"Kimberly, você perdeu!"
As cartas na mesa revelavam um par de Ás de Copas, indicando que a jogadora devia aceitar a punição conforme as regras de Verdade ou Desafio.
"Ok, eu perdi." Kimberly Powell admitiu com um encolher de ombros, tomando um gole de seu martíni. "Qual é a minha punição?"
Ela lançou um olhar nervoso para Millie Walsh, sentada à sua frente, e acrescentou: "Só não faça nada muito severo."
Millie riu de forma travessa, mexendo seu vinho suavemente. "Kimberly, é raro encontrar você no bar, e ainda mais raro ver você perder. Vamos fazer algo memorável."
"O quê? O que é?"
Kimberly sentiu-se inquieta sob o olhar de Millie.
Millie era conhecida por suas inúmeras brincadeiras e sua falta de misericórdia quando se tratava de pregar peças.
"Você precisa ir até a porta, encontrar um homem e perguntar-lhe sobre a cor da sua roupa íntima. E lembre-se, você tem que verificar com seus próprios olhos."
"Não!" Kimberly respondeu prontamente, rejeitando a ideia de imediato.
Millie estreitou os olhos e encarou Kimberly.
Suspirando, Kimberly implorou: "Millie, vamos escolher outra coisa. Isso é demais."
"Demais?" Millie levantou seu copo, percorrendo o ambiente com um olhar confiante. "Alguém aqui acha que é demais?"
"De jeito nenhum!"
"Absolutamente não. Eu acho até leve."
Os amigos na sala estavam ansiosos para agradar Millie.
Kimberly sentiu vontade de sair do sério de frustração.
Então, uma ideia surgiu em sua mente, e ela piscou. "Millie, eu acharia essa punição bem divertida no passado, mas agora..."
Ela ofereceu um sorriso inocente e desamparado. "Você sabe, eu estou casada. Meu marido não aprovaria."
Casamento! Era uma desculpa conveniente!
Kimberly sentiu-se orgulhosa de sua esperteza e queria se aplaudir.
Mas Millie zombou, levantando uma sobrancelha. "Seu marido?"
Inclinando-se para perto de Kimberly, Millie baixou a voz. "Ele está ausente há seis meses desde que vocês se casaram, e recentemente foi fotografado em um evento de caridade com Melina Shaw, que acabou de ganhar o prêmio de Melhor Atriz."
Millie então desbloqueou seu telefone e abriu uma foto para mostrar a Kimberly. "Eu estava nesse evento também e tenho fotos em alta definição."
O olhar de Kimberly imediatamente se fixou em um homem alto e bonito em frente a uma mulher em um vestido longo. Seu sorriso exalava graça e nobreza.
Um frio súbito inundou o coração de Kimberly, como um banho de água fria.
Ela sentiu uma pontada de decepção se instalar dentro dela.
Levantando-se com determinação, ela declarou: "Tudo bem, eu aceito a punição. Só espere."
Millie saboreava seu vinho de forma despreocupada, com um sorriso nos lábios. "Vá em frente, então."
Kimberly aproximou-se da porta do bar, seu pulso acelerando. Era tarde demais para desistir agora.
Inspirando profundamente, ela espiou lá fora e avistou um homem.
Baixando o olhar e escondendo o rosto com a mão, ela se aproximou dele.
"Com licença, qual é a cor da sua roupa íntima? Posso ver?"
Nenhuma resposta veio.
O homem parecia estar atordoado.
De seu ponto de vista, Kimberly só conseguia ver seus elegantes e caros sapatos de couro preto.
Ansiosa, ela torceu os dedos e considerou perguntar a outro homem caso ele permanecesse calado.
Quando estava prestes a levantar a cabeça para olhá-lo, ouviu a voz clara e agradável do homem.
"Você pode, se quiser. Mas como pretende me compensar, Sra. Hussain?"
O quê? Sra. Hussain?
Kimberly levantou a cabeça, chocada.
