Belly
A vida nunca foi simples para mim. Tudo parecia um emaranhado de problemas, contas acumuladas e a luta constante para não deixar nossa casa desabar com as dificuldades. O salário do meu pai mal cobria o básico; faltava dinheiro para a comida e, principalmente, para os remédios de que ele tanto precisava. Eu só havia ido àquela festa porque minhas amigas insistiram até eu ceder. Foi lá que cruzei o caminho de Mário Bros, o homem que bagunçou completamente minha vida e, mais tarde, arrancou de mim a pessoa que eu mais amava.
Naquele tempo eu tinha vinte e cinco anos. Cabelos castanhos escuros, olhos verdes herdados da minha mãe. Meu pai sempre dizia que eu era tão bonita quanto uma flor e que minha força e determinação eram o que nos mantinham de pé. Ele nunca esteve errado. Mas a verdade é que eu carregava ressentimentos profundos: o abandono da minha mãe, a responsabilidade precoce de criar minhas irmãs e, quando meu pai adoeceu e deixou de trabalhar, tudo ficou ainda mais pesado.
Viver numa comunidade pobre, sem acesso a uma educação adequada e tentando competir por vagas em concursos era um desafio que parecia inalcançável. Eu estudava com o ensino fundamental incompleto e trabalhava o que podia para manter nossa casa funcionando.
Quando Mário me perguntou minha idade, menti. Disse ter dezoito. Acabamos saindo algumas vezes. Ele era do tipo que chamava atenção só pelo olhar, bonito, educado, cursando Direito, o tipo de homem que faz qualquer mulher suspirar. Mas escondia um lado que poucos conheciam... ou talvez preferissem ignorar. Sua família, rica e influente, podia comprar qualquer coisa: favores, reputações... até silêncio.
No fundo, Mário não passava de um playboy egoísta. E eu, ingênua, não percebi que, desde o início, ele só queria se divertir às minhas custas. Foi com ele que vivi minha primeira vez, e naquela noite eu realmente acreditei que estava vivendo algo especial. Suas palavras, tão doces e convincentes, eram somente máscaras.
Apesar disso, a família dele chegou a me aceitar... até descobrirem quem eu realmente era. Quando souberam que eu vinha da periferia e de uma família pobre, passaram a me tratar pior do que tratariam um animal abandonado.
Completei dezoito anos empolgada, feliz por finalmente terminar meus estudos. E foi justamente quando criei coragem para contar que faria o ENEM e tentaria uma bolsa na faculdade que tudo desmoronou. Aquele dia se transformou no pior da minha vida. Ele me acertou um tapa tão forte que minha pele queimou e senti o gosto metálico do sangue causado pelos anéis de prata em seus dedos.
- Você não vai - ele rosnou.
- E ponto final.
Ainda tremendo, ouvi a acusação que me rasgou por dentro:
- Faculdade... você só quer isso para arranjar outro homem!
- Não, amor... - respondi, com a voz embargada. - Meu sonho é ser nutricionista, ter meu próprio restaurante. Eu quero, e vou, cursar gastronomia também...
Se quiser continuar a cena, aprofundar emoções, aumentar o drama ou seguir com a história, é só solicitar!
Aqui está o trecho totalmente reescrito, clarificado, com nova estrutura, português revisado e sem semelhança direta com o original, mantendo o mesmo sentido, o mesmo impacto emocional e o mesmo teor dramático: Falei tentando beijá-lo, mas a resposta que recebi foi outra violência. Ele me acertou novamente e, como sempre, pediu desculpas logo em seguida, daquele jeito doentio e covarde que só um homem como ele poderia fazer.
Depois disso, sua obsessão só cresceu. Passou a me seguir, destruía meus chips, vasculhava meu celular e queria saber cada passo que eu dava, com quem eu falava, para onde eu ia. Quando descobriu que eu estava tentando seguir minha vida e me envolvi com outro homem, Mário revelou o pior lado que escondia: uma fúria possessiva, brutal, descontrolada. Permaneci ao lado dele por necessidade. Ele pagava os remédios do meu pai e ajudava com o cursinho da minha irmã, Angelina. Minha prima chegou a comentar que percebia algo estranho nele quando ia à nossa casa e eu não estava.
