Finjo não fazer diferença, mas, na verdade, isso acaba comigo.
ALEJANDRO MATTERALLA
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Me sinto um verdadeiro idiota, mesmo que meu trabalho tenha me sugado nos últimos anos, não merecia o que esses dois fizeram comigo!
- Acabou! Nosso casamento chegou ao fim! - declarei enquanto seguia com meu carro pela rodovia.
- Não aceitarei o divórcio, Alejandro. Te aturei por todos esses anos com seu ego de melhor médico do mundo! Não vou passar por uma separação aos 37, vai me aturar pelo resto da sua vida. - minha risada saiu carregada de cinismo.
- Você não começou com essa merda hoje! Que porra era aquela de amor? Não acredito nisso, bem embaixo do meu nariz! - Esbravejo apertando fortemente o volante por entre meus dedos - Te dei a melhor vida que um homem poderia lhe proporcionar, viagens, roupas caras, que usa só uma vez! Tudo que me pedia, idiota que sou, fazia para te agradar e nem vem me falar que era por falta de sexo, porque muitas das vezes era você a não colaborar!
- Queria atenção! Você vive naquele hospital e nunca estava presente, sem falar que não saía de perto da Pillar! Pensa que não sei ou que sou cega? Tudo isso é somente sua culpa. - Comecei a rir da merda que acabei de escutar - Fiz por ser você a iniciar a traição e não me arrependo!
- Está muito equivocada, nunca olhei para Pillar com malícia. Pelo contrário, tenho muita admiração por minha aluna, são sete anos a ensinando para se tornar uma ótima neurocirurgiã.
- Deixa de ser mentiroso! Você estava trepando com ela ou pensa que nunca reparei? Não seja ridículo. Sabe que não vou me separar de você, aturei sua traição, fará o mesmo comigo.
Minha risada dessa vez veio do fundo da garganta devido às asneiras que estou sendo obrigado a ouvir.
- Pode rir à vontade, o nosso divórcio não vai acontecer!
- Quero saber em que mundo vive para acreditar que tem domínio sobre mim ou que pode decidir alguma coisa ao meu respeito? - Questionei ponderando minha vontade de gritar com ela - Pillar, é somente minha aluna e nada mais do que isso. Pode falar a merda que quiser, minha consciência está limpíssima, já você, por que não pediu o divórcio?
Questionei desviando minha atenção da estrada para olhar em sua direção, encontrando-a de braços cruzados, balançando a cabeça em negativo como se fosse a dona da razão.
- Me fala! Aí poderia ficar com quem quisesse. Agora me colocar nessa situação? No baile beneficente do meu hospital, justo com ele! - Soquei o volante liberando fragmentos da minha ira - Acabou, não tem mais casamento.
- Saiba que permaneceremos juntos até o fim da vida. Você jurou me amar até meu último suspiro, mas de uns 5 anos para cá não me olha como antes!
Deu uma justificativa de merda, já que sempre fui atencioso e loucamente apaixonado por ela!
- Não aceito o divórcio, direi o que aos meus pais?
- Que me traiu com um dos médicos do meu Hospital no baile beneficente que levei meses para organizar. Diga a verdade, porque se não fizer, farei eu!
- Não aceito a separação! Prefiro a morte do que ter que dizer a todos que vou me divorciar!
- Vai se preparando, porque nosso casamento acabou! Assim você pode ficar com ele! - Declarei com seriedade - Me conhece há tempo suficiente para saber que não retrocedo nas minhas decisões.
Ela me deu um tapa na cara levando-me a desviar da estrada, o carro derrapou no canteiro de areia. Tentei controlar as rodas, só que dirigindo a mais de 100 quilômetros ficou difícil e a última coisa que vi foi meu carro indo a toda velocidade em direção a um poste!
O imaturo não resolve os problemas, terceiriza a culpa...
PILLAR LAZZARO
MEDIC SALUD | 21:00
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Bocejei ao observar a hora e dei graças a Deus que o plantão está tranquilo.
Se tiver qualquer cirurgia complicada terei que operar, sou a única neurocirurgiã no plantão e por faltar quatro meses para o fim da minha residência a cada dia que passa tenho sido mais requisitada para executar essas operações e pouquíssimas são às vezes que o Alejandro está presente.
- Como ele mesmo diz; já estou preparada para isso, porque formei mais uma cirurgiã de sucesso - parafraseei o que venho ouvindo com muita frequência enquanto caminho sentido ao dormitório - Vou descansar um pouco antes que apareça qualquer chamada de emergência.
- Por que não foi ao baile, Dra. Lazzaro?
Tomei um susto com a chefe da enfermagem surgindo do nada em minha frente.
