Eduarda
-Eduarda, está sendo chamada no escritório do abrigo. A responsável quer falar com você...
Acabei de chegar do restaurante aonde trabalho a uma semana como garçonete. Depois que tive que sair do orfanato por ter completado 18 anos, fui direcionada a este abrigo e a este emprego provisório. Como tudo na minha vida era.
Desde pequena aprendi a conviver com está condição. Fui abandonada no orfanato aos sete anos e, desde então, minha vida é uma confusão de lares adotivos e voltas para o orfanato.
Já fui adotada três vezes e devolvida ao orfanato nas três vezes. Aprendi a conviver com a rejeição, e quando eu passei da condição de criança para uma adolescente, a ficha caiu, me amostrando que era só isso que eu teria. Tudo seria temporário.
Ninguém ficava por muito tempo. Os amigos que conheci no orfanato, os professores, os responsáveis. Todos eles iam e vinham e eu continuava lá, até completar a maior idade e não poder ficar mais no lugar, que eu considerava como a minha casa.
Agora essa... ser chamado pela direção do abrigo. Não era algo que eu esperava...
-Fiz algo errado?
-Não querida, acho que é uma proposta de emprego. Um colégio recruta algumas garotas todos os anos.
Eu era desconfiada, afinal passar por tudo que já passei, não poderia ser diferente. Então quando a esmola era demais, o santo desconfiava.
-Isso é corriqueiro de acontecer?
-Sim, a Madame que faz o recrutamento é tipo um filantropo que ajuda mulheres sozinhas no mundo. Todos os anos ela aparece aqui, faz uma entrevista e leva uma das garotas com ela.
-Sera que não é esse lance de prostituição, que vemos todos os dias na tv e jornais?
Ela sorri e diz...
-Não. Ela é muito bem quista no meio. Vá conversar, não custa nada...
-Você já viu alguma menina voltar para contar ?
-Algumas... Tem até uma que de vez em quando vem com ela. O que você tem a perder?
-Nada... Você tem razão.
Sorrio para ela e me encaminho para o escritório do abrigo. Bato na porta antes.
-Entre.
-Oi, a recepcionista disse que a Senhora gostaria de falar comigo.
-Entre Eduarda, quero te apresentar a Madame Lavoisier. Ela é responsável por um internato de meninas. Todos os anos ela dedica algumas bolsas desse colégio para as meninas de alguns abrigos.
Olho para a moça, que possui no máximo uns 60 anos, muito bem vestida com um conjunto de terninho feminino preto, blusa branca e sapatos scarpans altos pretos. O cabelo é liso e platinado na altura dos ombros. Unhas muito bem feitas pintadas de vermelho.
Me sinto vestida com um pano de chão, na minha calça jeans surrada e regata preta.
Ela me estende a mão e diz:
-Prazer querida! Eu gostaria de fazer uma entrevista com você, pois pode ser uma possível candidata para meu colégio. Só precisamos conversar antes, saber se você aceita nossos termos e se vai se adaptar ao nosso regime de educação. Você estaria interessada?
Eu confirmo com a cabeça ainda desconfiada.
A responsável pelo abrigo. Manda eu me sentar na frente delas. Me sento e ela me estende alguns panfletos e eu começo a ver.
São panfletos de uma escola de preparo para moças. A escola, que parece mais com um castelo antigo. Também tem retrato dos quartos, quadra de esportes, piscina, academia. O lugar parece um sonho, um clube de lazer.
-Aqui está as disciplinas que irá estudar. Não se trata de um curso superior, muito menos rever matérias do colegial. Aqui vai aprender a ser uma dama. Vai ter aulas de etiqueta, de como se comportar em público. Aprenderá idiomas, como organizar uma festa e como cuidar de uma casa, cozinhar e organizar. O curso dura dois anos. Geralmente você é encaminhada para a casa que irá servir, tudo com o seu consentimento e da forma que você achar melhor. Algumas vão por um tempo, e se não se adaptam a situação, retornam para o colégio. É importante dizer, que tudo é resolvido de acordo com os seus desejos e consentimento. Eles são sempre respeitados.
-No final do curso, eu aprenderia a ser uma governanta ou empregada doméstica?
-Não querida, você aprenderia a ser uma acompanhante ou uma esposa. Preparamos moças para homens poderosos, que não tem tempo de cortejar, escolher ou se apaixonar por alguém. As entregamos prontas para eles.
