Em frente ao espelho ajeito mais uma vez a gravata borboleta. Porra, Dylan. Quem se casa usando gravatinha igual de pet shop? Noção zero, sua sorte que gosto de você. Porque isso é pior que levar um tiro na bunda. Não é como se já tivesse levado, mas conheço alguns policiais que já levaram e dizem ser o inferno.
E para piorar a situação, me colocaram com aquela Camilly. Sinto até calafrios só de pensar naquela mulher. Claramente não nos suportamos, ela é abusada, depravada e sem educação. O estereotipo feminino que não me agrada nem um pouco. Mas, prometi para Dylan e Alyssa que não iria discutir com aquela modelo de Dercy Gonçalves. Sim, não é porque sou americano que não conheço celebridade famosa internacional. Sou culto, educado, cavalheiro à moda antiga.
Aquela... Criatura de saia, fode meu psicológico. Ela tem o poder de acabar com meu dia, só por hoje irei ter paciência. Depois não preciso mais ver a cara dela e nem seu sorriso largo, os lábios carnudos e rosados. Caralho, foco Brian. Não faz seu tipo, lembra? Esborrifo mais uma vez o perfume. Ajeito o casaco do terno e sigo em direção a saída para a garagem. No parafuso da parede, pego a chave pendurada.
Sento-me atrás do volante, e sigo em direção à igreja. O rádio instalado com a frequência da polícia anuncia várias ocorrências. Hoje estou de folga, mas não consigo desligar. Preciso saber o que está acontecendo na minha área, e o que me aguardará no outro dia.
"Assalto armado com vítima no local. Rua: Barrow street, West village. Q.A.P?"
Ah qual é? Meu amigo vai casar preciso de um tempo. Sinto muito, mas não vou atender nenhuma ocorrência. Desligo o aparelho e o silêncio reina dentro do automóvel.
Conforme me aproximo da igreja, noto a movimentação de carros, pessoas com trajes de festas. Isso porque seria uma pequena cerimônia para os mais chegados. É meu chapa, nossa percepção de pequeno e íntimo é totalmente diferente.
Procuro um local para estacionar, mas não encontro. E como se fosse um milagre divino, vejo quando um carro acende à seta indicando que está saindo. Imediatamente giro o volante direcionando na entrada, quando um híbrido branco entra com tudo na vaga, e pior não se deu o trabalho de dar seta, roubando meu lugar. Anoto mentalmente a placa.
Ah mas isso não vai ficar assim, eu vou pegar esse desgraçado e ele...
Calo-me na mesma hora que a porta se abre.
Seus cabelos negros e soltos caem sobre os ombros criando uma cortina sedosa sobre a pele. O vestido vermelho justo ao corpo, marcando cada curva como se fosse uma segunda pele em contraste com a obra perfeita, bem diante dos meus olhos.
Meus olhos percorrem da ponta do pé até o último fio de cabelo. Remexo-me inquieto no banco, mas não consigo desviar o olhar daquela mistura de deusa com filha do capiroto. Por algum motivo desconhecido, sinto minha calça ficar apertada ou seria a porra do meu pau inchado e duro?
Amigo, você é um traidor. Está proibido de ficar desse jeito por causa dela, vai por mim, não vale a pena.
- Oh babaca anda logo. - Ouço o som de buzina e uma voz gritando.
Encaro o retrovisor e vejo a longa fila que se formou atrás de mim. Coloco a mão para fora e não resisto o impulso de erguer o dedo do meio. Babaca é você, cretino. Acelero liberando a passagem. Camilly definitivamente é problema, além do mais ela foge de mim como diabo foge da cruz. Será que é meu perfume? Ah que se foda essa maluca.
Depois de dez minutos e três quarteirões abaixo da localização da igreja consigo estacionar. Enquanto subo a ladeira sinto olhares sobre mim,
cochichos, e de canto de olho consigo ver que são mulheres de bochechas coradas e sorrisos bobos.
Estão rindo de mim ou para mim? Cada dia que passa entendo menos essas mulheres. Minha doce Sheron era tão fácil de lidar, amorosa, gentil, educada. Nunca irei me conformar de como ela escapou por entre meus dedos. Ainda me pergunto se eu poderia ter feito algo para evitar sua morte. Sempre carregarei essa incerteza dentro da minha alma, e jamais me perdoarei.
- Ouuu está garanhão hein? - Ethan se aproxima, sorrindo e assobiando.
- E aí, poderia não ficar gritando isso? Já não estou me sentindo confortável e você não ajuda.
- Ahhhhh qual é? Um delegado fodão com vergonha, cena épica.
- Ethan - resmungo entre dentes.
-OK. OK. - Erguendo as mãos em sinal de rendição, anda ao meu lado. - Cara acabei de ver Camilly, se eu pego uma mulher dessa esfolo a cabeça do gandalf.
- Gandalf? - questiono confuso. Ou seria melhor não pensar no que significa.
- É meu pau, sabe, coloquei um apelido carinhoso.
- Você me assusta. Juro, e muito. - Recuo dois passos criando certa distância entre nós.
Enfim chegamos à frente e longa da escadaria da igreja. Subimos pulando de dois em dois, a cada passo tenho a sensação de que essa maldita borboleta irá me sufocar. Contornamos a entrada principal procurando a porta da lateral para os padrinhos. Encontramos e mais que depressa a empurramos para fugir do calor escaldante. Assim que colocamos o pé dentro da sala o ar gélido toca minha face, me fazendo suspirar de alívio com os olhos fechados.
Ethan parado ao meu lado, me cutuca com o cotovelo. Observo ao redor percebo o quanto chamamos atenção irrompendo pela porta daquela maneira. Envergonhado, balanço a cabeça cumprimentando os demais.
Minha acompanhante disfarça rindo. Os meses em que Dylan permaneceu no hospital em coma, esbarrei várias vezes com essa mulher, e uma única vez conseguimos conversar por cinco minutos e para ser sincero não parecia a mesma pessoa.
- Está charmoso senhor delegado. - Colocando um pé na frente do outro como se estivesse desfilando, Camilly se aproxima puxando meu braço para entrelaçar ao seu.
E agora, ferrou tudo. Quem desligou o ar condicionado? Está esquentando aqui dentro também.
- É... Hum... Você está muito elegante, bonita, sabe. Bonita.
O som da sua gargalhada entra por meus ouvidos, desce por meu corpo penetrando minha pele, causando arrepios.
- Entendi gracinha. Não precisa ficar envergonhado, sei que me acha uma tentação. - Piscando, ela sorri com seus lábios carnudos pintado de vermelho.
Puta merda! Foco Brian, lembre-se que ela não faz seu tipo.
