"Psiquê... que raios de nome é esse?", ela se perguntava, irritada, enquanto descia as escadas do pequeno apartamento onde morava.
Psiquê era seu nome, mas não fazia ideia do porque seus pais a nomearam como tal. Sabia que aquele era o nome de uma princesa grega, ou algo assim, mas em nada ela se parecia com uma princesa, não financeiramente ao menos.
Em beleza, dependendo da perspectiva, Psiquê talvez se passasse como a realeza. Seus cabelos, longos e naturalmente claros, lhe conferiam um aspecto jovial, seus olhos vívidos e brilhantes tinha um tom de verde similar aos de uma esmeralda e seus lábios, naturalmente rosados, eram grossos e bem desenhados, cheios e, aos olhos de muitos, até apetitosos.
No entanto, sua aparência não lhe trouxe muitas oportunidades na vida, não como todos a fizeram acreditar na infância. Sempre ouvira de seus pais que seria algo grande, que não nascera com tanta beleza por nada. As pessoas sempre foram gentis com ela, desde sempre a tratavam como um pequenino diamante até que, em um belo verão, ela entrou na selva que chamavam de universidade.
Haviam outros que pareciam não se importar com sua beleza ou com suas necessidades e Psiquê descobriu, da pior maneira possível, que pouco importava sua aparência se, no fim, ela não ocupasse seu espaço de forma a se destacar com algo que não fosse seu rostinho bonito.
Enquanto passava pela porta do seu prédio, tentando equilibrar a bolsa nos ombros, ela corria em direção a cafeteria mais próxima, descendo a avenida Pioneer St. Morava no Brooklyn desde que terminara sua faculdade de jornalismo e, ao menos de sua perspectiva, as coisas não estavam indo tão bem.
A loira virou a direita e sem sequer olhar para frente, entrou na pequena cafeteria. Assim como todos os prédios do bairro, aquele também apresentava um estilo de construção antiga, industrial, mas muito bem conservada e bem reformada pelos donos, que já conheciam a loira apressada e, assim que a avistaram foram preparar seu café.
- Atrasada de novo? - perguntou Peggy, a atendente que, vez ou outra, batia papo com Psiquê quando ela não estava com pressa, o que raramente ocorria.
A garota usava uma calça jeans e uma blusa de mangas longas verde que mal podia ser vista, com exceção das mangas, pois era ocultada pelo avental cor de rosa que tinha a logo da cafeteria. Seus cabelos escuros estavam escondidos dentro de uma touca e, diferente do tratamento que ela dava aos demais clientes, Peggy não forçava a simpatia exagerada para Psiquê, estava relaxada.
- E quando eu não estou? Parece que a vida me odeia! - reclamou a loira, pegando seu celular e abrindo o aplicativo para pedir um Uber, torcendo para que não custasse muito caro. - Vou ter que pegar um Uber, de metrô não vai dar pra chegar.
- Seu salário vai todo nessas coisas - Peggy falou revirando levemente os olhos. - Nisso e em café puro e Donuts com cobertura de chocolate, você ainda vai morrer por comer só porcaria.
Dito isto, a garçonete entregou a ela uma bandeja para viagem, um pouco a contra gosto. Apesar da pouca intimidade, Peggy era uma das poucas pessoas com as quais Psiquê realmente conversava quando não estava atolada de trabalho ou levando cafezinho para sua chefe.
- Tá chamando os produtos da sua cafeteria de porcaria? - a loira retrucou, pegando a bandeja e erguendo uma das sobrancelhas enquanto abria o instagram com a outra mão.
- Não posso dizer que é a coisa mais saudável do mundo - murmurou a garçonete, revirando os olhos. - Olha lá, chegou seu carro.
Quando a frase chegou aos ouvidos da jornalista, a loira agarrou com certa força sua bandeja e correu para fora entrando no carro de forma desajeitada e sequer pondo o cinto. Enquanto acompanhava o instagram com os olhos, usando a outra mão para abrir a caixa e comer o que seria sua refeição do dia com toda pressa do mundo, mais uma vez, Psiquê se deparou com alguns tabloides de fofoca e notícias mais curtidas de colegas de curso que, diferente dela, já haviam conseguido conquistar seu papel na industria jornalistica.
"É, garota, parece que só você se ferrou", pensou ela, pegando o primeiro donut e dando uma mordida desgostosa, aproveitando o sabor doce e torcendo para que aquilo melhorasse seu humor. "Que deprimente."
Apesar de saber que, diferente de suas amigas, ela havia conseguido uma vaga numa das revistas mais famosas do estado, The Clio, e, supostamente, em sua área favorita, o glamour não era como imaginava. Mesmo tendo o cargo de jornalista estagiária, não conseguiu conquistar seu espaço e seu tempo estava acabando.
