Portanto, eu digo: Tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim sucederá.
Marcos 11:24

Estava no trabalho como de costume, porém diferente dos outros dias, hoje era um dia especial, estava animada para ir na igreja, Deus ouviu minhas orações e o justo juiz resolveu atender minha causa.
Hoje teria oração e consagração para os solteiros. Vou me certificar do pastor derramar muito óleo ungido na minha cabeça e fazer um descarrego, porque só pode ser o maligno querendo amarrar minha vida sentimental.
E dessa vez! eu Marina vou desencalhar! ouvi um amém? Afinal de contas, tenho diminuído bastante minhas exigências do que seria o homem perfeito. O que Deus trazer para mim está bom. (espero que ele traga um homem alto, forte, atencioso e bonito) Brincadeirinha. Se tomar banho já está bom.
O que importa mesmo é o caráter, claro que tem que ter seu charme, porque se eu não me sentir atraída fisicamente por ele, teremos problemas. Será que tenho charme? E se ninguém se sentir atraído por mim? Balanço a cabeça freneticamente, não quero pensar nisso!
Eu não sou uma mulher, que digamos, como é aquele ditado? de parar o trânsito e pensando bem, alías é bem capaz de me atropelarem nele, mas não sou tão ruim, ou será que sou? Afinal porque estou tão encalhada mesmo? Definitivamente, cheguei à uma conclusão, eu não escolhi esperar, foi o esperar que me escolheu.
___Marina Cuidado! Meu chefe soltou um berro, derrubo a jarra de água que estava na minha mão espalhando cacos de vidros pelo chão. Ele puxou meu braço com força me afastando do fogão e apagando o fogo.
___Garota! Quer provocar um Incêndio no meu restaurante? Eu pedi para jogar água na pia, não na panela com óleo fervendo.
Olhei para frigideira com óleo quente e me assusto ao perceber o que estava preste a fazer. Valha me Deus!
__Me desculpe Senhor! Juntei as mãos. __Sinto muito, prometo que vou limpar esses cacos de vidros imediatamente. Estou prestes a me abaixar e me impede.
__Esquece Marina, Vá atender os pedidos que cuido disso tudo, ou vai acabar se cortando e trazendo ainda mais prejuízos. - Esfregou o rosto.
__Está bem Senhor. Vou ir imediatamente. - Fiquei olhando pegar os cacos com medo dele se cortar.
__Então vá! o que está esperando! Gritou me assustando. - Assenti e me retirei correndo para minha segurança.
Comecei atender os pedidos e dei uma olhada ao redor do restaurante, que especificamente hoje estava lotado, parece que as coisas estão melhorando.
___Marina! Olha para nós, estamos aqui. - Vitor acenou animado de forma exagerada como sempre, levando um tapa na mão da minha amiga envergonhada. Eles formam um casal fofo devo admitir.
__ O que devo a honra dessa visita esplendorosa? Brinco curiosa.
__Adivinha? Vitor foi promovido no trabalho. - Ele balançou a cabeça sorrindo.
__Sério? Vitor isso é incrível!
__Sim, Mari! Arranhou a garganta.
__Prazer Vitor Ramos, Secretário geral. - Fez uma voz grossa bancando uma pose elegante e rimos.
__Marinaaa! Cadê você? Meu chefe bradou novamente, coloco os dedos no ouvido. Não sei como ele não espantou todos os clientes com esses gritos. Deve ser pelo seu talento culinário e sua comida de lamber os beiços.
__Quais são os pedidos de vocês? Ou daqui a pouco vou ser promovida de garçonete a desempregada. - Fiz uma careta e eles sorriram.
Terminei de anotar os pedidos dos meus amigos, e entreguei ao meu chefe. Continuei entregando os pratos nas mesas que lhe correspondem, meus olhos se desviaram um segundo para porta, e avistei Alex entrar com uma mulher linda e elegante, ele
também estava impecável de terno azul, parecia estar arrumado para um encontro, seria essa a nova namorada dele? Ah não acredito! poderia jurar que ele era o prometido de Deus para mim. É um dos poucos homens de Deus solteiros e que ainda presta, essa natureza divina se encontra em extinção a um bom tempo, e agora? O que vai ser de mim? Certamente se minha vida amorosa fosse um filme, teria passado de uma "Missão quase impossível " para " A espera de um milagre"
Sorte minha que Deus é especialista em milagres. É isso Marina! nada está perdido!
Levantei o queixo com a bandeja de macarrão ao molho bolonhesa que estava com uma cara ótima, segui confiante para mesa dos meus amigos, quando de repente, sem que eu perceba, uma criança sai do nada debaixo de uma das mesas e acabo por tropeçar nela fazendo com que a bandeja de macarrão voe das minhas mãos, derramando todo o molho no vestido impecável da mulher elegante que estava junto com Alex.
Ela soltou um grito estridente que assusta todos os demais clientes, começa a limpar seus braços sujos de molho. Arregalei os olhos me apoiando na mesa, torcendo para isso ser algum tipo de imaginação da minha mente e não uma verdade. Nem consigo encarar o Alex tamanha vergonha alheia, que sinto por mim no caso.
___Marina o que você fez?!
Meu querido chefe pergunta e aperto os olhos com força.
__É oficial, acabo de ser promovida.
Corri imediatamente na outra mesa, e peguei alguns guardanapos retornando
para ajudar a senhorita se limpar.
