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Meu Chefe é Sheik

Meu Chefe é Sheik

Autor:: JL Oliveira
Gênero: Romance
Aslan Murabak, o magnata do petróleo e Sheik de Kudsi, não tem tempo para o amor. Mas tudo muda quando ele conhece Diana Rodrigues, a camareira atrapalhada que trabalha em um de seus hotéis no Brasil. Diana está lutando para pagar as dívidas de sua família, e seu emprego é a única fonte de renda que tem. Quando Aslan propõe um contrato de casamento de mentira para enganar seu pai e livrar-se de um casamento arranjado, Diana vê a oportunidade perfeita para resolver seus problemas financeiros. O que começa como um acordo de negócios, logo se transforma em uma jornada emocionante de amor, traição e descoberta. Aslan e Diana terão que lidar com a pressão do Sheik, o desejo ardente entre eles e o peso da mentira que os envolve. Será que o plano deles vai dar certo? Ou essa farsa de casamento vai se transformar em algo mais? Descubra em "Meu Chefe é Sheik", uma história envolvente e emocionante.

Capítulo 1 Dia Difícil

Diana Rodrigues

O ônibus lotado me faz lembrar todos os dias de como é difícil ser pobre - claro que estou sendo irônica. Hoje, por sorte, consegui um lugar para sentar, o que nem sempre acontece, especialmente em uma sexta-feira. Estou feliz e grata por isso, olhando a paisagem e rezando para que ninguém precise do meu assento, pois estou exausta. Trabalhei a semana inteira e minha folga só será na quarta-feira. Quando nascemos pobres, parece que moramos no trabalho e visitamos nossa casa.

José costuma pegar o ônibus dois pontos depois do meu, e estou guardando um lugar para ele ao meu lado. Quem anda de ônibus sabe o quão difícil é segurar um lugar sem arrumar confusão. José, o meu melhor amigo e que eu amo muito, entra pela porta e já acena para mim, e eu solto um sorriso, mostrando que o lugar dele está guardado. Mas uma mulher, que aparenta ter uns trinta e cinco anos, entra primeiro que ele e observa atentamente o banco ao meu lado. Travamos uma batalha de olhares entre eu, a mulher, o José e o banco. Ela está na frente, provavelmente chegará antes dele, e José parece estar numa maratona, disputando o lugar com a mulher. O prêmio será o banco ao meu lado.

Para nossa sorte, um moço com uma mochila nas costas se levanta e cede o seu lugar à mulher, que prontamente aceita. Os dois parecem ser conhecidos, pois começam uma conversa.

"Aff Diana, quase que perco o meu assento", diz José, enquanto me dá um beijo no rosto. "E ia ter que ir em pé o resto do caminho."

"Eu falo para você ficar no começo da fila", respondo.

"Que fila, sua louca?", pergunta José. "Na hora que o ônibus para, vira uma confusão de pessoas querendo subir e descer do veículo", ele aponta com a cabeça. "A mulher conseguiu passar primeiro."

"Ainda bem que o cara levantou e deu o lugar para ela", falo para José.

"Acho que ele está interessado nela", sussurra José. "Já é a terceira vez que ele dá o lugar para ela, e esses dias fiquei ouvindo a conversa dos dois."

"Você não tem vergonha de ouvir a conversa dos dois?", questiono.

"Eu não. Neste momento tem alguém aqui dentro ouvindo a nossa conversa", ele gesticula. "O pior é quando você tem que descer e não consegue ouvir até o fim."

"Isso é verdade, eu também fico curiosa", concordo.

"Que dia é sua folga? Me deram folga na terça, aff" - José reclama.

"A minha é na quarta-feira. Queria tanto que fosse no mesmo dia."

"Queria ir no pagode, rebolar um pouco, mas como vou sem você?"

"Você sempre vai sem mim. Não sei por que está reclamando?"

"Eu vou sozinho quando quero pegar algum moreno, mas dessa vez queria que você fosse comigo. Você quase nunca sai."

"Eu não tenho muita grana, José. Meu salário vai quase todo para casa", disse eu a José.

"Eu sei, minha amiga. Mas sabe que eu posso te ajudar. Não tenho muito, mas podemos dividir o meu", respondeu ele.

