Alana Peterson
Ouço as batidas na porta do meu quarto e as ignoro mais uma vez. Arrumar minhas malas está vendo mais útil do que perder o meu tempo discutindo com o meu irmão. Erick pode ser o mais velho, mas estou cansada de mais das suas tentativas de fazer a minha cabeça. Chega de tentar me manipular para fazer seus joguinhos, sei quanto meu irmão me ama, no entanto, sou adulta e posso tomar minhas próprias decisões.
Tenho que aproveitar que meus pais estão fora do país e dar um rumo para a minha vida. Rumo esse que está quase fazendo meu irmão derrubar a porta.
- Alana! Abra essa porta agora. - Grita. - Temos que conversar!
Nossa quanto estresse!
Com as minhas três malas finalmente prontas para minha viagem, decidi finalmente dar atenção ao meu querido irmãozinho. Irmãozão, Erick é um homem de quase dois metros de altura. Ao abrir a porta me arrependo amargamente, a expressão do seu rosto está tão severa que chego a tremer. Porém, são 23 anos do qual esse ser me conhece e sabe que posso ser tão rude e chata quanto ele. Dou passagem para que Erick passe.
- Você tem o que na cabeça? Me diz! - meu quarto parece uma passarela de tanto que ele anda de um lado para o outro. - Sei o quanto é irresponsável, mas a esse nível, Alana?
Me mexi desconfortável, não gostando do jeito que está falando comigo e muito menos do jeito que me olha. Erick continua me tratando como se fosse uma criança e não vê que cresci.
- Erick...
- Quer ser modelo? Será! Quer ser? Ok! Quer o trabalho comum fora da mídia? Que seja! - Erick finalmente para de andar e me olha. - Agora você vai trabalhar com uma empresa inimiga? Trabalha para aquela maldita família?! Você quer ver até onde o coração do nosso pai aguenta? É esse o seu plano?
Ser taxada como uma garota – problema da família é algo que me perseguiu durante anos. Fugir da mídia o quanto podia, passeio em família ou com amigos era sempre muito restrito. Queria fazer coisas simples ao ponto de ir tomar um sorvete no parque ou me divertir loucamente em uma festa cheia de adolescentes, meus pais achava que coisas assim era um erro e tinha que manter a princesinha Alana Peterson protegida e às escondidas.
Arrisco em dizer que não gosto do meu sobrenome.
Mantenho a minha cabeça erguida, pois assim que fui instruída durante anos da minha vida, temos a realeza no sangue, mesmo que seja distante. Não importa! Temos que ser sempre bem vistos com a nossa elegância carregada de berço. É claro que crescer rica e ter muitos benefícios é maravilhoso, e é dessa parte que gosto. Tanto é que estou indo para Bahamas passar uma semana, antes de começar o meu trabalho de modelo.
- Está decidido...
- Decidido uma ova...
- Cuidado com as palavras, maninho. - Ergui minha sobrancelha. - Sabemos que nossa mamãe não gosta desse tipo de vocabulário.
Erick passa a mão pelo cabelo. Somos muito parecidos fisicamente, seus traços são mais marcados e definidos que o meu. Ambos temos o cabelo preto, um preto brilhoso que inveja muitas pessoas. Meu rosto é oval com o nariz levemente arrebitado. Muitas pessoas faziam questão de lembrar Erick quanto ele parecia com o Shawn Mendes, seu cabelo com ondas naturais ajudava aparecer a versão grande do Shawn.
Minha pele é um pouco mais escura do que meu irmão, a melanina fazendo presente. Adoro um sol e me bronzear sempre que possível. Meu cabelo é longo chegando até o meio das costas, e minha aparência sem maquiagem pode até aparentar ter menos idade.
- Sabe o que a mamãe não iria gostar? - Se aproxima de mim lentamente com aquele ar predador igual ao nosso pai. - Pior! Sabe o que o nosso amado pai, o Sr. Peterson não iria gostar? Que sua amada filhinha estivesse trabalhando na Secrennor, trabalhando naquela cova de leões do qual pertence à família Oconnor.
