Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Bilionários > Meu Marido Escolheu a Amante. Então Eu Me Casei com o Rei da Máfia
Meu Marido Escolheu a Amante. Então Eu Me Casei com o Rei da Máfia

Meu Marido Escolheu a Amante. Então Eu Me Casei com o Rei da Máfia

Autor: Brunaschaves
Gênero: Bilionários
Na noite em que descobre estar grávida, Valentina Albuquerque encontra o marido nos braços de outra mulher. O choque é ainda maior quando percebe que a amante é sua melhor amiga, a pessoa em quem mais confiava. Humilhada, expulsa de casa e desacreditada por todos, ela sofre um acidente ao fugir daquela cena. Quem a salva é Dante Moretti, o homem mais poderoso e temido do submundo. Conhecido como o Rei da Máfia, ele faz uma proposta inesperada: um casamento por contrato. Ele precisa de uma esposa para consolidar uma aliança entre famílias rivais. Ela precisa de proteção para sobreviver e se vingar daqueles que destruíram sua vida. O acordo era simples: nada de sentimentos, nada de perguntas sobre o passado e liberdade para cada um seguir seu próprio caminho quando o contrato terminasse. Mas Valentina não imagina que Dante a observa há anos. E Dante jamais contou a ela que a tragédia que uniu seus destinos começou muito antes daquela noite de traição. Quando seu ex-marido percebe que perdeu a mulher que sempre esteve ao seu lado e a vê sendo tratada como rainha pelo homem mais perigoso do país, ele inicia uma guerra para recuperá-la. Só que ninguém ousa desafiar o Rei da Máfia... e sair vivo.
Ler Agora

Capítulo 1 O jantar que destruiu a minha vida

Valentina Albuquerque ajeitou a última vela sobre a mesa e deu um passo para trás, admirando o resultado. O apartamento inteiro estava iluminado por uma luz suave, e o aroma do risoto que ela passara horas preparando preenchia o ambiente. Sobre a mesa, duas taças de cristal, uma garrafa do vinho favorito do marido e uma pequena caixa branca escondida ao lado do prato dela.

Dentro da caixa estava um par de sapatinhos de bebê.

Ela levou a mão ao ventre e sorriu sozinha.

Naquela manhã, depois de uma semana de atrasos e suspeitas, havia saído do consultório com o coração acelerado e um exame positivo nas mãos. O médico ainda brincara:

- O papai vai ficar muito feliz.

Ela acreditava nisso. Ricardo sempre dizia que queria construir uma família grande, que a casa parecia silenciosa demais quando ele passava semanas viajando a trabalho. Nos últimos meses, a relação dos dois estava um pouco distante, mas Valentina colocava a culpa na rotina. Ele havia assumido a presidência da empresa do pai e carregava responsabilidades enormes.

Ela olhou para o relógio.

Oito da noite.

Ricardo prometera que chegaria às oito em ponto. Afinal, aquele não era um dia qualquer. Era o aniversário de oito anos de casamento.

Ela pegou o celular e abriu a conversa dos dois.

"Já estou terminando uma reunião, meu amor. Daqui a pouco estou em casa."

A mensagem tinha sido enviada uma hora antes.

Valentina respirou fundo e decidiu não se preocupar. Caminhou até o espelho da sala e ajeitou o vestido azul-marinho que usava. Era simples, elegante e um dos preferidos dele.

O toque do celular interrompeu seus pensamentos.

Ela sorriu, imaginando que fosse Ricardo avisando que estava chegando. Mas o número era desconhecido.

- Alô?

Por alguns segundos, só ouviu a respiração do outro lado.

Então uma voz feminina falou, calma e quase divertida:

- Se eu fosse você, não esperaria pelo seu marido.

Valentina franziu a testa.

- Quem está falando?

- Alguém que odeia ver uma mulher sendo feita de idiota.

Ela sentiu um arrepio percorrer a espinha.

- Eu não tenho tempo para brincadeiras.

- Não é brincadeira. Enquanto você prepara um jantar romântico, Ricardo está em um hotel do outro lado da cidade... acompanhado.

A ligação foi encerrada.

Valentina ficou imóvel, olhando para a tela do celular.

Aquilo não fazia sentido.

Ricardo jamais faria uma coisa dessas.

