Rebeca
Eu ri enquanto limpava minha mão suja. Valerius, meu melhor amigo, estava fazendo alguma piada de mau gosto sobre a nossa atual situação e eu não pude deixar de rir, ele sempre faz isso e eu sempre rio, já é uma coisa nossa.
- Eu sei que a minha piada foi de matar. - diz convencido.
Mais uma vez eu rio e coloco a arma no coldre.
- Tenho certeza que o morto também concorda, uma pena que ele não teve a oportunidade de ouvi-la também. - digo.
- Você sabe que esse tipo de coisa cai bem nessa situação. - dá de ombros.
- Você é bizarro, com esse seu gosto estranho para piadas sobre morte e trocadilhos sempre que concluímos um serviço. - rebato.
- É meu charme. - declara despreocupado.
Valerius Benu, ou Ben, como eu costumo chamá-lo, é meu melhor amigo desde sempre, não lembro de algum momento da minha vida em que ele não estivesse por perto. Crescemos juntos, e trilhamos o mesmo caminho até agora. Eu venho de uma família de assassinos profissionais, pegamos todo tipo de trabalho desse gênero, eu sou a segunda mais velha da família e embora meu pai quisesse que eu casasse por uma aliança para fortalecer a posição da nossa família, desde cedo tratei de mostrar enfaticamente que eu não tinha a intenção de ser dominada muito menos vendida para ser uma esposa troféu. Nenhum filho da puta vai mandar em mim e esperar que eu sorria alegremente com suas merdas. Não, eu mando em mim.
Quando tinha dez anos, deixei claro que não tinha a intenção de casar por contrato, meu pai pensou que seria uma boa ideia me convencer do contrário e chamou um amigo que tem um filho para que eu tivesse a oportunidade de conhecer meu futuro marido e sogro, fiz questão de deixar bem claro na frente deles a minha opinião e quando o merdinha que era mais velho que eu quatro anos, tentou me forçar, eu quebrei o seu braço sem pestanejar. Foi muito satisfatório vê-lo chorando de dor enquanto eu pisava em seu rosto. Foi assim que meu pai descobriu que eu treinava escondida de todos e também estudei anatomia cuidadosamente, cada pequena informação que eu pudesse usar, eu coletei e treinei incansavelmente. Quando eu ameacei matar a próxima pessoa que ele trouxesse, ele soube que eu não estava brincando, com a ajuda do meu irmão mais velho, Roderick. Consegui que ele me deixasse treinar junto dos recrutas, eu sempre soube que eu queria ser assassina e não me arrependo disso, foi a melhor decisão que eu tomei, a minha vocação é matar. Sim, eu sou uma pessoa totalmente fora do comum, talvez insana, eu gosto do que faço e aproveito cada minuto disso.
- Acho melhor sairmos agora, a segurança não vai demorar. - aviso olhando o cronômetro.
Nosso alvo de hoje, era um homem muito influente e rico, o serviço foi solicitado por sua esposa, que estava cansada de seus abusos e traições, basicamente, ele era um porco traidor e que batia nela e nas filhas. Confesso que me senti muito satisfeita ao vê-lo morrer em agonia. Ela foi muito específica quando solicitou que ele fosse estrangulado com um garrote cheio de lâminas e que soubesse porque estava sendo morto daquele jeito. Depois de pegar as informações necessárias e aproveitando que ele gosta muito de espancar garotas de programa, me disfarcei e fiz isso. No momento em que Ben entrou no quarto vestido de garçom, colocamos nosso plano em ação. Enquanto ele estava sendo imobilizado por Ben, tomei todos os cuidados necessários para não deixar nenhum rastro para trás, fui até ele e depois de fazer como a cliente pediu, matei o desgraçado, agora, terminamos de limpar qualquer possível vestígio da minha presença aqui e depois de limpar o sangue restante das minhas mãos e me vestir adequadamente, deixei o desgraçado para trás e saí do quarto com um sorriso no rosto e meu amigo ao meu lado, e claro, alguns milhares de dólares mais rica.
