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Meu Ex, Minha Ruína

Meu Ex, Minha Ruína

Autor:: Little Red Cap
Gênero: Moderno
Era para ser o dia mais feliz da minha vida. Estava noiva de Lucas, herdeiro de uma das famílias mais tradicionais de São Paulo, minha carreira como influenciadora digital estava explodindo. Mas em segundos, tudo desabou. Fui brutalmente atacada no estacionamento, meu rosto foi desfigurado, três dentes arrancados. Caída no chão, o cheiro de lixo e chuva misturado ao meu próprio sangue, ouvi a verdade mais cruel. Meu pai e meu irmão, conversando, frios e calculistas, planejavam me manter dopada e sem tratamento. "O casamento da Rafaela com o Lucas precisa acontecer." "O rosto dela pode esperar." Minha própria família, me sacrificando impiedosamente por dinheiro e status. O pânico subiu pela minha garganta. Lucas me ligou, mas não para perguntar se eu estava bem, mas para me acusar de dívidas de jogo. Ele acreditou nas mentiras que eles plantaram para me difamar. Minha imagem, minha honra, tudo estava sendo destruído por aqueles que eu amava. Eu era apenas uma peça a ser descartada, um problema a ser gerenciado. Como eles puderam ser tão cruéis? Por que eu? Eles pensaram que tinham me quebrado. Mas, na escuridão do meu quarto de hospital, uma brasa fria de raiva se acendeu. Sussurrei para uma enfermeira: "Preciso de um celular. Minha mãe. Em Portugal. Ela vai me tirar daqui." A partir daquele momento, a vítima que eu era, deixou de existir.

Introdução

Era para ser o dia mais feliz da minha vida.

Estava noiva de Lucas, herdeiro de uma das famílias mais tradicionais de São Paulo, minha carreira como influenciadora digital estava explodindo.

Mas em segundos, tudo desabou.

Fui brutalmente atacada no estacionamento, meu rosto foi desfigurado, três dentes arrancados.

Caída no chão, o cheiro de lixo e chuva misturado ao meu próprio sangue, ouvi a verdade mais cruel.

Meu pai e meu irmão, conversando, frios e calculistas, planejavam me manter dopada e sem tratamento.

"O casamento da Rafaela com o Lucas precisa acontecer."

"O rosto dela pode esperar."

Minha própria família, me sacrificando impiedosamente por dinheiro e status.

O pânico subiu pela minha garganta.

Lucas me ligou, mas não para perguntar se eu estava bem, mas para me acusar de dívidas de jogo.

Ele acreditou nas mentiras que eles plantaram para me difamar.

Minha imagem, minha honra, tudo estava sendo destruído por aqueles que eu amava.

Eu era apenas uma peça a ser descartada, um problema a ser gerenciado.

Como eles puderam ser tão cruéis?

Por que eu?

Eles pensaram que tinham me quebrado.

Mas, na escuridão do meu quarto de hospital, uma brasa fria de raiva se acendeu.

Sussurrei para uma enfermeira: "Preciso de um celular. Minha mãe. Em Portugal. Ela vai me tirar daqui."

A partir daquele momento, a vítima que eu era, deixou de existir.

Capítulo 1

A dor veio primeiro, uma onda de fogo que subiu pelo meu rosto e explodiu dentro da minha cabeça. Depois veio o som, um grito abafado que eu mal reconheci como sendo meu. Eu estava no chão, o asfalto frio e sujo do estacionamento grudando na minha pele, e o cheiro de lixo e chuva enchia minhas narinas. Dois homens, duas sombras, se afastavam correndo, desaparecendo na escuridão da noite carioca.

Tudo tinha acontecido muito rápido. Um minuto antes, eu estava saindo do meu carro, cantarolando, pensando nos últimos detalhes do meu casamento com Lucas, que seria no dia seguinte. Eu era Ana Paula, a influenciadora digital que tinha tudo: uma carreira de sucesso, uma família poderosa e um noivo herdeiro de uma das famílias mais tradicionais de São Paulo.

Agora, eu era apenas uma mulher sangrando no chão de um estacionamento.

Tentei me levantar, mas uma dor aguda na mandíbula me fez cair de volta. Levei a mão à boca e senti um vazio. Um, dois, três dentes a menos. O pânico começou a subir pela minha garganta, gelado e sufocante. Meu rosto. Meu trabalho. Meu casamento.

As luzes de uma ambulância finalmente cortaram a escuridão. Alguém me tocou, vozes falavam comigo, mas tudo parecia distante. A última coisa que vi antes de apagar foi o reflexo do meu próprio rosto desfigurado no vidro da porta da ambulância.

Acordei em um quarto de hospital particular, o cheiro de antisséptico forte demais. Meu pai, o Sr. Oliveira, um magnata do agronegócio, estava ao lado da cama, o rosto contorcido em uma máscara de preocupação. Meu irmão, Pedro, um renomado cirurgião plástico, segurava minha mão.

"Minha filha, que bom que você acordou," disse meu pai, a voz grave e controlada. "Nós pegamos um susto terrível."