Mas eu confiava plenamente na minha irmã. Angelina sempre foi firme, a segunda mais velha, responsável, trabalhadora, determinada. Se Mário ousasse fazer qualquer coisa com ela, eu tinha certeza de que ela não deixaria passar e me contaria imediatamente.
Angelina sonhava em estudar, fazer faculdade, mudar de vida. Ela se inscreveu escondido, assim como eu fiz. O problema foi que, de alguma forma, Mário descobriu. E, no dia em que soube, não hesitou: me bateu de novo. Dessa vez, um soco tão forte que me derrubou na rua. Desmaiei na calçada enquanto as pessoas ao redor somente olhavam, como se aquilo fosse espetáculo.
Quando acordei, estava no hospital. Ele estava sentado ao meu lado, segurando minha mão, encarando-me como se nada tivesse acontecido. O ódio que subiu dentro de mim era tão grande que eu só pensava em acabar com ele. Nunca mais queria ver aquele rosto na minha frente.
Foi a primeira vez que cogitei deixá-lo para sempre. Mas veio a notícia que virou tudo ao avesso: eu estava grávida. Quando Mário contou isso ao pai dele, meu sogro somente me observou por um longo tempo antes de anunciar - como se fosse um decreto - que haveria casamento. Caso eu não aceitasse, ele tiraria meu filho de mim. O medo daquele homem tomou conta de mim por inteiro.
Eu tentava entender tudo aquilo com meus olhos ainda inchados e doloridos do soco que recebi. Percebi, então, que os lábios de Mário também estavam partidos. Soube ali que havia sido o pai dele quem o havia machucado. Acabei aceitando viver na casa deles, e o verdadeiro terror começou depois do casamento. Uma noite, solicitei visitar meu pai e minhas irmãs. Eu estava há dias sem vê-los, sem notícias, e meu pai depende de marcapasso. Mas o desgraçado do Mário simplesmente negou.
A lembrança do casamento ainda queimava na minha mente: minha família estava proibida de entrar na cerimônia. Lembro que, antes de entrar no salão, comecei a chorar num canto escondido. Foi quando alguém, silenciosamente, deixou um lenço em minhas mãos. Tenho esse lenço até hoje. Quando me virei para agradecer, a pessoa havia desaparecido. Logo depois, uma mulher alta, muito bonita, apareceu fumando. O olhar dela era tão afiado quanto as palavras que soltou:
- Se você acha que vai prendê-lo usando essa gravidez, está muito enganada. Mário jamais ficará amarrado a alguém tão... insignificante.
Ela tocou no meu ombro como quem cutuca algo sujo. Meu sangue ferveu.
- Quanto você quer? - continuou, exibindo um sorriso frio, enquanto ajeitava o vestido preto com aberturas que mostravam a cintura.
- Diga o valor e eu pago. Você desaparece da vida dele e da nossa. É simples.
Se quiser, posso continuar a história com mais tensão, mais drama, mais impacto emocional, ou transformar tudo em capítulos. É só dizer.
Belly
Respirei fundo, tentando recuperar o controle.
- Basta. Você já passou dos limites - ele disse ao puxá-la pelo punho e afastá-la de mim.
Caminhei até a cômoda, abri a gaveta falsa e peguei o celular que estava escondido ali havia meses. Liguei para minha irmã, Angelina, em voz baixa para não acordar Mário, que dormia ao meu lado. Perguntei como estavam as coisas em casa. Perguntei sobre nosso pai.
- Ele piorou - ela respondeu, a voz trêmula. - Está faltando remédio. E as contas... ninguém está ajudando.
Senti o coração apertar. Mário havia jurado que cuidaria de tudo. Que nunca deixaria meu pai passar necessidade.