"José, não precisa. E estou muito cansada para sair depois do trabalho. No sábado, parece que é o dia que mais trabalho", expliquei a José.

Eu e José trabalhamos no Green Plaza Hotel, um dos mais sofisticados de São Paulo. Neste hotel, hospedam-se pessoas muito importantes do mundo todo, inclusive artistas e celebridades que vêm ao Brasil para visitar ou fazer shows, bem como empresários de renome. Apesar de ser um trabalho corrido e cansativo, meu salário ajuda muito em casa. Mesmo com algumas advertências, o trabalho no hotel é bom, mas o horário e a distância da minha casa dificultam um pouco.

" Nossa, o que deu nesse povo hoje? Tá cheio de gente aqui fora", comentou José, observando a multidão em frente ao hotel.

"Provavelmente alguma celebridade está chegando. Sempre é assim quando se hospedam aqui", eu disse a ele.

"Estou tão curioso para saber quem é", falei para José, esticando a cabeça para tentar ver melhor.

"Eu estou muito curioso também. Tomara que seja um homem bem lindo", disse ele, com um sorriso safado no rosto.

"Eu não vejo nenhum deles. Tenho tanto trabalho para fazer", lamentei. Infelizmente, não tenho muito tempo para ficar observando.

Nosso turno começa agitado, com muitas pessoas por toda parte e uma grande correria. Como sempre, nossa chefe grita para que troquemos de roupa logo e corramos para os quartos para arrumá-los, pois o dono do hotel estará no Brasil e tudo precisa estar em perfeito estado. Lá vou eu para mais um dia de trabalho. Coloco meu uniforme, pego meu carrinho de limpeza e verifico minha escala para saber em qual andar estarei trabalhando hoje. Infelizmente, a cobertura está me esperando. O hotel tem duas coberturas, e elas são bastante grandes para serem limpas sozinhas. Então, nossa gerente sempre designa duas funcionárias para limpar as suítes, e o trabalho é dividido. Trabalhar em dupla é ótimo quando sua parceira também está trabalhando, mas quando ela prefere tirar fotos como se fosse uma hóspede e esquece completamente do trabalho, essa é a Sirlene, minha parceira, e eu sou a outra parte que trabalha mais.

Segundo minha gerente, precisamos correr com a limpeza desta suíte, pois o todo-poderoso "chefe dos chefes" ficará nela. E tudo precisa estar em perfeita ordem quando ele chegar, pois dizem que ele é um homem muito observador e exigente. Eu limpei todo o banheiro, esfreguei cada canto e deixei tudo cheirando fresco e muito limpo para o dono do hotel. E eu pensando que minha amiga Sirlene estava fazendo a parte dela, que era terminar de limpar a suíte, arrumar a cama e deixar as roupas de cama bem esticadas, mas Sirlene estava tirando fotos na sacada da cobertura.

"Sirlene, você ainda não terminou essa parte?"

"Estou tirando uma selfie para minhas redes sociais, não sei quando voltarei aqui novamente, tenho que aproveitar. Ou pode ser que o dono do hotel me ache linda, o que não é mentira, e me convide para ficar com ele."

Sirlene era uma moça bonita e chamava muita atenção em todo o hotel. Os homens sempre estavam querendo convidá-la para sair, e sua rede social era bem agitada. Respirei fundo e corri para fazer o que estava faltando, deixando-a lá fazendo suas fotos, já que eu não podia perder meu emprego. A parte do closet foi a última que limpei. Quando saí, Sirlene não estava mais lá, nem o meu carrinho de limpeza. Eu estava com a vassoura na mão e um pano que tinha levado para limpar os móveis. Estava toda suada, pois não podíamos ligar o ar enquanto estávamos limpando as suítes.

Passei as costas da mão no rosto para limpar o suor e fechei a porta do closet. Havia um relógio na mesinha que não estava ali há minutos atrás, eu tinha certeza disso. Ainda de costas, ouvi um barulho e virei rapidamente. Quando olhei, um homem alto estava parado na minha frente. Levantei a cabeça até que meus olhos chegassem aos dele. Eram olhos negros que me fitavam, o rosto bem desenhado, barba bem aparada e cabelo preto e liso que caía em sua testa quando olhou para baixo e para mim. O relógio caiu da minha mão e quebrou, e eu não podia acreditar no que estava acontecendo.