Quando seu estágio chegasse ao fim, não teria outra oportunidade, sendo assim, teria uma carreira falida.
- Mas como eu vou subir nessa porra se todo mundo passa por cima de mim? - ela perguntou, sem sequer notar que havia pensado alto, percebendo o motorista olhar para ela com uma expressão confusa. - Desculpe!
"Preciso mudar isso, preciso de um furo!", ela repetia, para si mesma, enquanto olhava os destaques do Twitter.
Precisava de algo para procurar, de uma notícia tão bombástica que faria todos se lembrarem de seu nome por muito tempo e, com isso, conseguiria ser promovida, quem sabe ganhar até seu próprio tabloide, aquele era seu sonho.
Sabia que no começo, havia tirado a sorte grande por conseguir a vaga, mas nunca imaginou que as coisas seriam tão difíceis. Longe de seus pais, morando num apartamento mediano e tentando sobreviver ao maldito estágio, ela começava a se sentir desesperançosa quanto a sua futura profissão e começava a cogitar retornar para a casa de seus pais e ceder aos pedidos deles para que se envolvesse no negocio de vinho da familia.
Mas seu sonho de ter sucesso na selva de pedras que era New York a impedia de desistir e correr de volta para os braços de seus pais. Não queria passar a vida como suas irmãs, pacatas donas de casa que tinham seus maridos e faziam pilates, sabia que seu destino era outro, precisava ser.
Queria construir sua carreira e aquele estágio era a melhor oportunidade que teria, não havia lugar melhor.
The Clio, com certeza, deixou sua marca no ramo do qual fazia parte. Era uma revista que tratava de diversos temas, desde fofocas até questões sobre saúde e bem estar. Mas, obviamente, o carro chefe eram os tabloides que atualizavam as curiosas de plantão sobre os principais nomes de Hollywood ou sobre os astros da música.
Era, sem dúvida alguma, uma das revistas de mais público e com mais seguidores no instagram e no twitter. Havia lugar melhor para alavancar sua carreira?
"Eu só preciso de uma coisa bombástica", ela pensou, suspirando e enfiando a mão na caixa de donuts.
A loira balançou levemente a cabeça, repreendendo-se internamente enquanto enfiava o último donut na boca sujando os lábios quase que completamente com a calda de chocolate e deixando as bochechas estufadas e cheias da massa doce e com um leve gosto de limão.
Enquanto olhava pela janela, Psiquê viu o grande prédio, com a fachada completamente envidraçada, se apresentar logo à frente. As letras em dourado, que brilhavam com a luz do sol, não deixavam que ele passasse despercebido, The Clio era o maior da região e representava muito bem a posição da revista diante de suas concorrentes, afinal, dentre os tabloides de fofoca ele era o melhor e mais atualizado.
Enquanto tirava apressadamente o dinheiro do bolso, a loira ajeitava a bolsa sobre o ombro com a mão livre. Assim que encontrou os poucos doláres que ainda lhe restavam do salário do último mês, ela praticamente os jogou no banco do carona e, ao mesmo tempo, abriu a porta, pulando para fora do carro e levando consigo sua caixa e seu copo de café, intocado até então.
Seus passos eram apressados, como os de todos os trabalhadores que ainda não estavam dentro do prédio, estava quase atrasada e todos sabiam que Clio odiava atrasos.
Enquanto jogava sua caixa vazia na primeira lixeira que havia visto pela frente, Psiquê pensava em como alguém tinha tamanha pretensão de nomear uma revista de fofoca com seu próprio nome, porém apesar da clara demonstração de ego, Clio havia tirado a sorte grande, afinal, havia construído um império invejável.
- Foi por pouco hoje, em! - ela ouviu a voz de Pollux ecoar pelo grande corredor que levava até os elevadores.
- Você não me deixa em paz, né? - reclamou ela, afinal, o homem quase nunca a deixava sozinha, principalmente nas primeiras horas da manhã.
Pollux era seu superior, um dos jornalistas que tinha a confiança de Clio, isso lhe dava alguns privilégios. Junto a seu irmão, que estranhamente se chamava Castor, ambos formavam uma dupla que, depois da chefe, era a mais temida de todos os 30 andares que compunham a sede da Clio.
Enquanto Castor supervisionava as equipes já experientes, Pollux sempre cuidava dos estagiários e, em especial, das estagiárias. Sendo um dos braços direitos da chefe, a maioria das moças caíam em suas graças para conseguir uma promoção mais rápida para a equipe sênior.
Obviamente Pollux adorava aquilo e, na maioria das vezes, ele conseguia ficadas longas e muito divertidas com todas as estagiárias, menos com uma, e isso o fazia tornar o trabalho dela duas vezes mais difícil. Psiquê sabia como o esquema funcionava, suas colegas já haviam dito a ela, várias e várias vezes, como conseguir a promoção mais rápido. Porém, ainda não estava tão desesperada.
