brincou.

Nina olhou para o relógio de parede e se levantou subitamente.

- Vamos voltar para a sala, Cinthia!- ela disse ofegante.

A amiga saiu atrás ainda falando zombeteira:

- Então o negócio é sério! A minha amiga poderosa está caidinha por um homem misterioso, lindo e possivelmente casado.

Nina parou, virou-se assustada para a amiga e disse:

- Casado! Meu Deus, não sei se ele é solteiro!

Cinthia desatou a rir cobrindo a boca com uma mão e saiu empurrando Nina para a sala, enquanto dizia:

- Vamos logo! Estou lhe assustando! Ele é só um jovem bonito, inteligente e astuto!

Nina parou novamente virando-se para a amiga. Estava cada vez mais assustada com a destreza de Cinthia.

- Como sabe de todas essas coisas?- ela indagou nervosa.

Cinthia riu antes de responder:

- Que ele é bonito e inteligente?

- Sim, e astuto!- Nina completou.

Cinthia abraçou a amiga, brincalhona e depois se afastou dizendo:

- Amiga, não seria qualquer um que conquistaria esse coração forte e indomável que você tem, esse homem deve ser muito especial.

- E perigoso - Nina disse pensativa.

Cinthia se sacudiu falando, enquanto empurrava a amiga novamente:

- Por que você o ama? Ora Nina, os homens são perigosos, mas nós mulheres somos muito mais.

Nina se deixou levar e apenas assentiu com a cabeça.

As duas se despediram ao final da aula e Nina saiu com o seu carro vagando um pouco pela cidade.

Capítulo 3 O outro lado

Nina chegou em casa tarde e para sua surpresa, todos dormiam com exceção dos muitos seguranças da mansão. Ela subiu as escadas tranquilamente e respirou aliviada. A última conversa com o pai não tinha sido fácil.

Abriu a porta do seu quarto e estranhou a luz acesa.

- Nonna!- exclamou.

Giulia levantou-se da cama e foi abraçar a neta.

- Abraça a tua nonna e vai ficar mais calma, hein?- ela disse carinhosa.

Nina quase chorou naquele abraço. Precisava tanto que alguém soubesse o quanto estava se sentindo infeliz com o ultimato do seu pai.

Giulia se afastou afagando os cabelos da neta e disse emocionada:

- Ma io acho que tu precisa casar Nina! Má io acho que tu tem que casar com um noivo igual a tua mamma, capisce?

Nina assentiu com a cabeça e sentou-se à beira da cama trazendo a sua avó com ela.

- Nonna, eu amo um homem que non é mafioso! Mas non é nem um poco nonna!

Giulia sabia que a neta não gostava de falar a língua italiana e quando começava a misturar os idiomas é porque estava nervosa, então a abraçou tentando acalmá-la.

- Si, si amore, io sei, io acredito em tu Nina!

Nina suspirou e se afastou secando as lágrimas.

- Me deixa no meu canto, nonna, me deixa amar este homem do meu jeito! Eu não estou fazendo mal para ninguém! Nem mesmo para ele, nonna! Ele nem mesmo sabe do meu amor!

Giulia sorriu e brincou:

- Estás apaixonada por um desses belos de novela?

Nina cobriu a boca, riu achando graça e mentiu:

- Si nonna, como és inteligente!

Giulia sorriu satisfeita.

- Ma io sou muito mesmo! Tu madre nunca mi enganou quando ficou enrabichada pelo tu padre, han?

Nina segurou as duas mãos da avó e disse sorrindo:

- Me diga, nonna! Como a minha mãe se apaixonou pelo meu pai.

- Ma foi una coisa orríbile! O teu nonno ficou louco. Imagina ter una filha apaixonada por um mafioso! E olha que tu padre só era um motorista de Don Paolo Vicenzo, han? Ele se dizia mafioso, achava bonito e foi por isso que fomos perseguidos por aquela organização mafiosa!

Nina ouvia admirada a avó narrar.

- Minha mamma ficou cega pelo papá, nonna?- ela quis saber.

Giulia respondeu rapidamente:

- Si, e non ouvia ninguém! Teu nonno quase infartou.

- Mas ele infartou, não foi nonna?- Nina indagou curiosa.

Giulia ficou confusa, nunca contou a verdade sobre a morte do seu marido, nunca deixou a neta saber que ele fora morto por causa da vingança entre as duas máfias italianas, assim como os irmãos de Salvatore e os pais e foram tantas mortes, até que um dia ela percebeu que estava sendo seguida quando passeava com Nina, ainda bebê.

As lembranças vinham fortes para Giulia e pareceu viver no passado novamente. A sua voz voltava a sua mente no dia em que falava com o genro:

- Vai esperar o quê, Salvatore? Alguém tirar a vida da sua filha? Vamos embora desta terra maldita!

Salvatore passou a mãos pelos cabelos impaciente e disse baixinho:

- Nunca matei ninguém, mamma! Sou apenas motorista! Não sou mafioso!

Giulia apertou os olhos e deu alguns tapas nos ombros do genro falando nervosa:

- Ma io sempre soube disso, han! Tuo só engana Gioconda!

