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Meu Peão Bruto

Meu Peão Bruto

Autor:: Taise Alves
Gênero: Romance
Uma curta história sobre a menina da cidade e o um homem da roça. Maria Luísa Montanhês se ver sem opção quando seu pai morre de uma doença que mata muitas pessoas no Brasil. Câncer. Deixando ela com mais da metade da herança só não contava que sua madrasta foi reivindicar sobre mantendo toda a sua parte bloqueada. E além disso Silvia expulsa ela de casa sem ter onde ir. Maria Luísa só ver uma opção. Pedi ajudar há um amigo da faculdade. Marcos Avelar mora em Minas Gerais com seu irmão e avô desde pequeno. Cuida da fazenda da família, um homem reservado e juro que nunca mais se envolveria com mais ninguém depois de Cecília. Mas ele não contava com uma chegada inesperada em sua fazenda. Nenhum dos dois esperava para o que o destino reservava para eles, mas no final eles se veria em um desejo descontrolado entre eles. Marcos Avelar se renderia a moça da cidade? Maria Luísa conseguiria conquistar o coração de gelo do peão?

Capítulo 1 Maria Luísa

Prólogo

Papai morreu há seis meses atrás depois de uma luta contra um câncer de intestino. Paulo Montanhês foi um homem incrível durante toda a sua vida, me criou sozinho até meus dez anos de idade após minha mãe morrer no dia do meu nascimento com uma hemorragia interna.

Nunca me faltou nada em todos esses anos de vida. Paulo era um empresário de sucesso, foi isso que levou nossa fortuna a cada dia ser maior. Me ensinou sobre investimentos e finanças e não é atoa que me formei em finanças para administrar a nossa empresa assim quando chegasse a hora.

Muitas coisas mudou na minha vida depois que Silvia chegou, minha madrasta. No começo ela se mostrou amorosa, carinhosa e sempre gentil comigo, mas depois que a aliança de ouro entrou em seu dedo a verdadeira Silvia apareceu e mostrou sua verdadeira face. Bastava meu pai sair para a empresa que ela começava a xingar e ser mal comigo. Dizia que no dia que eu falasse qualquer coisa que ela fazia comigo para meu pai eles me mandaria para o orfanato. Por medo passei anos calada.

Quando completei meus dezoito anos fui estudar fora por não aguentar mais aquela vida, ainda mais depois que Luís nasceu, meu irmão. Eu amava meu irmão mas Silvia nunca deixava eu chegar perto dele. Dizia que eu faria mal ao menino, que ele nunca ia ser o meu irmão, que eu ela perigosa. Teve uma vez que inventou para papai que eu havia derrubado Luís de propósito.

Quando fui para os Estados Unidos Luís tinha oito anos e era o menino mais lindo que eu tinha visto, com seus cabelos loiros e olhos claros iguais ao meu. Foi um chororo daqueles quando me despedi e ele pedia para ir comigo. Nem o menino suportava a mãe que tinha.

Só podia ser carma por Silvia sempre tentar nos afastar e só fazia nós dois ser muito unidos.

Quatro anos depois eu voltei para São Paulo e meu irmão já era um rapaz de doze anos e muito bonito. Pai já havia descoberto sobre o câncer mais não me contou para não atrapalhar meus estudos o que me deixou muito nervosa na época.

- O senhor podia ter me falado, eu teria voltado sem pensar duas vezes – falo assim que ele me conta sobre a situação da sua saúde.

- Malu – ele me chama pelo o apelido que me deu quando era uma bebê – eu jamais atrapalharia sua vida minha filha.

- Não é atrapalhar papai, é sobre a sua saúde – falo sentindo minhas lágrimas escorrer pelo meu rosto.

- Não chore minha menina – ela limpa meu rosto ao se aproximar – já estou velho, você precisava se formar e toma de conta da nossa empresa até Luís crescer e te ajudar.

- Até parece que Silvia deixaria – solto sem pensar.