Encaro sua boca, imaginando como seria tê-los em volta de algo grosso e grande, sentindo a maciez e suavidade. Não, não, agora. Tento afastar os pensamentos para coelhinhos fofos na fazenda. Engulo em seco, sem saber o que responder, na verdade sei bem o que gostaria de fazer. Colocá-la de joelhos e observar sua boca engolindo meu pau. PORRA BRIAN! Não.
Seus olhos escuros e brilhantes encaram os meus de um jeito profundo e sensual. E sou salvo pela cerimonialista que surge com a prancheta em mãos, organizando os casais para a entrada. Seguimos a organizadora até a porta de entrada e ficamos em fila, aguardando o sinal para cada um entre com seu par.
Mantenho o olhar firme para frente, mas o perfume de Camilly atingi em cheio meu nariz. Adocicado, suave.
Qual é Brian? Esqueceu Sheron, sua esposa?
Como um flash de memória, relembro o dia do nosso casamento. A empolgação dela era contagiante, a dedicação com cada detalhe. Fez questão de acompanhar os decoradores, o Buffet, ela era muito detalhista. Todos amavam minha Sheron. Usando vestido branco de renda, com um detalhe singelo no cabelo e um simples buquê de flores do campo.
- Brian. Brian. Vamos. - A voz feminina me traz dos pensamentos perdidos.
- Sim, vamos - respondo, afastando as dolorosas lembranças.
Como todos os casamentos a noiva está atrasada e pude sentir a agonia de Dylan enquanto aguarda no altar. O clima tenso impregnou o ambiente.
Ando alguns passos sutilmente e me aproximo o suficiente para que ele possa me ouvir. - Desfaz essa cara, sua mulher está chegando ok. Ou vou te dar um soco.
Objetivo alcançado com sucesso. Consigo tirar um sorriso tímido do famoso agente do FBI.
De repente a marcha nupcial soa alto dentro da igreja, as portas se abrem. Alyssa está maravilhosa usando seu vestido branco. E ao lado da noiva dona Emilia, a sogra. Não sei como, mas com o passar do tempo Aly conseguiu convencer Dylan sobre sua mãe ser tão inocente quanto eles, e aparentemente fizeram as pazes.
Inquieto ao ver sua mãe, o pequeno Dominic se remexe no colo de uma senhora e estica os braços na direção dos seus pais. O pequeno está crescendo rápido.
Percorro meus olhos pela igreja enquanto a marcha ainda toca para a entrada triunfal da noiva, me pego encarando a senhorita encrenca. E para minha surpresa, ela me encara de volta com um brilho especial no olhar.
Fique longe tentação, bem longe.
Alyssa está maravilhosa em seu vestido especial de noiva. Lembranças dolorosas invadem meus pensamentos, engulo em seco sentindo o sabor amargo da saliva. Mas, minha amiga teve sorte, reencontrou seu grande amor do passado e mesmo com tudo que aconteceu, agora, estão juntos e serão felizes para sempre ou até que dure. Depois de tudo que passei só quero viver minha vida em paz, e sozinha. O amor entre um casal é só um sentimento ilusório da mais plena satisfação. Infelizmente descobri isso de uma forma cruel, com muita dor e sofrimento. Mudar de nome, país e fugir das consequências dos meus atos me custaram um alto preço. Com sorte uma amiga da época da faculdade conseguiu me emprestar um dinheiro, e pude recomeçar em um país novo, mas como nada vem fácil, por vezes adormeci sentada no banco da praça por não ter onde passar à noite. Fome, às vezes uma refeição por dia ou até mesmo nenhuma.
Já tinha perdido minhas esperanças e só desejava que a morte viesse ao meu encontro, aquele mundo não tinha mais nada para me oferecer. Nunca acreditei em milagres, mas a senhora Josefy foi um anjo enviado até mim como um grande milagre. Ela estava caminhando na praça com seus filhotes, ao me ver praticamente desmaiada no banco, suja, com fome, e semiviva. Sentou-se ao meu lado. Permaneci com os olhos fechados, não tinha força suficiente para reagir. Suas mãos enrugadas ergueram uma garrafa d'água e um sanduíche na minha direção. Relutei por uns minutos para aceitar a ajuda de um estranho, mas o que mais eu poderia fazer?
Esquecendo quaisquer resquícios de educação, tomei de suas mãos rapidamente o que estava oferecendo. Sem cerimônias devorei em pouco tempo o sanduíche.
- Obrigada - agradeci educadamente com a voz trêmula.
- Não precisa agradecer querida. Faz dias que há vejo sentada aqui nesse mesmo banco. - Seu olhar terno e gentil, aqueceu meu coração.
- Hum... É obrigada novamente. - Abro um sorriso tímido e envergonhado.
- Querida, por que está morando na rua? - Calada, encaro o rosto da senhora. - Desculpe minha intromissão, mas uma mulher jovem e bonita, assim na rua.
- Tudo bem, é complicado. Problemas familiares. - Colocando sua mão marcada pela idade por cima, me surpreendi. E pela primeira vez, sinto vontade de contar o que aconteceu para alguém.
Comecei a história desde o primeiro dia que conheci o Spencer, as agressões, o cárcere privado, a perda do bebê, mas pulei a parte do assassinato. Não queria que essa senhorinha bondosa sentisse medo de mim, a assassina do próprio marido.
Então, um milagre chamado Josefy Carter surgiu na minha vida. Sem filhos, irmãos ou parentes, ela era uma pessoa sozinha. Comovida, abriu seu grande coração e as portas de sua casa para mim. Ajudou-me a mudar de nome acrescentando seu sobrenome, assim me tornando sua filha. Durante três anos pude sentir como era ter o amor de uma mãe, infelizmente Josefy morreu com câncer de pulmão. O que tinha em abundância de bondade tinha em teimosa. Pedi inúmeras vezes para fazer o tratamento e largar o vício do cigarro, mas ela só respondia.
"Filha estou velha e cansada, quero morrer feliz fazendo algo que gosto."
Como sua única herdeira, sou responsável pelo dinheiro e seus investimentos. Camilly Carter, dona de uma pequena fortuna.
Só posso agradecer por ter encontrado um anjo em meu caminho, graças a ela tive um recomeço. Confesso que tenho medo, sinto como se a qualquer momento a polícia fosse invadir o apartamento e me prender pela morte daquele cretino. Quando deito na cama e fecho os olhos, ainda posso vê-lo com o cinto na mão. O ódio queimando em seus olhos, suas mãos estrangulando meu pescoço enquanto me violentava. Já se passaram cinco anos, mas tenho a impressão de que mesmo morto aquele desgraçado nunca irá me dar paz.