Ela viu um rosto bonito, mas familiar. Suas sobrancelhas escuras e marcantes e seu olhar frio o tornavam imponente. Seu nariz proeminente destacava seus traços, e seus lábios curvavam-se em um meio sorriso. Era ninguém menos que seu marido, Charlie Hussain.
Kimberly desejou poder fingir que não o conhecia. Melhor ainda, desejou poder simplesmente desaparecer.
Mas Charlie já havia se aproximado, pegado sua mão e a colocado perto de seu cinto.
Kimberly tentou se afastar, mas o aperto de Charlie se intensificou.
"Vá em frente. Abra você mesma se estiver curiosa."
Sua voz era sem emoção, tão fria quanto sua postura.
"Não, mudei de ideia."
Kimberly estava começando a entrar em pânico. Ela não esperava que escolher alguém aleatoriamente a levasse direto ao seu marido.
Como poderia acontecer uma coincidência dessas?
"Não?" O escárnio de Charlie era inconfundível. "Você não está interessada no meu? Está à procura de outro homem?"
Havia um claro traço de raiva em suas palavras finais.
Naquele momento, ele apertou a mão de Kimberly mais firme e a colocou na fivela de seu cinto.
Kimberly fez uma careta, sua expressão de angústia. "Não, eu apenas perdi um jogo," disse ela, sua voz suavizando. "É apenas uma punição."
Com essas palavras, ela olhou para Millie e os outros na cabine.
Charlie também lhes lançou um olhar frio.
Sua esposa estava no bar para conferir a roupa íntima de outro homem?
Ela estava tentando fazê-lo de bobo enquanto ele estava fora em uma viagem de negócios?
"Punição?" Charlie disse, um tom de zombaria na voz. "Isso é bem interessante."
Então ele soltou a mão de Kimberly e sussurrou para ela, "Só para você saber. É preta."
Sua respiração quente em seu ouvido a fez arrepiar.
O coração de Kimberly acelerou.
Ele nunca tinha sido tão íntimo com ela antes.
Além de uma breve troca de palavras no dia do registro do casamento, ele havia partido logo depois para uma viagem de negócios no exterior, deixando-os com quase nenhuma comunicação.
Se não fosse por esse encontro casual hoje...
Percebendo o olhar perplexo de Kimberly, Charlie sorriu. Ele gentilmente afastou seu cabelo e disse em uma voz baixa e sedutora, "Tenho coisas para resolver. Quando eu voltar, você terá uma visão mais próxima."
Com isso, ele retirou a mão de seu ombro, endireitou o rosto e se dirigiu para o fundo do bar.
Kimberly hesitou por um momento, as luzes fracas do bar brincando com as sombras, obscurecendo seu rosto e emoções.
Ela voltou ao seu assento, pegou seu martini e rapidamente o engoliu de uma vez.
Todos ficaram chocados.
Millie limpou a garganta e perguntou, "O que aquele cara disse para você? Você parece assustada."
"Ele não estava usando roupa íntima." Kimberly mordeu o lábio, colocando o copo um pouco forte demais, sua voz subindo ligeiramente.
"Sério? Você viu algo que preferia não ter visto?"
"De jeito nenhum! Ha-ha! Estou tentada a dar uma olhada eu mesma."
"Fique à vontade para dar uma olhada. Preciso de um pouco de ar." Enquanto a conversa fervilhava ao seu redor, Kimberly se levantou e tocou o ombro de Millie. "Me liga quando estiver saindo."
Fora do bar, a brisa fresca era reconfortante, aliviando o calor das bochechas de Kimberly.
Ela caminhou pela rua, perdida em pensamentos.
De repente, um carro parou ao seu lado.
A janela abaixou-se gradualmente.
Charlie, com uma expressão impassível, disse friamente, "Entre no carro."
Kimberly ficou parada, estreitando os olhos para o homem sentado no carro.
Seu rosto estava inexpressivo, transmitindo uma sensação de frieza e distanciamento.
Ela apertou os punhos e deu um passo para trás, um sinal claro para Charlie de que ela não pretendia entrar no carro.