"O que está fazendo aqui?" - ele falava português com um sotaque estranho.

"Me desculpe, senhor. Estava terminando de limpar o closet e acabei me atrasando."

"Isso sempre acontece? Quando os hóspedes chegam aqui, você fica dentro do quarto quebrando as coisas?" - ele estava bravo.

"Não, senhor. Eu só acabei me perdendo no horário quando fui limpar o closet - e eu já estava querendo chorar."

"Não pode haver erros no meu hotel e os hóspedes não estão aqui para encontrar funcionários dentro dos quartos. Ninguém quer chegar aqui cansado de uma viagem e encontrá-la aqui, entendido?" - O dono do hotel parecia ser o cara mais mal educado que já conheci.

"Sim, entendi. Peço desculpas. Eu posso pagar pelo relógio, vou avisar meu gerente. Com licença."

"Você não vai sair daqui." - Eu me assustei. "Sabe quanto ele custa? Como uma camareira vai saber o valor de um dos relógios da minha coleção, e um dos mais caros do mundo?"

Fiquei paralisada e olhei para baixo. Pude ver os sapatos elegantes dele, provavelmente italianos ou de algum outro lugar do mundo. A calça estava perfeitamente passada, e as coxas grossas dele chamaram minha atenção, assim como os cacos de vidro do relógio. Fechei meus olhos e pensei em como estava encrencada.

Capítulo 2 Tudo Errado

Tudo Errado

Diana Rodrigues

Ao olhar para o homem alto de pernas grossas à minha frente, soltei o comentário mais idiota que poderia ter dito ao dono do hotel onde trabalho.

" Lindas", falei.

"Do que está falando? Acha bonito ter quebrado meu relógio de coleção?", ele brigou comigo.

"Desculpe-me, senhor. Peço que não me demita. Preciso do emprego."

"Não costumo dar segundas chances a funcionários como você."

"Por favor, reconsidere. Minha família depende de mim e eu preciso do emprego. Se for preciso, peço desculpas e me ajoelho à sua frente." Ele bufou e disse:

"Leve alguns dos meus ternos para passar, pois estão amassados, e depois os traga de volta. Tenho alguns compromissos e estou atrasado. Enquanto isso, vou pensar no que fazer com você." Ele saiu de perto de mim, pegou três ternos e me entregou.

"Sim, senhor." Peguei os ternos, a vassoura e o pano. "Obrigada, senhor."

O pano caiu no chão. Tinha que ser assim. Não seria eu se não deixasse nada cair. Me abaixei, mas não da forma correta e sim constrangedora. Acabei ficando virada para o dono do hotel onde trabalho. Dessa vez, ele me demitiria. Eu só faço coisas erradas. Nem olhei para trás. Saí da suíte e corri para o elevador de serviço.

Eu nunca tive muita sorte na vida; isso é um fato. Quando era pequena e ganhava um presente bonito, vinha uma criança e quebrava-o. Minhas amigas sempre atraíam a atenção do rapaz mais bonito, conseguiam o melhor emprego - e não é inveja, pois eu torcia por elas. É somente uma questão de falta de sorte minha. Acho que minha aparência não agradava, com meus óculos, roupas simples e meu corpo não ajudando muito. Sempre fui a feia da turma. Hoje estou aqui, não consegui realizar meu sonho de fazer faculdade, tive que trabalhar para ajudar em casa, enquanto meu irmão fazia faculdade, comprava sua moto e ia para as baladas. Mas, pela minha mãe, eu faria tudo de novo. Eu sentia pena daquela pobre mulher que trabalhava dia após dia para nos sustentar sozinha e dar uma vida digna, mas mamãe, além de fazer tudo o que meu irmão queria, ela também gostava de gastar o que não tinha, e eu era sempre a que pagava o que os dois gastavam. Não sobrava muito para mim.

Eu desci pelo elevador de serviço e corri para a lavanderia. Lá, eu iria pedir a alguém que passasse os ternos do meu chefe, o dono do hotel. Todas as garotas estavam ocupadas, e lembram da minha sorte? Ninguém quis passar os ternos para mim. Mas eu já havia feito isso antes; passar roupas era moleza, então lá fui eu passar o terno dele. Eu passei o primeiro e o segundo terno, e quando estava finalizando o terceiro, minha gerente me chamou.