Não que Pollux fosse horrendo, pelo contrário, tinha cabelos ruivos e uma barba que chegava a ser charmosa, apesar de ser pequeno e um pouco irritante. Mas Psiquê ainda tinha um pouco de dignidade, não estava em seus planos transar por uma promoção.
- Eu ainda sou seu chefe, sei que em dois meses você vai ser chutada daqui, mas ainda me deve respeito - ele retrucou, já irritado com a fala sarcástica da loira. - Clio mandou que você levasse o café.
Dito isto, Pollux seguiu para a direção oposta, estranhamente, naquela manhã, ele parecia mais interessado em outras coisas do que em tirar a paz da estagiária. Enquanto levava seu próprio copo de café aos lábios, constatando que a sua bebida quente favorita agora estava gelada e intragável, a loira apertou o botão do 20° andar.
Não demorou muito para que ela chegasse até lá, seguindo de forma desanimada em direção a copa para preparar o café da chefe. Enquanto caminhava pelo corredor, sentia um olhar ou outro sobre suas costas. A maioria dos funcionários se perguntava porque ela ainda estava ali se, mesmo tendo cursado sua faculdade numa das melhores do norte do estado, parecia não passar de um enfeite na equipe.
- Bando de abutres - murmurou, entrando na copa e começando a preparar o café da forma que sabia que Clio gostava.
Demorou cerca de quinze minutos para voltar ao elevador com a bandeja em mãos, nela repousava uma pequenina garrafa térmica, uma xícara e um pequeno potinho com cubos de açúcar que ela sabia que não seriam usados. Em menos de 5 minutos a porta se abriu, dando a ela passagem livre para o último andar do prédio e, consequentemente, a colocando na frente da sala da sua chefe.
Após bater três vezes, torcendo para conseguir equilibrar a bandeja em somente uma das mãos enquanto o fazia, ela entrou na sala, que permanecia silenciosa. Clio estava em sua mesa com seu notebook aberto e os olhos castanhos concentrados na tela. Atrás dela, uma parede repleta de prêmios, tanto dela quanto da revista.
O local era enorme, com uma parede toda em vidro que dava uma vista exuberante da cidade que nunca dormia. Havia poucos móveis, nada além de um sofá bem confortável, uma mesa de centro sobre o carpete felpudo que a fazia andar desajeitadamente enquanto tentava se equilibrar. Além disso, havia uma grande estante numa das paredes e, depois, somente a grande mesa que ocupava o centro e a poltrona branca onde, confortavelmente, Clio se acomodava.
Via-se de longe que ela era uma mulher firme, para não dizer rude. Tinha 47 anos e uma expressão de poucos amigos no rosto bonito, sua pele era negra e sua cabeça era raspada, deixando nada além de marcas baixíssimas dos fios. Tinha lábios grossos e um nariz bem marcado, vestia-se de forma elegante e, qualquer um que a visse, saberia que ela era uma mulher extremamente importante somente por sua postura.
- Senhora, eu trouxe seu... - mas Psiquê não teve tempo de terminar sua fala.
- Eu não entendo porque uma figura pública esconde o rosto assim - reclamou Clio, sem sequer erguer os olhos. - Isso é tão antiquado...
A voz dela era reflexiva, porém, sua expressão mostrava sua irritação. Lábios comprimidos, sobrancelhas franzidas, ela certamente estava de péssimo humor.
Naquele momento, Psiquê entendeu porque Pollux a havia mandado ali, certamente queria se vingar pelos foras frequentes que recebia colocando-a na linha de fogo da chefe em um de seus piores dias.
- Perdão... mas do que está falando? - perguntou ela, tentando aproveitar-se do momento para estabelecer um diálogo.
Para o azar de Pollux, ela sempre foi muito observadora e, enquanto esperava sua resposta, deixou o café sobre a mesa exatamente como já havia visto os outros fazerem vez ou outra, quando os acompanhava para carregar papéis ou caixas com as edições da semana.
- Como assim do que estou falando? - a mulher perguntou, finalmente erguendo o rosto e pegando a xícara, olhando para ela como se fosse uma completa idiota. - Dele, é claro!
Clio virou o notebook para Psiquê, que viu uma matéria da própria revista sobre o homem que estava no auge há quase dois meses. A agenda lotada, o carisma digno de um astro do Rock, além da sensualidade que fazia todas as moças do estado e de fora dele soltarem suspiros apaixonados mesmo sem nunca terem visto o rosto dele.
Aquele era Eros, o homem que era o sonho erótico de todas a smulheres que o conheciam e o pesadelo de qualquer paparazzi. Ninguém sabia quem ele era de fato, qual seu nome de verdade, sequer conheciam seu rosto, ele era um completo mistério e aquilo somente o tornava ainda mais famoso e conhecido.