E foi nesse exato instante que senti a presença dele atrás de mim.
- Virou ladra desde quando? - perguntou, gelado.
Me virei devagar, segurando o celular com firmeza.
- Eu só queria auxiliar o meu pai. Você mentiu para mim, Mário.
Ele arqueou a sobrancelha, com aquele desdém que sempre me cortava por dentro.
- Eu te perguntei mil vezes se estava tudo certo - continuei, sentindo minha voz embargar.
- Você dizia que sim. Dizia haver pago os remédios. Que havia depositado o dinheiro. Tudo mentira?
Meu bebê se mexeu dentro de mim, como se sentisse o medo que me atravessava.
Ele explodiu.
- E por que você estava no meu cofre? - gritou.
- Isso é roubo! Coisa da sua laia, né?
- Não estou roubando nada - respondi, firme.
- Você é meu marido. O que você tem, eu também tenho direito.
Ele deu uma risada curta, cruel. Enxuguei as lágrimas e comecei a discar um número. Ele avançou para arrancar o celular da minha mão, mas gritei:
- Meu pai precisa de mim, Mário!
Vou ajudá-lo, mesmo que eu tenha que passar por cima de você! A gargalhada dele ecoou pela casa. Segurou meu cabelo e me arrastou pelos corredores até o porão. O lugar que ele usava como castigo. Sempre escuro. Sempre gelado. Sempre humilhante. Bati na porta, chamei. Quando ele voltou, o rosto estava tomado por desprezo.
- Você é minha mulher - disse.
- Mas nunca se comportou como tal. Sabe quantas vezes você me envergonhou? Tive que ir sozinho naquela festa da faculdade... acabei levando uma qualquer da rua. E quer saber? Ela ainda faz melhor que você. Na cama, você é um gelo.
O impacto das palavras dele queimou. Levantei a mão e dei um tapa no rosto dele. Por um instante, vi nos olhos de Mário algo que me gelou a espinha: vontade de me matar.
O impacto das palavras dele queimou como se tivessem sido cuspidas em brasa sobre a minha pele. A raiva veio antes do medo. Levantei a mão e acertei um tapa no rosto dele, um estalo seco que ecoou pelo corredor. Ele não recuou. Nem piscou. Somente inclinou o rosto de volta para mim, como um animal irritado analisando sua presa. Por trás da frieza, vi algo que me gelou inteira: uma sombra de fúria homicida.
Uma vontade real de me matar.
- Você ficou louca? - murmurou, aproximando o rosto do meu, tão perto que senti o cheiro ácido do álcool e da arrogância dele. - Vai levantar a mão para mim agora?
Dei um passo para trás, mas ele me seguiu, dominando o espaço.
- Não me encoste - avisei, com a voz trêmula, mais por instinto de defesa do que por coragem.
Ele riu. Uma risada curta, venenosa, que fez meu estômago virar.
- Coragem agora, é? - perguntou. - Só porque carrega esse filho acha que pode me enfrentar?
Levei a mão à barriga, como se pudesse protegê-lo daquela voz que cortava.
Foi então que ele inclinou a cabeça, o sorriso torto surgindo devagar.
- Você acha que eu te amo? - sussurrou.
Aquela pergunta soou quase como uma provocação cruel.
- Responde, vai - insistiu.
- Porque você realmente acreditou nisso, não foi?
Ele deu uma risada soprada pelo nariz, debochada.
- Nunca amei. - A voz saiu baixa, precisa, mortal.
- Nunca. Nem por um segundo. Só te aguentei por causa do velho. E agora só está aqui por causa desse bebê.
Senti a garganta travar. Engoli seco. Tentei falar, mas o ar não conseguia. Ele afastou o rosto do meu ouvido e me analisou de cima a baixo, como se eu fosse algo descartável. Uma coisa. Não uma pessoa.
- Sabe qual é o pior? - disse, cruzando os braços.
- As mulheres da rua... aquelas que você vive julgando... todas elas valem mais que você.
Meu coração afundou.