Essa rixa entre a família Peterson e a família Oconnor vem percorrendo gerações. Uma briga que sinceramente não entendo até hoje e ninguém faz questão de me explicar. Não acredito que Logan Oconnor aos seus 33 anos perca seu precioso tempo com a rixa entre a nossa família, até porque não teriam me aceitado. Ou melhor, nem devem me associar a família Peterson do qual acontece essa briga durante anos.
Meu rosto não é exposto à mídia e as chances das pessoas acharem que meu sobrenome é apenas uma coincidência é enorme. Pelo que sei Logan e Scott Oconnor assumiram os negócios da família, Scott Oconnor pai de Logan decidiu viajar pelo mundo e aproveitar sua riqueza, coisa que a minha família deveria estar fazendo o mesmo e esquecer essa bendita briga.
- Olha, cansei! - Ergo as mãos para o ar e ri. - Ao contrário de você, não quero ficar na sombra da minha família. Não quero participar de uma briga que não fui eu que comecei. Eles nem sabem quem sou e não vão perder tempo com uma modelo iniciante.
Secrennor abriu vagas para novos modelos do seu catálogo. Sou uma das cinco novas modelos para representar a empresa, Secrennor carrega a fama de lançar modelos muito famosos na atualidade e quem sabe não sou uma delas?
Rafaela Oconnor é a falecida esposa de Scott Oconnor, foi uma grande estilista que a dedo escolheu as modelos para suas peças, o que alavancou a empresa de tal modo que até hoje é a primeira opção quando o assunto é moda.
Posso ter me inscrito nesta seleção na hora da raiva quando os meus pais não me mandaram para a Russa para uma seletiva de modelo fotográfica. E quando tentei ir sozinha me impediram e sabe por quê? Uma Peterson não faz teste, ter uma Peterson é uma honra para qualquer pessoa. Sou uma péssima filha por querer fazer as coisas do jeito certo e não querer passar por cima de ninguém?
- Olha, Alana, eu entendo a sua raiva. - Ri. - Não, é sério. Sei o quanto nossos pais são rígidos, convivo com eles mais tempo do que você, irmãzinha.
Olhando para Erick conseguia ver a sua sinceridade ou ele está tentando me manipular mais uma vez. Ainda não consigo decifrar.
- Não pensa que durante esses 29 anos foi fácil, me preparei para cuidar da empresa da nossa família e você sabe que não era o que queria...
- Então! - Diminuir qualquer distância entre nós e segurei em suas mãos. - Sabe que não quero administrar nada e pelo que sei a nossa família não trabalha com o lado de entretenimento ou indústria da moda. Não quero passar anos fazendo algo que não me deixa feliz.
- Você pode aprender a gostar.
As palavras me desarmam totalmente.
Se por um momento acreditei que meu irmão pudesse entender o meu lado, eu estava completamente enganada. Ele teve que aprender a gostar. Não quero ter que aprender a gostar de algo que vejo a minha família brigando constantemente, e daqui a alguns anos me arrepender de não ter seguido os meus sonhos. Deixei de lado as minhas tentativas de tentar convencê-lo.
- Bem, que se dane! - Dou de ombros. - Estou indo passar uma semana em Bahamas e quando voltar estarei estrelando na indústria da moda. Me deseja boa sorte, maninho.
Não fico ali esperando Erick começar com suas palavras de persuasão, peguei o meu óculos em cima da cama e a minha bolsa. Mando um beijinho para ele e sair do meu quarto, o motorista que viria buscar as minhas malas. Erick não fez questão de me conter, provavelmente pensava que depois dessa viagem iria desistir de trabalhar na Secrennor.
Não estou fazendo um showzinho como ele pensa.
Algumas horas de viagem são bastante para poder relaxar, decidi não pensar em Erick ou em meus pais. Durante a viagem, bebo um bom champanhe, logo chego em Bahamas.
