Meu nome é kauê,sou o próximo líder cacique do clã,águia dourada do povo Muriê.
Tenho vinte e sete anos...
Meu nome tem um significado especial,sempre dizia a minha mãe.
"Audacioso e guerreiro"
Nome indígena de origem brasileira tupi-guarani ela o escolheu,quando eu ainda estava em sua barriga.
Mesmo sendo aborígenes australianos, minha mãe se encantou pelo nome.
Sou próximo cacique da tribo Muriê, e eu tenho cabelos negros longos, e a pele morena.
Quando pequeno costumava ouvir várias histórias contada pela minha mãe, enquanto trançava os meus cabelos.
"Kauê todos nós, temos e somos como as estrelas, brilhando no alto do céu..."
_ Sabe filho...
As estrelas e os seus guias, elas são únicas, são as almas gêmeas...
Elas são solitárias, mas quando se encontra a sua outra metade, elas são uma só.
Não sabia o significado das almas gêmeas, era tão inocente a ponto de perguntá-la.
São os guias,e as almas gêmeas, e como vou saber quando a conhecer, mamãe?
Seu sorriso tão iluminado.
Ela respondeu me deixando ainda mais curioso, e eu esperava esperando por respostas.
"Um dia você saberá,onde encontrá-la,ou ela virá até você"
Agora aqui deitado, depois de todos esses anos, ainda me sinto um menino.
A minha mãe que tão carinhosamente contava as histórias de amor.
Um amor eterno...
Quando terei a minha guia mamãe?
Valente com inúmeras habilidade de lutar e estratégias e o meu forte, o arco e flecha.
Sou o mais ágil e rápido entre os guerreiros de minha tribo.
Desde pequeno escuto as histórias,que são passadas de pai para filhos,que os brancos que trouxeram.
As doenças e desgraça sobre os povos indígenas caiu sobre a destruição.
Nosso povo junto ao líder branco.
Que na época era um doutor disposto a ajudar a nossa tribo.
Dei a minha confiança, jurei protegê-lo contra quem quer que fosse, tudo estava bem.
Até a minha ruína, e tudo aconteceu porque não confiei na crença do meu povo!
Quando fiz dezoito anos minha primeira missão a prova de guerreiros e a força sobre a dor, entre todas as provas essa foi a mais difícil.
Suportar a dor de várias formigas carnívoras tentando devorar a sua pele, e a sua ardência.
A minha pele queimava com cada mordida a cada canto do meu corpo, era como se eu estivesse sendo queimado vivo.
Tinha que suportar, porque o pior estava por vir, andar em cima das brasas, demonstrando a força de um líder.
Apanhar enquanto caminhava sobre a fila dos guerreiros que me socava a ponto de perder o ar.
Segurei firme, ainda com as dores de não me mater pé.
Eu consegui!
Me tornaria cacique de meu povo e demonstraria que estou pronto.
Assim aconteceu, tive minha prova de guerreiro, passei nas primeiras fases, e as etapas finais.
Para a comemoração, tive uma cerimônia no mesmo dia e assim, tudo que eu mais queria.
Estava prestes a acontecer, ganhei uma esposa bela jovem.
Luna era a mulher que eu estava apaixonado.
Naquele momento da festa, três dias depois aconteceu o nosso casamento.
Fomos para a cabana de acasalamento, e lá aconteceu o que eu estava tão ansioso.
Sair de lá depois de quinze dias, é uma tradição, só pode sair da tenda após quinze dias úteis.
A mulher está grávida do meu filho. Desse dia em diante.
Luna é uma guerreira brilhante, que me conquistou por completo.
Ganhou o meu coração, nossa noite foi especial, com ela tive minha primeira experiência de homem.
Ela é minha outra metade, mãe xamã já havia previsto nosso destino junto ao pajé.
O pajé não tinha uma visão clara de que ela era a mulher do meu destino.
As palavras da minha mãe, sobre as estrelas e seu significado.
Consegui entender naquele momento quando despertei ao lado da minha amada.