- Eu sei que vocês não tem uma boa convivência – olho surpresa para ele – mas enquanto eu viver quero que vocês tente se entender e ajude uma a outra quando eu partir – na hora eu concordei com meu pai.

Juro eu tentei de tudo para viver bem com Silvia, não sabia o porque da raiva dela contra mim, quando ela chegou eu era só uma criança e desde então se disponibilizou a me odiar sem motivo algum.

Seis meses depois daquela conversa com meu pai ele nos deixou, foi o pior dia da minha vida. Paulo Montanhês tinha nos deixado e eu sabia o que vinha depois disso tudo.

No testamento papai deixava a empresa para mim e mais cinquenta porcentos do dinheiro, enquanto para Luís quarenta porcentos do dinheiro e dez porcentos para Silvia mas a casa onde morei toda a minha vida, mas a mulher não ficou contente com a escolha e entrou na justiça pelo seus direito, levando a minha parte a ficar travada enquanto o juíz não determinasse o que fazer.

Tive que aguentar muita coisa até o dia que ela me tocou da casa. Eu não sabia o que fazer nem para onde ir, já que nunca trabalhei e nem podia trabalhar na empresa enquanto minha herança não fosse liberada. Eu não tinha nenhum real no bolso nem para alugar um quanto para dormir.

Foi quando me lembrei de Guto, Augusto Avelar. Uma colega que conheci no Estados Unidos no meu último ano lá, ele era um jovem muito legal e me divertia muito e o único que eu sabia que morava aqui no Brasil, se não me enganava em Minas Gerais, pertinho de SP.

- Guto? – falo assim que ele atende.

- Maria Luiza?

- Ah Guto por favor, me chame de Malu – escuto ele rir.

- O que devo a honra da sua ligação? – ele pergunta.

- Sei que faz tempo que não nos falamos desde que voltamos para o Brasil, mas eu não sei mais o que fazer – falo antes que me arrependo.

- O que aconteceu Malu? – ouço sua voz preocupado.

- Meu pai morreu Guto.

- Ah Malu, eu sinto muito – ouço ele dizer – o que posso fazer por você?

- Lembra da minha madrasta?

- Sim.

- Ela me tocou de casa e enquanto não posso mexe na minha herança não tenho para onde ir Guto – me lamento.

- Sabe que pode vim para a fazenda, se bem que não é muito a sua casa – ele rir.

- Ah Guto. Sério mesmo que posso ir? – pergunto.

- Claro. Aqui o casarão é enorme e só vive eu, Marcos e meu avô – fala.

- Eles não vão ligar por ter uma mulher com vocês?

- Malu temos a dona Marta que cuida da casa mulher – dou risada.

- Sendo assim eu vou aceitar o convite, pelo menos até eu poder mexer na herança e voltar para a empresa.

- Fico feliz por você aceitar. Quando pretende vim?

- Por mim iria hoje mesmo, mas tenho umas coisas ainda para resolver com meu advogado antes de ir – respondo.

- Tudo bem, me avise assim que vim para lhe buscar na cidade pois aqui é muito difícil vim algum tipo de transporte que não seja dos fazendeiros – Guto diz.

- Claro que aviso sim meu amigo e muito obrigado.

- Disponha, será um prazer lhe ter aqui – sorrio para o telefone.

Conversamos mais algumas coisa e logo desligamos. Eu tentaria resolver tudo logo para partir o quanto antes para Minas, não suportaria ficar nem mais um dia debaixo do mesmo teto que aquela mulher.

No dia seguinte meu advogado me ligou para me deixar a par de algumas coisa sobre a herança e disse que não saberia mas quando tempo levaria já que a minha madrasta estava dificultando as coisas.

Eu venceria, poderia passar dias ou mais meses mas eu teria o que era meu seria meu por direito.

Capítulo 2 Malu

Cinco dias depois..

Hoje eu partiria para Minas, já tinha falado a hora que chegaria e Guto já me esperaria na cidade. Luís meu irmão não queria que eu saísse de casa mas lhe expliquei que tem coisas na vida que era melhor assim, mas que eu nunca ficaria sem falar com ele, que eu o amava mais que tudo naquela vida.