"Diana, o que está fazendo aqui na lavanderia? Você sabe que deveria estar limpando as suítes lá da cobertura, não é mesmo? Como pode ser tão incompetente?", ela colocou as mãos na cintura.

"Eu já terminei o meu trabalho", Sirlene saiu não sei de onde, aquela vaca, "enquanto Diana fica brincando e não faz o trabalho dela", ela deu um sorrisinho, pois sabia que a gerente brigaria comigo.

"Estou passando o terno de um hóspede, ele me pediu..."

"Você sabe que isso não é sua função", ela aponta o dedo para mim, "sua função aqui é limpar e não passar roupas. Hoje mesmo vou deixar isso claro para você."

"Ele é o...", tento dizer.

"Não quero saber quem ele é, você leve os ternos para o cliente e vá até minha sala", e saiu reclamando.

"Acho que alguém vai ser demitida hoje", Sirlene me provoca, "e eu vou rir muito de você. Não vejo a hora de poder dizer adeus e nunca mais ver essa sua cara de boba."

"Olha aqui, sua..." - mas quando eu vou xingar aquela vaca, o cheiro de queimado chega até meu nariz.

"Diana, está vendo como você só faz bobagem? Quero ver você ficar aqui depois de queimar o terno do dono do hotel. Ele vai acabar com você. Talvez eu esteja com pena de você. Será a próxima desempregada da cidade", ela saiu rindo, me deixando lá com aquele problema.

Eu sabia que aqueles ternos custavam muito dinheiro, assim como o relógio. E o terno estava queimado. A marca do ferro estava estampada nas costas do casaco, e se ele não tinha me despedido até agora, com toda certeza ele me mandaria embora, e o dinheiro que eu tenho para receber do meu acerto do tempo de serviço não vai dar para pagar esse terno, muito menos o relógio. O que vou fazer? Primeiro vou subir lá e encarar a fera, depois eu vou tentar fazer um acordo com ele.

Com o terno queimado nas mãos, subi até lá. Peguei o elevador de serviço e fui para o último andar. Minha cabeça pensava em mil formas de como eu iria falar com ele. Uma coisa era certa: a rua seria o meu futuro, meu destino e minha ruína. Eu precisava tanto daquele trabalho, mas não podia simplesmente deixar o terno lá. Iria ser demitida do mesmo jeito. Saí do elevador e fui rumo à porta da suíte dele. Bati e logo ela foi aberta.

"Entre e coloque em cima da cama", ele estava no telefone. "E pode sair", ele não ia me demitir. Quase gritei de felicidade, mas eu tinha que falar do terno. Eu sempre estava em apuros. "Eu não quero me casar", a pessoa do outro lado da linha deve ter falado mais coisas e ele respondeu: "Eu não vou me casar, não vou me render às vontades de meu pai. Não sou um garotinho que ele manda e desmanda."

A conversa dele durou um bom tempo e eu fiquei ali ouvindo. Pelo que entendi, ele já deveria ter se casado há alguns anos. Parece que o pai dele estava fazendo de tudo para que ele se casasse ou seria punido. Ouvi que lá é por hierarquia, um clã que passa do pai para o filho mais velho. E ouvindo tudo ali como uma estátua com os ouvidos funcionando bem, ele estava bravo, pois ao que parece ele que levantou a fortuna da família que o pai não soube administrar e perdeu tudo em negócios sucedidos.

"O que você está fazendo aqui?" - ele estava furioso. "Estava ouvindo minha conversa?"

" Preciso falar com o senhor."

"Irmão, tem uma funcionária insistente aqui e escutando minha conversa. Vou desligar o telefone e demiti-la." Ele disse algumas palavras em outro idioma. "O que você quer? Não tenho tempo para ficar prestando atenção à conversa dos funcionários. Já não basta o que fez com meu relógio?"

"Eu", respirei fundo, fechei os olhos e disse: "Aconteceu um acidente com o seu terno."

"O que você fez?" - ele me olhou rapidamente.

"Queimou com o ferro, mas..."

"Queimou meu terno? Você não faz nada certo? Eu quero você longe de mim", eu tinha que concordar com ele, precisava ficar longe desse homem. Tenho medo do que eu possa fazer. "Vou descontar o valor do seu salário e enquanto não pagar tudo, você fica presa a este emprego."