Mas quando pensamos que a felicidade, poderia ser eterna e nada iria estragar.
Algum tempo depois, algo desagradável aconteceu a mim, e ao nosso povo muriê.
E novamente fomos atacados por nossos inimigos em comum...
Liderado por um maldito urque, que se dizia ser amigo meu, com uma falsa promessa.
De vacinação e ele iria cuidar bem de nossa gente, eu o acolhi em nossa tribo.
Justo quando a metade de minha gente, estava tão doente, eu confiei nele.
Fiz amizade e dei a ele a hipótese de não ser julgado por sua raça, e eu fui sincero.
Minha mãe estava à beira de suas loucuras, eu acreditando nele.
Deixei ela aos seus cuidados junto a Biza, que na época acompanhou o procedimento.
Ela é mãe de Luna, e sempre esteve ao meu lado nos piores momentos de minha vida.
O homem branco ajudou em boa parte, mas as coisas ficaram se agravando e quando em uma noite.
Os nossos inimigos invadiram a tribo, e quando o terror de ver todos morrendo pelo fogo.
Armas de fogo, e tudo que eu tinha perdido naquela noite, eu não fui capaz de salvá-las.
Osvaldo Morais, ele foi capaz de liderar a rebelião das tribos e alguns urques estavam entre eles.
Na época, eu estava sem entender, e não sabia do seu envolvimento, foi quando a Biza me contou.
Tudo sobre os planos dele, eu confiei no maldito que assim tirou os bens valiosos de minha vida.
Deixei que ele entrasse na tribo, dividir com ele as minhas frustrações, e até pensei sermos amigos...
Não contei o seu segredo, então quando tudo estava em chamas, o procurei...
Ele fugiu como um verdadeiro covarde, e os únicos que nos ajudaram foram as tribos vizinhas.
Eram os únicos que poderiam nos ajudar, procurei por ele e até mandei os meus homens irem atrás dele.
Naquele mesmo dia.
O maldito fugiu em seu helicóptero, uma vez mais, o madito urque traiu minha confiança e de meu povo, por isso odeio a pele branca...
Eles são as doenças, criam estão destruindo o mundo com suas criações, desrespeito contra a mãe natureza.
Sei que um dia vou encontrá-lo novamente, vou acertar as nossas contas.
Ele vai me pagar por tudo!
Presenciei a morte de minha mãe, o desaparecimento do corpo da minha esposa Luna.
Vi a sua roupa entre as chamas, tinha certeza que ela estava morta.
O único e verdadeiro amor de minha vida, com ela foi o meu amor, morreu as minhas esperanças.
Ela morreu da forma tão cruel e dolorosa que um ser humano pode suportar, ainda grávida de um filho meu!
Nosso primogênito, e ele era a razão de nossa felicidade.
Que ela ainda carregava em seu ventre, faltava uma lua para ela o ter, tentei invadir a tenda.
Mas a única que eu vi, foi minha mãe, que gritava entre o fogo, a cena que não sai da minha cabeça.
Tenho tantos pesadelos, não sei um dia sequer, que é dormir bem.
Em meio a tudo que estava acontecendo, eu gritava e pedia aos espíritos, mas quando vimos nosso povo sendo mortos eles corriam pedindo ajuda.
Estávamos sendo devastados e massacrados, tudo que eu presenciei.
Aquela maldita noite sangrenta e dolorosa. Faz-me acordar diariamente gritando com os pedidos de socorro...
Os anos se passaram, tenho comigo único desejo em meu coração.
Me vingar do urquer maldito!
Que destruiu tantas famílias, e matou o meu único filho na barriga de sua mãe.
Ele foi responsável por boa parte das mortes dos guerreiros e mulheres Muriês.
Sou forte o suficiente para esmagar ele com as minhas próprias mãos!
Mais por dentro do meu coração, carrego as cicatrizes das quais é impossível de se curar.
Um dia vou me vingar daqueles, que um dia pisou nas terras sagradas fingindo ser amigo.
E inundou com sangue inocente as terras férteis do meu povo Muriê.