Eu amo meu trabalho.
- Acho que isso pede uma comemoração. - murmuro.
- Eu estava pensando a mesma coisa. Afinal, trabalhamos muito para matar aquele velho. Tivemos que alterar as câmeras do hotel, limpar a cena toda e ainda fazer tudo isso em menos de uma hora. Me sinto um pouco esgotado e nada melhor do que beber até cair. - Ben diz.
- Concordo. Temos que aproveitar também, não faltam muitos dias para a nossa partida. Roderick vai casar em algumas semanas e eu vou assumir seu cargo enquanto estiver fora na lua de mel. Eu vou sentir falta de Milão. - suspiro só de pensar em deixar o lugar que morei por anos.
- Eu sei, querida. A vida aqui é bem mais divertida, mas você precisa fazer isso por enquanto, nem vai demorar tanto, quando menos esperar, já vai ter passado e estamos voltando para cá. - me consola.
- Assim espero. O que quero agora é me divertir um pouco. - dou batidinhas nas minhas bochechas e sigo em frente para o nosso carro.
Dirigimos até uma balada que costumamos frequentar. Sinto uma vontade imensa de aproveitar o máximo que eu puder desse local, tenho um pressentimento sobre a minha viagem para New York, algo me diz que algo grande vai acontecer lá e que talvez as coisas não saiam do jeito que imagino.
Quero ignorar esse sentimento aterrador e apenas pensar no presente.
A música estava alta, havia pessoas por todo o lugar, a pista de dança estava cheia e como eu não estava disposta a enfrentar toda aquela multidão sóbria, procurei por uma bebida forte, tequila é a melhor opção hoje e depois de quatro shots, já senti que estava mais solta e animada, um mundo parecia estranho e meus passos estavam leves, mas isso só me deixou com um sorriso no rosto. Ben estava agarrado com uma mulher e eu soube imediatamente que vou ficar sozinha nesse lugar em poucos minutos. Como era de se esperar, ele foi rápido em encontrar alguém, é melhor eu fazer o mesmo se quiser companhia, é claro, não serve qualquer idiota bêbado, eu preciso de um homem de verdade que só de olhar, eu tenha total certeza que vai me satisfazer, caso contrário, eu posso matar mais alguém se ficar frustrada sexualmente.
Será algo bastante desagradável de se ver.
Sim, eu sou louca e um pouco volátil.
Me infiltrei na pista de dança deixando meu amigo para trás, dando total liberdade para fazer o que quiser. Nunca procuramos esse lugar para apenas beber, quando um de nós encontra alguém interessante, o outro se afasta imediatamente, assegurando que não há problema nenhum em ficar sozinho no lugar.
Dancei alegremente, sentindo as batidas da música se infiltrar nos meus ossos, em um dado momento, alguém tocou meu quadril com mãos desajeitadas e eu soube imediatamente que se tratava de um bêbado ou qualquer outro idiota, virei meu corpo e vi um cara sem graça na minha frente, ele sorriu maliciosamente quando me viu e tentou me apertar contra ele, resisti e continuei a avaliá-lo cuidadosamente, do que eu conseguia ver com as luzes piscantes da pista, ele é um cara bonitinho, eu diria. Não tem nada que chame a minha atenção, suas mãos são desajeitadas, seu cabelo está irritantemente penteado, sua camisa está fechada até o penúltimo botão, seu sorriso me irrita de alguma forma e a pior coisa, ele é menor que eu. Sinceramente, se o cara não for maior que eu quando estou usando saltos, não vale a pena. Eu gosto de caras grandes, maus, com cabelos bagunçados, como se tivesse acabado de acordar, camisas abertas mostrando um pouco do peito e tatuagens.
Sim, eu prefiro os maus e errados. Eles são mais divertidos e me pegam de jeito e é disso que eu preciso agora. É esse tipo de cara que estou procurando, não um carinha sem graça como esse de agora.
