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Meu Ex-Marido, Meu Inimigo: A Justiça de Lia

Meu Ex-Marido, Meu Inimigo: A Justiça de Lia

Autor:: Sarah
Gênero: Romance
O cheiro de desinfetante e o metálico de sangue invadiam-me o nariz, mas a dor mais aguda vinha do coração: tinha acabado de perder o meu bebé. Ao meu lado, Pedro, o meu marido, consolava Sofia, a minha meia-irmã, com uma expressão de preocupação que nunca me dedicaria. "Ela só deslocou o pulso", disse, enquanto eu olhava para o meu ventre vazio. Senti-me a desmoronar. Eles tinham-me feito cair, sabendo que eu estava grávida de sete meses. Foi por causa deles que o meu filho se foi. Mas, em vez de apoio, fui confrontada com acusações: "Para com o drama, Lia! A Sofia caiu por tua causa! Onde está a tua sensatez?" A minha sogra, sem cerimónias, atirou: "Um bebé pode ser concebido outra vez!" A que ponto chegara a minha vida? O homem que devia proteger-me e lamentar a nossa perda, abraçava a mulher que nos destruiu. A minha família, que eu amava, virou-se contra mim. A injustiça era visceral, sufocante. Mas, ao invés de desmoronar, algo dentro de mim solidificou. Peguei no meu telemóvel e disquei para o meu advogado: "Dr. Almeida? É a Lia. Quero iniciar o processo de divórcio imediatamente." Esta não era apenas uma separação; era o início de uma vingança.

Introdução

O cheiro de desinfetante e o metálico de sangue invadiam-me o nariz, mas a dor mais aguda vinha do coração: tinha acabado de perder o meu bebé.

Ao meu lado, Pedro, o meu marido, consolava Sofia, a minha meia-irmã, com uma expressão de preocupação que nunca me dedicaria. "Ela só deslocou o pulso", disse, enquanto eu olhava para o meu ventre vazio.

Senti-me a desmoronar. Eles tinham-me feito cair, sabendo que eu estava grávida de sete meses. Foi por causa deles que o meu filho se foi.

Mas, em vez de apoio, fui confrontada com acusações: "Para com o drama, Lia! A Sofia caiu por tua causa! Onde está a tua sensatez?" A minha sogra, sem cerimónias, atirou: "Um bebé pode ser concebido outra vez!"

A que ponto chegara a minha vida? O homem que devia proteger-me e lamentar a nossa perda, abraçava a mulher que nos destruiu. A minha família, que eu amava, virou-se contra mim. A injustiça era visceral, sufocante.

Mas, ao invés de desmoronar, algo dentro de mim solidificou. Peguei no meu telemóvel e disquei para o meu advogado: "Dr. Almeida? É a Lia. Quero iniciar o processo de divórcio imediatamente." Esta não era apenas uma separação; era o início de uma vingança.

Capítulo 1

O cheiro de desinfetante inundou o meu nariz, misturado com o aroma metálico de sangue.

O meu corpo inteiro doía, mas a dor mais aguda vinha do meu coração.

Eu tinha acabado de perder o meu filho.

Um filho que esperei por três longos anos.

Ao meu lado, o meu marido, Pedro, segurava a mão da minha meia-irmã, Sofia, com uma expressão de preocupação.

"Leo, o médico disse que a Sofia só deslocou o pulso, mas a queda assustou-a muito. Ela precisa de descansar."

A voz dele era suave, cheia de um cuidado que ele nunca me mostrou.

Olhei para o braço dela, depois para o meu ventre, agora vazio.

Um riso amargo escapou dos meus lábios.

"Pedro, vamos divorciar-nos."

A minha voz saiu rouca, quase um sussurro, mas cada palavra era clara e firme.

Pedro franziu a testa, a sua impaciência a transparecer. "Lia, para com o drama. A Sofia caiu das escadas por tua causa. Em vez de pedires desculpa, estás a pedir o divórcio? Onde está a tua sensatez?"

Por minha causa?

Foi ela que se atirou sobre mim, fazendo-me cair.

Eu estava grávida de sete meses.

A queda custou-me o meu bebé.

"Ela caiu por minha causa?", repeti, a incredulidade a transformar-se em raiva fria. "Eu estava a descer as escadas e ela correu na minha direção. Tu viste, Pedro. Estavas lá."