___Me perdoe senhorita, não foi minha intenção. - Segurei seu braço a limpando, quando vejo um anel brilhante em seu dedo. Nossa! isso deve custar uma fortuna e agora está todo sujo de molho. Segurei sua mão tentando arranca-lo.
__Garota! o que pensa que está fazendo? Está tentando me roubar?
__O que? claro que não! Eu quero apenas limpa-lo para a Senhorita. - Me defendo chocada. Percebi que alguém não parava de rir, olhei para o lado encarando o Alex que estava com as duas mãos na barriga tentando respirar.
__Alex para de rir, está me irritando.
__Desculpa. Mas devo admitir que essa situação é muito cômica. - ela o fuzilou com olhar arrumando sua postura. Olhei para ele sorrindo, gostava desse jeito descontraído dele.
__Por favor Senhorita. Me empresta seu anel e irei traze-lo limpinho e brilhoso. - Insisti e me olhou impaciente.
__Que seja! Ande logo mocinha, e se demorar, vou ser obrigada a chamar a polícia.
__Não é para tanto Fernanda. Então esse é o nome dela.
__Obrigada! Seguro seu anel e vou correndo para os fundos limpa-lo. Enquanto meu chefe pede mil desculpas pela garçonete desastrada dele e com certeza vai oferecer comida por conta da casa.
Vou ao toalhete e procuro algo para limpar o anel, me lembro do vidro de sabonete que guardei no armário. Depois de encontrar, molhei o anel na pia, que parece custar meu rim esquerdo; vislumbro as pedrinhas que parecem diamantes, é um anel lindo de noivado, quando eu usaria um desses? Por curiosidade resolvo experimenta-lo no dedo, o colocando, e entra com certa dificuldade, olhei para minha mão abobalhada, até que ficou bonita! apontei para o espelho. Pena que Alex já arrumou sua noiva e para meu azar não sou a escolhida. Suspiro pesadamente tirando o anel.
__ Não, espera! porque não quer sair? __Não, por favor não. Puxei de novo quase arrancando meu dedo junto e o bendito anel não sai por nada nesse mundo. Respira Marina, Respira!
Olhei para o sabonete, com certeza com sabonete vai ficar escorregadio e sair. Brilhante ideia Marina!
Coloquei muita espuma na minha mão e tentei puxa-lo com toda força, tentei uma, duas, e na terceira vez o abençoado resolveu sair, escorregando dentro da pia rodopiando, elevei minha mão afobada para pega-lo, mas é tarde demais, porque acabou deslizando para dentro do ralo.
___Nãoo! isso só pode ser brincadeira! Tirei o grampo do cabelo para desenrosca-lo, resultado? enrosca ainda mais. Estou perdida Senhor! Deitei a cabeça na pia contando até dez para não surtar, esse com certeza é algum daqueles dias maus que o Senhor falou? Com certeza deve ser.
Joguei uma água no rosto alisando meu uniforme tentando me tranquilizar, saiu de fininho do toalhete. Meu chefe ainda está tentando contornar toda situação desastrosa.
Meus olhos encontram com os do Alex , que estava do outro lado do restaurante, acenei desesperada o chamando. Ele pediu licença e veio na minha direção.
__O que houve Marina? Já limpou o Anel? Perguntou tentando ocultar um sorriso.
__Sim, ele está limpinho, até demais. Mas houve um pequeno probleminha. - Digo nervosa. __ Acredito que sua namorada não vai gostar nada quando souber.
__Ela não é minha namorada, mas isso não vem ao caso. " há vem sim, obrigado Deus!
__Me diz qual é o problema?
__É que, como pode ver eu peguei o anel e estava lavando na pia do banheiro, para ficar bonito e limpo, então eu vi que era muito lindo, nunca vi algo tão lindo na minha vida, acho que todos sabem que quero me casar um dia, você quer se casar também não é Senhor Alex?
__Marina, vai direto ao ponto. - Acenei concordando.
__Então, o experimentei no meu dedo, mas não foi para roubar, eu só queria saber como ficava, mas acho que ele ficou apertado demais, o que é estranho porque até que ele coube perfeitamente, e então tentei tira-lo e a adivinha? não saia de jeito nenhum! E foi então, que tive a brilhante ideia de usar o sabonete.
__Você chama isso de brilhante ideia? o fuzilei com olhar. __Continue.
__ Ele saiu com o sabonete, funcionou veja só. - Ri nervosa.
__Que bom. Então cadê o Anel? Estendeu a mão.
__Ele está aqui dentro, venha. - Peguei sua mão o arrastando para o banheiro. Apontei para o ralo da pia e encara o objeto chocado.
__Foi um acidente Alex, ele escorregou e tentei pega-lo eu...
__Calma Marina! Estou pasmo, como consegue ser tão desastrada? Sorrio arqueando a sobrancelha.
__E agora? O que faremos?
__Bom, tudo que podemos fazer é contar a verdade a Fernanda e dar um jeito de pagar alguém para vir tira-lo, está bem? Mordi o lábio inferior concordando.
__Ela vai ficar brava, não é mesmo?
__Relaxa, vou explicar para ela como as coisas aconteceram. Ele passou a mão na minha cabeça me tranquilizando. Alex explica tudo para senhorita Fernanda, que não gostou nada da situação, mas acabou aceitando.
__Marina, esse é seu nome, não é? - Balanço a cabeça concordando.
__Amanhã vou mandar um encanador vir tirar meu anel. Espero que me entregue pessoalmente nesse endereço, se eu não estiver em casa entregue para o Alex ou para meus sogros. - Me entregou o papel e seguro firme.