- Sem neurocirurgiões disponíveis - choraminguei -, até as novas residentes foram, conclusão: todos estão no baile beneficente, menos eu e você! - ela me fez rir da sua careta engraçada - Acho que isso significa que somos boa o suficiente para ficarmos sozinhas, não é mesmo dona, Tiane?
- Você é magnífica, minha residente favorita. Agora vamos ao refeitório, estou com fome e não quero comer sozinha.
- Vou deitar um pouco, sabe melhor que ninguém que os casos de emergência aos sábados começam a chegar às duas da manhã. - ela ignorou minhas palavras e saiu me arrastando - Tiane! Preciso descansar.
- Se alimentar também! Vamos que tenho uma fofoca quente para te contar. - me animei com essa promessa - Que sorrisinho é esse aí fofoqueira?
- Não sou fofoqueira! - declarei ofendida - preciso alimentar minha curiosidade, é diferente.
- Sei! Então, está dizendo que a fofoqueira dessa história sou eu? - concordei - Pillar!
Parou abruptamente a mão repousando sobre o peito, fazendo cara de ofendido.
- Estou mentindo? - questionei e a cínica disse que sim - Tudo bem, ninguém é fofoqueira, somos comentaristas da vida alheia!
Começamos a rir feito duas retardadas caminhando pelos corredores vazios do Salud.
- Fofoqueiras ou não, o babado é quente! - me aproximei ainda mais na intenção de obter as informações necessárias - Antes pedirei um sanduíche de peito de peru e você?
- Frango com cream cheese e molho agridoce. - fizemos nossos pedidos e para beber, escolhi um suco de laranja e ela do sabor uva - Me conta, logo!
- Vamos nos sentar ali. - balançou a mão com euforia direcionando o fundo do refeitório.
Nos acomodamos e antes de abocanhar meu delicioso sanduíche favorito, exigi, as valiosas informações.
- Vem rolando um boato que o Dr. Salvani escolheu sua nova vítima! Está de olho na Amanda, a residente do Dr. Bertoni.
- Juan é um misógino narcisista, temos que dar um jeito de falar com ela! - declarei abertamente, por sabe que não gosto dele - Às vezes solta umas piadinhas ridículas na minha direção dizendo que não tenho privilégios por ter meu nome na porta do Salud.
- Por que não conta para o gostoso do seu irmão? Sei que o Dr. Lazzaro dará um jeito nele, Pillar.
- Precisamos de provas de que suas enfermeiras são assediadas, parece que de alguma forma elas têm medo do Juan! - ela coçou o pescoço, deixando claro sua inquietação - O que foi?
- É complicado, ele é um médico famoso e bem requisitado, nós enfermeiras - suspendeu os ombros como se tomasse coragem para finalizar a frase -, em quem vão acreditar?
- Na verdade! Manu ou Alejandro farão alguma coisa, só precisamos de uma prova, tenho certeza que se uma denunciar, as outras tomam coragem. - ela concordou em um aceno e sei que não fará nada - Sinto que essa conversa não chegará a lugar algum, o jeito é falar com Amanda, porque aqui o que predomina é o H maiúsculo, uma vez que todo o conselho é composto por homens e os chefes de setores também.
- Infelizmente, somos a minoria, acha que não te idolatramos? - questionou com tristeza - Você é a única médica que não deixa ninguém pisar em você, Pillar, e não digo isso por ser umas das donas do Salud e, sim, por não aceitar que eles tirem proveito de ser do sexo feminino!
- Deixe-me concluir meu último estágio, mudarei muita coisa nesses hospitais!
- Esse é o nosso maior desejo! - me deu um sorriso fraco - Vamos focar na Amanda, ela é a nossa melhor opção no momento.
Não sei porque, mas sinto que não estou sabendo de tudo e depois conversarei com ela. Se é necessário mudança tenho que saber por onde começar
Me dediquei a comer meu sanduíche pensando que pode ser pior do que imagino. Tiane finalizou o dela primeiro que eu e o silêncio caiu sobre nós até me olhar com seriedade.
- Bom doutora, fofoca feita e mais uma missão para tentar nos livrar das garras do Idiota do Salvani. - seu comando tocou e senti um frio na espinha quando me encarou com os olhos arregalados.
- O que aconteceu?
- Corre para entrar, o trauma que está chegando é para você, doutora! - mordi meu último pedaço de sanduíche e me coloquei de pé - Traumatismo cranioencefálico grave, acidente de carro na rodovia 45, paciente bateu gravemente a cabeça.