"E quanto custa esse terno?" - perguntei com medo da resposta.

"Não sei, vinte ou trinta mil, depende da marca, não sei ao certo. Agora saia da minha frente, tenho outras coisas para fazer e problemas para resolver."

"Só mais uma pergunta. Vinte ou trinta mil reais?"

"Dólares. Não compro roupa no Brasil."

"Meu Deus", sento no sofá e começo a chorar. "Eu estou perdida."

"Você é uma garota que não presta atenção em nada." - ele se aproxima de mim e me observa, os olhos correm entre meu rosto e corpo.

"Não foi culpa minha, foi minha gerente que tirou minha atenção brigando comigo."

"Isso é um sinal de que você não é uma boa funcionária. Agora, saía. Tenho outras coisas para fazer. Vou pedir que descontem do seu salário o valor das avarias que você causou hoje. Qual é o seu nome?"

" Diana" - eu estava chorando de raiva - "Diana Rodrigues. Peça para descontar do meu salário, por favor. Com licença." - Ele já estava sentado à mesa olhando para o computador e, pelo visto, nem estava mais prestando atenção no que eu estava falando.

E assim saí da suíte e fechei a porta. Eu não podia acreditar que ficaria presa aqui por anos, pagando tudo isso e ainda tendo que aguentar a vaca da minha gerente que só me maltrata. Meus olhos estavam cheios de lágrimas e eu não sabia o que fazer. Mas então, senti uma mão em meu ombro.

Capítulo 3 Uma Esposa de mentira

Aslan Murabak

A viagem para o Brasil foi algo que me deixou irritado. Meu pai me fez visitar todos os hotéis que eu comprei, e isso não estava nos meus planos. Eu queria ir para Nova York; esse era meu plano. Sou árabe e não sigo todas as "regras". Desde jovem, tive que aprender a lidar com nossos negócios, já que meu pai não é um bom administrador. Dizem que somos um povo que sabe negociar, mas meu pai é terrível com negócios. Na verdade, ele perdeu todo o nosso dinheiro quando eu tinha apenas quinze anos, e nosso país estava passando por uma crise. E eu tive que ajudar, senão perderíamos tudo.

Fui para a faculdade e deixei meu país. Precisava voar e expandir meus negócios, importar meus produtos e muitas oportunidades surgiram, como a rede de hotéis do meu tio que estava tendo problemas financeiros depois que seu filho começou a assumir tudo, e eu comprei. Vim ao Brasil para ver como as coisas estão indo aqui, e meu pai me forçou a ver todos os hotéis da rede, e para evitar conflitos entre nós, estou visitando as unidades. E, como eu pensava, parece ser mal administrado, com problemas financeiros, o dinheiro que entra mal cobre as despesas. Pensei em demitir todos e encontrar novas pessoas em quem possa confiar; estou estudando o caso. Suspeito que o gerente esteja fazendo algum desvio em sua conta pessoal.

Meu irmão é meu advogado e minha irmã, que é uma contadora sem igual, infelizmente está sujeita à pressão para se casar. Sei que estou adiando meu próprio casamento por causa dela, e sinto muito pela minha irmã e a pressão que ela enfrenta como mulher para se casar. Nosso pai arranjou vários pretendentes para ela, mas eu sempre encontro alguma falha para que ela não se case. Queria que ela pudesse escolher alguém para passar o resto da vida com, mas nosso clã é muito tradicional, e infelizmente ela terá que se casar e com alguém que nosso pai escolha e julgue ser um bom marido.

Também me casarei, mais cedo ou mais tarde, embora não seja meu desejo. Tenho trinta e dois anos e tenho que arranjar um casamento. Uma esposa, na verdade, uma mulher de nosso clã que conheça nossas regras. Nunca segui regras, e não será agora que as seguirei.

Minha entrada no hotel foi ridícula, o que me deixou muito nervoso e estressado. Parecia que uma celebridade ia ficar lá e não o dono do hotel com seus irmãos que queriam passar despercebidos, mas não foi isso que aconteceu.

"Irmão, o que é isso?"

"Diga-lhes que vamos para nossos quartos e que não participaremos disso", parecíamos uma atração de circo.