Pedro apertou minha mão.

"Não se preocupe, maninha. Eu estou aqui. Eu vou cuidar de você. Vou deixar seu rosto perfeito de novo, eu prometo."

Suas palavras eram um bálsamo. Eu acreditei nelas. Fechei os olhos, exausta, sentindo uma pontada de alívio em meio à dor. Minha família estava ali. Eles iam me consertar.

Mais tarde, eu estava meio acordada, flutuando na névoa dos analgésicos. A porta do quarto estava entreaberta, e eu ouvi as vozes do meu pai e do meu irmão no corredor. Eles falavam baixo, mas o silêncio do hospital carregava suas palavras até mim.

"O estrago foi grande, pai," disse Pedro, a voz tensa. "Mandíbula quebrada, vários dentes perdidos, lacerações profundas. Vai levar meses de cirurgia, e mesmo assim, pode não ficar como antes."

Houve uma pausa. Então, a voz do meu pai, fria e calculista, cortou o ar.

"Não temos meses. O casamento de Rafaela com o Lucas precisa acontecer. É um negócio importante demais para a empresa. Um atraso agora pode colocar tudo a perder."

Meu coração parou. Rafaela. Minha irmã de criação. A que sempre me olhou com uma inveja que ela mal se dava ao trabalho de esconder. Casamento com o Lucas? O meu Lucas?

"Mas pai, e a Ana Paula?" a voz de Pedro era fraca, um protesto sem força. "Ela é minha irmã. O rosto dela..."

"O rosto dela pode esperar," meu pai retrucou, impaciente. "Rafaela é a nossa prioridade. Ela é a que vai garantir nosso futuro. Você vai adiar qualquer procedimento reconstrutivo. Diga que precisa esperar a inflamação diminuir, invente qualquer coisa. Precisamos de tempo para que o Lucas se acostume com a ideia de ficar com a Rafaela."

Eu fiquei imóvel na cama, o ar preso nos meus pulmões. Cada palavra era uma facada. A dor no meu rosto não era nada comparada à dor que rasgava meu peito. A preocupação deles era uma farsa. A promessa do meu irmão era uma mentira.

Eu não era a filha amada, a irmã querida. Eu era um obstáculo. Um problema a ser gerenciado.

Lembrei de todas as vezes que meu pai elogiou Rafaela na minha frente, diminuindo minhas conquistas. Lembrei de como Pedro, apesar de parecer me adorar, sempre cedia às vontades do nosso pai. A ingenuidade que eu tinha sobre a minha própria família se despedaçou em um instante. Eu tinha vivido numa bolha de mentiras, e ela acabara de estourar da forma mais brutal possível.

Minutos depois, eles entraram no quarto de novo, os rostos recompostos em máscaras de falsa compaixão. Meu pai alisou meu cabelo, um gesto que agora me dava nojo.

"Descansou um pouco, querida?"

Eu apenas o encarei, a dor e a traição queimando nos meus olhos.

Pedro se aproximou, evitando meu olhar.

"Ana, eu examinei seus exames. A inflamação está muito severa. Precisamos esperar algumas semanas antes de pensar em qualquer cirurgia plástica. É para a sua segurança."

Eu sabia que ele estava mentindo. A covardia em sua voz era palpável.

Reuni o que restava da minha força, minha voz saindo rouca e dolorida através dos lábios inchados.

"Eu quero a cirurgia agora, Pedro."

Era um teste. Um último e desesperado pedido para que ele provasse que eu estava errada, que o que eu ouvi era um pesadelo.

Meu pai interveio antes que Pedro pudesse responder, a voz suave, mas com um fundo de aço.

"Filha, seu irmão é o especialista. Se ele diz que é preciso esperar, é porque é o melhor para você. Nós só queremos o seu bem. Agora descanse. Você precisa se recuperar."

Ele sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos frios. Naquele momento, eu entendi. Não havia amor ali. Não havia preocupação. Havia apenas um plano, e eu era a peça a ser sacrificada. A dor física era insuportável, mas a dor da traição era um veneno que se espalhava por cada parte do meu ser, me deixando oca e fria. Eles não iam me salvar. Eles iam me destruir.

Capítulo 2

No dia seguinte, um médico que eu não conhecia entrou no quarto. Ele não era meu irmão. Era um especialista do hospital, chamado para uma avaliação oficial. Ele tinha um olhar profissional e distante, o que, de alguma forma, era um alívio.

Ele leu os laudos em sua prancheta, seu rosto impassível. Depois, com cuidado, examinou meu rosto. Cada toque, por mais gentil que fosse, enviava ondas de dor.

"Senhorita Oliveira," ele disse, finalmente, sua voz neutra. "A fratura na mandíbula é complexa. Três dentes foram perdidos na raiz, e outros dois estão seriamente comprometidos. As lacerações na bochecha esquerda são profundas, e há risco de dano no nervo facial."

Ele fez uma pausa, olhando diretamente para mim.

