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Meu Querido Tutor

Meu Querido Tutor

Autor:: Angel Lopez Sants
Gênero: Romance
A jovem Jéssica se vê sem sua tia Luiza (mãe de criação) e com um tio nada amigável. Sua tia deixou seu futuro nas mãos de um grande amigo que será seu tutor! Jéssy agora está vivendo na casa de um homem que pra ela é só mais um querendo se livrar de sua presença, mas Mike se mostra diferente, muito amigável e amoroso, ele demostra ser uma boa pessoa. Mike que tem um relacionamento ioiô com Livia se vê assumindo a responsabilidade de ajudar Jéssy a ser independente, ele se apaixona pela jovem brasileira que por sua vez também se vê atraída pelo homem.

Capítulo 1 Inicio

Início!

Acordei na madrugada com mais uma crise da minha tia, poderia ouvi-la de longe tossindo, não será a primeira vez que isso acontece, quando cheguei no quarto ela tossia muito, mas percebi um pouco de sangue no pano que ela usava para tapar a boca, arregalei os olhos e corri pro telefone, digitei o numero do hospital e gritei ao telefone.

- Socorro, preciso de uma ambulância com urgência, por favor. - falo apavorada ao telefone, passei a eles todas as informações que necessitavam, não era a primeira vez que aquilo acontecia, estou exausta, os dias não têm sido nada fáceis nem para mim, nem para ela que mal consegue se levantar da cama. Minha vida não é um conto de fadas, por mais que eu tenha sido criada como uma princesa pela minha tia.

Luiza vem sofrendo a dois anos com um câncer, foi uma descoberta cruel para mim e para ela que sempre fomos muito ligadas uma, a outra, desde aí tenho feito tudo por ela, minha vida passou a ser cuidar dela e estar ao seu lado.

Fui criada pela minha tia e hoje moramos em Londres, todas as lembranças que tenho em mente são com a tia Luiza, hoje ela é casada com o Rick meu tio, ele desde sempre é bem simpático, mas anda enfrentando problemas com bebidas e jogatinas, mal conheço minha mãe quando era pequena ficava um ou outro final de semana com ela, ela mesma me entregou para ser criada pela minha tia e nunca reivindicou minha atenção.

Luiza não é minha tia de sangue, ela é minha madrinha me batizou quando eu era pequena, meu pai, nunca ouvi ninguém falar sobre nem a tia Luiza o conhece, sou brasileira e vim morar aqui desde meus 13 anos, a tia Luiza havia recém-casado com seu agora marido, vamos dizer que ele era um homem ótimo, mas que agora não sei se é, mas, se tornou um marido distante apos a descoberta da sua doença.

Já estávamos a caminho do hospital quando me lembrei de ligar para o médico que cuida do seu tratamento, e para Mike, amigo dos meus tios ha um bom tempo, ele está sendo muito importante para a minha tia, por isso fiz questão de avisá-lo sobre o ocorrido, eu segurava a mão da tia que apertava minha mão tentando me passar tranquilidade, mas eu sabia que ela não estava bem.

- As coisas vão se ajeitar, confie. - ela fala baixo.

- Vão, sim, eu tenho fé que a senhora vai melhorar. - apertei sua mão.

- Seu futuro está garantido, minha menina, nas mãos de uma pessoa responsável, você não tem idade para se virar sozinha. - A olhei confusa, não entendendo.

- Não fale assim tia, você vai ficar boa.

- Estou me prevenindo sobre o seu futuro, não quero que fique sozinha. - ela tossia muito e falava devagar.

- Não entendo tia!

- Logo você saberá querida, não quero apressar as coisas, você já é ansiosa por natureza, não quero que você fique mais nervosa do que já está, me dê um abraço. - aproximo e lhe dou um abraço carinhoso.

Ao chegarmos ao hospital a encaminharam para emergência, Mike chegou no hospital com a namorada e só aí reparei que eu estava de pijamas.

- Ela já deu entrada? - perguntou aflito.