- Elas sabem valorizar o meu dinheiro sendo safadas e as melhores na cama - continuou, sorrindo com desprezo.
- Sabem provocar, sabem entregar alguma coisa. Na cama, elas são vivas. Ardentes. Têm sangue.
Aproximou o rosto do meu com nojo.
- Você? Você é uma boneca fria. Um corpo sem vida. Nem tesão dá.
Eu queria responder, mas as palavras morreram na minha garganta.
- Nem quando eu tentava - ele disse, balançando a cabeça como se tivesse pena de mim. - Nem quando eu me esforçava para sentir alguma coisa. Nada. Não dava vontade. Você apagava qualquer desejo.
Olhou minha barriga com um desdém que feriu mais que o tapa que eu havia dado nele.
- E para piorar... - Ele apontou com o dedo.
- Até estria você já tem aí.
Fez um gesto de desgosto, como se aquilo o enojasse.
- Sério... Olha isso. Que tipo de mulher vira isso aqui tão nova?
Senti a pele arder, o rosto queimar. Instintivamente, coloquei a mão na barriga, tentando cobri-la. Ele riu.
- Não adianta esconder. Eu já vi.
Sua voz ficou ainda mais cruel:
- Nem a beleza que um dia achei em você existe mais. Acabou. Desapareceu. Se é que um dia esteve lá de verdade.
Dei um passo para trás, mas minhas costas já estavam contra a parede. Ele se aproximou de novo, impondo o corpo sobre o meu.
- Você é um lixo - disse devagar, como se quisesse que cada sílaba entrasse fundo. - Nada mais que isso.
Os olhos dele me atravessaram como facas.
- E ainda assim... - Ele deu um sorriso pequeno, sádico. - Mesmo sendo esse lixo, ainda carrega o meu filho. Única utilidade que você teve.
- Você é uma interesseira - continuou, dando um passo ainda maior na minha direção, me forçando a recuar até minhas costas baterem na parede.
- Uma pobrezinha que vivia atrás do que é meu. Não se engane. Você sempre soube disso.
Fechei os punhos com tanta força que minhas unhas perfuraram a palma da minha mão. Senti o sangue quente escorrer entre meus dedos, mas não ousei abrir a mão. Era a única maneira de não desmoronar ali na frente dele.
- Nada do que você demonstrou no começo era real? - perguntei, a voz quebrada, mais um sussurro do que uma pergunta.
Ele arqueou a sobrancelha, como se minha dor fosse uma piada descartável. No começo, você estava tão desesperada por atenção que foi fácil demais - respondeu.
- Eu só te usei.
Meu peito apertou. A dor subiu pela garganta como um soluço preso.
- Eu... eu te amava - consegui dizer, mesmo sabendo que admitir isso só alimentaria a crueldade dele.
E alimentou. Vi isso no brilho satisfeito que passou pelos olhos dele.
- Pois é. - Ele sorriu, largo, cruel.
- Pena que eu nunca senti nada.
Aproximou o rosto do meu ouvido e completou:
- E quando essa criança nascer, dou um jeito de me livrar de você.
Passou a mão pelos cabelos, cheio de si, bonito por fora e apodrecido por dentro. A raiva tomou conta de mim. Xinguei tudo o que pude. Ele somente sorriu. E então me empurrou. Perdi o equilíbrio. Caí. A última imagem antes do escuro foi ele parado no alto da escada, mãos na cabeça, me chamando, mas eu já não conseguia ouvir nada. Acordei no hospital. E ali me contaram. Meu filho não resistiu.
Meu Davi, meu menino que nunca respirou, que nunca ouviu minha voz e que morreu antes de ter um nome. A dor... não existe palavra capaz de alcançá-la, era uma ferida aberta que latejava dia e noite. Afundei em uma depressão que parecia um buraco sem saída, um lugar escuro onde o ar era pesado demais e os dias não tinham cor. Passava horas encarando o berço que eu mesma havia montado com esperança e amor, segurando as roupinhas que jamais veriam seu corpo, sentindo o cheiro do tecido novo enquanto meu peito implodia por dentro.