Sofia começou a soluçar, o seu corpo a tremer. "Lia, eu sei que nunca gostaste de mim. Eu só queria ajudar-te com a mala, não queria que isto acontecesse. Por favor, não culpes o Pedro, a culpa é toda minha."

Ela olhou para ele com os olhos cheios de lágrimas, a personificação da inocência ferida.

O coração do Pedro derreteu-se visivelmente. Ele abraçou-a com mais força.

"Não digas isso, Sofia. Não foi culpa tua. A Lia está apenas perturbada por causa do bebé. Ela não quer dizer o que diz."

Ele nem sequer olhou para mim.

Eu era a sua esposa. Eu tinha acabado de perder o filho dele.

E ele estava a consolar a mulher que o causou.

A porta do quarto do hospital abriu-se e a minha sogra, a mãe do Pedro, entrou a correr. Ela ignorou-me completamente e foi direta para a Sofia.

"Oh, minha querida Sofia! Estás bem? Ouvi dizer que te magoaste. Deixa-me ver."

Ela examinou o pulso da Sofia com uma preocupação maternal, clocando a língua em desaprovação.

"Esta Lia é tão descuidada. Grávida e ainda assim a causar problemas. Agora magoou-te."

Finalmente, ela virou-se para mim, o seu olhar frio como gelo.

"E tu, para de criar problemas. Um bebé pode ser concebido outra vez. A Sofia é frágil, não a podes perturbar."

Eu senti o meu mundo a desmoronar-se.

Estas eram as pessoas que eu chamava de família.

Capítulo 2

"Eu não quero outro bebé," disse eu, a minha voz a ganhar força. "Eu quero o divórcio."

A minha sogra bufou. "Divórcio? Não sejas ridícula. A família Costa não se divorcia. Vais envergonhar-nos a todos."

"Eu já não me importo com a vergonha," respondi, olhando diretamente para o Pedro. "Eu não posso continuar casada com um homem que não me vê, que não me protege."

Pedro finalmente me olhou, mas os seus olhos estavam cheios de fúria.

"Proteger-te? Eu protejo esta família! A Sofia precisava de mim! Tu estavas no hospital, com médicos! O que mais querias que eu fizesse?"

"Eu queria o meu marido," disse eu, a voz a quebrar. "Eu queria que estivesses ao meu lado quando o médico me disse que o nosso filho tinha morrido. Não a consolar a ela por um pulso deslocado."

"Chega, Lia!" gritou ele. "Estás a ser egoísta. A Sofia está a sofrer!"

O absurdo da situação atingiu-me com a força de uma onda.

Eu ri. Um riso oco e sem alegria.

"Sim, estou a ver o quanto ela está a sofrer."

Peguei no meu telemóvel da mesa de cabeceira. As minhas mãos tremiam, mas a minha determinação era de aço.

Encontrei o número do meu advogado e disquei.

"Dr. Almeida? É a Lia. Quero iniciar o processo de divórcio imediatamente."

O silêncio no quarto era total. Pedro olhava para mim como se eu fosse uma estranha. A sua mãe parecia que ia explodir.

Sofia, no entanto, tinha um pequeno e quase impercetível sorriso nos lábios.

Ela tinha ganhado.

O meu advogado foi rápido e eficiente. No dia seguinte, os papéis do divórcio foram entregues ao Pedro no seu escritório.

Ele ligou-me, furioso.

"O que pensas que estás a fazer? Estás a tentar destruir a minha reputação?"

"Não," respondi calmamente. "Estou a salvar-me."

"Vais arrepender-te disto, Lia. Não vais receber um único cêntimo de mim."

"Eu não quero o teu dinheiro, Pedro. Eu só quero a minha liberdade."

Desliguei o telefone antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.

Senti um alívio imenso, como se um peso tivesse sido tirado dos meus ombros.

A minha mãe veio visitar-me no hospital. Ela tinha estado a viajar e só soube do que aconteceu quando aterrou.

Ela abraçou-me com força e chorou comigo.

"Oh, minha filha. Sinto muito, tanto."

A minha mãe, Clara, nunca gostou do Pedro nem da sua família. Ela sempre disse que eles eram frios e calculistas.

Eu não a ouvi. Estava apaixonada.

"Tu tinhas razão, mãe. Eu devia ter-te ouvido."

"Não importa agora," disse ela, limpando as minhas lágrimas. "O que importa é que vais sair disto. Nós vamos sair disto juntas."

O apoio dela era o único bálsamo para a minha alma ferida.

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