__Como quiser. - Sorri envergonhada.
__Vê se não perde o papel também. E muito cuidado com minha aliança, como sabe, seu trabalho não seria o suficiente para paga-la.
__Se ainda tiver um trabalho. - Meu chefe interrompeu e apertei os olhos. Eles se despedem e vão embora, vou trocar meu uniforme porque está claro que estou demitida, hoje definitivamente não é meu dia. O Dobro com cuidado guardando no armário, pegando minha bolsa tristemente.
__O que te deu hoje Marina? Sempre foi desastrada, mas hoje passou dos limites. - Me deu bronca.
__Eu sei, sabe o que é? Estava empolgada e quando fico empolgada fico desatenta me desculpe. Estou demitida, não é? O que vou fazer tenho tantos boletos para pagar, meus pais estavam tão felizes por mim. Se eu não tiver um marido preciso pelo menos trabalhar, agora solteira e desempregada é muita humilhação.
__Marina.
__E se eu tiver um namorado? Não vou ter dinheiro para comprar presente nos dias dos namorados. Isso é humilhante. - Abaixei a cabeça.
__Marina, chega de resmungar está bem? Vou te dar uma última chance.
__ Sério? Obrigada chefe! dessa vez não vou desaponta-lo.
__Assim espero. - Sorrio gentilmente.
Cheguei em casa mais cedo do que de costume, por volta das sete, e o culto iria começar as nove da noite, normalmente chegava as oito, meu corpo físico estava se sentindo exausto e louco para cair na cama. Para não trair a atenção dos meus pais e não ter que responder tantas perguntas, abri a porta da sala sorrateiramente, mas para chegar no meu quarto passava obrigatoriamente em frente a cozinha.
Abaixei o tronco andando devagar, e tentando fazer o mínimo de ruído possível. Mas ao passar pela porta, percebi que todo meu cuidado foi inútil.
__Marina, vai para onde? Chamou minha mãe que estava de costas mexendo algo no fogão. Sério, esse dom das mães de sentir a presença dos filhos sem vê-los me dá arrepios. Levantei os ombros, e girei meu corpo roboticamente entrando na cozinha. Deixei a bolsa na cadeira.
__Mãezinha! Que cheiro maravilhoso, como adivinhou que minha barriga estava roncando? - A abracei por trás carinhosamente.
__Por que já está em casa? Não chega sempre as oito? - Grunhi tentando esquecer o motivo de estar aqui.
__Vou tomar um banho, depois eu te conto tudo prometo. - Beijo seu rosto.
__Eu sei que vai contar.
Depois de contar tudo nos mínimos detalhes, fomos para igreja, afinal de contas estava cansada fisicamente, mas não a ponto de perder a oração tão esperada da noite.
__Por favor, moças e rapazes solteiros venham aqui na frente para orar. Nem preciso dizer que fui a primeira a levantar, não é? e dessa vez tenho certeza que minha oração vai ser respondida.
Primeiro capitulo saiu. Beijos 😘
Em sua alma, o homem planeja seus caminhos, mas o SENHOR é quem determina seus passos.
Proverbio 16:9🌼
O pastor derramou o óleo ungido na minha cabeça, na verdade ele apenas pingou duas gotinhas, duas gotinhas? Será que isso seria o suficiente? Por via das duvidas agarrei o jarro da sua mão.
__ Desculpa Pastor, mas acredito que deveria derramar mais um pouquinho não acha? Dá ultima vez fez a mesma coisa, e veja bem, ainda estou solteira. - Ele abriu um sorriso confortante e retirou o jarro da minha mão com força.
__Marina, isso é mais do que suficiente, lembre-se que te disse, o azeite é apenas um ponto de contato, o milagre quem vai opera-lo é Deus, mas para isso acontecer, não pode haver ansiedade ou dúvidas compreendeu? - Acenei a cabeça envergonhada.
Sabia que o Pastor tinha razão, lembrei de ter lido a historia de marta e maria, foco marina, não fique ansiosa.
O culto continuou normalmente, e foquei toda minha atenção em obedecer e procurar entender a palavra de Deus, bom, pelo que tinha entendido do Pastor, esperar em Deus não é ficar de braços cruzados, se Moises não vai a montanha a montanha vai até Moises.
Logo depois da reunião, vi Alex com seus pais cumprimentando algumas pessoas. Agarrei o braço da minha mãe imediatamente.
__Deveríamos cumprimentar os pais do Alex. Eles são nossos irmãos de igreja. - Dou meu melhor sorriso e minha mãe me fitou desconfiada.
__Ainda está com essa paixão platônica pelo Alex filha? Ele te vê apenas como uma irmãzinha, vocês brincavam juntos na escolinha, se ele nunca teve sentimentos por você até hoje, não acho que ira mudar.
- Ela tentou me convencer, continuo olhando para frente sorrindo amigavelmente para todos.
__Mãe, nada é impossível para Deus. Olha para cá! vamos Alex, em nome de jesus. - como magica seu pescoço girou na minha direção e levantou a mão nos chamando.
__ Viu só? Deus está ouvindo minhas orações. - Falei para minha mãe convencida a arrastando na direção deles.
__Marina, que bom que está aqui, hoje foi um dia e tanto não acha? Você conseguiu me deixar de bom humor o dia inteiro. - Ele analisou minha expressão e depois sorrio. Talvez seja pelo suspiro dramático que dei.