Meu advogado me tranquilizou dizendo que eu poderia ir em paz que ele me informaria cada novidade que surgisse. Ele também me emprestou o dinheiro da passagem e eu lhe prometi que devolveria tudo assim que minha herança saísse.

Peguei um táxi até a rodoviária mais próxima da minha cidade e aguardei até o horário do embarque. Seria a minha primeira viagem de ônibus mas não poderia reclamar na situação onde me encontrava era melhor do que ficar na mesma casa de Silvia.

Precisei chegar um pouco cedo na rodoviária já que minha passagem era para as onze horas da noite com horário previsto de chegar às nove e quarenta e cinco da manhã. Fiquei mais de duas horas esperando o meu embarque e quase esgotei toda a bateria do meu celular. Meu iPhone não era uma dos novos mas também não era um dos mais velhos que já tinha trocado há dois anos atrás mas a bateria não aguentava nem um dia inteiro se mexesse muito.

Por muita sorte assim que embarquei vi que no ônibus tinha Wi-Fi e tomada para carregar.

- Tempos modernos – falo comigo mesmo e já conecto o carregador enviando uma mensagem para Guto.

"Embarcando, até amanhã cedo"

Provavelmente aquele horário ele já devia está dormindo já que era de costume eles dormirem cedo e acordar cedo.

Ninguém se sentou do meu lado em nenhuma das paradas que o ônibus fez e por um momento fiquei aliviada. Olhei mais um pouco minha redes sociais e decidi que tentaria dormir um pouco.

Acabei capotando sendo acordada por um solavanco que o ônibus deu, acredito que passou por algum buraco na entrada. Pela janela vi que já estava dentro de uma cidade e já era dia. Peguei meu celular para ver as horas e assustei. Nove e quarenta. Eu já estava chegando.

Tentei arrumar meus cabelos amassados com os dedos e não conseguir desistindo e fazendo um coque meio frouxo nele. Vi quando o ônibus começou a estacionar numa rodoviária bem simples diferente da de SP. Aproveitei a internet e enviei uma mensagem para Guto avisando que havia chegado.

O motorista logo liberou para descemos do ônibus e deixei que as pessoa apressadas descessem primeiro, ficando por último. Quando sai do ônibus com ar condicionado e sentir o vapor quente da cidade na pele vi que não me adaptaria tão fácil já que São Paulo não costumava ser tão quente assim. Minha mala já estava pelo lado de fora do bagageiro e encarei o motorista que apenas me aguardava.

- Obrigado – digo mas não escuto nada de volta – mal educado. Será que todo mundo desse lugar é assim? – me questiono.

Caminhei até um banco próximo arrastando minha mala e me sentei para aguardar Guto. Nossa devia fazer uns quarenta grau naquela cidade porque senti suor escorrer pelas minhas costas e nada do meu amigo aparecer. Comecei a me arrepender da decisão por conta do calor que era demais e o sinal. Meu celular não tinha sinal e lembrei que por consequência também ficaria sem internet.

- Que legal, não tem sinal – resmungo e guardo o aparelho de volta na bolsa de mão – onde está você Guto?

Faço a pergunta quando ouço meu nome.

- Maria Luísa – olho para trás e vejo ele vim.

Augusto tinha a mesma idade que eu, bonito, mesma altura, cabelos baixo, e nesse momento usava uma calça apertada, camisa e chapéu. O que o deixava ainda mais bonito.

- Augusto – falo seu nome já que insistia em dizer o meu.

- Não acredito que vivi para te ver andar de ônibus – brinca antes de me abraçar.

- Na minha situação no momento não posso me dar o luxo – respondo já me soltando do abraço.

- Venha, vamos sair desse sol quente – diz já pegando minha mala – desculpa o atraso, Marcos precisou usar a caminhonete antes.

- Tudo bem – respondo.

- Você chegou numa época boa – puxa assunto.