- Sim, ela não está bem, estou com medo. - Sentei na poltrona e finalmente desabafei o que estava sentindo, eu não conseguia imaginar no que minha vida se transformaria sem ela, me via sem esperança de nada e perdida em meus pensamentos.

- Se acalme, Jéssy, vai ficar tudo bem, vou pegar informações com o médico. - Mike me abraçou tentando passar uma tranquilidade que eu não via nele, estava tão aflito quanto eu só não demonstrava.

- Obrigada Mike. - ele e a namorada foram falar com o médico enquanto me via perdida em meus pensamentos, abaixei a minha cabeça, mas de relance vi o meu tio entrar pela porta, parecia em transe, ele se aproximou e tinha o odor de bebida.

- Ela se foi, ela se foi, Jéssy? - ele estava assustado, pegou em meus dois ombros e me chacoalhou.

- Não! Rick, ela não se foi, ela não pode ir. - ele olhou em meus olhos e me abraçou se permitindo chorar, chorei silenciosamente quando o Mike apareceu na porta.

- Rick? - O Mike parecia ter visto um fantasma.

- Como ela está Mike? - O meu tio abraçou o meu ombro e olhou para Mike, que pareceu não gostar da situação.

- Nada bem, mas os médicos não nos deixaram vê-la, está na UTI. - A namorada do Mike não estava ao seu lado, só depois a percebi mexendo no telefone atrás dele.

- Eu não posso ficar com ela? - perguntei.

- Não, Jéssy, o melhor a fazer é ir para casa, eles darão notícias e amanhã podemos voltar aqui para tentar vê-la. Pode ficar lá em casa Jéssy. - Mike tentou ser gentil, mas a namorada dele logo prestou atenção na conversa e me olhou com semblante fechado.

- Não precisa Mike, ela ficará em casa, vamos menina precisa descansar. - fiquei intimidada com a situação, principalmente no olhar de Mike para Rick, eu simplesmente nunca havia visto os dois daquele jeito, se bem que não presto atenção em nada mesmo. Agradeci ao Mike, mas fui com o Rick para casa, fui direto para o meu quarto, chorei baixo para não incomodá-lo, e acabei pegando no sono.

Quando acordei, meu tio estava em casa para o meu estranhamento.

- Bom dia, tio. - Cumprimentei, ele havia feito o café da manhã, ele tinha os olhos fundos, aparentava não ter dormido.

- Bom dia, Jéssy. - disse folheando o jornal, tomei café por tomar já que não estava com fome, estava aflita por notícias da minha tia e logo fui me arrumar para ir até o hospital, quando estava me arrumando o Rick apareceu na porta do meu quarto.

- Está se arrumando, vai ao hospital? - perguntou, eu estava vestindo uma blusa de frio já que o tempo estava ameno.

- Sim, vou, preciso ter notícias dela, eles não ligaram?

- Não, o Mike também não deu notícias, espero que ela consiga se recuperar.

- Também espero, já estou de saída, assim que voltar arrumo tudo por aqui. - digo pegando minha bolsa e passando por ele.

- Não se preocupe, mais tarde irei ao hospital, se tiver notícias dela me avisa.

- Está bem, até mais. - Sai, desci as escadas já que não gosto de elevadores, me parece que tudo roda lá dentro, quando ia de elevador sempre estava com minha tia ao lado segurando minha mão.

Peguei um táxi e fui direto para o hospital, nada iria me animar a não ser ouvir a voz dela me falando que ficaria tudo bem. Espero que minha tia nunca se vá já que não vejo minha vida sem ela, infelizmente o medo anda tomando conta de mim!

Capítulo 2 Estado delicado

Cheguei ao hospital e procurava por alguma notícia que animasse o meu dia, mas nada, nada de nada mesmo, não me deram nenhuma notícia nem do estado em que minha tia estava.

Mike ligou para mim, nem ao meno s sabia que ele tinha meu número, perguntou onde eu estava e se estava tudo bem, também disse que já viria até o hospital para saber de notícias, mesmo eu avisando que os médicos não deram nenhuma novidade.