Com todo acontecimento, se dividiram as tribos, e com elas o fortalecimento de todo um povo, uma só raça.
A luta contra outros clãs assassinos, quase sempre nos atacam, lutamos bravamente!
Nossa terra é rica em diamantes, isso faz com que os urques, deseja está aqui, e roube nossa terra.
Nossas riquezas, e esse é o perigo de tudo, não podemos usar os diamantes, nem outras pedras preciosas!
Isso chamaria a atenção dos urques da cidade, eles estão em um lugar.
Além de mim, tem o meu pai e irmãos, que sabem o local onde têm elas, e alguns guerreiros.
Tudo por questão da seguridade de meu povo, estamos escondidos há tantos anos, ninguém sabe onde é o local.
Um de nossos guerreiros usou uma das pedras, era os diamantes, para comprar sementes.
Sei ser o uso para nossa tribo, mas ele sabe ser arriscado.
Ele teve a punição, e antes de tentar chegar à cidade, eu o segui, e assim o fiz tomar de volta.
Luto pelo bem de todo o meu povo, toda minha gente e a nossa família.
Vivemos da natureza, por ela lutamos, nosso tesouro vem dela que nos sustentamos.
Matar é a única coisa que nos mantém vivos, desde a devastação dos brancos e suas maldades.
Eles tentam roubar as nossas terras, e muitas das vezes as nossas mulheres.
Travando uma luta constante vivemos assim, nem diariamente são de guerras...
Mas nossos inimigos estão sempre tentando roubar o que nós pertencemos.
O meu legado não pode ser destruído, sou um Muriê e vou lutar até o fim...
Eu não vou permitir, vou matar um por um até que não reste nenhum!
Nunca mais irei permitir ser enganado novamente pelos brancos!
Eles em tudo que coloca a mão apodrece e sua civilização estraga a natureza.
Qualquer que tentar, terá um fim em sua vida, portanto não deixe ninguém se aproximar!
Tudo que faço e fiz, é pelos bem de minha gente, e o meu povo merece, e serão protegidos!
Ainda que eu não tenha forças para continuar lutando!
Dentre eles está o Klaus, ele era meu melhor e único amigo de infância, mas hoje é o meu inimigo mortal líder da tribo norte.
Como isso aconteceu?
A tribo norte era aliada a de meu pai, e ele era o meu amigo, tudo terminou com a perda da Luna.
Ele também gostava dela, a disputa por uma mulher, rompeu o laço de amizade e consideração.
A ponto de nos matarmos, coloquei um fim e assim as tribos foram separadas.
Até o dia em que a Luna se tornou minha prometida, e casou comigo.
Ele não suportou vê-la se tornando minha esposa.
Foi o bastante para romper a amizade de uma só vez, não teria volta, eu sabia de seus sentimentos por ela.
Nossa amizade era forte,tudo terminou por nossa disputa pela mesma mulher, e nenhum dos dois quis ceder.
Nós nos conhecemos desde pequenos, lutamos em muitas guerras juntos, eu tinha ele como Irmão.
Nossa amizade se perdeu, então nos tornamos os piores inimigos um do outro.
Klaus não voltou a pisar nas terras Muriês, e algum tempo sem dar notícia, algo aconteceu.
Recebemos a notícia de que a tribo do norte foi atacada e seu pai foi morto naquela mesma noite.
Ele assumiu o legado de seu pai, se tornou o novo cacique, com a liderança.
Qual o movimento e a separação das tribo aliança que ainda era viva.
Foi rompida de uma só vez, ele jurou e prometeu não voltar atrás.
Então, ele cumpriu!
Seu rancor e mágoas pela perda da sua amada e não informado porque ela me escolheu.
Klaus se vingou, ele desfez a aliança com o nosso povo, e assim a aliança foi rompida.
Eu senti a falta dele, de tudo que vivemos juntos e a nossa adolescência até a infância.
Klaus cresceu comigo, e quando éramos garotos, apostava nas corridas, subíamos em árvores altas.
Sempre entrávamos no rio, para ver as índias mulheres despidas jovens e assustadas, pregar peças nelas.