Assim que a música terminou, me afastei sem dizer uma palavra, nem vale o meu tempo dispensá-lo adequadamente, espero que ele perceba a minha falta de interesse.
Infelizmente, parece que ele não entendeu minha mensagem e me seguiu como um cachorro até o bar. Revirei meus olhos quando o vi na minha frente com o mesmo sorriso idiota de momentos atrás. Será que ele não percebe que não estou nem remotamente interessada nele?
Escaneei o lugar em busca de alguém que valha a pena o meu tempo, na área VIP, no andar de cima, um homem olhava o movimento e eu sorri maliciosamente ao ver que ele faz o meu tipo. Ele parece uma boa escolha para essa noite, pode ser divertido.
- Aceita uma bebida? - o homem irritante pergunta.
- Não, obrigado. - rejeito sua oferta imediatamente.
- Vamos lá, gostosa, aceite a bebida, ou, podemos sair daqui e nos divertirmos em outro lugar? - oferece.
Sua mão está no meu quadril e se dirigindo para a minha bunda, sinceramente, seu toque é irritante e eu quero arrancar suas mãos por me tocar sem permissão, mas eu não quero fazer uma cena desnecessária e perder meu acesso a esse lugar, eu gosto de vir aqui.
- Eu não quero nada de você. Você não faz o meu tipo, é irritante até olhar para você, e se continuar me tocando, eu vou cortar as suas mãos fora. - aviso.
Seu semblante muda imediatamente e ele agarra meu braço.
- Você é só mais uma vagabunda arrogante. Eu devia te dar uma lição. - rosna.
Com minha mão livre, agarrei suas bolas e apertei com força. Ele me soltou imediatamente e fez uma careta de dor, puxei mais um pouco e me aproximei dele.
- Faça isso, eu vou adorar arrancar suas mãos e seu pau imundo, vai ser realmente divertido. Eu vou esperar por isso. - aviso e largo suas bolas. Ele cai ajoelhado e eu me afasto deixando os olhares e murmúrios para trás.
Agora é hora de buscar o homem que eu quero.
É claro, isso foi até chegar na metade do caminho e encontrar um homem muito melhor. Alto, tatuado, vestido de preto da cabeça aos pés, cabelo escuro reluzente e despenteado, alguns fios desgarrados caindo na testa, a barba espessa e bem cuidada. Com certeza, é o homem mais lindo que eu já vi.
Tem que ser ele ou não me chamo Rebeca.
Sebastian
Que saco.
Faz tempo desde que me senti entediado como hoje. Não há nada que me anime, uma sensação de apatia tem me tomado por todo o dia e mesmo estando ocupado, não encontrei prazer algum em nada que fiz até agora. Pensei que seria uma boa ideia tentar sair e me divertir um pouco, agora percebo que me enganei, da área VIP observo a multidão abaixo de mim e não sinto mais do que uma sensação enfadonha, lembro que minha vida já foi mais divertida que isso.
Walter Graham, meu melhor amigo e homem de confiança, estava sentado ao meu lado, uma mulher em seu colo, praticamente fodendo na minha frente, o que estava me irritando ainda mais.
Bufei e tomei mais um gole do meu whisky. Não foi de grande ajuda, mas manteve minhas mãos longe dele e da garota.
- Você precisa de uma mulher, Sebastian. - ele diz ao perceber meu humor nada convidativo.
- Você não sabe do que eu preciso. - resmungo.
- Bem, talvez você precise matar alguém. - devolve.
- Isso não seria má ideia, sinto que isso aliviaria meu humor. - murmuro.
- Calma, eu disse isso brincando, não faça nada precipitado, lembre que não estamos aqui para chamar atenção. Além do mais, é meu aniversário e eu só quero me divertir um pouco. Faça isso, por favor. - ele pede em tom gentil.