__Que bom que seu humor melhorou depois da minha ruina. Estou imensamente feliz. - Seu sorriso ampliou.
__Não se chateia furacão Marina, estou dizendo que sua presença me faz feliz. - bagunça meu cabelo e cruzei os braços fazendo bico.
__Não me chame assim. - Retruquei emburrada e ele ri. Alex tinha colocado meu apelido, o qual eu detesto de furacão Marina. Depois de descobrir que existe um furacão com meu nome? Vê se pode isso ? A terra é tão injusta.
__ Tia, a Marina contou a senhora o que ela aprontou hoje no restaurante? Era a forma carinhosa como Alex chamava minha mãe.
__Sim querido, posso imaginar, já disse para ela tomar cuidado e ser mais atenta no trabalho. - Me dá bronca.
__ Pode deixar.
__Alex, temos que ir querido, seu irmão deve estar nos esperando para comemorar seu noivado. - Seu pai disse educadamente. Ergui meus olhos surpresa
__O chato do Seu irmão mais velho está aqui? Seu pai me lançou um olhar confuso.
__Quero dizer, o seu não tão agradável irmão, está aqui na nossa cidade? - Reformulei a pergunta.
O irmão mais velho do Alex é alguém que não tenho muitas lembranças agradáveis, me lembro que quando Alex e eu brincávamos na escolinha, esse irmão dele sempre acabava me dando bronca e me xingando quando eu derrubava alguma coisa sem querer, ele era realmente assustador, uma vez ele me irritou tanto, fazendo um desenho na lousa zombando de mim, que quando a minha mãe não estava na sala, para quem não sabe, ela foi tia da escolinha por muitos anos, peguei o apagador de madeira e atirei contra ele acertando bem na sua testa, foi a única vez na vida que acertei um alvo e valeu a pena, porque Alex disse que ele tem a cicatriz até hoje. Contudo, não me interpretem mal, eu já o perdoei.
__Sim, ele está noivo e vai se casar em breve. Está fazendo um churrasco comemorando.
__Porque vocês não passam lá? Ele vai adorar rever vocês. - Seu pai nos convida carismático.
__Não obrigada , dessa vez eu passo, estou muito cansada e só quero cair na cama e dormir. - Abri a boca simulando sono. Minhas contas de tragédia já tinha passado dos limites, vai que ele não mudou nada, e continua sendo o mesmo garoto arrogante de sempre. Sem contar, que não quero estragar sua digníssima festa de noivado.
__Marina tem razão Francisco , fica para outra hora.
__É uma pena, ele iria amar te ver de novo. Aposto que não ira te reconhecer, ao ver como cresceu e está bonita. - Alex comentou e meu sorriso abriu imediatamente.
__Está exagerando! - Dou uma risadinha tampando a boca.__Acha mesmo que estou bonita? Levantei a sobrancelha duas vezes. Ele curva os lábios em um sorriso.
__Sim, é uma das meninas mais lindas que já vi. - Agarrei o braço da minha mãe escondendo o rosto envergonhada.
__ Você ouviu isso mãe.. Susurrei somente para ela ouvir, continuo rindo envergonhada
__Veja só essa menina, foi ouvir um elogio e se comporta toda estranha.
__Deixa ela Tia, Marina é pura como uma criança, por isso que farei questão de ficar de olho quando seu namorado aparecer. Afinal, sou como seu irmão mais velho. - Meu sorriso morreu imediatamente.
__Vamos embora Agora! Puxei o braço da minha mãe a arrastando para fora.
__Ei garota espera! Me deixa despedir de todos.
__Não, mãe você ouviu aquilo? Por acaso você pariu aquele moleque? Tem sangue dele correndo nas minhas veias para se nomear a meu irmão mais velho?! Era só o que me faltava!
__Eu te avisei, disse que ele não te vê da mesma forma, não disse? Fechei minha expressão.
__É talvez tenha razão. - Me forcei a concordar com ela, pelo menos por um momento.
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O despertador toca as seis da manhã , com um louvor muito motivacional para começar o dia bem.
Me espreguicei, em seguida abri um olho seguido de outro, e percebo o celular no criado mudo ao lado, estico a mão ainda sonolenta e desligo o aparelho. Literalmente salto da cama, ainda descabelada, vou escovar os dentes enquanto analiso meu rosto no espelho, joguei uma agua para melhorar a cara de cansada, e retornei para o quarto para fazer minha oração, em seguida fui tomar um banho e me arrumei para chegar ao restaurante. Minha casa é pequena, tem dois quartos, uma sala, cozinha, corredor e o banheiro. Sou filha única, então como podem perceber a única responsável pela bagunça e destruição da casa sou eu mesmo. Nessas horas um irmão faz falta, sabe, para ter alguém em quem colocar a culpa. Tomei meu banho rapidamente, e fiz um coque no cabelo, não tive tempo de me maquiar, então tomara que meu futuro marido não resolva aparecer no restaurante justo hoje e me pegar desse jeito. Deus sou eu de novo! Não deixe meu futuro marido me pegar tão horrivel e despreparada hoje, Amém! Como tinha que pegar o ônibus que era dois quarteirões da minha casa, tomei o café da manha rapidamente.