Ergo a cabeça e sinto o olhar do delegado Brian sobre mim. Como não iria notar um Deus em formato de homem? Moreno, alto, forte e com um sorriso que molharia a calcinha de qualquer mulher. Seu único defeito é ser policial. Impossível se envolver com aquilo que venho fugindo por anos, e sei como esses policiais podem ser persuasivos quando querem descobrir algo. Então, melhor manter distância e torcer a calcinha no banheiro.
Minha nova personalidade é descontraída, apaixonada pela vida. E sim, descobri a sensação de gozar, coisa que o Spencer jamais conseguiu. É típico a mulher fingir que está satisfeita para agradar o companheiro, mas se tem algo que aprendi nisso tudo, jamais finja um orgasmo, deixe o homem saber que ele fode mal, quem sabe assim aprende não pensar só no prazer e satisfação pessoal.
Encaro os olhos escuros do delegado que desconfortavelmente se remexe desviando sua atenção. Sinto um calor crescente percorrendo meu corpo, não consigo evitar percorrer os olhos desde a ponta do seu sapato másculo até o último fio de cabelo.
Como dizia Josefy: Filha tem que transar muito. Porque depois a terra vai comer mesmo. Homem é objeto de prazer filha, o deixe pensar que está te usando, mas na verdade quem está usando alguém é você.
Acatei cada conselho, Josefy era sábia. Em pouco tempo aprendi muita coisa com ela, desde como investir o dinheiro até como ser feliz na vida sexual, sem me machucar.
Dominic inquieto estica seus pequenos braços para os pais a todo o momento, o que faz o padre acelerar os votos matrimoniais. Meus pés doem dentro do sapato apertado, e logo ouvimos o sonoro SIM do casal de
pombinhos e o DECLARO MARIDO E MULHER. Aplausos seguidos de gritos de felicitações ecoam dentro da igreja.
A cerimonialista surge das profundezas com sua prancheta e o cabelo lambido, relembrando com gestos como devemos proceder. Aguardamos a saída dos noivos, em seguida cada padrinho se encontra no meio do altar com sua parceira dando os braços para seguir em direção a saída.
Enlaço o antebraço do gostosão, seu perfume atingi meu nariz me deixando entorpecida. De canto de olho consigo ver sua barba grossa por fazer, e imagino como seria senti-la no meio das pernas roçando na minha boceta. Respiro fundo tentando manter o controle.
Lembre-se P.O.L.Í.C.I.A.
Droga, a voz da minha deusa da depravação grita alto como sinal de alerta vermelho.
OKAY! Não precisa gritar, já entendi. Brian Garcia tem uma enorme placa grudada nas costas com os dizeres: MANTENHA DISTÂNCIA.
Os convidados se agitam na escadaria da igreja dificultando a passagem dos padrinhos, tento desviar das pessoas para me aproximar dos noivos, mas só ouço gritos de mulheres desesperadas para pegar o buquê.
- Vai lá Cami. - Não sei de onde e nem como Ethan surgiu ao meu lado me empurrando no meio da bagunça.
Empurra, empurra, pisam no pé, cotoveladas. Parece que estou em uma zona de guerra, e a missão se chama AGARRE O BUQUÊ. Determinada a fugir do olho do furacão, empurro algumas mulheres até que algo acerta meu rosto. Involuntariamente ergo as mãos me defendendo, e então, o vejo. Droga, envolto com uma fita de cetim vermelha e flores brancas, o infeliz caiu diretamente em mim. Isso não é sorte, é azar puro e simples.
Semicerro os olhos com vontade de jogá-lo de volta para Alyssa. E como se entendesse minhas intenções, minha amiga balança a cabeça em sinal de negativa. Sei o que essa noiva safada está pensando, e não quero destruir seu momento de felicidade. Revirando os olhos, saio pela lateral da igreja, pisando em todos os pés que estão no caminho. Pisando duro e resmungando baixo, sigo em direção do carro. Chega dessa coisa, quero só ir para festa, beber, comer e me divertir.
Enfio a chave na porta e sento no banco do motorista, encaro o buquê, e o jogo no banco de trás, em casa seu destino será o lixo.
Procuro a mesa com meu nome, e como já esperava estou sentada com Ethan, Brian e mais uma pessoa que não conheço. Puxo a cadeira e me sento. Aos poucos os convidados entram no salão. Boquiaberta, vislumbro o delegado caminhando com um pé na frente do outro. Uauuuu esse homem podia ser modelo de cueca, ou talvez nu, mas só para mim.
- É aqui. Hum, legal. - Qual é senhor policial? Posso sentir a tensão sexual emanando do seu corpo.
Apoio os cotovelos na mesa apertando meus seios com os braços deixando o decote em evidência. Incomodado com a situação, ele se remexe na cadeira afrouxando o nó da gravata. Posso ver seu pomo de adão subindo e descendo enquanto engole em seco.
Levanto sensualmente ficando em pé. Deslizo as mãos esticando o tecido do vestido mais ao mesmo tempo acariciando meu corpo para provocá-lo. Como se não conseguisse desviar os olhos, ele me observa com desejo estampado no rosto. Sorrindo maliciosamente, umedeço os lábios com a ponta da língua.
Brian empurra a cadeira para trás com violência, derrubando-a. Esfregando as mãos no rosto e de cabeça baixa, se afasta seguindo em direção do banheiro.
Covarde! Sinto vontade de rir. Se soubesse que causa o mesmo efeito.
- Servida, senhorita? - Pego uma taça de champanhe com o garçom e a viro de uma vez, devolvendo-a para a bandeja.
Por que esse homem foge de mim desse jeito? Eu sei por que fujo dele, mas e ele? Alyssa me contou em uma de nossas conversas o quanto é conservador, turrão. Agora quero saber, algo nele me instiga ao desafio e gosto disso.
- Oh! Aonde você vai? - Esbarro em Ethan que chega à mesa.
- Já venho - respondo.
Encosto na parede da porta do banheiro masculino, e espero que abra a porta. Ouço o som do trinco e logo Brian surgi na minha frente. Espalmo as mãos no seu peito grande e largo, empurrando-o para dentro de novo. Sem entender nada permanece calado. Giro a chave na fechadura, e a tranco.
- Camilly o que está fazendo? - Como até a voz desse homem pode ser sexy. Grossa, máscula, firme?
- Shiii. - Coloco um dedo por cima dos seus lábios silenciando-o.
A cada passo que avanço me aproximando, ele recua dois até não ter como fugir.
- Você está louca. - Sua mão grossa segura meu braço me puxando para mais perto.
