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Meu Marido, a Viúva e a Traição

Meu Marido, a Viúva e a Traição

Autor:: Qing Cha
Gênero: Romance
Meu casamento com Dante era um contrato para salvar a empresa de sua família. Após a morte de seu irmão, a viúva grávida, Sueli, veio morar conosco. Meu marido disse que era seu dever, mas logo passou a tratá-la como uma rainha, ignorando minha existência. As provocações dela eram diárias, mas o limite foi ultrapassado quando ele, para se desculpar por uma briga, me serviu um café da manhã com nozes, um ingrediente que ele sabia ser fatal para mim. A situação piorou quando descobri Sueli usando o colar de esmeraldas da minha avó. Ao confrontá-la, ela o quebrou diante dos meus olhos. A reação de Dante não foi me defender, mas me culpar. "Peça desculpas a ela!" Quando avancei para recuperar os pedaços da minha herança, ele me deu um tapa no rosto. Meu marido me agrediu para proteger a viúva de seu irmão. Caída no chão, com o gosto de sangue na boca e os cacos da joia espalhados, a dor e a humilhação se transformaram em uma fúria fria e inquebrável. Eu, Liliana Castro, me recuso a ser um detalhe na vida de alguém. Peguei meu telefone e disquei um número. "Igor? Preciso de um favor. Traga sua melhor equipe de demolição para o meu apartamento. Agora."

Capítulo 1

Meu casamento com Dante era um contrato para salvar a empresa de sua família. Após a morte de seu irmão, a viúva grávida, Sueli, veio morar conosco. Meu marido disse que era seu dever, mas logo passou a tratá-la como uma rainha, ignorando minha existência.

As provocações dela eram diárias, mas o limite foi ultrapassado quando ele, para se desculpar por uma briga, me serviu um café da manhã com nozes, um ingrediente que ele sabia ser fatal para mim.

A situação piorou quando descobri Sueli usando o colar de esmeraldas da minha avó. Ao confrontá-la, ela o quebrou diante dos meus olhos.

A reação de Dante não foi me defender, mas me culpar.

"Peça desculpas a ela!"

Quando avancei para recuperar os pedaços da minha herança, ele me deu um tapa no rosto. Meu marido me agrediu para proteger a viúva de seu irmão.

Caída no chão, com o gosto de sangue na boca e os cacos da joia espalhados, a dor e a humilhação se transformaram em uma fúria fria e inquebrável. Eu, Liliana Castro, me recuso a ser um detalhe na vida de alguém.

Peguei meu telefone e disquei um número. "Igor? Preciso de um favor. Traga sua melhor equipe de demolição para o meu apartamento. Agora."

Capítulo 1

A notícia da morte de Ricardo, meu cunhado, chegou por um telefonema no meio da noite. Um acidente de carro, disseram. Dante, meu marido, desmoronou. Eu o amparei, como uma boa esposa faria, embora nosso casamento fosse mais um contrato do que uma história de amor.

A verdadeira complicação veio uma semana depois, no funeral. Sueli, a viúva, anunciou que estava grávida.

A tragédia se transformou em um dever sagrado para Dante. Ele era o último homem da família Cavalcanti, e aquele bebê, o legado.

"Ela vai morar conosco" , Dante decretou naquela noite, no nosso apartamento de luxo em São Paulo. Ele não perguntou, ele avisou.

"Dante, não temos espaço. E ela precisa de paz, talvez seja melhor na casa dos seus pais" , eu argumentei, tentando manter a calma.

"Meus pais já estão velhos. Aqui ela terá tudo. É minha responsabilidade cuidar dela e do meu sobrinho. É o mínimo que posso fazer por Ricardo."

Eu não tive escolha. Meu casamento com Dante salvou a empresa de investimentos da família dele da falência, um acordo selado pelo meu pai, o magnata da construção Laurindo Castro. Eu tinha que manter as aparências.

Sueli chegou no dia seguinte, com duas malas e um ar de fragilidade que enganaria qualquer um. Menos a mim. Desde o início, seus olhos carregavam uma malícia que ela escondia atrás de sorrisos doces.

A invasão começou sutilmente.

Primeiro, eram os pés inchados.