- Como queria que fosse o Dr. Matteralla como o cirurgião da noite - desabafei abertamente enquanto corremos para a entrada de emergência -, já faz um tempo que não paramos juntos.
- Sinto te dizer, mas ele estará contigo hoje. - parei para encará-la - é ele, olha.
- Onde? - mirei a entrada e só vi a maca entrando as pressas com o meu atendimento - Cadê?
- Na maca! - minhas pernas travaram quase me jogando no chão - Sinto muito, mas será ele seu paciente.
Voltei a caminhar sentido aos socorristas, com meu coração batendo na garganta.
- Anda Pillar, vamos! - sai do transe com Juan estalando os dedos na minha frente - Não é o pupilo do Alejandro, sua pedrinha preciosa? Já era para estar na entrada somente pelo jeito como baba ao falar de você dizendo ser a melhor residente deste hospital.
- O que aconteceu com seu rosto? - perguntei notando uma vermelhidão no seu olho esquerdo que com toda certeza ficará roxo.
- Não é da sua conta, fuxiqueira insolente. - estranhei as palavras tão agressivas - Veremos se é mesmo tudo o que Alejandro vive dizendo por aí.
Suas palavras me deixaram sem graça e meio trêmula, peguei o prontuário da mão do socorrista que me adiantou seu estado.
- Será você a salvar sua vida, porque é a plantonista da noite. - rude declarou o que já sei - Não intendo como ele e seu irmão permitam que fique como responsável se ainda faltam meses para finalizar sua residência! Acho isso uma...
- Cala a boca! - exigi colocando o tablet em cima da maca, sabendo que não posso perder tempo discutindo com ele - Deixe de me insultar, afinal, nem neuro você é para colocar na balança se sou boa ou não!
Segui para a sala cirúrgica que tem na ala de emergência e fui me preparar. Estava lavando minhas mãos quando Juan entrou na sala de higienização. Ele colocou um avental cirúrgico e decidi ignorá-lo para não iniciar uma cirurgia com os nervos à flor da pele.
Ele entrou e ficou quase em cima de mim, e só não me distrai por aprender a focar somente no paciente à minha frente, já que meu mentor fazia isso com muita frequência só para que me acostumar em operar sob pressão.
Quando iniciei a cirurgia, sua pressão intracraniana estava muito elevada, indicando hematomas subdurais. Fiz uma trepanação para drenagem dos coágulos e após 7h consegue liminar, 90% deles.
Foram necessários mais 40 minutos de drenagem para que os sinais se normalizarem.
- Não seria nenhuma novidade se tivesse se deitando com ele, afinal, só não vê que Alejandro estava trepando contigo, quem é cego.
Suas palavras baixas em meu ouvido me deixaram tão irada que me virei para ele disposta a dar um basta nessa situação.
- Me respeite! Pensa falar com quem? Acredita que por ser uma residente pode se referir a mim desse jeito? - questionei em alto e bom-tom - Não sussurra suas piadinhas no meu ouvido Dr. Salvani, não se esqueça que o nome em cada um dos 200 hospitais espalhados por toda Europa é o meu, então, não me venha com essa merda de intimidação, posso ser uma residente no final da minha conclusão que ainda, sim, não lhe dá o direito de me ofender dessa forma ou pensa que me sinto ameaçada por você?
Deu um passo para trás, entendendo que não gostei das suas atitudes, ele olhou a nossa volta se dando conta que não aturarei suas gracinhas, como as demais mulheres desse hospital!
- Pensa que é quem para falar assim comigo? - o ignorei - Acredita que tem privilégios por ter o nome na porta?
- Fique sabendo que não tenho medo de você! Saiba que a residente aqui pode estalar os dedos e estar no olho da rua, afinal você pode ser o médico requisitado lá na esquina, é só me ofender mais uma vez!
- Sua filha...
- Cale sua boca! Dentro da minha sala cirúrgica quem fala alto sou eu, você não deveria nem estar aqui! - o interrompi antes que seguisse com à ofensa - Acha mesmo que não posso te colocar para fora daqui e digo mais, falta isso aqui. - lhe mostrei a ponta do meu dedo mindinho bem diante da sua cara - Para colocar seu nomezinho na lama, ainda não sei de tudo, mas quando descobrir, pode ter certeza que não será mais um médico!
Seus olhos faltaram pouco voar da cara e me sentindo grande por dar um jeito nesse filho da puta, decidi também colocar para fora as palavras que vivem entaladas na minha garganta!
- Escuta bem o que vou te dizer! Tenho o maior privilégio de ser uma das donas desse hospital, me formei em medicina para comandar junto ao meu irmão e o Dr. Matteralla esse grande império, então, sim! Tenho privilégios por ter meu nome na porta, nunca se esqueça disso!