- Quer tanto quanto eu. - Ergo uma perna, e esfrego o joelho no meio das suas pernas, roçando no seu pau.
Com os lábios apertados de raiva e os olhos injetados de desejo. Brian toma minha boca em um beijo desesperado e ardente. Minhas mãos abrem os botões da camisa dele de forma desesperada, então, decido fazer algo diferente. Posso tornar esse jogo bem interessante, vou amaciar primeiro.
Rapidamente abro os botões da calça. Afasto-me dos seus braços musculosos, posso ver a expressão confusa no seu rosto. Ergo a barra do vestido para cima ganhando mobilidade. Ajoelho-me no pequeno espaço. Puxo a cueca para baixo liberando seu membro duro e excitado.
Seguro seu pau entre as mãos, aperto os dedos envolvendo-o fortemente. Lentamente começo fazer movimentos subindo e descendo.
- Camilly? - ofegante, me chama.
Sem se importar com o que está ao redor, coloco ponta da língua para fora e lambo a cabeça rosada, descendo suavemente. Seus gemidos me instigam a continuar. Substituo as mãos pela boca, engolindo seu pau. Grande, grosso, sinto batendo no fundo da garganta. Mãos fortes agarram meus cabelos entrelaçando os dedos no emaranhado do penteado.
Meus lábios envolvem o membro com força, chupo devagar, rápido, com força. Com uma mão acaricio suas bolas inchadas. A cada sugada Brian remexe o quadril arremetendo minha boca.
- PORRA! Boca gostosa do caralho - resmunga alto.
Quem diria que o senhor puritano sabia falar palavrões. A cada estocada fico mais excitada, molhada, imaginando seu pau me fodendo. Mais algumas sugadas e ouço seu alerta, mas ignoro sentindo seu líquido quente jorrando na garganta. Engulo até a última gota. Antes que possa esboçar qualquer reação, mãos fortes seguram meus braços me levantando.
Brian gira nossos corpos pressionando meu rosto contra o azulejo frio.
Excitado, esfrega seu pau na minha bunda por cima do vestido.
- Quero você - ronrona.
- Estou aqui, não é - respondo ofegante.
Empurrando meus joelhos com os seus, afasta minhas pernas. Como um animal feroz prendendo sua presa, Brian ergue a barra do vestido, deslizando as mãos na bunda. Sinto o ardor de uma tapa na minha pele. Molhada, excitada e querendo muito transar com ele, empino o quadril contra o seu. Enrolando a mão nos meus cabelos, puxa minha cabeça para trás deslizando a língua por meu pescoço.
- Tem alguém aí?
Batidas na porta nos traz de volta a realidade. Afastamo-nos rapidamente trocando olhares, enquanto arrumamos
Outra pancada impaciente na porta me traz de volta a realidade. Por que deixei isso acontecer? Como pude manchar a memória de Sheron desse jeito, pior ainda, com Camilly. Deixei-me levar por desejos primitivos, mas porra como resistir a essa diaba provocadora? Com as mãos tremendo, ergo o zíper da calça ajeitando meu pau duro dentro da cueca.
- Brian, é o brinde cara anda logo. Está com dor de barriga? - Ethan bate novamente enquanto gira a maçaneta tentando abrir a porta.
Camilly permanece calada com um sorriso vitorioso nos lábios. Encaro dentro dos seus olhos e balanço a cabeça negativamente demonstrando o quanto me arrependo do que aconteceu. Na mais pura ousadia, ela ergue sua mão e toca meu rosto acariciando com as pontas dos dedos. Agarro seu braço com força e a puxo para mais perto, Ethan nos ver saindo juntos do banheiro já é suficientemente ruim.
- Nunca mais faça isso - digo entredentes.
- Você gostou senhor delegado puritano. - Piscando, desliza a língua nos lábios carnudos e deliciosos.
- Já avisei. - Esbarro no seu corpo para destrancar a porta, e sinto que Camilly encostar nas minhas costas roçando os seios fartos, provocando-me. Ela não cansa desses joguinhos?
Abro de supetão a porta. Ethan me encara de boca aberta, mas quando nota que atrás de mim tem uma mulher, melhor ainda Camilly, seus olhos se arregalam como se fossem saltar da órbita. Até mesmo alguém desatento como ele sabe o que um casal pode fazer dentro de um banheiro privado.
A raiva por ter cedido aos meus desejos me consome. Trêmulo, suando, sinto que estou sufocando. Lembranças dos momentos íntimos com Sheron invadem meus pensamentos. Minha esposa perfeita. Pisando duro, caminho rápido para a saída. Ouço vozes chamando meu nome, mas só ouço zumbidos.
Afasto-me do salão indo em direção ao estacionamento. Procuro por meu carro e uma maldita coincidência, o carro dela está ao lado do meu. Paro em frente ao híbrido branco, encarando através do para-brisa escuro. Apoio às mãos no capô do carro, deixando minha cabeça baixa. Fecho os olhos, e só vejo os olhos ardentes de desejo de Camilly ajoelhada na minha frente. A maciez dos lábios, a garganta aveludada e gulosa sugando cada centímetro do meu pau. A fragrância do perfume suave.
- PORRA! - Fecho as mãos em um soco, mas antes que possa socar o carro dela, chuto o pneu várias vezes tentando descontar minha raiva e frustração.
Respiro fundo recobrando o pouco de sanidade que ainda me resta dessa noite, aperto o alarme do carro destravando a porta. Sento atrás do volante, e acelero desviando dos carros estacionados, e saio fora daquele lugar, fugindo de mim mesmo.
Inconscientemente dirijo até o cemitério. Preciso estar com minha esposa, não importa como. Estaciono o carro de qualquer jeito, talvez pegando duas, ou três vagas, não importa. Não é como se as pessoas viessem ao cemitério às nove horas da noite. Como esperava os grandes portões dourados da entrada estão trancados. Dou a volta no quarteirão
procurando um espaço mais baixo no muro, e sem pensar nas consequências pulo para dentro.
Percorro o caminho de tijolos cinza contando somente com a iluminação da lua. A paz, e o silêncio é como um bálsamo para a dor que estou sentindo. Mais alguns passos e paro em frente à lápide com nome de Sheron Garcia. Minhas pernas fraquejam me colocando de joelhos. Sinto lágrimas descendo e molhando meu rosto. Engasgado com as palavras não consigo achar um jeito de pedir perdão por tudo. Principalmente por não a ter salvo daqueles bandidos.
- Perdoe-me, por favor. Prometi cuidar de você, amá-la e não cumpri minha promessa. Desculpa Sheron, me desculpa. Por favor. - Debruço o corpo apoiando as mãos no gramado. - Desculpa.