Ela tentou ligar para ele imediatamente, mas a chamada caiu na caixa postal. Tentou outra vez. O mesmo resultado.

- Deve estar sem sinal... - murmurou para si mesma.

O aparelho vibrou novamente.

Dessa vez, era uma mensagem.

Um arquivo de imagem.

Com as mãos trêmulas, ela abriu a fotografia.

O mundo pareceu parar.

Na tela, Ricardo aparecia descendo do carro em frente a um hotel de luxo. O braço dele envolvia a cintura de uma mulher alta, de cabelos escuros. Os dois sorriam um para o outro, completamente à vontade.

Valentina aproximou a imagem.

Não.

Não podia ser.

Ela conhecia aquele vestido vermelho.

Conhecia aqueles cabelos.

Conhecia a pulseira dourada no pulso esquerdo.

Bianca.

Sua melhor amiga.

- Não... isso não...

As lágrimas ameaçaram cair, mas ela recusou acreditar em uma fotografia. Qualquer imagem podia ser manipulada. Qualquer pessoa podia inventar uma mentira.

Ela precisava ver com os próprios olhos.

Pegou a bolsa, as chaves do carro e saiu do apartamento sem nem apagar as velas acesas.

Durante todo o trajeto, tentou ligar para Ricardo. Nenhuma resposta.

Ligou para Bianca.

Também não atendeu.

O coração batia tão forte que parecia machucar.

Ela se lembrava de todas as vezes em que Bianca a consolou quando Ricardo precisava cancelar um jantar por causa do trabalho.

- Ele te ama, amiga. Você só precisa entender que ele faz isso pelo futuro de vocês.

As palavras ecoavam em sua mente como uma piada cruel.

Quando estacionou diante do hotel, sentiu as pernas fraquejarem.

Talvez ainda houvesse uma explicação.

Talvez eles estivessem ali para uma reunião.

Talvez...

Ela entrou no saguão e caminhou até a recepção.

- Boa noite. Meu marido está hospedado aqui. Ricardo Vasconcelos.

A recepcionista digitou alguma coisa e sorriu educadamente.

- Desculpe, senhora. Não posso fornecer informações sobre nossos hóspedes.

Valentina abriu a bolsa, tirou a aliança e a colocou sobre o balcão.

- Eu sou a esposa dele.

A funcionária desviou o olhar, desconfortável.

Antes que pudesse insistir, um dos elevadores se abriu.

Ricardo saiu de mãos dadas com Bianca.

Eles estavam tão próximos que pareciam esquecer que existia um mundo ao redor.

Bianca ria de alguma coisa enquanto ajeitava a gravata dele.

Ricardo então segurou o rosto dela e a beijou.

Sem culpa.

Sem pressa.

Sem medo de ser descoberto.

A aliança escapou dos dedos de Valentina e caiu no chão de mármore com um som seco.

Os dois se viraram ao mesmo tempo.

O sorriso de Bianca desapareceu.

Ricardo empalideceu.

- Valentina...

Ela não conseguia falar.

Sentia como se alguém tivesse arrancado todo o ar de seus pulmões.

Bianca foi a primeira a reagir.

- Amiga... eu posso explicar.

Valentina deu uma risada baixa, completamente descrente.

- Amiga?

Ela repetiu a palavra como se fosse algo estranho.

- Você ainda tem coragem de me chamar de amiga?

Ricardo soltou a mão de Bianca e deu um passo à frente.

- Você não devia estar aqui.

A frase a atingiu como um tapa.

- Eu não devia estar aqui? - ela perguntou, quase sussurrando. - Este é o nosso aniversário de casamento. Eu preparei um jantar para você. Eu... eu ia contar uma notícia...

Ele desviou o olhar.

E esse simples gesto respondeu tudo.

Valentina encarou Bianca.

- Há quanto tempo?

A outra mulher abaixou a cabeça, fingindo vergonha.

- Não foi planejado...

- Há quanto tempo? - repetiu, agora mais alto.

Ricardo passou a mão pelos cabelos.

- Seis meses.

Ela cambaleou para trás.

Seis meses.

Seis meses ouvindo desculpas sobre reuniões. Seis meses acreditando que ele estava cansado. Seis meses dividindo sua casa, sua cama e seus sonhos com um homem que já pertencia a outra.

- Você sabia? - perguntou a Bianca.

A mulher começou a chorar.