Engoliu seu orgulho e saiu pisando firme. Assim que me vi sozinha com minha equipe, tentei segurar o choro, mas não foi bem isso que aconteceu.
- Parabéns, doutora! Finalmente, alguém que coloca esse homem em seu lugar. - foi a minha enfermeira cirúrgica a declarar isso - Não chore... esse inconveniente mereceu cada palavra.
Ela iniciou uma salva de palmas que os demais acompanharam e de certo modo essa aclamação fez eu me sentir bem.
- Bom, chega desse assunto e podem levá-lo para o pós-operatório.
Fiquei admirando Alejandro ser encaminhado pelos enfermeiros e quando me vi sozinha na sala cirúrgica tirei minha touca e alisei meus cabelos.
- Chega! Faltam apenas quatro meses para o final da minha residência e não baixarei minha cabeça nunca mais. Se esse miserável estiver assediando alguma das minhas enfermeiras ou alguma médica, vai se ver comigo.
me tornei confiante quando decidi que me divertir era muito mais importante que o medo de passar vergonha.
PILLAR LAZZARO
MEDIC SALUD | 04:38
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Após o estresse com Juan tomei banho para tirar a tensão dos meus ombros e quando finalizei fui até sala do pós-operatório dar uma olhadinha no Alejandro.
Próximo ao seu leito perdi a noção do tempo que fiquei pedindo a Deus para que, acorde bem e sem nenhuma sequela.
Aproveitei que esta sedado para segurar em sua mão e como não tem ninguém aqui acho que posso falar abertamente como sou apaixonada por ele.
- Mesmo que nunca fiquemos juntos, saiba que quero seu bem, asseio que acorde logo para voltar a andar por esses corredores todo elegante e bem cheiroso. - alisei seu rosto realizando meu desejo de sentir sua pele - Você é o motivo dos meus sonhos dormindo e acordada.
Passei uns trinta minutos contando em riqueza de detalhes como me apaixonei por ele e sorrir por declará meus sentimentos platônicos que jurei a mim mesmo nunca contaria a alguém.
Alisei sua sobrancelha grossa e de pertinho fiquei o imaginando de barba, já que vive com o rosto sem um pelo sequer e por estar começando a crescer deve ser daquelas bem preenchidas que deixam os homens bem atraentes.
Me dando conta que posso estar passando do limite com esses carinhos, olhei a minha volta e repousei minha mão em seu peito.
- Tenho que ir. Até amanhã! - me despedi e acaricie seu rosto mais uma vez antes de voltar para o dormitório.
Sentindo meus pés latejarem, apaguei a luz e me deitei disposta a tirar um cochilo de 30 minutos.
Mal fechei os olhos e me veio a fisionomia do homem que é o responsável pelos meus sonhos mais intensos, entubado e totalmente indefeso em um leito.
- Faltam 4 meses para acabar minha residência e hoje tive que operar o meu mentor, sei que fiz tudo corretamente e se caso houver sequelas será devido ao acidente, disso tenho certeza.
Alejandro confiava em mim para operar casos bem semelhantes ao dele sozinha tendo 100% de recuperação me deixando cada vez mais confiante nesse último ano e foram poucas às vezes que ele esteve comigo em uma sala cirúrgica e as que estava foi somente observando.
- Com ele não diferirá, vai ter uma boa recuperação, sei que sim. - angustiada, me encolhi na cama.
Tentei dormir a todo custo e não consegui, por estar imaginando como será para ele descobrir que a esposa faleceu.
- Acredito que era muito apaixonado por ela, já que não olhava para nenhuma mulher com malícia e quando se tratava de assuntos pessoais como viagens ou relacionamentos, a conversa sempre girava em torno de Damires.
Os sete anos de residência passaram na minha cabeça como um filme e me senti péssima por deixar que esse sentimento platônico se enraizasse dessa forma.
- Só não entendo como o destino brincou comigo desse jeito! Tentei me envolver com outros homens, mas nunca ia para frente - choraminguei - a verdade é que sou loucamente apaixonada por Alejandro e ele sequer me enxerga como mulher.
Sequei uma lágrima devido minha melancolia me deixar tão frustrada.
- Seria tão fácil se me olhasse e falasse; Pillar eu te amo, te desejo e quero me casar contigo!
Comecei a rir por deixar minha imaginação fértil criar suposições que nunca irão acontecer!
Mesmo aos 39, Alejandro é elegante, cheiroso e exala confiança por onde passa. Seus cabelos atualmente estão mais grisalhos, o que lhe dá uma beleza mais madura. Seu sorriso sincero, digo, o largo que dar sempre que Manu faz alguma piada envolvendo a virilidade dele, esse sim é magnífico, porque estreita os olhos, deixando sua expressão facial tão perfeita que até um cego se apaixonaria.