Bufei novamente, mas fiz o meu melhor para suportar aquilo. Milão é uma cidade legal, mas eu não estou de bom humor e nada disposto hoje. Sinto uma inquietação maior que o normal e isso está me deixando nervoso e como se não bastasse, todo o barulho está me deixando mais nervoso.
Foda-se, vou sair daqui antes que mate alguém.
- Walter, aproveite a noite, estou indo. - aviso. Sem esperar uma resposta do cara que tinha a língua na boca de uma mulher, saí dali e desci as escadas apressadamente, alguns caras estavam observando o movimento do andar de cima e apontando pessoas, provavelmente escolhendo quem levaria para casa ou para qualquer canto desse lugar. Confesso que não seria uma má ideia aliviar o estresse no corpo de uma mulher ou duas, mas eu não estou sequer disposto a sorrir hoje. Com cara de poucos amigos, tentei sair o mais rápido possível, mas o lugar está cheio e a massa de corpos se mexe como se fosse um só.
Quase esbarrei em uma mulher que parou na minha frente, a centímetros do meu peito. Ela é realmente alta e sua cabeça chega no meu queixo, cabelos loiros, um vestido provocante, lábios cheios e vermelhos e um sorriso no rosto. Ótimo, ela faz meu tipo, se está sorrindo desse jeito, vai servir para o que tenho em mente.
Antes que eu pudesse fazer um movimento, ela segurou meu braço e se aproximou do meu ouvido. Senti seu cheiro doce e algo mais que chamou minha atenção, parece ser algo que eu já senti antes, mas não consigo pensar no que pode ser.
- Eu quero transar com você e quero duro e rápido. - diz acima do barulho alto.
Confesso que me surpreendeu a sua abordagem bastante direta e pela primeira vez na noite, eu sorri. Enlacei sua cintura imediatamente e mordisquei seu pescoço.
- Muito bem. - respondi e sem esperar sua resposta, peguei sua mão e a levei em direção à porta, ela me acompanhou sem resistência e isso me deixou mais satisfeito.
Do lado de fora, peguei meu carro e acelerei até o meu quarto de hotel. Ela não perguntou nada por todo o caminho, apenas acariciou meu pau por cima da roupa e lambeu os lábios como se estivesse faminta. Quando cheguei no hotel, minha ereção já estava quase explodindo fora da minha calça e seu leve toque me fez sibilar.
Não querendo fazer isso no carro, porque apesar de estar com pressa, ainda acho desagradável pra caralho transar no carro, é apertado e eu gosto de me movimentar e preciso de espaço para isso, por isso, estou levando-a para a cama enorme que tenho no andar de cima, não vai sobrar um centímetro daquele lugar intacto, eu vou tê-la por todo o lugar e só vou parar quando estiver satisfeito.
No elevador, tomei seus lábios nos meus e rodopiei minha língua por sua boca em uma carícia deliberadamente lenta, ela gemeu e levou minha mão para baixo de sua saia, pelo tecido da calcinha eu já soube que ela estava molhada e sedenta por mim, me separei dela no momento em que o elevador abriu no andar do meu quarto e segui apressadamente até a porta, enquanto abria a porta, ela se pôs atrás de mim e acariciou meu corpo com suas mãos rápidas e sedentas. Dei um gemido profundo quando ela voltou a apertar meu membro excitado e quando a porta se abriu, praticamente a arrastei para dentro e voltei a beijá-la com força. Eu não sou um cara de beijar muito, mas, surpreendentemente, eu quero fazer isso com essa mulher desconhecida, seus beijos são viciantes e eu fico mais excitado a cada movimento que a língua dela faz na minha boca, deve ser ainda melhor no meu pau.
Não percebi até que fosse tarde demais, temos companhia no quarto e eu não faço a mínima ideia de quem são.
Eu sou um maldito paranoico e sempre fico alerta, hoje não foi diferente, infelizmente, os beijos dessa mulher me deixaram um pouco relaxado demais e eu esqueci por um momento que não estou em minha própria casa, isto é, até o momento que percebi que as coisas não estavam do jeito que eu deixei.
