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Meu Médico Bilionário - Um herdeiro para depois do fim...

Meu Médico Bilionário - Um herdeiro para depois do fim...

Autor:: Dakota D.
Gênero: Romance
Quanto custa um filho? Fernando é um herdeiro bilionário, médico e CEO de uma rede de hospitais que só faz a sua fortuna crescer ainda mais. Nada disso parece ter valor ao descobrir que a doença que quase lhe matou está de volta. E dessa vez é fatal. Envolvido em um escândalo no passado, Fernando não pode contar nem com o seu único irmão. E decide então que deixará tudo nas mãos da pessoa certa. Um filho.... Um herdeiro para depois de seu fim. Fernando tem o tempo correndo e a morte se aproxima, então começa a procurar pela mãe ideal. A mulher que será tão somente a mãe de seu herdeiro. Até que encontra Luiza nos corredores do hospital e todas as teorias e planos mudam enquanto ele se vê cada vez mais apaixonado pela faxineira.

Capítulo 1 Aviso importante

Essa obra é diferente de tudo o que escrevi na minha vida. Se entrar nessa aventura, prepare os lencinhos, pois o Nando e a Lu vão te fazer chorar do início ao fim..

Quero agradecer primeiro a Deus por me permitir pensar em mais uma obra, e depois a mim mesma por não desistir quando os obstáculos pareceram grandes de mais, e a vontade era só chorar ou dormir.

Nando e Luiza ganharam meu coração de tal forma que eu precisei mudar o rumo da história. Preciso ressaltar também que todos os personagens estão ganhando seus livros. No momento estão conhecendo o Nando, e se quiser saber mais, Felix também tem a história dele, e é fantástica.

Todos os tratamentos, remédios e situações são fictícios, e toda e qualquer semelhança é tão somente coisa da mente de vocês(risos maldosos). A cidade onde está localizado o hospital existe e eu tenho o prazer de morar nela. O hospital é uma singela homenagem ao hospital onde a minha querida filha faz tratamento(ela não tem câncer).

A quem tem familiar ou passa pelo câncer, meus mais profundos votos de saúde e sentimentos, espero que tudo fique bem.

Antes de tudo, estejam conscientes que plágio é crime.

Sem mais delongas.... Vamos ne

Capítulo 2 Os Olhos Dele....

22 de Maio de 2018

Sete horas da manhã, de um dia insuportavelmente limpo e bonito.

Fernando parou a carro no estacionamento do hospital, respirou fundo, pegou a maleta o notebook e o celular.

Entraria pelos fundos, gostava de observar o ambiente antes de se apresentar. Falta só mais essa unidade da vasta cadeia de hospitais particulares que herdou junto do irmão, Félix.

Rodeou o hospital e entrou, não houve muitos olhares como ele esperava, afinal entrara usando um jaleco simples.

O elevador estava cheio, era dia de entrevista.

- Décimo andar, por favor.

A segurança, responsável pelo uso do elevador lhe lançou um olhar significante e acionou.

Pouco tempo depois estava no corredor da diretoria.

- Bom dia. – Encostou no balcão.

A balconista lhe lançou o mesmo olhar da segurança, um sorriso largo estampou-lhe no rosto afinado.

- Bom dia, senhor. Deseja falar com quem?

- Doutor José Carlos, por favor.

Ela pegou o telefone o olhando, e discou. Pouco tempo depois ouviu-se a voz do amigo.

- Doutor, o senhor....

- Fernando Olivar Smith. – a respondeu.

- O senhor.... Doutor – Ela ponderou, afinal ele levava consigo o nome do hospital.

- Diga ao Júnior que estou entrando.

Passou pela loira e entrou na sala do amigo.

- Nando! – Júnior se levantou da poltrona. - Seja bem-vindo.

Os amigos se abraçaram calorosamente.

- Vem de vez?

Fernando se sentou no sofá de couro, cruzou as pernas e sorriu.

- Vim de vez. Deixei São Paulo nas mãos do meu irmão.

- Lamento pela briga desnecessária do Felix.

- Não se lamente, ele estava certo, depois de tudo o que aconteceu, eu não poderia trabalhar no mesmo lugar que ele.

- Nando...

Fernando tirou da pasta um envelope, que entregou para o amigo. Foi feito em outra clínica, o que levantou suspeitas em José.