Eu fico parada olhando para as duas, abrindo a boca e fechando.
Que merda é essa?!?!
-Você é uma cafetina?
Ela sorri e encosta na cadeira bem tranquila.
-Não querida. Eu sou dona de um internato para meninas. Não as vendo e ninguém é obrigada a participar do internato. Te dou segurança, oportunidade de estudar e se tornar uma grande mulher.
-E o que você ganha com isso, porque você deve ganhar algo com isso.
-Claro que sim, depois de dois anos de curso, você tem a opção de sair do internato, arrumar um emprego e cuidar da sua própria vida. Dessa vez mais culta e mais preparada. Você pode ser uma governanta, como você disse, se não te agradar um casamento. Mais você terá que pagar os anos em que eu investi. Como se fosse um crédito educativo, que depois você acertaria em suaves prestações. Caso queira ser uma acompanhante e no final , se casar com um de nossos associados, eu sou muito bem remunerada por eles, para preparar sua mulheres e esposas. O que estou tentando te dizer Eduarda, você está diante de uma oportunidade única. De qualquer forma vai ser muito mais produtivo você vir comigo do que ficar aqui e continuar trabalhando como uma garçonete temporária.
-Eu não posso te dar a resposta agora.
-Claro que não, eu ainda preciso fazer uma entrevista com você, para ver se encaixaria no perfil da escola. Dê uma lida nas disciplinas, qualquer dúvida me pergunte.
Eu pego o folheto das disciplinas e vejo. Aula de culinária, boas maneiras, etiquetas, idiomas (obrigatório apenas um), práticas sexuais, cultura, eventos...
-Praticas sexuais?
Ela sorri novamente, porqur provavelmente todas fazem essa pergunta não é mesmo?
- Sim querida, nossos associados tem gostos peculiares. Para alguns gostos é preciso de um treinamento, que está incluído. É importante dizer querida, que enquanto estiver conosco, você será protegida e amparada por mim e pela minha equipe. A partir do momento em que você escolher por um de nossos associados, continuará sendo protegida e amparada, desta vez por eles. Nos contratos você sempre será muito bem protegida pela lei e pela soma de dinheiro que receberá. Esse é o mínimo.
-Mais que tipo de relações sexuais seriam essas?
-As que você se adaptar e as que quiser. Não é uma regra. Algumas gostam de ser tratadas como neném, outras gostam de algo hadcore, outras gostam do românticos. Como disse, isso vai acontecer de acordo com os seus gostos. Não tem do que temer.
Não conheço muito de relações sexuais. Já saí com alguns garotos e nem sou tão virgem quanto gastaria de ser. Mais esses gostos peculiares de que ela fala, não faço a mínima ideia do que seja.
-Mais alguma pergunta?
-Sobre as disciplinas não.
-Então vamos ao questionário.
Ela começa a me fazer perguntas sobre meu passado, minhas experiências com outros homens. Todas as perguntas são de cunho pessoal, e muitas vezes fiquei constrangida em responder, já que meu passado é bem doloroso.
-Eduarda, você é perfeita para fazer parte do nosso colégio. Você não precisa ter medo... Lá será protegida, fará amigos, se enturmará. Poderá estudar e descobrir o que quer fazer da sua vida. Eu ficaria muito honrada se aceitasse. Fora que você é linda! Não durará muito aqui fora sozinha, existem muitas pessoas que se aproveitam das outras para se dar bem.
-Você poderia ser uma dessas pessoas...
-Poderia... Mais será que se eu quisesse me aproveitar de você eu deixaria as coisas tão explícitas para que tome suas próprias decisões? Eu entendo sua desconfiança querida, já passou por muitas coisas. Por isso vou deixar você pensar um pouco. Nos vemos semana que vem.
Ela se vira para a diretora do abrigo e diz:
-Obrigada querida, mais uma vez pela ajuda. Nos vemos semana que vem. Até!
Acena com as mãos e sai da sala.
-O que acha, senhora?
-Eu acho que ela tem razão quando diz que você tem poucas chances sozinha aí fora. E como ela disse... A escolha sempre será sua, querida. É muito bonito ser feminista num país machista, mais muitas vezes o feminismo não paga as contas...Antigamente esses colegios eram comuns e se davam outros nomes e tinham religiões no meio. Mais no final, as crianças saiam de lá, já com um casamento arranjado, sem nem ao menos poder escolher seu próprio noivo. Então... Não é tão estranho assim...