Merda.
Não sei quem são esses filhos da puta, mas vão morrer por dois motivos, o primeiro é porque procuraram a morte e o segundo, é porque vieram e atrapalharam minha foda.
- Temos companhia? - ela pergunta subitamente.
Isso me surpreende, eu fico imediatamente desconfiado dela. Como diabos ela sabe?
Ela levanta os braços em rendição. - Eu não tenho nada com isso, só vi uma movimentação atrás de você. - sussurra.
- É melhor você ir embora. - aviso.
Não quero uma mulher histérica gritando e chamando atenção desnecessariamente.
- Eu vou ficar bem aqui, vá e faça seu negócio. Eu só saio daqui depois de gozar. - avisa e segue para o sofá calmamente.
Que diabos?
Me pergunto se ela está sob o efeito de alguma droga, ela não parece nada preocupada com intrusos ou o que pode acontecer a seguir.
- Se você contar o que vai acontecer aqui, eu te mato. - aviso friamente.
Não vai ser a primeira pessoa que eu mato, nem a primeira mulher.
- Não se preocupe, eu tenho a minha língua muito bem guardada e eu só uso para coisas essenciais, eu posso te mostrar depois. Oh, eu vou pegar isso emprestado por enquanto. - pega um abridor de cartas e continua sentada tranquilamente.
Confesso que não esperava esse desenrolar quando a trouxe para casa, mas agora, vou deixar que fique apenas porque estou muito curioso para ver qual será sua reação quando perceber que está prestes a foder em um lugar com gente morta bem do lado.
Me pergunto se essa fachada calma vai finalmente cair.
Peguei a pistola que estava guardada embaixo da mesa e verificando se estava carregada, segui cuidadosamente pelo corredor, encontrei meu primeiro alvo um pouco à frente e fui rápido em terminar com sua vida, ele não estava ali para conversar, seu objetivo estava claro quando apontou uma arma para a minha cabeça, infelizmente, eu sou mais rápido e atirei primeiro. O segundo alvo estava escondido no quarto atrás de mim e por muito pouco não me pegou, vi sua sombra no chão e me abaixei atirando, procurei apressadamente por mais algum idiota, mas não havia mais ninguém. Voltei para a sala me perguntando se ela estaria no mesmo lugar e não fiquei surpreso ao ver que não havia ninguém no sofá, caminhei silenciosamente checando se ela ainda estava no quarto e se havia mais algum intruso, encontrei-a na varanda, resmungando sobre alguma coisa, percebi o que era quando me aproximei mais. A luz estava apagada e estava ligeiramente escuro, mas a sombra no chão era inconfundível, um homem tinha o abridor de cartas enterrado na garganta e o todo o sangue no chão significava que ele já estava morto. Ela estava suja de sangue e reclamava sobre algo relacionado ao seu vestido novo, não havia indício de pânico ou medo, ela matou um homem com um abridor de cartas e está resmungando que seu vestido está arruinado.
Quem é essa mulher?
- Você terminou? - pergunta sem se virar na minha direção.
Porra, como ela me descobriu?
- Como sabia que eu estava aqui? - questionei realmente interessado em ouvir sua resposta.
- Senti seu cheiro. - dá de ombros e vem para mim.
- Você o matou? - pergunto apontando para o homem no chão.
- Foi em legítima defesa. - responde.
- Quem é você? - pergunto.
- Isso não é importante. Eu não vim aqui para conversar, eu quero sexo, do tipo selvagem e rápido. Se terminou, vamos prosseguir com o que estávamos fazendo. - diz e segue para dentro.
- Você não se importa com o que aconteceu? - continuo com as perguntas curiosas.
- Não. Você se importa se eu estiver suja de sangue ou prefere que eu tome um banho? - indaga.
Admito que estou tão surpreso que não sei exatamente como agir perto dessa mulher muito indiferente com a morte. Parece que tudo o que importa para ela é o sexo.