- Eu não queria que fosse assim...

- Você sabia que eu o amava. Você sentava na minha mesa. Você me abraçava. Você dizia que eu era como uma irmã.

Bianca não respondeu.

Valentina voltou os olhos para Ricardo.

- E você? Vai dizer alguma coisa?

Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Então falou, com uma frieza que ela nunca tinha visto.

- Eu não queria que você descobrisse dessa forma.

Ela riu outra vez.

- Então pretendia continuar com as duas?

- As coisas mudaram entre nós, Valentina. Você vive para a casa, para organizar a minha vida... Tudo ficou previsível.

Cada palavra feria mais do que a anterior.

- E ela? O que ela tem que eu não tenho?

Ricardo olhou para Bianca.

- Ela me faz sentir vivo.

Valentina sentiu as lágrimas finalmente escorrerem.

Ela havia abandonado a própria carreira para acompanhar os projetos dele. Afastou-se de amigos, adiou sonhos, suportou ausências e desculpas. E agora estava ouvindo que era previsível.

A mão deslizou até a bolsa.

Ela retirou a pequena caixa branca e a estendeu para ele.

- Eu ia te contar hoje.

Ricardo pegou a caixa, confuso.

Quando abriu e viu os sapatinhos de bebê, o rosto perdeu toda a cor.

- Valentina...

Ela não esperou que ele terminasse.

Deu meia-volta e saiu correndo.

Não viu Bianca chamando seu nome.

Não viu Ricardo largar a caixa no chão e correr atrás dela.

E muito menos percebeu que, do outro lado do saguão, um homem alto, vestido com um impecável terno preto, observava toda a cena em silêncio.

Os olhos frios acompanharam Valentina atravessando a porta do hotel completamente destruída.

Um de seus seguranças se aproximou.

- Senhor Moretti, o carro está pronto.

Dante continuou olhando para a mulher que acabara de entrar em seu automóvel.

Então perguntou, em um tom que surpreendeu até seus homens:

- Confirmou a identidade dela?

- Sim. É Valentina Albuquerque. A mesma jovem que salvou a senhorita Sofia há quatro anos.

Dante fechou lentamente o botão do paletó.

- Mantenham distância. Ninguém toca nela.

O segurança franziu a testa.

- Nem mesmo se o marido tentar alguma coisa?

Os olhos escuros de Dante se voltaram para a entrada do hotel, onde Ricardo ainda segurava a pequena caixa branca deixada para trás.

- Principalmente se for o marido.

Capítulo 2 A mulher que ele abandonou

Valentina dirigia sem enxergar a estrada.

As lágrimas embaçavam sua visão, mas ela não conseguia parar. O volante tremia entre seus dedos e sua respiração saía irregular, como se o peito tivesse esquecido como funcionava.

As imagens se repetiam diante de seus olhos.

Ricardo beijando Bianca.

Bianca chamando-a de amiga.

E a frase que parecia gravada em sua mente.

- Ela me faz sentir vivo.

O celular começou a tocar no banco do passageiro.

Ricardo.

Ela ignorou.

Segundos depois, outra ligação.

Bianca.

Valentina desligou o aparelho e o jogou dentro da bolsa.

- Acabou... acabou... - repetia baixinho, como se precisasse convencer a si mesma.

Ela passou a mão sobre a barriga, ainda incapaz de acreditar que, poucas horas antes, estava escolhendo a melhor forma de contar ao marido que seria pai.

O semáforo fechou e ela precisou parar o carro.

Aproveitou para abrir a bolsa e tirar o envelope do exame médico. O nome dela estava ali, junto da confirmação da gravidez.

Um soluço escapou.

- O que eu faço agora, meu Deus?

A buzina do carro atrás a fez despertar. O sinal havia aberto.

Ela acelerou, mas a cabeça continuava longe. Não percebeu quando um caminhão avançou no cruzamento.

O som dos freios ecoou pela avenida.

Valentina virou o volante por instinto.

O carro rodou e bateu violentamente contra a proteção lateral da pista.

O impacto fez sua testa atingir a janela.

Tudo ficou escuro.

________________________________________

Dois veículos pretos pararam quase ao mesmo tempo.

Os seguranças saltaram rapidamente, mas Dante Moretti saiu antes de todos.