Sumir com as roupas dos guerreiros, e lançar armadilhas.
Eram amigos para todos os momentos, até onde sei ele estava solteiro.
Até hoje, e ainda afastados, ele não visita como costumava fazer,soube que ele sempre estava.
Aqui escondido, sabia de suas visitas à aldeia, e nem tenho notícias suas.
Essa amizade não pode acontecer, e nem mesmo com a morte dela.
Ele tem ódio, e tudo está no passado para mim, mas o rancor dele não.
Falando em sobreviver, vivemos da caça, alguns coelhos coiotes, matamos os cangurus, animais que nos dão permissão.
De alimentar a nossa família com a sua carne, tudo temos a permissão da mãe natureza.
Nosso rendimento em mantimentos, é pelas sementes de frutas e legumes, dentre outros, vêm da cidade.
Trocamos por artesanatos, feito pelas mulheres da tribo, tudo é feito para comprar sementes.
Elas trabalham bem, e a maioria dos artesanatos como bolsa, colar, brincos, vasos e itens para colocar em cabelos.
Além de não ter o suficiente, pois as terras não dão os frutos, o solo é seco em alguns lugares.
Os necessários frutos, e o local onde plantamos, só existe um lugar, mas temos a necessidade das sementes.
Sempre quando vamos à cidade dos
urque(Brancos) comprar sementes raras das quais precisamos...
Além do fato de sempre não gostar muito da forma como eles nos olham.
Eles nos olham, com preconceito, seus olhares são como de quem tem medo, não somos animais!
Não sei falar muito bem o idioma dos urques, mas tive que aprender, para comunicação.
Para nossa condução até a cidade, e tudo em segurança e cautelosos.
Usamos os barcos, em três pontos estratégicos para não sermos seguidos...
Tudo no sudoeste da Austrália, local afastado com uma extensa floresta tropical.
Ao oeste está o deserto, lá foi um dos primeiros lugares onde o meu povo habitou.
Local onde nasci, e de toda a tragédia, e as minhas piores lembranças.
Doeu meu coração em vê-la morrendo, não gosto de lembrar, e suas expressões.
Fiquei parado assistindo toda aquela tragédia, naquela noite eu também morri junto com ela.
Notícias que tem outras tribos, e os canibais são os piores entre os inimigos, são os próprios demônios na terra.
Os piores!
Eles são os seres mais desprezíveis da face da terra, verdadeiros animais!
Sempre tem um dos nossos guerreiros sumindo, e estamos investigando,mas tenho certeza!
Há duas semanas, dois de nossos guerreiros foram vistos pela última vez.
Eles estavam guardando a tribo, e reforçando as armadilhas.
Meu pai está impaciente, e quer que eu me case com uma índia da tribo aliada.
Já houve uma apresentação, mas hoje será o dia da festa de noivado, desde que minha mulher morreu.
Confesso que não estou nem um pouco contente com isso, meu pai está me pressionando para esse matrimônio.
Ele sabe que eu não pretendo me casar, mas eles têm preocupações por mim.
Tenho dois irmãos, eles sempre esteve ao meu lado, e quando minha mulher partiu.
Continuei sozinho na minha tenda, ninguém se atreve a entrar sem minha permissão.
Essa é a minha primeira moradia, desde que minha esposa morreu, vivo aqui.
Ainda guardo seus, veste, cada roupa dela ainda tem o seu cheiro, a tenda tem o seu toque.
Não desejo mais ninguém, além da Luna,tranquei o meu coração para o amor.
Aqui deitado estou pensando, e esperando chegar o amanhã, pois será o noivado.
Pego uma peça de sua roupa dela, assim sinto o seu cheiro, adormeço com ela, que está sempre viva em minhas lembranças.
Com a única promessa que fiz no seu enterro, o desejo forte de me vingar.
Ajoelhado sobre a terra fiz a promessa da qual não posso desfazer.
"Vou me vingar"
Não é só por ela, também pela minha mãe... e todo o meu povo Muriê.