Ele surgiu na indústria do rock do nada cantando com uma voz rouca e sensual que logo encheu os ouvidos de todos que gostavam de um bom galã e, em poucos dias, ele já ocupava as paradas e estava entre os mais ouvidos no ranking Billboard.
Todos o conheciam e Psiquê não era diferente. Já sabia de cor os maiores sucessos e não pode evitar a expressão de curiosidade ao saber que sua chefe parecia tão curiosa quanto ela.
- Todos estão atrás desse cara, mas parece que a mídia só sabe dele o que ele quiser! Isso é tão frustrante! - reclamou, mais uma vez, Clio.
- Bem, talvez devesse tentar meios diferentes, já que os convencionais não estão funcionando - ela falou, tentando soar despretensiosa, enquanto se afastava da mesa.
Clio pensou um pouco, erguendo o olhar para a loira e a observando por alguns instantes. Lembrava-se vagamente da presença da estagiária, sabia que ela nunca havia feito nada de realmente produtivo, no entanto, diferente do que imaginava, também tinha a noção de que Pollux não facilitava a vida da pobre moça.
Erguendo uma das sobrancelhas grossas enquanto descia os olhos castanhos pela loira a sua frente, Clio sorriu, talvez aquele fosse o meio não convencional que ela precisava. Apesar das poucas informações, era de conhecimento geral que Eros atraía-se muito por belas moças e que, normalmente, cedia entrevistas apenas para quem lhe agradasse os olhos, o que ainda não havia acontecido com as jornalistas da Clio, para o desgosto da chefe.
- Sabe garota... você tem razão, eu deveria apostar nos meios não convencionais - ela falou, com um tom sugestivo que fez Psiquê ver diversas bandeiras vermelhas tremulando a frente, avisando que aquela conversa poderia dar em algo que não seria tão favorável. - Você tem compromisso no sábado?
A pergunta era somente uma mera formalidade, afinal, Clio sabia que ela jamais diria que sim, pelo contrário, o brilho ambicioso no olhar da garota que estava a sua frente dizia claramente que estaria mais que disposta para fazer qualquer coisa que ela pedisse por um furo, por um pouco de fama e, talvez, uma promoção.
- Nenhum, senhora - respondeu Psiquê, sentindo o coração acelerado.
Jamais imaginou que a conversa seria aquela, nunca cogitaria que de uma hora para outra, sua chefe mostraria interesse em lhe oferecer proposta alguma e, enquanto a encarava pelo que pareceu uma eternidade, a loira rezou para qualquer divindade que a ouvisse para que aquele fosse o impulso que ela precisava.
E foi.
- Agora você tem - Clio decretou, com um sorriso malicioso nos lábios. - Acho que, com os reparos certos, você vai chamar atenção o bastante e, se for esperta como eu acredito que é, fará bom uso da oportunidade.
Psiquê uniu as sobrancelhas, certamente, aquela não era a frase que ela esperava.
"O que ela quer dizer com isso?", ela se perguntou, não conseguindo refrear a expressão de surpresa que dominou seu rosto, fazendo suas sobrancelhas se unirem e os olhos se estreitarem.
Clio percebeu a confusão no olhar da loira e revirou os olhos, suspirando pesadamente antes de se levantar, pondo a xícara em sua mesa e caminhando até sua estagiária, que encolheu os ombros diante da mulher a sua frente, que tinha uns bons centímetros a mais que ela em altura.
- Você vai ganhar a passagem vip da revista para o próximo show dele e, eu espero, que saiba usar essa sua carinha bonita para conseguir respostas - ela falou, se aproximando o suficiente para fazer a loira prender a respiração de nervosismo. - Se fizer direito, isso pode te levar ao topo, garota!
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- Como assim você conseguiu sua chance? - Eldora perguntou, com sua voz esganiçada e escandalosa, do outro lado da linha. - Não acredito que vão te mandar pra ele!
Psiquê estava em sua casa, a noite já havia chegado e a única companhia que a loira tinha era uma taça de vinho cheia até a metade e seu celular, que estava em sua mão direita. Enquanto bebia, conversava com suas únicas três amigas.
As janelas estavam abertas e a brisa noturna tomava todo o apartamento, tornando o calor que fazia no Brooklin naquela noite quase inexistente.
Pela tela, que se dividia em três espaços distintos, era possível para ela enxergar uma jovem de cabelos ruivos e o rosto cheio de sardas, Eldora, uma outra de cabelos legros que estavam presos num rabo de cavalo mal feito, Janine, e uma última com o cabelo colorido que tinha a aparência mais jovial entre as três, Suzane.