Foda-se, isso é um pouco excitante, é a primeira vez que encontro uma mulher como ela e estou curioso e interessado. Ela chamou minha atenção, estou totalmente focado nela.
- Não me importo. - respondo sua pergunta.
- Perfeito. - começa a tirar a roupa como se não fosse nada.
Há respingos de sangue em sua pele, mas ela parece não se importar com isso enquanto se despe tranquilamente. Fico observando como um idiota enquanto ela faz isso e depois se aproxima devagar até estar na minha frente.
- Você está usando roupas demais. - começa a desabotoar minha camisa e depois desafivela o cinto enfiando a mão por dentro da minha calça e agarrando minha ereção com firmeza. Porra, estou muito excitado agora, é uma situação bizarra, mas eu sou um filho da puta estranho, então era de se esperar que eu continuasse excitado.
Quando ela se ajoelhou e colocou meu pau em sua boca bonita, fechei os olhos e gemi.
Perfeita, foi isso que eu pensei, essa mulher é perfeita.
Rebeca
Quando eu disse que queria fazer sexo, eu falei realmente sério e nada poderia me impedir de extrair prazer desse belo homem, nem mesmo caras estranhos que aparentemente invadiram o lugar onde ele estava dormindo. Não esperava ter que usar o abridor de cartas, realmente não esperava, mas quando eu vi uma movimentação estranha do lado de fora da varanda, eu soube que ia precisar, não estou confortável com a ideia de ser baleada na hora do sexo. Falando nisso, meu humor está azedando rapidamente por causa da frustração sexual.
É pedir demais uma noite de sexo alucinante sem alguém tentando me matar ou ferir de alguma forma?
Bem, parece que é.
Quando eu abri a porta da varanda e saí inocentemente, fingindo que ia tomar um ar, senti a presença atrás de mim poucos segundos depois.
- Não se mexa. - alguém sussurra.
Fiquei quieta e não me virei em momento nenhum, continuei ocultando o abridor de cartas, feliz por estar um pouco escuro e a visão ser limitada. Quando o movimento da mão que segurava a arma vacilou por um segundo, fiz um rápido movimento e com a força certa, me abaixei e virei em rápida sucessão, cravando o abridor de cartas na garganta do homem e jogando sua arma para longe imediatamente. Essa não é a primeira vez que faço isso e não será a última, infelizmente, o desgraçado se debruçou por cima de mim e sujou meu vestido, eu gosto muito dele, me deixa com uma bunda bonita e agora pode estar arruinado por causa desse idiota.
Chateada, joguei seu corpo inerte no chão e o chutei, logo depois resmunguei acerca do estado atual do meu vestido enquanto checava rapidamente se estava muito sujo ou não.
Que droga.
Senti o cheiro do cara gostoso e me perguntei se ele estava por perto ou era só minha imaginação. Com minha visão periférica, percebi um movimento vindo da porta que leva para dentro do lugar e percebi que ele me observava em silêncio. Espero que ele não tenha muitas perguntas, porque eu não vou responder nenhuma delas, tampouco vou perguntar, não foi para isso que vim.
Deixei isso claro quando as perguntas começaram e resolvi apressar as coisas quando comecei a tirar a roupa, nada melhor do que ficar nua para desviar de suas perguntas.
Eu o chupei com toda maestria que reuni ao longo dos meus trinta e um anos de vida. Me dediquei e espero com todas as forças que ele devolva o favor, já estou frustrada o suficiente, se ele não fizer o mesmo por mim, vamos ter um problema sério. Eu sou exigente na cama, faço bem para receber da mesma forma. Esse é o meu lema na cama e quando isso não acontece é um problema que trato com seriedade.
- Minha vez. - foi o que ele disse quando gozou na minha boca.
Fiquei imediatamente animada e até esqueci que um cadáver estava na varanda na nossa frente.