Ou aquela cara de desdém com sua sobrancelha esquerda bem arqueada, que direciona ao Pedro toda vez que diz que é imune ao amor.
Só de pensar, partes do meu corpo se umedecem de um jeito que chega ser constrangedor ficar tão excitada por um homem que nunca me olhou como mulher! Para Alejandro Matteralla serei sempre Pillar, sua melhor residente em anos!
- Nunca fui fã de homens mais velhos, mas curiosamente quando bati os olhos nele, simplesmente me apaixonei. - cobrir minha cabeça com travesseiro de modo a afastar esses pensamentos - Chega! Tenho que seguir em frente, porque mesmo viúvo, nas sercustancia que tudo aconteceu, tenho certeza que fica um bom tempo sozinho e quando resolver se envolver com alguém será com uma mulher da sua idade já que temos 12 anos de diferença.
Respire fundo me achar louca, por não seguir adiante e ter me evolvido com outra pessoa. Fechei os olhos e me concentrei em pegar no sono.
Às oite decidi me levantar, Como não consegui dormir comecei a arrumar minhas coisas para ir para casa. Troquei de roupa e ao sair fui surpreendida por Manu encostado na parede com os ombros caídos e cabeça baixa. Quando nossos olhos se conectaram constatei que os deles, estão bem vermelhos.
- Manu... - ele se aproximou -, pensarmos positivo. A princípio Alejandro ficará bem, calma, esperaremos para ver como será seu pós-operatório.
Pedi, sabendo que por serem amigos de longa data esteja com medo que algo aconteça com o amigo.
- É o nosso pai! - senti um frio na espinha com essa menção - Ele...
Por sua fisionomia é notavel não ser uma boa notícia.
- Ele passou mal novamente? - negou com a cabeça antes de levar as mãos aos olhos e um pressentimento ruim me atingiu - O que aconteceu?
- Não sei ao certo, mas pelos relatos da nossa mãe, acredito que foi infarto fulminante...
- Está tentando me dizer, que o nosso pai... - a pequena palavra engasgou em minha garganta e ele concordou - mentira, não é possível.
- Não tenho porque mentir! - minhas lágrimas rolaram e deixei que o choro me consumisse.
- O que fará? - questionei pensando na melhor forma de irmos juntos para Marbella - Meu plantão acabou, tenho que ir em casa pegar a Fifi e deixar com a Tiane, se puder me esperar!
- Vou na frente, nossa mãe precisa de apoio. Só fiquei, porque a pessoa que poderia lhe dar essa notícia acabou de sair dessa sala em cima de uma maca.
- Vou em seguida, chegou ao anoitecer, no mais tardar amanhã pela manhã, pois vou de carro, como seguirá para lá. -
- Vou no helicóptero do Salus, ele já está à minha espera. - fiquei de acordo - Não demore a chegar tentarei agilizar tudo para o enterro.
- Tudo bem! Só não levo a Fifi, porque a viagem é longa. - abraçados fomos para a saida - Diga a mamãe que logo chegarei.
- Não demora! - acenei em positivo - até mais tarde.
Ele seguiu para o elevador de modo a ir para o heliponto. quando sumiu de vistas fui atrás da Tiane.
Entrei no dormitório dos enfermeiros e ela estava trocando de roupa.
- O que aconteceu? - ainda vestindo a calça veio até mim quase caindo - não me diga que ele não resistiu?
- Alejandro está no pós-operatório e por hora se encontra fora de perigo, meu choro é por outro motivo. - ganhei um abraço forte - fica com a Fifi pra mim, tenho que ir para Marbella.
- Sua mãe está bem? - disse que sim me agarrando a ela para chorar - Oh, Pillar... seu pai passou mal novamente?
- Ele se foi, meu pai... - ela me apertou em seus braços - tenho que ir pra casa, como vou de carro, poderia ficar com ela pra mim?
- Claro, amo aquela cachorra, já está indo? - disse que sim - vou contigo, me dá as chaves que vou dirigindo.
Lhe entreguei sem nenhuma resistência, na saída deixei as orientações para o Sebastian e pedi que me mantivesse informada do estado clínico do Alejandro.
Após a confirmação fomos para o estacionamento.
- Nem sei como consolar sua dor, mas chorar é a única coisa que alivia.
- Também penso dessa forma.
Por estar muito cansada pegamos Fifi em minha casa e fui para a dela dormir um pouco antes de pegar 5h de estrada.