Ele caminhou até o carro destruído e encontrou a motorista desacordada, com um pequeno corte na testa.

- Senhor, isso pode ser uma armadilha - alertou um dos homens.

Dante sequer desviou os olhos dela.

- Abra a porta.

- Mas...

- Eu não costumo repetir ordens.

O segurança usou uma barra de ferro para forçar a abertura. Assim que a porta cedeu, Dante se inclinou e soltou o cinto de segurança.

Valentina abriu os olhos por um instante.

Tudo estava desfocado.

Ela só conseguiu distinguir um rosto masculino muito próximo do seu.

- Meu... bebê...

Dante franziu a testa.

- O que ela disse?

- Acho que falou "bebê", senhor.

Ela perdeu os sentidos novamente.

Dante a tomou nos braços com cuidado.

- Levem-na para o Hospital Santa Helena. E avisem ao diretor que eu estou chegando.

O segurança hesitou.

- O hospital pertence ao grupo Vasconcelos.

Dante lançou um olhar frio.

- A partir desta noite, ninguém ligado à família Vasconcelos chega perto dessa mulher sem a minha autorização.

________________________________________

Ricardo ainda estava no saguão do hotel quando recebeu a ligação.

- Senhor Ricardo? Aqui é da Polícia Rodoviária. Encontramos seu contato como emergência no telefone da senhora Valentina Albuquerque.

Ele empalideceu.

- O que aconteceu?

- Ela sofreu um acidente de carro e foi encaminhada para o Hospital Santa Helena.

A pequena caixa com os sapatinhos ainda estava em sua mão.

Sem dizer uma palavra, ele correu para o estacionamento.

Bianca foi atrás dele.

- Ricardo! Espera! Eu vou com você!

Ele abriu a porta do carro.

- Não.

- Ela vai precisar de apoio e...

- Eu disse não!

Bianca recuou, surpresa com o tom dele.

Ricardo bateu a porta e arrancou com o veículo.

Enquanto dirigia, as palavras de Valentina ecoavam em sua cabeça.

- Eu ia te contar uma notícia...

Ele apertou o volante.

Abriu a pequena caixa mais uma vez.

Os sapatinhos estavam ali.

Ao lado deles, dobrado cuidadosamente, havia um cartão.

"Mal posso esperar para ver você se tornar o melhor pai do mundo."

O papel escorregou de seus dedos.

- Não...

Ele levou a mão aos cabelos, completamente transtornado.

- Ela está grávida...

Uma mistura de culpa e desespero tomou conta dele.

Não podia perdê-la.

Não daquele jeito.

________________________________________

Quando Ricardo chegou ao hospital, encontrou dois homens de terno preto parados na entrada da ala de emergência.

Tentou passar, mas um deles colocou o braço à sua frente.

- Acesso restrito.

- Sai da frente. Minha esposa está lá dentro.

- Ordem do senhor Moretti.

Ricardo franziu a testa.

- Moretti? Que Moretti?

O segurança não respondeu.

Nesse instante, as portas do elevador se abriram.

Dante Moretti saiu calmamente, ajustando o relógio no pulso. O terno escuro parecia ter sido feito sob medida, e a expressão fria em seu rosto fazia até os médicos evitarem contato visual.

Ricardo reconheceu o sobrenome imediatamente.

Era impossível não conhecer.

Dante era o homem que comandava o Grupo Moretti, um conglomerado internacional de segurança privada, logística e investimentos. Oficialmente, era isso. Extraoficialmente, rumores diziam que sua influência alcançava lugares onde a lei não conseguia chegar.

Os dois homens se encararam.

- Onde está a minha esposa? - Ricardo perguntou.

Dante observou a caixa branca nas mãos dele.

- Sua esposa?

- Sim.

- Curioso. Há menos de uma hora eu vi você beijando outra mulher em um hotel.

Ricardo travou o maxilar.

- Isso não é da sua conta.

- Concordo. Mas o acidente dela acabou se tornando.

- Eu agradeço a ajuda, mas agora eu assumo.

Dante deu um passo à frente.

- Assumir? Você já não abandonou essa responsabilidade?

Os seguranças ao redor ficaram em silêncio absoluto.

Ricardo nunca tinha sido confrontado daquela maneira.

- Escute aqui, Moretti. Eu não sei quem você pensa que é...