- Estou morrendo júnior.

- Como assim... Seu transplante foi um sucesso. Você estava a mais de dez anos livre..

- Descobrimos um cisto de tamanho considerável na coluna, e metástase no intestino.

José Carlos sentou-se cego, as mãos trêmulas enquanto retirava o laudo do envelope.

- Sarcoma de Ewing. – Nando falou, calmo. - Está crescendo lentamente.

- Mas você procurou tratamento. Quimioterapia..

- É isso que vim fazer aqui. – Ele encarou o amigo.

- Se tratar? Nando eu posso conseguir os melhores médicos para você. Sabe disso, pode se hospedar na minha casa na Argentina. Ou com a minha mãe em Orlando..

- Júnior, eu passei a vida lutando, sofrendo, temendo morrer. Acabou. Não quero mais sofrer. Vim para receber tratamento porque sei que você está cuidando desse hospital como cuida da sua família. Eu vou pagar meu tratamento como um paciente.

José Carlos sentiu o gosto das lágrimas no fundo da garganta. Chegou a cobrir o rosto com as mãos. Não podia acreditar que o melhor amigo estava desistindo de viver. Logo ele que apreciava a vida, cuidava dos pacientes como alguém da família. Adorava esportes, aventuras..

- Já pensei em tudo. Meus pais se foram, só tenho Félix, e sei que ele pode não dar continuidade a família. E não quero deixar tudo para os meus tios. Quero deixar um herdeiro aqui.

- Vai congelar seu sêmen, é isso?

- Não Júnior. Vou escolher a mãe do meu filho. Oferecer-lhe todo o suporte depois da minha partida. Eu... Eu quero estar presente na gestação.

Junior saboreou o gosto de algumas lágrimas. Chegou até mesmo a pegar o telefone para cancelar toda a agenda dos próximos dias.

- Decidi vindo para cá, que quero ter a sensação de receber a notícia que vou ser pai, e depois de tudo, acompanhar a mãe do meu filho no parto. – Nando mexia nervosamente na maleta. - Eu sempre tive tudo o que queria Júnior, roupas, brinquedos, viagens, mulheres. Mas ignorei a beleza da vida, o nascer. Eu... Quero deixar esse mundo sabendo que deixei alguém aqui. Já conversei com amigos que tem uma clínica de fertilização.

Quanto a isso não houve objeções, Júnior sabia que o amigo era teimoso a ponto de discutir até o fim, e sair ganhando.

- E então... Trouxe meus exames e documentos. Me encaminha daqui, ou eu preciso ir á algum lugar primeiro?

*****

- E então doutor? O que eu tenho?

Luiza remexia a chave do carro velho, impaciente. Aguardava o Doutor Alexandre responder a pergunta, e acabar ou aumentar a angústia dela.

- Você tem ceratocone. Já ouviu falar?

- É câncer, Doutor? – Ela disse, se desesperando.

- Não. – Ele riu com o nariz. - É uma deformidade nas córneas. Você vai notar que gradativamente perderá a visão.

- Mas isso tem cura?

- Intervenção cirúrgica, ou lentes rígidas. – Ele analisou a tela do computador. - No seu caso, as lentes ainda podem ajudar. Posso passar um óculos até que elas fiquem prontas.

- Por favor. – Luiza deu um sorriso amarelo.

- Vou te encaminhar para a Contatóloga.

Depois de pegar a receita para um óculos que sabia ser o único recurso a usar, Luiza esperou uma eternidade até ser chamada. Foi submetida a um monte de exames e testes até que a Doutora dada por vencida lhe passou o valor.

- Com a gente fica em Três Mil e Quinhentos reais.

- Oi? – O susto foi tamanho que Luiza virou o ouvido na direção da Doutora.

- Essas são lentes rígidas, o material é um pouquinho mais caro.

Falou, falou e falou, enquanto Luiza só queria sair dali.

- Anota para mim, por favor. Preciso conversar com a dona do cartão de créditos.

Depois que saiu da clínica não houve tempo de passar em casa. Rumou para o novo emprego, que acabara de conquistar a uma semana.

Vestiu o uniforme, calçou as botas e prendeu o cabelo cacheado.

No crachá a foto e o nome, Luiza Mendes, e o cargo, Auxiliar de Limpeza.

Respirou fundo, queria ter tempo de estudar e quem sabe se formar em enfermagem.