- E se eu não me adaptar?
-E se você se adaptar??? Você pode ser surpreender...
Deus, o que faço???!
**********
-E aí querida, se decidiu?
Sou chamada novamente ao escritório da administração do abrigo, após uma semana da proposta no mínimo intrigante, que recebi.
-Sim. Eu vou aceitar porque você tem razão, aqui eu não terei nenhuma chance de sobreviver sem sequelas.
Eu não sou burra, sei que sou uma exceção. Ter chegado aos dezoito anos sem nunca ter sofrido nenhum abuso, sendo que a maioria não consegue. Tive sorte de encontrar pessoas boas no meu caminho, apesar da maioria não ter ser afeiçoado a mim por muito tempo para permanecer em minha vida. Que chance eu teria nesse mundo machista?
Eu via os olhares que recebia no restaurante, eu sabia, que não demoraria pra passar por situações constrangedoras. Era só descobrirem que eu era sozinha no mundo.
-Ótima decisão querida.
-Eu sempre terei a escolha?!?!
-Claro que sim. Não se assuste, é um curso que dura dois anos. Suas escolhas sempre serão respeitadas. Eu só espero de vc , dedicação total.
-Ok!
-Então, vá para seu armário, traga apenas os objetos que estiver estima para vc. Não precisará de mais nada. Nem dessa roupas surradas. Lá vc terá tudo que precisa. Partiremos em vinte minutos. Acha que pode resolver tudo neste tempo?
Mais já? E como assim não vou levar minhas roupas? Que doida!
-Mais eu preciso me demitir do emprego.
-Pode deixar Eduarda. Eu me encarrego com isso.
Diz a administradora do abrigo sorrindo para me tranquilizar.
-Ok. Obrigada por tudo!
-Seja feliz querida!!! É o que desejo a você!
É o que espero!
Arthur Albuquerque
Estou com uma dor de cabeça dos infernos. Depois de cinco reuniões seguidas neste dia, ainda preciso revisar três relatórios.
Toco o interfone e não demora muito, Pedro aparece na minha frente.
-Senhor!
-Pedro me arrume um analgésico, minha cabeça está me matando.
-Não é melhor o Senhor, dá uma pausa?
-Eu preciso terminar de revisar esses relatórios. Vou precisar deles amanhã nas primeiras reuniões.
Ele põe uma água em minha frente, junto com o comprimido. Tomo sem pestanejar.
-Apenas uma pausa Senhor. Faça o que gosta. Beba um whisky, escute uma música e depois retorne. Não fará muita diferença.
Olho para ele e suspiro.
O que seria da minha vida se eu não tivesse o Pedro, então porque eu preciso revisar relatórios que ele já revisou, me deixando quase nada para concertar depois?
Eu preciso de uma pausa mesmo... Se não tivesse trabalhando, estaria numa festa na casa de Bernardo. E vamos combinar, eu precisava de uma chup@ada bem dada para relaxar!
Desde a última submissa, entrei num regime obrigatório de celibato, mesmo porque, achar submissas num bar ou numa boate, não é algo fácil de acontecer.
Sexo baunilha para mim, não adianta de nada, só me deixa irritado.
E lá se vão três meses, preciso contactar a Madame Lavoisier.
Te digo que é muito mais prático e sigiloso contar com os serviços dela, do que ir a caça numa boate de bdsm. Na verdade, eu nem gosto.
Gosto das reuniões particulares na casa de alguns amigos, mais essas boates de se+xo, acho muito avulso e sem graça. Fora que a maioria das pessoas que vão pra lá, só procuram curtição de uma noite.
Eu gosto de intimidade, e de ter alguém disponível para mim o tempo todo. Definitivamente, essas boates não são para mim.
-Você tem razão Pedro, por isso não vou revisar os relatórios que você fez. Eles devem estar perfeitos como sempre. Vou para o Bernardo e mais tarde estou em casa.
-Peço para Beto se preparar?
-Sim, mais sem seguranças. Não precisarei deles. E você também pode se recolher, não precisarei mais de seus serviços.
-Sim Senhor.
Pedro é meu acessor e está sempre disponível para mim. Meus empregados são muito bem remunerados para ficarem a minha disposição. Prefiro assim!
Não sou um dominador apenas no lado sexual, na minha vida profissional também, e nunca conheci uma vida em que eu não fosse servido.
Talvez por isso eu goste de coisas peculiares. Proporcionar isso as mulheres em troca de sua servidão é meu fetiche, e mais para frente você entenderão o que digo.