- Eu sei exatamente quem eu sou. A questão é quem você é.

Os dois ficaram frente a frente.

- O médico disse que ela está bem? - Ricardo perguntou, tentando controlar a própria raiva.

- Está sendo examinada.

- Então eu vou vê-la.

Ele tentou caminhar, mas um dos seguranças bloqueou a passagem.

- Você não ouviu? Eu sou o marido dela!

Dante inclinou a cabeça.

- Engraçado. Quando ela saiu correndo do hotel, parecia estar sozinha.

Ricardo cerrou os punhos.

- Você está se aproveitando de uma situação que não entende.

- Eu entendo o suficiente.

Antes que a discussão aumentasse, uma médica surgiu no corredor.

- Família da senhora Valentina Albuquerque?

Ricardo correu até ela.

- Sou o marido.

A médica consultou a prancheta.

- Ela sofreu um traumatismo leve e alguns cortes superficiais. Felizmente, o cinto de segurança evitou algo pior.

Ricardo respirou aliviado.

- E o bebê?

A médica o encarou, confusa.

- Então o senhor já sabe?

Dante desviou o olhar para Ricardo.

O silêncio que se instalou foi suficiente para responder.

A médica continuou:

- A gestação é recente, mas está tudo bem com a criança. No entanto, a paciente passou por um forte estresse emocional. Ela precisará de repouso e tranquilidade.

Ricardo levou a mão ao rosto.

Era verdade.

Valentina estava grávida.

E ele havia descoberto isso depois de destruí-la.

A médica voltou a falar.

- Assim que ela acordar, apenas uma pessoa poderá entrar para visitá-la.

- Eu vou entrar - Ricardo respondeu imediatamente.

Mas a voz grave de Dante ecoou pelo corredor.

- Não.

Ricardo se virou.

- Você perdeu a noção?

- Não. Apenas acredito que a última pessoa que ela vai querer ver ao abrir os olhos é o homem que a fez chorar.

- Você não tem direito de decidir isso!

- Nem você.

A médica interrompeu os dois.

- Senhores, a decisão será da paciente. Quando ela despertar, perguntaremos quem ela deseja receber.

Ricardo respirou fundo.

Claro.

Ela escolheria o marido.

Apesar de tudo, ela o amava.

Ela sempre o perdoava.

Ele se sentou na cadeira do corredor, convencido de que ainda poderia consertar as coisas.

Do outro lado, Dante permaneceu em pé, olhando pela janela.

Um de seus homens se aproximou discretamente.

- Senhor, a investigação foi concluída.

- E então?

- A traição é verdadeira. O marido mantém um relacionamento com a melhor amiga dela há seis meses. Também descobrimos que a senhora Valentina abandonou a carreira para ajudá-lo a construir a empresa.

Dante permaneceu em silêncio.

- Há mais uma coisa.

- Fale.

- O pai da criança pode tentar usar a gravidez para obrigá-la a voltar.

Dante olhou para a porta do quarto onde Valentina estava internada.

Seus olhos perderam a frieza por um breve instante.

- Isso não vai acontecer.

- O senhor pretende interferir?

Dante ajeitou os punhos da camisa.

- Ela salvou a vida da minha irmã quando ninguém mais parou para ajudar. Naquele dia, fiz uma promessa.

- Que promessa?

Ele voltou a olhar para a porta.

- Que, se um dia o destino colocasse essa mulher no meu caminho, eu garantiria que ninguém voltasse a machucá-la.

Naquele mesmo instante, dentro do quarto, Valentina começou a despertar.

Ainda atordoada, ouviu o som de aparelhos médicos e sentiu a cabeça latejar.

A enfermeira sorriu ao vê-la abrir os olhos.

- Que bom que acordou. Há duas pessoas esperando para vê-la.

Valentina tentou falar.

- Quem?

A enfermeira consultou a ficha.

- Seu marido... e um senhor chamado Dante Moretti.

Ela fechou os olhos por um segundo.

A lembrança do hotel, do beijo e dos sapatinhos esquecidos voltou com toda a força.

Então, com a voz rouca e quase sem conseguir conter as lágrimas, ela respondeu:

- Diga ao meu marido... que eu não quero vê-lo nunca mais.

Capítulo 3 O homem que ela escolheu

A enfermeira ficou alguns segundos em silêncio, como se quisesse ter certeza de que havia ouvido corretamente.