Engoliu o choro, afinal a família dependia dela. A mãe, senhora Marli já era aposentada, mas mal dava para sustentar a mãe idosa diagnosticada com Alzheimer, e o filho, irmão de Luiza.

Walter, estava internado, lutando contra os vícios. E isso consumia o dinheiro das mulheres da casa.

Com o carrinho cheio de produto começou a limpeza da tarde. Passaria nos quartos, recolhendo lixo, lavando banheiro, trocando roupa de cama e escutando reclamação até a hora de voltar para casa, moída.

Quando saiu do elevador de serviço viu o Diretor do hospital ali, levando consigo um homem.

Se achava o diretor bonito, com os seus quase dois metros de um corpo bronzeado e gominhos que ele mal conseguia esconder na camisa, quase não conseguiu arrastar o carrinho ao ver o mais novo paciente.

Era alto como o Doutor José Carlos, mas tinha os cabelos negros em cachos grandes, os olhos mesmo dali e quase cega, via-se que eram da cor de mel líquido. Ele tinha lábios vermelhos e quando sorriu amigável para a enfermeira, mostrou-se duas covinhas.

- Luiza!

- Sim senhora.

- O quarto vinte e cinco está vago.

- Entendi.

Ela sabia que Margareth estava se exibindo, não pelo paciente. O Diretor estava ali, e era nele que as interesseiras focavam todo o pagamento em perfumes.

Margareth não era diferente, sendo a enfermeira chefe daquele setor mantinha todas sob seus pés grandes de pato.

Se achava a loira mais bonita do hospital, até mesmo parecida com Marília Mendonça, mesmo que só na sua mente e seu espelho distorcido.

Luiza passou pelos homens com a cabeça baixa, rumou para o quarto e lá teve de aguentar toda a ladainha de Amargareth sobre a limpeza precária feita ali.

- Eu sei. – Luiza concordava. - Me desculpa.

Enquanto corria para limpar o banheiro viu passar por elas o tal paciente.

A troca de olhares foi instantânea, ele chegou a parar, mas Luiza se atrapalhou com os produtos, e quando voltou a olhar para a porta, ele não estava mais.

- Me entendeu, Luiza?

- Claro. – Que não. - O quarto do lado já foi higienizado?

- Sim! Eu mesma o ajeitei.

Luiza trabalhou o resto do dia e início de noite, quando podia sempre dava uma olhada para a última porta do corredor. Sempre fechada, mesmo que houvesse a presença de algum profissional ali.

Bateu o cartão com os olhos do outro na mente e voltou para casa. O carro velho por pouco não ligou.

Capítulo 3 Escolhas difíceis

Fernando

Já faziam duas semanas que estava ali. As seções de quimioterapia deram início, e com isso os vômitos frequentes, sudoreses e dores de cabeça.

Fernando havia perdido a conta de quantas vezes precisou esperar o quarto ser limpo. Sempre na parte da manhã depois das seções. Mantinha consigo um caderno onde anotava todas as possíveis mães para o seu filho enquanto tentava amainar os sintomas do tratamento.

Até mesmo Ingrid, secretaria do seu amigo e a única que sabia da verdade estava ali.

Ele mantinha nome, idade, características, e o que percebia da personalidade. Estava anotando algo sobre a enfermeira Sophia quando a faxineira entrou.

Esperou que fosse a mesma, senhora simpática. A surpresa veio para os dois.

- Bo... Boa tarde. – Luiza gaguejou.

- Boa tarde. – Nando deixou o caderno de lado. - Preciso sair?

- Na.. Não. Eu vou ser rápida. – Luiza desviou o olhar.

Ele observou a garota cabisbaixa entrar com os produtos de limpeza. Enquanto ela limpava o banheiro ele instintivamente anotava no caderno.

Nome: ?

Idade: ?

Característica: Cabelos encaracolados de cor castanho, olhos castanhos. Cílios grandes. Aparenta ser tímida, sorri facilmente.

Fechou o caderno com um sorriso de descrença. Nem sabia se a moça tinha namorado, ou até mesmo se aceitaria uma loucura como aquela em que ele fosse propor.

Que ele estava se enfeitiçando pelo jeito dela, era fato. Até mesmo o perfume doce que vinha dela quando passava, o deixava estranhamente afoito.