As quatro mulheres haviam se conhecido na faculdade, logo que entraram na New York University. A relação que tinham era complexa, fingiam umas para as outras que eram melhores amigas, mas, bem no fundo, torciam intimamente para serem, do quarteto, as melhores.
Todas desejavam o sucesso profissional, mas não uma das outras, queriam ser as melhores e as invejáveis, mas isso não mudava a influência que tinham umas sobre as outras. Eram as melhores ouvintes e confidentes, apesar da inveja velada que mantinha o grupo de pé.
- Pois é! - a loira confirmou, após mais um gole de vinho. - Ela simplesmente olhou para minha cara e falou "Você tem compromisso no sábado?" - Psiquê imitou a voz grossa de Clio, fingindo uma expressão convencida. - Eu quase surtei!
A gargalhada das quatro encheram a sala e, por um momento, até se esqueceram da competitividade que a oportunidade de Psiquê instigou.
Então, com um brilho no olhar e uma mecha azul enrolada no dedo anelar, Suzane falou:
- Poderíamos ir todas juntas!
A fala pegou as outras três de surpresa que se calaram diante da ideia por apenas um momento, antes de confirmar com muita animação.
Um sábado das meninas em um show de um artista pop?
O que poderia dar errado?
Psiquê não sabia se sentia confortável com a possibilidade das outras três estarem presentes no seu grande dia, mas ela sabia que não era como se qualquer uma tivesse chance de roubar seu furo, o momento era dela e ninguém iria tirá-lo.
Não havia risco algum de sua glória ser ocultada.
- Eu acho que a ideia é ótima! Seria uma noite só das garotas! - confirmou a loira, dando mais um longo gole em seu vinho.
- Olha, me disseram que ele só aceita as mais bonitas - Janine falou com um ar malicioso. - Já sabe o que vai vestir, Psi?
- Ainda não - ela balançou a cabeça, fazendo os fios loiros saírem do lugar. - Mas acho que a Clio vai cuidar disso, ela me mandou ir no escritório dela amanhã cedo, então acho que já deve ter um plano.
- Claro que ela tem, todos os tabloides do estado querem uma notícia dele, a Clio quer sair na frente, ela já deve ter arquitetado tudo -Eldora falava de forma um tanto quanto debochada, mas sabia que a revista CLio e sua líder eram os melhores.
- Tá com inveja é? - Psiquê alfinetou, rindo levemente e vendo a outra revirar os olhos. - Seu momento também vai chegar amiga!
- Vai a merda! - Eldora retrucou, mostrando o dedo do meio. - Eu tenho que ir, diferente da loirinha ai, eu não tenho média com minha chefe!
- Também preciso ir, amanhã o dia começa cedo! Boa noite meninas - falou Psiquê, finalizando o vinho e ouvindo a resposta em coro de suas amigas antes de desligar.
Quando o silêncio voltou a reinar em sua casa novamente, ela encarou a pequena sala do apartamento e suspirou, vendo Perseu, seu gato de estimação, se esticar e bocejar. Ela o chamava carinhosamente de Percy, havia telado todas janelas e a varanda que dava acesso à rua para mantê-lo em casa, porém, vez ou outra ele ainda escapava.
- Boa noite, Percy - murmurou ela, caminhando em direção ao seu quarto e se jogando em sua cama, precisava dormir.
O quarto era pequeno, mas muito bem decorado. As paredes eram brancas e, na parede onde a cabeceira da cama ficava recostada, havia um papel florido e vivido.
Psiquê se deitou na cama, ligando o ar-condicionado e puxando o edredom sobre si, enquanto sonhava acordada com sua ascenção no mundo jornalístico.
Ao passo que o sono chegava para ela lentamente, em Manhattan, a noite começava a ferver. O Madson Square Garden estava lotado, as pessoas se amontoavam, gritavam e pulavam ansiosas para que a atração principal da noite entrasse. Muitos esperaram muito tempo por aquele dia, enfrentaram enormes filas e economizaram muito dinheiro para garantir seu ingresso.
Dentro do camarim, a silhueta do astro da noite refletia no espelho. Sua pele negra brilhava diante da luz do local, o peitoral estava nu, era definido e com músculos perfeitamente delineados, o que contribuia com seu ar sensual e desejável, braços fortes e musculosos, ombros e costas lar. Não se podia ver seu rosto, mas em nada isso ocultava a clara beleza dele, era alto, tinha músculos definidos, cabelos escuros de um tom castanho, baixos e pouco visíveis, e olhos que se assemelhavam ao âmbar.
- Eros, tá na hora - a voz masculina ressoou pelo camarim, chamando atenção do homem que estava em frente ao espelho. - Tem gente pra caralho lá fora.
Eros riu, balançando a cabeça, mal acreditava que aquilo realmente estava acontecendo, não imaginou que chegaria tão longe. Colocou alguns colares no pescoço, acessórios de alguns patrocinadores, e seguiu em direção a saída.