No dia seguinte acordo, e assim começo a fazer os meus deveres, e antes de tudo.
Faço o meu desjejum, e quando estou comendo, levo um susto com o meu irmão.
_ Kauê!
Hoje vai conhecer sua noiva, todos só sabem falar sobre o seu casamento, e então animado?
_ Veja se estou?
Kauê, a tribo está em festa!
_Todos estão animados, faz um bom tempo, que não temos uma festa assim e desde...
_você sabe!
Todos tão animados de verdade, esse casamento será muito importante para união das tribos!
_ Sabe, eles lhe trouxeram presentes, e seu pai está agradecendo, não vai ver?
Joabe, não tenho paciência!
__Sabe que se dependesse de mim, não haveria casamento, nem acordo algum!
_Você mais do que qualquer outra pessoa, sabe que eu estou sendo obrigado a isso!
Sim, eu entendo...
Ele fala ao perceber que não estou tão contente , e tenta mudar o rumo da conversa, mas não saindo dela!
__Kauê!
Vamos, sorria!
Kauê, você tem muita sorte, ouvir dizer que a moça é muito bonita, tanto quanto uma flor!
Ela é cobiçada pelos guerreiros,melhor assegurar de uma vez que ela será sua!
Tudo pronto para a festa,não faça cara de quem está perto para ir à morte!
Acredito que sim estou na beira do precipício de minha arruinada vida!
_ Kauê, tão exagerado!
Esse me chamando, e a todo sorriso, é o guerreiro Joabe, meu amigo fiel, e guerreiro nato.
Não estou nada feliz com essa decisão de meu pai, eu não quero me casar, muito menos esse noivado tão rápido!
_ Kauê, Irmão!
A noiva é muito bonita!
_ Irmão sei que ainda tem sentimentos, pela sua falecida esposa.
_ já está na hora de te dar uma nova hipótese para o amor, e, além disso...
Precisa de filho!
De certa forma, ele tem razão a esse quesito, porém meu coração diz outra coisa.
Falei sábado às ordens, e então o guerreiro entende o que está por vir.
_Joabe, volte a segurança dos guerreiros, mande eles ficarem espertos!
Ainda ontem tivemos invasões, eu quero que tudo esteja bem, se vou me casar.
A segurança da tribo está em primeiro lugar, só farei esse sacrifício por conta do meu pai!
Terei que encarar isso, enfrentar as decisões que meu pai tomou, ainda que eu ame a Luna.
Essa decisão não é minha, tudo que eu tenho que fazer é aceitar e obedecer.
Ele é a sabedoria, e tenho contato direto com os espíritos, sua ligação é tão profunda e a espiritualidade protege nosso povo.
Terei que aceitar o meu destino, e assim ter uma nova esposa.
Mas o meu pai insiste,eu não sei como sair dessa situação.
Terei que me casar, conforme o seu desejo, este é o destino do qual.
Eu não posso fugir...
Vejo meu pai ao sair da minha tenda,sentado ao redor de algumas crianças.
São raras as vezes em que o vejo sorrindo tão despreocupado.
Desde a morte de minha mãe, meu pai não é de falar e muito menos sorrir tão fácil assim.
Vou para perto dele e as mulheres estão preparando os alimentos da nossa tribo.
Mandioca e a goma dela, é feita com pães sem fermento, e assado de peixe e frutas, carnes de caça.
Aqui faz um pouco de frio, e logo pela manhã, é perto da cachoeira.
E sempre usamos peles de animais, para cobrir o corpo e quando faz calor, é pior ainda, mas já estou acostumado ao frio.
Pela tarde muda a temperatura, e assim conseguimos nos adaptar, e os Muriê amam a terra que está.
Vindo até onde estou a serva Muriê nem olha para mim e entrega os preparados.
_Aqui senhor Kauê está preparado para seu banho e aqui está o seu Joá.
_ Roupas limpas e uma toalha para secar o corpo a água está morna.
_Já pode se banhar meu senhor!
Ela me entrega tudo, segue para as outras ocas, e assim funciona nossos costumes.