__Bom dia Mãezinha querida! Já estou de saída. - Dou um beijo em seu rosto pegando a bolsa.
__Não vai comer nada? Vai acabar desmaiando de fome.
__Estou bem, vou comer alguma coisa no restaurante, fica tranquila. __ cadê o papai?
__ Está trabalhando no jardim do vizinho.
__Assim, manda um abraço para ele. E diz que vou tirar uma folga para ajudar com o jardim de casa. Se tinha algo que eu amava era flores, sou totalmente apaixonada por jardinagem, assim como meu pai. É um hobby para mim.
Andei pelas ruas checando minha bolsa, não queria esquecer nada, felizmente estava tudo certo, sentei-me no ponto de ônibus e o aguardei chegar, tomara que tenha um lugar vago para mim sentar, uma das coisas ruins em morar em área pobre é que geralmente é um dos ultimos lugares onde o ônibus passava, e geralmente estavam lotados. Minutos depois ele estacionou e subo com cuidado.
__Marina! O motorista me comprimentou. Então, eu sou famosa por aqui, e não queira saber o motivo. De longe avistei dois bancos vazios e um sorriso se abriu em meus labíos.
__Anda senhor Gaspar! Bati o pé pedindo o troco. Ele entregou sorrindo e peguei guardando na bolsa, andei depressa até o banco vazio, mas alguém me empurrou para o lado se sentando.
__Aqui já tem gente. - Um garotinho abriu um sorriso zombeteiro para mim.
__É.. eu já vi. - Fiz uma careta e me virei olhando para o outro banco vazio. Vejo uma menina na fila e o garotinho gritando para ela.
__Corre! anda logo, tem um ali. - Dessa vez não garotinho. - usei todas minhas forças e corri rapidamente sentando no banco vazio.
__A Senhora já sentou, me deixa sentar com você . - Veio andando cabisbaixa e olho para ele triunfante.
__Está bem. - Suspira derrotado.
Espera? Senhora? Quem é senhora aqui? Só tenho vinte e poucos anos. Ainda estou na flor da idade, tempo de casar e ter filhos.
O ônibus seguiu lotando de gente a cada ponto que parava, quando uma senhora que aparentava ter um setenta e poucos anos entrou, se segurando na barra bem no começo do ônibus, esperei para ver se alguém iria lhe oferecer assento, e como ninguém tomava iniciativa . Me levantei com cuidado segurando para não cair.
__Senhora, tem um banco vazio ali. Pode ir se sentar, é desconfortável ficar em pé. - Ela observou meu rosto.
__Obrigada criança. - Abriu um sorriso grato e segurou meu rosto.
__Venha! eu te ajudo. - A ajudei ir até o assento e peguei minha bolsa para ela se sentar. Fiquei em pé segurando na barra de cima, enquanto uma alça da minha bolsa insistia em deslizar do ombro, volta e meia tinha que levanta-la.
Porém, não sei o que aconteceu ou como aconteceu, mas o ônibus passou em um buraco bem na hora que tirei a mão do ferro para arrumar minha bolsa, resultado? Acabei caindo sentada no colo de alguém. Fechei os olhos com força, que seja da senhorinha! que seja da senhorinha!..
__Psiu! Garota, o que pensa que está fazendo? - A voz grossa e assustadora de um homem surgiu, me levantei imediatamente.
__Me desculpa, mil perdoes senhor, eu me desiquilibrei, desculpa . - Juntei as mãos envergonhada enquanto ele me encarava de forma nada amigável, ele tinha cara de ter quase uns trinta anos, ou talvez seja mais velho que isso, tinha cabelos castanhos compridos amarrados num coque estranho, ombros largos , uma barba daquelas que Moises usava na novela, que antes eu não gostava, mas confesso que comecei a mudar de ideia, é realmente charmoso, também parecia ser forte e alto, pela forma como estáva vestido, parecia que trabalhava de encanador ou algo desse tipo.
Também avistei uma caixa de ferramentas no chão ao seu lado. Sua cara é bem assustadora. Porque homens bonitos tem que ter expressoês assustadoras?
__Mocinha, já terminou sua analise ou vai continuar parada na minha frente!? E ainda por cima pisando no meu pé? - Eu olhei para baixo e percebi que realmente estava pisando no seu pé.
__Por favor, me desculpe Senhor. Não foi minha intenção, eu juro. - Me afastei tomando distancia pegando minha bolsa. Ele assentiu com um meio sorriso, voltando a olhar para janela e colocando seu fone de ouvido, ignorando assim, totalmente minha existência.
Fiquei distraída olhando ao redor, quando o ônibus finalmente parou aonde eu tinha que descer, ajeitei minha bolsa e segui andando devagar até a porta, o ônibus fez um ótimo movimento desnecessarío e quase caiu para trás de novo, se não fosse uma mão forte apoiar minhas costas.
__Tome cuidado. - Uma voz grave surgiu me assustando, demonstrando que a pessoa estava bem perto de mim.
__Desculpe. - Sussurrei sem olhar para trás.
Desci do ônibus com cuidado, continuei andando rumo ao restaurante, coloquei a mão na testa ao lembrar do mico que passei no ônibus, Marina porque você é assim? Não tem um único dia que você não vai passar vergonha? Continuei andando quando vejo uma garotinha passar com um cachorrinho peludinho fofo e meus olhos a seguem, é daqueles miniatura que parece de brinquedo, parei na calçada e girei o corpo acompanhando o cachorrinho com o olhar, quando meus olhos foram de encontro ao homem do ônibus, que estranhamente vinha andando atrás de mim, agora ele está com óculos escuro e boné. Ele está me seguindo? Meu deus! e se ele for um maníaco disfarçado? E não gostou de lhe ter pisado no pé e veio se vingar? Claro que não Marina da onde tirou isso? Está assistindo muito filme de terror. Mas o filme não é apenas uma demonstração da vida real? O que ele faz aqui? Engoli seco e comecei a andar depressa, fiquei dando algumas espiadas para ver se ele mudava sua rota de caminho, mas ele insistia em me seguir incansavelmente, ainda faltava duas ruas para chegar ao restaurante, então começo andar quase correndo, porém, como estava distraida demais olhando para trás apavorada, não percebi o bendito buraco na calçada, acabei por entortar meu pé caindo de joelho.