De longe, enquanto caminhava em direção ao palco, ouvia seu nome através de milhares de vozes, que clamavam por ele, que estavam ansiosas para vê-lo, e Eros amava aquilo.
Parou em frente a pequena escada e respirou profundamente, fechando os olhos por um momento e sentindo duas batidinhas em seu ombro, provavelmente Tesse, seu melhor amigo. Então, quando os abriu novamente, o microfone foi posto em sua mão e as luzes baixaram, os gritos se tornaram mais fortes e, depois, cessaram.
Então Eros entrou no palco e fez o que sabia fazer, cantou, seduziu, se permitiu ser livre.
A música parecia sincronizada com seu corpo, com sua voz. Seu timbre era rouco e melódico, sensual de forma que a maior parte da plateia se derretia diante do seu charme natural. Não viam seu rosto, mas ele sabia que seu corpo e sua voz eram o bastante, era disso que gostava.
Enquanto cantavam com ele e imploravam por sua atenção, mesmo que por um segundo, Eros fazia seu Show como se fosse o primeiro e o último. Seu corpo se movia, suas mãos desciam por seu peito e, em algum momento daquela noite louca, ele até puxou uma ou duas fãs para o palco.
Sua performance era perfeita e todos sabiam, por isso investiram tanto nele.
Mas, às vezes, ele surpreendia a todos.
Aquela foi uma dessas vezes.
Enquanto a guitarra fazia seu solo, a plateia foi ao delírio quando, enquanto seu corpo se movia bem colado ao de uma fã, seus lábios se uniram num beijo intenso, sensual e completamente quente. Os lábios dela eram macios, apesar de finos, e tinham um delicioso gosto de menta.
Eros segurou com força a nuca delicada dela, sentindo a pele suave e úmida pelo suor, a puxando contra si mesmo e colando seus corpos enquanto a plateia gritava e pulava ao som do solo de guitarra e ao ver a cena alucinante no palco.
A garota mal conseguia respirar sequer acreditava que aquilo estava acontecendo. O beijo foi, sem dúvida alguma, o melhor que ela recebeu em toda sua vida, era quente e sensual, fazia seu corpo arder em desejo e, quando ele se afastou, ela estava tonta.
Então, no timing perfeito, Eros voltou a cantar, como se aquele fosse somente um detalhe trivial em sua apresentação, como se não fosse nada demais. E de fato não era, mais uma boca beijada, um bom beijo, mas nada além disso.
Então o show continuou e ele se entrou cada vez mais, até que, quando a última música se encerrou e ele saiu do palco em meio a uma nuvem de fumaça, deixando o público pedindo por mais, o sol estava quase nascendo e, com ele, a necessidade que ele tinha de voltar para sua segunda vida.
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- Está atrasada - a voz de Clio soou assim que Psiquê adentrou o local.
De fato estava atrasada, mas não era de todo culpa sua, Pollux nunca facilitava sua entrada e sempre a prendia no andar debaixo quando tinha a oportunidade, tudo para dificultar seu serviço e mostrar seu descontentamento pelo fato de Psiquê não lhe dar sequer um sorriso.
- Eu... - ela começou pensando em uma desculpa plausível que não soasse como uma desculpa de merda.
Porém, antes que continuasse sua fala, Clio ergueu os olhos intensos e a encarou num claro sinal para que se calasse.
Qualquer um tremeria diante da dona daquele grande império, ela emanava força e a intensidade de seu ser chegava a ser apavorante para a jovem e inexperiente jornalista que só queria se esconder num cantinho como um ratinho assustado.
Sua chefe se ergueu caminhando em direção ao centro da sala, onde Psiquê estava paralisada. Clio caminhou ao redor dela como um leão que cerca sua presa, enquanto a analisava pacientemente. Os saltos faziam um barulho ritmado contra o chão enquanto ela caminhava e, enquanto seus olhos subiam e desciam, a loira a sua frente continuava estática.
Jamais se imaginou numa situação como aquela, sequer pensou que Clio passaria cerca de dez minutos a analisando minuciosamente, nem em seus sonhos mais loucos aquilo havia acontecido, e sua imaginação era bastante fértil durante as noites de sono. Apesar de incomodada, a loira não ousou se mover ou dar um passo antes que Clio terminasse sua observação.
- Se continuar com essa postura curvada e ridiculamente passiva, você vai ser só mais uma - ela pontuou, dando um tapinha nas costas de Psiquê, que ajeitou a postura apressadamente. - Hoje é quinta-feira, temos até sábado para tornar você sedutora o suficiente a ponto de chamar a atenção dele, acho bom se esforçar.
- Sedutora? - ela perguntou, erguendo as sobrancelhas com um ar ofendido. - Eu sou...