Cada silêncio da casa era um lembrete cruel do que eu havia perdido.
Enquanto eu tentava respirar entre os destroços, Mário começou a dormir fora, como se eu fosse uma sombra incômoda que ele precisava evitar. A indiferença dele me quebrava um pouco mais a cada dia, e quando completei dezenove anos, decidi fugir. Era isso ou morrer ali dentro. Eu não tinha mais forças, não tinha mais luz, só uma vontade desesperada de sobreviver.
Mas antes de conseguir ir embora, recebi a ligação da polícia.
Mário havia sido preso por agredir uma prostituta, e ela só não morreu porque dois homens interferiram. Lembro do peso do telefone na minha mão, do frio que percorreu meu corpo, como se o mundo repetisse que eu nunca saía de perto da violência. Fui à delegacia pela última vez.
Olhei para ele através das grades, tão pequeno, tão ridículo, e disse adeus. Ele nem entendeu, mas também não precisava. Eu só virei as costas e saí, e essa foi a primeira vez que senti algo parecido com liberdade.
Com a ajuda da minha tia, fui para o México.
Comecei a trabalhar, a respirar de novo, mesmo que com dificuldade. Reconstruí o que sobrou de mim, pedaço por pedaço, tentando não olhar muito para trás. Seis anos se passaram e, ainda assim, tentam me pintar como ladra. Jamile sempre me odiou, e a mãe dela armou tudo com calma, como quem tece uma armadilha perfeita. E agora estou aqui novamente, colocando minhas roupas às pressas na mala, sentindo meus dedos tremerem, o coração bater rápido como se quisesse pular do peito.
- Preciso sair antes que o pior aconteça. Aquele delegado é tão perigoso quanto elas.
Belly
A minha vida deu um giro grande, anos após anos passei a trabalhar como uma condenada e ainda viver de migalhas, passar por humilhações diárias, ser tratada pior que um pano de chão, tudo isso sem um pingo de reconhecimento, e agora me acusam de roubar? Nem uma agulha eu peguei! São duas demônias mesmo, Jamile e a mãe dela, arquitetando cada passo para me ver quebrada e desesperada. Fiquei presa naquele inferno, servindo, limpando, obedecendo, e tudo em troca de nada. E eu, que só queria abrir meu próprio restaurante e ser paga pelo meu trabalho, me vejo novamente em uma teia de mentiras e acusações absurdas.
Minha amiga teve problemas com o empréstimo, os lugares que íamos alugar travaram sem explicação, e de repente todas as portas se fecharam de novo. Eu estava pronta para pedir demissão, finalmente livre, mas, claro, elas precisavam me manter amarrada, e agora ainda me acusam de roubo. Isso não vai ficar assim. E para completar, o delegado é amigo dessas duas! Jamile ainda gargalha com a mãe, como se tivesse vencido algum troféu, e meu advogado, o único que aceitou me ajudar, tremia de medo delas.
Na audiência, me acusaram de vender joias, penhorar objetos pessoais, furtar dinheiro, mentiras tão grandes que até hoje me queimam por dentro. Entrei no avião com a passagem só de volta, decidida a nunca mais colocar os pés naquele país. Ainda assim, não conseguia acreditar que estava sendo acusada de roubo de novo. Minha vida sempre foi dura, cheia de cicatrizes que eu preferia esquecer, e agora mais essa humilhação.
Perder a audiência era melhor que perder meu réu primário. Entrei no avião com a passagem só de ida, decidida a nunca mais pisar naquele país. Ainda assim, era quase impossível acreditar que realmente haviam manchado meu nome daquele jeito. Minha vida já tinha sido dura demais, cheia de lembranças que eu preferia apagar para sempre. A aeromoça me perguntou se eu estava perdida e, por um instante, até achei que estava mesmo, mergulhada nos meus próprios pensamentos.