__Aii! Hoje de novo não. Meu Deus! o que eu fiz? - Coloquei a cabeça no meu joelho.
__Você está bem? A voz grave surgiu me fazendo saltar.
__Por favor, não me machuca! eu sei que pisei no seu pé e cai no seu colo, mas foi sem querer eu juro! Não me mata, eu tenho família e preciso realizar meu sonho de me casar e ter filhos. - Ele me encarou com uma expressão estranha.
__ Do que está falando? Me olhou enrugando a testa. Analisei seu rosto minunciosamente, é parece mesmo que não entendeu nada do que eu disse. Por via das duvídas vou perguntar.
__Você não é um louco maníaco? - Perguntei com receio, curvou os lábios em um sorriso de lado.
__Sou eu que deveria perguntar isso, não acha? Se for dar razão as circunstâcias. - Arqueia a sobrancelha com um sorriso. Percebi que estava caçoando de mim.
__Para de zombar de mim. Você não me conhece, porque estava vindo atrás de mim então? Anda me explica essa? porque estava me seguindo? - Juntei os olhos desconfiada. Ele se abaixou ficando na minha altura, por extinto, curvei o corpo para trás na medida que aproximava o dele, tirou o óculos lentamente revelando seus olhos castanhos .
__Não estou te seguindo, apenas tenho algo para fazer e por coincidência estamos indo na mesma direção, se não percebeu, estou vestido de encanador. - Me mirou de forma intensa. Desviei o olhar me sentindo intimidada.
__Tu.. Tu..tudo bem então. __Siga seu caminho senhor encanador.- Soltei um suspiro, o escutei abrir a maleta de ferramentas ao lado dele.
__O que vai fazer? Me bater com uma chave de fendas? - Arregalei os olhos e notei pegar uma caixinha e tirar um curativo.
__ Meu Deus garota! da onde você saiu? voltou a sorrir com o mesmo sorriso zombador de mim. _ Posso? Ele apontou para o meu joelho machucado e acenei. Colocou delicadamente no meu joelho e me encolhi por causa da dor, mas ele segurou minha perna firme assoprando com cuidado . Fiquei olhando para ele vislumbrada, dá onde esse homem saiu?
__Prontinho. - Desviou o olhar e me encarando sorrindo.
__Obrigada, desculpe por pensar o pior do Senhor. - Se levantou sorrindo colocando o óculos novamente. Confesso que fiquei meio desapontada. - Estendeu a mão me ajudando a levantar.
__Não foi nada, também com esse visual. Não é tão surpreendente alguém confundir com um homem mal, não é mesmo?
__ Me desculpe mesmo.
__Quantas vezes vai ficar me pedindo desculpas?
__ Me descul... quero dizer...
__ Você é mesmo peculiar, bom já que estamos conversando, pode me dizer qual é o seu nome? Preciso de uma informação sua, talvez saiba me dizer.
__ Claro, meu nome é Marina. E o seu? Estendi a mão sorrindo, e encolheu o braço ficando serio de repente.
__Marina - falou meu nome lentamente. __Por acaso pode me dizer onde fica o restaurante aqui perto? Tenho um pequeno trabalho para resolver naquele lugar. Apertei os olhos com força, não! isso não pode estar acontecendo comigo. Voltei a olha-lo sem graça.
__Claro que conheço. Deixe-me contar uma baita coincidência para o senhor, o senhor vai acreditar, se por acaso eu te disser, que.. bem, eu trabalho lá?
Agora tudo faz sentido, por isso ele estava vestido de encanador, porque na verdade ele é um encanador, e realmente não estava me perseguindo coisissima nenhuma! Estava apenas indo na mesma direção, porque é para o mesmo lugar que eu vou .
__Ora! que grande surpresa não é? -Levantou uma sobrancelha com a mão no queixo me fitando de uma forma que não consigo decifrar.
__ Pois é, já que estamos indo para o mesmo lugar, eu te acompanho. - Sorri sem mostrar os dentes colocando meus braços para trás envergonhada.
Caminhei ao lado daquele homem enorme sem conseguir encara-lo tamanha vergonha que estava sentindo, ele tinha que ser justo o encanador que veio tirar o anel de noivado do ralo da pia que eu derrubei? o que ele vai pensar de mim? Eu me importo com o que ele pensa? Mesmo que tentasse me defender é muito obvio que sou completamente desastrada. Continuei caminhando como se pisasse em ovos olhando para baixo, torcendo o máximo possível para ele não perguntar como aquele anel caiu lá dentro.
Continuei vagando imersa aos meus pensamentos quando alguém segurou meu braço me puxando para trás, quase trombei com seu corpo se não brecasse a tempo.