Para distorcer os sentimentos estranhos puxou de cima da mesinha um livro.

Dom Casmurro.

Seria esse mesmo a ter o propósito de distrai-lo.

Abriu o livro justo na parte onde Bentinho descobria o amor por Capitu.

- É um ótimo livro. – Luiza estava parada na porta do banheiro com um sorriso tímido nos lábios. - Desculpe, devo ter atrapalhado sua leitura. – Ela se abaixou para pegar os produtos.

- Não! – Ele a deteve. - Já o li algumas vezes, é que ele é tão..

- Contrário. – ela emendou. - Ele é louco, mesmo vendo todo o amor dela, provando desse sentimento, acha que ela o traiu.

- Ela o traiu?

- Não. – Luiza bufou. - Que ridículo.

Nando riu da forma como ela enrugou o nariz.

- Como se chama? – Ele a questionou.

- Luiza.

- Muito prazer Luiza, me chamo Fernando.

Ela sorriu de volta. Ele pretendia dizer algo, mas a enfermeira Margareth entrou, emburrada.

Luiza se foi ouvindo todos os tipos de desaforo possíveis. Desaforo esse que ele não deixaria passar.

Quando Margareth voltou sorridente, Fernando acabava de ajeitar o livro em cima da mesinha.

- Gosta de ler? – Ele a questionou.

- Sim.

- Então já leu algum desses. – Nando apontou para a pilha de livros.

- Ah, não. Não esses. – Margareth deu um sorriso amarelo.

- Hum. – Ele resolveu mudar de assunto. - O que acha do trabalho daquela moça?

- A Luiza? – Margareth o encarou, foi até a porta e deu uma breve olhada para os lados. - Ah, ela até que trabalha bem, mas é muito atrapalhada, as vezes troca os produtos.

- Eu vi que ficou brava com ela. – Nando continuou, despretensioso.

- Brava não. Gosto de manter tudo certo. E ela precisa saber o lugar aqui. Está aqui somente para limpar.

- Tem razão. – Fernando fez uma anotação mental.

- Vou pedir para a Sophia trocar seu acesso, – Margareth sorriu.

Fernando esperou pela outra enfermeira, e quando ela veio prometeu para si que anotaria mais algumas características, tentou conversar mais um pouco.

- Dia corrido hoje não? – Ele observou o cuidado dela em retirar o acesso e trocar pelo outro.

- Bastante. – Sophia sorriu.

- Então.... – Ele recomeçou a conversa.

Sophia recebeu uma ligação, recusou e voltou aos cuidados.

- Atende, pode ser urgente. – Nando disse.

- Não. É só meu namorado confirmando nosso compromisso..

Então ela era comprometida. Tão logo saiu, Nando arrancou a folha do caderno, amassou e jogou no lixo.

Luiza trabalhou feito louca, lavou todos os banheiros do andar. Margareth parecia irritada especialmente com ela depois de flagra-la no quarto do paciente Fernando.

Estava levando as roupas de cama para a lavandeira quando o celular tocou. Era expressamente proibido usar celular enquanto trabalhava.

Ela deu uma olhada para trás, encostou na parede enquanto o atendia.

- Alô?

- Luiza?

- Sim. Quem é?

- Luiza trago notícias do seu irmão. Pode passar aqui mais tarde.

- Amanhã pela manhã. Pode ser? Trabalho durante a tarde.

- Claro. Seja breve.

Luiza desligou o celular com o coração aos pulos.

Durante a volta para casa não tirava essa ligação da cabeça.

Parou o carro na garagem e entrou em casa tentando fazer silêncio.

- Lu.

- Mãe?

Dona Marli a esperava todos os dias, com uma xícara de chá morno, sentada na cozinha.

- Pensei que estivesse dormindo. – Beijou a mãe e se sentou.

- Perdi o sono. Não sei, parece que meu peito está apertado.

- Precisa parar um pouco mãe. Já te disse que dou um jeito de manter a casa.

Dona Marli levantou da cadeira e abriu uma gaveta, tirou de lá um papel e a entregou.

- O que é isso? – Luiza perguntou enquanto pegava o papel.

- Vamos perder a casa Lu.

- Mas mãe... – Luiza deixou o papel em cima da mesa. - A senhora me disse que estava tudo certo.