- Senhora Valentina... tem certeza?

Ela virou o rosto para a janela. A cabeça ainda doía por causa do acidente, mas a dor no peito era muito pior.

- Tenho. Eu não quero ver o Ricardo.

A profissional assentiu com delicadeza.

- Vou avisá-lo.

Assim que a porta se fechou, Valentina levou a mão ao ventre.

- Desculpa... - sussurrou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. - Eu prometi que você teria uma família feliz. Prometi que seu pai seria o melhor homem do mundo.

Ela fechou os olhos.

As lembranças dos últimos anos começaram a surgir como pequenas facadas.

Ela se lembrava do dia em que recebeu a proposta de trabalho em um grande escritório de advocacia. Era o emprego dos sonhos, aquele pelo qual havia estudado tanto.

Ricardo a abraçara naquela noite.

- Você não precisa trabalhar. Eu vou cuidar de tudo. Quero construir uma família, e ninguém administra uma casa como você.

Ela havia recusado a vaga.

Depois vieram as viagens de negócios, as reuniões de última hora, os aniversários esquecidos, os jantares cancelados e as desculpas.

Ela sempre encontrava uma forma de defendê-lo.

"Ele está cansado."

"Ele faz isso por nós."

"Quando a empresa crescer, tudo vai melhorar."

Agora entendia que, enquanto ela fazia planos para o futuro, ele dividia o presente com outra mulher.

Uma batida suave na porta interrompeu seus pensamentos.

- Posso entrar?

Valentina reconheceu a voz da enfermeira.

- Sim.

A mulher entrou com um copo de água e alguns medicamentos.

- Avisei seu marido.

Valentina não conseguiu esconder a tensão.

- Ele... ele foi embora?

A enfermeira sorriu de maneira discreta.

- Não. Na verdade, ele ficou muito alterado. Insistiu que tinha o direito de vê-la.

Valentina soltou uma risada amarga.

- Direito?

- Um dos acompanhantes que está do lado de fora impediu que ele entrasse.

Ela franziu a testa.

- O senhor Dante Moretti.

O nome soou estranho.

Ela se esforçou para lembrar.

Então uma imagem confusa passou por sua mente. Um homem a tirando do carro. Braços fortes. Um perfume amadeirado. Uma voz grave dizendo para ela ficar calma.

- Foi ele que me trouxe para cá?

- Sim. Se não fosse pela rapidez com que ele agiu, talvez a situação tivesse sido mais complicada.

Valentina baixou os olhos.

- Eu nem conheço esse homem.

A enfermeira pareceu pensar antes de responder.

- Pode ser. Mas ele ficou aqui o tempo todo.

________________________________________

Do lado de fora do quarto, Ricardo andava de um lado para o outro.

- Ela não pode fazer isso! Eu sou o marido dela!

O médico responsável pela internação tentava manter a calma.

- Senhor, a paciente sofreu um trauma físico e emocional. Não podemos obrigá-la a receber visitas.

- Ela está confusa! Ela acabou de descobrir uma situação difícil!

Dante, que permanecia encostado próximo à janela, falou sem sequer olhar para ele.

- Ela não descobriu uma situação difícil. Descobriu que se casou com um covarde.

Ricardo virou-se imediatamente.

- Você não tem nada a ver com a minha vida!

- Engano seu. O acidente dela colocou sua vida na minha frente.

- Não banque o herói! Você nem conhece a Valentina!

Dante finalmente o encarou.

- Conheço o suficiente para saber que ela merecia coisa melhor.

Ricardo avançou um passo.

- Escuta aqui. O que aconteceu entre mim e minha esposa diz respeito apenas a nós dois.

- Sua amante também pensa assim?

O silêncio foi imediato.

Os médicos e enfermeiros que passavam pelo corredor fingiram não ouvir.

Ricardo cerrou os punhos.

- Bianca não tem nada a ver com isso.

- Curioso. Porque ela estava muito confortável no quarto do hotel.

- Você está me julgando sem conhecer a história.

Dante cruzou os braços.

- Então conte. Existe alguma explicação razoável para trair a mulher que abandonou a carreira para construir sua vida ao seu lado?

Ricardo não respondeu.

Porque não havia resposta.