- Garota, uma taça de vinho meio vazia consegue ser mais sensual que você - Clio ralhou, com clara irritação. - Não adianta ter um rostinho bonito e um corpinho de academia se não sabe usar seus atrativos. Ser bonitinha não te faz diferente das milhões de bonitinhas que vão estar naquele show no sábado.
O tom dela era cortante, intenso, mas de fato, Clio sabia o que estava falando. Não era como se odiasse Psiquê, sequer sabia da existência dela até o dia em que ela abriu a boca em seu escritório pela primeira vez, porém, sabia que, se ia apostar na estagiária, ela teria que ser mais do que aquilo que estava vendo.
Aos olhos da CEO da maior revista de fofoca de NY, Psiquê era somente mais uma no meio da multidão, claro, era bonita, mas aquilo não era o suficiente. Precisava que até sábado, Psiquê se tornasse uma mulher para quem as pessoas gostariam de olhar, só assim ela chamaria a atenção do seu alvo.
- Comece pelo andar, pare de encolher esses ombros, ponha o peito para frente - Clio falou, sua voz era impaciente. - Se você ficar encolhida, vai parecer um ratinho timido e ele vai passar direto por você.
- Desculpe! - foi a única coisa que ela conseguiu responder enquanto colocava os ombros para trás e o peito para frente.
- Mandei Pollux marcar um horário para nós duas no meu cabeleireiro amanhã, mais tarde vamos à uma loja para comprar algo para você - ela comunicou voltando a se sentar, olhando para a tela de seu notebook. - Enquanto isso quero que pesquise sobre ele e junte todas as informações que encontrar pela internet, mesmo que sejam só rumores. Faça isso daqui mesmo, pode se sentar ali.
Clio apontou para o sofá e, praticamente correndo, Psiquê se acomodou no macio estofado, sem sequer acreditar que aquilo estava acontecendo.
- Sim... - ela murmurou, se sentando e abrindo o notebook para começar sua pesquisa.
Enquanto seus olhos percorriam as linhas de diversos blogs de fofoca, ela tentava entender porque ele era tão famoso. Pelo que entendeu, Eros veio do nada, um belo dia sua fama e sua música surgiram.
Mas quando viu suas fotos, entendeu que parte estava pela beleza que, mesmo com o rosto escondido sob uma máscara, não deixava de ser notável. Além desse detalhe, Eros tinha carisma, muito carisma. Sua performance era impecável e o seu ar sedutor era sua marca registrada.
Ao que entendia, não se sabia nada sobre ele, nada além do fato de ser um homem rico e com uma voz que molhava 90% das calcinhas de NY.
Sendo assim, tudo o que fez nesta manhã foi ler milhares de boatos sobre o misterioso cantor e procurar entrevistas que ele havia concedido, que era bem raro.
Quando a primeira parte do seu expediente acabou e Psiquê seguiu em direção a praça de alimentação do prédio, não demorou para encontrar Helena, uma de suas poucas amigas do trabalho.
Helena era uma jovem que, mesmo sendo estagiária há pouco tempo, já havia sido efetiva após cair nos encantos de Pollux. Era uma garota gentil e divertida, mas enganava-se quem a achava ingênua, era ambiciosa e inteligente.
Tinha belos cabelos volumosos, mas com pouca definição, seus olhos eram castanhos e sua pele era caramelada. Seu sorriso lindo tá encantador e seu rosto tinha traços extremamente belos.
- Achei que ela não ia te liberar hoje! - Helena falou, rindo levemente e apontando para a cadeira ao seu lado. - Fiquei surpresa quando me disseram que Clio ia mandar você, Pollux parecia bem irritado.
Psiquê revirou os olhos enquanto se sentava na cadeira, suspirando pesadamente enquanto ouvia o comentário, sabia que, certamente, Pollux não estava nada satisfeito com a ascensão de Psiquê sem seu auxílio.
- Sabe que ele é um idiota, mas é muito mais fácil com um idiota como ele por perto - Helena falou, balançando a cabeça.
- Eu não precisei dele - retrucou ela, revirando os olhos mais uma vez enquanto olhava o cardápio do único restaurante que havia no prédio. - Vou conseguir essa entrevista Helena, você vai ver, eu vou subir sozinha e Pollux vai ter que engolir.
- Você é muito orgulhosa - Helena murmurou, balançando negativamente a cabeça enquanto ria.
Depois disso, ambas gastaram a próxima hora conversando sobre as fofocas que corriam pelo prédio e comendo, sem muita pressa, o almoço que pediram.
Enquanto conversava, Psiquê tentava conter o nervosismo que imaginar a entrevista lhe causava, mas estava determinada a conseguir informações úteis, afinal, aquela era a oportunidade que ela precisava.