Mike parece ser uma pessoa bem amigável para convívio já que minha tia sempre falou muito bem dele, até um tempo atrás perguntou a mim o que eu achava dele, meu deus, quase fiquei roxa quando ela me perguntou isso, mas respondi sincera que ele era um homem muito bonito, mas que aparenta ser muito fechado, ela me disse que o termo certo que o define é reservado.

Soube também que ele é, mas velho do que eu imaginava que fosse já que ele tem seus 29, diria que para mim ele esta na área dos homens maduros e aparenta mesmo.

Sua namorada parece ser daquelas bem pegajosas, foram poucas às vezes que eu a vi Lívia, mas ela sempre está colada nele, a não ser quando ele vem em nossa casa para saber como minha tia está, diria que ele faz isso, mas do que o próprio marido da minha tia, é por isso não que não tenho mais paciência com ele, porque sei o quanto ele anda em falta com ela, mas já ouvi que muitas pessoas tem o jeito diferente de expressar sofrimento, mas não acho que esse seja o caso de Rick.

Ando tão distante que mal me lembrava que não havia respondido Álisson, esse se diz meu namorado, mas quase não nos vemos, estou com ele a pouco tempo por insistência da minha tia que dizia que eu tinha que sair, mas com pessoas da minha idade, ele vive viajando com seu time, mal tem tempo para mim também, mas também não estou com tempo para conversar atoa e nada me tira da cabeça que o estado da minha tia é delicado.

Mike

Estou tentando manter minha cabeça no lugar, não tem sido fácil ver o sofrimento da Luiza e sei que ela está confiando 100% em mim, agora tudo se passa em minha mente, os seus pedidos com os olhos cheios de lágrimas e todo sofrimento estampado em seu rosto. Logo quando achei que ela estava voltando a se estabilizar sua saúde entrou em declínio muito rápido, eu não contei tudo a Jéssy, não quero assustar assim a garota, mais sei que Luiza está em uma situação delicada, os médicos disseram que seu quadro é irreversível, eu só conseguia pensar no que ela me propôs e eu concordei no calor da emoção, parece loucura essa proposta, mas não iria questioná-la no momento em que está passando, eu só pensava, como vou explicar isso para Jéssy? Preferia que a Luiza falasse com ela, mas agora não vejo essa opção, infelizmente o que o Rick me contou a um tempo atrás percebi ontem, não acredito que tudo isso está acontecendo, não nesse momento, se a Luiza se for minha vida vai virar de cabeça para baixo, mas não vou decepcioná-la, não tenho esse direito, será somente por um tempo e irei cumprir as suas vontades, o duro é que quando vejo a Jéssy me parece ser uma garota mais nova do que ela realmente é, deve ser por isso estou tão apavorado em ter que cuidar de uma "mocinha", e como se eu voltasse lá nos meus 15 anos cuidando da minha irmãzinha de 5, quase não temos convívio, mas ela era muito custosa quando a Luiza tinha saúde, e se ela decidir voltar a ser sem cabeça que era antes? O que eu vou fazer com uma adolescente? O jeito é não pensar.

Luiza criou essa menina com muito amor, diria que ela é sua grande paixão, Luiza sempre teve de tudo, é uma mulher muito bem de vida, mas sempre se prendeu em ensinar o melhor a Jéssy, se vê de longe que ela é humilde e prendada já que tem cuidado da casa e dos afazeres como Luíza sempre fez.

Não teve como eu ignorar a cena de ontem, fui até o apartamento do Rick e para minha sorte a Jéssy não estava.

- Olá Mike, entre tem notícias da Luiza? - ele perguntou com óculos escuros, aqueles olhos fundos demonstravam que ele tinha passado a noite em claro.

- Você que tem que me dar notícias, Rick, o que tá acontecendo com você, que cena foi aquela ontem? - eu e o Rick somos amigos de muitos anos, ele me conta tudo e o que sei dele não é nada agradável.

- Do que você está falando? - perguntou se sentando.

- Tô falando do seu abraço com a Jéssy, acha que não reparei como você estava quando cheguei, nós já tivemos essa conversa antes Rick, pare com isso.