__O que foi? - Falei perdida o olhando.
__Marina, chegamos. - Me soltou e mostrou com a mão e um sorriso forçado.
__Chegamos! Sorri passando a mão na bermuda que estavam suadas. __Pode entrar, não me disse seu nome?
__ Pode me chamar de Sam. - Me olhou sem expressão.
__Tudo bem, Senhor Sam, por aqui. - Entrei na sua frente para mostra-lhe o caminho. Assim que o Senhor Sam entrou no restaurante todos os olhares se voltaram para ele, principalmente das mulheres, e não poderia critica-las, afinal alguém como ele não se vê todo dia por aí, se fosse dizer um animal que o Senhor Sam parecia seria um leão, a forma como andava de cabeça erguida e com firmeza, é de um líder nato . Com certeza é o melhor encanador de todos os tempos, um homem desse não pode ser um amador.
Abri a porta do banheiro para ele entrar.
__Obrigado.
__Éssa é a pia que esta o anel. - Apontei com indicador dando um sorriso amarelo.
__Com licença. - Pediu e foi até a pia analisando cuidadosamente.
__Terei que retirar o cano para não correr risco de danificar o anel. -Coçou a barba pensativo. __Marina, por acaso sabe quem é a pessoa responsável por esse lindo anel vir parar aqui? - Arregalei os olhos o fitando. Não posso mentir , mentir é pecado Marina.
__Ham? Pisquei os olhos. __Vou deixar o Senhor trabalhar a vontade, saber quem derrubou esse anel é algo tão irrelevante, não é mesmo? Afinal, acidentes acontecem o tempo todo. - Ri nervosa e tentei sair o mais rápido possível. Porém, ao abrir a porta dei de topo com meu chefe.
__ Me disseram que o encanador que iria retirar a aliança que você derrubou, chegou, cadê ele? Meu chefe apareceu falando mais do que deveria me empurrando de volta para dentro do banheiro, o fuzilei com olhar. O Senhor Sam se levantou e o cumprimentou com um sorriso simpático.
__Sam as suas ordens! Então foi a Marina que derrubou o anel de noivado nessa pia? - Percebi um sorrisinho quase imperceptível nos seus lábios. __Porque será que não estou surpreso ?
__Como eu disse antes, acidentes acontecem. - Repito entre dentes em seguida sorri amarelo.
__ Claro. Tem toda razão. - Fingiu seriedade e olhou para meu chefe. __Como estava comentando com a Marina, vou ter que tirar o cano, se não tiver nenhum problema para o senhor. O anel é muito valioso e especial, não quero correr o risco de danifica-lo.
__Faça como quiser, tem a minha permissão, apenas tire esse anel que por vista parece caríssimo e não quero ficar em maus lenções com o senhor Alex. - Assentiu se sentando e voltando a mexer na sua caixa pegando as ferramentas, o observei atenta. Talvez esteja um pouco impactada com esse homem? Talvez, e se for o resultado da oração que eu pedi a Deus? Se bem que se for, valeu a pena a demora, porque Deus caprichou na benção. Comecei a rir gesticúlando.
Garota, o que você está falando? Nem sabe se o moço é cristão. Se controle!Minha voz interior acabou com meu momento de alegria.
__Marina? É melhor deixar o homem trabalhar, e ir fazer o mesmo, não acha? - Meu chefe tentou me arrastar para fora do banheiro.
__Eu posso ficar aqui, se acaso o Senhor Sam precisar da minha ajuda. - Digo seriamente.
__Ajudar? Você? Vai atrapalhar o rapaz isso sim. Vamos logo! Ele pegou minha mão e fico parada no mesmo lugar. Aquele anel é muito importante e tenho que devolver a senhorita Fernanda pessoalmente. Esse é o único motivo que me prende aqui, não descobrir se o Senhor Sam é cristão, longe de mim tal coisa.
__Não! A senhorita Fernanda pediu para entregar o anel pessoalmente. Não posso desgrudar o olho dele , sinto muito chefe. " estou falando do anel é claro."
__Marina, pode ir cuidar dos seus afazeres depois te entrego. - o Senhor Sam comenta sem me olhar.
__Tudo bem então. Se você diz eu fico mais tranquila. Qualquer coisa estou limpando as mesas perto da porta, é só me chamar e venho correndo.
__Ok.
__Se quiser um chá ou qualquer coisa do tipo. Não tenha vergonha em pedir, trabalhar muito pode dar sede.
___Pode deixar. Se precisar de algo pedirei. - Me olhou rapidamente.
__Vamos Marina! O que deu em você? Ralhou comigo fechando a porta do banheiro.
__ Nada, não sei do que está falando. Vou pegar meu uniforme. - Sorri docemente indo me vestir.

Depois de me vestir corretamente, peguei os produtos de limpeza e comecei a limpar as mesas, não sem tirar os olhos da porta do banheiro, antigamente gostava de fazer faxina ouvindo musica, mas só porque ouve um pequeno acidente, meu chefe me proibiu de fazer qualquer coisa com fones de ouvidos ou radío ligado.
Não é que esteja desesperada nem nada, mas se o Senhor Sam for o homem que Deus mandou para mim? Preciso saber se ele é cristão, porque se não for tudo bem.
Que a vontade dele seja feita, não a minha. Eu irei esperar com paciência, porém gostaria que a resposta chegasse logo.