"Dante, você poderia fazer uma massagem? Estão me matando" , ela pedia com uma voz manhosa, sempre quando eu estava por perto.

Dante, consumido pela culpa e pelo senso de dever, se ajoelhava no chão da sala e massageava os pés dela por longos minutos.

Depois, ela começou a esperá-lo do lado de fora do banheiro do nosso quarto, segurando uma toalha.

"Só para garantir que você não escorregue" , ela dizia, ignorando completamente a minha presença.

O limite foi ultrapassado quando ela invadiu nosso quarto no meio da noite.

"Tive um pesadelo horrível com o Ricardo" , ela soluçou, parada ao lado da nossa cama.

Dante pulou da cama e a abraçou, a confortando com palavras suaves enquanto eu fingia dormir, sentindo meu estômago revirar. Aquilo não era luto, era uma performance. E o público era eu.

Eu suportei por semanas. Tentei ser compreensiva, engoli o desrespeito em nome da "família" . Mas minha paciência, como o império do meu pai, era vasta, mas não infinita.

Cansada, liguei para o meu pai.

"Pai, não aguento mais."

"O que aquele moleque fez agora, Liliana?" , a voz de Laurindo Castro era um trovão no telefone.

"Ele trouxe a cunhada para morar aqui. Ela está agindo como se fosse a dona da casa, e ele permite tudo."

Meu pai ficou em silêncio por um momento. Eu sabia que ele odiava Dante, só aceitou o casamento para me ver feliz, ou pelo menos, para que eu tivesse o que eu dizia querer na época.

"Eu tentei, pai. Juro que tentei ser a esposa que ele precisava."

"Você não precisa tentar nada, filha. Você é uma Castro. Você não se curva a ninguém."

"Mas e o acordo? A empresa dele..."

"Que se dane a empresa dele. Eu te avisei sobre os Cavalcanti. Eles são fracos. E homens fracos fazem coisas estúpidas."

"O que eu faço, pai?"

"Por enquanto, observe. Deixe ele se enforcar na própria corda. Quando você decidir que acabou, me ligue. Eu mesmo derrubo o prédio se for preciso."

Desliguei o telefone sentindo um alívio momentâneo. Meu pai sempre foi meu porto seguro. Ele me deu a força para aguentar mais um pouco, para esperar o momento certo.

Eu sabia que o conflito era inevitável. Sueli estava testando meus limites, e Dante, cego pela sua suposta obrigação, estava cavando a própria cova. E eu, Liliana Castro, herdeira de um império, não seria humilhada dentro da minha própria casa.

A guerra estava apenas começando.

Capítulo 2

A situação piorava a cada dia. Sueli parecia ter um talento especial para me provocar nas pequenas coisas. Ela "acidentalmente" derramava suco no meu tapete persa, pedia comidas que sabia que eu odiava o cheiro e monopolizava a TV com suas novelas intermináveis.

Dante continuava a tratá-la como uma boneca de porcelana.

"Tenha paciência, Liliana. Ela perdeu o marido, está grávida. É uma situação delicada."

"E eu? Qual é a minha situação, Dante? Sou a esposa que virou uma espectadora na própria casa?"

Ele suspirava, passando a mão pelo cabelo. Eu costumava amar aquele gesto. Agora, só me causava irritação.

"Não seja dramática."

"Dramática? Ela usa minhas roupas, Dante! Entra no meu closet e pega o que quer!"

"Ela não tem muitas roupas de grávida. O que custa emprestar?"

"Custa minha privacidade! Custa meu respeito!"

Ele me olhou com frieza. O homem por quem eu um dia senti uma faísca de esperança, o CEO talentoso que eu ajudei a salvar, estava se tornando um estranho. Um estranho que defendia outra mulher contra mim.

"Você tem tudo, Liliana. Um closet cheio de roupas que não usa, uma vida de luxo. Sueli não tem nada. Um pouco de compaixão não te faria mal."

Aquelas palavras foram um soco no estômago. Ele usava meu próprio privilégio contra mim, como se a minha dor fosse menos válida porque eu tinha dinheiro.

Decidi que precisava de uma trégua. Uma noite, sugeri que saíssemos para jantar, só nós dois.