- Respeite o meu momento Mike, não me venha com seus sermões, muito menos com teorias, está vendo coisa demais. - ele não me olhava, só falava como se eu não o conhecesse o bastante.

- Foi você mesmo que se abriu comigo, sabe bem do que estou falando e agora me fala serem teorias minhas? Cara, qual é a sua?

- Me deixe em paz . - disse indo até a cozinha, ele olhou um copo e o encheu de água.

- A Jéssy vem comigo até a Luiza voltar para essa casa. - digo sério, não dá para deixá-la aqui com ele não com tudo que eu sei, mas ele me olhou com fúria.

- Não se intrometa Mike, já falei, se algo acontecer essa menina voltará ao Brasil, não se preocupe, cumprirei o que eu te disse, vou me livrar dela de uma vez. - disse sem me olhar.

- Essa não é a vontade da Luiza e você sabe bem disso.

- É o melhor, vai por mim.

- Vou para o hospital, não quero mais discussões contigo. - sai dali, não aguentava mais olhar para cara do cara que sempre chamei de amigo, ele não pode fazer o que bem entende com a vida dos outros. Ele ainda não sabe do que a Luiza me confiou, não sabe nada que aconteceu, a Luiza escondeu dele por achar que ele iria se impor e vejo que ele faria mesmo isso.

Capítulo 3 Capitulo 03

Ao me deslocar até o hospital recebi uma mensagem da Lívia minha namorada, na mensagem ela diz que está passando mal, era só o que me faltava, já não basta a saúde da Luisa em declínio, como estou próximo à casa dela decidi passar por lá e levá-la comigo ao hospital, assim tenho notícias da Luisa e a Lívia recebe atendimento.

Ao chegar ela me atendeu, tinha o rosto todo vermelho e parecia com febre.

– Está tendo febre. - perguntei lhe dando um selinho, entrei para sua casa e ela veio atrás.

– Acho que sim, não me sinto nada bem.

– Ontem você estava tão bem, comeu algo que te fez mal? - me sentei no sofá.

– Não que eu me lembre, tô me sentindo solitária. - se sentou ao meu lado colocando a cabeça em meu colo.

– Vai se vestir, te levarei ao hospital.

– Não precisa disso, só sua presença já me faz melhorar. - ela fechou os olhos enquanto eu acariciava sua cabeça.

– Lívia, vamos, vou aproveitar que já tenho que ir para ter notícias da Luiza. - Ela abriu os olhos e repentinamente se levantou.

– Luiza, Luiza, agora o mundo gira em torno da Luiza? - Eu havia me esquecido do ciúme que a Lívia nutre pela minha amizade com a Luiza, ela diz que não é certo eu ser mais amigo da Luiza do que do Rick que conheço a mais tempo, mas ela não sabe o que sei da vida deles. Mas agora não estou com paciência para a ciumeira dela.

– Não começa Lívia, a situação dela é delicada e você sabe muito bem disso, para com seus ataques.

– Para você de sempre querer ajudar ela, tudo que coloca o nome dela você está pronto para topar, nunca faz isso por mim, mais para Luiza faz de tudo e muito mais. Vai saber se são só amigos mesmo. - cruzou os braços emburrada, me irritando com suas insinuações.

– Já chega, você tá passando dos limites, se quiser ir ao hospital, chame um táxi, tome aí o dinheiro.

– Eu não preciso disso, tá bom, e você sabe que se sair dessa porta afora não precisa mais voltar, estou cansada de ficar de escanteio pela Luiza, quer saber, seria melhor se ela se fosse logo. - fechei os olhos e me segurei para não fazer nada que eu me arrependesse depois, tentei sair mais ela se pôs em minha frente. – Desculpa, você sabe que sou ciumenta. - é sempre isso, ela dá seus ataques e depois se desculpa.

– Me deixa Lívia, você já está bem madura para saber que não se fala essas coisas, ser ciumenta é uma coisa, desejar o mal para uma pessoa, que está entubada, é nojento.

– Eu não faço mais.

– Nem parece que está doente ou com dor.