Ficarei com alguns amigos, todos com seus destinos traçados e passaremos um tempo sem se ver, a ideia é se distrair um pouco antes de começar os trabalhos. Estamos no início do ano, muita coisa pode acontecer.
Alana Peterson
Não basta ter chegado mais cedo do que os meus amigos, agora me resta ficar andando sozinha por Bahamas. Alugamos alguns quartos em um resort para aproveitar essa uma semana de férias, foi os dias que conseguimos reunir todos juntos. Os trabalhos estão batendo na porta e cada um seguiria caminhos bem diferentes.
Decidi caminhar pela praia e aproveitar o sol, aproveitarei o máximo possível desses dias, porque sei que a dor de cabeça quando voltar para casa será grande. Quero paz e a minha família vai querer guerra.
Ri.
É capaz que eu seja deserdada.
Caminhando um tempo na praia ao longe podia ver o cais, vi um homem na primeira lancha tentando ligá-la. Me aproximei mais.
Não importava o que aquele homem fizesse, a lancha não ligava. Ele não percebeu que precisa desprender a corrente? Caminho pela praia em sua direção, não faço questão de apressar meus passos. Era engraçado ver seu estresse, o homem chutou uma parte da lancha e xinga, ao machucar o pé. Ri.
Aposto que é um empresário metido e soberbo querendo se exibir. Acreditava que seria fácil guiar uma lancha e agora ver que não é nada fácil. E não é fácil, eu demorei para aprender, mas acho que dirigir um carro pode ser mais difícil. Depende do ponto de vista de cada um.
- Ei, sua lancha não sairá do lugar até que você solte a corrente. - Gritei para poder ser ouvida.
Não consegui ver seu rosto. Sua lancha é de porte médio, mas muito luxuosa, tendo a parte de frente e atrás da lancha para poder tomar sol. Em uma tonalidade toda branca e detalhes azuis do que esse homem tem muito dinheiro. Na parte de trás tem três jets ski. Estava pronta para gritar novamente até que o desconhecido levanta o rosto e ergue o corpo até a beirada para poder me ver.
Meu Deus!
Agradeço por fazer alguns anos de teatro e além de ter pais controladores a ponto de nos treinar as nossas controlar emoções e saber agir a qualquer.
Esse homem é um gato! É óbvio que é mais velho do que eu. Entrando na casa dos trinta, talvez, sua barba por fazer dava um ar de mais velho. Sua camisa branca e larga esconde um corpo que sem dúvidas é muito gostoso. Seu cabelo é tão preto quanto o meu e está uma bagunça o deixando sexy, seu olhar sério me faz errar meu próprio nome.
Alana! Para!
É um homem como qualquer outro... não! Não é. Olha o tamanho dessas mãos... Ele faz pouco caso com a minha presença e volta a tentar ligar a lancha ignorando o que falei.
Ele é surdo?
- Ei...
- Vai embora! - Grita de volta.
Nossa que ogro!
Cruzei os meus braços e bati o pé na areia, me recusando a sair daqui. Estou na parte de baixo da ponte do cais, onde se tem acesso às lanchas.
- Não vai ligar...
- Some!
Ah, cretino!
- Só estou tentando te ajudar. - Descruzei mais braços fechando minhas mãos em punhos.
- Ninguém pediu. - Grita novamente.
Burro! Idiota! Cretino...
- Ei, Logan. - Olho para trás venho outro homem, esse é loiro e sorridente. - Espero que esteja tratando essa bela dama bem.
- Some você também! - O Burro Idiota Cretino responde ao loiro.
Ele pode ser lindo, mas é um homem difícil de lidar. O loiro riu, não se importando com a grosseira do amigo, ele se agacha na ponte e me olha. Seu cabelo está úmido, sinal que tomou banho recentemente, ele usa uma camisa florida branca com as flores azuis.
- Desculpa o meu amigo. - Aponta o polegar para a lancha. - Ele é muito chato quando está estressado.
Olhei novamente para a lancha, negando com a cabeça, Logan continuava tentando ligar a lancha.