O senhor gostoso, me levou ao sofá e me chupou com a mesma dedicação que fiz. Puxei seus cabelos fartos e gemi enquanto rebolava em sua boca. Não demorou até que eu gozei, respirei pesadamente e sorri de forma relaxada enquanto ele me pegava nos braços e me levava para o quarto. Ele ainda está vestido, mas eu pretendo mudar isso no momento em que voltar a sentir minhas pernas novamente. Não sei quem é esse homem, mas ele tem uma boca mágica, posso atestar isso com sinceridade.
Ele me deitou na cama de forma delicada e se despiu na velocidade da luz, e logo estava em cima de mim novamente, dessa vez, ele se dedicou a beijar e mordiscar cada parte do meu corpo, eu só pude gemer impotente enquanto ele fazia seu ataque lento. Logo eu estava ligada novamente e com um pequeno impulso, empurrei-o para o colchão e montei-o imediatamente. Sem perguntar nada, encaixei seu pau em minha entrada e desci com força. Ele é enorme, e eu me sinto muito cheia agora, é quase doloroso, mas tão bom que o gemido longo que sai do fundo da minha garganta é prova suficiente do quão satisfeita estou nesse momento.
Me posicionei e subi e desci em um movimento rápido, quase frenético. Suas mãos estavam nos meus quadris e apertavam com força, me abaixei e mordi seu pescoço com força enquanto ele se movimentava embaixo de mim, gememos como dois loucos, e seguimos dessa forma frenética até que encontramos a libertação um depois do outro. Caí em cima dele com a respiração acelerada, mas satisfeita. Esse foi o sexo mais intenso da minha vida, foi o melhor que eu já tive e acho que estou um pouco apaixonada por esse cara. Certo, talvez seja só o meu corpo extremamente satisfeito falando. Enfim, eu poderia me apaixonar por ele, corro perigo. Ele é meu tipo ideal, bonito, perigoso, tatuado e faz sexo como ninguém.
Corro sério perigo de me apaixonar, mesmo que seja só por alguns dias.
Sim, sou volúvel dessa forma.
Eu estava longe de terminar com ele e realmente queria continuar ali, mas dando uma olhada rápida lá fora, percebi que não ia demorar para amanhecer e eu tinha compromissos durante todo o dia, compromissos importantes que não podem ser adiados por causa de uma foda alucinante. Levantei em seguida e comecei a vestir minha roupa sem dizer uma palavra, foi ótimo, mas eu não posso mais ficar, é melhor ir embora o mais rápido possível, o dia seguinte é sempre embaraçoso e eu estou fora disso.
- Você já vai? - pergunta enquanto me segue para a sala, onde eu procuro minhas roupas e me visto.
- Tenho coisas para fazer e não vai demorar para amanhecer. - respondo.
- Você poderia ficar e podemos ter mais uma sessão de sexo, não vai ser um problema. - oferece.
- Seria ótimo, mas eu não posso. Realmente preciso ir. - procuro minha calcinha, mas não sei onde ela está e não quero perder mais tempo aqui, sinto minha determinação vacilar diante de seu convite despretensioso. - E não se preocupe, não vou falar nada sobre os visitantes dessa noite, espero que esqueça que eu matei um deles e limpe isso de forma silenciosa e de forma que eu não seja envolvida, seria um problema desagradável de lidar. - termino de me vestir e apanho minha bolsa.
Ele segura minha mão e parece muito interessado em me olhar, seu olhar me devora como se eu ainda estivesse nua.
- Você vai dizer seu nome? - pergunta.
- Não. Nosso encontro foi ótimo e eu adoraria ficar para mais, mas o dever me chama. Talvez nos encontraremos novamente um dia, bonitão. - dou-lhe um último e caprichado beijo e o deixo atordoado me observando enquanto abro a porta e vou embora.