– Eu já falei, estou sentindo sua falta, a quanto tempo não ficamos juntos em. - ela falou alisando o meu rosto descendo suas mãos ao meu abdômen, até eu segurar suas mãos.

– Não tenho tempo para isso hoje. Minha cabeça está acumulada.

– Você nunca tem tempo para mim.

– Lívia, vai começar de novo?

– Não, amor, não vou. Você vai trabalhar hoje?

– Não sei, acho que não.

– Então vou para sua casa, ou você vem aqui?

– Lívia, você não ouviu? Não tô com clima para namorar não.

– Desde quando precisa de clima para isso?

– Não vou discutir, pode até dormir lá em casa, mas saiba que minha atenção está toda naquele hospital. - ela fechou a cara e se sentou. – To indo, tchau.

– Me dá beijo. - me aproximei e lhe dei um beijo, sai dali sem pensar muito, eu e a Lívia temos 3 anos juntos entre idas e voltas, diria que temos mais tempo separados do que juntos, não é uma relação fácil, ela é muito ciumenta e quer tudo no seu tempo, eu também não sou uma pessoa fácil de lidar e sempre deixei claro que não quero me casar, muitas das vezes coloco as pessoas e o trabalho em primeiro plano na minha vida e acabo me lascando por conta disso. Uma das coisas que me fazem repensar nesse relacionamento é as atitudes da Lívia contra a Luiza, não vou negar já fui apaixonado pela Luiza, ela tem um jeito doce de lidar com a vida, é amável, e tem um coração gigante, tanto que criou a Jéssy como filha desde pequena, eu percebi que tudo que eu sentia por ela era admiração, eu a admiro muito por isso gosto tanto dela, ao longo do tempo percebi ser amizade, mas se ela me desse uma chance não pensaria duas vezes, gosto tanto dela que a prometi que cuidaria da Jéssy na sua falta, mas espero que ela resista, será triste a vida sem minha amiga e não sei o que farei se tiver que tratar de Jéssy.

Logo cheguei no hospital, procurei os médicos para ter notícias, eles disseram que ela passará por algumas avaliações e só depois eles poderiam dizer algo mais concreto, fui até o restaurante que havia ali dentro e vi de longe a Jéssy, ela se servia de um prato estava tão pensativa que não notou a minha presença quando me sentei a sua frente, ela estava com a cabeça baixa.

– Jéssy, está tudo bem? - digo buscando seus olhos.

– Oi Mike, não havia te visto. - disse não me olhando nos olhos, ela tem essa mania de não me encarar, esse é um dos detalhes que já notei nela.

– Está tudo bem, precisa de algo?

– Está tudo indo e com você. - sorriu tímida, a tristeza estava estampada em seu semblante.

– É na mesma, não tem como estar bem. - respirei fundo e comemos em silêncio, eu preciso me adaptar ao jeito dela, já que não estou vendo outra saída. – Você dormiu bem? O Rick não te importunou? - ela me olhou surpresa.

– Não, por que ele faria? Ele falou algo que eu fiz? - perguntou assustada, ou ela é mesmo ingênua, ou não quer perceber o jeito que o Rick a olha.

– Não, só estava preocupado dele ter bebido demais e ter enchido a sua paciência. - digo dando de ombros tentando justificar, bebi minha bebida com sede, falei algo que acontecia muito, a própria Luiza comentou comigo sobre as atitudes do Rick, ele bebe demais e muitas das vezes pelo desejo que sente diz que mandará a Jéssy para o Brasil. Eu, que nunca abri minha boca para falar com ela o que já ouvi dele, nunca tive coragem de expor isso para Luísa.

– Me assustou. - disse se limpando com o guardanapo. – Já vou indo.

– Até mais, vou terminar de almoçar e vou tentar falar com o médico, você já vai embora?

– Não, não saio daqui enquanto não me falarem a verdade, eu sei que os médicos estão me escondendo algo. - engoli com dificuldade, afinal eu mesmo pedi para os médicos que não fosse repassada nenhuma informação drástica a ela, a garota não suportaria ouvir algo drástico como a situação que a Luísa se encontra.