Giulia olhou para a neta e não via mais motivos para esconder a verdade dela, então disse:

- Teu nonno foi vítima de vingança, come questo, tutta la nostra famiglia.

Nina baixou a cabeça e ficou em silêncio digerindo todas aquelas informações.

Giulia falava sem parar, olhando a neta deslumbrada com tanta história da terra da qual não se lembrava, de onde veio tão pequena.

- E tua mamma tem muito medo de tu seguir o mesmo destino, han! Má tu tem que casar Nina, ma io sinto isso no mio coração, aqui dentro, capisce?

Nina baixou a cabeça e lembrou-se de Valentim. Suspirou deixando a paixão soprar de dentro do seu peito o quão grande e platônico era aquele amor.

Não podia contar para a avó sobre o seu amor, afinal ele era o maior inimigo do seu pai.

Giulia sacudiu a neta para que ela lhe escutasse:

- Nina, você já cresceu, não pode ficar a sonhar com moços belos da tela, han! Tem que casar, ter o seu marido.

Nina ergueu os olhos para responder com mágoa:

- E deixar o meu pai escolher um maldito mafioso como esposo? É isso que quer pra mim, Nonna?

Giulia suspirou e disse se levantando, enquanto soltava as mãos da neta:

- Non tem outro jeito Nina! Se tu escolher outra persona fora de la organizzazione, pode nos levar la morte!

Nina engoliu em seco e não disse nada, apenas acompanhou os passos da avó com o olhar. Então se deixou cair sobre o seu leito macio e fechou os olhos pensando em Valentim.

- Você ainda vai ser meu!- disse para si mesma, entre um sorriso e ao mesmo tempo um medo terrível de ter que tirá-lo do coração. Ele estava ali há tanto tempo que nem se lembrava desde quando o viu pela primeira vez na televisão. Nina passava na frente do aparelho e pensava que ele falava com ela. Ela parava e ficava o olhando muito tempo por trás da poltrona do pai, até que Salvatore se aborrecia e desligava a televisão, deixando-a desolada.

Depois de um tempo, ela pediu ao pai que lhe comprasse uma TV para o seu quarto e nunca mais precisou depender de ninguém para assistir ao seu amado.

Valentim, repórter investigativo, cobrava sempre das autoridades uma ação mais enérgica contra o tráfico que italianos patrocinavam no Brasil. Ele dizia que a máfia italiana estava instalada no país. Citava o nome de Salvatore sempre que uma reportagem falava desse assunto. " Todos sabem que Don Salvatore veio para o Brasil na intenção de se esconder das autoridades italianas. Ele era investigado há vinte anos, como podem esquecer desse homem inescrupuloso!"

Nina suspirava ouvindo-o falar. Não se magoava pelo que ele dizia do seu pai, pois era isso mesmo que Salvatore era. O que queria era poder ver o seu amor ali falando o tempo todo.

Valentim devia ter os seus trinta e cinco anos e Nina já percebeu que ele não usava aliança. Já estava decidido no seu coração que seria ele o homem com quem ela se casaria um dia.

Já era tarde quando Nina levantou e viu pela janela do seu quarto, o carro do pai saindo.

Entrou no closet e saiu vestida de calça colada na pele e blusa de mangas longas, tudo na cor preta. Ela saiu do quarto, foi na direção de uma janela no final do corredor e abriu. Em seguida desceu por uma corda presa à parede externa.

Quando alcançou o chão, um homem de cabeleira farta a esperava com um capacete na mão.

- Luca, vamos rápido!- ela disse, pegando o capacete.

Os dois sumiram no meio da escuridão do jardim e saíram por uma passagem secreta que ficava entre uns arbustos encostados no muro e a parte externa do mesmo.

Havia uma porta de ferro e Luca tinha a chave. Ele era o homem de confiança de Salvatore e cúmplice de Nina. Uma moto estava estacionada do lado de fora, Nina montou nela e sumiu em alta velocidade.

Luca a acompanhou com o olhar e em seguida voltou para dentro da casa.

Nina estacionou a moto no acostamento da estrada e a arrastou para um lugar seguro onde podia observar a cena em que Salvatore saía de um depósito, numa parte isolada dos arredores da cidade.

Ele vinha acompanhado de quatro homens, todos de terno preto. Ela sempre estava acompanhando os negócios do pai. Daquela mesma forma, se fazendo invisível.

Salvatore carregava uma mala na mão. Ela viu ele entrar no carro e sair. Ficou um pouco ali e percebeu uma movimentação estranha. Se aproximou por entre o mato rasteiro e deslizou até a parte de trás do galpão.

Haviam dois homens fazendo a segurança do lugar. Ela ficou observando até que saiu de lá dois homens conversando. Ela conseguiu ouvir a conversa, pois o silêncio ali era muito grande:

- Amanhã ele vem buscar o resto e vamos surpreendê-lo!- um deles disse acendendo um charuto.

O outro sorriu e cuspiu no chão.

Nina franziu a testa e segurou a sua arma contendo o desejo de descarregar toda a sua munição neles dois.

Os homens conversaram um pouco e entraram.

Nina se afastou sorrateiramente e voltou a sua moto que estava próxima da estrada.

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