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Meu bilionario CEO

Meu bilionario CEO

Autor:: claudia maria
Gênero: Romance
Sete meses antes... -Ai, meu Deus. Não é possível. Não a minha doce Chloe - disse Ellie Winters para si mesma em um sussurro urgente. Ela estava sozinha no consultório do médico onde trabalhava e ninguém ouviu o tormento da voz dela. Ela ficou horrorizada com os vídeos que acabara de ver no notebook de James, completamente por acidente, enquanto procurava um arquivo que o chefe lhe pedira. Inicialmente, ela estivera procurando um documento médico, algo que ele lhe pedira que imprimisse. Ela se distraíra ao ver um ícone chamado "Vídeos de Chloe" e não conseguira resistir à tentação de ver o que supusera que fossem imagens felizes da melhor amiga, mesmo sabendo que estava clicando em algo que não deveria. Ela esperara ver alguns momentos de alegria da amiga, uma Chloe sorridente que Ellie, com toda a sinceridade, não vira havia algum tempo. A amiga estivera recentemente distraída e incomumente nervosa e Ellie queria saber o motivo. Chloe Colter era uma daquelas pessoas que era naturalmente gentil e doce. Infelizmente, as cenas não tinham sido alegres. Os vídeos eram aterrorizantes. Ellie só estava trabalhando para o médico noivo de Chloe havia uma semana. Ele era exigente, mas o que ela acabara de ver fez com que percebesse que James era muito mais do que apenas um escroto. Ele era a pura maldade! As lágrimas escorreram pelo rosto de Ellie quando ela desconectou e desligou o notebook, sabendo que precisava falar com Chloe o mais depressa possível. Preciso falar com ela. Ela não pode se casar com ele. Por que diabos ela ainda está noiva dele? O imbecil deveria estar na cadeia! Merda! Ellie estava furiosa consigo mesma por não ter insistido mais em saber por que Chloe parecia tão diferente desde que voltara para Rocky Springs.

Capítulo 1 Tom perigoso

Ela supusera que a amiga só estava distraída e ajustando-se ao fato de estar em casa de novo depois de ter ficado longe por tanto tempo para se formar como veterinária de equinos. Ou talvez estivesse estressada por causa

do casamento com James. Casar-se e planejar um casamento era algo estressante, certo? Especialmente quando Chloe ainda estava tentando estabelecer sua carreira.

Há muito mais sobre essa história que não entendo. Preciso falar com Chloe, descobrir por que ela está escondendo o fato de James ser um abusador.

Uma sensação de proteção feroz fez com que o estômago de Ellie se contraísse. Ela se lembrou de todas as vezes em que Chloe saltara em sua

defesa nos mais de vinte anos de amizade. Quantas vezes Chloe se oferecera para ajudá-la a sair da situação de pobreza quando eram crianças? Ellie perdera a conta. Da mesma forma que não conseguia se lembrar de quantas

vezes a família de Chloe a alimentara quando sua mãe precisara trabalhar. Ou que lhe dera sapatos ou roupas novas, com Chloe alegando que não cabiam nela e que queria que Ellie os tivesse.

Foram tantas coisas doces que Chloe e a mãe dela fizeram por mim nesses anos todos.

Reprimindo um soluço de tristeza, Ellie estava determinada a garantir que a melhor amiga não terminasse casada com o próprio demônio. Chloe merecia o marido mais incrível possível.

Por quê? Por que Chloe está encobrindo o que James está fazendo com ela?

Ellie não tinha as respostas, mas pretendia descobri-las. Se necessário, ela arrastaria Chloe para fora daquele relacionamento, chutando e gritando, antes de se sentar e assistir como madrinha quando a amiga assinasse uma

sentença de prisão perpétua com Satã.

Freneticamente, ela pegou a bolsa, pronta para ir à casa de Chloe. Ellie considerou telefonar para ela, mas precisava confrontá-la pessoalmente. Ela não tinha dúvidas de que Chloe não sabia sobre os vídeos e provavelmente ficaria horrorizada quando os visse.

Chloe Colter fora sua melhor amiga desde a escola primária. Ellie sabia que os gritos aterrorizados de dor e agonia no vídeo não eram nenhum tipo de jogo sexual pervertido. Chloe estivera traumatizada, aterrorizada e

implorando para que James parasse.