"Senhor, é um prazer recebê-lo aqui no hotel. Sou William, o gerente do hotel", ele estendeu a mão, e eu não a cumprimentei, apenas o olhei.

Quero ir para o meu quarto.

- Senhor, fizemos essa recepção para o senhor.

- Eu quero ir para meu quarto, sem recepção.

Segui até o balcão, onde um rapaz me esperava com um sorriso no rosto e me entregou a chave, desejando-me uma boa estadia. Um dos rapazes levou minha mala até o quarto. Minha irmã estava curiosa com tudo que estava vendo: várias pessoas e algumas tirando fotos. Tudo aquilo me deixou muito nervoso e estressado. Peguei o elevador e fui para o quarto. Subi até a suíte presidencial. Só queria tomar um banho. Essas viagens, ir para vários lugares, me deixam nervoso. Tirei o blazer e meu relógio de estimação, uma peça de colecionador e que é um dos mais caros do mundo. Fui até o frigobar para pegar uma garrafa d'água. Coloquei minhas mãos nos botões da camisa e fiquei incrédulo ao ver uma mulher no meu quarto. Como isso poderia acontecer em um hotel de luxo como este? Um hóspede chegar em sua suíte e ter uma das arrumadeiras ainda dentro do quarto? Fiquei furioso com este erro.

Ela parecia inerte a tudo que acontecia ao seu redor e caminhou até onde deixei o relógio. Já imaginei o que ela iria fazer. Ela pegou a peça na mão e a observou atentamente. Provavelmente iria colocar em seu bolso. Antes que fizesse algo, falei com ela. Ela se assustou comigo e deixou o meu precioso relógio cair no chão. Fiquei tão irritado e me aproximei dela. Tive vontade de chamar a polícia, mas quando olhei para o seu rosto e vi seus olhos brilhando como se estivesse preparando uma lágrima, senti uma beleza diferente daquelas que estou acostumado. Uma camareira que chamava a minha atenção, e isso me deixou ainda mais irritado. Uma mulher fora do meu nível social e eu analisando a sua beleza. Claro que eu não iria deixar transparecer. A melhor forma de me preservar é atacando e humilhando. E foi isso que fiz com ela. Deixei claro que iria pagar pelo estrago, mas eu sabia que uma mulher como ela poderia trabalhar para mim anos e anos e não iria conseguir nem sequer pagar a metade do que eu havia pago naquele relógio. Depois de deixar claro que ela era uma incompetente, pedi que ela saísse do meu quarto e deixei claro que iria pensar no que iria fazer com ela. Para que ela saísse mais rapidamente possível de perto de mim, antes que eu admirasse ainda mais o seu rosto e o seu corpo, pedi para levar os meus ternos para passar. Queria ela longe de mim.

Ela pegou suas coisas de limpeza e meus ternos, e deixou algo cair. Aquela mulher tinha o corpo perfeito e eu não queria que minha próxima conquista fosse uma arrumadeira. Eu não deveria estar pensando nisso nesse momento. Não deveria. A mulher sai da minha suíte e em alguns minutos meus irmãos entram no quarto.

- Papai ligou, disse que você não o atendeu e que está irritado com você - Aisha me diz sentando-se no sofá.

- Papai quer me casar com alguma mulher do nosso país, disse que eu já estou passado da idade de me casar.

- É irmão já está velho e precisa arrumar uma mulher e um casamento - Lemi zomba de mim.

- Fique quieto Lemi.

- Sabe que papai não vai te deixar em paz até que se case, é nossa cultura meu irmão - ele sorri.

- Vocês sabem que depois de mim vem vocês dois.

- Eu sou o segundo filho, não tenho obrigações, por Ala como eu agradeço por isso - ele ergue as mãos.

- Eu não quero me casar, vivo muito bem sozinho.

- Arrume uma esposa de mentira, case e depois se divorcie - ele olha para a mesa e diz - O que houve com o seu relógio?

- Deixei cair e quebrou - lembro-me da mulher que o quebrou, Diana Rodrigues, esse era o nome dela, e uma ideia passa em mente - Não.

- Não? - ele me questiona com o olhar.

- Só pensei alto, Lemi. Só isso - uma esposa de mentira? Pode dar certo.

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