– Deixa isso comigo, Jéssy, não fique pensando demais nisso só te levará a exaustão.

– Ela tá mal não está? Eu tenho certeza disso, eles não falam nada, já era para ter alguma resposta.

– Se acalme, vai ficar tudo bem. - Jéssy abaixou o olhar.

– Ok, eu já entendi. - Saiu cabisbaixa, me corta o coração ver essa menina solta no mundo sem a pessoa que sempre cuidou dela, mas não posso falar nada, será só mais sofrimento.

Quando terminei o almoço fui até o médico que está cuidando do caso da Luisa, e infelizmente as notícias são piores do que eu imaginava.

– O que está me dizendo doutor? - questionei já que o médico rodopiava com as palavras não deixando nada claro.

– Infelizmente não temos mais nada a fazer no caso da paciente, ela se encontra em coma e não há sinais vitais. - ele diz me deixando perplexo.

– Você está me dizendo que ela só está viva devido às máquinas? - perguntei incrédulo.

– Sim, sem as máquinas ela não tem sinais vitais. - meu mundo estava desmoronando ali com as palavras do homem à minha frente, sentei na cadeira sentindo o choque de saber que a Luísa está praticamente morta, isso não pode estar acontecendo. – Senhor Mike, precisamos saber se vocês a manterão nas máquinas. - Eu o olhei e engoli com dificuldade, nunca precisei fazer esse tipo de coisa, quem sou eu para mandar desligar as máquinas sabendo que no outro dia teremos que enterrá-la.

– Não, não desligue, preciso falar com a sobrinha e o marido dela.

– Ok, saiba que fizemos tudo que estava ao nosso alcance, infelizmente o caso dela já era irreversível.

– Eu sei, mas não esperava que isso fosse acontecer assim tão rápido, sem ter a chance dela ao menos acordar para se despedir.

– A maioria das vezes são assim rapaz, infelizmente.

– Posso vê-la? - Pergunto ainda incrédulo, eu não queria acreditar.

– Sim pode. - O médico me encaminhou para a UTI, foi aí que senti meu coração doer em vê-la tão pálida, seus olhos azuis já não se abriam, sua pele está pálida e seus lábios sem cor, só de pensar em tudo que já passamos, tudo que já conversamos, ela era uma amiga leal.

– Eu vou cumprir o nosso acordo, Luísa, ainda não sei como fazer mais eu vou. - abracei ela, deixando as lágrimas escorreram, ela não estava mais ali, eu não a sentia e isso me doía ainda mais.

Ao sair daquele lugar, procurei passar no banheiro e lavar o rosto, não queria demonstrar o meu abatimento, quando fui procurar a Jéssy na pequena sala de espera ela não estava, sai porta afora e a vi sentada no gramado perto das flores, me lembrei de como a Luísa também adorava o cheiro das flores.

Sentei ao seu lado e ela parecia perceber o meu abatimento, ela não falou nada, só me olhou e as lágrimas desceram em seu rosto, eu a abracei queria demonstrar que ela não estava sozinha, ela soluçava de chorar.

– Vai ficar tudo bem. - digo tentando tranquilizá-la.

– Ela se foi, eu sei que ela se foi. - a ouvi e me surpreendi, não esperava que ela dissesse aquilo. Ela saiu do meu abraço e olhou em meus olhos, os seus estavam marejados de lágrimas. – Me diz que estou errada. - fechei os olhos sentindo o pesar e me neguei com a cabeça.

– Ela se foi, Jéssy. - ela levantou e saiu correndo, pensei em ir atrás, mas ela precisa de um tempo sozinha, por onde ela foi sei que não tem saída. – Por que Luísa? Por quê? - falei em voz alta desabafando, respirei fundo e me deitei na grama sentindo o baque, queria sumir, queria acordar desse pesadelo, mas não posso fraquejar, me sinto num buraco sem fundo, me vejo sem chão, tudo que eu quero é cumprir seus pedidos a mim, e eu não posso desapontá-la, agora preciso tirar a Jéssy de perto do Rick antes que ele faça uma besteira, só espero que isso não seja tão doloroso como tenho imaginado.

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