Mas o filho da puta não parara. Que tipo de joguinho doentio ele estava jogando? E como Chloe se envolvera? Por que ela simplesmente não se afastara dele? Afinal de contas, ela era uma Colter e não precisava de homem

nenhum. Chloe era rica e com educação suficiente para mandar na própria vida. Além do mais, tinha quatro irmãos mais velhos que teriam dado uma surra em James se tivessem percebido o que ele fizera com ela. E havia

também a pergunta mais importante: por que Chloe não o entregara à polícia?

Tinha que haver uma explicação, mas Ellie não conseguiu encontrá-la na pressa de sair do escritório.

O som de alguém mexendo na fechadura da porta da frente do escritório,que estava trancada, fez com que Ellie entrasse em pânico. Ela segurou o notebook contra o peito e saiu correndo de trás da mesa. Seu coração estava

disparado quando a porta começou a abrir.

Ela não olhou para ver quem era. Havia poucas pessoas com a chave e ela era uma delas. Mesmo se fosse a equipe de limpeza, ela não pretendia arriscar para descobrir. A única coisa em que conseguia pensar era sair

correndo pela porta de trás, chegar ao seu carro e ir diretamente à procura de Chloe.

- Ellie!

Ouvir o grito de James proveniente da área de recepção triplicou a velocidade de seu coração. Ela correu para a saída dos fundos.

Só preciso chegar ao meu carro. Só preciso encontrar Chloe.

Ellie ouviu os passos pesados de James no corredor atrás dela, mas continuou correndo. Sua respiração estava alterada por causa do pânico quando ela abriu a porta dos fundos e saiu correndo pela porta de metal sem

hesitar.

Odiando-se por ter calçado sapatos de salto alto naquela manhã, ela continuou correndo o mais depressa que conseguiu, abraçando o notebook

como se sua vida dependesse dele.

Preciso chegar até Chloe. Preciso chegar até Chloe. Por favor, só me deixe chegar à casa dela.

Ela estava quase chegando ao carro econômico e velho - que muito tempo antes apelidara de Tartaruga Azul porque, apesar de ser lento,

continuava a andar - quando o corpo de James colidiu com o seu. Os dois caíram no chão, mas, infelizmente, o corpo dele a prendeu contra o concreto

frio.

- Saia. De. Cima. De. Mim. - A voz de Ellie foi um sibilar ofegante enquanto se esforçava para tirá-lo de cima dela.

- Há algum motivo para estar fugindo com o meu notebook, srta.

Winters? - perguntou James ao passar o braço em volta do pescoço dela.

- Vou trabalhar de casa hoje à noite. - Era uma desculpa esfarrapada, mas foi a única coisa em que Ellie conseguiu pensar. Chloe sempre dissera que ela era uma péssima mentirosa. Não importava o que alegasse, ela

duvidava de que James acreditaria, pois estivera fugindo dele. E a única coisa que ele pedira fora que encontrasse e imprimisse um documento.

- Você viu os vídeos - acusou ele em tom ameaçador. - Ia diretamente atrás de Chloe. Vadia abelhuda. Pedi que fizesse uma coisa no

computador e você teve que ver coisas que não deveriam ser vistas porninguém. Não agora. Você arruinará tudo. Ainda bem que voltei quando percebi que você não cuidaria da própria vida.

Você não deveria deixar coisas que não quer que sejam vistas em um computador que pode ser acessado por qualquer pessoa, seu imbecil.

Ellie era viciada em programas criminais e era óbvio que James era desleixado ou psicótico o suficiente para não pensar antes na possibilidade de que ela visse os vídeos. Sentindo o braço dele apertado em volta de seu

pescoço, ela tinha quase certeza de que era a segunda opção.

- Por que está tentando ferir Chloe? - Ellie desistiu de fingir para tentar conseguir respostas. - Ela nunca faria algo parecido com você. Elaama você. - O fato de Chloe ter até mesmo gostado de um monstro como

James fez com que Ellie se sentisse enjoada. O imbecil não merecia nem estar no mesmo aposento que Chloe.

- É claro que ela me ama - resmungou James. - Nós vamos nos casar e ninguém vai me impedir. Finalmente conseguirei o que mereço.

Ellie desejou que ele recebesse o que realmente deveria: algemas e uma cela muito desconfortável pelo resto da vida. Era óbvio que James achava que tinha direito à parte de Chloe da fortuna da família Colter, uma riqueza quase

inimaginável.