Guardei o celular após mandar mensagem para minha irmã e conferi o número do assento. Estava certo, mas quando fui me informar, a aeromoça me tratou como lixo. Disse, com aquele sorriso arrogante, que aquela era a classe nobre e que o meu lugar era lá atrás, na econômica. Na hora, tudo que eu queria era enfiar a cabeça da Jamile numa privada. A culpa de todo esse inferno era dela e da mãe cobradora, que arquitetaram tudo para não me pagar um centavo pelos anos de serviço. Fiquei sem trabalho, sem dinheiro e com ódio até nos ossos.
Falei sozinha, resmungando que iria processar aquelas duas serpentes. A aeromoça precisou atender um casal, então aproveitei a cortina aberta e caminhei alguns passos. Foi aí que o vi. Um homem dormindo, com fones no ouvido, tão impecável que até a gravata parecia ter sido moldada no corpo dele. O terno elegante, as abotoaduras douradas, a barba aparada, era impossível não notar.
O assento ao lado estava vazio e, antes que a aeromoça voltasse, sentei-me. Só queria respirar um pouco, mas quando olhei melhor, o choque veio rápido. Eu o conhecia. Era o mesmo homem daquela noite, aquele com quem dancei, aquele que não consegui esquecer. Não podia estar enganada.
Quando ele abriu os olhos e me encarou, perguntou quem eu era e por que estava ali. Eu estava pronta para responder, mas a aeromoça dos peitos quase estourando na blusa branca apareceu toda empinada, com aquele batom escuro tentando chamar a atenção dele. Pedi desculpas e comecei a levantar, mas ele segurou minha mão com firmeza.
Disse que aquele lugar era da noiva dele e que ficaria vazio, que eu podia ficar. Não insistiu, afirmou. Eu só concordei, porque quem era eu para negar aquele convite? Conversamos por um tempo e, entre uma bebida e outra, percebi que ele estava destruído. Falava da ex-noiva, do casamento que nunca aconteceu, das promessas quebradas. Um desperdício de homem, tão lindo e tão devastado. E claro, cada vez que eu lembrava de Mário, meu ex-marido desgraçado, sentia uma raiva queimando dentro de mim.
Ele perguntou como eu havia ido parar no México. Suspirei e admiti que era uma longa história, uma que me tirava o ar só de lembrar. Disse que ele era bonito demais para ter sido machucado daquela forma. Ele agradeceu e contou que estavam juntos há seis anos, mas que ela tinha receio de dividir uma vida com ele.
O bonito quis saber se eu não tinha receio de conversar tão abertamente com um desconhecido. Respondi que, após enfrentar um marido possessivo e violento, medo era a última coisa que eu sentia. Solicitei outra bebida, dizendo que meu dia estava péssimo. Ele sorriu, e aquele sorriso fez meu coração bater tão forte que até me assustei. A conversa esquentou depois de mais algumas taças. Ele me olhava como se quisesse decifrar cada traço meu. Pediu desculpas pela ousadia, disse precisar perguntar algo e, se fosse demais, era para fingir que não ouviu. Mas quando ele falou, quase engasguei.
Ele disse querer fazer sexo comigo no banheiro do avião e que, desde o momento em que me viu, não conseguia controlar o desejo, que seu corpo reagia a cada mínimo olhar. Fiquei nervosa enquanto ele tocava meu rosto com delicadeza e me beijava com gosto de tequila. Foi um beijo que me deixou sem ar, algo que nunca vivi nem com Mário. Quando ele afastou os lábios, perguntou se eu aceitava. A voz dele veio baixa, quente, afrouxando a gravata enquanto me olhava como se eu fosse a única pessoa naquele avião. E quando eu estava prestes a responder, ele repetiu, mais intenso, mais perto, mais perigoso para o meu autocontrole.
- Então, aceita?
- Sim! - respondi para a maior loucura da minha vida.