Peguei um táxi até o meu apartamento, não muito longe dali e no caminho, senti uma emoção estranha ao pensar no homem e um pouco de arrependimento por não ter perguntado seu nome ou pegado seu número para contato. Acho que deveria ter feito isso, mas não fiz, agora se nos encontrarmos novamente, será puramente obra do acaso e eu confesso que, apesar de não acreditar muito no acaso, estou torcendo para que isso aconteça, não vou negar, eu quero vê-lo novamente, não só apenas ver, fazer o que fizemos hoje e muito mais.
Ao chegar em casa, dormi algumas horas e acordei com Ben, batendo na porta do meu quarto e chamando insistentemente. É nesses momentos que me arrependo amargamente de ter entregado a chave reserva para ele. O desgraçado sempre aparece quando estou dormindo e praticamente derruba a porta do meu quarto me obrigando a sair da cama, mesmo que eu não queira.
Esse merdinha, eu vou pegá-lo.
- Já acordei, porra! - grito enquanto atiro meu sapato da noite passada na porta.
Visto uma camisa enorme e um pijama e me arrasto para fora do quarto, dando um último olhar de saudade para a minha linda e adorada cama. Meu corpo todo dói e eu tenho certeza que há algumas marcas da minha aventura sexual ontem, não que eu me importe, já acostumei em cobrir tudo com maquiagem, leva um tempo extra, mas não é difícil de fazer.
- Finalmente saiu, pensei que estava morta e estava prestes a arrombar e porta. - ele me entrega uma caneca cheia de café fumegante e muito forte.
- Eu cheguei tarde. - resmungo como se isso explicasse tudo e talvez explique junto com minha aparência atual.
- Vejo que a noite foi boa, talvez mais satisfatória que a minha. - zomba.
- Foi sim, agora, porque diabos está na minha porta a essa hora? - pergunto.
- Você sabe que temos trabalho a fazer. Suspeitei que você precisasse de tempo extra para se arrumar e vim uma hora mais cedo que o combinado. - diz.
- O que vamos fazer hoje? - pergunto em meio a névoa de sono.
- Temos aquela missão que você vem se preparando há dois meses. - diz.
- A do clube, com aquele velho? - pergunto apenas para conferir se estou lembrando corretamente.
- Sim. Você treinou por dois meses para se aperfeiçoar para o papel, precisa fazer isso bem. - avisa.
- Não se preocupe, eu sei como chamar atenção quando quero e não vai ser difícil, todos sabem que aquele velho adora uma novidade e essa noite eu serei exatamente isso. - garanto.
- Perfeito, vamos nos preparar, o dever nos chama. - diz.
- Certo. - suspiro e dou um último gole no meu café antes de ir preparar um banho.
Como esperava, meu corpo está repleto de marcas de mordidas e também dos dedos daquele cara, sorrio satisfeita e começo meu dia de trabalho.
Quando a noite caiu, eu já estava totalmente pronta, como sempre, Ben vai me dar suporte e observar o ambiente enquanto eu faço a parte principal da missão. Nosso trabalho de hoje, consiste em pegar um velhote asqueroso, um banqueiro muito conhecido, mas que leva uma vida dupla e adora trair a esposa, a pessoa que solicitou o trabalho alguém próximo da esposa dele, que quer vê-la livre e desimpedida para fazer tentar um relacionamento com ela. Por isso, eu vou atuar como uma dançarina de pole dance e me apresentar na frente dele hoje, vou atrair sua atenção e fazer uma dança privada quando for solicitada, vai ser naquela sala que eu vou terminar o trabalho de forma espetacular e nada suspeita.
- O palco está pronto e nosso alvo está em seu lugar. Vamos começar. - Ben avisa. Respirei fundo e entrei no palco e a primeira coisa que vi quando comecei minha apresentação, foi uma figura inesperada ao lado do meu alvo. Praguejei mentalmente e quase quis me esconder, mas já é tarde demais, ele já me viu, estou disfarçada e espero que ele não me reconheça, caso contrário, as coisas podem tomar um rumo inesperado.
O senhor gostosão está aqui.