- Ah é? – pergunto me abanando e curiosa.

- Vai começar as festas juninas e quase todos os dias tem festa em fazendas diferentes.

- Nossa que legal, faz tanto tempo que não vou em uma festa assim – o que não deixa de ser verdade.

- Malu, me desculpe mas você não tem cara de que vai nesse tipos de festas – fala e lhe encaro.

- Não sou essa patricinha que você pinta não Guto – ele gargalha.

- Vamos só ver – diz e alcançamos a caminhonete que ele tinha dito.

Era uma vermelha bem velhinha e desgasta por causa do sol. Assim que adentramos o carro estava pelando de tão quente.

- Minha nossa senhora que carro quente – digo sem pensar.

- Perdão esqueci de deixar as janelas abertas – pedi Augusto.

- Eu que peço desculpa Guto por minha língua solta – sorrio e vejo ele colocar minha mala na traseira da caminhonete.

- Marcos sempre fala que precisamos troca de carro mas nunca troca, foi de nosso pai e ele não quer se desfazer.

- Não precisa se desafazer já que tem tanto apego assim – digo.

- Meu avô diz que não passa de uma lata velha – dou uma gargalhada.

- Eu prefiro não opinar – dou de ombros e vejo ele adentrar o carro pelo lado do motorista.

- Meia hora estamos na fazenda, você poderá descansar antes do almoço – ouço ele dizer.

- Tranquilo, até que dormir bem na viagem.

- Maria Luísa de ônibus e ainda dormiu? – ele me olha rápido e volta a vista para estrada.

- Que ver pensa que eu sou uma dondoca – falo.

- Era quando eu conheci – diz e pisca para mim.

- Mentiroso. Nunca fui – cruzo os braços e faço um bico brincando.

- Verdade, você é a pessoa mais humilde que já conheci – sinto minha bochechas esquentarem.

- E você o cara mais incrível – ele me olha e sorrir.

- Acho que você vai gostar da fazenda.

- Claro que eu vou – digo e vejo ele entrar numa estrada de terra.

- Se não quiser poeira nesse rosto lindo, acho melhor fechar o vidro – ele diz no momento que começa a entrar o poeirão.

Era tudo bem diferente da grande São Paulo, mas eu não podia reclamar eles estava me acolhendo na sua fazenda sem cobrar nada.

Conversamos mais algumas coisas sobre os meses que não se vimos e logo avistei uma placa escrito "Fazenda Avelar".

- Vocês mesmo que cuida da fazenda? – pergunto.

- Eu fico na parte administrativa, Marcos gosta de por a mão na massa, mas temos peão que fazem muita coisa também – Guto responde e vejo o casarão.

Ao se aproximar vejo o quanto ela consegui ser linda por fora e tudo indica que passou por uma reforma recentemente. E não é atoa que é chamada de casarão, pois a casa e enorme e percebo ter um andar acima.

Augusto estaciona na frente da casa e vai até a parte de trás pegar minha mala enquanto eu desço ainda admirando a beleza.

- Ela é linda Guto – digo assim que sinto sua presença ao meu lado.

- Vamos entrar – ele diz e vejo duas pessoas paradas na varanda da casa.

Um é mais velho e está sentado numa cadeira de corda que deve ser o avô e tem outro homem de costas conversando com ele que deve ser o Marcos. Meu olhos vão direto para a bunda dele. Que bunda redondinha e linda. Sinto minhas bochechas esquentarem assim que ele se vira e me pega no flagra. Se ele era bonito de costa, meu Deus que homem bonito de frente. Malhado, uma barba por fazer, as calças parecida com que Augusto estava usando, uma camisa xadrez com alguns botões abertos, bota e chapéu. Nunca tinha visto o homem tão bonito na vida até aquele momento.

- Ai está ele – o homem diz para Guto – Por onde andou pirralho? – pergunta sem nem olhar para mim novamente.

- Eu avisei que ia da uma saidinha – Guto responde – Maria Luísa esse mal humorado é o Marcos, meu irmão – diz virando para mim.