Ele se lembrava do dia em que conheceu Bianca em uma festa da empresa. Ela era divertida, espontânea, vivia elogiando suas decisões e fazia questão de dizer que ele era brilhante.

Enquanto isso, em casa, Valentina perguntava sobre contratos, despesas, reuniões e horários. Ela se preocupava com sua alimentação, com suas noites mal dormidas e com a pressão que ele carregava.

Durante muito tempo, ele confundiu cuidado com rotina.

E agora entendia tarde demais o tamanho do erro.

O celular vibrou no bolso de seu paletó.

Era Bianca.

Ele recusou a ligação.

Ela insistiu.

Na terceira tentativa, Ricardo atendeu, irritado.

- O que foi?

- Como a Valentina está? - a voz dela saiu baixa e insegura.

- Grávida.

Do outro lado da linha, o silêncio foi absoluto.

- O quê?

- Ela está grávida.

Bianca demorou alguns segundos para reagir.

- Você... você tem certeza?

- Eu vi os exames. Ela ia me contar hoje.

A amante apertou o telefone contra o ouvido.

Aquilo mudava tudo.

Durante meses, Ricardo dizia que o casamento estava acabado, que só faltava encontrar o momento certo para conversar com a esposa.

Mas um filho complicava completamente a situação.

- Ricardo, você precisa pensar direito.

- Eu já estou pensando.

- Não vai me dizer que pretende voltar para ela só por causa dessa gravidez.

Ele fechou os olhos.

A pergunta o atingiu em cheio.

Bianca percebeu a hesitação.

- Você me ama.

Ele não respondeu.

- Ricardo... você me ama, não ama?

Ele olhou para a porta do quarto onde Valentina estava internada.

Lembrou dos sapatinhos de bebê.

Do cartão escrito à mão.

Do sorriso que ela provavelmente tinha no rosto enquanto preparava aquela surpresa.

- Eu não sei mais o que sinto.

Bianca desligou a ligação sem dizer outra palavra.

________________________________________

No apartamento que dividia com a protagonista, Bianca caminhava de um lado para o outro.

Sim, apartamento que dividia.

Havia quase três meses que ela mantinha uma cópia da chave entregue pelo próprio Ricardo. Quando Valentina acreditava que o marido estava viajando, os dois passavam dias inteiros ali.

Ela pegou uma moldura sobre a estante.

Era uma fotografia de Valentina e Ricardo durante uma viagem.

Os dois sorriam.

Bianca passou o dedo pelo rosto da antiga amiga.

- Você sempre teve tudo.

Ela lembrava do tempo de faculdade, quando as duas se conheceram.

Valentina era bonita, inteligente e gentil. Todos gostavam dela.

Bianca vinha de uma família simples e carregava uma coleção de frustrações. Aos poucos, aproximou-se da colega e conquistou sua confiança.

Depois conheceu Ricardo.

No início, queria apenas provar para si mesma que podia tirar dela a única coisa que parecia perfeita.

Só não imaginava que acabaria se apaixonando.

Agora, com uma gravidez inesperada no caminho, sentia que podia perder tudo.

Ela pegou o celular e abriu uma conversa arquivada.

O nome salvo era apenas uma letra.

"C."

Bianca digitou rapidamente.

"Ela sobreviveu ao acidente. E está grávida."

A resposta veio menos de um minuto depois.

"Então teremos que mudar os planos."

Ela empalideceu.

"Você disse que ninguém se machucaria."

A nova mensagem apareceu.

"E ninguém vai. Se você fizer exatamente o que eu mandar."

Bianca bloqueou a tela imediatamente quando ouviu a campainha tocar.

Abriu a porta acreditando que fosse Ricardo.

Mas encontrou um homem desconhecido.

Alto, vestido de preto, expressão séria.

- Senhorita Bianca Lemos?

Ela engoliu em seco.

- Sim.

O homem entregou um envelope pardo.

- Pediram para deixar isso com a senhora.

- Quem mandou?

- O remetente não informou.

Ele virou as costas e foi embora.

Com as mãos trêmulas, Bianca abriu o envelope.

Dentro havia apenas três fotografias.

A primeira mostrava ela e Ricardo entrando no hotel.

A segunda mostrava os dois se beijando no estacionamento da empresa.

A terceira fez seu sangue gelar.

Era uma foto antiga, tirada meses atrás.