- Tem um sistema de segurança. - Tentei explicar mais uma vez. - Enquanto você não desprende a corrente que liga a lancha ao cais, a lancha não vai ligar.
Idiota! Queria dizer esse apelido carinhoso, mas não faço.
- Viu, Logan! A mulher só está tentando ajudar. Não seja tão cretino assim. - Sorri, porque queria xingar Logan também. - Então, querida, qual o seu nome?
O loiro é muito legal, seu sorriso é contagioso e pelo tom de pele bronzeada dá para ver que ele gosta de sol. Sua bermuda branca e um chinelo sendo brancos também completam o look, eles parecem ser homens podres de ricos, mas que gostam da simplicidade.
É raro ver esses tipos de pessoas por aqui, nessa época do ano tem muito mauricinho querendo se gabar com seu dinheiro.
- Alana. - Prefiro não dizer meu sobrenome, não quero me associar a minha família.
Quero me divertir e não ficar perto de pessoas que querem fazer negócios com a minha família e me usarem para tal coisa.
- Hum, sem sobrenome? - O loiro ergueu a sobrancelha. Balanço a minha cabeça concordando. - Fugindo de alguém? - Brincou.
- Fugindo ou caçando uma grande encrenca. - O Logan Rabugento apareceu. - Essa garota é menor de idade e não quero problema. Ei, fedelha vai embora. - Logan agita a mão no ar como se eu fosse um cão sarnento.
Fedelha?! Ok, posso dá a impressão de não ter 23 anos, mas esse homem foi além do limite ao me chamar de fedelha. Meu corpo e minhas curvas mostram muito do contrário. Essa impressão que as pessoas costumam ter sobre mim não dura muito, mas parece que esse velho rabugento está disposto a me encarar como uma criança e nada mais importa.
- Não sou uma fedelha. - Falei entre os dentes. - Tenho vinte e três anos.
Que se dane esconder as emoções e parecer fina e elegante, quero é fazer com que esse homem retire o que disse.
- Logan, ela disse que tem vinte e três anos...
- Se ela falar que o papai Noel existe, você também vai acreditar? - Logan rebate.
O homem difícil!
Não sei porque estou perdendo meu tempo com eles. Voltarei para o resort e esperar meus amigos voltarem, posso aproveitar meu dia melhor do que bater boca com esse homem. Me viro para ir embora, sem fazer questão de me despedir.
- Ei, mulher! Espera... - Ouvi o Loiro me chamar.
- Deixa ela ir embora.
- Cala boca, Logan. - O loiro se irrita com o amigo. - Ei, espera. - Parei, cruzando meus braços e ergo meu rosto para Olhá-lo. - Meu nome é Diogo e como falei antes, esse é o Logan, sem sobrenomes. Você não me parece ser alguém querendo causar problemas e a gente não quer problema algum.
Diogo é um homem lindo também, são homens que não se incomodam de cuidar da aparência e usando roupas simples, mas de alta costura, mostrar que são mais velhos e lidam bem com a maturidade.
Pelo menos o Diogo sim. Seus olhos são um castanho-claro diferente do seu amigo rabugento com olhos escuros iguais aos meus. Seu cabelo em um tom de loiro puxado para o dourado e sem nenhum pelo no rosto mexe com a imaginação de qualquer mulher.
- Que tal, passear de lancha conosco? Tem mais três mulheres para chegar, não se preocupe. - Diogo dá um sorriso contido e olha para a lancha. - Você entende de lancha, não é? - Balancei a cabeça concordando. - Olha, mas há um motivo para você vir conosco.
- Vocês por acaso estão sem dinheiro para pagar alguém para pilotar? - Pensei alto.
Fechei meus olhos por alguns segundos ouvindo a risada deles. Até Logan riu e fez uma cara de deboche para mim. Queria dizer que ele fica feio sorrindo, mas o filho da mãe carrega a beleza e ele sabe disso.