Sinto algo aquecendo meu rosto, levo as mãos até os olhos cobrindo-os e com dificuldade, os abro. Os primeiros raios de sol da manhã despontam no meio das árvores. Estava tão atordoado que não percebi quando cai no sono ali mesmo. Levanto passando a mão pela calça, camisa, me livrando da sujeira do gramado. Enfio a mão no bolso, e confirmo que carteira e celular permanecem intactos. Abaixo para pegar a chave do carro que está jogada no gramado. Lanço um último olhar na direção do túmulo, e com pesar me despeço.
- Como entrou aqui? - Sou surpreendido pelo coveiro e sua pá ameaçadora.
- Longa história, senhor. Já estou de saída, não sou ladrão. Minha esposa é a dona dessa lápide, e sou delegado. - Enfio a mão no bolso e puxo o distintivo. Empurro o distintivo e confirmo que não estou mentindo.
- Certo, é proibido, devia chamar a polícia. Espera você é a polícia.
- Posso ver a confusão em seus olhos cansados e com marcas de idade.
- Sim - respondo com o esboço de um sorriso.
Gentilmente o senhor se prontifica para abrir o portão lateral de funcionários para que eu possa sair sem precisar pular o muro de novo. Trocamos algumas palavras no percurso e ouço atentamente o seu relato de quantos casais jovens se perdem para a morte. De uma forma estranha e egoísta saber disso me traz certo consolo.
Despeço-me sem delongas, e fico indignado como deixei o carro estacionado. No mínimo levaria três multas por infrações diferentes.
- Porra! - resmungo, abrindo a porta do motorista.
Sentado e desperto para mais um dia de trabalho, ligo o rádio de comunicação da delegacia. Sonoramente os códigos e ocorrências tomam o espaço do silêncio. É isso, essa é a minha vida, ajudar pessoas que precisam e nada mais.
- Só meu trabalho - repito baixo.
Antes de ir para delegacia desvio o caminho passando em casa para tomar banho e me recompor da tragédia da noite passada. Agora que a fase casamento já acabou, não tenho o porquê ficar me encontrando com Camilly. Espero nunca mais ser obrigado ficar em um local tão pequeno e apertado junto com ela. Banho tomado, dignidade restaurada, sigo em direção ao trabalho.
Caralho fiquei apenas um dia fora da delegacia e mais parece um ano. Centenas de processos, relatórios de entrada de evidências judiciais. Definitivamente não posso me ausentar.
- Senhor? - Catarine bate na porta.
faço.
- Sim. - A policial pede que a acompanhe até a recepção, e assim o
Sentada no banco uma jovem mulher segura seu braço repleto de
hematomas, assim como o rosto. Os lábios vermelhos manchados com sangue da agressão.
Engulo em seco. Meu sangue se agita nas veias fervendo de fúria. Tantos anos presenciando vítimas de violência doméstica, mas ainda não consigo ser indiferente. Quero ir até o desgraçado e ensinar que não se bate em uma mulher, fazê-lo sangrar do mesmo jeito que sangrou uma pessoa indefesa. Esfrego disfarçadamente as mãos suadas na calça. Peço para que Catarine prossiga com o protocolo e em seguida a leve até minha sala.
Em poucos minutos tenho a Jeniffer sentada em frente à minha mesa. Ao lado sentado no canto em frente ao computador outro policial tomando nota do depoimento da vítima para inclusão nos autos do processo. Ouço atentamente cada palavra que sai de sua boca.
- Sim, trabalho em dois empregos e ele sempre rouba meu dinheiro. Não compra comida para casa, e quando não tem cerveja. Bom, acontece isso. Seu delegado, eu e meus filhos passamos fome, não sei mais o que fazer, depois de tantos anos, só criei coragem agora, por favor, nos ajude - implora, soluçando e chorando.
- Podemos emitir uma medida protetiva para a senhora, impedindo que ele se aproxime novamente. Mas tenho que ser sincero. Muitos casos essas medidas são inúteis. Aconselho à senhora morar com algum parente por um tempo, até pegarmos seu marido e tudo isso se resolver.
Mentir para as vítimas que medidas protetivas são eficazes, é como entregá-las na mão do agressor novamente. E não posso permitir. Peço para dois policiais acompanhá-la ao hospital para realizar o exame de corpo de delito, e depois até a residência para que possa recuperar seus bens e os filhos que se esconderam na vizinhança.
- Só mais uma coisa. A senhora por acaso sabe onde ele está nesse momento? -questiono de forma desinteressada.
- Acho que deve estar no bar de um amigo dele.
- Qual o endereço, por favor?
Anoto cautelosamente o endereço. Irei levar a comunicação da medida protetiva pessoalmente para esse desgraçado.
Aproximando-me do bar, desligo o farol do carro para não o alertar. Confiro quantas balas tenho no pente da pistola, e a encaixo novamente no coldre peitoral em seguida visto o casaco. Enfio as mãos no bolso da calça e faço minha melhor expressão de policial bonzinho, afinal sou representante da lei, não é?
Conforme me aproximo ouço o som de música alta, risadas extravagantes. Piso dentro do bar, encarando tudo ao redor. Homens bêbados discutem sobre futebol mal notando que entrei no estabelecimento. Meus olhos procuram uma única pessoa, e mais ao canto com uma mulher bêbada sentada no colo se encontra o agressor.
- Josef? - chamo.
- Quem é você? Não enche meu saco, babaca.
Puxo o casaco para trás expondo a arma e faço sinal com a cabeça para a mulher sair. Correndo, ela se levanta e passa por mim de olhos arregalados.
- Estou aqui para entregar a medida protetiva de sua esposa Jeniffer, sabe o que significa?
- Ah ah... Sei... Grande merda. Aquela piranha foi reclamar de mim? Cadê as provas que foi eu, poderia ter sido o amante, vai saber. - Respiro fundo contando até cem, mas não funcionou dessa vez.
Avanço sobre ele fechando minhas mãos na sua camiseta, o ergo da cadeira e bato seu corpo contra a parede com força. Aproximo a boca do ouvido, para que sinta meu hálito quente no seu cangote.
- Escuta aqui desgraçado. Se chegar perto dela de novo, vou te caçar até no inferno e meter uma bala nessa cabeça podre. Você entendeu? - Espero uns segundos a mais e a resposta não vem. - ENTENDEU? - digo cerrando os dentes.
- Si... Sim - gagueja.
Sorrindo satisfeito, me afasto soltando-o. As pessoas observam de longe sem se intrometer. Deixo o documento em cima de uma mesa.
- Isso que acontece quando se é um agressor covarde. - Pisco para eles, batendo o dedo com força no papel.