- Você merece estar na cadeia - disse Ellie com dificuldade por causa

do pouco ar que conseguia inspirar.

- Cale a boca, caralho! Vamos nos levantar. Tenho uma arma e, se fizer um barulho sequer, vou matar você - advertiu ele em tom perigoso.

Não havia dúvidas na mente de Ellie de que James cumpriria a ameaça.

Depois de ver como tratara Chloe, ela não tinha a menor dúvida de que ele era capaz de praticamente qualquer coisa.

Ele a forçou a se levantar e não demorou muito para que ela visse o brilho do aço na luz fraca do estacionamento vazio. Ele tinha mesmo uma

arma e estava preparado para usá-la. Ela considerou gritar o mais alto possível, mas duvidava que isso fizesse alguma coisa além de silenciá-la para sempre. O escritório era um prédio solitário no fim de uma rua sem saída. Já

anoitecera e estava frio. A possibilidade de alguém escutá-la era muito pequena. Ela decidiu que, se não queria acabar morta, precisava esperar atéque conseguisse escapar.

O que aconteceu a seguir estragou seu plano.

- Eu disse a Chloe que você não valia nada. Você não tem valor

Capítulo 2 Mundo sombrio

dor explodiu na cabeça de Ellie quando ela recebeu o golpe.

Estonteada por causa do soco brutal, ela não conseguiu resistir quando James a levou para o carro dele no outro lado do estacionamento.

Quando James a bateu contra o carro, ela finalmente falou, perguntando-

se desesperadamente se ele a mataria, mesmo não tendo gritado. - James,

você não quer fazer isto. E Chloe? E a sua carreira? Pare com isto agora e não

direi nada. Deixe-me apenas ir para casa. - Ela começou a mentir para convencê-lo a deixá-la ir embora. - Acha que sou idiota o suficiente para

acreditar nisso? - perguntou James em uma voz que ficava cada vez mais estridente, uma voz louca que começava a deixar Ellie muito assustada.

Ele vai me matar.

Ellie reconheceu a perda da sanidade na voz dele.

Ele puxou o computador e a bolsa das mãos dela e jogou-os no banco de trás do carro. Em seguida, empurrou-a na direção do porta-malas. No minuto em que ouviu a trava abrir, Ellie começou a lutar pela própria vida.

Chegava de tentar argumentar com James. Chegava de implorar para deixá-la ir embora.

Ela lutou com tudo o que tinha, tentando arranhar os olhos dele e chutando para tentar acertá-lo na virilha. No entanto, ele era mais forte. Ela finalmente começou a gritar, sabendo que, se ele conseguisse colocá-la no

porta-malas do carro, seria uma mulher morta.

- Cale a boca, caralho - rosnou ele ameaçadoramente, agarrando o rabo de cavalo loiro longo e puxando-o com tanta força que os olhos de Ellie se encheram de lágrimas.

Ela não parou de lutar, mesmo quando ele a levantou e tentou jogá-lapara dentro do espaço confinado.

Dane-se, não vou facilitar as coisas para ele.

A bunda dela bateu na superfície dura do porta-malas, mas ela jogou os braços para fora, tentando impedi-lo de fechar a tampa, o que a confinaria em um caixão improvisado.

Ele nunca vai me deixar viver.

- Nãããão! Alguém me ajude! Por favor! - Ellie continuou a gritar, sem se importar mais com os avisos de James, mas ninguém apareceu para

resgatá-la.

Um último soco violento na cabeça dela a silenciou, deixando seu mundo escuro.

Com Ellie inconsciente e incapaz de continuar lutando, James fechou o porta-malas e entrou no carro, partindo na noite com o corpo inerte dela confinado na escuridão.

O Presente...

-Onde diabos ela está? - murmurou Zane Colter furiosamente ao dirigir o SUV Bentley em mais uma estrada de terra íngreme que levaria para mais uma cabana nas montanhas desoladas.

Durante quantos dias ele estivera procurando? Um dia se transformara em outro, mas Zane estivera tão concentrado em sua missão que não se importara em fazer muito além de se manter hidratado.

Ele estava feliz por ter comprado o novo SUV apenas um mês antes.