- Esse não é o problema, Alana. - Diogo aponta para o amigo novamente. - Meu amigo anda trabalhando demais e viemos para Bahamas descansar, a gente não quer estar cercado de empregados. É até melhor, nos sentimos mais à vontade. Então quando viajamos queremos fazer o máximo de coisas possíveis por conta própria. Não me leva a mal, mas para dois velhos e acabados...
- Velho e acabado é o que você tem entre as pernas. - Logan resmungou, cruzando os seus braços.
Velho e acabado eles não tem nada!
- Gostamos de curtir a simplicidade e tranquilidade, somos criados fazendo as coisas por nós mesmo. - Diogo continua a falar ignorando Logan. - E pode ser que precisamos de ajuda com a lancha já que apenas eu sei pilotar e os outros não.
Não consigo evitar uma risada de deboche.
- É, dá para perceber!
Logan ficou emburrado e não me olha, a minha vontade é de morder seu lábio inferior e desfazer aquele bico. Para um homem do seu tamanho essa imagem dele acaba sendo fofo. Pisquei algumas vezes afastando esse pensamento, Diogo, por outro lado, estava rindo novamente. Esse passeio dará muito certo ou muito errado, pode ter certeza.
- Ela só entra aqui depois de mostrar a identidade. - Logan começa a implicar assim que as meninas chegam.
- Logan, para de ser chato! - Diogo estende a sua mão e seguro, me ajudando a subir na lancha.
- Sinceramente não sei como você aguenta ele, Diogo. - Olha o Logan de baixo para cima deixando o moreno mais irritado e sigo para ficar perto das meninas.
A loira com seus 26 anos é a prima de Diogo, modelo exclusiva da Secrennor, reconheceria aquele rosto em qualquer lugar. Lea Schneider tem 1,75 de altura com um belo corpo já tem inveja em qualquer um, fico tentada em conversar sobre a sua vida artística, mas não vou dar uma de fã louca. Mesmo sabendo que ela é prima do Diogo, não poderia dizer quem é exatamente ele. Lea usa o sobrenome artístico, e não sei muito da sua família.
Gosto do seu trabalho, mas não é como se eu tivesse acompanhado toda sua carreira. E estamos aqui para nós divertirmos! Depois que concordei em passear de lancha com eles, voltei no meu quarto para pegar minha bolsa.
Precisava entrar em contato com os meus amigos, alguns chegaram mais tarde do que o esperado por conta do voo. A Hannah e Mia são amigas de Lea, Mia não tirava os olhos de Diogo e Hannah do Logan.
- Diogo comentou que o seu nome é Alana, não é? - Lea me olha por cima dos seus óculos escuros. - Sem sobrenomes, mas pelo jeito que você me olha com certeza me reconheceu.
Dou de ombros e me deito ao seu lado, estamos sentadas na parte da frente da lancha.
- Posso fingir muito bem que não conheço. - Sorri. - Assim ficamos kits.
Ela ri.
- É, acho que gostei de você.
A lancha não demora muito para ganhar movimento. As meninas estavam conferindo os comes e bebes, enquanto Diogo pilotava a lancha com Logan ao seu lado. O sol estava radiante no céu, a brisa e o cheiro da água salgada me deixava anestesiada. Com certeza está em Bahamas foi a minha melhor escolha, não quero pensar nos problemas que estão me esperando quando voltar para Los Angeles.
Ignorarei a família Peterson até quando puder.
Logan Oconnor
Respiro fundo sentindo o vento batendo contra meu rosto quando a lancha ganha velocidade, nos afastando da praia e ganhando mais profundidade no mar. Procuro não pensar muito na ideia de querer jogar Diogo no mar, como acordar amarrada em seu pé e uma grande âncora na outra ponta. Era para ter ficado em Los Angeles, mesmo não tendo oportunidade de ficar com a Valentina. Agora tenho que dividir a lancha com idiota do jogo, a prima maluca dele, a mulher obcecada por ele, Hannah que acredita que serei louco de ficar com ela novamente e uma pirralha queria ter 23 anos. Passou a língua preguiçosamente pelo lábio, e consequentemente logo passa a mão pelo cabelo afastando os fios que caía pelo meu rosto.