Viro-me de costas saindo do bar, e antes de sumir, ergo a mão e aceno um tchau debochado. Cretino não se cria na minha área.
Desligo o chuveiro, empurro a porta de vidro do box e alcanço a tolha pendurada no suporte da parede. Deslizo o tecido de algodão enxugando minha pele. Levemente seca enrolo meu corpo, e pego outra para o cabelo. Ando pelo banheiro até ficar em frente ao espelho. O reflexo de uma mulher forte, madura e autossuficiente reflete diante dos meus olhos. Por vezes me pego pensando como o destino pode ser cruel e jogar com a vida das pessoas. Massageio minhas bochechas com as pontas dos dedos. E o som do celular tocando me puxa de volta do momento de reflexão.
Ansiosa e com passos rápidos, chego rapidamente na escrivaninha e com o aparelho em mãos confiro o nome que salta na tela.
"Luca Ricci"
Não era isso que queria ver na tela do celular. Droga esqueci completamente do trabalho de tese relativas à pena. Era para ter entregado hoje, mas tinha compromisso importante com o responsável por gerenciar minha conta no banco. Recusar a chamada ou não? Pensando bem, o senhor Luca é o professor mais rígido e exigente do curso de direito. Sempre sério com a expressão fechada, impossibilitando qualquer aproximação. Respiro fundo, e decido atender.
- Boa tarde. - Mantenho a voz firme, mas por dentro tremendo de medo.
- Senhorita Carter? - Sua voz fria e penetrante faz minha pele arrepiar.
- Sim. Desculpe prof... - Não termino de falar.
- Não quero saber das suas desculpas, guarde para quem realmente irá acreditar nelas. Sabe o quanto estimo as notas dos meus alunos, todos se graduam com louvor e não aceito menos. Dessa vez vou dar uma colher de chá, tem até amanhã para entregar a tese, caso contrário irei reprová-la na minha disciplina. Boa tarde.
Em seguida só ouço o som da finalização de chamada. Não esperou nem que me despedisse. Isso só pode ser falta de sexo, apesar de que ouvi boatos que várias mulheres o assediam pelos corredores da universidade. Para um homem com quarenta e cinco anos, ele é bem gostoso. Mas com aquela cara sempre amarrada duvido que saia com alguém. Tenho medo só de imaginar, ou o professor Luca pode ser o famoso come quieto. Bom, isso não é da minha conta. Deito na cama de costas, jogo o celular no meio dos travesseiros, e encaro o teto azul pálido. Preciso terminar esse trabalho, não posso reprovar nessa matéria.
"Suas mãos ásperas deslizam por minha barriga lentamente. Fecho os olhos absorvendo o calor do seu toque. Ansiosa, mordo os lábios esperando por mais. Pouco a pouco, suavemente, suas mãos abrem o botão da calça. Apoio o corpo com os cotovelos levantando o tronco. Quero vê-lo. Contorço-me quando seus dedos roçam meu clitóris, esfregando. Em seguida sinto-os dentro de mim, fodendo minha boceta úmida. Entrando, saindo, entrando, saindo, com ferocidade. Um dedo, depois dois, três, alargando o centro para ele. - Brian - sussurro. Erguendo a cabeça seus olhos castanhos se encontram com os meus em uma conexão intensa e excitante. Os bicos dos meus seios se arrepiam de tesão marcando em evidência no tecido da regata. Selvagem, cru, meu delegado me fode com os dedos de um jeito dolorosamente prazeroso. A cada investida só quero mais, mais, mais..."
Assustada, e suando frio, sento na cama. O que foi isso? Não Camilly, esse homem não é para você, nem mesmo nos sonhos. Esqueça e siga em frente. Além do mais, aquele ogro nem mesmo mandou uma mensagem para saber como ficou após nosso flagra e sua saída temperamental. E Alyssa ainda tem a cara de pau de dizer que Brian Garcia é um homem honesto, sensível, ótimo partido. Aonde? No mínimo deve estar achando que sou descartável, só porque paguei um boquete para ele. É como todos os outros só mudam a profissão. Quer saber? Nunca mais quero olhar para esse cretino, insensível. Pode viver em eterno luto pela esposa perfeita dele, já que nenhuma mulher se iguala ao patamar de perfeição da falecida. Fala sério.
Ainda enrolada na toalha, levanto, abro o armário em busca do notebook. Enquanto ligo o note, vou até a cozinha e preparo uma xícara de café. Cafeína será minha única companheira por hoje.
Atravesso o hall de entrada da universidade correndo como louca. Tenho dez minutos para entregar a tese que virei à noite escrevendo. A bolsa no ombro escorrega várias vezes ameaçando ir para o chão. Esbarro em algumas pessoas no caminho, mesmo tentando desviar ao máximo, sempre tem aqueles que ficam dormindo no corredor, e especialmente hoje não estou com paciência.
Bato na porta da sala do senhor Luca, e aguardo. Sinto os pulmões arderem a cada vez que respiro fundo, engulo em seco controlando a vontade de vomitar meus órgãos. Definitivamente preciso praticar exercícios físicos.
Após alguns minutos, a porta se abre revelando o professor gostosão. Arrumo a bolsa novamente, e abro um sorriso amarelo. É difícil se recompor instantaneamente quando você sentiu como se a sua alma tivesse fugido do corpo.
Arrogante como sempre e com seu olhar de superioridade, estende a mão para mim sem dizer nenhuma palavra. Entrego trabalho, e balanço a
cabeça positivamente. A sensação de alívio é maravilhosa. Sinto que estou atraindo olhares, e só então, percebo que estou de pijama e chinelo.
- Droga - resmungo baixo, envergonhada.
Mais que depressa procuro a saída do bloco principal. Só posso estar enlouquecendo de vez, a angústia e medo eram tanto que nem ao menos me dei conta que não tinha trocado de roupa. Não tem problema, afinal, consegui entregar a tese e estou livre dessa disciplina. Com a consciência tranquila, caminho até o estacionamento em busca do carro. Conforme me aproximo, aciono o alarme para abrir a porta.
Dirijo pelas ruas de Nova York escutando "Pyro – Kings of Leon". E para completar a vergonha do dia, desafino cantando junto com o cantor, com o braço apoiado na janela e uma mão no volante. Em vinte minutos estaciono em frente do prédio. Sabe aquela música que faz parte da sua playlist e você passaria o dia repetindo por várias e várias vezes? Essa é uma delas. Então, contínuo sentada esperando que Kings of Leon termine seu ícone musical. Fecho os olhos, e encosto a cabeça no banco.