Ela conversava com um homem dentro de um carro preto.

No verso da imagem havia uma única frase escrita à mão.

"Eu sei exatamente quem você é."

________________________________________

No hospital, a noite já avançava quando Valentina pediu para se levantar.

A enfermeira a ajudou a caminhar até a janela.

As luzes da cidade brilhavam lá embaixo, indiferentes ao caos que havia se tornado sua vida.

- Posso fazer uma pergunta? - ela disse.

- Claro.

- O senhor Moretti... ainda está aqui?

A enfermeira sorriu.

- Está. Recusou todos os compromissos da noite.

Valentina ficou surpresa.

- Mas por quê?

- Não faço ideia.

Ela ficou alguns segundos em silêncio.

Então tomou uma decisão.

- Se ele ainda estiver aí... diga que eu gostaria de agradecer pessoalmente.

A enfermeira saiu do quarto.

Menos de um minuto depois, a porta tornou a se abrir.

Valentina ergueu os olhos.

O homem que entrou era exatamente como sua memória confusa havia registrado.

Alto, elegante, vestido com um terno escuro impecável. Os cabelos negros estavam alinhados para trás, e seus olhos carregavam uma calma quase intimidadora.

Ele não sorriu.

Apenas caminhou até uma distância respeitosa da cama.

- Disseram que a senhora queria falar comigo.

Valentina apertou as mãos sobre o lençol.

- Eu... eu queria agradecer. Disseram que o senhor salvou a minha vida.

Dante a observou por alguns segundos.

- Não precisa agradecer.

- Preciso, sim. Se eu não estivesse usando o cinto...

- Não foi o cinto que a salvou.

Ela franziu a testa.

- Então o quê?

Ele respondeu sem desviar os olhos dela.

- Sua vontade de continuar vivendo.

Valentina sentiu um nó se formar em sua garganta.

Ninguém havia lhe dirigido uma palavra gentil desde que tudo aconteceu.

- Mesmo assim... obrigada.

Dante fez um leve movimento com a cabeça.

- Espero que se recupere logo.

Ele se virou para sair, mas a voz dela o fez parar.

- Senhor Moretti...

- Sim?

Ela hesitou por um instante.

- A enfermeira disse que o senhor ficou aqui o tempo todo. Nós nos conhecemos de algum lugar?

Pela primeira vez...

(DESENVOLVIMENTO AJUSTADO: Ele demorou alguns segundos para responder.)

Dante manteve o olhar fixo nela.

- Não. Mas, há muitos anos, você fez algo por alguém muito importante para mim.

- Eu fiz?

- Fez.

- E quem era essa pessoa?

Um brilho quase imperceptível atravessou seus olhos.

- Minha irmã.

Valentina tentou se lembrar, mas a cabeça ainda doía.

- Eu não me recordo.

- Não tem problema. Você não precisava lembrar.

Ela sorriu de maneira tímida.

- Mesmo assim, fico feliz em saber que ajudei alguém.

Dante permaneceu em silêncio.

Porque havia uma verdade que ela ainda desconhecia.

Naquela época, a irmã dele estava sendo perseguida pelos inimigos da família Moretti. Ferida e desesperada, caiu desacordada em uma rua quase deserta.

Todos passaram direto.

Todos, menos uma jovem estudante de Direito chamada Valentina Albuquerque, que chamou uma ambulância, ficou ao lado da desconhecida durante horas e ainda pagou parte das despesas do hospital com o pouco dinheiro que tinha.

Desde aquele dia, Dante nunca esqueceu seu rosto.

E, enquanto observava a mulher sentada diante dele, destruída pela traição e tentando reunir forças para continuar, fez uma promessa silenciosa.

Se Ricardo Vasconcelos havia escolhido perder a esposa que tinha... ele jamais permitiria que Valentina enfrentasse essa guerra sozinha.

Sem que ela soubesse, naquele mesmo instante, do lado de fora do hospital, um carro preto estacionava discretamente.

Um homem observava a janela do quarto dela e falava ao telefone.

- Ela já acordou.

A voz do outro lado perguntou:

- E o Moretti?

O desconhecido continuou observando o prédio.

- Ele ainda está com ela.

A resposta veio fria e carregada de ameaça.

- Então está na hora de lembrar ao Dante que ninguém interfere nos nossos negócios... sem pagar um preço.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022