Sou um filho de uma submissa e um dominador. O BDSM está na minha vida, desde criança. Então pra mim, viver este estilo de vida é normal.
Pego meu celular e ponho meu paletó. Eu trabalho em casa, dificilmente vou para o Hospital. Apenas quando tenho cirurgias agendadas.
Herdei de meu pai o grupo Albuquerque, a rede de hospitais mais conceituadas do país. O ano passado meu pai resolveu se aposentar, e desde então, minha vida se tornou uma loucura.
Por isso, trabalho de casa na maioria das vezes. É cômodo para mim, já que trabalho 24 horas se deixarem.
Além disso, sou cardiologista e cirurgião. Gosto de minha profissão, e reservo uma parte do meu tempo para me dedicar a minha função de médico no grupo Albuquerque.
Não é sempre, mais às vezes que acontecem, são como se fossem refrigérios na minha vida monótona de CEO preso num escritório, nem que seja dentro de minha casa.
Saio de casa, e meu motorista já está me esperando. Ao me ver ele abre a porta traseira do carro.
-Boa noite Beto. Pra casa do Bernardo.
-Boa noite Senhor.
Tenho dois amigos mais chegados, que os considero como irmãos. Eles também são filhos de casais forjados no BDSM. Na verdade é meio clichê isso, mais meus pais e os deles, sempre foram amigos e sempre compartilharam suas preferências sexuais. Tiveram filhos praticamente juntos, que cresceram como irmãos e também são amigos com as mesmas preferências sexuais.
Doideira não?!?! Uma comunidade que foi formada por preferências sexuais. E não foram só eles. Estamos cercados de pessoas que compartilham dos mesmos gostos. Estamos por aí, na gigante São Paulo e ninguém imagina que vivemos assim...
Além da paixão pelo mundo BDSM, os dois também são médicos e chefiam, cada um, uma ala do grupo. Paulo a parte de ginecología e obstetrícia e Bernardo a parte de Ortopedia e Trauma.
Saio dos meus pensamentos e mando uma mensagem para Bernardo.
"-Estou chegando."
"-Resolveu vir doutor?"
"-Você tinha razão, mereço uma pausa."
"-Repete"
"-O que?"
"-Repete que eu tenho razão."
"-Vai para o inferno, Bê... Mais deixa sua menina aí, vou precisar de uma ajudinha hoje para relaxar.."
"-Ela está ansiosa..."
Eu sorrio e vejo que falta no máximo cinco minutos para chegar na casa do Bernardo. Dá para eu responder um email ainda.
Fico absorto no celular quando, Beto abre a porta do meu lado.
-Chegamos Senhor.
-Ok, me espere Beto, não ficarei muito tempo.
-Sim Senhor.
Preciso relaxar e vou aproveitar!
Vejo que a casarão está todo iluminado. Escuto música e risadas no portão. Pelo jeito tem mais pessoas do que imaginei.
Sempre produzimos festas para promover nosso estilo de vida, são festas exclusivas apenas para aquele ciclo de amigos que curtem os mesmos gostos na cama. Dificilmente elas são abertas para amadores, curiosos e convidados fora do ciclo fechado.
São festas onde nos deixamos levar pelos desejos, sem medo de sermos chantageados com imagens e outras coisas.
Não há regras nessa festa, a não ser aquelas que tirem a privacidade dos envolvido, como não poder entrar com o celular, por exemplo. Chego no portão e entrego meu celular me identificando. A menina que usa apenas uma biquíni de couro e uma meia arrastão, pega o meu celular e nem confere o meu nome, já que me conhece.
-Bem vindo Mestre Arthur. Sozinho hoje?
-Sim Melissa.
-Quem sabe não podemos nos curti depois?
Ela diz corando. Odeio submissas oferecidas! Já me diverti uma vez com ela, mais perdi a vontade de repeti a dose, depois da sugestão.
Uma boa submissa, espera o Dominador se aproximar, não se oferece.
-Outra hora Melissa, hoje tenho planos.
Dou um sorriso sem abrir a boca e sigo meu caminho para dentro de casa.
Vejo alguns casais se divertindo dentro da casa.
A área de baixo é um grande salão com uma cozinha num canto. Sofás espalhados por todos os lados com aparadores e mesinhas baixas. Na parte de cima ficam os quartos. Que são poucos para uma festa bdsm, por isso a seleção de convidados.