Gritos femininos roubam minha atenção. Imediatamente coloco a cabeça para fora e vejo Yasmim à vizinha de porta com seu namorado. Ele está segurando-a pelos braços e chacoalhando o pequeno corpo violentamente. Yasmim tenta se desvencilhar, mas é inútil. Ainda me pergunto como uma jovem de dezessete anos pode perder tempo com um traste. Ela súplica pedindo que ele pare. Lembranças nublam meus pensamentos, me deixando paralisada. Quero sair do carro e ajudá-la, mas não consigo me mexer. A mesma voz de cinco anos atrás sussurra que tenho que reagir ser forte mais uma vez.
Buscando forças internamente, pego o celular dentro da bolsa e disco o número da polícia relatando a agressão. E como sempre informam que iram mandar uma viatura, mais em quanto tempo? Uma hora, meia hora? Tempo suficiente para acontecer uma desgraça. Desligo a chamada, e cogito a hipótese de descer do carro e ir até lá e esfregar a cara desse cretino no chão.
Através do retrovisor consigo ter uma boa visão da situação, e sou surpreendida quando o homem ergue sua grande mão descendo uma tapa no rosto de Yasmim, fazendo a jovem recuar alguns passos para trás. Sem pensar em nada e cega de raiva, abro a porta com força, e corro até o cretino pulando nas suas costas. Assustado, ele cambaleia em seus próprios pés. Com os braços em volta do seu pescoço aperto para sufocá-lo, infelizmente não tenho força suficiente.
Desesperado, agarra em meus braços tentando me tirar de cima, nem um guindaste me tira daqui. Grito vários palavrões em seu ouvido e continuo pendurada. O agressor xinga, esbraveja, enquanto Yasmim assisti a cena de longe sentada no chão. A luz vermelha e azul reflete na fachada do prédio, e a sirene soa alto.
Até que enfim.
- Vou processar essa delegacia.
Ouço vozes alteradas vindo diretamente da recepção. Processar-nos por qual motivo? Penso comigo mesmo enquanto termino o relatório da promotora Suzana. Estou atrasado com o prazo de entrega, então, decido que outros podem muito bem lidar com a situação.
- Eu não fiz nada, ele fez. Bateu nela, e a polícia demorou demais, alguém podia ter morrido.
- A senhorita é testemunha da agressão. E senão ficar calma, irei detê-la por desacato, entendeu?
OK. Acho que está na hora de intervir.
Clico em enviar o documento, fecho o notebook. Ajeito minha camisa deslizando as mãos para tirar as marcas do tecido. Abro a porta da sala, e quanto mais me aproximo da confusão tenho a ligeira impressão de que conheço aquela voz.
PUTA QUE PARIU! Camilly?
Não consigo evitar que meus olhos percorram seu corpo. Cabelos soltos, nos pés chinelos de tecido, e de pijama. Na, verdade não posso considerar isso como pijama. O short é tão curto marcando a bunda que tenho vontade de arrancá-lo com os dentes, e a parte de cima desperta meu pau causando os efeitos de uma bomba atômica dentro da calça. Ela não está usando sutiã? Seus bicos arrepiados marcando o cetim me faz salivar.
Merda. Merda. Merda. A visão de tê-la sobre a mesa com as pernas abertas, rendida aos meus desejos me enlouquece.
Lembranças da sua boca chupando e engolindo meu pau dentro do banheiro invadem meus pensamentos. Paralisado, observo de longe tentando manter o controle para me aproximar. Sheron. Isso, prometi que não iria ter outra mulher na minha vida e manterei a promessa. Abro dois botões da camisa para refrescar o calor que está me consumindo. Respiro fundo, e avanço os passos em direção à confusão.
- Camilly? - chamo por seu nome.
Lentamente ela se virá para trás ao ouvir minha voz. Seus olhos castanhos se encontram com os meus, e posso ver que ficou tão surpresa quanto eu. Engolindo em seco, noto que suas bochechas ficam coradas instantemente. Ergo uma sobrancelha totalmente confuso. Nunca imaginei que poderia vê-la com vergonha, nem sabia que ela sentia isso.
- Brian? Ah que ótimo você é o delegado, então? - Sua expressão muda de surpresa para furiosa em fração de segundos.
- Sim, sou. O que está acontecendo? - direciono a pergunta ao policial responsável.
- Senhor, essa moça é testemunha de uma agressão física. O casal está prestando esclarecimentos. Mas, não entendo...
- Olha aqui. - Camilly ergue a mão interrompendo o policial. - Ele bateu na namorada na rua, e eu bati nele. Ele não tem que prestar depoimento e sim ser PRESO, entendeu? P.R.E.S.O - soletra a palavra para o policial.
Caralho, como pode ficar ainda mais sexy?
Limpo a garganta atraindo sua atenção, e cruzo os braços fazendo minha melhor cara de delegado mal.
- Por que está de pijama na rua?
Maldição que porra de pergunta é essa? Perdi a oportunidade de ficar calado. Foco Brian, a questão aqui é a agressão e não as curvas da meliante.
Inquieto troco o peso do corpo de uma perna para a outra.
- Isso não é da sua conta, delegado - esbraveja entre dentes como uma leoa furiosa.
Encaro os lábios carnudos, mas não entendo nenhuma palavra, só consigo lembrar quando esteve envolta do meu membro. Então, tudo acontece muito rápido. Camilly tem seu corpo girado contra o balcão com os braços para trás, o policial recita o código penal enquanto pega as algemas. Avanço sobre ele, seguro seu braço e o empurro para trás. Cambaleando recua alguns passos e me encara surpreso com a atitude.
- Não toque nela, entendeu? - O som da minha voz em conjunto com as palavras soa possessivamente. - Dispensado, vou cuidar pessoalmente da senhorita.
Minhas mãos descem até a cintura de Camilly segurando firme, e ajudo-a a se recompor, mas não consigo evitar o contato físico. Essa mulher é como fogo, sempre pronta para incendiar tudo ao redor, o problema é o estrago que causa no final. Subo suavemente às mãos por suas costas, acariciando a pele por cima do tecido de cetim. Respirando fundo, seu peito sobe e desce rapidamente. Sinto a maciez dos seus cabelos nas pontas dos dedos misturando à fragrância deliciosa de morango. Distraído com a situação, não notei que atraímos olhares curiosos.
Afasto-me rapidamente, devolvendo aos expectadores uma expressão cortante e mortal. Camilly permanece calada e encarando o nada a sua frente.
- Senhor posso registrar a ocorrência? - Catarine empurra a cadeira e fica em pé atrás do balcão.
- Sim, e você - aponto para a senhorita encrenca. - Vem comigo.
- Limpo a garganta. - VOCÊS NÃO TÊM O QUE FAZER? - grito dispersando os policiais.