Estava nevando pesadamente naquela altitude e ele dirigira em velocidades muito ousadas nas estradas escorregadias das montanhas. Ele sabia que estava dirigindo depressa demais para as condições climáticas que ficavam

cada vez piores. O problema era que ele estava ficando desesperado. Ele sabia em que área Ellie estava por causa das amostras de solo que tirara de um velho par de sapatos de James e dos sulcos dos pneus da caminhonete na

garagem dele. Depois de encontrar um pedaço pequeno de uma flor rara na casa do imbecil, ele tivera a ideia de obter aquelas amostras de terra, uma intuição que dera certo depois de intensas análises, destacando as únicas áreas em que aquele tipo de flor crescia e o solo de que precisava para isso. A terra que ele coletara confirmara suas suspeitas. Ele duvidava de que James dirigisse aquela caminhonete mais velha em qualquer outro lugar que não nas

montanhas. Os sapatos eram velhos e gastos, e um filho da puta superficial como James não os usaria, exceto em áreas lamacentas onde não seria visto.

Depois de juntar a terra e a flor, Zane tinha uma ideia muito boa da área onde Ellie estaria escondida. Mas uma busca nas cabanas e nas propriedades nos arredores não mostrou nada que fosse de James. Portanto, Zane tinha que

supor que era um lugar que não estivesse no nome real dele.

- Onde ele a escondeu, caralho? Puta que o pariu! - rosnou ele ao bater a mão no volante, sentindo-se frustrado e sabendo que estava ficando sem tempo. As chances eram de que recuperaria um cadáver, em vez de resgatar Ellie.

Nem. Pensar.

Ele afastou a possibilidade de que Ellie estivesse morta e continuou a dirigir em direção a uma cabana pequena, um pouco acima na estrada de terra quase inexistente que subia.

Limpando o suor da testa com a mão e passando os dedos pelos cabelos

com irritação, ele dominou o carro agilmente ao deslizar no gelo e na neve com uma mão só até estar novamente subindo a estrada.

Logo vou ter que enfrentar a realidade. Verifiquei praticamente todas as cabanas e casas desta área sem sorte nenhuma, porra.

Zane não fazia ideia de quanto tempo fazia desde que dormira pela última vez. Ele estivera fazendo pesquisas sobre o solo que encontrara e depois trabalhara em marcar áreas para investigar. Ele estava exausto, mas

um relógio continuava a avançar em sua cabeça. Se James mantivera Ellie viva, ela provavelmente não tinha mais água nem comida. James estava morto e ficara incapacitado antes de se suicidar. Ela ficara sozinha por tempo demais.

Não posso parar de procurar. Prometi a Chloe que não desistiria. Não vou parar até encontrá-la.

Ele balançou a cabeça de forma distraída, sabendo que era uma boa desculpa para estar procurando. Mas sua persistência feroz não era apenas porque Ellie era a melhor amiga de sua irmã. O instinto o cutucava sem parar.

Ele conhecia Ellie bem o suficiente para saber que, se pudesse escapar, ela teria escapado. Algumas pessoas alegavam que Ellie era quieta, mas ele vira como ela podia ser mandona quando eram crianças. Na adolescência, ela

não mudara. Nunca tivera problemas em expressar suas opiniões. Não com

ele.

Sinceramente, ele nunca se importara com o desejo extremo dela de organização. Na verdade, ele gostara disso, pois não era exatamente organizado em sua vida pessoal. Nunca fora. Em se tratando de seu trabalho

como cientista, ele era meticuloso, mas todo o resto fora do laboratório era um caos. Ele sempre fora fascinado pela forma como Ellie conseguia lidar com tantas coisas ao mesmo tempo e de forma muito organizada. Ela sempre

fora assim, mesmo na adolescência.

Zane podia admitir para si mesmo que gostara de Ellie na escola. Mas o fato de ela ser a melhor amiga de Chloe, sua irmãzinha, deixara Ellie

completamente fora de questão para qualquer coisa além de amizade depois que ficaram adultos. Na época da escola, ela fora jovem demais, ligada demais à família dele. Sem falar no fato de que ele fora tão esquisito

socialmente naquela época que nunca teria coragem de chamá-la para sair, mesmo que ela não fosse jovem demais. Mas ele também gostara dela como amiga e ainda tinha sentimentos por ela, apesar de tê-la encontrado muito pouco depois de terminar a escola. Ele partira para a faculdade e nunca

voltara para Rocky Springs para morar lá o tempo inteiro.