- Se continuar olhando para garota desse jeito, vou começar a pensar que está apaixonado...
-Vá se ferrar, Diogo. - Olho para ele irritado. - Você pode ter acabado de nos colocar em uma baita encrenca.
Diogo revira seus olhos em um castanho claro.
- A garota não é um perigo, ok? Sabe que não erro com as pessoas.
Infelizmente terei que concordar com ele, Diogo parecia um cachorro quando significa saber se a pessoa presta ou não. Sorri, um cachorro sarnento. Mas não posso negar que ele nunca errava sobre uma pessoa.
- Que seja! Não queria que ela viesse.
- Por que está atraído...
- Porque não a conhecemos.
Ele não viu o óbvio?!
- Não me olha desse jeito, Logan.
- Olho do jeito que quiser!
- Você está parecendo uma criança birrenta.
- E você um...
- Olá, meninos. - Hannah fala, subindo as escadas para nos encontrar e Mia vem logo atrás. - Trouxe um agradinho para vocês.
Não vamos muito longe da praia, apenas queremos algo mais reservado. Aceito a cerveja que Hannah me oferece, e um grande sorriso surge em seus lábios. É uma bela moça, mas o que tivemos no passado já foi o suficiente. Uma loucura de cada vez e não faço mais essas coisas.
- Oi, loirinho. - Mia abraça Diogo por trás e oferece a cerveja que está em sua mão. - Está precisando se refrescar.
Diogo sorri e aceita a cerveja.
- Está na direção. - Lembro ele e dou um gole na minha cerveja.
O líquido desce refrescante pela minha garganta, bebo mais da metade querendo matar a sede que até então não imaginava ter.
- Sei das minhas responsabilidades. - Resmunga e desliga a lancha.
Algumas pessoas passavam de jet ski por nós, algumas lanchas maiores ou pequenas com suas músicas não muito distantes. Havia um espaço bom entre uma ou outra.
- Quanto tempo, Logan. - Hannah se aproxima mais de mim, diminuindo o resto de espaço que tinha entre nós. Pausa a mão em meu peito por cima da camisa fazendo linhas imaginárias. - Sentia a sua falta.
Seu cabelo está em corte chanel diferente da última vez que a vi com os cabelos longos.
- É faz um tempinho. - Me viro, ficando de costas para ela.
Há tempo de ver Alana ri depois que Lea fala alguma coisa, ao mesmo tempo que a fedelha olha um pouco cismada por Lea está tocando tanto em sua perna. Até quero uma cena engraçada de ver, senti as mãos de Hannah deslizando pelo meu peito e rapidamente a segurei. Hannah mantém um sorriso no seu rosto quando me viro novamente para ela.
- Apenas amizade, Hannah. - Bato com cotovelo no Diogo que estava aos beijos com Mia. - Vou descer.
Diogo resmunga alguma coisa, mas não faço questão de parar e saber o que é. Com certeza estava me xingando por atrapalhar ele. Sei que não será preciso dizer duas vezes para Hanna poder entender, sabem como sou e insistir é algo que não deveria fazer. Passando pelo cabelo novamente, vou para a parte de baixo da lancha garantir mais uma outra cerveja. Entro a tempo de ver Hannah indo para parte da frente da lancha, fui até a geladeira pegando outra garrafa de cerveja.
Finalizo a cerveja que Hannah havia me dado, deixando a garrafa na pia e me viro. Bato com meu corpo contra a Alana, e sou rápido ao passar o meu braço pela sua cintura antes que ela caísse.
- Aí! - Resmungou.
Estávamos no corredor da lancha e posso te evitar da sua queda, mas não evitei com que batesse a cabeça na parede.
- Você não olha por onde anda?! - Brigo com ela.
- Eu?! - Me olhe irritada, tirando o seu cabelo de seu rosto. - Você que virou e não se importando com nada. Tentei avisar, mas era tarde demais.