Enfio as mãos nos bolsos da calça, viro de costas, e com passadas largas entro na minha sala. Encosto no batente e a espero entrar também. Assim que atravessa a porta, fecho e tranco passando a chave. Puxo a cadeira e faço gesto para que se sente. Calada, muda, e sem reclamar, ela senta cruzando as pernas sensualmente para me atormentar. Aposto que está fazendo de propósito querendo me desestabilizar, mas dessa vez não. Desvio o olhar, suando frio. Dou a volta por trás do seu corpo, indo até à mesa e sento-me. Desconfortável, inquieto, e queimando por dentro apoio os cotovelos na madeira maciça, e encaro seu rosto diabólico.
Algo está diferente. Por que não ergueu a cabeça ainda? Essa não é uma atitude típica de Camilly Carter.
- O que está errado? Quer dizer, além do fato de se meter em uma briga na rua, e estar em uma delegacia só de pijama.
- É só que me lembrei do meu... - Calando-se imediatamente não termina a frase. - Não é da sua conta, delegado. Vai pegar meu depoimento ou não? Tenho coisas para fazer. Pode ser?
Agora sim, essa é a Camilly que conheço. Ousada, agressiva, determinada, gostosa. BRIAN. FOCO.
- Conte como aconteceu, quero detalhes. - Digito o código do sistema, e anoto cada palavra minuciosamente.
Erguendo os braços, ela puxa seus cabelos para cima e faz um coque, prendendo-os. Alguns fios escapam contornando o rosto, deixando-a ainda mais sensual. Engulo em seco, observando seus movimentos. Como se notasse o efeito que causa sobre mim, desliza as mãos pelo pescoço.
PALAVRAS, DEPOIMENTO, SISTEMA.
Tento ao máximo voltar minha atenção para a tela do computador, mas meus olhos são traidores e não desviam dessa tentação. É isso, estou sendo colocado a prova, só pode.
- Pronto isso é tudo pode ir - concluo o mais rápido possível.
- Já acabou?
- Sim - respondo.
- Então, vou indo. Obrigado Brian.
O som do meu nome saindo dos seus lábios arrepia os pelos da minha nuca. Levanto da cadeira, e passo por ela para abrir a porta.
- Por favor, não entre em mais confusão.
- Olha aqui, você não manda em mim, ok? - responde nervosa.
Que caralho é esse? Só quero ajudar essa ingrata. Avanço alguns passos em sua direção enquanto ela recua para trás até encostar-se à parede. Espalmo uma mão de cada lado da parede, encurralando-a no meio dos meus braços. Aproximo o rosto do seu para que possa sentir minha respiração. Encaro dentro dos seus olhos, e agora quem está engolindo em seco não sou eu.
- Você não vai se meter em encrenca de novo, senão te coloco em uma cela e deixo dormir lá. Entendeu?
- Eu não...
Interrompo-a.
- Entendeu Camilly Carter? - digo entre dentes.
Como não reparei antes que suas irises têm rajadas de cor verde? E assim de perto seu perfume é ainda mais gostoso. Mas essa demônia
consegue puxar a merda para fora do meu controle.
- Si... Sim... Entendi - gagueja.
Abro um sorriso de canto, e desço o nariz até a curva do seu pescoço, roço suavemente contra a pele, inalando seu cheiro. Ofegante, sinto Camilly se remexer.
PORRA! PORRA!
Subo os lábios até sua orelha, e sussurro.
- Ótimo. - Para brincar de gato e rato é preciso de dois indivíduos, senhorita Carter. - Agora vai, tenho coisas importantes para fazer.
Puxo os braços e inclino o corpo para trás, mas Camilly agarra a frente da minha camisa me puxando de encontro ao seu corpo. Esfregando os seios no meu peito, ela sorri descaradamente.
- É bem sexy seu lado mandão. Mas, não preciso de você, cuide da sua vida, Brian.
Ficando nas pontas dos pés, ela roça os lábios nos meus delicadamente. Em segundos me segurando, em seguida me empurrando para longe.
- Adeus!
Sem dizer nenhuma palavra a vejo sair da sala rebolando a bunda, os cabelos escapando do coque e cobrindo suas costas.
Essa mulher vai ser minha perdição.
Atravesso a porta de saída da delegacia, e sinto os raios de sol tocando minha pele. Fecho os olhos e respiro fundo em uma tentativa de acalmar meu coração que bate acelerado. Minhas mãos tremem em conjunto com o resto do corpo, esse delegado é louco. Como se atreve a me tratar daquele jeito? Primeiro se faz de difícil, depois se rende por inteiro, mas corre igual diabo foge da cruz, e agora, quer bancar o preocupado? Senhor Delegado Brian Garcia está precisando de tratamento psicológico, maluco.
Flashs de consciência atingem meus pensamentos, e noto que acabei vindo até o lugar que mais tenho receio e medo, a polícia. Assassina, fugitiva, e com identidade falsa, no mínimo trinta anos de reclusão. Quando decidi que iria cursar a faculdade de direito, Josefy não entendeu o porquê, já que seria sua herdeira e responsável por administrar seus bens, mas uma mulher prevenida vale por duas, precisava saber tudo sobre leis e os riscos que corro caso me encontrem. Por fim, gostei do curso.
Caminhando rapidamente me afasto do prédio da polícia.
Sem carteira, dinheiro, carro, e de pijama, ando pelas ruas de ova York. Devia ter pedido carona para os policiais, mas não iria dar o gostinho para aquele ogro rir de mim logo após dizer que não preciso de cuidados. Pelo menos estou fazendo o exercício da semana inteira, nota mental, nada de academia.
Depois de uma hora andando a pé, algo me diz que deveria ter engolido meu orgulho. Meus pés estão em bolhas e as pernas latejando. Força Camily, você já passou por coisas muito pior que isso. De longe vejo uma praça, acelero os passos e sento no primeiro banco que encontro.
Exausta tombo a cabeça para trás apoiando na madeira, e encaro o céu estrelado. Recordo-me das noites que adormeci ao relento sentindo frio, fome e medo. Acho que nunca serei grata o suficiente a Josefy. Às vezes me questiono por que demorei tanto tempo para fugir daquele monstro? Medo? Covardia? Não ter dinheiro? Apoio? Família? Spencer sempre jogava na minha cara que não tinha como sobreviver sem ele, suas agressões verbais eram tão fortes quanto às físicas. Para ser sincera acho até que eram as verbais que doíam mais, minando minha capacidade como ser humano. Dia após dia, a pessoa falando o quanto se é inútil, imprestável, indesejável, se torna sua verdade. Infelizmente. Sinto lágrimas rolando por minha face.