-O doutor chegou! Aleluia!
Olho para aonde escuto Paulo falar e o vejo se aproximando. Meu amigo é asiático, então ele tem aquelas características físicas que todos sabem. Muito branco, olhos negros e puxados e um cabelo negro liso. Já a estrutura corporal é de um brasileiro. Alto, ombros largos e musculoso.
Está sozinho, o que acho estranho, já que como eu, ele sempre tem uma submissa a tiracolo.
-Ué, que houve?
-Me entregou a coleira ontem. Disse que não estava satisfeita.
Uma característica sobre Paulo, ele sempre se apaixona pelas suas submissas. É um romântico incurável, mais sempre é dispensado.
O que acontece? Acho que ele não proporciona para elas o que elas precisam. Já disse a ele que ele precisa ampliar o seu sistema de busca. Acho que se engana tanto, pq busca o que realmente ele não consegue ser. Mais ele sempre revira os olhos e diz que, se não aconteceu, é pq não era pra acontecer.
- Belo par de dominadores, estamos nos saindo. Você as dispensa e eu sou dispensado.
Eu sorrio e bato nas costas dele.
-Um dia acharemos a ideal, se não aconteceu, é pq não era pra acontecer.
Repito as palavras que ele sempre diz e ele revira os olhos.
Peço um copo de whisky ao barman e me escoro no balcão da cozinha.
-Como estão as coisas? Só casais?
-A maioria sim... Você disse que não vinha por causa do trabalho...
-Eu estava exausto! Precisava de um tempo. A Melissa está soltinha lá na frente, não pensa em um repeteco?
Pergunto a ele, pq eles saíram por um tempo e depois pararam.
-Quem sabe mais tarde. Agora eu só quero beber um pouco e relaxar.
Vejo Bê descer as escadas com sua submissa um passo atrás dele. Ela se chama Camila, e é uma loirinha miúda, mais que paga um boquete digno de Oscar se tivesse um para habilidades sexuais.
Ela vem com a cabeça baixa, segurando o braço dele.
Já o Bê, é um gigante ruivo de olhos azuis, com um sorriso gigantesco sempre nos lábios. Quando ele vê eu e Paulo, dá um sorriso e vem em nossa direção.
-Chegou doutor?
-Sim, sentiu minha falta?
-Nem um pouco, mais é bom ter os três mosqueteiros reunidos.
Eu sorrio.
Nossos pais nos chamam assim, desde pequenos.
-Olá Camila.
Eu a comprimento , ela olha para seu dono pedindo permissão, e ele autoriza com uma confirmação com a cabeça.
-Boa noite mestre Arthur e mestre Paulo.
-Boa noite, vc está adorável hoje.
Ela usa um vestido curto de couro preto. Coleira preta e cabelos presos num rabo de cavalo. Saltos altos e uma maquiagem bem pesada.
Bernardo adora vê sua menina com os olhos todos borrados depois de fazer ela chorar com o pau na garganta. O que ele tem de bom humor, ele tem de sádico.
-Obrigada Senhor.
-Vocês estão bebendo o que?
Pergunta Bernardo.
-Whisky com gelo.
Ele vira para o Barman e diz.
-Quero o mesmo e uma garrafa de água para a minha menina.
O Barman concorda e põe o whisky e a água em cima da mesa.
Ele dá a garrafa na mão de Camila. E senta no banquinho alto mandando ela ficar entre as suas pernas.
-Pelo jeito Paulo se deu mau de novo?
Pergunta Bê.
Paulo suspira e diz:
-Vai tripudiar em cima de mim, Bernardo?
-Não cara, dessa vez eu vou te parabenizar, aquela menina não te merecia.
- De novo essa história.
-Que história?
Pergunto interessado.
-Uma das festas que vc não foi, a vi olhando discaradamente para outro dominador. Avisei nosso amigo aí, e ele ficou puto comigo. Quer saber da novidade? Fiquei sabendo pela Margô que ela está negociando com ele. Já estava antes de te entregar a coleira.
-O que?
Paulo fala alto, chamando a atenção de todos .
-É isso mesmo que você ouviu. Eu te falei que ela era duas caras. Como pode ser sua submissa por contrato, e negociar com outro pelas suas costas?
Não fico nenhum pouco surpreendido pelo que Bernardo falou, já que ela chegou a dar em cima de mim, quando estava com Paulo e sem a permissão do mesmo. Nossa sociedade é pequena, então é comum uma submissa ter saído com outros dominadores. Mais uma submissa com contrato, ela é exclusiva do contratante e só sai com outros se o contratante permiti. Isso é básico...