Massageou a parte de trás da cabeça.
- Além de fedelha agora não tem noção de equilíbrio?
Alana bate com as suas duas mãos contra o meu peito, fico surpreso e a solto dando dois passos para trás.
- Para de me chamar assim.
É um misto de emoções que passa pelo seu rosto, ela vai chorar? Estranho sua reação, não a conheço, mas parece que chamava assim ativa algum gatilho nela. Olho com mais atenção, Alana tem 1,67 cm no mínimo perto do meu 1,92 m de altura. Seu corpo é bem modelado, seu cabelo preto é cheio e ondulado, a melanina em sua pele a deixa mais atraente. O rosto é bonito, conseguindo o seu foco central para depois descer para o seu corpo.
- A chamo como quiser. - Deixo claro. Olho para o corredor de onde estava vindo quando nos esbarramos. - Conseguiu alguns segundos longe da Lea? Talvez agora eu começo a te valorizar...
- Ela consegue ser uma pessoa melhor do que você. - Alana cruza os seus braços na altura do peito me olhando séria.
É uma mulher que não abaixa a cabeça, tem atitude, garra e não esconde isso. É, pode ser divertido esses dias aqui.
- Ainda quero ver sua identidade...
- Você é um velho chato. - me interrompe e passa por mim não querendo continuar nossa conversa.
- Ei?
Relutante, ela me olha.
- Lea é Bi. - Aviso. - Se não curte a fruta é melhor deixar claro, ou ela vai continuar te alisando até você duvidar da sua sexualidade.
Alana abaixa a cabeça pensando nas minhas palavras, parecia fazer sentido para ela.
- Obrigada pelo aviso.
- E você curte?
- O que?
- Ficar com mulher.
Alana ergue uma sobrancelha.
- Por que esse assunto desperta seu interesse, Logan?
Mexo meus ombros incomodado com o seu olhar.
- Apenas puxando assunto para depois não ser chamado de mal educado. - Faço pouco caso e abre a tampa da cerveja batendo a peça na quina da parede. - Quer uma?
Alana me olha por alguns segundos.
- Aceito.
Vou até a geladeira e ela se aproxima mais me acompanhando.
- A essa hora Hannah deve estar fazendo companhia a Lea. Elas se entendem, sabe? - Pego a cerveja e abro antes de entregar para ela.
Alana dá um sorrisinho desafiador. Essa mulher acende o fogo e brinca com ele, jovem com atitude que muitas da sua idade não tem.
- Pelo que fiquei sabendo, você também entende Hannah muito bem.
Não escondo meu desgosto. Alana bebe a sua cerveja rindo.
- Lea tem uma boca muito aberta. - Reclamo.
- Imagino que deva ficar mais ainda quando bebe.
Faço uma careta ao lembrar o quanto essa mulher já me fez passar vergonha e precisei ajudar algumas vezes por seu primo ser meu melhor amigo. Diogo se aproveitava dessa façanha, principalmente quando a sua prima se metia em confusão ao falar demais para certas pessoas.
- Ah, não imagina. - me encosto contra o balcão, dividido com a pia e não muito longe fica a geladeira. - E você imagina, pensa no pior.
Apoio o cotovelo no meu braço fazendo pequenos movimentos que a garrafa no ar. Alana me olha assustada.
- Sério?
Balanço a cabeça, concordando.
- Ela é uma pessoa boa, às vezes fala demais, mas é uma pessoa boa.
- Você está falando bem de alguém?
Fico tentado revirar os olhos para essa garota.
- Não nos conhecemos...
- Mas fui seu alvo desde que nos conhecemos...
- Não gosto de você, é diferente. - Dou de ombros.
Ela ri não achando graça alguma.
- E posso saber o motivo de você não gostar de mim? Porque tudo que fiz foi tentar te ajudar. - Parecia realmente se importar com a resposta.