Depois do almoço, o dia transcorreu com mais pesquisas e pouca conversa. Diferente de Psiquê, Clio parecia pouquíssimo preocupada com o importante evento de sábado, mas percebia a insegurança da jornalista, que parecia prestes a dar um ataque de nervos, mesmo ainda sendo quinta-feira, aquilo não era bom.
Com toda certeza, Clio não precisava de um rato assustado naquele show no sábado, precisava de uma mulher sedutora e que parecesse interessante, muito interessante.
Por isso, quando olhou o grande relógio em sua parede e viu que a hora do salão se aproximava, ela se ergueu de súbito, assustando a loira que estava sentada no sofá. Encarando-a com pouca paciência, Clio inclinou a cabeça para o lado e, em seguida, partiu em direção a porta, passando por ela sem muitas explicações.
Psiquê fechou no notebook e, o mais rápido que pode, a seguiu.
O caminhar pelo corredor foi constrangedor. Todos encaravam a chefe e, por consequência, a estagiária que vinha atrás dela. Aos olhos dos demais funcionários, era muito estranho ver a imponente dona da revista caminhando ao lado de uma estagiária que a maioria sequer sabia o nome.
Porém, isso não os desagradava tanto quanto a Pollux, que sentia o estômago se revirar em irritação sempre que lembrava-se dos planos de Clio para Psiquê. Claro, sua implicância não passava de um orgulho ferido e de um ego machucado, odiava o fato de Psiquê desprezá-lo tão abertamente.
Desejou-a desde que ela pisou naquela empresa e, quando a viu, acreditou que não seria difícil tê-la para si. Mas estava completamente enganado e, com o passar dos meses, notou isso. Psiquê raramente retribuía sua simpatia, malmente o cumprimentava e, quando ele tentou suas investidas, tudo o que recebeu foi um não claro e sonoro.
Nada de palavras macias, nada de decoro, só um não alto e claramente ofendido.
Desde aquele dia, tomou como seu hobby particular inferniza-la até que ela decidisse aceitar sua "ajuda" e, com isso, seu convite para um jantar, que certamente acabaria em seu apartamento, entre seus lençóis.
Pollux tentou isso por longos meses, não importava o quanto ele a sabotava, Psiquê parecia sempre muito disposta a ignorar a existência dele. Ele a fez servir café, organizar todos os arquivos, catalogar as edições desde 1980 e até a limpar seu escritório, mas nada parecia abalar o espírito da loira, que seguia fazendo tudo e mais um pouco sem sequer resmungar.
No entanto, Pollux tinha certeza que a venceria pelo cansaço, ao menos antes. Agora Clio a tinha como favorita e, assim, ele jamais conseguiria concluir seu plano.
Ali, naquele momento, enquanto a via seguir, tentava encontrar uma forma de tirá-la dos holofotes da chefe, mas nada lhe vinha à mente. Acompanhava o andar de Psiquê, observando as pernas bem torneadas na saia lápis que usava naquele dia, as coxas grossas e o balançar sensual dos quadris. Imaginou-se segurando firmemente os fios loiros enquanto a beijava e provava do gosto dos lábios dela, que tinha certeza serem doces.
Mas seus pensamentos foram interrompidos pela imagem de Castor, entrando em seu campo de visão subitamente, com um sorriso malicioso nós lábios. Eles eram idênticos como gêmeos deveriam ser, os mesmos cabelos ruivos, os mesmos olhos, mas Castor era visivelmente mais bem humorado que o irmão.
- Se continuar encarando assim, o resto da sua dignidade vai para o lixo, irmão - ele provocou, com seu sarcasmo habitual.
- Vá a merda, Castor - Pollux respondeu, revirando os olhos. - Não tem ninguém para supervisionar hoje não? Arrumou tempo para encher meu saco na sua agenda apertada?
- Eu vim te trazer um lencinho antes que todos percebessem você babando pela estagiária - alfinetou, mais uma vez, Castor. - Mas já que não precisa de mim, vou me retirar, sugiro que você também volte para sua sala, se Clio voltar e você não tiver terminado seus afazeres, sua cabeça vai rolar.
Dito isto, ele seguiu para o setor administrativo, deixando o setor editorial, onde Pollux trabalhava. O outro não demorou para seguir para sua própria sala também, em partes seu irmão estava certo, afinal, Clio com certeza iria ficar furiosa se, mais uma vez, ele pisasse na bola.
Apesar de ser muito bom em administrar o setor editorial, sempre atrasava os prazos e raramente conseguia aprovar as matérias em tempos hábil. Por causa dele, muitos furos e matérias exclusivas foram perdidas para as concorrentes e, se não fosse o respeito e carinho que Clio tinha por Castor, ele já teria sido dispensado.
Com esse pensamento e um pouco de irritação, ele voltou para sua sala e trancou-se lá, onde passou o resto da tarde.
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