Se ele não permiti que fulano toque na sua posse, ela não pode nem olhar para cima, como Camila está fazendo.
Não é fidelidade, e sim respeito pelo seu mestre que governa sua vida.
Principalmente uma submissa que foi contratatada por 24/07. E nós, sempre optamos por este tipo de contrato, por causa de nossa vida corrida.
Vejo Paulo fechar os olhos e suspirar. Está quase perdendo o controle de suas emoções. Ele precisa de um tempo.
-Deixa ele Bernardo.
Ele me olha contrariado e Paulo bebê toda bebida que está no copo, e sai andando.
-Aonde vai?
Chamo...
-Procurar Melissa, preciso relaxar um pouco.
Bernardo suspira do meu lado.
-Ele não percebeu ainda, mais foi a melhor coisa que aconteceu na vida dele.
-Também acho, mais não devemos nos meter. Controla a sua língua.
Ele faz uma careta e diz:
-E vc, quando vai arrumar outra submissa?
-Não sei, tô meio que cansado desse troca/ troca.
-Faça um contrato longo. Sabe que para nós, é o adequado.
-O problema e querer ficar com uma submissa mais de três meses. Eu enjôo rápido delas...
-Encontrei esses dias com a Madame num coquetel. Ela disse que a última garota que te mandou, voltou em caquinhos...
Eu reviro os olhos para ele.
-Acho que madame Lavoisier, não anda treinando as meninas da forma correta. Nunca vi submissas se apaixonarem tão rápido.
-É porque você é um bom Dom. Só tem um coração de pedra e elas não tem.
Eu solto uma gargalhada!
-E o seu coração? Camilinha que o diga.
E ela continua com os olhos baixados. Que menina obediente, dá até gosto de ver. O pau chega a dar um pulo dentro da minha cueca.
-Meu coração está calmo. Renovei o contrato com a Camila por mais seis meses, nos damos bem.
-Hummm... Isso que eu chamo de evolução. Você era o mais puto de nós três.
-É porque não havia encontrado a submissa certa. Depois que vc encontra, vc não sente mais necessidade de pular de galho em galho.
-Ok, obrigada pelos conselhos. Acho que vou procurar a Madame novamente, é prático pra mim. Não preciso ficar indo nessas festas e boates. Não tenho paciência e nem tempo.
-O que vc acha de variar agora?
-Como assim?
-Em vez de procurar o mesmo perfil de submissas varie... Madame Lavoisier disse que vc se daria bem com uma submissa sem experiência.
-Você e Madame ficam fofocando sobre minha vida agora?
- Só estou querendo te ajudar cara... E não te ver mais sozinho nas minhas festas e nem na vida.
-Uma submissa novata? Não tenho paciência.
-As dela são treinadas por dois anos Arthur, não são completamente novatas. E elas virão sem vícios de outros dominadores, o que fará com que vc a molde da forma que quiser.
-Nunca pensei por esse lado.
-Se o perfil que vc pede, nunca te agradou, está na hora de mudar o perfil, vc não acha? Vc vive dizendo isso para o Paulo, tá certo que no caso ali é ele que tem de deixar de ser teimoso e assumir seus gostos.
Ele tem razão. Quem sabe assim eu não acho o que tanto busco? Na verdade nem eu sei o que busco, só sei que sempre falta algo em todas elas.
Pode ser a mulher mais linda do mundo, mais sempre falta algo.
-Vou pensar.
- Ok. Vou subir, vc vem?
Tomo o resto do whisky e concordo com a cabeça, peço mais um copo e os acompanho os dois escada acima.
- Chegando ao quarto, me sento no sofá de frente para a cama, bebericando o whisky.
Nós gostamos de compartilhar e de observar. Por isso, antes de assinarmos um contrato, deixamos isso bem claro para elas.
-O que vai ser doutor? Como minha menina pode te servir hoje...
Ele está atrás dela e ela de frente pra mim, ele puxa o zíper do vestido e deixa ela completamente nua, sem lingerie nenhuma.
-Preciso voltar ao trabalho, então se ela pudesse me relaxar...Não vou ter tempo de admirar ela hoje Bê.
-Ok. Camilinha, vai lá cuidar do meu amigo, enquanto eu brinco um pouquinho com você...