A olho por alguns segundos ficando em silêncio. Alana está usando um biquíni preto liso, a saída de praia é no modelo de uma camisa social, mas transparente. A peça em um tom de verde-militar tem um contraste bom contra sua pele. Algo me dizia que ela é problema, é como sair da zona de conforto. Ou será um conforto.
- Estou ainda considerando levar em segui que o meu instinto diz sobre você.
- E o que sua intenção diz sobre mim?
Não respondo.
Deixando a sua cerveja em cima do balcão, ela se aproxima de mim.
- Me diz longa. - me mantenho na mesma posição de antes, olhando em seus olhos. - Faz parecer que sou como uma criptonita que enfraquece o super-homem.
Mulheres como ela podem ser consideradas uma kriptonita.
- Para uma mulher que aconteceu agora, não acha que está sendo relatante demais? - A voz é boa, sendo gostosa de ouvir.
Assim como mulheres como ela, podem ser manipuladas. Sendo tão intensa e ignorando os sinais.
Continuo com o meu silêncio, Alana pega a cerveja em minha mão e bebe. Olho para trás dela vendo que a garrafa dela não está muito longe, olhando em meus olhos ela finaliza o líquido da garrafa mostrando que está acostumada com a bebida. Alana passa a língua preguiçosamente pelos lábios, o que acaba prendendo a minha atenção ali.
- Tem medo de se envolver com uma garota mais nova, Sr. Logan? - insiste com as perguntas.
- Você gosta de fala, hein?
- Principalmente quando as minhas perguntas não são respondidas. - Seus olhos descem para minha boca e é sua vez de fica em silêncio.
Finalmente! Inclino a minha cabeça em sua direção, um movimento lento e calculado, Alana ergue o corpo para frente e a sua boca com a minha em minha direção pronta para me beijar. Viro o meu rosto no exato momento em que nossos lábios quase se tocam.
- No fim você acaba sendo igual as outras. - Passo por ela e pego a sua cerveja em cima do balcão.
Siga o meu caminho voltando para encontrar com os outros, a deixando para trás.
Quando a Alana aprece não faz questão de falar comigo, ou me olhar. Contive um sorriso, ela se ofende fácil de mais. Depois de algumas fotos que Mia insistiu que tirassem antes de ir para a água, me peguei observando mais do que necessário a Alana.
As garotas se divertiam na água, me apoio contra a beira de ferro que tem na proa, olhando para elas. Uma em específico. A risada parecia ritmada com a música que toca na lancha, Alana mergulha novamente e ao ressurgir passa a mão pelo cabelo afastando do rosto. A tempo de fugir da Lea que tenta pegá-la ao começa uma brincadeira de pique e pega no mar. As outras meninas ria com atentiva falha da loira.
Lea nunca ficou tão a vontade assim, Mia e Hannah fazem parte da indústria da moda também, mas Lea começou mais cedo e com os anos tinha dificuldade em ser ela mesma.
- Olha, quem diria que você ficaria tão encantado pela garota nova. - Diogo se aproxima e olha para as garotas se divertindo. - Parece que Alana conseguiu amaciar a carne do Sr. Oconnor. E aí, a garota beija bem? Ela tem uma boquinha linda, não fique com ciúmes...
- Percebeu o jeito que ela pousou para as fotos? - Continuo observando Alana, bebo minha cerveja e a vejo fingir está triste porque agora seria a sua vez de tentar pegar uma das meninas.
Sinto um olhar nada agradável de Diogo para mim.
- Hum, o que tem?
- Ela teria futuro como modelo, modelo fotográfica por conta da altura. - Olho para Diogo. - Acredito que seu corpo tenha as medidas certas, dependendo da agência que for aceita.
- Sério?
- O quê?
Diogo suspira levemente irritado.
- Ferias, Logan! Você desaprendeu o significado dessa palavra?
- Só foi um comentário.
Por que ele está tão irritado? Diogo desiste de falar comigo, voltando a olhar para garotas, vejo um barco com o porte maior que o nosso se aproximar. Elas haviam feitos amizades, é agora que esse dia vai se alongar mais ainda.