- Malu – estico minha mão sorrindo para cumprimentar, mas meu sorriso vai morrendo quando ele não estica a sua para toca na minha e vejo seus olhos recai sobre a minha mala.

- Ta achando que aqui é alguma pousada para sair abrigando qualquer pessoa Augusto? – fala direcionado ao irmão.

- E-eu não quero incomodar – falo assim que ouço – eu posso ir para a cidade Guto – sinto já meus olhos arderem para as lágrimas caírem de tanta humilhação.

- Claro que não Malu – Augusto diz.

- Já não basta o tanto de boca que alimentamos não é mesmo Augusto Avelar – ele continua e antes que eu possa segurar sinto a lágrimas cair. Meu Deus quanta humilhação.

- Já chega Marcos, essa casa é minha e eu autorizei que a moça viesse – ouço a voz do senhor.

- Ah eu cansei, vocês nunca aprendem – diz e sai pisando duro até a caminhonete.

- Desculpe minha filha – ele diz – não sei onde foi que meu filho errou com esse dai – aponto para o cara bonito e ignorante que saiu pisando duro sem nem me dizer um oi.

- Eu não quero ser um incômodo, eu posso achar um lugar na cidade...

- Com que dinheiro Maria Luísa? – Augusto pergunta. Durante o trajeto eu havia contado sobre a situação da minha herança e quem não tinha nenhum real no bolso.

- Eu me viro Guto, só não quero causar briga entre vocês – digo.

- Não se preocupe minha filha – o senhor torna a falar – esse daí é assim todos os dias desde que Cecília abandonou ele – Cecília? Uma namorada talvez? Noiva? Esposa? Não entraria no assunto até porque não me diz respeito – Afinal eu sou João.

- Muito prazer seu João, Malu – digo.

- Seu João não, só João – diz e aceno.

- Tudo bem só João – Digo. Augusto e João rir.

- Leve a moça até o quarto de hóspede Augusto, talvez queria descansar antes do almoço.

- Sim vô – sorrio para os dois e antes de entrar na casa dou uma olhada para onde a caminhonete estava estacionada antes.

- Não liga para o Marcos, ele é azedo assim mesmo mas depois que conhece a pessoa vira um amor.

- Se eu ver que estou incomodando eu vou embora Guto, não vou ser incômodo para vocês.

- Meu avô já disse a casa é dele – subindo as escadas e nem tinha percebido que estava em frente há uma porta – Aqui será seu quarto – Augusto abre a porta e dentro – espero que possa dar uma descansada.

- Obrigado.

- Vou resolver umas coisas antes do almoço mas se precisar pode mandar mensagem.

- Eu não tenho internet – falo meio sem jeito.m – e nem sinal.

- Deixa eu colocar a senha do Wi-Fi da fazenda – pego meu celular na bolsa e lhe entrego. Rapidinho ele coloca a senha e me devolve – prontinho.

- Obrigado de novo – ele sorrir e começa a sair fechando a porta.

Olho o quarto melhor, tem uma cama enorme toda arrumada, um guarda roupa branco de porta de abrir, uma penteadeira com espelho enorme. Tudo muito bem organizado, limpo e cheiroso. No quarto também tinha um banheiro simples mas que para mim já era o suficiente.

Sento na cama e penso na cena quando cheguei. O cara nem me conhecia e já me tratou daquela maneira, o que as pessoas tinham contra mim? Nunca fui mal com ninguém, sou educada. Eu ia aguentar até conseguiria mas se fosse demais para mim eu iria embora sem nem pensar. Já aguentei Silvia por muitos anos e não seria um cowboy metido a besta que me faria ficar calada.

Capítulo 3 Marcos Avelar

Costumo acorda antes mesmo do galo cantar e gostava eu mesmo tirar o leite do dia, mas estava tudo dando errado. A vaca que era para tirar o leite caiu doente noite passada e eu precisava ir na fazendo mais próxima ver se tinha algum remédio para ela até o veterinário vim ver o caso, mas precisa que tudo estava dando errado naquele dia, assim que acordei fui até a fazenda dos Brandão um amigo meu e infelizmente não tinha ninguém e precisei voltar para a minha fazenda.