Ela caminha até mim com a mão direto no meu cinto e começa a desabotoar a calça. Enfim, minha dor de cabeça vai passar...
No fundo era isso que eu precisava ...
-Senhor! Madame na linha um.
-Ok, pode passar.
Mais cedo liguei para ela pedindo novos currículos, mais dessa vez o pedido não foi o mesmo.
Resolvi seguir os conselhos do Bê. Quem sabe eu não estou procurando no lugar errado,? Terá algumas coisas que eu terei que passar, mais estou disposto se isso significar achar a pessoa certa. Tirei um tempo com os currículos e gostei de um em especial.
Ela é diferente de qualquer submissa que já tive, e a maioria das pessoas, vão ficar surpresas com a escolha. Mais se é pra variar, vamos variar, não é mesmo? E se no final não der certo, é só não renovar.
E ainda é virgem. Eu nunca imaginei conseguir uma submissa virgem, geralmente elas preferem perder a vingindade com caras carinhosos, não com dominadores. Provavelmente não saberei fazer isso, mais se a menina gosta de sentir dor, o que é a perda de um hímen, se não sentir dor. Resolvi arriscar.
-Olá Madame Lavoisier.
-Olá Mestre Arthur, olhou os currículos?
-Sim Madame e teve um que me chamou atenção. A senhorita Eduarda Amorim.
Ela fica em silêncio por um tempo e depois fala.
-Porque ela? Eduarda é bem diferente de suas escolhas normais...
-É exatamente por causa disso. Estou seguindo seus conselhos compartilhados com Bernardo.Quem sabe eu não acho o que tanto procuro , nela?
-Desculpe por isso Senhor. Eu sei que o Senhor presa pela discrição.
-Espero que ela esteja em minha casa amanhã do jeito que eu sempre peço que elas venham, Madame.
-Eduarda foi especialmente treinada por mim e por Andrey, ela é especial. Ter você como primeiro dominador dela será uma honra Senhor, mais eu preciso me certificar que ela estará segura.
Que inferno?!?! Porque isso agora, por acaso eu já devolvi suas meninas quebradas ou com algo faltando?
-Não entendi Madame.
-Minhas meninas voltam com o coração partido no final do contrato. Preciso fazer um esforço anormal para que elas voltem a produzir. Não sei se o Senhor será bom para a Duda.
Duda... Gostei mais do que Eduarda... Mais isso só me mostra mais sobre a Madame do que ela poderia me explicar com palavras. Nunca a vi chamar ninguém com tanta intimidade. A menina realmente é importante.
-Eu não posso lhe garantir isso Madame, afinal se elas voltam com o coração partido é porque não pensam como uma submissa. O coração nunca deve está em jogo nas sessões.
Ela fica em silêncio e diz.
-Você tem razão. Minha menina é mais fria do que as outras em relação a isso, então se ela concordar, ela estará em sua casa às sete da noite amanhã. Algo mais?
-Apenas amostre meu contrato a ela antes de que venha. Não quero ter que ficar repetindo tudo de novo.
-Sim Senhor. Aguardarei o contato depois do encontro.
-Sim Madame Lavoisier.
************
**Eduarda Amorim
Eduarda Amorim
Bato na porta do escritório da Madame Lavoisier antes de entrar com a bandeja.
Escuto ela falando um entre, abro a porta e fecho atrás de mim. A encontro sentada em sua mesa concentrada no notebook.
-Oi querida.
-Me disseram que a Senhora queria falar comigo, aproveitei e trouxe seu chá.
-Toma ele comigo?
-Sim Senhora.
Ponho a bandeja na mesa baixinha entre os sofás. Me ajoelho no chão e sirvo uma xícara para ela.
Ela logo chega e se senta num dos sofás de frente para mim, e pega a xícara de minhas mãos.
Eu sirvo para mim e continuo no mesmo lugar, bebericando o chá.
- Precisamos conversar querida. O seu curso terminou, então está na hora de vc ir em frente. Já pensou bem no que vai fazer?
-Sim Madame, está na hora de eu me dedicar a um dominador. Passei esses dois anos treinando para isso.
-Então eu já tenho em mente, alguém que te mereça. (Olho para ela surpreendida) Como será seu primeiro dominador, pensei em alguém temporário. Depois desta experiência, vc pensa no que quer fazer mais calmamente. Mais quero que saiba que aqui sempre será seu lar, independente te do caminho que vc escolher seguir.