- Eu menti. Fiquei com vergonha de te contar que o meu dinheiro não deu pra nada esses meses. É que a sua avó está mais dependente, e eu...

- Mãe. Pode contar comigo. Eu vou dar um jeito.

- Lu, não faz besteira. Não pega dinheiro na mão de quem não presta e nem se vende. Por favor.

Luiza beijou a mãe, levou consigo o papel. Deu uma olhada para dentro do quarto onde a avó dormia. Dona Amelita merecia passar os últimos dias com conforto, e ela não tiraria a casa da avó. E nem a veria em um asilo.

Mal dormiu aquela noite. Não tinha nem contado sobre a ligação da clínica e já tinha outros problemas para o dia seguinte.

Acordou cedo e antes da mãe se levantar rumou para a clínica, já que ficava em um lugar afastado. Quando chegou lá, foi recepcionada e levada até a sala do Doutor Edson. se sentou e esperou, roendo as unhas pela chegada do homem.

Ainda de costas escutou a porta sendo fechada. O Doutor Edson entrou, e com o olhar lascivo se sentou frente á ela. O terno caro cinza apertado no peito lhe fez engolir em seco.

- Bom dia, Luiza. – Ele sorriu, malicioso.

- E então... – Ela disse. - O que ele aprontou agora?

- Nada. Seu irmão é um jovem exemplar, logo mais completa dezoito anos, e eu queria lhe informar que ficará um pouco mais cara a estadia dele aqui.

- Mas eu já paguei um aumento absurdo á meses atrás. – Luiza segurou a bolsa com força.

- Como vão as coisas na sua casa Luiza? – Ele mudou de assunto estrategicamente. - Sua avó.

- Estão todos bem. – Mentiu. - Porque?

Edson se levantou ajeitando o paletó caro, e sob o olhar assustado de Luiza passou a chave na porta.

- Faz quanto tempo, Lu?

Então era isso. Ela respirou fundo, assustada de mais para gritar.

- Dois anos? – Ele se abaixou e falou no ouvido de Luiza. – Nossas fotos estão meio velhas, e eu estou sentindo falta sabe...

- Mas você se casou não foi? – Luiza se levantou e passou por ele. - Sua esposa é linda, e dona disso tudo. Olha só, não é mais o diretor, agora é dono.

- Deixa a Camila de lado, querida. Tenho saudade daqueles pagamentos que me fazia.

-- Que não farei mais. – Ela disse de uma vez, virando o rosto para o lado.

- Pois então, venha buscar seu irmão esse final de semana. Quero ver como vai se virar com um viciado e uma velha doente em casa.

- Você não pode fazer isso Edson, – Luiza começou a chorar. - As coisas vão ficar ainda mais apertadas em casa. Eu trabalho horas a fio, e não posso ver meu irmão. Por favor...

- Bom. – Edson destrancou a porta. - A mensalidade desse mês vence na segunda, querida, se não pagar de uma forma, será de outra. – Ele se aproximou mais uma vez dela. - Dessa vez prometo que irá gostar.

Luiza passou por ele apressada, antes de fechar a porta, Edson lhe disse:

- Vou te mandar a localização. Até lá...

Luiza entrou no carro com a respiração presa. Dirigiu por alguns minutos e parou o carro no acostamento, socou o volante enquanto gritava de dor. Pensava ter deixado para trás a humilhação de se vender para salvar a vida do irmão. Agora, estava presa nele outra vez.

Chegou no hospital e mandou uma mensagem á mãe, avisando que precisou cuidar da papelada do irmão e já estava no trabalho. Enviou a mensagem e rumou para o décimo andar.

- Bom dia. – Luiza encostou tímida no balcão. - O Doutor Carlos está disponível?

Ingrid a olhou com piedade, deu uma olhada na tela do computador.

- Ele está atendendo uma pessoa agora, se quiser esperar, logo falará com você.

- Claro. Posso esperar ali?

Ingrid assentiu, e ela se sentou, mirando a rua movimentada. De costas para a secretária chorou, sentia que o mundo iria desabar outra vez se não conseguisse se livrar daquele homem. Estava secando as lágrimas quando a porta abriu, sentiu que alguém passou por ela. Quando olhou, nem Ingrid ou o tal amigo estava lá.

- Senhorita Luiza, – Doutor Carlos estendeu a mão. – Venha, entre.