Decidi resolver umas coisas antes de tornar a voltar na fazenda do meu amigo só que quando voltei da roça Augusto havia saído com a única caminhonete que tínhamos na fazenda.

- Mais que diacho – falo e avisto meu vô sentando na varanda em sua cadeira preferida – onde está Augusto? – pergunto.

- Bom dia para cê também, meu filho - diz.

- Bom dia.

- Ele foi na cidade.

-E porque não me disse? Preciso de remédio para a vaca – falo nervoso.

- Ele foi fazer uma coisa rápida.

- Eu também seria rápido – digo quando ouço o barulho do carro atrás de mim.

Escutei o barulho da porta do motorista abrir e antes que eu ouse me virar escuto a segunda porta bater. Estranhando me viro e dou de cara com uma jovem olhando para a minha bunda. Ora era só o que me faltava, uma pirralha me cobiça.

- Ai está ele – falo desviando o olhar da moça – Por onde andou pirralho?

- Eu avisei que ia da uma saidinha – Augusto responde – Maria Luísa esse mal humorado é o Marcos, meu irmão – diz virando para olhar a moça.

- Malu – ela estica a mão para me cumprimentar, mas eu não cairia nessa de novo.

A moça era muito bonita, tinhas os cabelos pretos como o céu da noite, os olhos claros como o céu de dia, a boca rosada como um morango. Não havia um pingo de maquiagem em seu rosto mas só de olhar para seu tipo de roupa e a mala com certeza era filhinha de papai. Daquelas que tinha tudo.

- Ta achando que aqui é alguma pousada para sair abrigando qualquer pessoa Augusto? – digo assim que vejo o tamanho da mala.

- E-eu não quero incomodar – gagueja – eu posso ir para a cidade Guto – frouxo do meu irmão tinha até apelido. Vejo a moça querer chorar.

- Claro que não Malu – Augusto diz.

- Já não basta o tanto de boca que alimentamos não é mesmo Augusto Avelar – estou apenas me protegendo. Porque foi assim quando Cecília apareceu.

- Já chega Marcos, essa casa é minha e eu autorizei que a moça viesse – seu João branda.

- Ah eu cansei, vocês nunca aprendem – saio pisando duro.

Eu não cairia de novo nessa nem ferrando. Cecília chegou assim como se não quisesse nada e foi ficando, ficando, quando eu vi já estava na minha cama, e o idiota aqui apaixonado.

Quando adentrei a caminhonete senti o cheiro doce da jovem e como não poderíamos dar aquela lavada provavelmente teria que aguentar aquele cheiro por dias.

Cheguei na fazenda De Fred meu amigo e dessa vez ele estava.

- Não é só por causa da vaca esse mal humor todo é? – pergunta assim que adentramos onde ele armazena os medicamentos.

- Não. Augusto trouxe uma amiga da cidade, nem falou nada comigo.

- E você está de mal humor por seu irmão levar uma mulher para o casarão? – ele ergue a sobrancelha.

- Devia ter avisado, da última vez que tivemos uma mulher por lá além de Marta as coisas não ficaram muito bem – respondo.

- Marcos você tem que aprender a deixar o passado no passado, não é porque Cecília fez o que fez que todas farão.

- Melhor não correr o risco.

- É bonita pelo menos?

- Eu lá fiquei olhando para ela Fred? – pego o remédio em suas mãos.

- Depois vou lá fazer uma visita e conhecer moça, vai que ela aceita ir na festa da fazenda de Vicente comigo – reviro os olhos.

- Eu duvido muito que ela vá, se visse as roupas que usava – falo.

- Uai cê não disse que não ficou olhando pra moça?

- Ah me erra Fred – digo e saio caminhando.

- Talvez eu apareça para o jantar – escuto ele dizer enquanto entro na caminhonete.

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