- Eu sei madame, nesses dois anos em que estou aqui , tive certeza disso. Todas as escolhas foram minhas, conheci pessoas que levarei para sempre, e o mais importante, me conheci de uma forma que nunca me conheceria, se não tivesse aceitado a sua proposta .
-Que bom querida!
Ela segura meu rosto com uma mão e beija a minha testa.
- Levanta e pega uma pasta transparente em cima da minha mesa.
Eu faço o que ela pede.
Seguimos hierarquias na escola, e a madame está no topo da hierarquia. Todos a tratam com respeito e segue suas ordens a risca. Devemos obediência e carinho a ela, que nos adotou e nos transformou nas mulheres que somos hoje.
Pego a pasta e retorno ao meu lugar, que é ajoelhada ao seu lado no sofá.
Entrego a ela , mais ela me devolve.
-Não querida, é pra vc estudar. Aí dentro tem os dados do dominador que quer seus serviços, além de que ele espera de um submissa e uma fotografia. Ele oferece apenas contratos de três meses inicialmente, as suas submissas. Mais tem um sonho, de encontrar uma permanentemente. Mais o que posso dizer é que, ele é difícil de ser agradado.
- Mestre Arthur Albuquerque, 35 anos. Solteiro. Madame, esse dominador não foi aquele que Sabrina passou três meses com ele?
Logo reconheci, sequei as lágrimas da Sabrina, quando ela foi devolvida. Ela se apaixonou, mais pelo o que ela me disse, fica difícil não se apaixonar.
Sabemos que a relação de um dominador, com uma submissa, é íntimo e profundo, mais na maioria dos casos não rola amor. Apenas uma troca brutal de energia.
Por isso que optei ser uma submissa, depois que entrei para o internato. Não acredito em paixões. Acredito na troca de energia e quando isso acaba, cada um procura um outro parceiro.
Não corro riscos com Arthur Albuquerque, por mais que ele seja um dominador que arranque suspiros de todas que passaram por sua cama. Ele é alto, de corpo atlético, olhos verdes, pele de cor oliva e cabelos castanhos lisos. Se parece com espanhóis, se tem parentesco, não sei. Aquele queixo quadrado, olhos frios, deixam as meninas de quatro em apenas semanas.
Eu fui forjada na desilusão. E não vai ser uma carinha bonita que me fará mudar de idéia.
Ela confirma minhas suspeitas e eu digo:
-Então porque ele mudou o perfil das submissas? Quer dizer, ele gosta delas experientes, altas e magras.
-Segundo ele é porque se não deu certo com aquelas do perfil que sempre procurou, nada impede que ele encontre o que procura numa de perfil diferente.
-Realmente eu sou muito diferente de Sabrina.
Sabrina além de ser uma submissa que já passou por alguns donos, ela é linda. Alta, magra, loira de cabelos lisos ondulados até a cintura e olhos verdes.
Já eu, sou baixinha e para algumas pessoas, gordinha. Meu manequim é 42. Tenha seios avantajados e um bumbum considerado grande. Tenho coxas grossas e quadril largo. Sou branca de cabelos castanhos compridos e olhos castanhos. Sou uma menina simples, com uma beleza simples, enquanto que, Sabrina é excepcional se comparada a mim.
Ela sorri pra mim e diz:
-Você é igualmente linda, de beleza bem diferente da Sabrina. Se ele está querendo variar, quem somos nós para contradizê-lo. Ele é um bom dominador Duda, exigente, conservador, mais bem carinhosos e generoso. Você foi treinada por mim e Andrey, tenho certeza que ele vai ficar encantado por vc! Está interessada?
-Claro, esses três meses serão de grande aprendizado e experiência para mim. Fora que ele é um gato, não vai ser nenhum problema servi-lo.
Ela sorri e beija a minha testa.
-Leve a pasta com vc e a estude. Amanhã você irá jantar com ele em sua casa, dependendo do que acontecer neste encontro, na sexta vc se muda para a casa dele.
- Sim Senhora!
-Agora vá, e me deixa terminar meu chá sossegada.
-Com licença Madame...
-Duda...
-Sim Madame?
-Lembra que falamos para vc, sobre sentimentos?
-Lembro, não devo me apaixonar. Eu não corro esse risco.
-Boa menina.
Levanto e saio com a pasta debaixo do braço direto para meu quarto.
Enfim, minha chance chegou, e vou me dedicar bastante a está oportunidade.