Capítulo 3 Caça ou pesca

médico compraria. Era minúscula e parecia mais uma cabana de caça ou de pesca.

A neve estava contra a porta e parecia que ninguém estivera lá desde a primeira vez em que nevara. Os flocos brancos flutuavam e caíam em

quantidades épicas quando ele saiu do carro, sem se preocupar em trancá-lo.

Ora, ninguém iria até aquela cabana isolada no meio de uma nevasca.

Ele andou com dificuldade pela neve e chutou a camada branca acumulada na porta da frente. Ao virar a maçaneta para entrar, descobriu que

estava trancada. Irritado e determinado a não deixar de olhar embaixo de uma pedra sequer, ele bateu com o ombro na porta até que a fechadura cedesse.

Em seguida, ele a abriu.

- Ellie! - gritou ele, apesar de o lugar ser tão pequeno que provavelmente não havia a necessidade de gritar.

Ele andou pela cabana, que tinha uma área de estar em um lado e uma cozinha pequena no lado oposto. Ele inspecionou o banheiro minúsculo e parou subitamente ao chegar à porta do único quarto da cabana. Ele ficou

tenso ao ver a figura praticamente irreconhecível algemada no canto, encolhida em posição fetal, completamente nua.

- Caralho! - O xingamento explodiu de sua boca quando ele entrou no quarto e abaixou-se ao lado da mulher, sem saber se ela estava viva ou morta.

Ele afastou os cabelos imundos do rosto dela. - Ellie? - chamou ele hesitante, colocando a mão em seu pescoço em busca de um sinal de vida. O sangue dele ferveu ao perceber todos os ferimentos e cortes no corpo, no rosto e nos membros dela. Havia um penico perto dela, mas ela obviamente não tivera forças suficientes para usá-lo. Os braços e as pernas estavam

presos com algemas pesadas, dando a ela uma mobilidade muito limitada.

Havia um jarro de água vazio no canto e um saco plástico vazio.

Zane não recebeu resposta, mas seu coração acelerou quando ele percebeu um pulso fraco.

Ele correu para a cozinha, encontrou um copo e encheu-o com água, grato pelo fato de o lugar ter encanamento interno.

Ele não prestou atenção no fedor que exalava da mulher ao colocar os braços em volta dela, forçando-a a se sentar. - Ellie? Abra os olhos para mim. Você precisa de água, está desidratada.

Ela estava mais do que só desidratada. Estava à beira da inanição. Mas ele tinha que resolver um problema de cada vez. Ellie era uma mulher cheia de curvas. Agora, não tinha carne nenhuma sobre os ossos.

Ele colocou o copo nos lábios dela, virando-o lentamente. As pálpebras dela estremeceram, mas ela não abriu os olhos. Ele torceu muito para que ela ainda tivesse o reflexo de engolir. A última coisa de que precisava era que ela

aspirasse a água.

- Engula, Ellie. Vamos! - Ele a observou enquanto derramava a água lentamente em sua boca, aliviado ao perceber que os músculos do pescoço dela se mexeram fracamente para engolir a água.

Ela precisava de comida, mas ele continuou tentando hidratá-la primeiro.

Finalmente, ele foi para a cozinha procurar alguma coisa, qualquer coisa, que

ela pudesse engolir. Antes de começar a vasculhar os armários, ele se lembrou de que tinha isotônicos no SUV que a ajudariam a repor os eletrólitos que ela já não tinha.

- Fluidos são melhores - disse ele distraidamente para si mesmo ao

voltar para a cabana com os suprimentos e ferramentas de que precisava. Em seguida, começou a missão de hidratar e nutrir Ellie.

Ele tinha que ir devagar, o que o deixou muito irritado. Ele queria dar a Ellie tudo que ela não tinha. Queria que a forma quase sem vida voltasse rapidamente à vida.

Ele queria Ellie de volta e, não importava o que fosse necessário, Zane a veria sorrindo e inteira novamente, nem que isso o matasse.

Não vou desistir. Nunca desisto.

Ele demorou um pouco para livrá-la das algemas de aço com as ferramentas que tinha no carro. E continuou a xingar violentamente enquanto

a libertava.