"A recuperação será longa. Serão necessárias múltiplas cirurgias. Uma para fixar a mandíbula, depois os implantes dentários, e por último, a reconstrução plástica para minimizar as cicatrizes. Mas preciso ser honesto, algumas cicatrizes e talvez uma leve assimetria facial podem ser permanentes."

Permanentes. A palavra ecoou no meu cérebro. Meu rosto, a ferramenta do meu trabalho, a imagem que eu vendia para milhares de seguidores, estava permanentemente danificado.

Mais tarde, meu pai e Pedro entraram. O médico já tinha ido embora, mas eles obviamente tinham falado com ele.

"Meu Deus!" meu pai exclamou, a mão no peito, uma atuação digna de um Oscar. "Danos permanentes? Isso é inaceitável! Pedro, você precisa fazer alguma coisa!"

Pedro, o grande cirurgião, balançou a cabeça, o olhar baixo.

"Pai, como eu disse, a situação é delicada. Qualquer intervenção agora pode piorar as coisas. O Dr. Almeida concorda que precisamos esperar."

Era uma mentira bem ensaiada. Eles usavam a opinião de um médico de verdade para validar seu plano cruel. Eles me olhavam com falsa piedade, e eu senti um gosto amargo na boca que não vinha dos meus ferimentos.

Naquela tarde, a segunda parte do plano deles começou. Uma amiga me mandou uma mensagem.

"Ana, o que é isso que estão postando sobre você?"

Com as mãos trêmulas, peguei meu celular. Meu feed estava explodindo. Um blog de fofocas de segunda categoria tinha postado uma matéria com a manchete: "Influenciadora Ana Paula é atacada na véspera do casamento. Fontes dizem que foi acerto de contas por dívida de jogo."

A foto era horrível, uma imagem tirada por um paparazzo enquanto eu era colocada na ambulância, meu rosto uma massa de sangue e inchaço. Abaixo, os comentários eram cruéis.

"Sempre soube que essa aí não era santa."

"Quem mandou se meter com gente errada?"

"Bem feito. O noivo dela deve estar se livrando de uma boa."

A náusea subiu pela minha garganta. De onde eles tiraram isso? Dívida de jogo? Eu mal sabia jogar pôquer. Era uma mentira tão absurda, tão suja. E então eu soube. Tinha que ser eles. Meu pai e Pedro. Espalhando boatos para me difamar, para justificar o fim do meu noivado, para limpar o caminho para Rafaela.

Meu celular tocou. Era Lucas. Meu coração deu um salto de esperança. Ele não acreditaria nisso. Ele me conhecia.

"Alô?" minha voz saiu falhada.

"Ana Paula," a voz dele era fria, distante. Não havia calor, não havia preocupação. "Que história é essa? Meu pai está furioso. O nome da nossa família está sendo arrastado na lama."

"Lucas, é mentira," eu supliquei, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto ferido, queimando nas feridas abertas. "Eu fui atacada. Eu não fiz nada."

"Mentira? As fotos estão em todo lugar. Dívidas de jogo, Ana Paula? Como você pôde ser tão irresponsável? Nosso casamento está em todos os jornais por causa disso."

Ele não perguntou se eu estava bem. Ele não perguntou sobre a minha dor. Ele só se importava com o nome da família dele. Com a imagem dele.

"Eu preciso de você, Lucas."

"Eu preciso de tempo para pensar," ele disse, e a frieza em sua voz era final. "Não me ligue."

Ele desligou.

Eu olhei para o telefone na minha mão, a tela escura refletindo meu rosto deformado. Eu tinha acabado de perder tudo. Meu rosto, minha carreira, meu noivo. Tudo tirado de mim pela minha própria família.

Meu pai e meu irmão entraram no quarto novamente, trazendo um caldo de legumes que o hospital servia.

"Você precisa se alimentar, querida," disse meu pai, com sua voz falsamente paternal.

Pedro colocou a bandeja na minha frente.

"Vimos as notícias. É terrível o que estão dizendo. Não se preocupe, vamos processar todos eles."

A hipocrisia era tão espessa que eu podia senti-la, sufocante como fumaça. Eles me olhavam, esperando uma reação, esperando minhas lágrimas, meu desespero.

Mas eu não sentia mais nada além de um vazio gelado. Eu os encarei, meus olhos secos. Eles eram monstros vestidos de pai e irmão.

Naquele momento, enquanto eles desempenhavam seu teatro de preocupação, eu senti algo mudar dentro de mim. A dor e o desespero começaram a se transformar em outra coisa. Uma brasa fria de raiva. Uma determinação silenciosa.

Eu sabia que a relação com Lucas estava acabada. Ele tinha me abandonado no momento em que eu mais precisei, engolindo as mentiras que minha família serviu a ele. A dor da perda era real, mas a clareza que veio com ela era afiada. Eu estava sozinha nisso. E se eu estava sozinha, eu só podia contar comigo mesma.

Eles achavam que tinham me quebrado. Mal sabiam eles que tinham acabado de me dar um motivo para lutar.

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