Elas têm o direito de casar, e deixar de ser escravas, se assim um guerreiro quiser assumir.
Joar é uma folha, usada na limpeza higiênica da boca.
Essa receita é feita pela mãe xamã, e os dentes ficam limpos.
Perfeitos e livres de hálitos pesados, a não ser os que não gostam de praticar a higiene necessária.
Os guerreiros desejam ter esposas, e assim faz ou ficaram solteiros para sempre.
_ Está pronto Kauê?
Hoje vai conhecer sua noiva, e o casamento será no dia seguinte.
Aquele que será o seu sogro líder da tribo urika, está ansioso, ela é sua única filha mulher.
Está tudo preparado, ordenou que matassem, um dos maiores animais para fazermos a festa!
Quero muitas comidas e bebidas, seu casamento será lembrado em muitas gerações!
Já obtive notícias dos guerreiros, que sua esposa está chegando com o pai.
Não me decepcione, você é o meu filho, e vai assumir a liderança do nosso povo!
Mandei a águia mensageira levar o recado, e ela chegou com outra folha.
Ele deseja ter o casamento o mais rápido possível, a filha dele é preciosa, e eles precisam.
Da união das tribos.
Essa águia é treinada pelas tribos, só assim podemos saber de tudo.
_ Grande irmão!
Estamos esperando ansiosos, pelo casamento e sua liderança formal!
Fala o meu irmão novo, o Jurandir, que tem três anos de diferença.
Nunca se casou, ele espera pela pessoa certa assim ele diz, porém sei que só está fugindo.
Será que alguma mulher vai aceitar, esse sem juízo do Jurandir?
Lembro que meu pai deu uma surra nele, pois foi pego trepando na margem do rio, com a mulher.
Mas não, era qualquer mulher, e sim a mulher do guerreiro amigo meu, ele teve a punição.
Apanhou, levou bolos e foi colocado em cima de um formigueiro, mas ele não tem jeito.
Nada é capaz de baixar o fogo dele, olha que nem a dor de tantas formigas sobre o corpo, é capaz!
Ele continua falando bobagens, minha vontade de atirar ele do rio abaixo.
Jurandir meu irmão caçula, tem cabelos negros assim como os meus, e os olhos castanhos escuros.
_ Kauê!
Estou tão animado, e terá tanta bebida e comida, mulheres...
Ele fala com uma expressão tão eufórica, e eu me pergunto, quando vai criar juízo?
Pai vamos dar uma grande festa, e as mulheres estão animadas...
Quero beber muito, fumar cachimbo... eu ficar doido a noite toda!
Esse é um pegador das índias, sempre está com uma mulher diferente.
Meu pai está sempre em fúria, e ao puxar de suas orelhas, ele grita e olha para mim.
Pede-me ajuda...
_ Você, se comporte!
__Eu não sei o que faço com você,vou casá-lo com a mulher mais feia entre as mulheres!
Não pai!
Eu só quero me divertir, mas vou me comportar, eu juro que vou! Não entendo o Murici...
Ele sempre me incentiva a casar, é um dos que não quer, e o meu pai só perdendo os cabelos.
Não tão diferente do meu irmão do meio, e ele não aceitou os casamentos, e sempre desprezava as noivas.
Resultou em anulação, ele não se deitou com a mulher durante os quinze dias.
Ele tinha se apaixonado por uma das mulheres. Tainá é a esposa do guerreiro Joabe.
Mas ela não tinha sentimentos por ele, e às vezes ouvia que ele estava sempre seguindo a moça.
Queria comer a esposa do Joabe, isso terminou ao saber que ela estava grávida.
Toda essa perseguição pela moça, soube pelos boatos que ela deu esperança de seus sentimentos para ele.
Ela brincou com o coração deles, e no final ela escolheu o Joabe.
Ambos tiveram uma briga, e então houve uma luta para disputar a esposa, e ele perdeu.
Essa é a maior raiva dele, e sendo assim ele não quer esposa alguma.