"Não posso deixar a Sueli sozinha. Ela não está se sentindo bem."

"Ela pode pedir comida. Nós não saímos há meses."

"Liliana, por favor, tente entender."

Eu entendi. Entendi que eu não era mais a prioridade. Talvez nunca tenha sido.

Naquela noite, a raiva me consumiu. Fui até o bar do nosso prédio, um lugar que eu raramente frequentava. Pedi um uísque. E outro. E outro.

Liguei para meu amigo de infância, Igor Fraga.

"Igor, acho que vou me divorciar."

"Já era hora" , ele disse, sem hesitar. "Onde você está? Vou te buscar."

"Não precisa. Só precisava dizer isso em voz alta."

"Liliana, você não está bem. Me diga onde está."

Mas eu desliguei. A cabeça girava. Eu só queria esquecer. Esquecer Dante, esquecer Sueli, esquecer o fracasso do meu casamento.

A lembrança seguinte é turva. Lembro de Dante me encontrando no bar, o rosto uma mistura de raiva e preocupação. Lembro de ele me carregando para o apartamento.

Acordei na manhã seguinte com uma dor de cabeça latejante e um gosto amargo na boca.

Capítulo 3

A luz do sol invadia o quarto. Olhei para o lado, Dante não estava na cama. Levantei, tomei um banho longo e vesti um roupão.

Quando cheguei à sala de jantar, a cena me fez parar.

A mesa estava posta para o café da manhã. Havia suco de laranja fresco, pães variados, frutas e uma tigela de iogurte com granola e nozes. Sueli estava sentada, sorrindo.

"Bom dia, Lili! O Dante preparou tudo isso para você. Ele queria se desculpar por ontem."

Meu coração, idiota e teimoso, vacilou por um segundo. Talvez ele ainda se importasse. Talvez a noite anterior o tivesse assustado.

Sentei-me à mesa. O cheiro de café fresco me envolveu. Por um instante, quase acreditei na farsa.

Então, meus olhos pousaram na tigela de iogurte.

Granola com nozes.

Eu sou mortalmente alérgica a nozes. Um fato que Dante sabia desde o nosso primeiro encontro. Uma única noz poderia fechar minha garganta e me matar em minutos.

O ar sumiu dos meus pulmões. O quarto inteiro pareceu encolher.

Ele se esqueceu.

Depois de três anos de casamento, ele se esqueceu do detalhe mais crucial sobre a minha saúde.

Levantei o olhar. Sueli me observava com um brilho vitorioso nos olhos. Ela sabia.

Dante entrou na sala naquele momento, vindo da cozinha. Ele sorria.

"Gostou da surpresa? Pensei que merecíamos um bom café da manhã."

Eu não consegui responder. Apenas apontei para a tigela.

"Nozes, Dante?"

A confusão em seu rosto foi genuína. Ele olhou para a tigela, depois para mim. E então, o reconhecimento o atingiu. Seu rosto ficou pálido.

"Meu Deus, Liliana... eu... eu esqueci completamente. Me desculpe."

"Você esqueceu" , repeti, a voz vazia. "Mas você lembrou que a Sueli adora mamão papaya no café da manhã, não é?"

Apontei para a fruta perfeitamente cortada no prato dela.

O silêncio na sala era pesado, denso.

Sueli, a mestre da manipulação, levou a mão à boca.

"Oh, meu Deus, a culpa é minha! Eu comentei ontem que estava com vontade de iogurte com granola. Ele deve ter se confundido. Me desculpe, Liliana!"

"Não se preocupe, Sueli" , eu disse, a voz cortante como vidro. "Não foi sua culpa. Foi só um lembrete."

Dante tentou se aproximar.

"Lili, eu juro, foi um erro estúpido. Deixe-me fazer outra coisa para você."

"Não, obrigada. Perdi o apetite."

Levantei-me. A decisão estava tomada. Não havia mais volta. O esquecimento dele não foi apenas um lapso. Foi a prova final de que eu não existia mais para ele. Eu era um detalhe inconveniente em sua vida.

E eu, Liliana Castro, me recuso a ser um detalhe.

Fui para o quarto e peguei minha mala. A farsa tinha acabado.

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