Se James já não estivesse morto, Zane teria assassinado o filho da puta sem um pingo de remorso.

Depois de dar a Ellie tudo o que teve coragem de dar de uma vez só, ele a tirou do chão frio. Jesus! Ela estava tão leve que ele ficou muito assustado.

Abaixando-se para passar, ele foi para o banheiro, torcendo para que a água quente funcionasse. Virando os registros do chuveiro, ele ficou aliviado quando a água morna começou a sair.

Colocando-a gentilmente no chão, ele rapidamente tirou a própria roupa.

Em seguida, segurou-a novamente e levou-a para baixo do chuveiro com ele.

A cabana tinha um pouco de calor, mas ainda assim estava gelada. Ellie não tinha carne alguma nos ossos para protegê-la ao ficar deitada em um chão frio. Ele precisava ir devagar e de forma gentil, aumentando o calor do corpo dela com cuidado.

Ele usou um frasco de sabão líquido que encontrara no banheiro, esfregando o corpo e os cabelos dela até que estivesse limpa novamente. Um gemido fraco escapou dos lábios dela, o que deu a ele ainda mais esperança de que ficaria bem. Ela estremeceu nos braços dele, outro bom sinal. O

aquecimento lento do corpo dela começava a aumentar a temperatura interna.

Frustrado, Zane sabia que não teria como levá-la a um hospital por causa da nevasca que rugia no lado de fora das paredes da cabana. Se alguma coisa acontecesse no caminho de volta, ela nunca sobreviveria. Ele era médico.

Sim, era dedicado à pesquisa, mas frequentara a escola de medicina. Como era academicamente muito bom, ele terminara rapidamente os cursos e concentrara-se em biotecnologia. Mas ele sabia o que precisava fazer, quais

eram as necessidades dela naquele momento. Infelizmente, ele tinha muito poucos recursos e equipamentos para ajudá-la da forma como precisava.

Ele desligou a água e secou os dois da melhor forma possível com as toalhas em farrapos que achou no banheiro. Em seguida, carregou Ellie para a única cama da cabana, a que lhe fora negada por causa de seu confinamento.

Puxando a colcha, ele ficou aliviado ao ver que o lençol estava relativamente limpo. Ele a colocou sob o cobertor. Sentando-se ao seu lado, ele se sentiu tentado a pentear os longos cabelos dela com os dedos. Ellie tinha cabelos

loiros lindos e ele começava a ver os cachos de novo agora que estavam limpos. Afastando os cabelos do rosto dela, ele estava praticamente pronto a ter um ataque de fúria ao perceber os machucados e os cortes em sua pele.

Ele a examinara atentamente enquanto a lavava e não vira ferimento algum que pudesse ameaçar a vida de Ellie, mas estava furioso pelo fato de James ter encostado nela.

Zane se levantou e começou a limpar a bagunça do canto, lavando o chão e jogando fora o penico e as algemas. Ao terminar, ele enrolou o corpo em um cobertor, calçou as botas e correu até o SUV para buscar a mochila com

roupas que sempre deixava no bagageiro.

Ele vestiu as roupas sobressalentes que tinha, desejando ter mais para colocar em Ellie além das camisas de flanela que tinha na mochila.

Depois de vestir a camisa nela, ele lhe deu um pouco mais de líquido.

Em seguida, vasculhou a cabana pequena, tentando achar alguma coisa útil.

Ele encontrou a bolsa de Ellie em um dos armários, mas não viu sinal das roupas dela. Zane colocou suas roupas sujas na pia e lavou-as, pendurando-as no banheiro para secar. Ele não achava que precisaria delas porque pretendia descer a montanha com Ellie em breve. Era a energia inquieta que não o deixava ficar parado.

Ele encontrou alguns suprimentos básicos, na maioria enlatados, mas pelo menos era alguma coisa.

Como o sistema de aquecimento antiquado produzia muito pouco calor, ele colocou madeira dentro do velho forno que ficava contra a parede

acendeu o fogo, que logo estava forte. Ele fechou a porta de metal, feliz por

aquela lata velha ainda funcionar. A cabana era tão pequena que o fogo ajudaria a manter o espaço limitado mais aquecido.

Como já vasculhara todos os armários, Zane andou de um lado para o outro, indo do banheiro à janelinha ao lado da porta, torcendo para que

parasse de nevar.

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