Enquanto Luiza entrava, Nando sem perceber sua presença se preparava para conversar com Ingrid. Sentia um misto de desejo, ansiedade em estar com ela.

- Senhor Fernando? – Ingrid parou em frente ao homem. - Aconteceu algo?

- Sim. Quer dizer... Eu estava pensando.. – Ele colocou as mãos nos bolsos. - Estava pensando se quer sair comigo nesse fim de semana. O que acha? Um jantar fora daqui.

- Não está internado? – Ela perguntou, confusa.

- Enquanto eu quiser. Júnior me liberou se você aceitar.

- Claro. – Ela disse, com os olhos brilhantes. - Onde?

- o Júnior vai me passar seu endereço, passo lá as sete horas, pode ser?

- Sim. – Ela disse.

Fernando sorrindo a beijou, foi um beijo rápido, mas foi direto na boca. A loira mal podia esperar para ter uma noite com Fernando Olivar Smith. E mal podia esperar para mudar de vida.

Enquanto Fernando dava um passo em direção do sonho de ser pai, Luiza se explicava para o Diretor do hospital, deixando de lado o fato de se vender caso não conseguisse esse dinheiro.

- Vamos lá Luiza, – Doutor José Carlos entrelaçou as mãos. - Tem semanas aqui, não é nem registrada ainda, e já quer um empréstimo. Você sabe que seu irmão pode ser internado em outro local.

- Mas aí seria essa dívida, e outra nova. – Luiza abaixou a cabeça. - Olha, sempre trabalhei, nunca pedi dinheiro á ninguém, mas dessa vez Doutor, só eu sei o quanto é triste procurar noite após noite pelo meu irmão.

José Carlos respirou fundo. Nem era tanto dinheiro assim, e ele só precisava conversar com Nando, enviar para o RH e pronto. Ela teria esse empréstimo.

- Que dia ele quer esse dinheiro? – Ele perguntou.

- Vence na segunda.

- Segunda voltamos a nos falar, ok?

- Ok.

Um pouco mais aliviada, Luiza saiu da sala, pegou o elevador e saiu no corredor escuro. Ainda tinha tempo, então decidiu ligar para o amigo.

- Luiza. Aconteceu alguma coisa?

- Não. – Luiza fechou os olhos. - É que estive na clínica de novo.

- Ai meu Deus, Lu. – Gabriel disse do outro lado da linha.

- Ele vai tirar o Walter de lá, se eu não ... Você sabe.

- Se vender á ele? É isso?

- Isso...

Luiza chorou ouvindo o amigo fungar do outro lado.

- Não. De novo não. – Gabriel disse. - Qualquer coisa venha para o Rio, podemos dar um jeito na sua vida.

- Sinto sua falta Biel.

- Eu também. Olha, preciso ir. Promete que vai me ligar quando chegar em casa.

- Prometo.

O amigo voltou ao trabalho, enquanto Luiza chorava com o celular no peito.

Olhando ela, meio encoberto pelo corredor escuro, Fernando tentava entender o que tinha acabado de acontecer. Pensou ter sido puro azar ter descido pela escada e se perdeu nos corredores. Quando escutou uma voz conhecida, ia voltar mas o assunto lhe chamou a atenção. De longe escutou Luiza dizer que estava sendo pressionada por um homem podre.

Ela não usava o avental feio da limpeza, os cabelos castanhos encaracolados estavam soltos como uma cascata pela cintura. Ela usava calça jeans e mesmo aquela hora, e com o calor de Marília, usava blusa, cobrindo os braços.

Quando ela se movimentou ele se escondeu. Luiza entrou no vestiário e ele aproveitou para voltar por onde tinha vindo. Encontrou o quarto sozinho. A empolgação de sair com Sophia, de alguma forma se fora.

Assim que passou pelo corredor encontrou com a Doutora Carolina.

- Bom dia Doutor. – Ela lhe sorriu. - Andando sozinho por aí?

- Estava tomando um ar. – Mentiu. - O que faremos hoje?

Carolina riu, ele sabia o quê fariam hoje, mas preferia fingir que era um leigo.

- Hoje terminaremos o primeiro ciclo, Doutor.

Fernando a acompanhou e esperou pacientemente as enfermeiras o conectar. Queria desesperadamente estar bem para o encontro.

Se tivesse sorte, sairia dali com a mãe de seu futuro filho

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