Coloquei as cadeiras viradas em cima da mesa enquanto limpava tudo, percebi uma sujeirinha na porta do banheiro, e um sorriso travesso escapou dos meus lábios, corri para o quartinho de limpeza, peguei a bucha e o sabão e fui em direção a porta do banheiro, comecei a esfregar a porta tentando ouvir algo, escutei barulhos de cano, e chaves de fenda, porque ele não sai nunca dai? Um anel não é tão difícil de pegar, certo?
Meu chefe mandou limpar o restaurante e o banheiro é uma parte importante, não é?
___Marina, o que está fazendo? - Sua voz surgiu atrás de mim e me afastei da porta esfregando imediatamente.
__Faxina!
__Faxina? No começo da semana? Pedi para você limpar as mesas, porque está fazendo algo que não pedi para fazer? - Soltei uma lufada de ar jogando a bucha no balde .
__O senhor deveria agradecer minha boa vontade. Eu vi uma mancha na porta do banheiro e resolvi limpar, os clientes querem o restaurante impecável, quanto mais limpo mais cliente atrai e não precisa aumentar meu salarío, faço de coração porque amo meu trabalho. - Tirei a esponja molhada do balde. __ Agora, só falta jogar agua na porta e estará limpa como um cristal. Veja a magica! -Sorri abertamente.
___Marina, não faça isso! Meu chefe ordenou, ignorei jogando a água na porta no exato momento que o Senhor Sam resolveu abrir e surgir como mágica no meu campo de visão, e acabei o molhando todo. Arregalei os olhos.
Ele esfregou as mãos no rosto e passou pela barba retirando o excesso de água com sabão, em seguida me olhou como se tivesse saindo fogo do seus olhos. Engoli seco.
__Pode me explicar o que significa isso?! - Me encarou de forma aterrorizante levantando os braços mostrando sua situação, e um nó se formou na minha garganta.
__ Me desculpe.. Explico que posso explicar. - Juntei as mãos suplicando. Balançou a cabeça confuso e abriu a boca para responder, mas seu celular começou tocar no bolso do macacão, ele retirou com as pontas dos dedos para não molhar.
__ Com licença! Tenho que atender uma ligação. - Informou pacificamente e me lançou um olhar mortal antes de se retirar.
__Marina, o que você fez? Não tem um só dia que não faz algo estúpido? O encarei na porta do restaurante conversando com alguém e parece irritado, quase posso ver fumaças saindo pela tela do celular. Preciso me desculpar, o Senhor Sam não pode ter uma má impressão de mim.
__Já sei, estou promovida. - Tirei as luvas e coloquei nas mãos do meu chefe.
Tentei me aproximar dele, e acabei ouvindo um pedaço da conversa.
__ Eu sei que você não pediu nada, não dá para simplesmente me agradecer por querer te ajudar ? As vezes parece que só eu me importo com esse noivado. Ele está noivo? Por essa não esperava, quer dizer não sei porque estou surpresa, é claro que um homem lindo desses e ainda trabalhador teria uma noiva.
__Não foi o que quis dizer? não é só dinheiro e jantares importantes que me importa, e você está cheia de saber disso. Muito menos a empresa do meu pai, já disse meu irmão é o chefe da empresa e vai continuar sendo. Você sempre soube da vida que levo e isso nunca te incomodou. Que vida ele leva? Será que é alguém disfarçado? Ele passou a mão nos cabelos alisando para trás em um gesto nervoso.
__Em casa conversamos. Também te Amo. Quando pronunciou as ultimas palavras sinto uma reação estranha dentro de mim, não consigo decifrar. Desapontamento? Desesperança? Porque deveria estar desapontada se nem conheço esse cara. Não é como se tivesse alguma chance de termos alguma coisa. Ele colocou o celular no bolso e se virou de repente conectando nossos olhares. Sinto como se fosse uma criança que está preste a levar uma bronca.
___Ai está você! - Abaixei a cabeça tímida.
__Senhor Sam! me desculpe de verdade.
__ Marina, me dê sua mão. - Falou ríspido.
__O que? Levantei a cabeça e crispei os olhos confusa.
__Sua mão. Estende sua mão. - Fiz o que pediu e segurou firme colocando o anel na palma da minha mão fechando em seguida. - Me olhou nos olhos intensamente..
__Entrega esse anel para a dona e peça para ela ter mais cuidado da próxima vez, e não sair deixando ele jogado por aí, como se não significasse nada. - O olhei confusa e me lançou um ultimo olhar chateado, soltou minha mão se retirando e indo embora. Fiquei o observando de longe atravessar a rua como um animal selvagem ferido, sumindo do meu campo de visão. Balancei a cabeça confusa.
__Porque pediu para dizer isso a Senhorita Fernanda? Não posso dizer isso, ele está maluco ou o que?
Pelo jeito as coisas na vida amorosa dele não estão nada bem, é Senhor Sam, eu te entendo. Fiz uma expressão de pesar, em seguida olhei para o anel brilhante admirada.
__Olha a confusão que essa coisinha preciosa arrumou. Está na hora de voltar a sua verdadeira dona, não acha? Sorri em seguida guardo no bolso. - Olhei para os lados e vejo que não tem ninguém olhando, tirei o anel do bolso e coloquei no meu dedo novamente. - Sorri maravilhada.
__É a ultima vez que coloco. O que posso fazer se minha mão nasceu para usar um desses? Viu só Deus? Caiu como uma luva.
__Marinaaa! - Meu chefe gritou quase estourando meus timpanos.
__Já vou, já estou indo. - Respondi tranquilamente.