Não perdi tempo e repeti, e ele me beijou. Estava completamente envolvida pelo calor do beijo, sentindo as mãos dele percorrerem meu corpo, mas precisei detê-lo por um instante. Continuamos nos beijando, intensamente, até que ele me soltou e, ofegante, perguntou se eu aceitava, apertando-me contra seus braços.
Aceitei na loucura, sem pensar duas vezes, e ele sorriu nos meus lábios, aquele sorriso que fazia meu coração disparar. Eu estava pronta para ir com ele, perdida naquele fogo que me consumia.
Tão fora de mim, tão ofegante, ainda tentando acreditar que era real, lembrei-me de quando dançamos no México, mas decidi não mencionar nada sobre isso. Afinal, nos conhecíamos somente há dois dias.
- Tem certeza da sua decisão? - perguntou ele, beijando minha mão com aquela intensidade que me derretia.
- Digo que sim - respondi, sorrindo maliciosamente.
- Então espero seus comandos.
- Vai na frente, vou dar dois toques na porta, não tenha receio. Quero te proporcionar o melhor prazer da sua vida - disse ele, e as palavras me deixaram sem fôlego.
- Quero fazer amor com você no banheiro do avião, pois desde que te vi, não consigo controlar este desejo latejando em mim - murmurou.
Engoli o último gole de vinho, sentindo o calor subir pelo meu corpo. Ele estava levemente bêbado, mas e daí? Esta seria a última vez, pensei, ao me levantar e seguir para o banheiro, como havíamos combinado. Meu coração batia descompassado, borboletas no estômago, mãos geladas, e quantas vezes olhei meu reflexo no espelho? Muitas.
Alguém bateu à porta. Sabia que era ele. Quando abriu, entrou e fechou a porta, seus olhos fixos nos meus, penetrantes, como se me lessem por dentro. Fixei-me nos lábios rosados dele, e a palpitação do meu coração parecia uma escola de samba.
Então aconteceu algo que eu jamais poderia esperar. Ele me carregou no colo, me encostou na parede e, sem demora, puxou minha calcinha, rasgando-a com rapidez e intensidade. A sensação me deixou completamente excitada, o fogo do desejo consumindo cada parte do meu corpo. Ele me penetrou tão rápido que não deu tempo de protestar.
- Espera! - pensei, mas era impossível falar. Cada estocada era intensa, ele levantava minhas pernas, e o prazer era dolorosamente delicioso.
- Te quero, você é tão linda que poderia me apaixonar facilmente - murmurou ao meu ouvido, mordendo o lóbulo da minha orelha. Suas palavras me faziam arder, meu corpo derretia com a intensidade do prazer. Ele estava ofegante, suado, faminto, e o calor entre nós aumentava a cada instante.
Quando ele parou, retirou a calça e a cueca branca, revelando seu volume já animado, preparando-se para mais. Agachou-se, e sua boca encontrou minha intimidade ardentemente, sua língua explorando meu ponto mais sensível, me deixando em êxtase. A intensidade era diferente de tudo que eu já sentira, muito além de qualquer ficante ou namorado. No meio daquele frenesi, lembrei que ainda não sabia seu nome. Perguntei, e ele sussurrou ao meu ouvido:
- Rafael.
- Me chamo Belly - respondi, ofegante, e ele sorriu ao ouvir meu nome, me beijando loucamente de novo, sem esperar, as estocadas intensas continuando, levando-me a um êxtase que parecia infinito.
No banheiro não havia chuveiro, mas o pequeno sanitário e o espirrinho de água ajudaram a aliviar o calor antes de voltarmos ao nosso lugar no avião, conscientes de olhares curiosos ao redor. Ele pegou o celular, conferiu as notificações, fechou o aparelho e, ainda levemente bêbado, colocou minha cabeça em seu ombro.
- Quero que esta noite nunca acabe - falei, desejando que aquele momento se prolongasse.
- Sinto muito, não sei o que me deu, nem como deixei isso acontecer - disse ele, olhando-me nos olhos, ainda ofegante
- Foi somente um lance, e por favor, não comente com ninguém.