Ele me chama perguntando se estou bem com tudo isso, e eu tão perdido em meus pensamentos.
Minha resposta é a mesma,ele continua falando sobre a proposta.
_ Sabe, você tem que esquecer a Luna!
__Sempre sofrendo por ela, e eu até entendo Kauê... mas tem tanto tempo!
__Merece ser feliz!
Murici tem um ano de diferença de idade que a minha, e eu até entendo ele.
Ele nunca perdeu uma esposa, e tão pouco sabe o que é está sofrendo por alguém!
__Murici!
__Você é o meu irmão, e eu entendo sua preocupação comigo, mas eu estou bem!
__Já falei vou casar!
Você está tão preocupado para eu casar logo, porque não se casar no meu lugar?
Irmão, temos que agradecer o nosso pai que além de líder espiritual, teve que liberar o nosso povo.
Não temos cacique, e sei que você pode se tornar um, eu confio em sua liderança!
Eu não desejo me casar, mas se esta fosse a vontade do nosso pai, eu faria!
Sei que não deseja ser o pajé, mas tem que assumir a liderança, e se os espíritos assim desejar.
Você será!
Fico surpreso com suas palavras, e eu até penso no que deu nele...
Mas prefiro ser o cacique... o líder tribal de nosso povo...
Meu irmão continua falando do casamento, e eu estou tão cheio desse assunto.
Essa união vai salvar muito a nossa liderança e fortalecer o nosso povo!
Temos bons guerreiros, e são os melhores na artilharia!
_ Ninguém será capaz de derrotar a nossa gente, a força deles é tudo que precisamos!
Vamos ter poder e força!
Ele suspira...
Eu vi quanto você sofreu com a perda da sua mulher e do seu filho, e com a morte da mamãe.
__A raiva daquele maldito homem, e o que ele fez ao nosso povo.
Eu estou ao seu lado!
Ele para de falar e então sei que está olhando para Tainá... e eu espero ele terminar...
Murici?
Chamo ele não responde ao olhar para a mesma direção que ele, vejo que está próxima de uma das tendas.
Conversando com Joabe, os olhares deles se cruzam e quando o chamo novamente.
Murici?
Ainda sente algo por ela?
Ele olha para mim, fica tão nervoso para responder, até muda o assunto...
Eu insisto até que ele fala estando tão furioso, e isso pode ser ciúmes?
Não quero falar disso, além disso, ela não me interessa!
Ela escolheu ele! Murici foi melhor assim, e agora vocês estão em caminhos diferentes.
Eu não quero falar sobre isso, tenho que ir!
Vou preparar as coisas...
Ele sai tão furioso, e eu sigo para minha tenda, vou me banhar, a água está fria!
Durante a tarde, o sol brilha indicando o seu horário e eu estou pronto, esperando a noiva. Que acabou de chegar!
Yara!
A moça é bonita e olhando assim de longe, tem sua beleza...
_ Senhor, eles o chamam!
Suspiro e assim vou até eles, beijo a mão da moça em sinal de respeito, falo com cacique.
Meu pai prepara o cortejo da cerimônia de noivado, e o ritual de noivos...
Com as palavras dele, tudo começa e estando frente a frente, e a moça sorri.
Meu pai mata a ave, e assim marca a testa da gente com a gota do sangue.
"Significa noivos" e quando vai passar a segunda marca algo inesperado acontece.
Cancelando a união do compromisso, e todos olhando o guerreiro falando sobre os canibais.
Eles estão próximos e nem as armadilhas deram jeito neles, temos que colocar todos em segurança!
Eles estão aqui, e vão atacar!
Grito para eles preparem as armadilhas, não podemos esperar o nosso povo correr perigo!
Vejo dois deles adentrando, e as armadilhas dão certo!
Preparem os cavalos, chame os melhores entre os guerreiros!
Monto em meu cavalo, ventania, e assim vou até o local que foi invadido.
Vamos!
Tenho que garantir a segurança dos Muriê, eles temem o pior!
_ Você, vá e faça a segurança das crianças , mulheres e idosos!
Sim, Kauê!