A expressão de Charlie tornou-se severa, seu olhar intenso, e sua voz caiu para um tom mais frio. "Kimberly Powell!"
Quando ele usava o nome completo dela, era um sinal claro de que não estava de bom humor.
Nem Kimberly nem Charlie se moveram; eles apenas se encararam em silêncio à distância.
Após três minutos tensos, Kimberly se sentiu sobrecarregada pela presença avassaladora dele. Relutantemente, abriu a porta e entrou no carro.
Considerando que este homem era tanto seu marido quanto aquele a quem devia dinheiro, achou melhor não provocá-lo neste momento.
"Você poderia me deixar nos Apartamentos Riverside, por favor? Obrigada!" ela pediu.
No momento em que as palavras saíram de sua boca, ela notou a testa de Charlie se franzir em confusão. "Onde fica isso?" ele perguntou.
"É onde estou morando agora", Kimberly soltou impulsivamente.
Imediatamente depois, ela se repreendeu mentalmente, desejando poder retirar suas palavras como se nunca tivessem sido ditas.
Os olhos de Charlie estreitaram-se ligeiramente. Ela estava morando lá agora?
Então, durante sua viagem, ela não estava ficando em seu lugar nos Apartamentos Skyline.
Com esse pensamento, seu olhar ficou carregado de irritação. Ele disse com uma pitada de descontentamento, "Vamos para os Apartamentos Skyline."
Kimberly rapidamente virou-se para ele. Sob o olhar intenso do homem, ela cedeu e decidiu ficar quieta.
O carro ficou silencioso.
Kimberly pegou seu telefone e enviou uma mensagem para Millie, dizendo que não voltaria para casa naquela noite.
Enquanto estava absorta em seu telefone, os olhos atentos de Charlie a observaram.
Seu cabelo castanho caía suavemente sobre os ombros, ligeiramente ondulado nas pontas. Seu perfil era marcante. Ela tinha uma testa lisa, um nariz reto e lábios cheios e vermelhos.
Ela vestia uma blusa branca e jeans curtos e claros, revelando um vislumbre de seu colo e suas longas pernas.
Charlie desviou o olhar, um sorriso sarcástico formando-se. "Você parece aproveitar bem quando estou fora."
De repente, o motorista freou bruscamente, e Kimberly foi lançada para frente, batendo no assento à sua frente.
"Ah!" ela exclamou e logo recuperou a compostura. Ela esfregou a testa, seu rosto mostrando um pouco de desconforto. "Não, eu não estou me divertindo."
Charlie olhou para ela friamente, provocando ao puxar a borda de sua blusa. "Vestida assim para ir a um bar e olhar a roupa íntima dos homens, né? Você realmente sabe como aproveitar a vida."
Ele deu-lhe um olhar zombeteiro e desdenhoso, com um leve sorriso nos lábios.
Kimberly sentiu o impacto das palavras duras dele e ficou sem reação por um momento.
Ela se afastou ligeiramente, abraçando-se, sua voz incerta. "Isso é só uma brincadeira."
"Kimberly, você precisa entender seu lugar agora."
Seu tom era gelado, com um toque de acusação.
Quem ela realmente era? A esposa de Charlie?
Mas quem realmente acreditaria nisso?
Eles estavam casados há seis meses. Seu marido estava sempre em viagens de negócios, frequentemente visto com outras mulheres.
Se ela olhasse agora para o espelho retrovisor, certamente veria a amargura e a infelicidade em seu rosto.
Mas por que estava chateada?
Ela sabia desde o início que seu casamento era apenas um arranjo conveniente.
O avô de Charlie, Kellan Hussain, havia concordado em quitar as pesadas dívidas de seu pai após sua morte. Por que Charlie concordou com este casamento por insistência de Kellan era um mistério para ela.
Seria porque ele não podia se casar com Melina, então a identidade da noiva realmente não importava para ele?
Kimberly fechou os olhos e apertou os punhos em segredo, ocultando seu descontentamento.
Finalmente, ela abriu a boca e sussurrou uma única palavra: "Está bem."